Fórum de língua Portuguesa lll

Análise linguística para 6 ano . Escolhi trabalhar com Limeriques que são divertidos e envolventes, dando oportunidade aos alunos de reconhecer figuras de linguagens e estruturas textuais

Limeriques da Coroa Implicante

Confesso que sou exigente

Nem tudo me deixa contente

Me dizem, “Coroa, Tu implicas à toa”

— Mas sei com que implico, viu, gente!

Coisas com que implico e não gosto

É bafo de fumo no rosto!

— Se tu queres fumar

— Sopra fumo pro ar —

Não me imponhas esse desgosto!

Quem as minhas coisas pegar

Sem repô-las no mesmo lugar

Me irrita de fato! Não deixo barato

— Não posso deixar de implicar!

Com quem vive sempre a falar

Andando, no seu celular,

Em casa e na rua,

No carro e “na lua”,

Implico sim, não vou negar!

Implico e não acho bonito

— Até acho pra lá de esquisito

— Pra livrar um dente

Usar de repente

A unha em lugar de palito.

Implico com moça educada

Bonita e bem arrumada

Que, toda coquete,

Rumina chiclete,

Com a boca aberta e pintada.

Implico com um infeliz

(Que pensa que sabe o que diz)

Que funga e espirra,

E que só de birra

Não quer assoar o nariz.

Implico com quem, sem um fim,

Pergunta, “Te lembras de mim?

Qual é o meu nome?”

Dizer — “Vê se some!”

Quero eu responder, isso sim!

Implico com o desavisado

Que me estende a mão, enfastiado,

(Sem ser cordial, Apenas formal)

Mão mole, qual trapo molhado.

Com quem leva livro emprestado

(Pra quem devolver “é pecado!”)

Figura danosa

— Eu fico furiosa!

Implico! É este o recado.

Será que eu já disse o bastante?

Dá pra perceber num instante

Quem sem discutir

Tenho que admitir:

Sou uma “coroa implicante”…

Mas entre parênteses, digo

— Veja se concorda comigo:

Na realidade

Há certa verdade

Nas tais implicâncias, amigos!

Atividade:

a) Como vimos os Limeriques são poemas curtos, sobre coisas engraçadas, onde o primeiro, o segundo e o quinto versos rimam, sendo que o terceiro e o quarto rimam entre si. De acordo com o poema, o que quer dizer a palavra coroa?

b) Nos versos existe alguma marca de regionalismo linguístico?

c)Na sua opinião, a coroa tinha razão em sua implicância? Explique.

BELINKY, Tatiana ; TEIXEIRA, Elisabeth. Limeriques da coroa implicante. São Paulo, Paulinas, 2006. 15p. (Cavalo marinho. Série Re-verso)

 

Nota máxima: 50 / 50

Fórum sobre Escritoras

Os livros de Jane Austen são maravilhosos. A escrita dela já foi muito analisada e sem dúvida elogiada com todo merecimento. As outras autoras mencionadas também são ótimas, embora talvez não tenham o refinamento dos diálogos de Austen. Os textos delas fazem muito sucesso por um motivo simples, elas apresentam relatos verossímeis. Embora ás vezes pareçam mirabolantes, são casos muito próximos da vida real. Assuntos que mexem com os sentimentos e envolvem suas leitoras. As mulheres no geral, tem a tendência natural de se importar com os outros, sofrer com os infortúnios alheios, se reconhecer na dor dos demais. E quando elas se deparam com uma heroína valente, batalhadora, incompreendida, apaixonada e por vezes desacreditada e preterida, automaticamente se envolvem com ela. Li recentemente em uma pesquisa, que as mulheres leem mais que os homens. E a maioria das mulheres tem ainda uma outra característica muito comum, elas tem prazer em conversar. Se gostam de um livro, logo suas amigas, seus parentes estarão sabendo disso. Existe propaganda melhor? Fica fácil entender a posição das editoras. Lógico que encontramos escritores homens que conseguem tocar a alma feminina, mas não se pode negar que as mulheres são mesmo complexas. Tem momentos que nós mesmas não nos entendemos. Mesmo a mais racional das mulheres, tem seus picos de controvérsias internas. Sendo assim, fica mais verdadeiro quando uma mulher narra as desventuras de outra. Seja como for, não importa o grau de instrução, a época em que vive, o lugar de sua origem, a criação que teve, mesmo que ela negue até a morte. Toda mulher é louca por um final feliz. Elas tem paixão em ver uma mulher vencedora na última página do livro. E que mulher em sã consciência não desejaria um senhor Darcy, ou um Duque de Hasting, ou o cigano de olhos cor de uísque, ou ainda um sisudo Duque de Bewcastle? Todos heróis dispostos a aceitar suas mulheres com os defeitos e as qualidades delas, sem a intenção de muda-las para a conveniências deles. Sim, esse enredo sempre fará sucesso entre as mulheres.

http://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/mulheres-leem-mais-livros-que-homens-no-brasil-460352.html

 

Nota máxima: 50 / 50

O ruivo solteiro

Epílogo

Diana

Gosto muito de me lembrar daquele dia. É sempre muito bom quando Ruivo está com seu irmão e seu primo. Eles se divertem como se fossem crianças.Tem sido assim desde que os conheci. São uma família muito amorosa e descontraída. O avós estão mais idosos agora, mas ainda são saudáveis. Vovô Carlos tem o coração fraco, mas ele tem se cuidado melhor nos últimos anos. Os tios Rick e Lia, continuam em sua eterna lua de mel. É bonito de ver seu romance sem fim. Os pais, Beto e Nina, implicam um com o outro todo o tempo. Os meninos dizem que é assim que se amam. Ben e Liv são muito lindos juntos, e suas gêmeas são  demais. Totalmente diferentes, na aparência e na personalidade. E mesmo assim, nunca se separam. Gostam de fazer tudo juntas, uma gracinha. Jorge e Alice parecem ter saído dos livros de época. Ele um belo protetor gigante e ela a doce e delicada bailarina. Ambos correndo atrás de Cisco cada dia mais travesso e sorridente. Alana já estava com 13 anos agora,  linda e muito inteligente. E já tinha amarrado em seu dedo mindinho o lindo e moreno Rody , com seus 15 anos. As meninas de Dalia também estão mocinhas, todas gostam de estudar e de dançar, Xande não se cabe de orgulho. Nos  bailes no quartel, elas fazem o maior sucesso. Cunha  foi condecorado por uma ação heroica em seu trabalho, mas levou um tiro na ocasião. Isso assustou muito Deise. Ele deixou a corporação. Agora também é enfermeiro no Hospital de Deise. Na verdade, ela é chefe dele. As meninas se divertem com isso, só o pequeno Marcelo que acha o cúmulo, mamãe mandar no papai o tempo todo. Eu continuo trabalhando no orfanato, gosto muito. Quando lido com as crianças procuro me lembrar do jeito carinhoso que Dona Elisângela me tratou naquele dia terrível. Ela faleceu no ano anterior, fiquei muito triste. Felizmente, ela teve tempo de ver Irene se casar com João Pedro, filho do Sr Geraldo, amigo do Vovô Rodolfo. Ela sabia que Irene, assim como eu ganhou uma boa e amorosa família. Meu amado Ruivo, que sempre está ao meu lado, continua dirigindo alegremente a Prestes de Medeiros, a escola recebeu 3 prêmios. Um inclusive, por causa das excelente normas de segurança. Normas que  já existiam e foram reforçadas depois que aquele monstro tentou levar meu Alex. Graças a Deus, e a Ben ele foi preso, e até onde sei não sai tão cedo. Por falar em Alex, meu lindo filho casara-se com Clara na primavera. Foi lindo, chorei muito. Menos que Beto, é claro. Tudo foi perfeito, desde o pedido que fez na frente de todos, no aeroporto, no dia que chegou da Alemanha vindo do intercâmbio. Um de seus projetos tinha sido escolhido e comprado por uma grande multinacional. Ele tinha ganhado também uma bolsa na faculdade, e tinha sido contratado como projetista na mesma empresa que trabalha até hoje. Tudo mérito próprio, sem intervenção do Ruivo, ou da família. Ela concordou, lógico, mas queria terminar a faculdade antes de casar. Clara sempre muito inteligente e empreendedora. Ela fica mais linda a cada dia, e ficaria ainda mais. Sorrio para ela, que está no pequeno palco do disputado restaurante, onde é a chefe e a proprietária o ‘Medeiros’, estávamos esperando que todos chegassem para dar uma notícia bem feliz. O restaurante está sempre lotado, mas neste dia ela tinha reservado todas as mesas para nós, para nosso almoço de família. O restaurante fica na orla, tem uma vista maravilhosa. Tem tudo muito harmonioso e alegre, a cara de Clara, e muitas fotos lindas nas paredes, todas que Clara tirou. Eles moram em cima do restaurante.  O apartamento deles é bem amplo, tem um jardim lindo de inverno que Tia Lia e o Ruivo fizeram, e uma sacada com vista para o mar de cair o queixo.  E mais importante, tem quartos sobrando. Enfim, Alex chegou, tinha ido atender um chamado urgente. Caminhou direto para sua linda esposa, beijou-a e se voltou para nós. Clara esperou que ele chegasse até seu pai, o Ruivo, então chamou a atenção de todos e começou seu breve discurso.

__Minha querida família. A muitos anos escutei meu amado tio Rick, agradecer durante um discurso, por ter nascido numa família tão generosa, incentivadora, amorosa e protetora. Naquele momento não entendi direito o porque de sua gratidão. Hoje sei que infelizmente, nem todos tem nossa sorte.- Olhou para minhas irmãs.-Mas com o tempo percebi que quando nos esforçamos de verdade, acreditamos realmente, conseguimos encontrar a felicidade, mesmo que tenhamos um começo muito triste. – Ela olhou para mim, era a minha deixa.- E  muitas vezes no momento de maior desespero, encontramos um anjo, um tesouro, um motivo para continuar lutando.- Ela olhou apaixonada para Alex.- Gostaria de convidar para repartir este momento comigo, a pessoa responsável pela minha razão de viver, a pessoa que deu inicio a maior felicidade que eu poderia ter. Diana, minha querida sogra.- Levantei-me e fui até ela. Ela segurou minha mão, ficamos de mãos dadas.

__Essa linda menina disse uma grande verdade. Eu não sabia que famílias tão amorosas realmente existiam. Achava que era coisa de novela ou algo assim. Mas a convivência com pessoas maravilhosas durante meu percurso de vida, me fizeram crer que nem tudo estava perdido. Descobri que mesmo nos momentos mais difíceis, nunca estamos abandonados. E se procurarmos bem, nos esforçarmos bem seremos agraciados. Todos sabem os sofrimentos que passei, embora lute com todas as forças para que nenhuma criança sofra assim, sou grata pelo lindo presente que a vida me deu.- Olhei meu lindo filho emocionado. E meu marido sorridente.- Serei ainda mais pelo que ela reservou para mim agora.- Nos telões do restaurante, duas imagens foram exibidas dividindo o espaço. Eram imagens do ventre em uma ultrassonografia. O som de pequenos corações pulsando rápidos e fortes. Então na imagem começou a aparecer um contorno, de um lado dois corações e do outro também. Os olhos de Alex transbordaram na hora.

__Vou ser pai? É isso?

__Se eu entendo de ultrassonografias.- Disse Deise com lágrimas nos olhos.- E eu entendo, você será pai de gêmeos. -Olhou o Ruivo dizendo.- E tio também.

__O que! ?- Os dois disseram ao mesmo tempo. Alex e o Ruivo se olharam assustados. Alex sorriu, saltou da cadeira, abraçou seu pai ruivo, correu para o palco, beijou o meu rosto, pegou Clara no colo e beijou sua esposa rodopiando pelo palco.

__Jura? Teremos gêmeos?- Clara só ria. Enquanto eu contemplava sua felicidade. Ruivo se levantou trêmulo e pálido, caminhou devagar até mim. Olhou em meus olhos com medo de perguntar.

__Tem certeza?- Sua voz saiu num fio.- Eu achei que você não pudesse… Pensei que não poderia engravidar depois do passou para ter Alex….Tem mesmo certeza?

__Eu tenho …certeza.- Baixei os olhos.- Eles são os da direita. Iguais a você, serão gêmeos  idênticos. Estou de 15 semanas. Estão se desenvolvendo muito bem. O médico disse que não há riscos.- Ergui meu olhar para encontrar os olhos verdes do Ruivo banhados em lágrimas. Ele foi se ajoelhando, e tocando com cuidado a barriga ainda inexistente. Beijou-a com carinho.

__Deus. Como posso agradecer por este presente?- Chorou abraçado a minha cintura.- Eu…Amo você… Tanto. Tem certeza que está tudo bem? Precisa de repouso?

__Eu estou bem. Minha primeira gravidez foi de risco, mas meu útero se recuperou. Sou adulta e com boa saúde agora. Eles estão bem, crescendo.- As lágrimas me venceram. Ele se levantou com um sorriso gigante no rosto.

__Você, Dona Diana é sempre surpreendente.- Beijou-me longamente.- Vou ser pai!- Virou-se para seus parentes e gritou._Eu vou ser pai! – Olhou Alex sorridente.- De novo!- Abraçou meu filho, como sempre fazia, como sendo mesmo seu.- Você não nega de onde vem mesmo em Alexandre Vogelmann Medeiros, gêmeos!- Eles riram.

__Sim, mas não são idênticos, então acho que devemos isso a competência de sua irmã.  O que não é nenhuma surpresa, certo pai?- Olharam para Clara. Ruivo sorriu carinhoso passou a mão na barriga dela e disse.

__Não. Ela é sempre brilhante.

Depois de abraços e muitos cumprimentos e felicitações, ouviu-se uma vozinha sorridente:

__Eu tenho uma dúvida tio Ruivo?- Disse Cisco, sempre sapeca.-  Você vai ser tio ou avô dos bebês de Clara? -Todos riram.

__Ainda não sei Cisco. Mas vou ama-los de qualquer jeito.

Os bebês de Alex e Clara, nasceram primeiro. Eram dois meninos lindos. Um loirinho de olhos negros muito sorridente. O outro branquinho, cabelos negros e olhos azuis cobalto. Beto chorou quando viu os bebês. Dona Elisa também. A vida gosta de fazer isso, dar voltas e voltar no mesmo lugar. Rick sorriu e perguntou:

__Como vai ser o nome do bebê a cara do tio Rick?- Disse com o bebezinho no colo. Clara e Alex se entreolharam:

__Luiz.- Sorriu.

__Olá Luiz, eu já tive um garotinho de olhos iguais aos seus um dia. Agora ele está muito grande não cabe mais no meu colo.- Sorriu e cheirou o bebê.- Sabia que eu também nasci com um amigo loiro ao meu lado? Ele era a cara do seu irmão. Como se chama seu irmão, você sabe?-_ Rick falava com todo carinho com o pequenino que o olhava atento. Alex respondeu a pergunta.

__Ele se chama Luiz.- Todos o olharam.

__Os dois se chamam Luiz? -Perguntou Rody.

__Sim. -Disse  Clara.- Luiz Roberto e Luiz Ricardo. Luiz, porque serão a luz de nossas vidas e o segundo nome, porque não poderia deixar de mostrar minha admiração pela amizade de vocês.- Olhou seu pai e seu tio.- Duas pessoas tão diferentes, que se respeitam tanto, e que se amam profundamente.

__Eu não tive irmãos, mas quero que meus filhos sejam como vocês. Que continuem não apenas parecidos com vocês  na aparência, mas com a essência de vocês. Com o caráter e a coragem que vocês tem, e que ensinaram a todos os seus filhos. Inclusive ao meu querido Pai Ruivo .- Sorriu para o Ruivo. Beto só chorava e agora Rick e vários outros Medeiros o acompanhavam. 45 dias depois foi a minha vez  dar a luz aos meus gêmeos. Nasceram dois garotos fortes, saudáveis e iguaizinhos. Eram bem moreninhos, rechonchudos, os cabelinhos todos enroladinhos e os olhos muito verdes. Quando olharam para o pai, os dois sorriram ao mesmo tempo. O encantamento foi geral. Dimitri e Nikolai eram os gêmeos mais charmosos de todos os tempos. Sorridentes, carinhosos e inseparáveis. Com seus nomes fortes que significavam terra e vitória, mostravam toda a glória de minha família e do Ruivo. Embora vovó Nina os chamasse apenas de Dimi e Nico. Desde de então o Ruivo passeia no parque todas as tardes com eles, com todo orgulho de seus pequenos gêmeos de olhos cor de esmeralda.  Eles acabaram de chegar do seu passeio.  Os meninos estão rindo muito, devem ter aprontado alguma. Eles tem 7 anos agora, e quando se juntam com o pai sempre aprontam. Esse é o meu ruivo, que não é mais o ruivo solteiro. Hoje Alex pegou os meninos na escola para mim. Foi bom porque assim pude ver os Luizinhos, como Nina chama os gêmeos de Clara. Vi também meu outro neto, o Lucas,  que a cada dia que passa se parece mais com Alex. Ele nasceu quando os gêmeos tinham 2 anos. Foi muita loucura. A família amou, é claro. Eu achei que Clara fosse ter que fechar o restaurante, mas algo surpreendente aconteceu. Naquela época Rody tinha 17 anos, pelo que sei nunca tinha se interessado pela gastronomia, mas quando Clara disse que precisaria treinar um subchefe para substitui-la durante a licença, ele se ofereceu.  E assim descobriu-se outro talento gastronômico entre os Medeiros. Hoje, Rody e Clara trabalham juntos, ele já terminou uma faculdade de gastronomia e fez vários cursos de especializações. O Medeiros passou por reformas, ficou mais amplo, arejado e premiado. Faz uns dois anos que Clara ofereceu a sociedade  que tem dado muito certo. Alex disse que ele quer ficar noivo de Alana ainda este ano, e se casar no próximo. Alana está no último ano do seu curso. Ela será Assistente Social como eu, quem diria que um dia iria inspirar alguém como Dona Elisângela fez comigo. Nós trabalhamos juntas no orfanato. Ela é muito eficiente, sua surdez não a atrapalha em nada, pelo contrário até aproxima as crianças dela. Jorge morre de orgulho, claro. Todas as minhas sobrinhas também estão na faculdade, quem diria? Só Marcelo que ainda é muito novinho, mas já diz que vai ser enfermeiro como seus pais. E Elis que ainda não terminou o ensino médio e que é a primeira bailarina de Nina. E a nova e promissora descoberta de Nina em se tratando de bailarinos , é Cisco. O garoto herdou o talento do pai e ama dançar. Alice não se cabe de alegria ao vê-lo dançando. O mesmo acontece com Liv e suas meninas.  As garotas amam dançar, principalmente para o papai.  Por falar em Liv, ela teve mais dois meninos. O Calebe que tem 6 anos e é a cara do Ben, e o Caio  que tem 3 anos e a cara do Rody. Eles ainda moram na casa da praia, mas precisaram fazer umas reformas quando os garotos começaram a aparecer. Liv disse que não tem mais planos para outros filhos, mas Ben só sorri quando falam sobre isso. Vovô Rodolfo conta 8 bisnetos desde Cisco.  E tem somente Mari e a Lu, como bisnetas. Segundo dizem, as meninas são mesmo raras nesta família, durante toda a história que se sabe, constam apenas 4, as meninas de Ben, Liv e Clara. Até agora. Os meninos entram correndo e gritando:

__Mamãe! Mamãe! Temos um presente para você, é do restaurante da Clara.- Diz Dimi todo contente.

__Ei! Porque você contou? Papai disse para não contar! Era surpresa, assim não é surpresa, ela já sabe. Ele vai ficar triste. _ Nico parecia aborrecido.

__É mesmo. Eu esqueci essa parte.- Olhou para mim e disse.- Mamãe, você pode fazer de conta que eu não contei? Só para o papai não ficar triste, sabe? Ele gosta de fazer surpresa.- Tive que rir. Esses meninos são loucos pelo pai. Mas não seria mesmo diferente, se até Alex é louco por ele. Olhei aqueles dois pares de olhinhos cor de esmeralda brilhando para mim. Eles eram mesmo iguaizinhos.  Continuavam com os cabelos bem negros e enrolados, já a pele era de um tom dourado, um pouco mais escuro que a de Alex, mas  bem mais clara que a minha. Ainda assim, não fossem os olhos, ninguém diria que eram filhos do Ruivo. Neste instante entra na cozinha ele, a razão dos meus pensamentos.

__Olá amor. -Caminhou para mim, e beijou-me.- Tudo bem?- Olhei seus lindos olhos, tive que sorrir.

__Sim, tudo bem.

__Aposto que esses meninos tagarelas te contaram que temos uma surpresa não é?_ Os pequenos ficaram encabulados.- Não tem problema.- Os meninos falaram juntos.

__Não!?

__Não, porque eu trouxe duas surpresas. Uma está aqui.- Me entregou uma sacola do restaurante, dentro a famosa mousse de chocolate da Clara.- Esta é para todos nós, mas só depois do jantar, como combinamos.- Piscou para os meninos.- Certo meninos?

__Sim! Papai!- Gritaram sorrindo os arteiros.

__A outra surpresa é para você meu amor.- Tirou uma caixinha do bolso.- Passei na joelheria outro dia e achei que você ia gostar.- Era uma uma gargantilha com três pingentes em forma de menininhos, cada um numa posição. Muito fofo.

__Eu amei, amor.- Beijei-o.- Mas está faltando um pingente.- Ele olhou confuso.

__Está? Ué mais eu conferi …Não, estão os três….-Ele me olhou desconfiado.- O que está tentando me dizer?- Olhei no fundo daqueles lindos olhos e disse:

__Pois é. Até três meses atrás, não estaria faltando nenhum, mas agora falta.- Sorri para ele.- Acho que também tenho uma surpresa para você.- Entreguei a ele uma caixinha._ Foi por isso que Alex precisou pegar os meninos para mim, eu precisava confirmar a surpresa.- Ele abriu e dentro um par de sapatinhos de bebê cor-de-rosa. _ O médico disse que ela não deixou dúvida sobre a sua identidade.- O Ruivo me olhou como se visse uma estrela. Parecia encantado.

__Jura amor? Teremos uma princesinha?- Foi me abraçando e beijando e rindo tudo ao mesmo tempo.

__Eu não entendi?- Perguntou Dimi.- Como vamos ter uma princesa? Isso não é só nos livros de histórias?- Nico ergueu os ombros e disse:

__Eu não sei direito.  Acho que tem princesas de verdade também. Mas não sei como podemos conseguir uma. – O Ruivo riu. Se abaixou para falar com seus homenzinhos.

__Meus queridos, preciso que prestem muita atenção. Nós acabamos de ganhar um presente muito valioso. Sua mãe está esperando um bebê. Este bebezinho vai nascer daqui a alguns meses, e vocês serão os irmãos mais velhos dela. Ela vai amar vocês de todo coração. E vai confiar que vocês cuidarão e protegerão ela sempre. No começo ela será muito pequena, mas crescerá rápido, e vocês poderão brincar muito com ela.

__Verdade mamãe? Ela vai amar a gente igual a você, o papai e o Alex?

__Sim Dimi. Exatamente assim. E igual a toda a nossa família ama vocês.

__Mamãe, como sabe que é uma menina?

__O médico viu num aparelho que consegue ver dentro das pessoas, Nico.

_É por isso que disse que teremos uma princesa papai? Porque mamãe está esperando uma menininha?

__Isso mesmo Dimi.

__Papai como é ter uma irmã?

__Ah Nico é maravilhoso. Você vai se divertir.

__Ela podia saber cozinhar igual a Clara.

__Dimi!

__O que? Ela é sua irmã, não é?– Esses eram mesmo os filhos do Ruivo. Riram enlouquecidos.

Meses depois nascia minha Sofia, minha filha. Muito, mas muito parecida comigo. Se misturarmos as fotos minhas de bebê com as dela, nem eu consigo separar. Minhas irmãs até choraram. Os Medeiros ficaram encantados. Vovô Rodolfo fez questão de uma foto com a pequenina nos braços em seu escritório. Lia disse que ela deveria ser sua neta e não de Nina. Sofia só dormia, sem fazer ideia da maravilhosa família que tem. Nem do pai maravilhoso, que chorava encantado com os meninos nos braços, a primeira vez que a viu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 15

Os meses passaram  ligeiros, muito trabalho no orfanato, na escola, muito esforço para dar conta de tudo. O casal mais miscigenado da família Medeiros, estava a cada dia mais feliz. Diana amava a casa. O quintal cheio de flores a deixava muito animada e  a calma de suas cores no interior, lhe davam tranquilidade. Todos os dias cuidavam juntos do jardim, Ruivo era muito talentoso com as plantas. Alex por outro lado, parecia ter nascido naquela casa. Tudo lhe aprazia. Principalmente ver o carinho com que o Ruivo tratava sua mãe. Alex estava sentado no banco branco, embaixo das árvores de Primaveras  que  formavam um caramanchão florido. O Ruivo sentou se no chão ao seu lado e deu-lhe um dos copos de suco de laranja que trazia.

__Alex, você gostou muito da viagem para Espanha, não foi?

__Sim. Você também certo? – Riu. E o Ruivo também é claro.

__É gostei muito.- Ficou mais sério.- O que estou querendo saber é se você gostou da experiência de ficar fora do país. Você  teria o interesse de fazer um intercâmbio no ano que vem? A Prestes de Medeiros oferece essa oportunidade de tempos em tempos. Eu fiz, fui para o Canadá. Fiquei um ano. Ben também. Minha mãe e meu tio Rick, também fizeram, foram para Inglaterra e algumas conexões  na França. Procuramos variar os países, alguns já foram para o Japão, para China. No próximo ano será a vez da Alemanha. Sei que eles são muito fortes em tecnologia e eletrônica, se você…. bem se se interessar. Você tem notas excelentes, não vai precisar de ajuda para entrar, faremos o comunicado amanhã na escola. A maioria dos alunos já se inscreve no primeiro dia. Talvez você queira perguntar a sua mãe antes.

__Está me dizendo, que posso fazer o intercâmbio na Alemanha numa escola técnica de eletrônica, por um ano? Por conta da escola? É isso?

__Basicamente sim. Também pode fazer outros cursos relacionados, a escola vai te indicar.É um ano muito proveitoso. Acredito que seria bom para você em sentido acadêmico, mas você não precisa ir se não quiser. Tem um futuro promissor de qualquer forma. Converse com sua mãe, ouça a opinião dela. Com certeza, ela pode te aconselhar melhor que eu.

__Acho que não.- Disse Diana , eles não a viram chegar. Mas ela pode ouvir a maior parte da conversa. Diana olhou os dois homens que mais amava na vida. Eles se compreendiam, se respeitavam, se gostavam e ambos queriam a felicidade dela._Acho que o Ruivo tem razão, não gosto de me afastar de você, mas será ótimo para seu desenvolvimento acadêmico. E eu preciso aprender a viver longe de você. – Os olhos dela marejaram.- Você logo será um homem e vai construir sua própria família. Não poderei ficar sempre com você debaixo de minhas asas. Terei que me acostumar. Um ano num intercâmbio será um bom treinamento.- Suas lágrimas rolaram e Alex a abraçou.

__Ei! Não chore. Nem fui selecionado ainda.

__Mas será, tenho certeza. Você merece meu menino, tão lindo, tão inteligente, tão carinhoso. Meu tesouro. Você vai comer direitinho, não vai?- E chorou. O Ruivo se levantou e abraçou os dois.

__Não fiquem assim os dois, falaremos todo os dias. E nas férias do meio do ano, viajaremos para lá, para te ver. A Alemanha é bem bonita nesta época do ano. Tenho um ex professor que é regente na escola que estudarão em Munique, já pedi para ele dar uma olhada em Alex . E tio Rick tem um amigo, um editor que trabalha a duas quadras da escola onde ficarão locados. Ele também vai cuidar de Alex para nós. E tem mais, quem vai acompanhar a classe de alunos é o Vô Carlos. Ele se ofereceu. E Vô Rodolfo decidiu mandar  Vó Aline com ele. Ficarão no mesmo corredor que Alex. Não vai ficar sozinho, nem desprotegido, eu não permitiria isso. – Alex olhou seu padrasto, não, seu pai, o homem que escolheu cuidar, amar a ele. Estava grato por ter este homem em sua vida. E o Ruivo já tinha tudo preparado para protege-lo, e ele continuou.- Vai ser bom, você vai aproveitar muito. Mesmo deixando Clara aqui. – O brilho nos olhos de Alex diminuiu.- Ei não fique assim, tenho certeza que ela vai entender, quer o seu bem. Se sua mãe entendeu, com ela será igual.

__Ela não pode ir no intercâmbio?- Perguntou Diana, e antes que Ruivo respondesse, Alex disse.

__Ela não pode, foi aceita num curso gastronômico muito disputado, reconhecido até fora do país. Nem vai precisar fazer o vestibular no ano que vem, será aceita assim que terminar o curso. Começa daqui umas semanas e vai terminar no fim do ano que vem.

__Não fique assim tão triste, lógico que vão sentir saudades, mas é para o crescimento de vocês. – Disse Diana.

__Eu sei, só que não queria ficar tanto tempo longe dela.

__Serão só 5 meses, ela irá conosco nas férias, prometo.-O Ruivo riu.- Terá que aguentar mais uns 5 meses depois também, é claro.

__Jura? Que vai leva-la?

__Claro.- Passou a mão no cabelo do menino, Alex agora já tinha a mesma altura que o Ruivo, e estava cada dia mais forte. Os exercícios no fim de noite estavam fazendo bem ao rapaz. E a companhia de Ruivo também. – Pena que perderei meu companheiro de academia por um ano. Teremos que aproveitar bem esses últimos meses.- Alex fez uma careta e os adultos riram.

Na semana seguinte quando Alex contou para Clara que fora aceito no intercâmbio, ela chorou de orgulho e de saudade, mas disse apenas uma frase.

__Vá, eu ficarei te esperando.

As semanas que seguiram foram muito agitadas, a escola preparou uma exposição com várias vertentes sobre a modernidade. Muita gente visitou as áreas comuns.  Na manhã de quinta, Ruivo e Alex chegaram juntos, como já era hábito. Alex foi para seu estande. Minutos depois, chegou até ele um homem alto, muito branco, com a cabeça raspada, muitas tatuagens nos braços, vestido de camiseta e calça escura. Tinha uma barba bem crescida e ruiva, uma cicatriz do lado esquerdo da testa e um olhar verde muito amedrontador. Disse para Alex:

__Oi filho.- Alex virou-se e encarou o homem estranho.

__Pois não senhor, posso ajuda-lo? -O homem sorriu sarcástico e disse.

_É claro que irá.- Pegou no braço de Alex dizendo.- Venha comigo.- Alex puxou o braço rapidamente estranhando a atitude do desconhecido.

__Desculpe senhor, não posso deixar a exposição.

__Hum. É forte, que bom.- Alex percebeu um sotaque estrangeiro, reparou nos olhos um tom mais escuro que os dele  e um mais claro que do Ruivo. Perecia os olhos de um bicho, um lêmure talvez.- Vamos filho, vim buscar você. Sua mãe ficou me devendo, você será o pagamento.- Aquela frase fez Alex estremecer, mas continuou no mesmo lugar como se nada estivesse acontecendo.

__Senhor, deve estar enganado. E como já disse, não posso deixar a exposição.- O cara agarrou seu braço com força, iria machuca-lo.

__Você vem comigo.- Sua voz maldosa apavorou ainda mais Alex. No meio do seu desespero velado, ouviu a voz de seu salvador.

__Solte meu filho agora!- O cara virou e no movimento levou Alex. Os olhos do Ruivo soltavam fogo. Os punhos cerrados e sua expressão não deixavam dúvida do que seria capaz de fazer. O bandido o olhou de cima em baixo. O Ruivo era mais alto e mais forte que ele. Para enfrenta-lo precisaria estar armado.- Vou repetir apenas porque há muitas crianças aqui. Solte meu filho! – A voz baixa ameaçadora, forçou o covarde a soltar Alex relutantemente. Este, altivo caminhou para o Ruivo calmamente. Ruivo o abraçou e perguntou sem tirar os olhos do careca mal encarado.- Está tudo bem, ele machucou você?- Alex acenou com a cabeça e se postou ao lado dele.

__Ele é meu filho cara, e vou leva-lo comigo.

__Está maluco? Acabei de dizer que Alex é meu filho. Se encostar um dedo nele outra vez, ficará sem seu dedo.

__Não tente me amedrontar professor.- Disse o larapio sorrindo.- Ele é meu, pode perguntar a menina, mãezinha dele. Vim cobrar o que me deve.- Só então o idiota percebeu o que tinha feito. O Ruivo ficou louco, Alex precisou segura-lo .

__Ruivo calma!- Alex entrou na frente dele, com as mãos no peito do Ruivo, esforçando-se para para-lo.- Pai! Me escute não vale a pena. Deixe-o ir.- Ruivo olhou Alex ainda bufando de raiva. O careca surpreso ficou quietinho.- Pai, não vale a pena.- Os olhos do Ruivo suavizaram um pouco.

__O que está acontecendo aqui?- Perguntou Beto chegando acompanhado de Rick e Ben, trazidos por Clara, que correu para busca-los quando percebeu a situação. Eles estavam numa reunião com os conselheiros. Se o bandido, estava abaquiado com o Ruivo, imagina quando viu Beto e os outros dois o olhando com cara de poucos amigos.

__Este sujeito, estava agarrando Alex, queria leva-lo da escola. Depois ofendeu minha esposa. Ben, se eu quebrar a cara dele, posso sair com uma fiança certo?- Ben se aproximou do irmão, dizendo:

__ Na verdade, seria legítima defesa, ele estava tentando sequestrar seu filho, e ofendeu sua esposa. Como advogado, poderia processar o indivíduo, mas estou mais a fim de te ajudar a quebrar a cara dele. Como se atreveu a machucar meu sobrinho? Quem é você?

__Eu sou o …-Ruivo o interrompeu.

__Se disser que é o pai de Alex de novo, quebro todos os seus osso.- Rick chegou perto dele, segurou o braço do sobrinho,  olhou para o cara;

__Moço se deseja sair daqui gozando de sua saúde, acho melhor se apressar. Se tinha a intenção de brigar pela guarda do rapaz, devo informa-lo que não conseguirá vencer. A mãe dele tem como defensor o melhor advogado de todo o estado, nesta área. Tem também uma irmã juíza neste mesmo seguimento. Sem contar nas testemunhas que a encontraram, depois que o senhor cruzou o caminho dela. Sim médicos, enfermeiros, assistentes sociais, todos dispostos a manda-lo para a cadeia. Seu crime ainda não prescreveu, seria muito fácil para meu sobrinho conseguir uma pena bem longa para você. E aquela menina que o senhor feriu, hoje não existe mais. Ela é uma mulher adulta, trabalhadora, estudada, forte e casada. Se tentar machuca-la, ou a Alex , terá que enfrentar a fúria do marido dela. E também do pai dele.- Rick apontou para Beto, que bufava com os olhos e os punhos cerrados.- E terá também que enfrentar o resto desta família. Não somos uma gangue, nem a máfia, mas somos muito unidos, e todos homens grandes, eu sou o menor e o mais calmo. E mesmo assim, tenho certeza que não teria dificuldade em derruba-lo, e pior, também quero arrancar sua cabeça pelo que fez a mãe de Alex.- Disse muito calmo, até o careca carrasco, que não o conhecia, percebeu que esse era um sinal de perigo.- Vá embora por onde entrou, e nunca mais procure Alex.

O homem ficou vermelho, parecia que ia sacar uma arma ou algo assim. Beto reconheceu o gesto, chegou mais perto dizendo:

__Não faça nenhuma besteira. Conseguiu ficar tanto tempo aqui dentro inteiro, porque ficou quieto. Se tentar machucar meu filho ou meu neto, não vai continuar assim. Eu até poderia negociar algum agrado contigo, mas depois de tentar isso, você vai sair daqui agora e sem nada. Vá! – O gringo percebeu que não poderia enfrentar todos eles. Começou a caminhar em direção da porta, o salão estava movimentado, quase ninguém tinha notado o alvoroço. Então o sacripanta resolveu fazer sua jogada e mostrar a que veio. Quando passou por Clara, agarrou a garota e colocou uma faca em seu pescoço.  Foi uma loucura, gente gritando correndo para fora, seguranças aparecendo de todos os lados, coisa de filme de ação. Em dois minutos só restavam no pátio os seguranças, os Medeiros, Alex e o pulha ameaçando Clara.

__Cara!- Disse Ben furioso.- Pensei que fosse mais esperto. Se não solta-la agora, vai se arrepender para sempre.

__Não vou soltar.- Lambeu o rosto de Clara.- É bem linda. Não era o que eu queria, mas posso ficar com ela.

__Não!- Gritou Alex. Deu dois passos.- Solte-a, vou com você.- O malvado riu. Os Medeiros sabiam que mesmo que tentassem, não poderiam segurar Alex.

__Agora gostei.- Olhou-os com desprezo. – Mas não quero mais levar você garoto, ela me serve mais.- Alex deu mais dois passos.

__Não faça isso.- Parecia nervoso.- Olhe, veio para me buscar, não é? Vou com você e faço tudo o que quiser, mas deixe ela aqui.- Deu mais dois passos, cobrindo o campo de visão do desprezível.- Não a machuque. Ela é neta do dono da escola, se leva-la irão atrás de você. Eu farei o que quer. E te mostro como sair e despistar a polícia.

__Polícia! Você chamou a polícia?- Soltou uns xingamentos em sua língua, que pareceu russo.

__Eu não, mas muita gente correu para fora, a polícia deve estar chegando. Vamos deixe ela ai, ela é frágil,  só vai te atrapalhar, vem comigo, é por aqui.- Estendeu a mão para mostrar a porta do lado, o cara seguiu seu braço e se desconcentrou, afrouxando a faca. Clara olhou nos olhos de Alex e num movimento calculado, deu um pisão no pé do careca e uma cotovelada bem forte no estomago dele, ele se desequilibrou e a soltou e ela  correu para Alex. Neste instante, Ruivo  que já tinha entendido a intenção de Alex, passou a frente e imobilizou o covarde. Mas fez questão de uma dúzia de socos antes.

__Você é um idiota mesmo! Vai para cadeia desgraçado! Ou não me chamo Carlos Medeiros.- Os outros se aproximaram e os seguranças também. Menos de um minuto se ouviu as sirenes da polícia.

Alex com Clara nos braços verificava cada centímetro do pescoço dela.

__Você está bem, amor? Ele machucou você?- Um corte e um pouco de sangue o apavoraram.- Ai meu Deus, está ferida! Pai!- Ruivo que largava o bandido com os seguranças, atendeu no mesmo instante. Para surpresa e alegria de todos os Medeiros, que não tinham ouvido eles se tratarem assim ainda.- Veja, ela está ferida, pai.- Alex tremia.- Acha que é sério?

__Não, acho que não é fundo. Ele só queria assusta-la. – Olhou nos olhos da irmã, corajosa que nem chorou, permaneceu controlada e buscando uma saída. Ela que tinha entendido a atitude de Alex de imediato, e esperado o momento certo de agir.- Mas ele não conhece nossa Clara, não é mesmo? Não sabe que nada pode derruba-la. Que ela é mais esperta e mais forte que todos os Medeiros.- Sorriu e olhou Alex.- E também não sabe o quanto vocês se amam, que nada poderia separa-los, nem um intercâmbio, nem um bandido qualquer.- Beijou a testa de Clara, depois a de Alex dizendo.- Você me chamou de pai.

_É assim que me sinto, seu filho. Chamei por você no meu pensamento, quando reconheci quem ele era. E você veio. Muito obrigado por me defender, Pai. -Os olhos dos dois estavam marejados.

__Sempre estarei pronto para cuidar de você, meu filho. Esse covarde não faz ideia do que eu seria capaz para defender você. A sorte dele é que vai ficar trancado por muito tempo._ Beijou a testa dele novamente. Enquanto Rick dava todas as informações para a polícia, Ben e Beto chegaram perto deles.

__Vocês estão bem?- Ben estava mais furioso. Olhou o pescoço de Clara.- Esse canalha me paga! Nunca mais vai chegar bem perto de vocês.  Juro.

__Está doendo minha princesinha?- Beto estava preocupado. Acariciou sua filha conferindo o corte.

__Estou bem, papai. Um pouco agitada é claro, mas estou bem.- Sorriu ao ver os homens de sua vida, todos preocupados com ela. Rick se aproximou- Talvez tio Rick poderia aproveitar esta cena em um de seus livros. A mocinha seria a heroína, lógico. Viram a cotovelada que dei nele?- Todos riram.

__Na verdade é uma ótima ideia. Você é mesmo um talento das artes marciais, querida.- Disse Rick tranquilo como sempre.

__Não dê corda para ela, tio. _ Disse Ben já menos nervoso.- Se não é capaz dela trocar o curso de gastronomia pelo de carcereira, já pensou.- Clara o empurrou de brincadeira.

__Ei! Seu bobo.

__Nem pense nisso! Eu sonho todo dia em comer no restaurante dela e me livrar das tentativas de jantar de sua mãe.- Disse Beto rindo. Todos riram.

__Se Nina ouvir você, teremos um terremoto.- Disse Rick rindo.- E você não pode reclamar, casou com ela porque é ruiva e implica com você, e não por saber cozinhar.–Riram mais ainda.

_Veja bem, como são as coisas. -Disse olhando para Alex.- Eu conheci a  linda moreninha cozinheira antes dele, ela se apaixonou por mim primeiro, mas eu como um idiota que sempre fui, preferi a  bela ruiva encrenqueira. Resultado, ele come como um rei todo dia, e eu só janto alface.- Quase morreram de tanto rir.

_ Se mamãe ouvi-lo papai, amanhã terei que morar no orfanato do Jorge.- Clara nem parecia que tinha enfrentado um bandido a pouco. Estava leve e sorridente como sempre. Todos os Medeiros pareciam ter uma capacidade natural de se recuperar das intemperanças da vida. Desde que seu coração estivesse protegido. Alex ficava cada segundo mais encantado com isso. Ben olhou para seu novo sobrinho e disse:

_Alex, vou precisar do seu depoimento para prestar queixa contra esse desclassificado. Sei que não é nenhum pouco agradável ter que ir a delegacia, mas neste caso é o melhor jeito para mante-lo longe de vocês. Clara também precisará ir. Não precisa se preocupar, nada vai prejudicar nem ela, nem você e muito menos sua mãe. Pode confiar em mim.- Alex olhou para o Ruivo e respondeu confiante.

_ Irei com prazer colocar este monstro na cadeia. Meu pai pode ir também?- Sorriu para seu querido protetor.

__Na verdade, ele precisará ir também,  -Sorriu- Você ainda é menor de idade ele precisará representa-lo. Além disso, é testemunha de tudo o que aconteceu.

__Eu também vou, afinal minha filha também é menor.- Disse um Beto decidido.

__Papai, não precisa. Ben é seu procurador legal, pode me representar.

__Mas de jeito nenhum. Ben é meu procurador comercial, mas eu sou seu pai. Vou e pronto.

__Não se preocupe Clara. – Disse Rick.- Também vou com vocês. Manterei seu pai controlado.- Sorriu.- Assim seus irmãos poderão fazer cada qual o papel deles. E todos nós ficaremos mais seguros. -Tudo acertado. A polícia levou o ruivo bandido, e a família se fechou em torno de seus amados jovens.

Quando Diana chegou do trabalho, Alex e o Ruivo estavam colocando o jantar na mesinha da varanda, em meio a flores coloridas. Não era um jantar simples. Pareciam ter encomendado em algum restaurante. Antes mesmo de ver Clara, Diana sabia que ela devia estar na cozinha. Era para ter estranhado, mas só se deu conta que algo havia acontecido quando olhou nos olhos de seu filho. Ele tinha algo sério para contar.

__Muito bem, então vocês chamaram Clara para cozinhar, arrumaram tudo muito bem, agora que já estou aqui, podem me contar.- Olhou seu filho que olhou para o Ruivo, parecia com medo de falar.- Alex, conheço você muito bem, sei que aconteceu alguma coisa, conte-me logo. Algum problema no intercâmbio?

__Diana. – Disse Ruivo, ele raramente a chamava assim, estava muito sério, devia ser algo grave. Ele se adiantou, pegou-a pela mão a fez sentar-se na  namoradeira da varanda, sentou-se ao seu lado e Alex sentou-se em um puf em sua frente.- Temos que contar uma coisa para você.- O coração de Diana acelerou.- Aquele homem, Lothar, foi preso hoje.- O coração de Diana bateu ainda mais rápido, aquele nome, ela nunca tinha dito ao Ruivo e nem mesmo a Alex.

__Como sabem isso?

__Porque ele foi preso na Prestes de Medeiros.- O coração dela parou. Diana olhou rapidamente para Alex.

__Mãe, ele tentou me levar, mas o meu pai, o Ruivo não deixou. Tio Rick, Tio Beto e Ben também estavam lá, eles me defenderam. Mas em vez de simplesmente sair, ele tentou levar Clara no meu lugar.- Diana arregalou os olhos horrorizada com a possibilidade.

__Deus não!- Alex segurou as mãos de sua mãe e Ruivo passou o braço em sua cintura.

__Nós não deixamos mãe. Ele foi preso. A polícia o levou. Ben já registrou a queixa, ele não vai poder sair, foi pego em flagrante.- O pavor nos olhos de Diana se transformou em lágrimas.- Não chore mãe, está tudo bem ele não me machucou, eu estou bem, veja.- Diana conferiu todo o corpo de seu filho com os olhos.

__E Clara, onde ela está? Ela está bem?- Diana falava rápido, apavorada.- Ele a feriu? Onde…

__Estou aqui Diana. – Clara saiu da casa para acalmar Diana.- Eu estou bem.- Diana se levantou afobada de encontro a menina. Viu um curativo em seu pescoço.

__Aquele monstro cortou você não foi? Ai meu Deus, eu sabia que um dia ele voltaria!

__Diana, não foi nada. Eu estou bem. Olhe. – Tirou o curativo para que Diana visse que era só um corte pequeno.- Dói um pouco, mas não foi nada grave. E eu acertei ele com muita força. O médico disse a Ben que quebrei uma costela dele.- Riu.- Certo, talvez tenha sido o Ruivo. Mas eu não deixei barato.- Diana olhou seu marido assustada.

__Você bateu nele?- Ruivo  levantou se defendendo.

__ Em minha defesa devo dizer que tentei conversar primeiro. Mas o idiota queria levar meu filho, depois quando achei que ele sairia quietinho, puxou uma faquinha ridícula para minha irmã. Eu até que fui controlado, esperei Alex distraí-lo e Clara acertá-lo. E nem bati tanto assim, foi só para atordoá-lo. A minha vontade mesmo era parti-lo ao meio, mas como o covarde mesmo disse, sou professor, não apelo para violência. Agora Ben cuidará para que ele mofe na cadeia. E todos nós ficaremos livres dele.- Diana que até então tremia segurando as mãos de Clara, soltou-as de súbito, ficou de frente para o Ruivo com os olhos em chamas.

__Você é louco! Como pode lutar com um homem armado? Ele é um lutador de rua, não tem escrúpulos. Um conhecido atirador de facas. O que pensou que estava fazendo?- Ela estava furiosa.

__Eu estava defendendo meu filho! Defendendo minha irmã! A minha escola! Acha que ia permitir que ele saísse de lá levando qualquer um dos dois? Mas nunca mesmo!

__Ele é um bandido! Não entende, ele é perigoso!

__Eu também sou perigoso! Basta mexer com minha família!- Diana tremia mais que antes, só não sabia se de medo, de raiva, de culpa por ter trazido aquele mundo para vida dos Medeiros.

__Ele podia ter ferido você.- A voz de Diana foi sumindo. – Eu nunca poderia me perdoar se ele…machucasse você.- E chorou. Era isso, ela não conseguia suportar essa ideia. Ruivo entendeu. Seu coração se encheu de amor. Ele a braçou:

__Ô meu amor, minha linda. Está tudo bem, aquele canalha, tentou levar Alex, mas nosso filho é esperto e forte, ele não teve como leva-lo. Quando cheguei, ele soltou Alex, nem tentou me enfrentar é um covarde. Quando papai, Ben e Tio Rick chegaram ele viu que não tinha mais como conseguir o que queria. Só pegou Clara, porque não sabia que ela  é uma atleta. Sim, ele é um bandido e tem razão não deveria tê-lo enfrentado. Mas eu não tive escolha. Os seguranças da escola estavam na linha de visão dele. O mesmo no caso do papai e do Ben. Entre eu e Tio Rick, sou mais jovem, ele também entendeu que Alex estava distraindo o tal Lothar, mas fiz sinal para que me deixasse agir. Os seguranças foram me ajudar assim que o imobilizei, Ben, papai e Tio Rick também. Eu sei me defender querida, sei me esquivar, não poderia dirigir uma escola cheia de adolescentes se não soubesse. Na verdade, o cara é um idiota, ele não tinha como tirar nenhum deles da escola, mesmo que a polícia não tivesse chegado. Ele não poderia passar pelos portões. Não fique triste, amor. Deu tudo certo. Foi por isso que trouxe Clara, para você ver que ela está bem, que ele não pode machuca-la, e nem levar Alex e nem nunca mais vai machucar você, amor. Nunca, enquanto eu viver. Está tudo bem meu amor.- Ela chorava nos braços do Ruivo, inconsolável.

__Estamos bem mãe. Acredite. Também fiquei assustado quando o vi, e apavorado quando pegou Clara. Mas também percebi que ele não tinha como sair da escola com ela. Haviam muitos seguranças. E a polícia chegaria logo. Foi tudo muito rápido, mãe. Logo Clara estava comigo de novo. De verdade, mãe.

__Diana, não fique assim. Não é culpa sua que este doido tenha aparecido. Olhe, foi só um corte raso. O médico disse que não vai nem deixar sinal. Fique tranquila. Estou bem, até cozinhei para você.- Sorriu. – Por favor, se ficar triste assim vou me sentir culpada por ter dado tão mole.-Diana a olhou com as lágrimas lavando seu rosto, e entre soluços perguntou:

__O que quer dizer?

__É verdade. Cheguei mais cedo porque papai tinha reunião com o conselho, vi aquele estranho careca rondando o estande de robótica. Quando Alex chegou e o cara se aproximou, eu não sei porque, mas soube imediatamente quem ele era. Devia ter avisado os seguranças, mas só consegui pensar no meu pai. Corri para a sala de reuniões. Nem me lembrei que o Ruivo tinha acabado de entrar na exposição. Abri a porta feito uma louca, eles me olharam assustados, eu pedi que corressem e só quando me alcançaram que eu disse que alguém estava tentando tirar Alex da escola. Tio Rick de cara já sacou quem era e eles aceleraram ainda mais, e chegaram  no estande antes de mim. Enquanto eles conversavam eu concluí que o tal de Lothar, tinha entrado pelo portão principal, e que provavelmente não conhecia as outras saídas muito bem, e tentaria sair por lá. Só então me lembrei dos seguranças, pensei em avisá-los sem chamar atenção. Quando estava a uns 5 ou 6 metros do primeiro segurança, sentir o braço dele no meu pescoço. Dei mole. Mas é que estava preocupada, não me concentrei e não consegui pensar direito.- Olhou Diana.- Olha, entendo você. Se Alex tivesse entrado numa briga com um cara com uma faca, eu iria querer esfola-lo por me fazer sentir um pavor desses. Mas o que o Ruivo disse é verdade. Ele dava uns dois do cara. Se realmente quisesse, podia ter quebrado o bandido todo. Concordo que com esse tipo de gente, não se deve vacilar.  Mas conhece o Ruivo, ele é impulsivo, parece comigo.- Sorriu.- Além disso, se você estivesse lá, também não teria deixado ele levar Alex e nem a mim, não é? – Diana se acalmou um pouco.- Seja como for, tudo já acabou. Eu estou bem, Alex está aqui, o Ruivo continua enorme como sempre  e sem nenhum arranhão, e nem precisamos chamar Jorge que é ainda maior.- Riu de novo.- Vamos Diana, fique calma. Acabou.

__E se ele voltar? E se tentar machucar qualquer um de vocês?

__Não vai voltar. Ben vai cuidar disso. – Clara sorriu.- Meus irmãos são muito bons no que fazem. É um dom dos Medeiros. Venha, vamos lavar esse rosto. E comer um peixe assado delicioso. Seu marido, seu filho, eu e todos os Medeiros estão ótimos. Então vamos jantar em paz e felizes, ok?- Diana a olhou ainda preocupada, mas se deixou guiar por aquela menina corajosa.

 

Dez dias depois, no jardim da casa do Ruivo, durante o almoço de família.

_Tia Lia.- Um Alex muito sorridente e curioso perguntou: Ouvi dizer que a senhora foi apaixonada pelo Tio Beto, é verdade?- Lia e Nina se olharam enquanto Beto e Rick riam loucamente.

__Isso é coisa de vocês dois, né?- Perguntou Tia Nina com cara de brava. Todos os Medeiros riram.

__Tudo culpa sua Beto. – Disse Rick se controlando um pouco.- Se não fosse tão indiscreto não precisaria explicar essa história.

__Eu não fiz nada. Foi você que disse para a menina que ela tinha talento para artes marciais.

__Que história mais maluca é essa?- Nina parecia realmente confusa. E eles riram ainda mais. Então, Lia sempre tão carinhosa disse:

__A história não é exatamente assim. Conheci Beto primeiro, Nina e Rick estavam no intercâmbio. Eu tinha vivido quase toda vida dentro de navios. Morava com minha tia Maura, que cozinhava em cruzeiros. Eu nunca tinha visto um rapaz tão bonito quanto Beto. Me encantei por ele.- Sorriu para seu cunhado.- Mas desde o começo, eu sabia que aquele lindo capitão do time da escola, jamais seria meu. Ele era como um personagem perigoso e envolvente dos livros que eu costumava ler. Eu já tinha essa total consciência antes mesmo de conhecer a ruiva mais bonita que eu já tinha visto na vida. Quando vi o capitão olhar para a ruiva, soube imediatamente a quem pertencia o coração dele. E embora ela relutasse bastante, também ficou claro para mim, onde estava o coração dela. Deste momento em diante, fiz tudo o que pude para ajudar os dois cabeças duras mais bondosos do mundo a se entenderem. Mas o que parecia a coisa mais obvia do mundo para mim, o amor absoluto entre eles, era inexplicavelmente inaceitável para eles. Nada que  eu tentasse fazer parecia funcionar para abrir os olhos deles. Até que o príncipe mais tranquilo de todos os contos de fadas, apareceu em minha vida.- Olhou para seu marido, lindo com seus olhos cor de cobalto e sorriso calmo.- Não preciso dizer que perdi o ar quando vi aquele par de olhos azuis tão intenso me olhando. Mas perdi também o momento  decisivo que colocou toda essa história no prumo. Eu que até esse ponto tinha sido apenas coadjuvante de um lindo romance, estava no meio de um tempestuoso rompante de ciúme. Por razões que só um coração ferido conhece, a Ruiva bailarina me viu como uma rival, e eu me vi perdendo minha única amiga. Como se não bastasse, meu lindo príncipe também parecia chateado comigo, como se eu realmente tivesse feito algo muito errado. Como é próprio da minha personalidade,  fiquei puxando pela memória, tentando organizar meus pensamentos, tentando encontrar um motivo, tentando resgatar o instante exato que tudo enlouqueceu. No meio do meu desatino, meu príncipe veio me salvar. – Sorriu.- Veio me acalmar com o compasso do seu coração. Ele me mostrou que eu precisava respirar e  esperar o tempo necessário para as coisas se encaixarem. Foi exatamente o que aconteceu. A ruiva maluca voltou a ser a irmã do meu coração para o resto de nossas vidas. O capitão do time passou a ser meu amado irmão mais velho. E eles passaram a brigar todo dia, se amando loucamente apesar disso. – Riram.-E por incrível que pareça, construíram uma família linda cheia de amor e ruivos sorridentes e lindos. E com uma loirinha muito inteligente que cozinha muito melhor que eu. De mais não acha?

__Que história!- Disse Alex rindo.- E quanto a senhora e o tal príncipe? Porque ele ficou chateado com a senhora?- Rick pegou a mão de Lia e a puxou carinhosamente para seu colo. E olhando para ela disse:

__O príncipe tinha um coração muito frágil, sempre evitou grandes emoções. Ele tinha medo do que este tipo de sentimento poderia fazer com ele. Acontece que ele ficou imobilizado pela linda menina. Ela não precisou dizer nenhuma palavra, bastou olhar para ele, e ele se rendeu. Como era um sentimento totalmente desconhecido, o pobre príncipe ficou muito assustado. No primeiro sinal de que talvez não pudesse conquista-la, ele se perdeu. Se viu sentindo um ciúme irracional de seu próprio irmão, que diga -se de passagem nada tinha feito para merece-lo. Com reações assim tão poderosas, ficou claro para o príncipe o que estava acontecendo. Precisou apenas…- Aconchegou Lia sobre seu peito.- Te-la em seus braços, ouvindo seu coração bater. Foi então que tudo fez sentido, o capitão do time da escola sempre foi e sempre seria apaixonado pela linda ruiva bailarina, que retribuiria os sentimentos dele com a mesma força sempre. E meu frágil coração não me pertencia mais, daquele dia em diante, ele bateria somente para aquela linda princesa e por ela. Por providencia divina, ela correspondeu ao meu amor, me tornando o mais feliz dos homens ao me fazer seu marido e pai dos seus filhos. É sem dúvida a pessoa mais inteligente que conheço, mas inocentemente acha que eu dei a ela tudo que ama. Família, filhos, livros, jardins.- Riu calmo como sempre.- Não consegue entender que ela me deu o que eu jamais achei que poderia ter.- Acariciou os cabelos dela. Lia ergueu a cabeça e olhou seu amado príncipe.- Ela me completou. E me deu uma razão para lutar. Um motivo para continuar todos os dias. Um objetivo na vida. Vivo para fazê-la feliz. Para assim retribuir uma pequena parte da felicidade que ela me dá todas as vezes que sorri para mim.- Rick olhou para Alex.-Graças a ela vocês estão todos reunidos aqui hoje.

__É verdade Alex. _ Disse Nina.- Quando voltei do intercâmbio, eu estava decidida a receber minha herança, que vinha da família da minha mãe, e voltar para a Europa, para terminar meus estudos e formar uma companhia de dança. Eu não queria nem terminar de assistir as aulas do fim do bimestre. Se não tivesse encontrado Lia na secretaria da escola, provavelmente teria voltado para casa e começado a arrumar as coisas para viajar. Mas como a encontrei procurando um lugar para ficar, acabei oferecendo a casinha azul da minha avó para ela. Quando eu e papai fomos ver a casa junto com Lia, eu quis ficar. Logo depois comecei a dar aulas para ela, e depois para outros e me encantei com a ideia de ter uma escola de dança e enfim…

__Sem contar que como a casinha azul precisava de reformas, eu consegui a desculpa perfeita para passar um tempo junto com as duas. Isso ajudou a me reaproximar de Nina. Muitas vezes pensei em ir atrás dela na Europa, mas conhecendo Nina sabia que ela não acreditaria em mim. Precisava ver que eu tinha amadurecido. Nos dias que passamos juntos por causa da casinha, eu consegui uma aliada muito forte para convencer a ruiva. Logo se hoje tenho minha linda Ruiva, e vocês meninas tem seus ruivos, devemos a essa linda pequenina.- Lia encabulada com a atenção disse.

__Discordo. Todos somos responsáveis por nossa família ser tão unida e feliz. Mas se realmente querem dar o crédito a alguém por todos termos nos encontrado nesta vida, então seria ao vovô Rodolfo. Afinal, ele me trouxe para a escola, e foi quando tudo começou.- Rodolfo beijou a mão de sua querida esposa Elisa, sorriu para sua família amada, virou- para Lia e disse:

__Meu lindo anjo inteligente, serei obrigado a discordar de você, minha pequena. Se realmente vamos encontrar quem é responsável por nossa história ter tomado este rumo que conhecemos, então devo dizer que este alguém foi sua mãe. Minha ex noiva Maria Olivia, era jovem, delicada, tinha um pai tirano e uma saúde frágil. Apesar disso lutou por seu verdadeiro amor. Se ela tivesse se acovardado, teríamos nos casado. Eu seria pai de Lia, ou talvez dos Gêmeos, mas com certeza não dos três. Assim, esta família não existiria. E nós seríamos infelizes, porque ela não me amava. Depois que conheci Elisa, descobri que eu também não a amava como ela merecia. Devo toda a minha felicidade aquela pequena bailarina. Embora eu não tenha sido o amigo que  equivalia ela, ela me deixou dois tesouros. O primeiro, foi seu exemplo de coragem. O segundo foi uma linda menina inteligente. Que curou meu coração cheio de remorso, acalentou o do meu melhor amigo por juntar sua família novamente, salvou o coração do meu filho mais velho e despertou o do meu filho mais novo. Graças a interferência direta ou indireta dela, eu tenho netos e bisnetos lindos. E de quebra, meu lindo anjo ainda me deu de presente, outra Maria Olivia- Olhou para Liv, que piscou e sorriu para o avô.- Uma que eu posso amar para sempre e que sempre irá me amar. A vida é cheia de encontros e desencontros, as vezes nos enganamos a primeira vista, mas quando o coração está envolvido, sempre temos outra oportunidade de reconhecer o amor verdadeiro. Lia pode ter se confundido num primeiro momento com Beto, mas durou só até Rick chegar.

__Verdade. -Disse Beto.- Tinha que ver como ela olhava para ele naquele primeiro dia. Era assim…. exatamente como está olhando agora. -Riu.- Ela continua louca por ele. – Riu de novo.

__Espero que esteja certo meu irmão. – Disse Rick calmo como sempre.- Porque eu continuo desesperadamente apaixonado, como naquele dia. _ Riu.- Alias, igual a você, Beto.

__ Fazer o que! Sou um Medeiros.- Riram todos

_Certo, é mesmo uma história muito romântica. – Disse Diana.

_Só tem uma coisa que ainda gostaria de saber. -Perguntou o novo Alex, filho do Ruivo.- É verdade que a senhora tia Nina, não sabe cozinhar?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 14

Era o primeiro dia de trabalho de Diana, estacionou seu Creta branco, novinho na garagem do orfanato. Seu carro novo tinha sido o presente de casamento de seu marido para ela. Quando chegaram de viagem o carro estava na garagem do prédio, ao lado do cinza do Ruivo. Ele disse:

__É costume em minha família dar a esposa uma joia de presente de casamento. Mas achei que você precisava mais do carro. Como para mim um Creta também é uma joia…- Sorriu.- Espero que goste de carros grandes, e pelo amor de Deus, tenha cuidado. Doe no coração arranhar essa beleza. -Riu. Diana não sabia se chorava ou se ria. Esse era seu ruivo marido.  Já devia estar acostumada as brincadeiras´as surpresas e ao imenso carinho que lhe demostrava.  Tinha sido assim sempre. Principalmente durante sua viagem.

Toda a viagem tinha sido magnifica. Lugares lindos, interessantes, cheios de histórias e de vida. Os olhos de Alex brilhavam a cada novo cenário que via. A felicidade dele passeando com Clara pelo Castelo saltava aos olhos. O castelo era de filme. Os quartos todos confortáveis e com uma vista maravilhosa. Nos primeiros dias, Alex e Ruivo dormiram no mesmo quarto, e todas as meninas queriam dormir junto com Diana. No começo as mães tentaram revesar, mas logo todas as seis meninas estavam dormindo junto com Diana na cama da suíte. No dia do casamento, o pátio do castelo estava todo enfeitado com lírios brancos. As toalhas das mesas eram brancas e a louça toda branca, e os guardanapos eram verde água. Em cada mesa havia um solitário bem alto com dois lírios dentro. Atrás do altar tinha uma árvore francesa branca. O juiz estava vestido com a toga como era comum na região. O Ruivo  vestia um terno cinza claro com camisa, colete e gravata borboleta branca, e na lapela um pequeno lírio branco. Entrou levado por sua mãe Nina, que vestia um vestido de um ombro só, com a cintura bem marcada e uma saia com um caimento suave verde tiffany. As mulheres Medeiros combinaram usar o mesmo modelo de vestido, que Nina desenhou, um agrado para a mãe do noivo. Diana aprovou, principalmente os tons de verde. Beto estava também de terno cinza com a gravata borboleta, verde tiffany. Ele entrou com Clara  com o mesmo modelo de vestido da mãe, água marinha. Em seguida Jorge e Alice, com o vestido turquesa e a gravata borboleta de Jorge combinando. Então Rick e Lia de jade. Em seguida Rodolfo e Elisa de esmeralda. Os próximos foram Ben e Liv de sálvia. A seguir Carlos e Aline de verde grego. Em seguida entraram as irmãs de  Diana, Dalia com o vestido em verde hortelã e Deise verde marguerita e seus respectivos maridos com as gravatas borboletas combinando. Os outros três casais de amigos gostaram da brincadeira e as mulheres escolheram modelos de vestido diferentes mas em tons de verde, e os maridos estavam com as gravatas combinando como os padrinhos. E a pequena Ema vestia um vestido bufante verde bebê. Até Dona Elisângela estava usando, seu modelo estampado em verde e com uma echarpe verde escura. Irene sua filha achou tudo muito romântico, usou um macacão branco com bolinhas verde escuro e combinou com sapatos e pulseiras do mesmo tom.  Era negra como Diana, mas não tão alta e tinha cabelos muito lisos, quase como uma índia,  tinham morado juntas no abrigo. Irene também era uma vítima como Diana, que foi ajudada pela querida Dona Elisângela. Mas ela não tinha ninguém. Tornou-se professora e dava aulas no abrigo. Quando Dona Elisângela se aposentou, também ficou sozinha, então as duas se adotaram. Irene parecia alegre, embora como Diana e suas irmãs, sempre exibia uma tristeza no fundo do olhar. Hoje, porém, todas estavam exuberantes. Nina elogiou muito o bom gosto de Irene. João Pedro, o Filho de Geraldo, amigo de Rodolfo,  também pareceu gostar muito da combinação. O rapaz que vinha achando esta história de todos os tons de verde meio piegas, quando viu Irene chegar, correu até o quarto para trocar a gravata por uma de borboleta  verde de bolinhas brancas, que viu na mala de seu pai. Até mesmo a noiva notou seu interesse pela amiga.

Para marcar a chegada da noiva com toda a alegria do mundo, entraram as três meninas de Dalia, mais as duas de Deise, mais Alana, todas vestidas de daminhas de branco com um cinto largo verde cana, de duas em duas, enfileiradas por altura. Tinham nos cabelos um arranjo lateral de flores brancas e carregavam um pequeno buque nas mãos. Entraram sorridentes, e Alana se sentindo a profissional por já ter experiência de dois casamentos. Atrás delas entraram  Marcelinho, filho de Deise, Cisco e Rody. Estavam vestidos igual ao noivo, com gravatas da cor do cinto das meninas. Entraram nesta ordem um de cada vez, com plaquinhas que diziam:’ Aí vem a noiva.’ E a outra ‘ Ainda da tempo de fugir’, Rody ria como se entendesse a piada. E a última’ Se fugir eu caso com ela, está linda’. Todos riram, este era mesmo o casamento do alegre Ruivo. Todos estavam a postos, então a voz gravada de Ben cantando acompanhado apenas pelo violão I do It for You de Bryan Adams, encheu o pátio. E lá estava ela. Sendo conduzida por Alex. Ele também estava vestido exatamente  igual ao Ruivo. Mas sua gravata era da cor do vestido de Clara. Estava muito bonito. Mas nada podia se comparar a noiva. Ela tinha feito seu vestido de crochê. Várias flores brancas de diferentes tamanhos e formatos diferentes se uniam em toda a saia de recorte em A com um pequeno volume charmoso, e uma calda singela. O corpete delicado, com flores um pouco menores,  cobria seu colo num modelo de gola alta, deixando o contraste do branco com a brilho da pele negra em evidência nos ombros torneados. O forro do vestido em verde claro deu um toque ainda mais romântico ao vestido, nos pés uma sapatilha branca com laço imenso em cima. No pulso do braço delgado uma pulseira de brilhantes, presente de Beto. Nas orelhas um par de brincos de brilhantes que combinavam com a pulseira, presente de Rick. Disseram que ela merecia ter lindas joias, porque era uma joia rara. Diana nunca pensou que teria coisas tão bonitas, nem tão caras. Nas mãos carregava um lindo buque de lírios brancos. Estava esplendida. Mas uma coisa chamou mais atenção que tudo. Diana soltara seus cabelos. Estavam no seu estado natural. Negros, crespos, cachos bem fechados, volumosos e compridos até a cintura. E de um lado um arranjo de flores brancas, como os das daminhas. A maquiagem suave completava seu visual. Ela parecia a rainha do Ébano. Lindíssima. Ruivo a olhava encantado. Quando chegaram até ele, Ruivo abraçou e beijou Alex e beijou sua testa, assim como Diana fez. Ele se juntou a Clara, e a cerimonia começou. Na hora das alianças, as pequenas gêmeas de Ben entraram no colo dele, sorridentes vestidas de branco com uma tiara de flores nos cabelos e as duas segurando ao mesmo tempo uma cestinha branca com uma almofada verde claro e as alianças presas nela. As duas bebês de pouco mais de um ano, pareciam saber o que estavam fazendo, sorriram para o tio com todo o amor e entregaram a cestinha para ele. O Ruivo beijou as testas das duas e a do irmão tão amado, virou-se para sua linda noiva e colocou uma aliança dourada com um filete de ouro branco no dedo dela e deu-lhe sua mão para que ela fizesse o mesmo. Foi muito emocionante, ver os olhos dele marejarem quando foram declarados casados. A festa que se seguiu foi deliciosa. A comida boa, a companhia ainda melhor. Dançaram a tarde toda. Quando a noitinha caiu a festa estava a todo vapor. Foram acesas as luzes do castelo, e tudo ficou ainda mais incrível. Na hora que os noivos pensaram que deveriam se recolher, os parentes e amigos se  reuniram em volta deles no pátio, queriam fazer uma pequena surpresa.   Seu cunhado Alexandre, foi quem começou a falar.

__ Meu raio de sol.- Sorriu-  Era uma quarta feira cinzenta de chuva fina, depois de uma noite de tempestade. Eu estava tendo um dia muito triste. Fazia um ano que minha mãe, que era minha única parente conhecida, tinha falecido. Naquela  manhã eu tinha recebido o resultado de exames médicos, que confirmavam que eu não poderia gerar meus filhos. Minha namorada estava comigo no consultório. Quando saímos, ela disse compreender minha dor, e estar disposta a continuar minha amiga, mas o sonho dela era engravidar, então ela não seria mais minha namorada. Eu não tinha mais ninguém, e achei que não seria capaz de formar uma família. No meio da minha tormenta, eu vi um raio de sol na beira da estrada. Uma menina ferida. Coloquei ela dentro da ambulância que eu dirigia. Corri feito um louco pela estrada para encontrar o hospital mais próximo, pedindo a Deus que a pobrezinha resistisse. Quando ela deu entrada, o médico de plantão me disse para não ter muitas esperanças. Ela estava muito ferida e muito fraca, só um milagre poderia salva-la. Fui até o jardim, lá no meio das flores, eu implorei a Deus que salvasse aquela criança. Era tão inocente e já estava sofrendo tanto. Implorei por um milagre. Prometi a Deus que se ele a salvasse, eu não pediria mais para ter filhos e nem uma família. Troquei o meu sonho, pela vida dela.- Diana chorava.- Deus me atendeu. A menina sobreviveu. Soube pela Assistente Social do hospital, que a garota era órfã, tinha duas irmãs um pouco mais velhas e assim que ela melhorasse seria mandada para a mesma instituição que elas estavam. Percebi que aquelas meninas eram como eu, sozinhas. Entendi então, que Deus fez um milagre muito maior do que o que eu pedi. Ele salvou a menina e me deu a família que eu tanto queria. Eu não sabia nada sobre ela, e muito menos sobre as outras, mas sabia que elas seriam minhas irmãs daquele dia em diante. E foi exatamente o que aconteceu.  Ganhei uma família de mulheres batalhadoras, como a minha mãe era, e ainda ganhei um sobrinho muito esperto, que todo mundo achava que era meu filho.- Sorriu.- Mas como Deus é mesmo fabuloso e quando nos dá uma graça, ela é completa, a irmã mais velha daquela menina, ganhou meu coração no instante que entrou no quarto e me viu segurando a mão da irmãzinha. Ela endireitou o corpo, empostou a voz, se pôs do lado da irmã e disse:

__Quem é o senhor? E porque está sozinho com minha irmã?-  Xande Sorriu.

__Soube que ela seria a mulher da minha vida pela maneira que protegeu a irmã.- Olhou para Dalia com carinho.- Todas as bençãos que recebi depois, que foram muitas e maravilhosa. – Disse olhando as filhas.-  Vieram em decorrência daquela que recebi aquele dia, quando encontrei você, meu raio de sol. – Sorriu para ela.- Como já gastei meu desejo com você a muito tempo, não vou pedir a Deus que encha a sua vida de felicidade como você encheu a minha. Vou pedir, não vou implorar a você Ruivo, que faça essa menina muito feliz, como ela merece.- Foi muito emocionante. Então foi a vez do Beto.

__ Não sou um bom orador, está qualidade pertence a meu irmão. Normalmente eu me perco no que estou falando, e sou muito chorão. -Todos riram.- Mas hoje fiz questão de contar algo para vocês. Quando os gêmeos nasceram, foi uma grande alegria. Eu tinha nascido com meu melhor amigo, achei fantástico que meus filhos também fossem assim. Só uma coisa me chateou um pouco. Os dois idênticos eram a cara da minha mulher.- Riram.- Tudo bem ela é linda, logo os meninos também eram. Mas nenhum deles se parecia comigo. Bobagem eu sei, mas os homens tem essas idiotices. Então eles começaram a crescer. Em muitas coisas eram exatamente iguais, mas em outras, o mais novo era igual ao meu irmão. Era como se visse Rick nas atitudes dele.  Só então percebi que o mais velho era exatamente igual a mim. Gostávamos das mesmas coisas, tínhamos as mesmas aptidões, eramos até lentos para entender as coisas do mesmo jeito.- Todos riram.- É engraçada quando você vê seus defeitos em outra pessoa, você quer ajudar a pessoa a melhorar, mas sabe que é muito difícil para ela mudar. Seja como for, amei os dois cada dia mais, pelo eram e pelo que não eram.  Tentei ajudar meus meninos a não cometer os mesmos erros que eu, tentei protege-los de toda dor. Quanto mais eles cresciam, mas eu via que isso infelizmente é impossível. Então o tempo fez seu trabalho, e eu  de repente, tinha dois filhos adultos, completamente responsáveis, independentes, trabalhadores, valentes. Que não precisavam mais da ajuda do papai. Pior, que não tinham medo de piscina e ainda se achavam no direito de zombar de mim. -Todos riram.- Vocês riem porque não é com vocês. O fato é que eu fiquei meio perdido, não sabia direito como deveria agir dali em diante. Até que ponto eu deveria me intrometer nos assuntos deles. No meio deste meu dilema, vi meu mais novo, enfrentar uma desilusão sozinho, sem dividir comigo sua dor.  Fiquei triste, não sabia como ajudar sem invadir seu espaço. Foi então que resolvi que seria o pai intrometido mesmo, não estava nem aí para as convenções. Foi quando, outra vez, meti os pés pelas mãos. E então, vi meu menino mais velho sofrer exatamente como eu sofri. O mesmo desespero que vivi, a mesma angústia estampada nos olhos dele. O menino que era o símbolo da felicidade desta família, perdido na tristeza. Me senti um inútil. Para que serve os pais se não para proteger seus filhos? E eu tinha falhado outra vez. Na verdade tinha até contribuído para a sua agonia. Me levantei naquela noite, fui até o quarto dele, mas não entrei. Implorei a Deus por ele. Por um filho maravilhoso, que nunca me deu nenhum desgosto que fosse. Um menino alegre e corajoso que nunca se negou a ajudar ninguém. O único defeito dele, era se parecer comigo.- o Ruivo chorou.

–Não foi culpa sua papai.

__Ei! O discurso é meu. Pode por favor ter paciência de esperar?- Disse para o filho.- Estão vendo o que digo?- Todos riram.- Como disse Xande, Deus é mesmo muito bom, e atendeu meu pedido. No dia seguinte pude ver meu menino sorrir de novo. E hoje, tenho uma linda nora e um lindo neto, e nunca vi meu filho mais feliz do que no momento que Diana entrou no pátio. – Olhou para ela.- Moça bonita, você é mãe, sabe o que significa entregar um filho.- Os olhos de Beto derramaram as lágrimas contidas.- Estou dando para você, de todo meu coração, meu filho mais velho. Ele é as vezes impulsivo, meio estourado, mas não é culpa dele. Não consegue evitar. Por outro lado, vai lutar por você, defender você a todo custo. Vai amar você por toda vida. Exatamente como eu amo a mãe dele. Ele não sabe fazer diferente disso. Por esse motivo eu lhe imploro, por favor, cuide bem dele. Ele merece.-Todo mundo chorou. A próxima a falar foi Deise.

__Eu ia começar dizendo que não sou boa de discurso, mas Tio Beto roubou minha ideia.- Riram- Além disso não seria totalmente verdade, eu amo falar. Sempre fui comunicativa, gostava de contar histórias, fazia a alegria das crianças da minha rua. Diana não era assim. Ela era tímida, sempre quietinha no cantinho, observando tudo. Foi ela que percebeu a negociação que destruiria a minha vida.- Sorriu amarga.- Acabamos de ouvir dois pais maravilhosos derramando seu amor para seus filhos, de sangue ou não, mas o nosso infelizmente não sabia o que era amor. Eu fiquei sem ação diante daquilo, só tinha doze anos. Mas Diana não. Ela agiu. Procurou a única pessoa que ela conhecia e confiava para me ajudar.- Olhou Dalia com gratidão.- E a ajuda veio. Meio brutal, mas bem compreensível para mundo que vivíamos. Eu fui salva. Mas as coisas não saíram bem como eu imaginava. Algum tempo depois, vi minha doce irmãzinha despojada de tudo que uma criança merece ter. Me senti muito culpada, afinal ela se sacrificou por mim. Tive muito medo que ela não sobrevivesse. Depois tive medo que ela nunca se recuperasse. Mas como sempre, a tímida menina se mostrou muito mais forte e atenta que eu. Antes mesmo de sair do hospital, ela já tinha escolhido seu futuro. Quando seu filho nasceu, ela cuidou dele como uma mãe experiente. Nunca ninguém precisou ensina-la a trocar fralda, dar banho, amamentar o bebê, nem lembra-la de levá-lo para tomar vacinas ou ao dentista, ou matrícula-lo na escola, ou reuniões escolares. Ela jamais deixou de se responsabilizar por aquele bebezinho. Lembrando que ela só tinha doze anos.  Quando ele começou a gatinhar, ela não tirava os olhos dele, mesmo enquanto estudava. Precisou deixa-lo na escolinha quando ela começou a trabalhar. Ele tinha quatro anos. Ela explicou direitinho para ele tudo o que aconteceria lá, e quando voltaria para busca-lo. Também explicou o que estaria fazendo e porque. Ensinou como ele faria para chama-la se houvesse algum problema. Ele olhava atentamente para ela enquanto ela explicava e quando entendeu que ela não estaria lá com ele, os olhinhos verdes se encheram de lágrimas, mas ele não chorou, o pequenino era valente como a mãe.- Deise olhou para Alex e sorriu.- Antes do primeiro dia, ela levou ele na escola para conhecer as professoras e as salas. No primeiro dia de aula dele fomos juntas para aproveitarmos a carona para o trabalho. Eles se despediram, ela sorriu confiante para ele. Alex ficou meio apreensivo no começo, mas depois entrou como um homenzinho, uma graça. E Diana entrou no carro de Xande e chorou todo o caminho para o trabalho.  Eu não entendi porque, achei que era o garoto que iria chorar, afinal ele era muito apegado a ela, mas não foi ela que chorou. E fez isso por mais de uma semana. Só entendi aquilo quando tive minha primeira filha.  Aquela menina, tímida, tão novinha, identificou seu tesouro. O presente que Deus havia lhe dado. Amou aquele bebê com todas as suas forças e se tornou uma mãe maravilhosa. Isso também aconteceu com sua profissão. Ela reconheceu o bem que Dona Elisângela lhe fez, e lutou para se tornar alguém igual a ela. Alguém que batalha pela felicidade de outras crianças. Seu pai Ruivo, pediu a essa mulher que acabo de descrever para cuidar de você. Não tenho dúvida que ela fará isso. Porque depois que Diana reconhece um tesouro, ela o protege e luta bravamente por ele. E ela descobriu você.  Isso foi surpreendente para mim, não por falta de méritos seus e nem por falta de atenção dela. Foi porque por muito tempo, no coração de Diana só tinha espaço para Alex. Então quando pensei que sempre seria assim, encontro vocês aos beijos na portaria do prédio.-Todos riram.- Hoje é um dia muito feliz para mim. A minha irmã mais nova, aquela que se sacrificou por mim, que me ensinou a lutar, que me mostrou como  ser uma mãe amorosa, que me apresentou ao homem que amo me permitindo formar a minha família, se casou com o homem que ama e que também a ama. Não tenho dúvida da felicidade que terão, mas como tive que disputar com Dalia para fazer este discurso.- Riram outra vez.- Então, eu vou contar um segredo. No dia que encontramos vocês na portaria, eu e Dalia, fizemos o mesmo pedido para Deus. Descobri a coincidência  ontem conversando com ela. – Olhou para a irmã mais velha.- Dalia, pode repetir qual foi o seu pedido.- Dalia empostou a voz e disse;

__ Deus, por favor, se este moço for o homem que vai fazer minha irmã feliz, por favor, peço que me dê este sinal…- e Deise continuou.

__Que ele ame Alex que é quem Diana mais ama nesta vida, como a um filho e que Alex o ame como a um pai.–Ruivo olhou Alex ambos sorrindo com os olhos cheios de lágrimas.

__Acho que não preciso acrescentar mais nada.

Chegou então o último discurso. Ben. Ele nem tinha começado a falar e o Ruivo já estava soluçando de tanto chorar.  Bastou olhar seu irmão caminhar para o meio do pátio, para se debulhar em lágrimas, contagiando seus pais, seu tios, seus avós. Ben riu.

__ Tentei dizer a eles que isso ia acontecer. Nós nunca precisamos de palavras para nos comunicar. Bastava olharmos nos olhos um do outro e pronto. Tentei avisar que quando me visse aqui….- Ben baixou os olhos sorriu. –  Ok. Tudo bem vamos lá.- Levantou os olhos valentemente encarou seu irmão e começou.- Não preciso te dizer o que você significa para mim meu gêmeo, porque é o mesmo que significo para você. Sempre seremos parte um do outro. Sempre precisaremos da felicidade do outro para sermos totalmente felizes. Na verdade, nesta família, isso é assim mesmo quando não se tem o mesmo sangue, que dirá nós que somos idênticos. Dizem que gêmeos idênticos sentem as dores um do outro, pressentem perigos, esse tipo de coisa. Devo dizer que nunca pressenti as vezes que o Ruivo caiu e nem senti essas dores, graças a Deus! Afinal ele vivia aprontando.- Todos riram.- Dizem também que muitos gêmeos se passam um pelo outro, trocam de lugar para ficar com a mesma garota. Jamais fizemos isso! -Olhou sua bailarina, sorriu e disse.- Arrebento ele se descobrir que ele já tentou alguma vez.- Riram mais ainda.- Mas uma coisa é mesmo verdade, quando olho nos olhos dele.- Olhou o Ruivo nos olhos, e ambos disseram juntos.- Posso dizer o que está pensando.- Fora os Medeiros, todos se espantaram, e mesmo eles achavam fantástico essa habilidade que tinham. E os ruivos continuaram.- Isso acontece, porque embora não somos a mesma pessoa, somos geneticamente iguais, e pensamos da mesma forma, usando os mesmos caminhos.- Os dois sorriram ao mesmo tempo. E prosseguiram falando juntos.- Conhecemos as reações um do outro, é como se estivéssemos no espelho.- Os dois ergueram uma das mãos simultaneamente, para exemplificar o que diziam.- É como se fossemos os lados da mesma moeda.-  Ben sorriu e olhou em volta procurando suas meninas que estavam com Rick e Lia.– No dia que minhas filhas nasceram você disse que era o dia mais feliz de sua vida, porque era o dia mais feliz da minha vida. Eu sei que era a mais pura verdade. Embora sei que me ver tão feliz com minhas filhas, provocava sua vontade de ter uma família. E que ver Jorge e eu conversando sobre nossos filhos te causava uma certa inveja boa.- Riu, firmou a voz dizendo- E sei que quando você viu aquela linda Assistente Social  no corredor da escola, brigando com você por causa de Alana, pensou….-Sorriu e o Ruivo também.- Posso dizer o que pensou?

__Você sabe porque ele riu aquele dia, Ben?- Diana parecia pasma.

__ Diana, lembra que eu te disse aquele dia, que vocês tinham muito em comum? Então, ele também percebeu, daí pensou;- Ele e o ruivo falaram juntos novamente.- Tão brava assim é perfeita para mim.–E riram. Diana, não conseguia acreditar.–Mas ele não se aproximou de você, ele dirá que muitas coisas contribuíram para isso, mas a razão principal foi que ao mesmo tempo que sabia que vocês se completavam, ele sabia que você o faria sofrer. Este é um fato comum em minha família, os homens tem uma tendência nata para sofrer desesperadamente pela mulher que amam. Todos os Medeiros adultos neste pátio são prova disso. Como advogado estou tentando mudar os termos deste contrato, mas está complicado.- Riram.- Não pense que o Ruivo ficou com medo de conquista-la. Ele é corajoso de mais para isso. O problema é que  você era  diferente de todas as garotas que ele conhecia, ele não sabia como avaliar o seu interesse por ele. Os Medeiros são apaixonados, mas não deslumbrados. Ele não entregaria seu coração  se você não merecesse. Mas foi só conhecer seu filho, para perceber que tipo de mulher você é Diana.- Olhou Alex. Sorriu.- Não vou nem mencionar que você sempre foi o tipo exato de garota que atraía o Ruivo.

__Ei!- Gritou o Ruivo.- Qual é vai me expor assim? – Riu alto seguido pelos outros. Já Diana parecia surpresa.

__Que tipo de garota?- Quis saber.

__Ah, comportada,  estudiosa, quieta, olhos negros, roupas discretas de secretária.

__Ben!- Ruivo tentava parecer bravo, mas ria sem parar.

__Verdade?- Diana olhou o Ruivo interrogativa.

__Claro que é Diana.- Disse Ben.- O Ruivo sempre teve esse encantamento por esse tipo de menina. E você é assim e ainda é valente, não teve medo do Diretor, nem do Advogado, de nada. Você nos enfrentou, a nós dois juntos. E quando viu que estava errada em seu julgamento, lutou para consertar a situação. Fez de tudo para ajudar Alana. Para nossa família proteger crianças é uma vocação, quase um mandamento. E você é como nós. Não tinha dúvida que você merecia aquele coração. Mas agora vinha a parte mais complicada deste processo. Será que você queria o coração do Ruivo? Só sei de três pessoas que estão aqui hoje, que desde o começo reconheceram seu interesse, e sempre acreditaram nisso.- Olhou Liv, Lia e Beto.- E nenhuma delas é o Ruivo. Sabe Diana, quando você se apaixona por alguém que não te merece, seu coração, embora sofra, encontra argumentos para se libertar. Mas quando você se vê perdidamente apaixonado por alguém que te merece, mas não te quer é muito complicado. Por mais que lute você não encontra a saída desse labirinto.- Olhou sua amada esposa.- Quando vi meu gêmeo na mesma situação que vivi um dia, tive muito medo que ele não encontrasse a felicidade. Claro que isso me deixaria triste, mas o que realmente me assustou, foi a possibilidade de não ter mais a força do sorriso dele._ Olhou para Diana muito sério.- Trabalho gerenciando propriedades e aplicações para a empresa da minha família a vários anos. Já faz muito tempo que aprendi que dinheiro, bens móveis e imóveis podem ser útil se bem usados, mas a única coisa  realmente de valor que temos são as pessoas que amamos. Nenhum dinheiro no mundo pagaria o sorriso do meu irmão. Quando eu me vi dentro do meu desespero, foi esse sorriso que me manteve de pé. Todas as vezes que esta família enfrentou um desafio, sempre pode contar com esse sorriso. Das poucas certezas que sempre tive na vida, esse sorriso era uma delas. Diante da  possível condição de perder esse tesouro, eu fiz a única coisa que podia, olhei nos olhos dele. _Os olhos de Ben marejaram.- Só que dessa vez, eu não consegui seguir seus pensamentos, em vez disso, aconteceu algo diferente. Eu senti todo desespero que ele sentia…toda dor…a falta de ar.- Lágrimas rolaram pelo rosto de Ben.- Isso nunca tinha acontecido antes. Eu sempre achei que fosse mito de gêmeos, mas eu senti  batendo dentro do meu peito o coração dele.- Ben  olhou o Ruivo também as lágrimas.- Ele acha que sou mais forte que ele porque enfrentei a minha agonia sem dividi-la com ele. Mas está muito enganado. Por mais que tenha me esforçado, jamais pude e jamais poderei me afastar da mulher que amo. Ele… deixou…você… escolher Diana. – Olhou para Diana.- Eu vi no coração dele, ele faria qualquer coisa pela sua felicidade. Mesmo que isso significasse estar longe de você. Depois deste instante Diana, implorei a Deus incessantemente a cada segundo que você entrasse por aquela porta. Porque eu sabia, ele iria respeitar a sua vontade a todo custo. Ele não procuraria mais você. Como prova do que digo…

__Ben….- Disse Ruivo com a voz  chorosa, mas Ben prosseguiu.

__Naquela noite, antes de você chegar….

__Não Ben!- O Ruivo o interrompeu de novo, Ben serrou os punhos e continuou.

__Ele me pediu que procurasse você…..

__Benjamin! Não! – Ruivo falou alto, autoritário, usando sua empostação de professor.  Quase nunca usava o nome de seu irmão. Ben olhou nos olhos dele e por um segundo inteiro, todos viram uma discussão sem palavras entre os gêmeos, até que Ben disse:

__ Desculpe, eu preciso que ela saiba.- Disse bondoso, mas muito firme.

__Saber o que?- Disse Diana passando os olhos de um para o outro.- Ben, porque o Ruivo pediu que você me procurasse?- Ben respirou fundo. E o Ruivo com o olhar suplicante:

__Ben, por favor, não é necessário. Não vai mudar nada.

__Vai. – Ben foi firme. Fechou os olhos, virou-se para Diana, abriu-os e disse:- Diana, vou quebrar uma regra básica da minha profissão, mas farei isso para que você entenda o tamanho do alívio que você me trouxe aquele dia. O Ruivo queria que você me autorizasse a entrar com o pedido de reconhecimento de paternidade de Alex. – Diana e Alex disseram juntos:

__O que?

__Mas porque?- Alex ainda mais confuso que sua mãe.

__Ele estava certo que não teria mais você, e assim não poderia estar perto para defender o menino. Então queria reconhece-lo para que ele fosse um Medeiros, e pudesse ser sempre protegido por esta família. Se você não concordasse porque Ruivo é muito jovem ou outro motivo qualquer, você poderia escolher qualquer um de meus parentes para reconhecer seu filho, mas no final era o Ruivo que assumiria esse papel e Alex seria proclamado seu herdeiro.

__Como?- Alex a cada segundo estava mais surpreso, e agora com os olhos rasos d’água. Diana com a boca meio aberta não dizia nem uma palavra e nem piscava. E Ben continuou:

__Me implorou que convencesse você que era para proteger Alex. Que se você exigisse, ele nunca mais lhe dirigiria a palavra, mas ele precisava garantir a segurança do garoto. Agora, se com todos os meus argumentos e as razões que você conhece melhor que eu, mesmo assim você não aceitasse que o Ruivo reconhecesse Alex, ele me deu uma autorização por escrito, assinada, para que eu transferisse 50% do patrimônio dele para o nome do Alex.- Diana cobriu a boca com a mão, mas não conseguiu esconder seu assombro, nem de sua família. Alex olhava o Ruivo nos olhos sem conseguir dizer uma palavra.- Você está entendendo Diana? Ele precisava ter certeza que Alex estaria resguardado. Nunca duvidou da sua capacidade de dar ao seu filho tudo o que ele precisasse, mas ama muito o garoto, precisava estar convencido que nada machucaria Alex.- Alex chorou, Diana também.- Diana, era o senhor Carlos Medeiros autorizando seu advogado a usar os meios legais para proteger seu filho, que ele ama como sendo dele. Porque ele tinha certeza, que não poderia mais estar perto de vocês para fazer isso. Eu vi essa certeza dentro dele, e vi a devastação que ela causava. Isso me sufocou…- Os olhos de Ben derramaram mais lágrimas enquanto ele falava.- Diana, ele não ia mais sorrir. Não poderia mais. Mesmo que tentasse nunca mais seria como antes.- Diana olhava fixamente para Ben.- Você entende agora Diana? Se você não tivesse entrado por aquela porta, eu nunca mais teria esse tesouro. Esta família nunca mais poderia contar com essa força. Minhas filhas, nunca veriam este sorriso. Compreende o tamanho do meu alívio, da minha gratidão? Da gratidão da minha família? – Ben sorriu, enxugou suas lágrimas, caminhou até Diana, estendeu a mão e enxugou as lágrimas dela.- Minha linda cunhada, nós dois temos problemas agora. O meu é que aquele brutamonte ali, que você chama de marido e eu as vezes chamo de cliente, vai querer arrancar a minha pele por contar algo que ele achava que você e Alex não precisavam saber. _ Os parentes riram, o Ruivo não.-  Principalmente, porque você chegou e nos salvou a todos, e eu nem precisei trabalhar neste caso. O seu problema linda, é bem mais complicado. Este sorriso, agora lhe pertence, porque toda a felicidade do Ruivo esta ligada a você. Isto significa, que a alegria que move e sempre moveu minha família está em suas mãos. Foi por isso que implorei a você naquela noite, que cuidasse dele. Porque toda essa família depende desse tesouro, que é seu.- Pegou o queixo dela- Diana, você nunca nos confundiu. Sempre soube reconhece-lo.- Sorriu e Diana também. Ben colocou a mão no ombro dela e disse solene.- Quando um gêmeo se casa, ele não perde a conexão que tem com seu irmão e nem o amor que sente por ele. Pelo contrário, esse mesmo amor, essa mesma ligação passa a ser compartilhada por seu cônjuge. A partir de agora, você e seu filho, são parte de mim, como o meu irmão é parte de mim, como minha esposa e minhas filhas são parte dele. Amarei e defenderei vocês, como faço com meu irmão. Porque de hoje em diante vocês são minha família. Eu juro.- Neste instante, senhor Rodolfo apareceu ao lado deles, o senhor sério com os olhos muito azuis disse:

__Diana, o que acaba de ouvir é um juramento de gêmeo.  Na minha família, são muito comuns as gestações duplas. Meu pai era gêmeo, quando ele se casou seu irmão mais velho jurou cuidar de minha mãe se fosse necessário. Infelizmente, minha mãe morreu muito jovem, eu era muito pequeno. Meu pai nunca se recuperou. Quando meu tio soube do acontecido, ele deixou a carreira dele na diplomacia para cuidar de nós. Moramos juntos até que eu tinha 15 anos. Foi ele que me ensinou a administrar os bens do meu pai. Durante os oito anos que ele viveu comigo, ele dedicou-se inteiramente a minha educação.  Três anos depois que ele voltou para a Europa, eu também fui morar lá. Logo depois meu pai também foi, mas eles não se encontraram, meu tio estava viajando, ele morreu num acidente nesta viagem. Meu pai sentiu muito, acredito que isso contribuiu para que ele não resistisse muito tempo mais. Meu pai me contou sobre o juramento que ele havia feito. E como o cumpriu com louvor, embora nunca demonstrasse o desejo de casar e ter uma família quando jovem. Foi quando fiquei sabendo, que eu também tive um irmão gêmeo, que morreu logo após o parto. Contei aos meus filhos esta história, e então, quando Ricardo se casou, Roberto repetiu para Lucélia o juramento que Benjamin acabou de fazer para você Diana. Depois Ricardo o repetiu para Marina, e Olívia para Alice, e Carlos para Olívia e Jorge para Benjamin. Eu não pude fazer meu juramento de gêmeo, nem pude fazer um juramento de irmão, na verdade nem de família. Fiquei sem todos eles muito cedo. Mas a vida foi muito boa para mim, colocou no meu caminho a alegria de cabelos loiros. -Sorriu e olhou sua esposa.- E depois me deu todos vocês. E todas as vezes que meus descendentes fazem esse juramento, eu também juro no meu coração por eles. Quando meu tio instituiu esta tradição, ele deu para minha mãe uma caixinha, que pertenceu a minha avó. Dentro haviam lembranças de outros parentes, de amigos, parentes de minha mãe também e um presente dele. Disse que era um tesouro para ela guardar. Elisa guarda este tesouro com todo carinho, mesmo sem ter conhecido nem meu tio e nem minha mãe.- Rodolfo se virou e Diana viu Dona Elisângela trazendo para ela uma caixinha pequena em forma de baú antigo. Parecida com uma caixinha de música. A idosa amiga disse:

– Está caixinha, estava na minha família há muitas gerações. Quando o senhor Rodolfo contou esta história para nós, eu e minha Irene não tivemos dúvida. Ela devia ser sua minha querida. Aceite por favor, com todo nosso amor.- Diana chorou emocionada com o carinho de sua bondosa amiga. Quando pegou a caixa que era mais ou menos do tamanho de uma caixa de sapatos, Diana viu que estava pesada. Rodolfo explicou.

__Tudo o que encontrar dentro dela te pertence. São delicadezas, pequenos gestos de amor e carinho das pessoas que estão aqui hoje. Também vai encontrar um presente do gêmeo de seu marido, como diz a tradição.- Sorriu. Diana olhou Ben, que piscou para ela.- E um meu, que não fazia parte da tradição original, mas incluí desde Lucélia. Cuide bem do seu tesouro. Não apenas o que está na caixa. Este, embora tem valor material, pode ser substituído. – Olhou o Ruivo. Sorriu.- Sei cuidarão um do outro. Estou muito contente de ganhar mais esta joia para o meu tesouro.- Sorriu para Diana. Todos aplaudiram. Então muitos abraços e beijos se seguiram, até que o casal chegou a escadaria do castelo.  Enquanto Diana se despedia de suas sobrinhas   Alex disse ao Ruivo:

__Você não fez aquilo, de passar seus bens para mim, né?- Ele parecia preocupado. o Ruivo sorriu. Bagunçou o cabelo dele.

__Ei! Não fique preocupado. Não foi preciso. Me casei com sua mãe, reconheci você. Nada daquilo foi necessário. Por isso eu não queria que soubessem. Vou matar o Ben!

__Não! Eu gostei de saber. Quer dizer, não gostei da situação, nem de você querer me dar seu patrimônio, mas de saber que estava tão preocupado comigo. – Ruivo sorriu.

__Parece que você não entendeu ainda, garoto. Você é meu filho. Sempre vou me preocupar com você. Viu meu pai ainda pouco, pagando o maior mico na frente de todo mundo por mim? Pois então, como ele disse, sou igual a ele. Te prepara.- E riu como sempre. Alex também.

__Ruivo. Cuide bem dela, por favor?- Abraçou o marido de sua mãe com todo carinho, afinal agora, ele também era seu pai.-Em seguida Diana abraçou e beijou seu filho com todo carinho. Depois de subir dois degraus, Diana parou, colocou sua caixa na mão do Ruivo e desceu rapidamente para encontrar no meio das pessoas Alex e Clara, olhou seu filho sorriu e entregou seu buquê de Lírios para Clara dizendo:

__Só para garantir.- Clara riu e beijou Diana, que voltou correndo para o lado de seu Ruivo. A festa no pátio continuou muito alegre. Quando o casal chegou na porta da suíte, Ruivo deu a caixinha para Diana, destrancou a porta, mas não abriu. Pegou a noiva no colo.

__Ei!- Disse ela.- Isso é para que eu saiba que você malha muito? Eu já sei bobo. _ Riu.

__Ah!  Agora a moça brava, tem senso de humor.- Abriu a porta e entrou, Diana vinha usando esta suíte desde que chegou no castelo, mas agora ela estava repleta de flores do campo de todas as cores. A cabeceira da cama, os pendentes, os criados, os nichos, as bancadas tudo. Diana parecia estar num jardim.

__Ai meu Deus que lindo! Olhe Ruivo que coisa mais delicada!-Ele a colocou no chão, Diana colocou sua caixa na cama e rodopiou pelo quarto do mesmo jeito que fez em sua varanda tempos antes.- Como ele conseguiram fazer isso em tão pouco tempo?

__ Devem ter se planejado bem. São muito eficientes.

__Claro. Mas para isso eles..- Diana parou olhou seu marido que sorria encostado na porta fechada. Ele tinha pedido para fazerem aquilo.- Foi você? – Ruivo caminhou devagar para Diana.

__Você está linda no meio delas, mais do que imaginei que ficaria.- Passou o nariz no dela.- Sei que gosta de flores, como eu. Sei que elas te acalmam, como a mim. Eu queria que você se sentisse tranquila aqui comigo. Então pedi as fotos do quarto e mandei o projeto para essa decoração. Tia Lia me ajudou. Enrico disse que não seria uma tarefa difícil, já que pedi flores do campo. Você gostou meu amor?

__Ruivo, você é mesmo um doce.- Beijou-o. Depois riu.O Ruivo intrigado.

__O que foi amor?

__Se no primeiro dia que vi você, alguém me dissesse que aquele diretor marrento, fosse assim tão delicado, tão gentil, tão doce, eu ….-Começou a rir de novo. O Ruivo a seguiu.– Meu filho tem mesmo razão, as aparências enganam mesmo.

__Nosso filho!- Ruivo corrigiu.- Ele é meu também. E você não se enganou totalmente. Muitas vezes sou insuportável, pergunte aos meus irmãos. Quer dizer pergunte a Clara. Por enquanto não quero papo com meu gêmeo. Cara mais dedo duro, você viu?– Diana olhou nos olhos de seu marido e falou baixo.

__Ruivo, o que Ben disse é verdade?  Você teria se afastado de mim como eu tinha pedido? Quero dizer para sempre?

__Diana eu amo você. Eu disse antes de sair da sua sala aquela tarde. Se realmente fosse o que você queria que eu fizesse, eu faria. Ficar sem você ia me enlouquecer, mas eu não posso magoar você. Eu já lhe disse antes, amor. Não sou capaz de te forçar a fazer nada.  O máximo que posso fazer é pedir, argumentar, tentar convence-la. Você deixou claro aquele dia que queria eu me afastasse de você.

__Então era verdade, você não voltaria a me procurar mesmo. Por isso todo o restante de reconhecer Alex e tudo mais?- Ruivo encostou a testa na dela e suspirou.

__Eu mato Ben! Diana, eu só queria protege-lo…

__Eu entendi!- Ela o cortou.-  Você ama o Alex, eu sei, é igual o que Jorge senti por Alana, ou o que Xande e Dalia sentem pelas meninas. Eu lido com adoções, sei quando o coração de alguém adota uma criança. Não é isso que perguntei. Ben disse que as filhas dele nunca conheceriam seu sorriso, eu vi o alívio dele quando entrei em seu quarto aquele dia. Eu quero saber o que ele viu dentro de você para apavora-lo tanto?– Ruivo olhou nos olhos dela. Falou devagar.

__Eu não sabia por quanto tempo poderia aguentar.

__Como assim?- Ele beijou o rosto dela carinhoso.

__Você viu meu avô falando sobre o pai dele.  Resistiu porque tinha um filho para criar, mas seu irmão precisou vir para ajuda-lo. Mesmo assim, se tornou um homem muito triste. E morreu cedo, meu pai nem se lembra dele. Ben viu minha dor. Eu não poderia suportar por muito tempo, não tinha uma criança que…

__O que está dizendo?- Ela o cortou.- Isso é brincadeira!- As lágrimas desceram rápido.- Como pode dizer esse tipo de coisa? Não tem graça!–Olhou nos olhos dele, viu que era verdade, por isso Ben estava tão preocupado. Ele enfrentaria sua agonia como seu bisavô enfrentou, mas igual a este não poderia prevalecer.- Por favor, Ruivo.  Não diz isso. – Chorou em seus braços.

__Definitivamente, eu vou matar o Ben!  Escute, amor, já passou. Isso foi antes, quando eu achei que nunca teria você. Quando eu pensei que ia ter viver o resto dos meus dias lembrando do seu perfume de Lírio, da sua pele negra tão linda, tão macia. Eu achei que nunca mais ia sentir os seus lábios de novo.  Diana eu sou louco por você, como eu poderia suportar isso? Eu não tinha como saber, que hoje eu estaria aqui, no meio dessas flores lindas como você, com você nos braços, vestida de noiva para mim. Nem no meu sonho mais lindo, eu podia imaginar esse momento tão perfeito. Exceto pelo fato de você estar chorando e não rindo, ou me beijando, que seria melhor ainda.- Diana riu.- Ah! Consegui.- Ela levantou a cabeça do ombro dele, Ruivo enxugou suas lágrimas.- Amor, eu tinha perdido você, a mulher da minha vida. Sabia que jamais poderia amar assim outra vez. O Ben, aquele bocudo, também passou por isso, só que ninguém viu ele assim desesperado, mas ele podia reconhecer a intensidade do que eu estava sentindo.

__E porque ele te ama, ficou tão angustiado quanto você?- O Ruivo fez umas caras engraçadas.

__Certo. Tudo bem, ele me ama e ficou preocupado. Mas você veio, me tirou daquele inferno e me trouxe para esse paraíso. – Olhou as flores.-  Eu estou ficando bom em trocadilhos, não acha.- Riu, esse era mesmo o Ruivo.-  Voltando ao caso, eu não queria que Ben contasse, porque já acabou, hoje eu sou o homem mais feliz do mundo. Tenho só para mim, num quarto cheio e flores, a mulher com a qual venho sonhando a um tempão. Nada que aconteceu vai tirar a felicidade que estou sentindo agora. Eu amo você Diana. E você está aqui.- Ela baixou os olhos e disse;

__Mesmo se eu quiser, apenas dormir?

__Certo. Isso seria bem frustante. -Respirou fundo.- Mas tudo bem, se achar melhor assim. Eu… espero. Eu acho. Mas só tem uma cama, vai querer que eu durma na banheira, ou posso ficar aqui?- Diana o olhou séria.

__Verdade? Dormiria na banheira em sua noite de nupcias?- Ele riu.

__Qual é o problemas com os Vogelmamn? Diana, acho que você ainda não entendeu. Eu amo você. Faria qualquer coisa pela sua felicidade. Não quer que toque você hoje? Tudo bem, espero. Tomara que não demore muito…… – Ela o interrompeu. Um beijo longo foi seguido por outro, e por outro, e por outro. E Diana descobriu que o Ruivo podia ser ainda mais delicado e gentil do que ela tinha imaginado. Nunca em sua vida Diana tinha se sentido tão amada, nem tão linda, nem  tão feliz. Quando acordou na manhã seguinte, as flores ainda enfeitavam o quarto, mas seu vestido de noiva e o terno do ruivo estavam dobrados na cadeira. Ele não estava na cama, estava sentado na poltrona ao lado, de shorts cinza e camiseta branca, sorriu para ela muito apaixonado.

__Bom meu amor. Dormiu bem?- Diana sorriu.

__Porque está ai tão longe? Pensei que acordaria com você abraçado a mim?

__Era essa a intensão, mas você estava tão linda dormindo que eu quis ficar aqui assistindo, gravando cada pedacinho do seu rosto, desses cabelos lindos.- Caminhou até ela sentou-se na cama e beijou-a. Depois aconchegou-a em seus braços.– Está se sentindo bem, amor?–Diana sorriu.

__Sim. Muito bem amor.- Ele parou, olhou-a nos olhos e sorriu.

__É a primeira vez que me chama assim. Gosta?- parecia timido.

__Sim. Gosto de te chamar de meu amor. E gosto quando me chama assim também.–Um beijo longo se seguiu.

__Está com fome? O café já chegou, quer?

__Sim. – Ia levantar.

__Não, eu trago para você.- Enquanto ele foi a mesa buscar, Diana lembrou do baúzinho, pegou-o no criado girou a trava e abriu. Tomou um susto com o que viu.

__Ai meu Deus!- Ruivo virou rápido, quando viu a cara de espanto dela , e o motivo começou a rir.- Você sabia disso? Sabia?

__Não, completamente. Quer dizer, sei que o gêmeo sempre dá uma joia, dei uma para Liv. Sei que vovô também escolhe uma, mamãe, tia Lia, Liv e Alice tem. A maioria dos parentes dão como lembranças objetos pequenos, que caibam na caixa, mas não sabia o que tinha na sua. Sou o noivo, eles não me deixam saber, faz parte da tradição.- Diana começou a tirar as coisas da caixa. Um colar de brilhantes, par da pulseira e dos brincos que Beto e Rick tinham lhe dado, de Ben pensou. Outro par de brincos esse de esmeraldas, uma pulseira e um  colar do mesmo conjunto que conbinavam com seu anel de noivado, deviam ser do vovô Carlos, do Jorge e do Vovô Rodolfo, sem dúvida, um colar desses, tinha que ser do Vovô Rodolfo. Ainda tinha quatro pares de brincos, um de pérolas, outro de ouro rosê, um de argolas finas de ouro e um de prata com pedrinhas de jade. Um colar de pérolas, uma gargantilha de ouro rosê com pingentes das inincias do casal e de Alex, uma pulsera pandora com vários pingentes, três bróches, um com esmeraldas, outro com brilhantes e um no formato de um lírio em ouro rosê.Não havia nenhuma indicação de quem tinha dado o que, e nem uma lista de quem tinha dado as joias. Além de Ben e Vovô Rodolfo Diana não tinha como saber quem mais estava envolvido nesta loucura.

__ Amor. _Ela disse.- Sei que é uma tradição da sua família, mas isso aqui é muito caro, eu não posso aceitar.

__Eu não posso ajuda-la amor. Primeiro, não sei quem deu as peças, segundo vovô não vai permitir que devolva para ninguém, terceiro como vai devolver se não sabe quem deu. Este é o motivo de deixarem o noivo de fora.

__ Mas você deu uma jóia para Liv. O que era?

__Não sei se devia te contar, mas enfim, é um colar de ouro rosê com diamantes cor de rosa, que combinava com o anel de noivado dela. Foi o vovô que desenhou. Mas Liv ganhou outra joia do gêmeo, de Jorge.

__Seu avô desenha as joias?

__Ele ama desenhar joias. Sempre que pode, ele desenha. As dos Gêmeos ele sempre desenha. E a tiara que tio Rick deu para Liv de presente de casamento, também foi vovô que desenhou. Ah! O colar de rubi de Alice, foi ele também. Foi a joia do gêmeo de Liv.

__ Se é ele quem desenha, provavelmente vai ficar chateado se eu quiser devolver né?

__Diana, não pode devolver. Foram presentes. Presentes para você. Não são só da minha família. Suas irmãs, seus cunhados, talvez até Alex tenha escolhido algo para você. Olha funciona assim. Se você tem uma peça pequena, uma estatueta, um brinquedo pequeno, uma miniatura, que significa algo para a noiva, põe na caixa como lembrança, se não tem, escolhe uma joia que você acha que combina com ela.

__Eu fui no casamento de Liv, ninguém me falou para escolher nada.

__Porque o juramento de gêmeo é feito no noivado. E a caixa é entregue um dia antes do casamento, para que a noiva possa escolher se quer usar a jóia do gêmeo. Nosso noivado foi meio as pressas.- riu.- Além disso, o nosso casamento foi assistido só pela família e amigos íntimos. Sabia que Ben faria o juramento, ele é um boca aberta, mas é valente, defenderá você e Alex se for preciso. Eu só não sabia como eles tinham organizado isso.

__Ainda está bravo com ele.

__Por causa do que ele contou, eu fiz você chorar ontem. Sim, estou bravo com ele.

__Não fique amor. Escute, quando ele me viu aquela noite, a emoção nos olhos dele foi igual a sua quando ele acordou no chão do hospital depois de levar aqueles tiros. O alívio dele foi o mesmo, eu vi.–O Ruivo pensou.

__Ok. Mas só porque você pediu e porque eu quase morri de susto aquele dia. Mas para fazer as pazes com ele tenho uma condição? Você vai ter que desistir de devolver suas joias. Vovô não vai deixar mesmo. Combinado?- Ele era bom em fazer acordos. E era melhor ainda em faze-la feliz. Na verdade, Diana achava mesmo que tinha um tesouro, e nem eram as joias, e sim esta maravilhosa família. E então, depois de passar os dias mais felizes de sua vida na Espanha, quando desceu do táxi, viu seu lindo Creta branco, na sua vaga. Depois de beijar muito seu ruivo, disse:

__Como posso agradecer por isso?

__Eu que estou grato, por me fazer tão feliz. Mas se puder gostaria de te pedir uma coisa, poderia deixar seu cabelo mais vezes assim? Suas tranças são lindas, mas esse cabelo macio, me enlouquece.- Disse acariciando os cachinhos e  beijando sua boca. Agora, ali estava Diana de brincos de pérolas, cabelos soltos, anel de esmeralda, pulseira pandora, aliança de ouro e Creta branco. Quem diria? Riu sozinha no estacionamento. A menina, abusada, machucada, negra, deixada para morrer no matagal, grávida aos 11 anos, agora era estudada, doutora em sua profissão. Trabalhava no que lhe dava prazer, tinha um filho lindo, amoroso e estudioso. Uma casa alegre, confortável e aconchegante. Um carro lindo. E um marido ruivo maravilhoso, que fazia questão de beija-la todas as manhãs. E acabava de chegar de seu lindo casamento num castelo na Espanha, onde passara uma lua de mel de conto de fadas. A vida dá mesmo muitas voltas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 13

Quando as fotos do Hotel de Enrico chegaram, Diana mal podia acreditar. Era um castelo medieval em Segóvia, no meio da Espanha. Em um dos lados havia um penhasco como nos filmes, e do outro lado um jardim imenso com milhares de flores coloridas e arbustos muito verdes. Dentro do pátio de pedra do castelo muito iluminado, havia trepadeiras floridas e uma fonte. Parecia coisa de conto de fadas. Rodolfo explicou que Enrico era um conde jovem. Herdara o castelo de seus antepassados. Por anos as terras em volta foram cultivadas e o castelo aberto apenas para visitação. Mas agora Enrico queria que o Castelo Azucena de Allende, fosse um hotel. Tinha feito todas as restaurações e adequações para tanto. Segundo Rodolfo, o jovem conde ficou empolgadíssimo com a possibilidade de um casamento, para testar seu estafe, e para avaliar suas instalações. Até o preço foi convidativo, porque não cobraria a locação, somente os gastos práticos.
__Achei tudo um sonho. Mas não acho que poderia pagar um casamento assim. Foi isso que quis dizer com casamento simples?- Perguntou Diana rindo para o Ruivo.

__Minha linda nora. -Disse Beto.- Acha mesmo que eu, seu satisfeito sogro, permitiria que você pagasse para me livrar deste ruivo invocado?- Todos riram.- Minha querida, escolha o que quiser. Sei que não é extravagante, que prefere coisas simples. Acho bonito seu jeito. Na verdade já é exuberante, não precisa de nada mais. Meu pai conseguiu enrola-la e fazer um casamento um pouco mais suntuoso do que você imaginava. Mas escolha as coisas que gosta, sei que vão combinar com tudo. E não se preocupe com esses gastos. Serão um presente meu. E não tente negar isso a um pai tão feliz. Além disso, também vou de graça para a Espanha.- Riu alto.

As mulheres Medeiros começaram a fazer sua mágica. Em menos de uma semana, menu, músicas, roupas, lembrancinhas, decoração, montagem de fotos, bolo, docinhos, tudo estava escolhido, catalogado e enviado para Enrico e sua equipe. A lista de convidados deveria ser pequena, conter apenas a família e alguns amigos íntimos. Dona Elisângela, a assistente social que cuidou de Diana menina, estava idosa, mas fez questão de aceitar o convite. Iria com sua filha adotiva Irene. O professor  Lúcio, amigo de faculdade do Ruivo, iria com a esposa Regina e sua filhinha Ema. Mais um casal de amigos de Beto, Américo e Dalila, e um de Rodolfo e Elisa, Geraldo, Olímpia e João Pedro seu filho. E assim alista estava completa. Rodolfo mandou separar 42 passagens, a maioria de adolescente e crianças, riu quando percebeu que sua família tinha se tornado tão fértil. O Hotel disponibilizaria quatorze quartos e a Suite Nupcial. Todos chegariam três dias antes do casamento, os amigos ficariam mais quatro dias e receberiam passeios incluídos no pacote. A família ficaria mais 22 dias. Visitariam vários lugares, outras cidades próximas, restaurantes, vinícolas, ou seja, férias completas. Alex estava radiante.

As provas chegaram ao fim, a escola entrou em ressesso. Alex, Clara, e todas as crianças foram aprovados. As apresentações da Escola de dança chegariam ao fim na primeira semana de Janeiro. Ben sempre eficiente, já tinha toda documentação de todos preparada, embora fosse fim de ano. Jorge só sentiu não poder levar Ritinha, sua secretária, junto com eles. Ela precisaria ficar para coordenar a equipe substituta.

Dois dias antes de viajarem, o Ruivo pegou Alex e foi buscar Diana no trabalho. Levou-os para o prédio de seu avô Carlos.

__Porque estamos aqui? Precisa resolver alguma coisa com seu avô?

__Na verdade, não.- Disse apertando os botões do elevador.- Não estamos indo ver meu avô.- O elevador parou no último andar.- Estamos indo ver nossa casa.- As portas abriram e davam num átrio com um vaso branco de barro grande, com begônias floridas. Uma porta grande, com vitrais.

__Você tem um apartamento aqui?- Perguntou Alex. Ele negou com a cabeça. E sorrindo abriu a porta. Diana viu um jardim verde com canteiros de flores coloridas e um caminho de pedras brancas que davam numa pequena varanda. Havia uma casa no estilo europeu antigo, com madeira vermelha e janelas brancas. O telhado de várias águas abrigava janelas com floreiras cheias de flores. No meio do jardim uma carriola de madeira também cheia de flores. E todo o parapeito cheio de flores, e a esquerda algumas árvores plantadas em vasos. Todas crescidas, floridas e dando frutas. Diana olhou para o Ruivo boba.

__Há quanto tempo tem esse lugar? Disse Alex.

__Eu comprei essa cobertura, com a herança que recebi quando fiz 18 anos. Eu queria uma casa, mas não queria que fosse longe do trabalho,  e não queria apartamento. A casa não existia, mas o projeto para uma construção tinha sido aprovado. Escolhi esse modelo e mandei fazer. Levou 2 anos para ficar pronta. Então minha tia fez o projeto de jardinagem para mim. Levou mais 6 meses para plantar tudo. Quando ficou pronto, eu gostei tanto que não tive coragem de alugar. Passei a vir aqui para relaxar. Ficou sendo meu refugio. Sei que gosta do seu apartamento. Mas se você e Alex concordarem,  eu gostaria de morar aqui.

__Podemos ver lá dentro? _ O garoto foi se virando para casa.

__Claro. -Abraçou Diana.- Se não gostar, podemos ficar em outro lugar. Ok?- Ela sorriu. Entrado na casa de porta branca com vidro no meio. A sala era espaçosa, as paredes palha e sofá de dois e três lugares num tom acima, com almofadas um tom mais claro e verde água. Uma mesa de centro retangular de madeira com umas peças de latão e um vaso de kalanchuê vermelho. Um tapete no mesmo tom deixava tudo harmonioso.Outros adereços elegantes, uma estante de livros numa parede, um espelho em outra e uma cortina branca rendada deixavam a sala elegante e simples.Muito aconchegante. Uma sala de jantar com mesa de vidro redonda de 12 cadeiras, um aparador combinando e cadeiras de ferragem retorcidas. Um espelho de cristal, um lustre pendente simples e elegante. Uma pintura abstrata em cores quentes, contrastando com as paredes palha. A cozinha era toda branca, com peças de vidro e  muito moderna. O que mais chamou a tenção de Diana, foi a janela atrás da pia com uma charmosa floreira e a visão do jardim. No corredor muitas fotos em porta-retratos diferentes e coerentes. A família, as escolas, o orfanato, férias, flores, instrumentos, sapatilhas, carros. Tudo fotografado artisticamente. Fotos de Clara. Tinha até fotos de Diana e de Alex.

__Como conseguiu essas fotos?- Perguntou Diana. Antes que pudesse responder, Alex alisando a foto disse:

__Foi Clara. Ela é ótima.- Seu olhar apaixonado pelo trabalho de sua amada.

__Ela é mesmo muito talentosa.. _ Subindo a escada de madeira, na primeira porta branca, um escritório com uma biblioteca invejável. Na segunda, um quarto azul claro , confortável, preparado para Alex. Com um banheiro só para ele. Alex amou. Ruivo disse que ele poderia fazer todas as mudanças que quisesse. Na porta ao lado, o quarto estava vazio. Ruivo disse que Diana poderia usa-lo como achasse melhor. Na porta seguinte, um banheiro muito elegante, todo marfim com detalhes bronze. Tinha uma pintura muito interessante em uma parede e um vaso de orquídea branca. A próxima porta branca, Diana já sabia que era o quarto do casal. Alex deu um jeito de ficar para trás, para dar privacidade a eles. O quarto era todo branco, papel de parede, a cama de dossel , coberta por uma colcha branca bordado de branco.  Os criados tinham um abajur e um vaso com lírios brancos cada um. Uma poltrona branca com almofada branca.  Uma cortina branca de renda. Diana reparou todos os detalhes, minuciosamente escolhidos em branco.  Lustre, tapetes, moldura, cabideiro, caixinha de jóias, mesinhas.Todos os adereços de muito bom gosto. A única coisa que não era branca, era uma pintura na parede oposta a cama. Uma mulher negra com vestido branco, segurando um ramalhete de lírios brancos. Não dava para ver o rosto, mas Diana não precisava.

__Sou eu. Quem fez essa pintura?

__Eu.- Diana olhou para ele. Como esse homem tão cheio de talentos, cheio de possibilidades, foi se apaixonar justo por ela?- Gostou?- Parecia encabulado.

__Você é um artista.- Beijou-o. –  Não sábia que pintava.

__Aprendi um pouco na escola de artes. Não sou um Da Vinci, mas até que consigo algumas pinceladas. É  mais fácil quando a modelo ajuda.

_Onde coloco minhas roupas?- Ele sorriu. Pegou a mão dela e abriu uma porta, atrás um closed e o banheiro. Tudo branco, inclusive as toalhas, tapetes, louças, banheira, tudo.

__Quer vir morar aqui?

__Sim!- Beijou-o.- Você é maravilhoso sabia?- Ele riu.

__Meus irmãos não diriam isso. Será que Alex também vai querer?

__Está brincando, ele amou o quarto com banheiro.- Riram.- E é pertinho da escola, ele pode ir a pé. E é pertinho do parque, vou poder correr mais tempo aqui.- Sorriu.

__Gostou mesmo da casa?

__Muito. Tenho dó de deixar meu apartamento e meu pequeno jardim lindo. Mas seu carro não ia caber na minha garagem.- Riram.- Podemos alugar.

__Seria uma boa ideia. Se quiser, podemos pedir para Ben encontrar alguém para morar lá. Ele é muito bom nisso. E você pode depositar o aluguel na conta de Alex.

__É uma boa ideia. Ele vai gostar muito disso.

__Bem o apartamento é dele não é?- Diana pareceu surpresa.

__Como sabe disso?

__Ben me contou, você entregou seus documentos para que ele preparasse os papéis do casamento, lembra? Eu também precisei entregar a ele. Ele me ligou para saber como fazer com meus bens, e mencionou o apartamento de Alex. Achei muito bonito, você dar o apartamento para ele. Você é uma mãe muito protetora.- Beijou-a.

__Ele não sabe. Não tive tempo ainda. Está acontecendo tanta coisa.

__Você colocou o apartamento no meu nome?- Alex estava na  porta.- Porque?

__Porque queria que você tivesse um bem só seu. Se algum dia precisar desse dinheiro, pode vende-lo. É para você ter uma segurança. Ter de onde começar. Não vale tanto assim, mas é um patrimônio. Não é Ruivo?- Era a primeira vez que buscava a ajuda dele para lidar com o filho. O Ruivo gostou muito disso.

__Ela tem razão Alex. O apartamento é um bem seu. Que sua mãe lutou para conseguir para você. É justo que fique contigo.

__Mas e se vocês tiverem outros filhos? O apartamento seria deles também.- O Ruivo sorriu com a possibilidade. Se aproximou de Alex o abraçou.

__Ah, meu menino, tão maduro, tão justo. Não se preocupe. Se Deus nos abençoar com outros iguais a você, eu lutarei para que tenham tudo que precisarem. Na verdade, seus possíveis irmãos já tem casa e uma poupança. _ Sorriu.-E você e sua mãe também, essa casa também é sua. Tudo o que tenho a partir do momento que me casar com sua mãe será de vocês. Fiz questão da união total de bens.- Os dois olharam para ele de súbito.

__Porque? – Disse Diana, preocupada.

__Para a documentação sair mais rápido. Diana, você será minha mulher. Tudo que tenho será seu. Não tenho interesse em fazer contratos pré- nupciais. Tenho alguns bens, mas nada fora do comum. Está casa, que valorizou a herança que recebi da família de minha mãe. Tenho um carro e uma moto. Sou acionista nas empresas do meu pai e do meu avô. Todos os rendimentos das empresas estão aplicados, Ben cuida disso. Não faço uso deste dinheiro, era a minha aposentadoria, agora será também a herança de vocês. O dinheiro que uso, vem do meu trabalho na escola. Não sou um cara deslumbrado. E nem sem juízo. Sei que o dinheiro pode virar a cabeça das pessoas, vi o inferno que fez na vida de Alice e de Liv. Elas quase morreram.  Mas vocês não são assim. São trabalhadores. Construtivos. Não tinha porque ter medo de fazer vocês meus herdeiros legais.  Você será minha mulher e você será meu filho. Simples assim.- Alex sorriu para a mãe. E Diana disse::
__Certo. Se é assim, vai me deixar dirigir o Creta Cinza?- E Fez uma cara de piedade.

__Nem pensar! Ninguém encosta no meu carro. -Riram.- Levo você para onde quiser. Eu juro.

__Posso mandar minhas roupas para meu quarto novo? – Sorriu Alex.

__Claro que pode, embale tudo que vou buscar amanhã. E você pode desembalar quando chegarmos de viagem.- Pegou um chaveiro no bolso e deu para Alex.- Essas são as suas. – Virou-se e abriu uma gaveta e tirou outro chaveiro. – E estas as suas amor. O código de acesso do elevador está no chaveiro. E do alarme são os últimos 6 números do meu telefone invertidos. Se precisarem vir aqui, o porteiro já está avisado. Qualquer coisa ligue para minha avó ou para mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 12

Na noite anterior, Ruivo estava deitado de lado no sofá, a cabeça no colo do irmão. Ben esfregava as costas e o ombro dele, como se fosse uma criança. Ele chorava compulsivamente. O rosto   marcado pela dor. Já tinham passado a tarde na casa de Jorge, no quarto de brincar, enquanto o Ruivo chorava desesperadamente. Quando Ruivo saiu de dentro do orfanato e se apoiou no Flamboiã, Jorge e Ben que estavam no estacionamento, já sabiam o que tinha acontecido. Conheciam bem aquela situação. Ben abraçou seu irmão sem conseguir pensar em nada que pudesse acalma-lo naquele instante de dor. Jorge conduziu os dois para sua casa sem dizer nada. Lutou para se lembrar das palavras reconfortantes do pai, mas tudo lhe parecia tão doloroso que não pode dizer. Alice chegou mais cedo em casa e quando viu os três no quarto de brincar e o Ruivo naquele estado, queria procurar Diana.

__Não, meu amor. Ela tem esse direito. Ninguém é obrigado a ficar com ninguém. Estou muito triste por ele também, mas não podemos fazer nada.- Jorge falou com a voz baixa.

__Então vamos deixa-lo aí, chorando a tarde toda, é isso?- Ele a olhou compassivo.

__É bom chorar. Ele sabe. Está tentando se acalmar. – Ela entendeu o que ele estava dizendo. Quantas vezes Jorge não tinha estado daquele mesmo jeito. Alice se sentiu muito culpada novamente.

__Ah Jorge! Como eu pude ser tão idiota por tanto tempo? – Abraçou-o.- Como fui capaz de fazer você sofrer assim? Pode me perdoar por isso meu lindo cavaleiro de olhos azuis? Me sinto tão mal.- Ele beijou-a.

__Já passou minha flor. – Ela o olhou ainda muito triste.- Verdade. Passou no dia que ouvi você dizer que me amava. E se ainda restava alguma dor, ela se discipou quando Alana me chamou de pai pela primeira vez. E  depois você me deu meu maior presente, a razão da minha felicidade diária. Um garotinho lindo e feliz com olhos iguais aos seus. Eu sou muito feliz Alice. Você me faz muito feliz. -Suspirou.- Estou com muita pena do Ruivo, conheço esse sofrimento, mas infelizmente só o que podemos fazer é estar aqui com ele.- Abraçou sua esposa apertado.

Quando Ben e o primo conseguiram trazer-lo para casa, o Ruivo ainda chorava copiosamente. Naquele momento, em seu quarto a dor parecia longe de dar trégua.

__Ei, sei que está doendo, mas tente respirar. Todo esse desespero não vai fazer bem para você. Nem vai te ajudar. Vamos meu irmão respire. Força, respire.-Ben falava calmo, tentando ajudar seu gêmeo a superar sua agonia.

__Eu não consigo.- A voz estava embargada, fraca, cortada por soluços involuntários.

__É claro que consegue. Estou aqui, vou te ajudar. Conheço essa dor Ruivo, vivi isso também. Sei como ela pode devastar. Não dê tudo por perdido. Diana pode reconsiderar. Olhe meu caso, achei que nunca teria uma família, que nunca seria feliz, que viveria sozinho para sempre também. Dê tempo ao tempo. Espere irmão. Tenha fé. Vamos você não é assim, um derrotado. Lute contra a dor.

__Não consigo. Ben, meu coração parou quando ela disse que…-Chorou.- Disse que não me queria para vida dela.- Soluçou.- Como você conseguiu suportar isso? Estou sufocando. Não tenho como consolar meu coração. Ele não consegue aceitar. Está me matando.

__Ruivo precisa reagir.  Vou repetir, não dê tudo por perdido. Diana estava zangada, dê tempo a ela.

__Quando Jorge ligou e falou de Georgia, achei que ela ficaria zangada, com ciúmes, mas nunca imaginei que quisesse terminar. Como vou conseguir controlar esse desespero? Não sei nem como vou fazer para ficar sem vê-la. Eu sei que devo fazer o que ela quer, me afastar, mas não sei como ficar longe dela. E se nesse tempo ela encontrar alguém que a interesse? Deus, imagine o que isso fará comigo? O que faço Ben?- Era um choro tão doído.

__ Primeiro precisa se acalmar. Fale como se sentiu, pode ajudar a controlar sua angústia.

__Quando a beijei ela estava distante, mas ainda estava ali. Pensei que estivesse com raiva, mas que quando soubesse das loucuras de Georgia, ela entenderia. Então eu tentei toca-la, queria sentir o calor dela, ter certeza que estava tudo bem. Quando ela disse que queria que nos afastássemos, um pavor tomou conta de mim. Demorei tanto para encontra-la, depois  mais tempo para entender a profundidade do que sentia por ela e num segundo, eu ia perde-la.- Chorou.- Tentei me controlar, raciocinar, mas fiquei sem ar no momento que gritou comigo. Ela gritou comigo Ben. Nunca há vi gritar com ninguém. Fui me afastando com muito esforço, apavorado com a possibilidade de perde-la. Então perguntei.- A voz falhou.- Não conseguiria deixa-la se não ouvisse ela dizer. Sabia que ia ser doloroso,  mas não tinha outro jeito, precisava deixar ela me ferir. Aquela voz que eu amo tanto, fica ecoando, ecoando, ecoando.-Soluçou.- Foram só quatro letras Ben, quatro letras. Um único pronome que destruiu meus sonhos. Nunca pensei que pudesse doer tanto. Parecia que tinha sido atingido por um caminhão. Doeu todas as células do meu corpo. Minhas pernas perderam as forças. Fechei os olhos, não podia olhar para ela. Se fizesse, me ajoelharia e imploraria que não me deixasse. Mesmo sabendo que ela tinha direito de não me querer, que eu não podia obriga-la, ainda assim eu pedi. Só uma vez, mas pedi que não me deixasse morrer de dor desse jeito. Doeu o dobro ouvi-la reafirmar sua decisão.- Chorou mais.- Isso não vai melhorar Ben, vai aumentar a cada dia que ficar longe dela, eu já mal consigo respirar agora.

__Talvez ela perceba que se enganou. Talvez veja que só estava irritada, chateada, com ciúme. Talvez volte para você.-Ruivo chorou mais forte.__Ei, não desista.

__Eu a perdi Ben. Perdi a mulher da minha vida. Sou um falcão, não vou sobreviver. O ferimento que tenho no peito, é de morte. Você sabe disso. A diferença entre você e eu, é que você sempre foi mais controlado, mais forte. Eu tenho o coração frágil como tio Rick, não tenho como me defender desta dor, como suportar essa dor. Além disso, você não perdeu Liv. Não depois de tê-la em seus braços.  Eu terei muitos momentos para me torturar. Na primeira vez que olhei nos olhos dela, no corredor da escola, furiosa comigo por causa do traste do Flávio, naquele momento alguma coisa me dizia que ela me faria sofrer. Achei engraçado, como uma linda mulher que eu nunca tinha visto antes poderia me atingir assim? Deveria ter dado atenção aos meus instintos, estou perdido Ben, não tenho como me salvar. Já sei disso desde de a primeira vez que a beijei. Pertenço a ela, mas ela não me quer, não tenho livramento. Por mais que lute vou morrer de dor.- Ben olhou para seu irmão penalizado. Entendia seu sofrimento.

__Ah Ruivo. Gostaria tanto de poder arrancar esta dor que está sentindo, mas infelizmente só o que realmente posso fazer é ficar aqui com você meu irmão, enquanto você precisar.- Seu pai entrou no quarto, viu a cena, caminhou para eles.

__Então, ela conseguiu, não foi? Fez você sofrer, não é? Sinto muito filho, eu não deveria ter me metido nesta história. Se não tivesse dito nada a ela aquele dia…- Ruivo o interrompeu.

__Não. Não é culpa sua pai. Eu lhe sou muito grato. Se não fosse pelo que disse a ela aquele dia eu nunca poderia ter sido tão feliz como eu fui.

__É, mais agora está sofrendo.

__Sim, e vou sofrer ainda mais. Mas valeu a pena. Ela vale muito a pena, pai. Talvez algum dia eu consiga….- Olhou seu pai e seu irmão, ambos dispostos a ficar ali com ele enquanto ele precisasse deles. Os dois tinham enfrentado a rejeição da mulher que amavam, os dois conseguiram suportar. – Vocês vão me ajudar a passar por isso, não é?

__É claro que sim. Somos sua família. Sempre estaremos com você. –  Disse seu pai carinhoso.

– Você é outra parte de mim. Jamais deixaria você sofrer sozinho.- Disse Ben- E antes que diga que você me deixou passar por minha dor sem sua ajuda, já  vou responder que esta errado. Todas as vezes que chegava em casa, com o coração em pedaços de saudade, de tristeza, de tudo, você estava aqui. Sempre sorridente, sempre animado, disposto a sair comigo, me distrair. Você foi minha força durante todo aquele tempo. A parte de mim que era feliz, e me movia a continuar. E no momento do meu maior desespero, você me deu sua coragem para suportar a minha agonia. Por isso e por tudo que você representa para mim, eu sempre estarei ao seu lado.

__Eu sei. – Enxugou as lágrimas incessantes.- Eu vou lutar, eu juro. Não poderei deixar de sofrer, porque não posso deixar de ama-la, mas vou lutar, como vocês dois lutaram, eu prometo. Mas agora…neste instante eu …não tenho forças. -E chorou no ombro de seu pai.- Quando enfim, ele dormiu, exausto pela dor, Beto e Ben deixaram o quarto.  Estavam muito tristes. No seu quarto Beto não se conformava:

__Eu e essa minha boca grande. Se não tivesse falado nada, agora o menino não estaria sofrendo assim. Me sinto tão impotente Nina. O pobrezinho está lá com o coração em pedaços e eu não posso fazer nada. De que me adianta todo o patrimônio que construímos, toda a educação que demos a eles se não podemos proteger o garoto do que é mais doloroso? Droga! Eu…  sou um idiota._ Chorou, Nina o abraçou.

__Ei grandão, a culpa não é sua. A vida é assim. Já chorei por ele hoje também. Ele é um filho muito bom mesmo, não merecia estar sofrendo. Falei com Lia a tarde, ela me disse para tentar manter a calma, acha que talvez Diana volte atrás. Lia concorda com você, também acredita que Diana ame o Ruivo de verdade. Seja como for lindo, precisamos ser o apoio dele. Ele é quase tão grande como você, mas tem o coração mais frágil que o do Rick. Ele vai precisar de sua coragem Beto.

__O que quer dizer linda?- Beto parecia confuso.

__Eu não sei direito. Mas sinto dentro do meu coração, que ele vai precisar que você interfira outra vez nessa história. Lia disse para esperar, não procurar Diana ainda. Eu sei que esperar não é nosso forte.- Sorriu para seu belo marido.- Mas Lia sempre dá bons conselhos, acho melhor escutar, não acha?- Acariciou o rosto dele.

__Eu vou tentar, minha linda. Graças a Deus eu tenho você, meu amor. O que seria da minha vida sem minha linda ruiva encrenqueira?- Sorriu e beijou-a.  Neste momento Ben,  na sala de dança em sua casa, contava aos prantos para Liv todo o acontecido com seu amado irmão:

__Eu não suporto vê-lo assim, Liv. -Chorou.- É tão triste, ele sempre foi minha força, a alegria constante em minha vida e agora.- Liv acariciou seu marido.- O Ruivo está destruído Liv. Toda sua energia foi consumida pelo desespero.  Cada palavra que fala, sai de dentro dele carregada de dor. Ele não consegue respirar direito, coitado. – Olhou sua linda bailarina.- Ah Liv, o que aconteceria comigo se perdesse você?- Liv sentou-se em seu colo, colocou os braços em seu pescoço.

__Não vai me perder, meu ruivo valente. Eu sou sua. Para sempre. Eu amo você. E amarei por toda vida. Demorei um pouco a entender isso, mas agora que já sei, não conseguirá se livrar de mim, eu já lhe disse isso.- Sorriu e beijou -o.- Você sabe que eu te amo Benjamim, não tem porque ter medo de me perder.

__O Ruivo também achava que Diana estava apaixonada. Todos achávamos. Ela parecia estar, mas de repente…- Olhou-a.- Sei que me ama, mas eu sou louco por você, se te perder de novo eu..

__Ei! Eles eram namorados. Nós somos casados Ben. Eu entreguei minha vida a você. Nós temos duas lindas filhas. Temos uma vida juntos. Dei algum motivo para você supor que eu estou insatisfeita, ou chateada, ou entediada com alguma coisa?- Falou carinhosamente, não estava irritada com a insegurança dele. Entendeu que ver seu irmão sofrer, trouxe lembranças de sua dor.- Ben eu amo você. Amo muito. Você me faz muito feliz. Quando você me declarou seus sentimentos pela primeira vez, eu te via como um irmão, mas isso mudou no segundo seguinte.- Ele pareceu confuso.

__No segundo seguinte? Como assim?

__Ben, não lhe disse antes, porque não tinha entendido direito. Mas faz um tempo que entendi. A maneira como me olhou no instante que falava contigo, mudou algo no meu coração. O verde dos seus olhos foram mudando de tom conforme eu ia dizendo cada palavra. Senti sua angústia aumentando, a dor explodindo dentro de você. Senti a força que você fez para ouvir o que eu dizia. Então, quando você falou, sua voz falhou. Naquele momento, meu coração se apertou dentro do meu peito. Eu achei que estava com dó de ver você sofrer. Mas isso voltou a acontecer quando nos despedimos naquelas férias. E o mesmo aconteceu todas as outras vezes que nos despedíamos enquanto estive fora. E continuou acontecendo sempre que você me deixava depois que voltei. E naquele dia no hospital, com você sangrando no chão, meu coração se contorceu dentro do meu peito. Eu senti a mesma angústia, a mesma dor e me vi fazendo a mesma força que você fez naquele dia no labirinto, enquanto  eu esperava que você reagisse. Mesmo assim, não entendi o que isso significava. Os sentimentos estavam todos misturados e eu não consegui identifica-los. Com o tempo porém, tudo ficou claro.

__O que ficou claro?

__Ben, eu nunca beijei ninguém. Isso é muito estranho. Estive na Europa por anos, muitos caras queriam sair comigo, mas eu nunca tive interesse. Voltei para cá e vi você sair com um montão de garotas, todas as vezes morrendo de ciúmes delas. Sempre tinham rapazes onde íamos, eu nunca quis ficar com nenhum. Dancei com muitos bailarinos charmosos, mas nunca dei chance a nenhum deles. Alguns deles achavam até que eu não gostava de meninos.- Sorriu.- Eu costumava dizer que era por causa do tamanho do Jorge que eu não tinha namorado, depois que eu tinha medo de me machucar, mas na verdade era porque eu já tinha dado meu coração para alguém e nem sabia.– Olhou nos olhos dele.- Eu já amava você. E não era como irmão. Eu só não tinha entendido isso. Por isso todo aquele ciúme, e aquelas armações para ficar perto de você. -Ela baixou os olhos. Ben parecia surpreso. Pegou o queixo dela.

__Está me dizendo que estava apaixonada por mim desde o dia que me declarei a você e você não me quis?

__Eu não sabia. Eu … estava confusa. Você era meu primo. Sempre tinha sido como um irmão. Quando eu vi sua dor, alguma coisa se rompeu dentro de mim. Por muito tempo eu achei que fosse culpa por fazer você sofrer. Mas então nos casamos e somos tão felizes, e temos as meninas. E eu vejo você tão feliz com elas.- Sorriu.- Mas ainda assim, meu coração se aperta quando nos separamos.- Acariciou o rosto dele.- É a mesma sensação daquele dia, daquele instante.  Então me lembrei que vi o Jorge do mesmo jeito que você estava naquele dia. Quando ele tinha acabado de saber que Alice ía se casar. A dor dele era igual a sua, mas a minha reação foi diferente. Eu tive muita pena, quis abraça-lo, arrancar aquela dor dele a todo custo, mas a sensação não foi a que senti por você. Nem a implicância que eu tinha com as namoradas dele. Eu só queria provoca-lo, e mesmo quando elas eram mesmo chatas, eu não queria arrancar os olhos delas, como queria com as suas. -Ele riu.- E tem isso também, amo ver meu irmão rir, mas sempre, sempre, precisei ver você rindo para me sentir feliz de verdade.- Olhou fundo nos olhos dele.-  E por mais que sempre tenha achado meu irmão um homem muito bonito, só seus olhos me tiravam o folego. Nem seu gêmeo, que é praticamente igual a você, jamais conseguiu isso. Além do mais eu nunca quis beijar o Ruivo.- Suspirou.- Desculpe, sei que fiz você sofrer muito, por muito tempo, e que ver seu irmão passando por algo parecido, te trouxe lembranças muito ruins. Mas eu amo você, eu já amava só não tinha consciência disso. Precisou acontecer muita coisa para eu entender. Olha, talvez Diana também precise de tempo. Ela é muito sofrida, isso fez o coração dela muito frágil, igual ao meu. Ela tenta se proteger da dor do jeito que sabe, se escondendo. Talvez, depois que ela se acalmar, ela compreenda melhor seus próprios sentimentos. Eu acho que ela realmente ama o Ruivo. Ela olha para ele do mesmo jeito que eu olhava para você, antes de namorarmos.

__E como seria esse jeito?- Ele perguntou apertando a cintura de sua linda esposa.-

__Bem, ela fica meio encantada com ele, mas tem medo de se entregar e ele se cansar das complicações dela e deixa-la. Então faz de conta que não está olhando direito.

__Você me olhava assim?- Sorriu.- Estou tendo muitas revelações hoje. Primeiro descubro que meu gêmeo forte e valente tem o coração frágil e propenso ao desespero. Depois, que a linda mulher que destruiu meu pobre coração rejeitando meu amor, estava apaixonada por mim sem nem saber. Agora, que a minha linda bailarina fingia não olhar para mim, para não denunciar seu encantamento, enquanto torturava meu coração desprezado.- Beijou-a.- Eu sou louco por você. Deveria dizer que se um dia quisesse me deixar, eu poderia enfrentar a tristeza de cabeça erguida e dar a você a possibilidade de escolha. Mas seria mentira. Eu não posso sobreviver sem você. Nunca pude. Por isso ver o Ruivo sofrer dói tanto. Estou pedindo a Deus que olhe por ele. Que dê a ele a mesma graça que me deu, a mulher que ele tanto ama. Porque sei o tamanho do estrago que isso está fazendo dentro dele. Ele tentou fazer o certo, deixou ela escolher, mas não consegue respirar desde então, a dor está sufocando ele. Tentei dar meu conforto, minhas forças, mas ele está muito ferido. Foi pego de assalto, e sabe que não pode esquece-la. Eu não sei como e nem se posso ajuda-lo a enfrentar isso.

__Mas você pode e vai ajuda-lo. Fique com ele o máximo de tempo que conseguir. Sei que você tem compromissos que não pode adiar, mas todos os que puder troque a data. Não deixe ele sozinho. Você é parte dele.  Quando Jorge estava sofrendo, eu nem sabia o que dizer a ele, mas fiquei perto dele sempre. Vi ele aprender a respirar novamente, vi ele contornar o desespero. Ele nunca deixou de amar Alice, mas aprendeu a enfrentar a agonia. Ele sempre disse que eu o ajudei por estar com ele.  Eu sei que o Ruivo vai se sentir mais forte com você por perto.- Ben acariciou os cabelos dela.

__Eu gostaria de fazer isso, amor. Mas eu tenho você e as meninas, não devo negligenciar vocês.

__Ben, nós estamos bem. Seu gêmeo precisa de você. – Sorriu.- Eu sei que o Ruivo faria o mesmo por você. Deixaria a escola que ele tanto cuida, até a amada academia para ficar com você num momento de tristeza. Se bem me lembro, ele já fez isso. Não se preocupe comigo e as meninas. Estaremos esperando você, quando as coisas se resolverem.  Agora, cuide do Ruivo. – Ben sorriu.

__Eu amo você.- Beijou-a.- Farei o que diz minha doce bailarina.

__Tomara que ela não leve muito tempo para entender.

___Entender o que, amor?

__Que não dá para viver longe dos beijos de um Medeiros.-Beijou-o.

__Liv, acha mesmo que ela vai voltar para ele?

__ Na verdade eu acho sim. Acredito que ela está com medo do que sente por ele.

__Meu pai diz que ela está apaixonada. Diz que ela sempre esteve. Tomara que vocês tenham razão. O pobre Ruivo não vai aguentar muito tempo. Ele está muito triste.

__Vai dar tudo certo amor, vai ver. – Pegou seu marido pela mão e o levou para ver suas meninas dormirem.

Todos estavam muito abalados. O Ruivo sempre tinha sido o mais animado dos Medeiros, e sua tristeza era quase um luto para a família.  De manhã Rick e Lia passaram para vê-lo. A dor em seus olhos verdes era muito intensa. Rick sempre tão eloquente, pouco pode fazer para ajudar seu querido sobrinho. Num dos poucos momentos que sua família o deixou sozinho, Ruivo foi ao cofre de sua mãe. Tirou de lá uma caixinha. Não teve coragem para abri-la, mas esfregou-a contra o peito como se fosse um unguento para a dor. Ouviu a chuva bater em sua janela. Imediatamente se lembrou dela, e da sua aversão a chuva. Fechou a persiana do quarto rapidamente, a dor cortando seu peito, como os raios cortavam o céu.

Para Diana a chuva era sempre uma lembrança de uma noite terrível, sinal de infelicidade. Ela dirigiu para casa com muita atenção, se concentrando no trânsito, apesar disso. As conversas com Lia e Rick e depois com Alice, rodopiando em sua mente confusa. Apertando ainda mais seu coração. Mas estava decidida. Claro que o Ruivo estaria triste, ela também estava. Mas era melhor assim. O tempo se encarregaria de tudo. Ao chegar em seu apartamento, Alex já tinha preparado o jantar, macarrão com molho de requeijão, disse que era uma receita de Clara. O cheiro trouxe lembranças do jantar com o Ruivo no jardim, mas estava um pouco salgado. Quando ele se desculpou, a mãe foi carinhosa:

__Não querido, para a sua primeira vez fazendo essa receita, acho que se saiu muito bem. Está treinando para fazer para Clara?

__Ainda não. Mas quem sabe um dia. Então, como estão as crianças do orfanato, chegou mais alguma?

__Não.- Diana percebeu que ele queria conversar, queria fazer as pazes por assim dizer. Ele estava triste, mas não queria ficar brigado com sua mãe.- Na verdade acho que não temos mais vagas infelizmente. Mas o dia até que foi quase calmo. Um dos meninos caiu e quebrou o dente, Jorge precisou leva-lo ao dentista. Mas não foi nada grave. Já tinham chegado quando saí. E a escola, como foi, muita agitação por lá?

__Não.- Ele não disse mais nada.

__Ei? Aconteceu alguma coisa?

__Não.- Ele se levantou levando o prato para lavar. Diana foi atrás.

__Vamos me diga logo o que foi que aconteceu?

__Não aconteceu nada. É só que…

__É só que… vamos diz logo.

__O Diretor não foi trabalhar hoje.-Há meses, Alex não chamava o Ruivo assim.- Isso nunca tinha acontecido antes. Então…-Olhou sua mãe, resolveu continuar.- Então todo mundo ficou querendo saber se ele estava doente, e perguntando para Clara, até que ela confirmou, disse que ele estava com uma crise de enxaqueca. Mas… ele não sofre de enxaqueca, Ben é que tem as vezes. Então eu perguntei o que estava acontecendo de verdade.- Diana fingiu dobrar um guardanapo.

__E o que era de verdade?

–Ah mãe, você sabe. Ele está arrasado. Clara disse que Jorge e Ben trouxeram ele para casa no começo da noite ontem. Parece que Ben havia ligado para Tia Nina contando o acontecido, porque ela não permitiu que ninguém incomodasse o Ruivo. Clara disse que Ben e Tio Beto ficaram com ele até de madrugada no quarto. Clara foi vê-lo de manhã, quando chegou na porta, viu o Ruivo com a cabeça no colo de tia Lia chorando enquanto Tia Nina acariciava o rosto dele, e o Tio Rick falava baixinho com ele. Não teve coragem de entrar, não sabia direito o que tinha acontecido, mas ficou evidente quando viu o desespero dele.- Diana o olhou de lado.

___Clara está brava comigo?- Alex riu alto.

___Brava? Não, ela está furiosa. Disse que você quebrou a promessa que fez a ela. – Riu outra vez. Diana o acompanhou.- Deve ser assim que começa as intrigas entre noras e sogras, não é?.- Riu de novo. Respirou fundo.- Ela está muito preocupada com ele, mãe. O Ruivo nunca deixa de malhar, nunca falta ao trabalho, e não foi a escola, nem a acadêmia hoje. Sempre está sorrindo, e pelo que ela disse desde de ontem, ele chora o tempo todo.

__Eu acho que ela deve estar exagerando um pouco. Romanceando. Você não acha? Quero dizer, o Ruivo é um homem forte, corajoso, lutador. Não me parece um cara que fica chorando pelos cantos por causa do fim de um namoro.

__As vezes as pessoas não são exatamente o que aparentam, não é? Por exemplo, eu te conheço a vida toda e nunca imaginei que você fosse uma namorada tão ciumenta.- Riu.

__Não foi ciúme!- Riram.- Não foi só ciúme. – Riram outra vez.- Certo foi bastante ciúme, mas não foi só por isso. Somos mesmo de mundos muito diferentes.- Diana ficou muito triste de repente.

__Verdade, talvez tenha mesmo razão. Mas se é assim, eu e Clara também. Acha que devo desistir dela também?- Aquela pergunta mexeu com Diana. Se ela não servia para o Ruivo, Alex também não servia para Clara. Pelo que Alex tinha dito que o Ruivo lhe falara, ele estava de acordo com o romance de sua irmã e o filho dela. Na verdade, toda família Medeiros parecia de acordo, apesar de tudo.-  Mãe, acha que ela também vai acabar descobrindo que merece alguém melhor que eu?- Aquilo cortou o coração de Diana. Sabia o quanto seu filho amava aquela loirinha inteligente.

__Lógico que não, meu amor. Você é maravilhoso, Clara sabe disso, e ama você.

__ Você também é maravilhosa, mãe. E o Ruivo também ama você.- Olhou sua mãe com aqueles olhos verdes tão claros. Alex tinha razão. Ela não tinha como vencer este argumento, e pelo visto, ele também sabia disso.-  Não vi o Ruivo, mas imagino como eu  estaria me sentindo se perdesse Clara. Mãe, ele está ferido.- Os ombros de Diana desceram um pouco. Era um sinal de sua rendição. – Mãe? Não está com saudades do Ruivo? Não quer ir vê-lo?- O coração de Diana deu um salto. Sim ela queria muito vê-lo. Muito mesmo. E Alex sabia.

__Não posso aparecer lá na casa dele assim, sem mais nem menos. Eu tenho vergonha.

__Porque não? É a namorada dele?

__Não sou mais a namorada dele.

__Só se você não quiser._ Sorriu para a mãe.- Clara disse que volta a ser sua amiga se tirar o Ruivo deste desespero ainda hoje, mas se deixa-lo sofrer mais uma noite, não vai te perdoar nunca mais. -Riu.- Acho sinceramente que ela estava falando sério. Ela não costuma brincar com este tipo de assunto. É louca pelos gêmeos. – Estendeu a mão para sua mãe.- Vamos, sei que quer vê-lo. Não precisa ficar com medo, vou com você?- Diana sorriu para seu menino corajoso. Saíram enfrentando a chuva novamente. Quando enfim chegaram ao apartamento de Beto, ele, Nina e Clara estavam reunidos na sala de estar. Quando viram Diana entrar com Alex, as reações foram mistas de alívio e apreensão.

__Olá moça bonita. – Disse Beto.- Diga para mim, pelo amor de Deus, que está aqui para ver o Ruivo?- Os olhos escuros dele pareciam uma noite sem lua. Diana sorriu para ele e disse:

__O senhor acha que ele gostaria de me ver?- Beto riu alto, pegando-a pela mão disse:

__Venha salvar nosso pobre Ruivo, moça bonita.- Caminharam pelo corredor.- Graças a Deus, você veio. Não sei mais quanto tempo ele poderia suportar. Nem sei se eu poderia suportar vê-lo sofrer mais um dia. – Diana ouviu o tom sincero na voz do empresário. Uma nota de tristeza que a comoveu. Chegaram a porta do quarto do Ruivo. Então o ouviu chorar, um lamento tão doloroso. Olhou para Beto espantada.

__Triste, não é? Ben está com ele, mas nem a força de seu gêmeo tem sido capaz de ajuda-lo a controlar a dor. Ele não consegue ficar longe de você. Eu sei como é, já passei por isso. Ele não estava preparado para o que aconteceu. Usou todas as forças que tinha para deixar a sala ontem. Para fazer a sua vontade. Desde então tem tentado respirar, controlar a agonia, mas …Bem como pode ouvir…  Eu já lhe disse antes Diana, os homens desta família tem a tendencia de sofrer miseravelmente pela mulher que amam. Todos parecemos fortes e realmente somos, desde que contemos com o amor das donas dos nossos corações. Do contrário, todos os Medeiros ficam reduzidos a  puro desespero. Você já viu acontecer antes, com Jorge, com Ben, com Rick.  E ficamos ainda mais impotentes diante da rejeição. Sei que você tem seus motivos, mas por favor….Olha, se vocês voltarem, eu mesmo vou garantir que aquele fiapo de loira nunca mais chegue perto de vocês, juro!- Diana teve que rir.  Ver Beto tão furioso com Georgia a divertiu. – Meu filho ama muito você.  Ele acha que te perdeu para sempre, por isso toda essa angústia. Mas eu vejo em seus lindos olhos, que você também o ama. Sempre vi isso. Não sou muito bom com palavras, mas sei quando uma mulher está apaixonada. Entendo que ficou zangada, e tinha razão. Eu no seu lugar teria avançado naquela zinha. Se fosse mulher, claro.- Sorriu-  Enfim, não o deixe sofrer mais. Por favor, Linda. – Neste momento Diana entendeu o que Rick quis dizer sobre estar do outro lado do enredo. Porque o silêncio de Jorge  e até de Ben sobre a separação deles. Eles não sabiam como argumentar sobre isso, sem tomar o lado do Ruivo. Não conseguiriam ser imparciais. Achavam que ela tinha direito a tomar sua própria decisão, ter sua escolha livre de pressão. Por isso, só Lia e Alice se arriscaram a falar disso com ela. E agora Beto, é claro. Porque ele desde o começo, conseguia enxergar o interesse de Diana pelo Ruivo. Viu isso antes mesmo dela notar. Diana sorriu para ele.

– Eu vou tentar resolver isso senhor, certo? Mas não posso prometer nada, sou meio desajeitada com esse tipo de coisa, mais ainda que o senhor com as palavras, tudo bem?-  Sorriu para ele. Beto balançou a cabeça uma vez e abriu a porta devagar. O quarto era claro e simples. Uma estante de livros bem completa, um espelho grande e a tela grande de um jardim, eram os únicos ornamentos. Uma porta lateral devia esconder o closed e o banheiro. Uma persiana bege cobria a janela, as luzes estavam acesas. Os gêmeos estavam sentados no tapete de ratam, encostados na cama de cerejeira coberta com uma colcha branca. Os dois de jeans e camiseta  azul clara. Os tênis eram de modelos diferentes, mas da mesma cor. Mesmo assim era fácil saber qual era o Ruivo, ele estava com os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos sobre o rosto, chorando. Ben com as pernas estendidas uma sobre a outra, mantinha uma das mãos nas costas do irmão. Quando viu Diana, o alívio tomou suas feições. Sorriu para ela, agradecido. O Ruivo levantou os olhos e a viu, pareceu surpreso. Diana pode ver seus olhos inchados e vermelhos de chorar. Ben foi se levantando sem dizer uma palavra, antes de sair piscou para Diana.  Diana caminhou lentamente para o Ruivo, sentou-se sobre os joelhos na frente dele. Mesmo assim tão ferido, continuava tão lindo. Ele começou falando com a voz um pouco falha:

__Olhe Diana, não é porque me viu neste estado, que é obrigada a ficar comigo. Eu… amo você, não posso evitar sofrer com nossa separação.  Mas você tem todo o direito de..- Não pode terminar, Diana o beijou profundamente. E ele como era de se esperar, se entregou. Precisava daquilo. A dor o estava sufocando, não conseguiria ficar sem Diana. Sempre soube disso. Implorava a Deus todas as noites, para que a fizesse se apaixonar por ele, pois do contrário, seria seu calvário. Agora com ela de novo em seus braços, sentia o ar voltando para dentro de si. O calor acalmando suas dores. Não sabia porque ela tinha vindo, quem a tinha convencido a procura-lo, mas neste momento não fazia diferença.  Nem importava se ela estivesse ali apenas para conforta-lo, se depois ele iria voltar a sangrar, quando ela se fosse. Entendeu porque seu irmão fazia questão de estar sempre perto de Liv, mesmo quando ela não o amava. Precisava dela para respirar. Só o que importava era sentir o perfume, o calor, o toque, a presença dela. Deus! Como amava Diana! Daria qualquer coisa por ela. Faria qualquer coisa por ela. O beijo foi muito intenso, mas ele sentiu-a se afastando devagar. O pavor o invadiu de novo. Sabia que ela iria embora, suplicou a Deus por forças, precisava se controlar, tinha que deixa-la ir. A felicidade dela era mais importante que seu bem estar. Respirou fundo guardando aquele bálsamo em sua alma. Tentou gravar cada detalhe, a textura do vestido simples de algodão bege, o volume da saia rodada cobrindo suas pernas e deixando só as sapatilhas caramelo a mostra, os cabelos trançados presos num rabo grosso de lado caindo sobre o ombro esquerdo, o toque delicado das mãos macias e finas com as unhas bem feitas num tom de pele.  Abriu os olhos devagar e se preparou para ouvi-la.  Diana olhou no fundo de seus olhos. Depois, ela encostou a testa na dele acariciando seus cabelos e enxugando seu rosto.

__Desculpe-me. – Disse baixinho.- Estava com ciúmes. Fiquei irritada com o jeito como ela falou comigo. Fiquei com raiva por você te-la deixado agir assim por tanto tempo. Me senti humilhada pela forma como ela colocou nossa diferença financeira. Descontei tudo em você. – Se afastou um pouco e baixou o olhar.- Fui imatura, eu sei. Mas você sabe que não tenho experiência com relacionamentos. Precisa me dar um desconto, tentar me entender. Nem sabia que eu era tão ciumenta. Também, porque tinha que ser com uma garota tão bonita?- Ela encostou a cabeça no peito dele.- Por favor, pode desconsiderar o que disse antes? Não quero que se afaste. Gosto de ser sua namorada.- Ele a apertou em seus braços instintivamente, sentindo o coração disparar no peito.

__Graças a Deus, meu amor. – Ruivo disse baixo, soltando o ar que ele nem tinha notado que estava preso dentro do peito. Agradecendo a Deus e a quem quer que a tivesse trazido até ele.-Estava aqui tentando encontrar um jeito de ficar longe de você. Mas não posso, não consigo, doe demais.

__ Ruivo, descobri uma coisa muito importante ainda a pouco. Uma coisa que já vinha acontecendo a algum tempo, mas que não sabia, não entendia direito o que era.- Olhou muito séria para ele. – Tive muito medo quando vi seu carro ainda no estacionamento do orfanato quando fui pegar o meu ontem. Pensei que alguma coisa poderia ter acontecido com você. Me apavorei.  E agora, quando entrei e te vi assim. -Suspirou.- Doeu muito ver você sofrer. Muito mais do que poderia imaginar. Pior ainda sabendo que é culpa minha.- Acariciou o rosto dele.- Você é tão lindo, Ruivo. É difícil para alguém como eu acreditar que um príncipe como você, estaria apaixonado por mim. Mais difícil ainda, que preferisse a mim, em vez da loira esnobe.  Principalmente porque você… conhece meu passado.- Seus olhos ficaram tristes. O Ruivo tomou o rosto dela entre as mãos.

__Ei! Eu amo você. Do jeito que você é, com todos os seus traumas e vitórias. Amo você Diana.- Diana disse num sussurro.

-__Eu também.- O coração do Ruivo parou. Ele perguntou num sopro.

__O que disse?

__Disse que te amo. Foi isso que descobri quando entrei e te vi tão triste.- Ele falou devagar, muito compassado, como se estivesse com medo que ela mudasse de ideia.

__Jura? Você me ama? Tem certeza? Então, não vai mais querer me deixar?-Ela balançou a cabeça, emocionada, lágrimas escorrendo de seus olhos também. Ele enxugou o rosto dela com os dedos.- Minha linda. Eu te amo tanto.- Beijou-a. Já sabia como era maravilhoso beijar Diana, mas aquele beijo foi diferente. Com o coração desgovernado dentro do peito, sentiu-se o mais poderoso dos homens ao percebe-la se entregando a ele. Sim ela o amava. Talvez timidamente, ou prudentemente ainda   não tão loucamente como ele, mas pode sentir seu amor. Era chegada hora de voltar a ser o Ruivo guerreiro de sempre. Como todos os Medeiros, ele sabia lutar pelo queria, pelo seu amor. Acariciou o rosto de sua amada.-  Minha linda Diana, se você me ama, então case-se comigo?

__Casar?- Parecia assustada.

__Sim.- Ruivo se encheu de coragem, não ia desistir agora, ganharia essa batalha a todo custo.- Diana, eu amo você. Quase morri de desespero nas últimas  24 horas. Não posso correr esse risco de novo. Se me ama, nem que seja só um pouco, case comigo? Por favor?- Ela o olhou emocionada. Sorriu. Ainda parecia meio em dúvida.

__Sua amiga Georgia não vai achar graça nisso.- O Ruivo sorriu.- Eu tenho que falar com Alex antes, mas talvez, bem eu acho que…aceito.

__Mesmo?- Apertou-a com força, ainda surpreso. Beijou-a.- Ah Diana. Quase me matou de dor ontem. E agora… Me devolveu a vida, sabia? Eu te amo tanto, tanto.- Beijou-a outra vez.- Deixe comigo. Falarei com Alex.-Ela ia reclamar mas.- Por favor deixe-me falar com ele.- Pareceu tão seguro. Depois de tudo que tinha acontecido, ele merecia um crédito. Só pode beija-lo de novo. Quando saíram no corredor, a uma pequena distância avistaram Beto e Ben, nervosos, esperando. Diana entendeu que se algo desse errado, eles estariam ali, para consolar o Ruivo. Amou ainda mais essa família tão protetora. Os homens olharam para eles, e não foi necessário dizer nada. Eles já sabiam que estava tudo bem. Mesmo assim o pai se adiantou:

__Está tudo bem?- Perguntou Beto já sorrindo. Eles também sorriram.

__Sim, vamos nos casar.-Disse O Ruivo de uma vez.

__Graças a Deus! – Disse Ben. Ele parecia mesmo muito aliviado.  Passou na frente do pai e abraçou seu irmão apertado. Olhou Diana e disse.- Cuide dele, por favor, é uma parte de mim, não consigo ser feliz se ele estiver ferido. Não deixe ele sofrer.- Diana olhou o grande advogado e viu apenas um belo menino, defendendo o irmão mais velho.

__Não se preocupe Ben, amo seu irmão, isso não vai mais acontecer. Prometo. – Só então percebeu a presença de Nina e Clara, e Alex chegando. Ela olhou para seu filho, queria contar sobre o casamento antes de continuar com tudo.

__Está tudo bem mãe?- Alex sempre esperto.

__Na verdade filho, quero te contar uma coisa.- O Ruivo tomou sua frente dizendo.

__ Alex, gostaria de falar com você.- Alex desconfiou. Sua mãe chegou perto do Ruivo o olhou.

__Vocês resolveram se casar?- O garoto era mesmo inteligente.

__Sim. Quero me casar com sua mãe, pedi a ela ainda a pouco, ela aceitou, mas disse que precisava falar com você antes. Pedi a ela que me deixasse falar contigo.- Ruivo olhou Alex nos olhos.- Somos homens, amamos as mesmas mulheres. Você ama a sua mãe e a minha irmã, eu também. Respeito seus sentimentos pelas duas, e sei que você respeita os meus. Isso nunca interferiu na nossa amizade. Mas agora eu quero fazer parte de sua família. Quero ser marido da sua mãe. Eu nunca amarei outra mulher como amo Diana, Alex. Não tenho outra solução além de me casar com ela. Sei que pode me entender.  Imagino que não fara nenhuma birra quanto a isso.- Sorriu para ele e para seus parentes todos emocionados no corredor.- Mas tem outra coisa que quero te  lhe dizer. Eu quero ser seu pai.- Diana o olhou assustada.- Não falei disso com sua mãe ainda. Queria saber a sua opinião primeiro. Já tinha falado com Ben.- Ben balançou a cabeça afirmando.- Ele disse que posso colocar meu nome em sua certidão de nascimento, você será meu filho reconhecido. Eu quero muito isso, muito mesmo, mas aceito se não quiser. Seja como for, já é meu filho no meu coração, e isso não vai mudar. – O garoto começou devagar.

__Já sabia que amava minha mãe, que estaria disposto a se casar com ela, mas não sabia que queria ser meu…pai.- Alex pareceu emocionado.- Porque?

__Já disse, porque amo você como meu filho. E quem não quer um filho gênio da eletrônica?- Riu.-  Alex me escute , todos os Medeiros neste corredor gostariam de ser seu pai. Eu tenho mais chance, já que estou quase convencendo sua mãe a se casar comigo. -Sorriu se aproximou mais do rapaz.- Eu amo você garoto, você sabe disso. Mesmo que não tivermos os papéis, você já é meu filho. Eu apenas gostaria de regularizar as coisas. Ben pode resolver isso, se você deixar.- Os olhos do Alex se encheram de lágrimas.

__Não se acha muito jovem para ter um filho da minha idade? – Os Medeiros riram.-Você pode ter outros filhos. Seus próprios filhos com minha mãe.

__ Sim, mas quero muito ‘este filho’, sei que você terá paciência com minha falta de experiência. Deixa eu cuidar de você? Não precisa me chamar de pai, só se quiser, é claro. Vamos garoto, deixa eu ser seu pai? – Alex  olhou para Clara que sorria, para sua mãe tão surpresa quanto ele, depois para Nina e Beto que pareciam esperar ansiosos pela decisão, em seguida nos olhos cor de esmeralda de seu melhor amigo. O homem que estava pedindo para ser seu pai. Correu para os braços do Ruivo.

__Eu quero ser seu filho. Quem não quer um pai Ruivo? – Todos riram.- Ruivo…vai cuidar da minha mãe, né?

__Com minha vida, filho.- Repetiu as palavras de Alex no dia que pediu para que ele cuidasse de Clara. Alex se lembrou.- Foi você que convenceu sua mãe a vir me ver hoje, não foi?

_ Ela precisava de um empurrãozinho.- Sorriu . O Ruivo o apertou em seus braços.

– Nunca poderei lhe agradecer o suficiente por isso, garoto. Amo muito sua mãe, me daria a mão dela?- Alex balançou a cabeça sorrindo. Diana via toda a cena sem conseguir falar nada. Quando os homens se aprumaram, o Ruivo se ajoelhou na frente de Diana diante de todos e disse:

__Minha linda, nunca pensei que amaria tanto assim. Vi esse tipo de amor como padrão durante toda a minha vida, mas sempre achei que não encontraria a minha metade. Mas enfim, você chegou. Os homens de minha família amam a mesma mulher para sempre, por favor me permita estar perto de você durante a minha vida, já que ela será sua. Imploro que me deixe amar e cuidar de você, e do nosso filho. Por favor, case-se comigo?-Tirou do bolso uma caixinha branca da joalheria, abriu. Dentro um anel de noivado de ouro branco, cravejado em toda a volta com brilhantes e em cima uma esmeralda de corte redondo, da cor dos olhos do Ruivo, rodeada por pequenos diamantes. Uma peça delicada, sofisticada, muito cara, feita sob medida.

__Você mandou fazer este anel?

__Faz tempo que quero casar com você.- E sorriu.- Você ainda não respondeu, amor.- Diana balançou a cabeça e lágrimas rolaram por seu rosto bonito. Ele colocou o anel e se levantou para beija-la. Muito emocionado.

__Não vi você pegar o anel no cofre filho?- Disse Nina, enxugando as lágrimas de alegria..- Quando tirou de lá.

__Está manhã.- Sorriu.- Pensei que ele pudesse me ajudar a enfrentar meu pesadelo.- Abraçou Diana.- Não podia imaginar como ele me faria feliz hoje.- Beijou o anel na mão de Diana.

As irmãs de Diana ficaram em êxtase. O restante da família então nem se fala. Diana não queria um casamento tão grande e chique como o de Liv, e o Ruivo não queria um casamento no quintal de casa, como o de Jorge. Mas tinha uma coisa que ambos concordavam, não queriam esperar muito. No almoço da família na casa de Vovô Rodolfo, o esperto idoso teve uma ideia.

__O que acham de se casar na Espanha?- Diante da surpresa de todos o senhor explicou.- Tenho um amigo que está abrindo um hotel na Espanha, no mês de janeiro. Ele me convidou para testar as acomodações e os passeios oferecidos em seus pacotes. Ele me disse para levar toda a família. Segundo ele, temos pessoas de faixa etária e profissões diferentes. Muitos são viajados e podem comparar, outros podem dar a visão da primeira estadia. Teríamos passe livre por um mês. Se quiserem falo com ele, com certeza vai encanta-lo preparar um casamento pequeno. Podemos aproveitar e ficar as férias por lá. Ben pode conseguir os documentos de todos.

__Seria perfeito vovô! – O Ruivo estava animado.

__Acho muito bonito e romântico, mas como faríamos isso? Tem o colégio, o orfanato e os outros empregos.- Olhou suas irmãs e seus cunhados. – E tem passaporte e passagens.

–Quanto aos passaportes e documentações, só preciso dos documentos de todos.- Disse Ben. E Jorge.

__Quanto ao orfanato, já sei a quem procurar para cuidar de tudo enquanto estivermos fora.

__E quanto ao meu trabalho estou com férias vencidas a tempo. Disse Xande. -E Cunha.

__Meu chefe já me designou as férias para janeiro.- Sorriu.- E as de Deise vão coincidir.

__As minhas são para abril, mas posso dar um jeito e trocar com outro magistrado, é um caso especial todos vão compreender.-Disse Dalia

__As escolas estarão de ressesso, a as passagens serão presente desse vovô aqui.- Sorriu.- Já que não poderei dar a lua de mel de presente como dei ao Ben. Façam uma lista de todos e mandem para mim, o mais rápido possível. E noiva, faça uma lista do que quer para o casamento, flores, doces, músicas essas coisas. Para que eu possa mandar para o Enrico.- De repente viu que aquilo ia mesmo acontecer. Ia se casar no próximo mês, na Espanha, em um hotel muito pitoresco, com um príncipe de cabelos vermelhos.__

__Quero me casar de manhã.- O Ruivo não sabia, mas gostou da ideia na hora.

__Quer que seja nos jardins do hotel, e que almocemos entre as flores?- Ele tinha entendido, ela balançou a cabeça. Ele sorriu.- Pode deixar comigo vovô, mandarei tudo para o senhor, amanhã. Pode pedir para o Enrico mandar as fotos do hotel para escolhermos o lugar da cerimonia?

_ Gente alguém me belisca, eu vou para a Espanha, para o casamento da minha mãe!- Todos riram.