Fórum de linguística l

Conforme aprendemos Saussare transformou a língua em seu objeto de estudos. Para isso ele deixou à parte a fala, não porque a considerasse sem importância, mas para objetivar suas pesquisas. Estes fatos não desmerecem a fala, pelo contrário, o próprio Saussare reconheceu que é ela que faz evoluir a língua. Línguas não faladas caem no desuso e morrem. Sem contar que aprendemos a língua materna apenas por ouvi-la. A língua e a fala são interdependentes e igualmente relevantes para os estudos linguísticos. A palavras escolhidas por um grupo de falantes de determinado lugar, ou idade, ou classe social, podem variar consideravelmente embora todas falem a mesma língua. Isto é fascinante! Até mesmo pessoas de uma única comunidade podem contar uma história idêntica com palavras totalmente diferentes. Esta riqueza de possibilidades abre oportunidades inúmeras para investigações. Os linguistas como pesquisadores natos, encontram um leque de opções para sondagem. Certamente a fala é preciosa.

 

Nota máxima: 25 / 25
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Fórum de Didática

Não é preciso ir muito longe para comprovar os resultados da pesquisa de Carlos Gil, tenho duas adolescentes em casa cursando o ensino médio. Por exemplo o item 2: A avaliação conduz a injustiça. Cansei de ouvi-las reclamar que estudaram um monte de matéria e só caíram uma ou outra coisa que nem estavam nos textos estipulados. Ou como no item 8: As avaliações desestimulam a expressão dos juízos pessoais dos alunos. Quantas vezes elas já me contaram que responderam exatamente o que o professor queria, embora tinham uma opinião diferente ou mais ampla, apenas para conseguir a nota desejada sem criar controvérsias. E ainda pior no item 13: As exigências da avaliação dificulta o avanço dos estudantes. Minhas duas filhas são boas alunas, gostam de estudar, de ler, de interagir em sala. Mas como é óbvio elas são pessoas diferentes com facilidades e dificuldades distintas. Essa individualidade é totalmente desconsiderada quando as avaliações são preparadas tendo em vista apenas um programa a cumprir, cujo aprendizado dos alunos será o objetivo de avaliação. Cada aluno tem seu ritmo de aprender, e precisa ser estimulado a prosseguir descobrindo novas ligações de conhecimento. Sem dúvida as avaliações precisam ser “reavaliadas”. É lógico que sempre será necessário um meio de descobrir se nossos alunos estão absorvendo o conhecimento. Entretanto mudanças são nitidamente essencial neste caso.

Nota máxima: 25 / 25

 

Fórum sobre o estágio

Devo começar dizendo que foi muito didático e prazeroso estar em sala de aula. Também preciso ressaltar que fui muito bem acolhida pela coordenação e pelos professores da escola. Soube que muitos colegas tiveram dificuldade em encontrar uma escola com a equipe diretiva disposta a ceder espaço para um estagiário. Este felizmente, não foi meu caso. O único problema real que enfrentei foi um perigo de greve, que acabou por mudar meus planos. A primeira escola que contatei para o estágio é estadual. Aqui no meu estado, o Paraná, houve uma assembléia do sindicato dos professores com grandes chances de uma paralisação se concretizar. A secretária da escola, muito chateada, me informou essa situação e ainda que as datas que estavam separadas para o meu estágio precisariam ser trocadas. Depois de me aconselhar com nossa mediadora, achei melhor procurar uma escola particular para não ter imprevistos no meio do processo. Fui novamente muito bem recebida por todos. A professora regente, muito qualificada e habilidosa, mostrou-se muito cooperativa e compreensiva. Durante minha observação pude ver como ela aplicava os recursos didáticos disponíveis, como envolvia os alunos no conteúdo discutido e como reforçava a matéria sem parecer cansativa. Percebi também, que embora não deixasse de usar o livro didático, ela procurava usar outros exercícios e argumentos para ajudar os alunos a entender bem o assunto. Quando chegou a minha vez de reger a turma, procurei seguir seu exemplo. Usando o conteúdo que ela separou para que eu trabalhasse com a sala, me esforcei em passar com leveza, clareza e um pouco de humor toda informação relevante para eles. No fim de minhas aulas, os próprios alunos disseram que tinham entendido bem o conteúdo, e isso foi confirmado pela facilidade que concluíram com êxito as atividades propostas. A professora regente também gostou da minha atuação. Me convidou para fazer os outros estágios com ela. Lógico que nem tudo são rosas. Tinha um ou outro aluno com dificuldade de aprendizado, tinha também uma aluna com autismo, as aulas eram várias vezes interrompidas por alguém da secretaria para dar recados. Teve até um pequeno problema na tubulação que interditou a sala dos professores. Mas nada que tirasse o brilho de lecionar e de ter contato com colegas de profissão tão dedicados. Não vejo a hora de começar a próxima fase do estágio. E por incrível que pareça, encontrei alguns dos alunos da escola, e eles também estão esperando pelas minhas aulas. Disseram que a professora explicou que logo voltarei para continuar meu estágio. Não é maravilhoso? Fiquei muito satisfeita.

 

Nota máxima: 100 / 100

Fórum de língua Portuguesa lll

Análise linguística para 6 ano . Escolhi trabalhar com Limeriques que são divertidos e envolventes, dando oportunidade aos alunos de reconhecer figuras de linguagens e estruturas textuais

Limeriques da Coroa Implicante

Confesso que sou exigente

Nem tudo me deixa contente

Me dizem, “Coroa, Tu implicas à toa”

— Mas sei com que implico, viu, gente!

Coisas com que implico e não gosto

É bafo de fumo no rosto!

— Se tu queres fumar

— Sopra fumo pro ar —

Não me imponhas esse desgosto!

Quem as minhas coisas pegar

Sem repô-las no mesmo lugar

Me irrita de fato! Não deixo barato

— Não posso deixar de implicar!

Com quem vive sempre a falar

Andando, no seu celular,

Em casa e na rua,

No carro e “na lua”,

Implico sim, não vou negar!

Implico e não acho bonito

— Até acho pra lá de esquisito

— Pra livrar um dente

Usar de repente

A unha em lugar de palito.

Implico com moça educada

Bonita e bem arrumada

Que, toda coquete,

Rumina chiclete,

Com a boca aberta e pintada.

Implico com um infeliz

(Que pensa que sabe o que diz)

Que funga e espirra,

E que só de birra

Não quer assoar o nariz.

Implico com quem, sem um fim,

Pergunta, “Te lembras de mim?

Qual é o meu nome?”

Dizer — “Vê se some!”

Quero eu responder, isso sim!

Implico com o desavisado

Que me estende a mão, enfastiado,

(Sem ser cordial, Apenas formal)

Mão mole, qual trapo molhado.

Com quem leva livro emprestado

(Pra quem devolver “é pecado!”)

Figura danosa

— Eu fico furiosa!

Implico! É este o recado.

Será que eu já disse o bastante?

Dá pra perceber num instante

Quem sem discutir

Tenho que admitir:

Sou uma “coroa implicante”…

Mas entre parênteses, digo

— Veja se concorda comigo:

Na realidade

Há certa verdade

Nas tais implicâncias, amigos!

Atividade:

a) Como vimos os Limeriques são poemas curtos, sobre coisas engraçadas, onde o primeiro, o segundo e o quinto versos rimam, sendo que o terceiro e o quarto rimam entre si. De acordo com o poema, o que quer dizer a palavra coroa?

b) Nos versos existe alguma marca de regionalismo linguístico?

c)Na sua opinião, a coroa tinha razão em sua implicância? Explique.

BELINKY, Tatiana ; TEIXEIRA, Elisabeth. Limeriques da coroa implicante. São Paulo, Paulinas, 2006. 15p. (Cavalo marinho. Série Re-verso)

 

Nota máxima: 50 / 50

Fórum sobre Escritoras

Os livros de Jane Austen são maravilhosos. A escrita dela já foi muito analisada e sem dúvida elogiada com todo merecimento. As outras autoras mencionadas também são ótimas, embora talvez não tenham o refinamento dos diálogos de Austen. Os textos delas fazem muito sucesso por um motivo simples, elas apresentam relatos verossímeis. Embora ás vezes pareçam mirabolantes, são casos muito próximos da vida real. Assuntos que mexem com os sentimentos e envolvem suas leitoras. As mulheres no geral, tem a tendência natural de se importar com os outros, sofrer com os infortúnios alheios, se reconhecer na dor dos demais. E quando elas se deparam com uma heroína valente, batalhadora, incompreendida, apaixonada e por vezes desacreditada e preterida, automaticamente se envolvem com ela. Li recentemente em uma pesquisa, que as mulheres leem mais que os homens. E a maioria das mulheres tem ainda uma outra característica muito comum, elas tem prazer em conversar. Se gostam de um livro, logo suas amigas, seus parentes estarão sabendo disso. Existe propaganda melhor? Fica fácil entender a posição das editoras. Lógico que encontramos escritores homens que conseguem tocar a alma feminina, mas não se pode negar que as mulheres são mesmo complexas. Tem momentos que nós mesmas não nos entendemos. Mesmo a mais racional das mulheres, tem seus picos de controvérsias internas. Sendo assim, fica mais verdadeiro quando uma mulher narra as desventuras de outra. Seja como for, não importa o grau de instrução, a época em que vive, o lugar de sua origem, a criação que teve, mesmo que ela negue até a morte. Toda mulher é louca por um final feliz. Elas tem paixão em ver uma mulher vencedora na última página do livro. E que mulher em sã consciência não desejaria um senhor Darcy, ou um Duque de Hasting, ou o cigano de olhos cor de uísque, ou ainda um sisudo Duque de Bewcastle? Todos heróis dispostos a aceitar suas mulheres com os defeitos e as qualidades delas, sem a intenção de muda-las para a conveniências deles. Sim, esse enredo sempre fará sucesso entre as mulheres.

http://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/mulheres-leem-mais-livros-que-homens-no-brasil-460352.html

 

Nota máxima: 50 / 50

O ruivo solteiro

Epílogo

Diana

Era a primeira vez que uma tempestade atingia a cidade depois que me casei com o Ruivo. Choveu muito forte o dia todo. Alex já tinha embarcado para a Alemanha ha algumas semanas. Mesmo assim, quando soube da chuva violenta, ligou para falar comigo. Minhas irmãs também ligaram no meio do dia. Não disseram nada claramente, mas queriam que eu soubesse do apoio delas. Dirigi meu carro para casa com muito cuidado, as ruas estavam  perigosas. Antes de abrir o portal de entrada, comecei a abrir minha sombrinha. Neste instante, ele se abriu e sorridente com um guarda chuva enorme na mão, meu Ruivo lindo disse:

__Olá minha linda esposa, problemas com sua sombrinha?- E riu enchendo meu coração de conforto e coragem.

__Pensei que tinha reunião na escola hoje? – Ele me beijando disse.

__Desculpe desaponta-la, amor.- Entramos abraçados passando pelo caminho no jardim até a varanda, enquanto ele rindo me dizia:- Eu resolvi remarcar, muitos conselheiros estavam com dificuldade de chegar no horário por causa do tempo. Achei melhor trocar a data. Sem contar que estava louco de saudade de você.- Beijou meu rosto. Chegamos na porta de entrada e eu não tinha nem um respingo de chuva sequer. Ele não tinha permitido que me molhasse. Passamos uma noite agradável, conversamos, rimos, jantamos uma comidinha gostosa. A chuva lá fora persistia, mas dentro de nossa casa, eu me sentia segura. Olhei para meu marido de shorts e camiseta branca, sentado na cama, concentrado nos papéis que lia. Não era a casa, era ele que me fazia sentir segura. Olhei pela janela, a chuva estava mais branda, mas insistente. Um raio cortou o céu e em seguida o som do trovão me assustou. Tapei os ouvidos com as mãos, um frio imenso me invadiu, meus lábios tremiam. Senti seus braços em volta de mim, e sua voz baixa no meu ouvido.

___Estou aqui, amor.- Não disse mais nada, me levou para a cama, manteve as luzes acesas, me sentou em seu colo e encostou minha cabeça em seu peito. Ouvi outro trovão e me apertei contra seu corpo. Ele continuou acariciando minhas costas, meu cabelo. Eu comecei a ouvir o coração dele batendo, ritmado, poderoso, tranquilo. Me lembrei de ver Tia Lia assim muitas vezes com Tio Rick. Também vi Jorge com Alice nos braços e Liv nos de Ben. Eles já haviam me explicado que esse era um gesto antigo de amor entre eles. Os falcões imitavam Tio Rick, diziam que a certeza de ter a mulher amada protegida em seus braços, não tinha preço. As meninas diziam que Tia Lia estava sempre certa, e tinha razão quando falava que o compasso do coração de seu marido a acalmava. Percebi que era verdade. Não senti mais frio. Meu coração foi enchendo desse calor, depois de uma coragem que nunca tinha sentido antes. Meu corpo parou de tremer. Senti uma força blindando meus ossos. Os trovões pararam, mas a chuva não.

__Sempre vai estar comigo, não é?- Perguntei.

__Enquanto este coração que está ouvindo, bater.- Olhei em seus olhos.

__Você sabia que era hoje. Por isso trocou a data da reunião.- Afirmei. Ele acariciou meu rosto.

__Desculpe. Não quis ser bisbilhoteiro, mas eu queria saber para poder estar aqui com você. Não podia deixar você sozinha. Você não mora mais com suas irmãs e Alex está longe, eu… bem achei que você não conseguiria me contar. Pedi a Ben para descobrir para mim ha algum tempo. Ele não teve muito trabalho, estava no prontuário do hospital o dia que deu entrada depois do….- olhou-me- Depois da chuva. Eu já imaginava mais ou menos que era esse mês pela data de nascimento de Alex. Ele me ligou de manhã, perguntou como você tinha passado a noite passada. -Sorriu malicioso.- Disse apenas que você dormiu muito bem, deixei de lado alguns detalhes picantes de acontecimentos anteriores ao seu doce sono.- Riu.- Mas então tive a confirmação que as datas que Ben me trouxe eram reais. Eu já tinha remarcado a reunião e em seguida a chuva começou. Quis correr para o orfanato e te trazer para cá, mas achei que você não ficaria muito contente. Na verdade, da última vez que interrompi seu trabalho, você quase me matou de desespero.- Riu alto, eu também.- O que foi? Não acredita? Eu também tenho meus traumas. Interromper seu trabalho, só em caso de vida ou morte.- Rimos sem parar os dois. Senti uma alegria pura correndo em minhas veias. Beijei meu marido completamente apaixonada. Depois olhei naquelas lindas esferas verdes e disse:

__Você me ensinou a não ter medo do amor, da alegria. Por favor, me ensine a não ter medo da chuva? Como me ensinou a não ter medo de você?- Ruivo beijou-me com carinho. Levantou-se da cama comigo no colo. Caminhou para a porta da varanda. Acendeu as luzes do jardim e colocando-me de pé, pôs-se a trás de mim. Passou o braço direito em minha cintura, o esquerdo ele foi estendendo devagar, até passou por cima da floreira e a chuva caiu sobre a mão, pingando sobre sua aliança. Ele voltou a mão devagar e pegou minha mão. Primeiro molhou com cuidado acariciando os  dedos no movimento. Em seguido trouxe a  minha mão para a boca e beijou-a. A seguir foi levando a  minha mão na mesma direção que tinha colocado a sua por sobre a floreira. Tentei resistir um pouco, ele colocou os lábios no meu ouvido e disse:

__Confie em mim, amor. Jamais deixarei nada machucar você.- E beijou-me. Foi delicioso. Tanto o beijo como a chuva atingindo minha mão, aquecida pela mão dele. As gotas estavam frias no começo, mas depois pareciam fazer cocegas, quase uma massagem na pele. Ele riu.- Gostoso, né?- Balancei a cabeça sorrindo. Ele riu mais, se afastou um pouco, tirou a camiseta e andou de costas para o caminho no jardim sorrindo quando a chuva envolveu seu corpo. Abriu os braços e rodopiou devagar enquanto a água escorria por seu belo corpo. Depois me olhou com um olhar de felino. O safado estava se exibindo para mim, estava me seduzindo. O pior é que estava funcionando, já estava louca para estar lá com ele. Então ele voltou para a varanda, foi me abraçando e molhando todo o meu pijama de seda branca. Espalhou beijos pelo meu ombro, pescoço, rosto, orelha. Quando dei por mim estava sentindo uma gotinhas frias escorrendo pelo meu cabelo, pelo rosto, pelas minhas costas. Então percebi que já estávamos no meio do jardim. O panico ameaçou me envolver, mas ele me apertou em seus braços e disse.__Eu amo você. Você é o bem mais precioso que tenho. Jamais permitiria que nada ferisse você. Sei que sofreu muito, entendo que a chuva te traga lembranças terríveis. Mas as flores amam a chuva. Na verdade precisam dela. Você é a flor mais bonita deste jardim, também precisa fazer as pazes com a chuva. Deixei-me te mostrar que nem tudo que acontece durante a chuva é ruim. Deixe-me te dar boas lembranças, para que tenha forças para superar as ruins.- Beijou-me com todo o seu desejo. Não pude resistir. E Ele tinha mesmo razão, nem tudo que acontece na chuva, é ruim. Na verdade, pode mesmo ser muito bom. E esta foi só a primeira noite de chuva que ele me fez imensamente feliz. Sem contar os dias felizes. Um em especial, gosto muito de me lembrar. Foi quando vi meu lindo Ruivo sem fala pela primeira vez. A família estava toda reunida. É sempre muito bom quando Ruivo está com seu irmão e seu primo. Eles se divertem como se fossem crianças.Tem sido assim desde que os conheci. São uma família muito amorosa e descontraída. O avós estão mais idosos, mas ainda são saudáveis. Vovô Carlos tem o coração fraco, mas ele tem se cuidado melhor nos últimos anos. Os tios Rick e Lia, continuam em sua eterna lua de mel. É bonito de ver seu romance sem fim. Os pais, Beto e Nina, implicam um com o outro todo o tempo. Os meninos dizem que é assim que se amam. Ben e Liv são muito lindos juntos, e suas gêmeas são  demais. Totalmente diferentes, na aparência e na personalidade. E mesmo assim, nunca se separam. Gostam de fazer tudo juntas, uma gracinha. Jorge e Alice parecem ter saído dos livros de época. Ele um belo protetor gigante e ela a doce e delicada bailarina. Ambos correndo atrás de Cisco cada dia mais travesso e sorridente. Alana já estava com 13 anos naquele dia,  linda e muito inteligente. E já tinha amarrado em seu dedo mindinho o lindo e moreno Rody , com seus 15 anos. As meninas de Dalia também estavam mocinhas, todas gostam de estudar e de dançar, Xande não se cabe de orgulho. Nos  bailes no quartel, elas fazem o maior sucesso. Cunha  foi condecorado por uma ação heroica em seu trabalho, mas levou um tiro na ocasião. Isso assustou muito Deise. Ele deixou a corporação. Agora também é enfermeiro no Hospital de Deise. Na verdade, ela é chefe dele. As meninas se divertem com isso, só o pequeno Marcelo que acha o cúmulo, mamãe mandar no papai o tempo todo. Eu sempre trabalhando no orfanato, gosto muito. Quando lido com as crianças procuro me lembrar do jeito carinhoso que Dona Elisângela me tratou naquele dia terrível. Ela tinha falecido no ano anterior, fiquei muito triste. Felizmente, ela teve tempo de ver Irene se casar com João Pedro, filho do Sr Geraldo, amigo do Vovô Rodolfo. Ela sabia que Irene, assim como eu ganhou uma boa e amorosa família. Meu amado Ruivo, que sempre está ao meu lado, continuava e continua dirigindo alegremente a Prestes de Medeiros, a escola recebeu 3 prêmios. Um inclusive, por causa das excelente normas de segurança. Normas que  já existiam e foram reforçadas depois que aquele monstro tentou levar meu Alex. Graças a Deus, e a Ben ele foi preso, e até onde sei não sai tão cedo. Por falar em Alex, meu lindo filho casara-se com Clara na primavera. Foi lindo, chorei muito. Menos que Beto, é claro. Tudo foi perfeito, desde o pedido que fez na frente de todos, no aeroporto, no dia que chegou da Alemanha vindo do intercâmbio. Um de seus projetos tinha sido escolhido e comprado por uma grande multinacional. Ele tinha ganhado também uma bolsa na faculdade, e tinha sido contratado como projetista na mesma empresa que trabalha até hoje. Tudo mérito próprio, sem intervenção do Ruivo, ou da família. Ela concordou, lógico, mas queria terminar a faculdade antes de casar. Clara sempre muito inteligente e empreendedora. Ela fica mais linda a cada dia, e ficaria ainda mais. Ela, que estava no pequeno palco do disputado restaurante, onde é a chefe e a proprietária o ‘Medeiros’, estávamos esperando que todos chegassem para dar uma notícia bem feliz. O restaurante está sempre lotado, mas neste dia ela tinha reservado todas as mesas para nós, para nosso almoço de família. O restaurante fica na orla, tem uma vista maravilhosa. Tem tudo muito harmonioso e alegre, a cara de Clara, e muitas fotos lindas nas paredes, todas que Clara tirou. Eles moram em cima do restaurante.  O apartamento deles é bem amplo, tem um jardim lindo de inverno que Tia Lia e o Ruivo fizeram, e uma sacada com vista para o mar de cair o queixo.  E mais importante, foi projetado com quartos sobrando. Enfim, Alex chegou, tinha ido atender um chamado urgente. Caminhou direto para sua linda esposa, beijou-a e se voltou para nós. Clara esperou que ele chegasse até seu pai, o Ruivo, então chamou a atenção de todos e começou seu breve discurso.

__Minha querida família. A muitos anos escutei meu amado tio Rick, agradecer durante um discurso, por ter nascido numa família tão generosa, incentivadora, amorosa e protetora. Naquele momento não entendi direito o porque de sua gratidão. Hoje sei que infelizmente, nem todos tem nossa sorte.- Olhou para minhas irmãs.-Mas com o tempo percebi que quando nos esforçamos de verdade, acreditamos realmente, conseguimos encontrar a felicidade, mesmo que tenhamos um começo muito triste. – Ela olhou para mim, era a minha deixa.- E  muitas vezes no momento de maior desespero, encontramos um anjo, um tesouro, um motivo para continuar lutando.- Ela olhou apaixonada para Alex.- Gostaria de convidar para repartir este momento comigo, a pessoa responsável pela minha razão de viver, a pessoa que deu inicio a maior felicidade que eu poderia ter. Diana, minha querida sogra.- Levantei-me e fui até ela. Ela segurou minha mão, ficamos de mãos dadas.

__Essa linda menina disse uma grande verdade. Eu não sabia que famílias tão amorosas realmente existiam. Achava que era coisa de novela ou algo assim. Mas a convivência com pessoas maravilhosas durante meu percurso de vida, me fizeram crer que nem tudo estava perdido. Descobri que mesmo nos momentos mais difíceis, nunca estamos abandonados. E se procurarmos bem, nos esforçarmos bem seremos agraciados. Todos sabem os sofrimentos que passei, embora lute com todas as forças para que nenhuma criança sofra assim, sou grata pelo lindo presente que a vida me deu.- Olhei meu lindo filho emocionado. E meu marido sorridente.- Serei ainda mais pelo que ela reservou para mim agora.- Nos telões do restaurante, duas imagens foram exibidas dividindo o espaço. Eram imagens do ventre em uma ultrassonografia. O som de pequenos corações pulsando rápidos e fortes. Então na imagem começou a aparecer um contorno, de um lado dois corações e do outro também. Os olhos de Alex transbordaram na hora.

__Vou ser pai? É isso?

__Se eu entendo de ultrassonografias.- Disse Deise com lágrimas nos olhos.- E eu entendo, você será pai de gêmeos. -Olhou o Ruivo dizendo.- E tio também.

__O que! ?- Os dois disseram ao mesmo tempo. Alex e o Ruivo se olharam assustados. Alex sorriu, saltou da cadeira, abraçou seu pai ruivo, correu para o palco, beijou o meu rosto, pegou Clara no colo e beijou sua esposa rodopiando pelo palco.

__Jura? Teremos gêmeos?- Clara só ria. Enquanto eu contemplava sua felicidade, percebi que o grande Carlos Medeiros, o professor eloquente, o diretor sabe tudo, estava mudo. Ruivo se levantou trêmulo e pálido, caminhou devagar até mim. Olhou em meus olhos com medo de perguntar.

__Tem certeza?- Sua voz saiu num fio.- Eu achei que você não pudesse… Pensei que não poderia engravidar depois do passou para ter Alex….Tem mesmo certeza?

__Eu tenho …certeza.- Baixei os olhos.- Eles são os da direita. Iguais a você, serão gêmeos  idênticos. Estou de 15 semanas. Estão se desenvolvendo muito bem. O médico disse que não há riscos.- Ergui meu olhar para encontrar os olhos verdes do Ruivo banhados em lágrimas. Ele foi se ajoelhando, e tocando com cuidado a barriga ainda inexistente. Beijou-a com carinho.

__Deus? Como posso agradecer por este presente?- Chorou abraçado a minha cintura.- Eu…Amo você… Tanto. Tem certeza que está tudo bem? Precisa de repouso?

__Eu estou bem. Minha primeira gravidez foi de risco, mas meu útero se recuperou. Sou adulta e com boa saúde agora. Eles estão bem, crescendo.- As lágrimas me venceram. Ele se levantou com um sorriso gigante no rosto. Voltando a ser o guerreiro de sempre, seu olhar dizia que ele não deixaria que nada machucasse esses bebês. Jamais.

__Você, Dona Diana é sempre surpreendente.- Beijou-me longamente.- Vou ser pai!- Virou-se para seus parentes e gritou._Eu vou ser pai! – Olhou Alex sorridente.- De novo!- Abraçou meu filho, como sempre fazia, como sendo mesmo seu.- Você não nega de onde vem mesmo em Alexandre Vogelmann Medeiros, gêmeos!- Eles riram.

__Sim, mas não são idênticos, então acho que devemos isso a competência de sua irmã.  O que não é nenhuma surpresa, certo pai?- Olharam para Clara. Ruivo sorriu carinhoso passou a mão na barriga dela e disse.

__Não. Ela é sempre brilhante.

Depois de abraços e muitos cumprimentos e felicitações, ouviu-se uma vozinha sorridente:

__Eu tenho uma dúvida tio Ruivo?- Disse Cisco, sempre sapeca.-  Você vai ser tio ou avô dos bebês de Clara? -Todos riram.

__Ainda não sei Cisco. Mas vou ama-los de qualquer jeito.

Os bebês de Alex e Clara, nasceram primeiro. Eram dois meninos lindos. Um loirinho de olhos negros muito sorridente. O outro branquinho, cabelos negros e olhos azuis cobalto. Beto chorou quando viu os bebês. Dona Elisa também. A vida gosta de fazer isso, dar voltas e voltar no mesmo lugar. Rick sorriu e perguntou:

__Como vai ser o nome do bebê a cara do tio Rick?- Disse com o bebezinho no colo. Clara e Alex se entreolharam:

__Luiz.- Sorriu.

__Olá Luiz, eu já tive um garotinho de olhos iguais aos seus um dia. Agora ele está muito grande não cabe mais no meu colo.- Sorriu e cheirou o bebê.- Sabia que eu também nasci com um amigo loiro ao meu lado? Ele era a cara do seu irmão. Como se chama seu irmão, você sabe?-_ Rick falava com todo carinho com o pequenino que o olhava atento. Alex respondeu a pergunta.

__Ele se chama Luiz.- Todos o olharam.

__Os dois se chamam Luiz? -Perguntou Rody.

__Sim. -Disse  Clara.- Luiz Roberto e Luiz Ricardo. Luiz, porque serão a luz de nossas vidas e o segundo nome, porque não poderia deixar de mostrar minha admiração pela amizade de vocês.- Olhou seu pai e seu tio.- Duas pessoas tão diferentes, que se respeitam tanto, e que se amam profundamente.

__Eu não tive irmãos, mas quero que meus filhos sejam como vocês. Que continuem não apenas parecidos com vocês  na aparência, mas com a essência de vocês. Com o caráter e a coragem que vocês tem, e que ensinaram a todos os seus filhos. Inclusive ao meu querido Pai Ruivo .- Sorriu para o Ruivo. Beto só chorava e agora Rick e vários outros Medeiros o acompanhavam.

45 dias depois foi a minha vez  dar a luz aos meus gêmeos. Nasceram dois garotos fortes, saudáveis e iguaizinhos. Eram bem moreninhos, rechonchudos, os cabelinhos todos enroladinhos e os olhos muito verdes. Quando olharam para o pai, os dois sorriram ao mesmo tempo. O encantamento foi geral. Dimitri e Nikolai eram os gêmeos mais charmosos de todos os tempos. Sorridentes, carinhosos e inseparáveis. Com seus nomes fortes que significavam terra e vitória, mostravam toda a glória de minha família e do Ruivo. Embora vovó Nina os chamasse apenas de Dimi e Nico. Desde de então o Ruivo passeia no parque todas as tardes com eles, com todo orgulho de seus pequenos gêmeos de olhos cor de esmeralda. Certa tarde, eles acabavam de chegar do seu passeio.  Os meninos rindo muito, deviam ter aprontado alguma. Eles tinham 7 anos então, e quando se juntam com o pai, sempre aprontam. Esse é o meu ruivo! Neste dia, Alex pegou os meninos na escola para mim. Foi bom porque assim pude ver os Luizinhos, como Nina chama os gêmeos de Clara. Vi também meu outro neto, o Lucas,  que a cada dia que passa se parece mais com Alex. Ele nasceu quando os gêmeos tinham 2 anos. Foi muita loucura. A família amou, é claro. Eu achei que Clara fosse ter que fechar o restaurante, mas algo surpreendente aconteceu. Naquela época Rody tinha 17 anos, pelo que sei nunca tinha se interessado pela gastronomia, mas quando Clara disse que precisaria treinar um subchefe para substitui-la durante a licença, ele se ofereceu.  E assim descobriu-se outro talento gastronômico entre os Medeiros. Hoje, Rody e Clara trabalham juntos, ele já terminou uma faculdade de gastronomia e fez vários cursos de especializações. O Medeiros passou por reformas, ficou mais amplo, arejado e premiado. Faz uns dois anos que Clara ofereceu a sociedade  que tem dado muito certo. Alex disse que ele quer ficar noivo de Alana ainda este ano, e se casar no próximo. Alana está no último ano do seu curso. Ela será Assistente Social como eu, quem diria que um dia iria inspirar alguém como Dona Elisângela fez comigo. Nós trabalhamos juntas no orfanato. Ela é muito eficiente, sua surdez não a atrapalha em nada, pelo contrário até aproxima as crianças dela. Jorge morre de orgulho, claro. Todas as minhas sobrinhas também estão na faculdade, as coisas mudam mesmo, não é? Só Marcelo que ainda é muito novinho, mas já diz que vai ser enfermeiro como seus pais. E Elis que ainda não terminou o ensino médio e que é a primeira bailarina de Nina. E a nova e promissora descoberta de Nina em se tratando de bailarinos , é Cisco. O garoto herdou o talento do pai e ama dançar. Alice não se cabe de alegria ao vê-lo dançando. O mesmo acontece com Liv e suas meninas.  As garotas amam dançar, principalmente para o papai.  Por falar em Liv, ela teve mais dois meninos. O Calebe que tem 6 anos e é a cara do Ben e do meu Ruivo, e o Caio  que tem 3 anos e a cara do Rody. Eles ainda moram na casa da praia, mas precisaram fazer umas reformas quando os garotos começaram a aparecer. Liv disse que não tem mais planos para outros filhos, mas Ben só sorri quando falam sobre isso. Vovô Rodolfo conta 8 bisnetos desde Cisco.  E tem somente Mari e a Lu, como bisnetas. Segundo dizem, as meninas são mesmo raras nesta família, durante toda a história que se sabe, constam apenas 4, as meninas de Ben, Liv e Clara. Até agora. Os meninos entram correndo e gritando:

__Mamãe! Mamãe! Temos um presente para você, é do restaurante da Clara.- Diz Dimi todo contente.

__Ei! Porque você contou? Papai disse para não contar! Era surpresa, assim não é surpresa, ela já sabe. Ele vai ficar triste. _ Nico parecia aborrecido.

__É mesmo. Eu esqueci essa parte.- Olhou para mim e disse.- Mamãe, você pode fazer de conta que eu não contei? Só para o papai não ficar triste, sabe? Ele gosta de fazer surpresa.- Tive que rir. Esses meninos são loucos pelo pai. Mas não seria mesmo diferente, se até Alex é louco por ele. Olhei aqueles dois pares de olhinhos cor de esmeralda brilhando para mim. Eles eram mesmo iguaizinhos.  Continuavam com os cabelos bem negros e enrolados, já a pele era de um tom dourado, um pouco mais escuro que a de Alex, mas  bem mais clara que a minha. Ainda assim, não fossem os olhos, ninguém diria que eram filhos do Ruivo. Neste instante entra na cozinha ele, a razão dos meus pensamentos.

__Olá amor. -Caminhou para mim, e beijou-me.- Tudo bem?- Olhei seus lindos olhos, tive que sorrir.

__Sim, tudo bem.

__Aposto que esses meninos tagarelas te contaram que temos uma surpresa, não é?_ Os pequenos ficaram encabulados.- Não tem problema.- Os meninos falaram juntos.

__Não!?

__Não, porque eu trouxe duas surpresas. Uma está aqui.- Me entregou uma sacola do restaurante, dentro a famosa mousse de chocolate da Clara.- Esta é para todos nós, mas só depois do jantar, como combinamos.- Piscou para os meninos.- Certo meninos?

__Sim! Papai!- Gritaram sorrindo os arteiros.

__A outra surpresa é para você, meu amor.- Tirou uma caixinha do bolso.- Passei na joalheria outro dia e achei que você ia gostar.- Era uma uma gargantilha com três pingentes em forma de menininhos, cada um numa posição. Muito fofo.

__Eu amei, amor.- Beijei-o.- Mas está faltando um pingente.- Ele olhou confuso.

__Está? Ué mais eu conferi …Não, estão os três….-Ele me olhou desconfiado.- O que está tentando me dizer?- Olhei no fundo daqueles lindos olhos e disse:

__Pois é. Até três meses atrás, não estaria faltando nenhum, mas agora falta.- Sorri para ele.- Acho que também tenho uma surpresa para você.- Entreguei a ele uma caixinha._ Foi por isso que Alex precisou pegar os meninos para mim, eu precisava confirmar a surpresa.- Ele abriu e dentro um par de sapatinhos de bebê cor-de-rosa. _ O médico disse que ela não deixou dúvida sobre a sua identidade.- O Ruivo me olhou como se visse uma estrela. Parecia encantado.

__Jura amor? Teremos uma princesinha?- Foi me abraçando e beijando e rindo tudo ao mesmo tempo.

__Eu não entendi?- Perguntou Dimi.- Como vamos ter uma princesa? Isso não é só nos livros de histórias?- Nico ergueu os ombros e disse:

__Eu não sei direito.  Acho que tem princesas de verdade também. Mas não sei como podemos conseguir uma. – O Ruivo riu. Se abaixou para falar com seus homenzinhos.

__Meus queridos, preciso que prestem muita atenção. Nós acabamos de ganhar um presente muito valioso. Sua mãe está esperando um bebê. Este bebezinho vai nascer daqui a alguns meses, e vocês serão os irmãos mais velhos dela. Ela vai amar vocês de todo coração. E vai confiar que vocês cuidarão e protegerão ela sempre. No começo ela será muito pequena, mas crescerá rápido, e vocês poderão brincar muito com ela.

__Verdade mamãe? Ela vai amar a gente igual você, o papai e o Alex?

__Sim Dimi. Exatamente assim. E igual a toda a nossa família ama vocês.

__Mamãe, como sabe que é uma menina?

__O médico viu num aparelho que consegue ver dentro das pessoas, Nico.

_É por isso que disse que teremos uma princesa papai? Porque mamãe está esperando uma menininha?

__Isso mesmo Dimi.

__Papai, como é ter uma irmã?

__Ah Nico é maravilhoso. Você vai se divertir.

__Ela podia saber cozinhar igual a Clara.

__Dimi!

__O que? Ela é sua irmã, não é? Viu como ela cozinha?

__É mesmo! – Disse Nico.- Isso deve ser coisa de irmã mais nova. Tia Liv também cozinha bem, Tia Alice e a Mamãe também. Já vovó Nina é irmã mais velha né?– Esses eram mesmo os filhos do Ruivo. Riram enlouquecidos com sua piada compartilhada.

Meses depois nascia minha Sofia, minha filha. Muito, mas muito parecida comigo. Se misturarmos as fotos minhas de bebê com as dela, nem eu consigo separar. Minhas irmãs até choraram. Os Medeiros ficaram encantados. Vovô Rodolfo fez questão de uma foto com a pequenina nos braços em seu escritório. Lia disse que ela deveria ser sua neta e não de Nina. Nina, por outro lado, estava fascinada com seu pequeno bombonzinho, como a chamava desde o primeiro momento. Sofia só dormia, sem fazer ideia de sua maravilhosa família. Nem do pai maravilhoso, que ficou sem fala pela segunda vez na vida. E chorou encantado com ela nos braços na primeira vez que a viu. E mostrou para seus irmãozinhos sorridentes, a pequena princesa que eles deveriam amor e defender por toda vida. O mesmo pai que deu para mim um novo pingente para minha gargantilha. Uma bailarina em Pliê. Este era o meu ruivo, que deixou de ser a muito tempo, o ruivo solteiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 15

Os meses passaram  ligeiros, muito trabalho no orfanato, na escola, muito esforço para dar conta de tudo. O casal mais miscigenado da família Medeiros, estava a cada dia mais feliz. Diana amava a casa. O quintal cheio de flores a deixava muito animada e  a calma de suas cores no interior, lhe davam tranquilidade. Todos os dias cuidavam juntos do jardim, Ruivo era muito talentoso com as plantas. Alex por outro lado, parecia ter nascido naquela casa. Tudo lhe aprazia. Principalmente ver o carinho com que o Ruivo tratava sua mãe. Alex estava sentado no banco branco, embaixo das árvores de Primaveras  que  formavam um caramanchão florido. O Ruivo sentou se no chão ao seu lado e deu-lhe um dos copos de suco de laranja que trazia.

__Alex, você gostou muito da viagem para Espanha, não foi?

__Sim. Você também certo? – Riu. E o Ruivo também é claro.

__É gostei muito.- Ficou mais sério.- O que estou querendo saber é se você gostou da experiência de ficar fora do país. Você  teria o interesse de fazer um intercâmbio no ano que vem? A Prestes de Medeiros oferece essa oportunidade de tempos em tempos. Eu fiz, fui para o Canadá. Fiquei um ano. Ben também. Minha mãe e meu tio Rick, também fizeram, foram para Inglaterra e algumas conexões  na França. Procuramos variar os países, alguns já foram para o Japão, para China. No próximo ano será a vez da Alemanha. Sei que eles são muito fortes em tecnologia e eletrônica, se você…. bem se se interessar. Você tem notas excelentes, não vai precisar de ajuda para entrar, faremos o comunicado amanhã na escola. A maioria dos alunos já se inscreve no primeiro dia. Talvez você queira perguntar a sua mãe antes.

__Está me dizendo, que posso fazer o intercâmbio na Alemanha numa escola técnica de eletrônica, por um ano? Por conta da escola? É isso?

__Basicamente sim. Também pode fazer outros cursos relacionados, a escola vai te indicar. É um ano muito proveitoso. Acredito que seria bom para você em sentido acadêmico, mas você não precisa ir se não quiser. Tem um futuro promissor de qualquer forma. Converse com sua mãe, ouça a opinião dela. Com certeza, ela pode te aconselhar melhor que eu.

__Acho que não.- Disse Diana , eles não a viram chegar. Mas ela pode ouvir a maior parte da conversa. Diana olhou os dois homens que mais amava na vida. Eles se compreendiam, se respeitavam, se gostavam e ambos queriam a felicidade dela._Acho que o Ruivo tem razão, não gosto de me afastar de você, mas será ótimo para seu desenvolvimento acadêmico. E eu preciso aprender a viver longe de você. – Os olhos dela marejaram.- Você logo será um homem e vai construir sua própria família. Não poderei ficar sempre com você debaixo de minhas asas. Terei que me acostumar. Um ano num intercâmbio será um bom treinamento.- Suas lágrimas rolaram e Alex a abraçou.

__Ei! Não chore. Nem fui selecionado ainda.

__Mas será, tenho certeza. Você merece meu menino, tão lindo, tão inteligente, tão carinhoso. Meu tesouro. Você vai comer direitinho, não vai?- E chorou. O Ruivo se levantou e abraçou os dois.

__Não fiquem assim os dois, falaremos todo os dias. E nas férias do meio do ano, viajaremos para lá, para te ver. A Alemanha é bem bonita nesta época do ano. Tenho um ex professor que é regente na escola que estudarão em Munique, já pedi para ele dar uma olhada em Alex . E tio Rick tem um amigo, um editor que trabalha a duas quadras da escola onde ficarão locados. Ele também vai cuidar de Alex para nós. E tem mais, quem vai acompanhar a classe de alunos é o Vô Carlos. Ele se ofereceu. E Vô Rodolfo decidiu mandar  Vó Aline com ele. Ficarão no mesmo corredor que Alex. Não vai ficar sozinho, nem desprotegido, eu não permitiria isso. – Alex olhou seu padrasto, não, seu pai, o homem que escolheu cuidar, amar a ele. Estava grato por ter este homem em sua vida. E o Ruivo já tinha tudo preparado para protege-lo, e ele continuou.- Vai ser bom, você vai aproveitar muito. Mesmo deixando Clara aqui. – O brilho nos olhos de Alex diminuiu.- Ei não fique assim, tenho certeza que ela vai entender, quer o seu bem. Se sua mãe entendeu, com ela será igual.

__Ela não pode ir no intercâmbio?- Perguntou Diana, e antes que Ruivo respondesse, Alex disse.

__Ela não pode, foi aceita num curso gastronômico muito disputado, reconhecido até fora do país. Nem vai precisar fazer o vestibular no ano que vem, será aceita assim que terminar o curso. Começa daqui umas semanas e vai terminar no fim do ano que vem.

__Não fique assim tão triste, lógico que vão sentir saudades, mas é para o crescimento de vocês. – Disse Diana.

__Eu sei, só que não queria ficar tanto tempo longe dela.

__Serão só 5 meses, ela irá conosco nas férias, prometo.-O Ruivo riu.- Terá que aguentar mais uns 5 meses depois também, é claro.

__Jura? Que vai leva-la?

__Claro.- Passou a mão no cabelo do menino, Alex agora já tinha a mesma altura que o Ruivo, e estava cada dia mais forte. Os exercícios no fim de noite estavam fazendo bem ao rapaz. E a companhia de Ruivo também. – Pena que perderei meu companheiro de academia por um ano. Teremos que aproveitar bem esses últimos meses.- Alex fez uma careta e os adultos riram.

Na semana seguinte quando Alex contou para Clara que fora aceito no intercâmbio, ela chorou de orgulho e de saudade, mas disse apenas uma frase.

__Vá, eu ficarei te esperando.

As semanas que seguiram foram muito agitadas, a escola preparou uma exposição com várias vertentes sobre a modernidade. Muita gente visitou as áreas comuns.  Na manhã de quinta, Ruivo e Alex chegaram juntos, como já era hábito. Alex foi para seu estande. Minutos depois, chegou até ele um homem alto, muito branco, com a cabeça raspada, muitas tatuagens nos braços, vestido de camiseta e calça escura. Tinha uma barba bem crescida e ruiva, uma cicatriz do lado esquerdo da testa e um olhar verde muito amedrontador. Disse para Alex:

__Oi filho.- Alex virou-se e encarou o homem estranho.

__Pois não senhor, posso ajuda-lo? -O homem sorriu sarcástico e disse.

_É claro que irá.- Pegou no braço de Alex dizendo.- Venha comigo.- Alex puxou o braço rapidamente estranhando a atitude do desconhecido.

__Desculpe senhor, não posso deixar a exposição.

__Hum. É forte, que bom.- Alex percebeu um sotaque estrangeiro, reparou nos olhos um tom mais escuro que os dele  e um mais claro que do Ruivo. Perecia os olhos de um bicho, um lêmure talvez.- Vamos filho, vim buscar você. Sua mãe ficou me devendo, você será o pagamento.- Aquela frase fez Alex estremecer, mas continuou no mesmo lugar como se nada estivesse acontecendo.

__Senhor, deve estar enganado. E como já disse, não posso deixar a exposição.- O cara agarrou seu braço com força, iria machuca-lo.

__Você vem comigo.- Sua voz maldosa apavorou ainda mais Alex. No meio do seu desespero velado, ouviu a voz de seu salvador.

__Solte meu filho agora!- O cara virou e no movimento levou Alex. Os olhos do Ruivo soltavam fogo. Os punhos cerrados e sua expressão não deixavam dúvida do que seria capaz de fazer. O bandido o olhou de cima em baixo. O Ruivo era mais alto e mais forte que ele. Para enfrenta-lo precisaria estar armado.- Vou repetir apenas porque há muitas crianças aqui. Solte meu filho! – A voz baixa ameaçadora, forçou o covarde a soltar Alex relutantemente. Este, altivo caminhou para o Ruivo calmamente. Ruivo o abraçou e perguntou sem tirar os olhos do careca mal encarado.- Está tudo bem, ele machucou você?- Alex acenou com a cabeça e se postou ao lado dele.

__Ele é meu filho cara, e vou leva-lo comigo.

__Está maluco? Acabei de dizer que Alex é meu filho. Se encostar um dedo nele outra vez, ficará sem seu dedo.

__Não tente me amedrontar professor.- Disse o larapio sorrindo.- Ele é meu, pode perguntar a menina, a mãezinha dele. Vim cobrar o que me deve.- Só então o idiota percebeu o que tinha feito. O Ruivo ficou louco, Alex precisou segura-lo .

__Ruivo calma!- Alex entrou na frente dele, com as mãos no peito do Ruivo, esforçando-se para para-lo.- Pai! Me escute não vale a pena. Deixe-o ir.- Ruivo olhou Alex ainda bufando de raiva. O careca surpreso ficou quietinho.- Pai, não vale a pena.- Os olhos do Ruivo suavizaram um pouco.

__O que está acontecendo aqui?- Perguntou Beto chegando acompanhado de Rick e Ben, trazidos por Clara, que correu para busca-los quando percebeu a situação. Eles estavam numa reunião com os conselheiros. Se o bandido, estava abaquiado com o Ruivo, imagina quando viu Beto e os outros dois o olhando com cara de poucos amigos.

__Este sujeito, estava agarrando Alex, queria leva-lo da escola. Depois ofendeu minha esposa. Ben, se eu quebrar a cara dele, posso sair com uma fiança certo?- Ben se aproximou do irmão, dizendo:

__ Na verdade, seria legítima defesa, ele estava tentando sequestrar seu filho, e ofendeu sua esposa. Como advogado, poderia processar o indivíduo, mas estou mais a fim de te ajudar a quebrar a cara dele. Como se atreveu a machucar meu sobrinho? Quem é você?

__Eu sou o …-Ruivo o interrompeu.

__Se disser que é o pai de Alex de novo, quebro todos os seus osso.- Rick chegou perto dele, segurou o braço do sobrinho,  olhou para o cara;

__Moço se deseja sair daqui gozando de sua saúde, acho melhor se apressar. Se tinha a intenção de brigar pela guarda do rapaz, devo informa-lo que não conseguirá vencer. A mãe dele tem como defensor o melhor advogado de todo o estado, nesta área. Tem também uma irmã juíza neste mesmo seguimento. Sem contar nas testemunhas que a encontraram, depois que o senhor cruzou o caminho dela. Sim médicos, enfermeiros, assistentes sociais, todos dispostos a manda-lo para a cadeia. Seu crime ainda não prescreveu, seria muito fácil para meu sobrinho conseguir uma pena bem longa para você. E aquela menina que o senhor feriu, hoje não existe mais. Ela é uma mulher adulta, trabalhadora, estudada, forte e casada. Se tentar machuca-la, ou a Alex , terá que enfrentar a fúria do marido dela. E também do pai dele.- Rick apontou para Beto, que bufava com os olhos e os punhos cerrados.- E terá também que enfrentar o resto desta família. Não somos uma gangue, nem a máfia, mas somos muito unidos, e todos homens grandes, eu sou o menor e o mais calmo. E mesmo assim, tenho certeza que não teria dificuldade em derruba-lo, e pior, também quero arrancar sua cabeça pelo que fez a mãe de Alex.- Disse muito calmo, até o careca carrasco, que não o conhecia, percebeu que esse era um sinal de perigo.- Vá embora por onde entrou, e nunca mais procure Alex.

O homem ficou vermelho, parecia que ia sacar uma arma ou algo assim. Beto reconheceu o gesto, chegou mais perto dizendo:

__Não faça nenhuma besteira. Conseguiu ficar tanto tempo aqui dentro inteiro, porque ficou parado. Se tentar machucar meu filho ou meu neto, não vai continuar assim. Eu até poderia ter negociado algum agrado contigo, mas depois dessa cena  você vai sair daqui agora, sem nada.  Vá! – O gringo percebeu que não poderia enfrentar todos eles. Começou a caminhar em direção da porta, o salão estava movimentado, quase ninguém tinha notado o alvoroço. Então o sacripanta resolveu fazer sua última jogada e mostrar a que veio. Quando passou por Clara, agarrou a garota e colocou uma faca em seu pescoço.  Foi uma loucura, gente gritando correndo para fora, seguranças aparecendo de todos os lados, coisa de filme de ação. Em dois minutos só restavam no pátio os seguranças, os Medeiros, Alex e o pulha ameaçando Clara.

__Cara!- Disse Ben furioso.- Pensei que fosse mais esperto. Se não solta-la agora, vai se arrepender para sempre.

__Não vou soltar.- Lambeu o rosto de Clara.- É bem linda. Não era o que eu queria, mas posso ficar com ela.

__Não!- Gritou Alex. Deu dois passos.- Solte-a, vou com você.- O malvado riu. Os Medeiros sabiam que mesmo que tentassem, não poderiam segurar Alex.

__Agora gostei.- Olhou-os com desprezo. – Mas não quero mais levar você garoto, ela me serve mais.- Alex deu mais dois passos.

__Não faça isso.- Parecia nervoso.- Olhe, veio para me buscar, não é? Vou com você e faço tudo o que quiser, mas deixe ela aqui.- Deu mais dois passos, cobrindo o campo de visão do desprezível.- Não a machuque. Ela é neta do dono da escola, se leva-la irão atrás de você. Eu farei o que quer. E te mostro como sair e despistar a polícia.

__Polícia! Você chamou a polícia?- Soltou uns xingamentos em sua língua, que pareceu russo.

__Eu não, mas muita gente correu para fora, a polícia deve estar chegando. Vamos deixe ela ai, ela é frágil,  só vai te atrapalhar, vem comigo, é por aqui.- Estendeu a mão para mostrar a porta do lado, o cara seguiu seu braço e se desconcentrou, afrouxando a faca. Clara olhou nos olhos de Alex e num movimento calculado, deu um pisão no pé do careca e uma cotovelada bem forte no estomago dele, ele se desequilibrou e a soltou e ela  correu para Alex. Neste instante, Ruivo  que já tinha entendido a intenção de Alex, passou a frente e imobilizou o covarde. Mas fez questão de uma dúzia de socos antes.

__Você é um idiota mesmo! Vai para cadeia desgraçado! Ou não me chamo Carlos Medeiros.- Os outros se aproximaram e os seguranças também. Menos de um minuto se ouviu as sirenes da polícia.

Alex com Clara nos braços verificava cada centímetro do pescoço dela.

__Você está bem, amor? Ele machucou você?- Um corte e um pouco de sangue o apavoraram.- Ai meu Deus, está ferida! Pai!- Ruivo que largava o bandido com os seguranças, atendeu no mesmo instante. Para surpresa e alegria de todos os Medeiros, que não tinham ouvido eles se tratarem assim ainda.- Veja, ela está ferida, pai.- Alex tremia.- Acha que é sério?

__Não, acho que não é fundo. Ele só queria assusta-la. – Olhou nos olhos da irmã, corajosa que nem chorou, permaneceu controlada e buscando uma saída. Ela que tinha entendido a atitude de Alex de imediato, e esperado o momento certo de agir.- Mas ele não conhece nossa Clara, não é mesmo? Não sabe que nada pode derruba-la. Que ela é mais esperta e mais forte que todos os Medeiros.- Sorriu e olhou Alex.- E também não sabe o quanto vocês se amam, que nada poderia separa-los, nem um intercâmbio, nem um bandido qualquer.- Beijou a testa de Clara, depois a de Alex dizendo.- Você me chamou de pai.

_É assim que me sinto, seu filho. Chamei por você no meu pensamento, quando reconheci quem ele era. E você veio. Muito obrigado por me defender, Pai. -Os olhos dos dois estavam marejados.

__Sempre estarei pronto para cuidar de você, meu filho. Esse covarde não faz ideia do que eu seria capaz para defender você. A sorte dele é que vai ficar trancado por muito tempo._ Beijou a testa dele novamente. Enquanto Rick dava todas as informações para a polícia, Ben e Beto chegaram perto deles.

__Vocês estão bem?- Ben estava mais furioso. Olhou o pescoço de Clara, ficou vermelho na hora.- Esse canalha me paga! Nunca mais vai chegar  perto de vocês.  Juro.

__Está doendo minha princesinha?- Beto estava preocupado. Acariciou sua filha conferindo o corte. A dor nos olhos dele era muito maior do que Clara sentia.

__Estou bem, papai. Um pouco agitada é claro, mas estou bem.- Sorriu ao ver os homens de sua vida, todos preocupados com ela. Rick se aproximou- Talvez tio Rick poderia aproveitar esta cena em um de seus livros. A mocinha seria a heroína, lógico. Viram a cotovelada que dei nele?- Todos riram.

__Na verdade é uma ótima ideia. Você é mesmo um talento das artes marciais, querida.- Disse Rick tranquilo como sempre.

__Não dê corda para ela, tio. _ Disse Ben já menos nervoso.- Se não é capaz dela trocar o curso de gastronomia pelo de carcereira, já pensou.- Clara o empurrou de brincadeira.

__Ei! Seu bobo.

__Nem pense nisso! Eu sonho todo dia em comer no restaurante dela e me livrar das tentativas de jantar de sua mãe.- Disse Beto rindo. Todos riram.

__Se Nina ouvir você, teremos um terremoto.- Disse Rick rindo.- E você não pode reclamar, casou com ela porque é ruiva e implica com você, e não por saber cozinhar.–Riram mais ainda.

_Veja bem, como são as coisas. -Disse olhando para Alex.- Eu conheci a doce moreninha cozinheira antes dele, ela se apaixonou por mim primeiro, mas eu como um idiota que sempre fui, preferi a  ruiva encrenqueira. Resultado, ele come como um rei todo dia, e eu só janto alface.- Quase morreram de tanto rir.

_ Se mamãe ouvi-lo papai, amanhã terei que pedir asilo no orfanato do Jorge.- Clara nem parecia que tinha enfrentado um bandido a pouco. Estava leve e sorridente como sempre. Todos os Medeiros pareciam ter uma capacidade natural de se recuperar das intemperanças da vida. Desde que seu coração estivesse protegido. Alex ficava cada segundo mais encantado com isso. Ben olhou para seu novo sobrinho e disse:

_Alex, vou precisar do seu depoimento para prestar queixa contra esse desclassificado. Sei que não é nenhum pouco agradável ter que ir a delegacia, mas neste caso é o melhor jeito para mante-lo longe de vocês. Clara também precisará ir. Não precisa se preocupar, nada vai prejudicar nem ela, nem você e muito menos sua mãe. Pode confiar em mim.- Alex olhou para o Ruivo e respondeu confiante.

_ Irei com prazer colocar este monstro na cadeia. Meu pai pode ir também?- Sorriu para seu querido protetor.

__Na verdade, ele precisará ir também,  -Sorriu- Você ainda é menor de idade ele precisará representa-lo. Além disso, é testemunha de tudo o que aconteceu.

__Eu também vou, afinal minha filha também é menor.- Disse um Beto decidido.

__Papai, não precisa. Ben é seu procurador legal, pode me representar.

__Mas de jeito nenhum. Ben é meu procurador comercial, mas eu sou seu pai. Vou e pronto.

__Não se preocupe Clara. – Disse Rick.- Também vou com vocês. Manterei seu pai controlado.- Sorriu.- Assim seus irmãos poderão fazer cada qual o papel deles. E todos nós ficaremos mais seguros. -Tudo acertado. A polícia levou o ruivo bandido, e a família se fechou em torno de seus amados jovens.

Quando Diana chegou do trabalho, Alex e o Ruivo estavam colocando o jantar na mesinha da varanda, em meio a flores coloridas. Não era um jantar simples. Pelo aroma pareciam ter encomendado em algum restaurante. Antes mesmo de ver Clara, Diana sabia que ela devia estar na cozinha. Era para ter estranhado, mas só se deu conta que algo errado havia acontecido quando olhou nos olhos de seu filho. Ele tinha algo sério para contar.

__Muito bem, então vocês chamaram Clara para cozinhar, arrumaram tudo muito bonito, querem me contar algum problema. Agora que já estou aqui, podem me contar.- Olhou seu filho que olhou para o Ruivo, parecia com medo de falar.- Alex, conheço você muito bem, sei que aconteceu alguma coisa, conte-me logo. Algum problema no intercâmbio?

__Diana. – Disse Ruivo, ele estava muito sério, devia ser algo grave. Ele se adiantou, pegou-a pela mão a fez sentar-se na  namoradeira da varanda, sentou-se ao seu lado e Alex sentou-se em um puf em sua frente.- Temos que contar uma coisa para você.- O coração de Diana acelerou.- Aquele homem, Lothar, foi preso hoje.- O coração de Diana bateu ainda mais rápido, aquele nome, ela nunca tinha dito ao Ruivo e nem mesmo a Alex.

__Como sabem isso?

__Porque ele foi preso na Prestes de Medeiros.- O coração dela parou. Diana olhou rapidamente para Alex.

__Mãe, ele tentou me levar, mas o meu pai, o Ruivo, não deixou. Tio Rick, Tio Beto e Ben também estavam lá, eles me defenderam. Mas em vez de simplesmente sair, ele tentou levar Clara no meu lugar.- Diana arregalou os olhos horrorizada com a possibilidade.

__Deus, não!- Alex segurou as mãos de sua mãe e Ruivo passou o braço em sua cintura.

__Nós não deixamos mãe. Ele foi preso. A polícia o levou. Ben já registrou a queixa, ele não vai poder sair, foi pego em flagrante.- O pavor nos olhos de Diana se transformou em lágrimas.- Não chore mãe, está tudo bem ele não me machucou, eu estou bem, veja.- Diana conferiu todo o corpo de seu filho com os olhos.

__E Clara, onde ela está? Ela está bem?- Diana falava rápido, apavorada.- Ele a feriu? Onde…

__Estou aqui, Diana. – Clara saiu da casa para acalmar Diana.- Eu estou bem.- Diana se levantou afobada de encontro a menina. Viu um curativo em seu pescoço.

__Aquele monstro cortou você não foi? Ai meu Deus, eu sabia que um dia ele voltaria!

__Diana, não foi nada. Eu estou bem. Olhe. – Tirou o curativo para que Diana visse que era só um corte pequeno.- Dói um pouco, mas não foi nada grave. E eu acertei ele com muita força. O médico disse a Ben que quebrei uma costela dele.- Riu.- Certo, talvez tenha sido o Ruivo. Mas eu não deixei barato.- Diana olhou seu marido assustada.

__Você bateu nele?- Ruivo  levantou se desculpando.

__ Em minha defesa devo dizer que tentei conversar primeiro. Mas o idiota queria levar meu filho, depois quando achei que ele sairia quietinho, puxou uma faquinha ridícula para minha irmã. Eu até que fui controlado, esperei Alex distraí-lo e Clara acertá-lo. E nem bati tanto assim, foi só para atordoá-lo. A minha vontade mesmo era parti-lo ao meio, mas como o covarde mesmo disse, sou professor, não apelo para violência. Agora Ben cuidará para que ele mofe na cadeia. E todos nós ficaremos livres dele.- Diana que até então tremia segurando as mãos de Clara, soltou-as de súbito, ficou de frente para o Ruivo com os olhos em chamas.

__Você é louco! Como pode brigar com um homem armado? Ele é um lutador de rua, não tem escrúpulos. Um conhecido atirador de facas. O que pensou que estava fazendo?- Ela estava furiosa.

__Eu estava defendendo meu filho! Defendendo minha irmã! A minha escola! Acha que ia permitir que ele saísse de lá levando qualquer um dos dois? Mas nunca mesmo!

__Ele é um bandido! Não entende, ele é perigoso!

__Eu também sou perigoso! Basta mexer com minha família!- Diana tremia mais que antes, só não sabia se de medo, de raiva, de culpa por ter trazido aquele mundo para vida dos Medeiros.

__Ele podia ter ferido você.- A voz de Diana foi sumindo. – Eu nunca poderia me perdoar se ele…machucasse você.- E chorou. Era isso, ela não conseguia suportar essa ideia. Ruivo entendeu. Seu coração se encheu de amor. Ele a braçou:

__Ô meu amor, minha linda. Está tudo bem, aquele canalha, tentou levar Alex, mas nosso filho é esperto e forte, ele não teve como leva-lo. Quando cheguei, ele soltou Alex, nem tentou me enfrentar é um covarde. Quando papai, Ben e Tio Rick chegaram ele viu que não tinha mais como conseguir o que queria. Só pegou Clara, porque não sabia que ela  é uma atleta. Sim, ele é um bandido e tem razão não deveria tê-lo enfrentado. Mas eu não tive escolha. Os seguranças da escola estavam na linha de visão dele. O mesmo no caso do papai e do Ben. Entre eu e Tio Rick, sou mais jovem, ele também entendeu que Alex estava distraindo o tal Lothar, mas fiz sinal para que me deixasse agir. Os seguranças foram me ajudar assim que o imobilizei, Ben, papai e Tio Rick também. Eu sei me defender querida, sei me esquivar, não poderia dirigir uma escola cheia de adolescentes se não soubesse. Na verdade, o cara é um idiota, ele não tinha como tirar nenhum deles da escola, mesmo que a polícia não tivesse chegado. Ele não poderia passar pelos seguranças dos portões. Não fique triste, amor. Deu tudo certo. Foi por isso que trouxe Clara, para você ver que ela está bem, que ele não pode machuca-la, e nem levar Alex e nem nunca mais vai machucar você, amor. Nunca, enquanto eu viver. Está tudo bem meu amor.- Ela chorava nos braços do Ruivo, inconsolável.

__Estamos bem mãe. Acredite. Também fiquei assustado quando o vi, e apavorado quando pegou Clara. Mas também percebi que ele não tinha como sair da escola com ela. Haviam muitos seguranças, eles estavam atentos. E a polícia chegaria logo. Foi tudo muito rápido, mãe. Logo Clara estava comigo de novo. De verdade, mãe.

__Diana, não fique assim. Não é culpa sua que este doido tenha aparecido. Olhe, foi só um corte raso. O médico disse que não vai nem deixar sinal. Fique tranquila. Estou bem, até cozinhei para você.- Sorriu. – Por favor, se ficar triste assim vou me sentir culpada por ter dado tão mole.-Diana a olhou com as lágrimas lavando seu rosto, e entre soluços perguntou:

__O que quer dizer?

__É verdade. Cheguei mais cedo porque papai tinha reunião com o conselho, vi aquele estranho careca rondando o estande de robótica. Quando Alex chegou e o cara se aproximou, eu não sei porque, mas soube imediatamente quem ele era. Devia ter avisado os seguranças, mas só consegui pensar no meu pai. Corri para a sala de reuniões. Nem me lembrei que o Ruivo tinha acabado de entrar na exposição. Abri a porta feito uma louca, eles me olharam assustados, eu pedi que corressem e só quando me alcançaram que eu disse que alguém estava tentando tirar Alex da escola. Tio Rick de cara já sacou quem era e eles aceleraram ainda mais, e chegaram  no estande antes de mim. Enquanto eles conversavam eu concluí que o tal de Lothar, tinha entrado pelo portão principal, e que provavelmente não conhecia as outras saídas muito bem, e tentaria sair por lá. Só então me lembrei dos seguranças, pensei em avisá-los sem chamar atenção. Quando estava a uns 5 ou 6 metros do primeiro segurança, sentir o braço dele no meu pescoço. Dei mole. Mas é que estava preocupada, não me concentrei e não consegui pensar direito.- Olhou Diana.- Olha, entendo você. Se Alex tivesse entrado numa briga com um cara com uma faca, eu iria querer esfola-lo por me fazer sentir um pavor desses. Mas o que o Ruivo disse é verdade. Ele dava uns dois do cara. Se realmente quisesse, podia ter quebrado o bandido todo. Concordo que com esse tipo de gente, não se deve vacilar.  Mas conhece o Ruivo, ele é impulsivo, parece comigo.- Sorriu.- Além disso, se você estivesse lá, também não teria deixado ele levar Alex e nem a mim, não é? – Diana se acalmou um pouco.- Seja como for, tudo já acabou. Eu estou bem, Alex está aqui, o Ruivo continua enorme como sempre  e sem nenhum arranhão, e nem precisamos chamar Jorge que é ainda maior.- Riu de novo.- Vamos Diana, fique calma. Acabou.

__E se ele voltar? E se tentar machucar qualquer um de vocês?

__Não vai voltar. Ben vai cuidar disso. – Clara sorriu.- Meus irmãos são muito bons no que fazem. É um dom dos Medeiros. Venha, vamos lavar esse rosto. E comer um peixe assado delicioso. Seu marido, seu filho, eu e todos os Medeiros estão ótimos. E sei de um Medeiros que está ainda mais radiante. Um certo advogado que estava vibrante em mandar um canalha para cadeia.- Diana sorriu ao se lembrar de seu cunhado jurando protege-la.- Ben sempre amou seu trabalho, mas só o vi tão satisfeito como hoje, duas vezes. Quando conseguiu o divórcio de Alice e quando a tal Anita foi condenada. Não se preocupe mais com isso, Diana. Vamos jantar em paz e felizes, ok?- Diana a olhou ainda preocupada, mas se deixou guiar por aquela menina corajosa.

 

Dez dias depois, no jardim da casa do Ruivo, durante o almoço de família.

_Tia Lia.- Um Alex muito sorridente e curioso perguntou: Ouvi dizer que a senhora foi apaixonada pelo Tio Beto, é verdade?- Lia e Nina se olharam enquanto Beto e Rick riam loucamente.

__Isso é coisa de vocês dois, né?- Perguntou Tia Nina com cara de brava. Todos os Medeiros riram.

__Tudo culpa sua Beto. – Disse Rick se controlando um pouco.- Se não fosse tão indiscreto não precisaria explicar essa história.

__Eu não fiz nada. Foi você que disse para a menina que ela tinha talento para artes marciais.

__Que história mais maluca é essa?- Nina parecia realmente confusa. E eles riram ainda mais. Então, Lia sempre tão carinhosa disse:

__A história não é exatamente assim. Conheci Beto primeiro, Nina e Rick estavam no intercâmbio. Eu tinha vivido quase toda vida dentro de navios. Morava com minha tia Maura, que cozinhava em cruzeiros. Eu nunca tinha visto um rapaz tão bonito quanto Beto. Me encantei por ele.- Sorriu para seu cunhado.- Mas desde o começo, eu sabia que aquele lindo capitão do time da escola, jamais seria meu. Ele era como um personagem perigoso e envolvente dos livros que eu costumava ler. Eu já tinha essa total consciência antes mesmo de conhecer a ruiva mais bonita que eu já tinha visto na vida. Quando vi o capitão olhar para a ruiva, soube imediatamente a quem pertencia o coração dele. E embora ela relutasse bastante, também ficou claro para mim, onde estava o coração dela. Deste momento em diante, fiz tudo o que pude para ajudar os dois cabeças duras mais bondosos do mundo a se entenderem. Mas o que parecia a coisa mais obvia do mundo para mim, o amor absoluto entre eles, era inexplicavelmente inaceitável para eles. Nada que  eu tentasse fazer parecia funcionar para abrir os olhos deles. Até que o príncipe mais tranquilo de todos os contos de fadas, apareceu em minha vida.- Olhou para seu marido, lindo com seus olhos cor de cobalto e sorriso calmo.- Não preciso dizer que perdi o ar quando vi aquele par de olhos azuis tão intenso me olhando. Mas perdi também o momento  decisivo que colocou toda essa história no prumo. Eu que até esse ponto tinha sido apenas coadjuvante de um lindo romance, estava no meio de um tempestuoso rompante de ciúme. Por razões que só um coração ferido conhece, a Ruiva bailarina me viu como uma rival, e eu me vi perdendo minha única amiga. Como se não bastasse, meu lindo príncipe também parecia chateado comigo, como se eu realmente tivesse feito algo muito errado. Como é próprio da minha personalidade,  fiquei puxando pela memória, tentando organizar meus pensamentos, tentando encontrar um motivo, tentando resgatar o instante exato que tudo enlouqueceu. No meio do meu desatino, meu príncipe veio me salvar. – Sorriu.- Veio me acalmar com o compasso do seu coração. Ele me mostrou que eu precisava respirar e  esperar o tempo necessário para as coisas se encaixarem. Foi exatamente o que aconteceu. A ruiva maluca voltou a ser a irmã do meu coração para o resto de nossas vidas. O capitão do time passou a ser meu amado irmão mais velho. E eles passaram a brigar todo dia, se amando loucamente apesar disso. – Riram.-E por incrível que pareça, construíram uma família linda cheia de amor e ruivos sorridentes e lindos. E com uma loirinha muito inteligente que cozinha muito melhor que eu. De mais não acha?

__Que história!- Disse Alex rindo.- E quanto a senhora e o tal príncipe? Porque ele ficou chateado com a senhora?- Rick pegou a mão de Lia e a puxou carinhosamente para seu colo. E olhando para ela disse:

__O príncipe tinha um coração muito frágil, sempre evitou grandes emoções. Ele tinha medo do que este tipo de sentimento poderia fazer com ele. Acontece que ele ficou imobilizado pela linda menina. Ela não precisou dizer nenhuma palavra, bastou olhar para ele, e ele se rendeu. Como era um sentimento totalmente desconhecido, o pobre príncipe ficou muito assustado. No primeiro sinal de que talvez não pudesse conquista-la, ele se perdeu. Se viu sentindo um ciúme irracional de seu próprio irmão, que diga -se de passagem nada tinha feito para merece-lo. Com reações assim tão poderosas, ficou claro para o príncipe o que estava acontecendo. Precisou apenas…- Aconchegou Lia sobre seu peito.- Te-la em seus braços, ouvindo seu coração bater. Foi então que tudo fez sentido, o capitão do time da escola sempre foi e sempre seria apaixonado pela linda ruiva bailarina, que retribuiria os sentimentos dele com a mesma força sempre. E meu frágil coração não me pertencia mais, daquele dia em diante, ele bateria somente para aquela linda princesa e por ela. Por providencia divina, ela correspondeu ao meu amor, me tornando o mais feliz dos homens ao me fazer seu marido e pai dos seus filhos. É sem dúvida a pessoa mais inteligente que conheço, mas inocentemente acha que eu dei a ela tudo que ama. Família, filhos, livros, jardins.- Riu calmo como sempre.- Não consegue entender que ela me deu o que eu jamais achei que poderia ter.- Acariciou os cabelos dela. Lia ergueu a cabeça e olhou seu amado príncipe.- Ela me completou. E me deu uma razão para lutar. Um motivo para continuar todos os dias. Um objetivo na vida. Vivo para fazê-la feliz. Para assim retribuir uma pequena parte da felicidade que ela me dá todas as vezes que sorri para mim.- Rick olhou para Alex.-Graças a ela vocês estão todos reunidos aqui hoje.

__É verdade Alex. _ Disse Nina.- Quando voltei do intercâmbio, eu estava decidida a receber minha herança, que vinha da família da minha mãe, e voltar para a Europa, para terminar meus estudos e formar uma companhia de dança. Eu não queria nem terminar de assistir as aulas do fim do bimestre. Se não tivesse encontrado Lia na secretaria da escola, provavelmente teria voltado para casa e começado a arrumar as coisas para viajar. Mas como a encontrei procurando um lugar para ficar, acabei oferecendo a casinha azul da minha avó para ela. Quando eu e papai fomos ver a casa junto com Lia, eu quis ficar. Logo depois comecei a dar aulas para ela, e depois para outros e me encantei com a ideia de ter uma escola de dança e enfim…

__Sem contar que como a casinha azul precisava de reformas, eu consegui a desculpa perfeita para passar um tempo junto com as duas. Isso ajudou a me reaproximar de Nina. Muitas vezes pensei em ir atrás dela na Europa, mas conhecendo Nina sabia que ela não acreditaria em mim. Precisava ver que eu tinha amadurecido. Nos dias que passamos juntos por causa da casinha, eu consegui uma aliada muito forte para convencer a ruiva. Logo, se hoje tenho minha linda Ruiva, e vocês meninas tem seus ruivos, devemos a essa linda pequenina.- Lia encabulada com a atenção disse.

__Discordo. Todos somos responsáveis por nossa família ser tão unida e feliz. Mas se realmente querem dar o crédito a alguém por todos termos nos encontrado nesta vida, então seria ao vovô Rodolfo. Afinal, ele me trouxe para a escola, e foi quando tudo começou.- Rodolfo beijou a mão de sua querida esposa Elisa, sorriu para sua família amada, virou- para Lia e disse:

__Meu lindo anjo inteligente, serei obrigado a discordar de você, minha pequena. Se realmente vamos encontrar quem é responsável por nossa história ter tomado este rumo que conhecemos, então devo dizer que este alguém foi sua mãe. Minha ex noiva Maria Olivia, era jovem, delicada, tinha um pai tirano e uma saúde frágil. Apesar disso lutou por seu verdadeiro amor. Se ela tivesse se acovardado, teríamos nos casado. Eu seria pai de Lia, ou talvez dos Gêmeos, mas com certeza não dos três. Assim, esta família não existiria. E nós seríamos infelizes, porque ela não me amava. Depois que conheci Elisa, descobri que eu também não a amava como ela merecia. Devo toda a minha felicidade aquela pequena bailarina. Embora eu não tenha sido o amigo que  equivalia ela, ela me deixou dois tesouros. O primeiro, foi seu exemplo de coragem. O segundo foi uma linda menina inteligente. Que curou meu coração cheio de remorso, acalentou o do meu melhor amigo por juntar sua família novamente, salvou o coração do meu filho mais velho e despertou o do meu filho mais novo. Graças a interferência direta ou indireta dela, eu tenho netos e bisnetos lindos. E de quebra, meu lindo anjo ainda me deu de presente, outra Maria Olivia- Olhou para Liv, que piscou e sorriu para o avô.- Uma que eu posso amar para sempre e que sempre irá me amar. A vida é cheia de encontros e desencontros, as vezes nos enganamos a primeira vista, mas quando o coração está envolvido, sempre temos outra oportunidade de reconhecer o amor verdadeiro. Lia pode ter se confundido num primeiro momento com Beto, mas durou só até Rick chegar.

__Verdade. -Disse Beto.- Tinha que ver como ela olhava para ele naquele primeiro dia. Era assim…. exatamente como está olhando agora. -Riu.- Ela continua louca por ele. – Riu de novo.

__Espero que esteja certo meu irmão. – Disse Rick calmo como sempre.- Porque eu continuo desesperadamente apaixonado, como naquele dia. _ Riu.- Alias, igual a você, Beto.

__ Fazer o que! Sou um Medeiros.- Riram todos

_Certo, é mesmo uma história muito romântica. – Disse Diana.

_Só tem uma coisa que ainda gostaria de saber. -Perguntou o novo Alex, filho do Ruivo.- É verdade que a senhora tia Nina, não sabe cozinhar?