O Namorado

Capitulo 15
Doutora Gislaine passou a fazer parte da vida do Medeiros. Nove grávidas na mesma família uniria qualquer profissional. Sofia, Clara, Lú, Ritinha visitavam o consultório as terças de manhã, uma vez por mês. Um pré natal muito normal. Chegavam juntas no carro de Clara. Quando conseguiam convercer Gigiu que podiam andar sozinhas. Na verdade o primo italiano estava bem interessado na competente obstetra, diga-se de passagem.Quando tinham uma ultrassom ou outro exame, iam com os maridos no dia escolhido pela médica que de certa forma, também parecia um pouco interessada no belo arquiteto. Diana e Liv iam juntas com Ben na quarta a cada duas semanas, visto que as gestações múltiplas precisavam de mais cuidados e Diana tinha um histórico e fosse a mais velha, a doutora achou melhor acompanha-las assim, embora a gestação delas estava tão saudável quanto as das meninas. Ruivo ia com Diana a todos os exames, e uma vez no mês na consulta no lugar de Ben. Alana com trigêmeos, Mari com gêmeos as duas na primeira gestação, visitavam o consultório duas vezes no mês. Rody as levava. Quincas ia aos exames de Mari e sempre que podia encontrava ela lá no consultório. Já com Alice, a coisa era um pouco mais complicada. Ela ia ao consultório uma vez por mês, na quinta feira de manhã, fazia uma ultrassom no mesmo dia, mas todas as semanas Doutora Gislaine ia a casa dela para examina-la, colher material para exames de sangue e outros. A gravidez dela era mesmo de risco. O repouso absoluto era mesmo necessário. Isso explicava porque durante vinte anos ela não quis tentar novamente. Alex deu a médica acesso a seu equipamento para monitorar todas as grávidas, mas principalmente, Alice. Tudo estava muito bem, bem até de mais. Então na primeira semana do sétimo mês dela, Alice acordou Jorge.
__Jorge. Acho que ele quer nascer, hoje.- Disse calma. Jorge acendeu a luz e viu uma mancha de sangue enorme na cama. Deveria ter enlouquecido, mas simplesmente ligou para a médica e disse que estava chegando com Alice em trabalho de parto. 2 horas depois, o bebê estava na incubadora. Um mês depois papai , mamãe e bebê estavam felizes em casa. Então foi a vez de Liv entrar em trabalho de parto duas semanas antes do previsto, quando ela estava na escola de artes, no meio de uma de suas aulas.
__ Mamãe!- Disse para Lia.- Preciso ir para o hospital. Por favor, vamos com calma, não quero assustar todo mundo.
__Certo.- Lia olhou em volta. Rick estava na diretoria, cobrindo Alice. Pegou sua bolsa e foi saindo discretamente para o estacionamento. Na saída do elevador encontrou Quincas que tinha vindo trazer Mari da consulta.- Oi querido, que bom que encontramos você, precisamos ir para o hospital agora. Liv vai ter os gêmeos.
__Mas eu pensei que fosse daqui a duas semanas?- Disse com os olhos arregalados por detrás dos óculos.
__Verdade. Mas nem sempre os bebês obedecem os cronogramas.- Riu.- Precisamos chegar lá logo. Não chamei Rick, porque ele está em uma reunião no lugar de Alice. Tinha pensado em pegar um táxi.
__Imagine! Eu estou aqui. Levo vocês , vamos.- Entraram no carro e Quincas guiou rápido e seguro para o Consolação. Lia chamou a Doutora Gislane e a pediatra enquanto estavam no carro explicando tudo. Avisou Rick e Alex, que já estavam ligando atrás delas.
__Estranho Ben já não estar entrando correndo pela porta do hospital.- Disse Lia rindo para Liv.
__Ele tem tribunal hoje. Deve estar com o celular desligado.
__Devemos avisar, ou esperamos que ele ligue?
__Espere. Por favor.- Disse ela deitando na maca.
__Senhora?- Disse Quincas.- Ele vai enlouquecer quando souber que trouxemos a senhora para cá sem avisa-lo.- Liv sorriu, acariciou o rosto de seu genro.
__Ele vai enlouquecer de qualquer jeito. É melhor que já tenha terminado seu trabalho. Se continuar assim, o parto não vai ser rápido. A doutora não vai permitir a entrada dele no centro cirúrgico desta vez. A equipe vai ser maior por precaução. Avisem tio Beto e o Ruivo, eles sabem como controlar Ben.- Olhou sua mãe, um medo escondido nos olhos cor de céu.- Mamãe, se alguma coisa não der certo, cuide de meus meninos, por favor. Principalmente de Ben.
__Vai dar tudo certo!- A voz veio pela direita rompendo todo o saguão. Ben foi firme seguro, como quando estava no tribunal. O grande guerreiro ruivo, o falcão. Liv sorriu para ele. Ben sempre foi sua força, embora ele achasse o contrário. Ele percorreu o caminho num vento. Beijou-a, colocou a mão sobre a barriga inchada e rígida.- Vocês já começaram muito bem, hein crianças?- Riu.- Desobedecendo o papai e querendo chegar enquanto não estou por perto? Não tínhamos combinado que vocês iam seguir as ordens da médica e esperar mais duas semanas?- Beijou a barriga dura. Na hora as contrações pararam.- Fiquem tranquilos, venham com calma, mamãe vai ajudar vocês a nascer, ela sabe o que está fazendo. Doutora Gislaine também, obedeçam elas. Estou aqui, esperando vocês.- Olhou nos olhos dela.- Acha que vão me deixar entrar?- Sorriu confiante.
__Doutor Benjamim.- Disse Doutora Gislaine.- Como já combinamos, é melhor o senhor esperar aqui. Assim que possível eu mando chama-lo. Olha, o senhor já ajudou bastante, estabilizou as contrações dela. – Sorriu. — Vai ficar tudo bem.- Ele beijou Liv novamente.
__Vai, minha vida. Estarei aqui.- Liv olhou sua mãe e Quincas e sorriu. Olhou seu marido certa de tudo daria certo.
__Ok. Volto logo, nada de bagunça na minha ausência.- Riu. A equipe a levou, um frio tomou conta do falcão. Um pavor de perder sua razão de viver. Lia o abraçou. Conhecia Ben por toda a vida dele. Sabia que ele estava apavorado.
__Tia, vai dar tudo certo né? Não vou perde-la, certo? Diz tia Lia, diz que não vou perde-la, pelo amor de Deus?
__Não vai, meu querido.- Disse emocionada, num fio de voz.
__É claro que não vai!- Disse o Ruivo chegando com Beto. Ben abraçou seu irmão e chorou.- Ei! O que é isso? Vai assustar Quincas. Pior, vai perder todo o respeito. Como vai bancar o papai sabichão chorando desse jeito?- Esfregou as costas de seu irmão.- Sabe que ela é muito forte, é uma bailarina. Parece frágil e delicada, mas já passou por outras três gestações com muito sucesso. Vamos, respire homem! Vai sufocar!
__Não posso perdê-la, Ruivo. Sabe que não posso.- Soluçou.
__Isso não vai acontecer.- Sorriu.- Você sempre fica apavorado assim. Depois ela sorri junto com os bebês toda poderosa como um falcão e você se derrete todo.
__Antes eramos mais jovens. E me deixaram ficar com ela. Dessa vez…
__É melhor assim. Vai ter muita gente na sala.- Disse Beto.- Não sei como você consegue ver todo o processo. Eu desmaio só de pensar.- Esfregou as costas do filho.- Fique calmo. Vai dar certo. Tenha fé, meu guerreiro.- Quincas chegou perto deles.
__O senhor assistiu os outros partos? Como foi?- Ben respirou e passou a contar como tudo tinha acontecido. Lia percebeu que a intenção de Quincas era distrair o sogro. Conseguiu. Logo vários falcões estavam na ante sala. Menos Jorge que estava com Alice e o bebê. E as grávidas que foram aconselhadas a esperar em casa. Uma hora depois duas enfermeiras apareceram no corredor com duas trouxinhas acompanhadas pela pediatra.
__Doutor Benjamin, estes são seus bebês.- Disse Doutora Lisandra apontando as enfermeiras. Ben chegou perto já pegando os dois bebês ao mesmo tempo e trazendo para perto de seu peito. Olhou nos olhinhos sonolentos, ambos verdes como os dele, os cabelinhos negros como os de Liv. Eram muito parecidos.
__O garoto pesou 2300 e mediu 53 centímetro, a menina é só um pouquinho menor pesou 2250 e mediu 50 centímetro. Nem parecem de 37 semanas. Estão muito bem, e pelo visto já reconheceram o papai.- A pediatra sorriu.- Não estavam tão quietinhos antes.- Ben beijou os dois.
__Oi bebezinhos, estão cansados? Devem ter se esforçado muito, eu sei. Mas não durmam ainda. Esperem um pouco venham conhecer seus parentes. Esta linda que parece a mamãe, é a vovó Lia, esse grandalhão, é o vovô Beto meu pai, esse que parece o papai, é tio Ruivo, meu irmão. Este bonito de olhos âmbar, é Cisco, marido de sua irmã Lú, e este de óculos é Quincas, marido de Mari, sua outra irmã. Vovó Nina, é a ruiva bonitona e aquele chegando correndo ali, é seu vovô Rick, o papai da mamãe. Suas irmãs não puderam estar aqui, e seus irmão são pequenos, talvez não venham hoje, mas estão todos loucos para encontrar vocês.- Os pequenos sorriram juntos.- Sabe, seu tio Jorge tinha esse costume, de sorrir junto com sua mãe. Eles também nasceram no mesmo dia.- Neste momento Jorge chegou. Tinha deixado sua amada e seu bebê aos cuidados de sua sogra e veio conhecer os gêmeos de sua irmã. O casal que nasceu junto, como ele e sua amada irmãzinha. Quando olhou seu primo e cunhado com os pequeninos no colo, sorriu com os olhos cheios de lágrimas. Foi se aproximando devagar.- Olhe quem chegou! Seu tio gêmeo de sua mãe.- Jorge chorou.
__Deus! São lindos, Ben.- Suspirou.
__Pode me fazer um favor? Preciso entrar para ver Liv. Pode ficar com eles só por uns minutos para mim?- Jorge Chorou ainda mais.
__Claro.- Pegou os dois exatamente igual Ben tinha feito. Ben beijou de novo os bebês.
__ Ruivo, pode por favor ajuda-lo?- Ruivo não tinha voz. Só afirmou emocionado. Ben voltou-se para seus bebês.- Fiquem quietinhos com seus titios, vou ver mamãe, já volto.- Beijou o rosto de Jorge e o de Ruivo ao lado dele, e correu pelo corredor atrás da médica que o levaria para o ver o fim da cirurgia.
__Gente! Isso foi muito emocionante.- Disse Cisco.
__Nem me diga!- Disse Quincas.- Sabia que ele era um pai maravilhoso, mas nunca poderia imaginar isso. Os bebês entendem ele.
__É como Liv disse antes.- Disse Beto.- Ele nasceu para ser pai. Ele ama isso.
__Mas ele estava apavorado antes de vocês chegarem.- Disse Quincas.
__Ele tem muito, muito medo de perde-la.- Disse o Ruivo com a voz ainda embargada.-
__Tem medo de não suportar?- Perguntou o genro preocupado.-
__Não.- Disse Ruivo chegando perto dos novos sobrinhos.- Ben é muito protetor, seus instintos não permitiriam que ele sucumbisse. Ele tem os outros meninos e agora os bebês, sem contar as meninas e vocês. Ele sobreviveria. É esse o medo dele. Ter que viver sem Liv. Ter que suportar esse sofrimento. Sobreviver sem o coração dentro do peito outra vez.
__Ele é o falcão mais resistente de nossa geração.- Disse Jorge.- Lutaria por essas crianças até o fim. Enquanto nenhum de nós sobreviveria nem cinco minutos sem sua amada, exatamente como nosso avô, ele suportaria tudo por seus filhos. Ele sabe disso.
__Ele conhece essa dor, Quincas.- Disse Rody.- Já passou por ela antes. Ele sempre foi apaixonado por ela, mas Liv não quis ficar com ele no começo. Ele ouviu ela dizer que não o queria, que ele era só um irmão, um primo amado.
__Isso destruiu o coração dele.- Disse Rick.- Mesmo assim ele lutou pela felicidade dela. Ela queria que ele fosse um primo, foi o que ele foi. Lutou ferozmente por isso. Com o peito em carne viva.
__É isso que não quer passar isso novamente, Quincas.- Disse Beto.- Ele diz que não pode viver sem ela, que não poderia suportar, mas se existe um falcão de nascimento que pode resistir a esse martírio, esse é Ben. Ele já fez isso antes, e sem a ajuda dos outros falcões. Nós não sabíamos dos sentimentos dele, no máximo, desconfiávamos. Ele sofreu muito e sozinho. Por isso todo esse pavor.
__ Muitas vezes achei que era meio exagero dele, me parecia tão dramático, até que estive na mesma situação.- Disse Cisco e sorriu solidário.- Ele é mesmo muito valente. Não sei o que seria de mim se Lú realmente estivesse doente ano passado. Ben já me disse várias vezes, que prefere a morte a viver sem Liv.
__Verdade?- Perguntou Quincas.
__Sim.- Disse Lia.- Ben sempre foi muito parecido com Rick. Doce e valente. Desde menino percebi que ele amava Liv. Liv sempre foi muito parecida comigo, só um pouco mais calada. Sempre foi claro o amor dele por ela para mim, mas ela parecia não entender. Nem perceber que também o amava. Depois que ela foi estudar fora com Jorge, a dor nos olhos dele só aumentou. Principalmente depois das férias, quando ele se declarou. O esforço que fazia para manter tudo como antes era monstruoso. Ele sempre estava correndo, ocupado, no trabalho, na faculdade, com consultorias. Mas era só as férias chegarem para ficar evidente o pavor dele de encontra-la.- Riu.- Ou a necessidade de vê-la, ou medo de deixa-la depois. Ele fazia parecer que tudo estava bem, mas quando a olhava, furtivamente, a respiração dele mudava. Então Liv voltou.- Lia sorriu.- Ele até que suportou quase dois anos.- Riu.
__Foi bem bonito a primeira vez que os vi juntos.- Disse Nina.- Nunca tinha visto meu filho tão feliz. Foi quase tão bonito quanto quando vi ele ajoelhado no meio da sala de Liv, cheia de bailarinos, pedindo ela em casamento. Parecia cena de filme.- Suspirou.- Já se passaram quantos? 25 anos?
__20.- Disse Ben sorrindo.- Pare de falar assim, mamãe, pareço um velho.- Beijou seus pequenos. Tomou-os novamente.- A sua mamãe, que não é tão exagerada quanto a minha, já está indo para o quarto. Linda como sempre. Perguntou por vocês. Mas ela está muito cansada. Então nós três vamos ter que ficar bem quietinhos ou a médica vai nos expulsar de lá.- Os olhinhos verdes ficavam grudados nele.- Bem, para dizer a verdade, vocês ela não vai expulsar, mas eu é quase certo.- Riu.
__Mas o que é isso Doutor Ben?- Disse Gislaine a médica.- Jogando os pequenos contra mim?- Ela sorriu.- Parabéns, Doutor. Tem lindos e saudáveis filhos. E tem uma esposa muito forte. Ela surpreendeu a mim também. – Virou para a família.- Dona Olivia está muito bem. Está descansando.
__Podemos vê-la?- perguntou Lia.
__Sim, dona Lucélia. Mas um de cada vez. Já que eu vou ter que manter esses três lá dentro.- Apontou Ben e os bebês.
__Papai!- Eram Caio, Calebe, Mari e Lú. Gigio tinha trazido eles. Correram para Ben.
__Ei. Não falem muito alto. Se não assustam os pequeninos.- Ben se abaixou com os bebês e seus meninos puderam vê-los.
__São tão bonitinhos.- Disse Calebe.- Eles tem olhos iguais aos nossos papai.
__Estavam dentro da mamãe?- Perguntou Caio.- Eu também era pequeno assim?
__Sim.- Disse Ben.- Mas cresceu rapidinho. Eles também vão.
__Olhe Lú.- disse Mari.- Os dois tem cabelos pretinhos.
__São lindos.- Olhou seu pai.- Parabéns papai. Como está a mamãe?
__Muito bem. Podem vê-la, mas um de cada vez. Quer dizer, acho no caso de vocês podem ter exceções.- Disse olhando as barrigas enormes de suas filhas.Todos riram.- Se sentem bem?- Disse preocupado com elas.- Não sei se tudo isso faz bem para vocês? Talvez fosse melhor esperarem em casa.
__Desculpe, primo.- Disse Gigio, com Mateus no colo.- Mas eu passei na escola por acaso e achei que não teria problema… É que eu não consigo me controlar quando um de meus sobrinhos está nascendo. Perdoe-me.
__Tudo bem.- Disse Ben sorrindo.
__Tudo bem, mesmo.- Disse Gislaine.- Elas estão bem, só não devem se agitar. Já percebemos que esses pequenos falcões são apressados.
__Não são apressados.- Disse Caio.- Só queriam ficar com a gente logo. Né papai?
__Tem razão.- Disse Ben carinhoso.- Sabe do que acabo de me lembrar? Vou precisar de um irmão muito esperto, para vigiar esses dois. Acha que Calebe faria isso?
__Não papai. Calebe já cuida de mim. E combinamos que vamos nos revesar para cuidar dos sobrinhos. Eu sou irmão mais velho agora, posso cuidar deles.
__Verdade. Agora você é um irmão mais velho. Mas eles são dois. O que acham de os dois cuidarem dos pequenos? Assim sobra mais tempo para cuidarem dos quatro sobrinhos também.- O pequeno Caio pareceu entender a lógica e concordar com tudo.
__Eu concordo.- Disse Calebe.- São muitos, vamos precisar ser bem expertos mesmo. Talvez, Pérola seja bem boazinha como a Lú, mas acho que os meninos todos serão tão bagunceiros quanto Caio. Vê como Mateus é arteiro. Não para um segundo.
__Eu não sou bagunceiro.- Riu.- Bem só um pouco.- Mais risadas de todos.
__Ei Calebe!- Disse Cisco rindo pegando seu filho no colo.- Não fale mal do meu filho.- beijou seu fofo que sorriu feliz para o pai.- Ele é um docinho. Só se parece comigo, ué! Igual você que se parece com seu pai.
__Não tô falando mal. Ele é menino, né?- Agora até as médicas tiveram que rir.
__Estou com um grave problema.- Disse Rody.- Terei mais três meninos daqui uns dias. Davi é muito pequeno para cuidar deles, nem vou falar que é bagunceiro também. Será que os outros guardiões dos falcões podem me ajudar?- Os dois pensaram como se fossem resolver um problema de estado.
__Acho que sim. Lube, Luke e Luca, só terão Elisabete para cuidar. Mesmo que ela se pareça com Clara que é menina, mas também não para quieta, ela é só uma.- Caio olhou Alex.-É só uma mesmo, né?- Cada segundo que passava tudo ficava mais divertido.
__Até ontem era só uma. Mas sabe como Clara é surpreendente. Não garanto nada.
__Se for só uma mesmo.- Disse Calebe esquematizando tudo.- Eles podem te ajudar. Marco e Sasha também, eles são até maiores. E tem Pietro, Giordano já está bem grandinho, pode cuidar de Guilhermo. Vai precisar combinar direitinho com eles.
__Muito obrigado pela dica. Vou falar com eles.
__É sempre bom ter especialistas.- Disse Jorge.- Vou ter que falar com os guardiões também. Artur não tem nenhum irmãozinho em casa para vigia-lo.
__Mas nem vai precisar.- Disse Calebe.- Vovô Aline não sai de perto dele nem um minuto.
__É mesmo.- Disse Caio.- Nem queria me deixar pega-lo. Disse que sou muito pequeno.- Olhou seu pai.- Papai, vou poder pegar Pérola e Pedro? É que não cresci muito desde que Artur nasceu.
__Vai. Mas vamos esperar estarmos em casa. Lá ensino você.- Disse Ben tranquilo.
__Vai ser fácil.- Disse Calebe.- Papai me ensinou a pegar você quando nasceu. Eu era do seu tamanho.
__Eu era menor.- Disse Cisco com os olhos brilhando para Ben.- Seu pai me ensinou a pegar suas irmãs no colo, era mais novo que você Caio.
__Lembra disso?- Disse Ben sorrindo.- Era tão pequeno?
__Jamais esquecerei. Aprendi direitinho. Nunca derrubei nenhuma delas. E nem Mateus.
__Por isso que Lù gosta tanto de ficar no seu colo.- Disse Caio.- Você pega ela desde bebê.- Todos riram outra vez, enquanto Cisco beijava sua esposa.
__Doutora. _ Disse Rick.- Será que já podemos ver, minha filha?
__É doutora?- Disse Caio.- Podemos ver mamãe?- A médica sorriu para o lindo e sorridente garoto de profundos olhos negros.
__Se prometerem ficar bem quietinhos, igual os gêmeos prometeram, podem entrar junto com seu pai.
__Eles prometeram para a senhora?- Parecia bem surpreso.- A senhora também fala com eles igual o papai?- Não tinha quem não se encantava com esse pequenino.
__Não. Na verdade eles prometeram para seu pai. E então? Temos um trato?- Os dois meninos responderam que sim. E foram todos ver Liv. Três dias depois, ela e seus gêmeos estavam em casa recebendo seus parentes e amigos com muita alegria.
Depois disso, na semana seguinte, todos os bebês resolveram quebrar o cronograma. Nasceram todos com diferença de dias uns dos outros. Dentro de duas semanas todos os bebês únicos nasceram. Uns adiantaram dias, outros semanas, mas todos estavam aí, saudáveis e fazendo seus pais babarem. O último a nascer foi Miguel, de Lú e Cisco, a cara de seu irmãozinho Mateus, inclusive os olhinhos cor de céu como os de Liv. Para o tempo determinado, apenas os trigêmeos de Alana e Rody e os gêmeos de Mari e Quincas que nasceram por último, Rafael e Gabriel. Gigio e Giu acabaram por construir mesmo o tal berçário nos fundos da Chácara das Flores. Rick brincava que tinham mais crianças em seu quintal, que no orfanato de Jorge. Os gêmeos de Mari eram iguaizinhos, a cara de Quincas, mas com lindo olhos verdes como a mãe. Ele que não tinha ninguém no mundo, agora tinha uma linda esposa e filhos que eram a sua cara. Sem contar todos os falcões, e seu sogro que considerava quase um pai. Cisco, que começou apenas como coadjuvante numa história de amor, vivia seu romance com a pequena bailarina intensamente, seus dois bebês com pouco mais de um ano de diferença de idade, provavam isso. E Rody estava nas nuvens. No dia que foi pegar Alana na faculdade, quase 7 anos antes, tinha feito todos os planos para pedi-la em casamento, mas foi surpreendido pela decisão dela de terminar o namoro. Pensou que seu mundo tinha deixado de existir. Implorou com ela nos braços que aquilo não fosse de verdade. Pediu a Deus por forças para deixa-la sair do carro naquele dia. Quando ela entrou com o Paulo na cozinha do restaurante, seu coração parou de bater. E parou de novo quando viu Antonio beija-la. E outra vez quando entrou no navio deixando seu amor para trás. E de novo quando ouviu Jorge dizer que ela ia se casar com Antonio. Quando achou que estava mesmo perdido, que seu pobre coração nunca mais fosse bater direito de novo, Alana correu para ele no jardim de Ben. Se jogou em seus braços e se fundiu em seu corpo dando-lhe vida novamente. O que faria sem essa mulher? Olhando seus filhos brincando no jardim da casinha azul, se sentia o homem mais feliz do universo. Seu Chinesinho tinha 3 anos agora, os trigêmeos tinham quase dois. Eram exatamente iguais, e idênticos ao pai com apenas uma diferença, todos tinham os olhos âmbar de Alana. Olhou por cima do muro baixo da frente da casa, um carro grande todo preto com os vidros escuros estava parado esperando um caminhão manobrar. O vidro desceu um pouco e Rody deu um pequeno sorriso ao reconhecer os cabelos compridos presos num rabo de cavalo. O homem virou o rosto por uns momentos fixando o olhar por trás dos óculos de sol no jardim. Ele também esboçou um pequeno sorriso. A cena não durou nem 2 minutos, mas Rody sabia quem estava vigiando seu pequeno chinesinho. Um pai que o amava tanto quanto ele. Os pequenos riam de algo, quando sua linda mãe saiu da casa trazendo garrafinhas de suco para eles. Eles amavam suco. E Alana amava cuidar de seus filhos. Quando notou que seu eterno namorado a observava, sorriu para ele e correu pelo gramado até seus braços, seguida por quatro menininhos que amavam seu pai com a mesma intensidade que Alana amava seu marido. Seus bebês não tinham problemas na audição e já sabiam falar várias palavras. Davi ensinava os trigêmeos com muita animação uma nova palavra quebra-cabeça, e ria das tentativas engraçadas de falar o nome do brinquedo que estavam montando. Daniel, o mais velho logo conseguiu, errou só uma vez. Samuel, o do meio errou mais, mas ria a cada tentativa, por fim conseguiu. Já Emanuel, preguiçoso nem tentava só ria junto com Davi.
__Muito bem. Então aprenderam o nome do brinquedo? Vamos falar para a mamãe e pedir que nos ensine em sinais?_ Os garotinhos sentaram na frente de Alana e disseram juntos. Alana fez os sinais devagar e repetiu até que eles conseguissem imita-la. Depois sorriu e bateu palmas felicitando os meninos. Os quatro sorriram juntos e depois de beijarem o rosto dela, correram para terminar a brincadeira.
__Viu o carro parado na rua ainda há pouco?_ Perguntou ela._ Era Shiro?
__Sim. Ele foi discreto como sempre.- Olhou sua amada.- Você está linda.- Beijou-a.- Alana, quero ter outro filho. Quero uma menina. Uma garotinha.- Alana sorriu.-
–Mesmo que eu engravide logo, não temos como ter certeza que será uma menina.
__Eu não disse engravidar.- Sorriu para ela. Alana amou esse homem ainda mais.
__Porque quer adotar outra criança?
__Porque sou muito carente.- Sorriu mais.- Quero ter uma menininha que olhe para mim como você olha para meu irmão. Como se eu fosse um príncipe um cavaleiro defensor. Não tem nenhuma garotinha chegando no orfanato? Não precisa ser bebe pode ser um pouco maior, não tem?
__Vamos precisar de outro quarto.
__Eu perguntei aos primos, eles disseram que a casa tem boa estrutura, mas se quisermos, podemos só fazer um quarto no sótão. Eles falaram que dá para fazer uma escada melhor de acesso e até um banheiro. Podemos ficar lá e deixar o quarto ao lado do dos meninos para ela. Que tal?
__Você falou com os primos?
__Sim. Eu perguntei também de uma casa na árvore. Eles falaram que a nossa é perfeita. Me deram alguns projetos. Eu pensei em fazer de presente para os meninos? O que acha?- Alana sorriu, abraçou seu lindo eterno namorado.
__O que mais você andou maquinando?
__Bem, pensei em fazer uma piscina, uma não muito grande para não estragar seu jardim. Mas uma para as crianças brincarem juntas quando estão aqui.
__Você é maravilhoso.- Beijou-o.- Vou colocar nossos nomes na lista para adoção. Preencherei os papéis, depois procurarei uma garotinha para você amar. Mas devo avisar que talvez demore um pouco, e que o quarto precisa estar pronto antes dela chegar.- Seis meses depois todas as reformas estavam prontas, casa na árvore, piscina no jardim, quarto do casal no sótão e um lindo quartinho de princesa rosa chá do lado do quarto azul dos meninos. Que a essa altura, com 4 e 3 anos dormiam todos em beliches modernas muito alegres e cheias de compartimentos para guardar seus pertences. Mas a linda princesinha ainda não tinha sido encontrada. Então o telefone tocou, era o número de Alex.
__Oi Alex, tudo bem?
__Rody, é Eliana, estou falando do telefone de Alex, ele está aqui no hospital comigo. Você já está no restaurante?
__Sim. Algum problema?
__Rody, aconteceu um tiroteio na estrada. A policia disse que devia ser uma disputa de território. Houve um acidente de carro. Algumas pessoas ficaram feridas, ninguém que conhecemos. Mas o acidente envolveu um carro de passeio de uma família que a policia acha ser inocente que passava no local. Toda família morreu exceto uma menininha. Ela foi salva por um dos bandidos antes dos bombeiros chegarem. Ele trouxe ela para o hospital ferida e desacordada, mas viva. Ele fugiu em seguida.
__Porque está me contando isso? Porque quero adotar, acha que posso vê-la? Se é isso talvez fosse melhor informar Diana e Jorge. Já ligou para Alana?
__Rody.- Disse falando mais baixo.- Escute, bem. A policia chegou aqui bem depois do cara. Ele estava no meio do tiroteio. Disse que a família era inimiga. Salvou a garotinha, mas não me parece um cara bom. Ele disse que ficou com pena da menininha quando o carro começou a pegar fogo. Quebrou o vidro e tirou ela. Ele me entregou ela no portão dos fundos, na entrada do pessoal do hospital. Estava escondido esperando eu chegar. Entregou ela para mim, para que eu entregasse ela para você Rody.
__Como era esse cara?
__Oriental, cabelos compridos, magro, alto, vestido de terno escuro. Falou seu nome e sabia que eramos parentes. Disse para entregar a menina para meu primo Rody. Disse para te dizer que a pequena não tem nenhuma conexão com Natsumi, mas teria a mesma vida dela. Disse que você entenderia. Eu não sei o que está acontecendo. Mas estou com medo, por isso chamei Alex primeiro. Estou falando com você com ele aqui do meu lado.
__Deixe-me falar com ele. E Eliana, não diga nada para ninguém por enquanto. Por favor? E obrigado, querida.- Alex pegou o telefone.
__Rody, você está com um problema. Como vai explicar sua ligação com essa criança? A menina tem 3 anos como os trigêmeos, não te conhece, precisará da ajuda de todos os falcões. O diretor do Hospital já mandou chamar Diana e Jorge. Eu já liguei para tia Dália, mas acho que seria bom você falar com Ben também. Mesmo que não queira adotar a garotinha, essa história pode chegar até você e seu filho. Mas acho que quando vir a pequena, bem…
__Porque? Você viu a menina?- Alex suspirou.
__Rody, pegue Alana e venha para cá. Vai me entender.- Rody ligou para Ben, contou tudo o que sabia. Ligou para Jorge e para Lia, por fim ligou para Alana e foi pega-la para irem ao hospital. Ben tinha aconselhado que Eliana se mantivesse neutra. Dizendo apenas que um estranho tinha lhe entregado uma criança ferida nos fundos do hospital. Que ela não reparara muito nele, porque se ateve a criança ferida. Jorge já tinha pedido para levar a menina para seu orfanato, e Dália já tinha conseguido que Alana fosse escalada como Assistente social do caso. Ela e Rody passaram na vara da infância para pegar os documentos do caso antes de chegar ao hospital. Lá foram informados que toda a família da menina havia morrido no carro. O pai, a mãe, um tio e um irmão bem mais velho. Pelo visto, não eram boa coisa. Os homens tinham uma tatuagem de uma cobra vermelha em posição de ataque que envolvia toda as costas. Eram orientais, mas a mãe não era. Ela era escandinava, pelo que se via nas fotos nos documentos encontrados eletronicamente. O carro e tudo o que tinha dentro foi carbonizado. Outros dois carros se envolveram na disputa. Outros mortos sem documentos, mas que foram identificados como membros de uma facção rival. A policia não entendia como a criança tinha vindo parar no hospital. Quando Eliana disse que um homem oriental a trouxe. Eles concluíram que algum comparsa dos pais dela trouxe a garota para o hospital. Quando Alana e Rody viram a menina no berçário dormindo com um bracinho e uma perninha enfaixados ficaram com muita dó. Ela tinha cabelos compridos, meio enrolados nas pontas, castanhos claros, parecidos aos de Alana. A pele era clarinha, e tinha um narizinho arrebitado. Era um menininha pequena,magrinha, talvez até descuidada. Não parecia em nada com Davi, nem era encorpada como os gêmeos. Enquanto a observavam ela abriu os olhinhos e então Rody entendeu porque Shiro disse para entrega-la a ele. Ela tinha olhos cor de uísque, como Alana. A garotinha que tinha muito pouco, quase nenhum traço oriental além da pequena boquinha, tinha cabelos castanhos e olhos âmbar, passaria tranquilamente como filha de Alana e irmã dos trigêmeos. Na verdade, olhando para ela, ela faria a transição entre Davi e os outros filhos do casal. A garotinha sorriu para Rody como se visse um príncipe.
__Olá pequenina.- Ele disse sorrindo.- Tudo bem com você?- Ela olhou em volta, pareceu um pouco assutada, sentou rápido.
__O anjo me salvou do fogo.- Disse muito séria.- Ele quebrou o vidro do carro. Foi pedacinho para todo lado. Ele disse para eu cobrir o olho. Eu obedeci. Minha mãe e meu pai estavam dormindo. Tio Okada, e Aiko não responderam. Tio Okada é chato mesmo, mas Aiko sempre brinca comigo. Então começou a ficar bem quente. O anjo tinha cabelos compridos, ele sorriu para mim. Ele falou que você ia cuidar de mim. Que ia me levar para uma casa com um jardim bem grande cheia de flores e de meninos.
__O anjo, falou de mim para você?- Ela balançou a cabecinha.-
__Sim. Ele disse que eu ia dormir num quarto branco com cheiro de álcool, mas que quando eu acordasse, eu ia ver você.- Olhou Alana.- E ela.- Sorriu. O policial achando tudo muito estranho perguntou.
__Querida. Você disse que um anjo de cabelo comprido te tirou do carro, trouxe para cá e disse que aqui você ia encontrar esse rapaz e essa moça?
__Sim. Ele disse que eu ia encontrar uma moça com os olhos da cor dos meus, e um rapaz muito grande, muito forte e muito bonito. Disse que ele ia sorrir para mim e eu saberia que ele era meu novo pai.- Baixou os olhinhos.- Meu pai é muito bravo, bate na minha mãe e mim o tempo todo. Na verdade bate no Aiko também, até no tio Okada. Eles brigam toda hora. A minha mãe chora muito. Ela também tem o olho igual o meu, mas o cabelo dela é bem loiro. Ela está sempre vermelha aqui.- Apontou o rosto em volta do olho. Os adultos se olharam.
__Senhor Rodolfo, você conhece essas pessoas?- Perguntou o policial.
__Senhor, eu não conheço nenhum deles. Nem essa coisinha linda.- Olhou a menina.- Como é seu nome meu amor?
__Mel.
__Ela se chama Melissa Okada.- Disse o policial.- É filha de Hiroshi e Malena Okada. Hiroshi foi iniciado na Yakuza, depois migrou para outra facção. Tinha um negócio próprio com o irmão Ito Okada. A mulher era escocesa, nas indas e vindas da vida veio parar aqui. Hiroshi tinha um filho mais velho, de outro relacionamento, Aiko. Dizem que na verdade a menina..- Olhou Mel.- Era dele e não do Hiroshi.- Um clima se instalou no quarto. Alana distraia a menina, mas entendeu tudo o que disseram. – Seja como for, alguém da “família” dele trouxe a menina. Até aí, tudo bem. Embora eles não costumem demonstrar tanta compaixão. Mas porque disse que o senhor estaria aqui e levaria a garota para morar com o senhor?
__Senhor, eu não sei nada dessa história. Meu primo Alex Vogelmamn ligou para mim. Contou sobre o acidente e de uma garotinha que tinha ficado órfã, eu e e minha esposa estamos querendo uma menininha para nossa família. Todos os meus parentes sabem. Minha prima Eliana, a médica que recebeu a menina, também. Coincidentemente, Alana foi escalada para o caso. Nos falamos e ela me chamou para vir com ela conhecer a menina. Minha família é conhecida, pode ser que essa nossa intenção tenha chegado aos ouvidos desse rapaz que trouxe Mel. Nós já adotamos uma criança em situação de risco daqui deste hospital. Inclusive um oriental. Meu filho Davi vive feliz com nossos outros 3 filhos num quintal grande cheio de flores. Temos muros baixos. Talvez o rapaz tenha visto em algum momento. Talvez seja um parente do meu filho, quem sabe? Eu não sei. Talvez até Mel seja uma parente de Davi. Essas pessoas destas “famílias” como o senhor disse, não costumam ser muito preocupada com suas crianças, pelo que sei até deixam as meninas morrerem, não é? Mas talvez ele tenha ficado com dó. Tenha pensado que ela poderia ter uma família de verdade, já que todos os seus morreram, ela não faz mais parte deste círculo. – Olhou Alana que sorria brincando com Mel.- Talvez, para não assustar Mel, ele tenha dito que ela encontraria um homem grande e forte que pudesse protege-la e uma mulher doce com os olhos iguais aos da mãe dela. Quem sabe, esse tal de Aiko, que ela pensa ser o irmão, mas na verdade é o pai dela, não morreu no carro. Talvez ele tenha tirado ela de lá.
__O senhor acha que ela poderia ter se confundido?- Disse o policial meio perdido.
__Ela é muito pequena. Estava assustada. Encontraram quantos corpos?
__Estava tudo muito queimado, serão necessários exames mais profundos.
__Sabe, senhor.- Disse Jorge.- Meu irmão tem razão. Mel é muito pequena. Pode ter se confundido. Talvez esse pai-irmão tenha salvado ela. Talvez tenha trazido ela para o hospital e morrido depois. Os rivais estavam atrás dele. Ele deixou a criança aqui e fugiu. Eliana não teve tempo de examina-lo nem nada. Ele poderia estar bem ferido. Talvez por isso não ficou com a criança. Se não foi esse Aiko, foi alguém ligado a ele. Provavelmente, ou já foi morto, ou está muito ferido por aí. Mas Mel, com tudo o que aconteceu, estava assustada de mais para reconhece-lo.
__Isso é bem comum nessa idade.- Disse Diana.- Se ela for adotada por uma boa família e bem cuidada, provavelmente, não se lembrará de nada do que houve hoje. Talvez até esqueça dos acontecimento de antes de sua nova família.- Olhou Rody.- Alana foi escalada para o caso?- Ele assentiu.- E você, se interessou pela adoção? Se for assim, ela terá que deixar o caso. Me ofereço para assumir no lugar dela.- O policial e seus subordinados ficaram ali vendo a família Medeiros em ação. Poucos dias depois Mel estava dormindo no seu quarto de princesa, vestindo roupas de princesa, correndo em seu quintal cheio de flores e de meninos. Mel falava sem parar, e ria, encantando seus irmãozinhos, sua mãe surda e seu pai príncipe. Ela amava a casa na árvore e a piscina. Amava a escola cheia de primos. Amava vovó Aline e seus olhos cor de uísque. Para Alice, era como ter Alana pequena outra vez. Logo a garotinha magrinha tomou formas saudáveis e coradas. Um dia estavam na Chácara das Flores e Mel entrou no meio da cozinha familiar puxando um homem pela mão. Todos os Medeiros o olharam ressabiados e o homem também os olhou desconsertado.
__Venha! Eu quero mostrar você para meu pai.- Mel dizia sorridente cheia de amor. Ela parou na frente de Rody.- Papai! Esse é o anjo que lhe falei. Foi ele que me salvou do fogo. Eu disse que ele era de verdade. Disse que ele é a cara do Davi, não disse?
__Eu não tenho o cabelo desse tamanho.- Disse Davi todo petulante. Apertou os olhinhos.- Está certo ele tem os olhos parecidos com os meus.- Rody e Shiro se olharam. Shiro parecia dizer que não teve como fugir dela sem assusta-la. Parecia pedir desculpas, mas quando olhou Davi seus olhos brilharam. Logo os outros pequenos se aproximaram.
__O senhor salvou Mel?- Perguntou Daniel.- Ela fala sempre disso.
__Verdade.- Disse Emanuel.- Ela acha que tem um anjo da guarda. Além do papai, claro.
__As meninas inventam cada coisa.- Disse Samuel rindo.
__Eu não inventei nada.- Disse brava.
__O que é isso de meninas inventarem as coisas?- Disse Anelise, muito brava.
__Ei.- Disse Shiro.- Não precisam ficar nervosas. Eles estão brincando.- Se abaixou, olhou nos olhos dela.- Mel, infelizmente não sou um anjo de verdade, mas sempre fui e sempre serei um guardião, seu..- Olhou os gêmeos e Davi.- E de seus irmãos.- Suspirou, olhou as outras crianças curiosas.- E de seus primos também. Sim, tirei você do carro aquele dia. Não foi invenção.- Disse olhando as crianças.- E disse que você encontraria outros guardiões. E uma família. Você está feliz?
__Sim! – Disse abraçando Shiro. Ele sorriu. Então Davi também o abraçou encobrindo o corpo de Mel e passando os bracinhos no pescoço de Shiro.
__Obrigado por salvar nossa irmã.- Em seguida os trigêmeos e as outras crianças se juntaram ao abraço.
__Chega crianças.- Disse Rody rindo.- Vão amassa-lo.- Elas foram soltando aos poucos.
__Eu preciso ir.- Disse olhando Mel e Davi. O coração de Shiro batia como nunca tinha batido antes. Pegou os dois no colo.- Preciso pedir um favor. Eu gosto muito de ver e visitar vocês, mas eu não posso ser visto perto de vocês. O meu trabalho é muito perigoso, as pessoas que eu amo, correm risco de vida. Por isso preciso que se vocês me virem na rua, ou em outro lugar, façam de conta que não me conhecem. Tudo bem?
__Sei.- Disse Davi.- Que nem os espiões do meu jogo?
__Exato, filho. Você é muito esperto. Igual aos espiões.
__Mas a gente nunca vai poder falar com você?- Perguntou Mel.
__Quando precisarem falar comigo, peçam para seu pai. Ele sabe como e onde me encontrar. Mas não pode ser toda hora, tem que ser importante.
__Mas e se a gente ficar com saudade?- Perguntou Davi olhando nos olhos de seu pai. Shiro travou o maxilar. Todos os falcões puderam ver o quanto ele amava aquele menino, o filho da mulher que sempre amou. Entenderam porque apesar de todos os motivos, Rody não tinha medo dele.
__Eu sei que é ruim ficar com saudade. Mas as vezes é preciso. E …- Davi deitou a cabecinha no ombro dele.
__Porque sempre usa essa roupa?- Disse simplesmente.
__O que?
__Mel disse que estava com uma roupa igual a do tio Ben, quando tirou ela do carro. Tio Ben usa essas roupas no trabalho, mas quando ele está com a gente aqui, ou nos outros lugares não. Eu já te vi antes, em outras vezes e você sempre estava vestido assim, e com esse cabelo.- Pegou o cabelo dele, sorriu.- É bastante.
__Não gosta do meu cabelo?
__Eu gosto!- Disse Mel.
__Eu gosto. Mas deve dar calor na cabeça.- Shiro riu. Olhou Rody.- Obrigado.- Alana tomou-lhe a frente. Disse com sua voz abafada.
__Não. Nós agradecemos você. Sem você, não teríamos essas coisas maravilhosas. Muito obrigada. Por salvar Mel, por traze-la para nós. – Olhou Davi. – Davi, quer deixar seu cabelo crescer como do nosso amigo espião?
__Não mamãe, é muito quente e pesado. Só quando eu for grande que nem ele.- sorriu para seu pai e fez Shiro se derreter novamente.
__Tem razão meu pequeno samurai.- Olhou Mel.- Eu preciso ir minha linda Sakurá. Temos um acordo? Vai fingir que não sabe quem sou, como os espiões de Davi?
__Sim.
__Nós também podemos fazer parte do jogo?- Perguntou Emanuel.- A gente também sabe fingir, jogamos muito bem?- Disse compartilhando com seus irmãos e primos.
__Verdade. Eles sabem mesmo.- Nem parecem tão pequenos.- Disse Libe.
__A culpa é sua, ensina tudo para eles.- Disse Marco.
__Ok.- Disse Shiro.- Todos vocês podem jogar, ninguém me conhece, nem nunca me viram.
__Certo. Mas todo mundo sabe que você é o anjo que me salvou.
__E meu outro pai.- Disse Davi. Shiro olhou o garoto espantado e depois Rody.
__Shiro, ele é a sua cara. Na primeira vez que viu seu rosto em algum lugar, eu já não tinha como esconder. Mas ele sabe que você não pode aparecer. E já ensinou os irmãos.
__Só Mel que não aprendeu ainda. Foi até te buscar.- Disse explicando a atitude da irmã para Shiro, com cara de desaprovação.
__Mas eu queria mostrar você para meu pai. Não vou mais te buscar. Agora vou ser espiã também. Prometo.- Shiro teve que rir. Desceu as duas crianças, ganhou beijo de todos os falcõezinhos antes que eles corressem para brincar no jardim. Shiro voltou para Rick e Beto.
__Por favor me desculpem, senhores. Eu não tinha a intenção de causar nenhum problema ou transtorno. Prometo não permitir que isso aconteça de novo.- Olhou Rody e Alana.- Muito obrigado. Meu filho teve chance de ser feliz graças a vocês. Quando vi a menina no carro daqueles…- Olhou as pessoas em volta.- Enfim ela não teve chance de ter uma família de verdade. Pensei que poderia ter sido igual com Davi. Então ela me olhou com aqueles olhos iguais aos seus.- Olhou Alana e sorriu.- Achei que era um tipo de sinal. Não se engane, não sou uma pessoa boa, mas amo meu filho, como jamais amei nada, nem a mãe dele por quem fui louco, eu amei como amo esse menino. Sei que cuidam dele com o mesmo amor que cuidam dos seus gêmeos, não sabia que estavam mesmo procurando adotar uma menina, mas ela é tão doce, tão sonhadora, tão Medeiros.- Sorriu.- Achei que gostariam do presente. Pelo visto, não me enganei.
__Não. Você acertou, Shiro.- Disse Rody.- E não concordo. Você é um mafioso, mas não é totalmente mau. Ama seu filho. – Eles se encararam. Alex se aproximou.
__Shiro. Vou te dar uma coisa. Preste muita atenção. Não vou dar nada mais além disso, nem ensinarei a reproduzir isso sob hipótese alguma. Se algum dia isso for encontrado pela polícia ou qualquer outra força, seus inimigos, ou sei lá mais o que, você dirá que roubou e que não sabe como usar. Estamos entendidos?
__Do que está falando Vogelmamn?- Alex estendeu uma caixinha de chip.
__Coloque em uma linha segura, limpa, no lugar do segundo chip. Ele vai monitorar as pulseiras de Davi e Mel. As pulseiras são rastreadores. Assim que colocar o chip, ele emitirá uma luz pequena azul no canto do celular. Quando clicar nela, vão aparecer os batimentos cardíacos deles e a localização dos dois. Se achar que algo está estranho clique na opção encontrar, o satélite vai encontra-los. Poderá vê-los por alguns segundos enquanto o satélite não se move, sem ser percebido pelos programadores de comunicação. Mas não pode demorar muito, porque a cada minuto é necessário uma nova busca, e o sistema vai ser reconhecido.
__É assim que você consegue encontrar todos eles? Assim que os…
__Não falo sobre meus clientes, nem meus negócios. Estou te dando isso, para que possa saber do seu filho e de Mel, sem corrermos mais nenhum risco. Configurei o telefone de Rody para não ser rastreado pela polícia e nem seus prováveis inimigos. Entendo sua dor e sua preocupação com seu filho, mas suas aparições poem em risco toda a nossa família. Sei que Rody confia em você, achei fabuloso o que fez por Mel, mas seu estilo de vida ameaça os falcões.
__Alex!- Disse Rody.
__Escute!- Continuou Alex.- Não te quero mau. E quero muito bem a Davi e a Mel. Mas conheço seu mundo. Eles não vão deixa-lo em paz. Nem seus irmãos, nem seus inimigos. Os outros Samurais estão procurando o Naja que tirou a filha de Hiroshi Okada do carro em chamas. Os samurais não entendem como isso pode ter acontecido, visto que eles mataram todos os najas que estavam lá aquele dia. Não desconfiam de você, porque você é um líder temido. Mas podem mudar de ideia.
__Você está vigiando os samurais?
__Não. Esse não é meu trabalho. Mas tem gente na polícia de olho em vocês. Gente honesta, mas também gente corrupta, disposta a tudo por mais dinheiro. Não quero meus sobrinhos no meio desta confusão. O chip é seu, mas se num momento eu descobrir que você está usando essa tecnologia para coisas incorretas, desvio seu sinal. Vai perder a melhor chance que tem de saber como está o coração de seu filho todos os dias, todo o tempo. O único jeito de encontra-lo no mesmo instante que algo ruim estiver acontecendo com ele. Criei esse dispositivo para defender minha mãe de mafiosos exatamente iguais a você e sua família. Eu tinha pavor que eles a machucassem de novo. Se você ama mesmo seu filho, como parece amar, vai entender o que quero dizer. – Shiro, olhou profundamente nos olhos verdes de Alex.
__O senhor é muito corajoso, Alex Vogelmamn. Está desafiando um Samurai da Yakuzá.
__Não estou desafiando. Estou te fazendo um favor. Vou continuar protegendo seu filho de toda essa maldade, e agora vou ajudar você a fazer isso mais eficientemente também. Você não vai mais correr o risco de ser pego perto dele desnecessariamente. Não vai mais correr o risco das crianças correrem para você como fizeram ainda a pouco, nem de Mel agarra-lo para traze-lo para junto deles, obrigando você a ser rude com ela. Configurei o celular do Rody, como já disse. Ele pode falar com você sem problemas e você também pode falar com ele. Todas as suas ligações serão apagadas assim que terminarem. Estou trabalhando para proteger minha família, o que inclui Mel e Davi. Vou protege-los até de você, se for preciso.- Shiro olhou em volta e sentiu que todos os falcões mudaram de posição. Todos estavam prontos para defender Alex, e estavam dispostos a proteger a família exatamente como ele.
__Shiro.- Disse Lia.- Alex não está desafiando você. Está apenas protegendo Davi. O que você fez salvando Mel foi lindo, mas expôs Rody. Lógico que Eliana nunca vai delatar você, mas a polícia está procurando o homem que deixou a menina no hospital. E Mel falou que você disse que ela encontraria Rody lá. Sim, conseguimos engana-los por enquanto. Mas pode haver alguma conexão da polícia com seus inimigos, ou com seus amigos, e Rody estaria na berlinda. Basta olhar Davi para saber que ele é seu. Até Mel reconheceu você nele quando o viu pela primeira vez. Disse que ele era filho do anjo.- Sorriu.- Precisa manter distancia. Mais distancia. Eu poderia te dar uma lição de moral, dizer para você deixar esse mundo de violência e tudo mais. Sei que você ouviria meu discurso, os orientais respeitam os mais velhos. Mas na sua posição, acredito que isso seria perca de tempo. Pelo que Rody nos disse, você tentou salvar sua noiva, e depois salvou seu filho, agora salvou Mel desta vida obscura. Então, aproveite a ajuda de Alex, você terá acesso a todos os passos de seu filho, mas estará longe, protegendo ele. Quando for possível que o veja pessoalmente, Rody vai avisa-lo. Se um dia você conseguir se livrar do seu passado, seu filho estará aqui. Bem cuidado, amado e feliz.
__Shiro. – Disse Rody.- Sei que não queria aparecer assim. Mas as crianças são muito espertas. Farão de novo o que fizeram hoje, e você vai nos expor outra vez. Ainda são muito pequenos, não posso dizer a
eles que….- Se calou e Shiro sorriu.
__Que sou um bandido? Um mafioso? Um assassino?
__Desculpe, Shiro.- Disse Rody.- Mas é isso mesmo. Vou explicar aos meus filhos que esse seu mundo existe, mas eles vão crescer primeiro.
__Shiro.- Disse Ben.- Somos uma família da lei. Temos juízes, advogados, delgados, todos neste recinto. Sabemos o que você fez de bom, ficamos contentes pelas crianças, mas não podemos admitir suas práticas aqui. Seu ofício é condenado pelos nossos princípios. Não queremos esse mundo perto de nossas crianças. Você também não o quer perto das suas. Por isso deixou Rody adotar Davi e trouxe Mel para ele agora. Não pode rondar mais a casa de Rody e nem as crianças. Elas vão achar que é brincadeira, e logo chegarão até você. O rastreador de Alex é muito eficiente, vai ajuda-lo. Confie em Alex, ele sabe o que está fazendo.
__Pelo que vejo, não sou bem vindo aqui.- Disse Shiro.
__Shiro.- Disse Alana pegando as mãos dele.- É sempre bem vindo. Trouxe alegria para minha vida. Mas eles estão tentando proteger as crianças das pessoas que podem machuca-los para se vingar de você. Você não pode nos dizer quem são essas pessoas, não é? Deve ser contra seus votos, ou algo parecido, certo? Então, não sabemos quem pode querer ferir Davi, ou Mel, sendo assim, o único jeito é você se afastar deles. Mesmo assim, eles correm risco, porque os inimigos das famílias deles sabem onde eles estão. Mas aí entra em ação os falcões. Todos os inimigos das famílias de Davi e de Mel, conhecem o poder dos falcões. Normalmente, não querem enfrenta-los. Todos sabem que os falcões são uma família que vive dentro da lei. Não são mafiosos, mas são uma família muito unida que luta junto. Davi será tão protegido quanto qualquer outro falcãozinho. E Mel também. Vai em paz. Davi nunca vai esquecer você, e Mel também não. – Ela pensou. Olhou Alex.- Pode me fazer um favor? Um bem grande?- Alex olhou Rody, depois Shiro, suspirou.
__O que quer?
__Quero que configure um aparelho para mim. Como fez com o de Rody. Mel e Davi vão usa-lo uma vez por semana para falar com Shiro. Chamadas de vídeo que serão totalmente apagadas logo depois que acabarem. Por favor, Alex? Assim Shiro pode ver as crianças e ficar longe, por enquanto.
__Você pode fazer isso?- Disse Shiro. – Enganar até a telefonia, os satélites?
__Alex pode fazer qualquer coisa.- Disse Alana.- Ele é um gênio.- Sorriu para Alex e ele sorriu de volta.- Por favor, Alex?- Alex olhou Shiro.
__Se fizer isso, não vai mais chegar perto das crianças? Pelo menos até encontrarmos outra solução?
__Como vai fazer isso? Eu não sou um leigo, conheço esse ramo. Isso não pode ser feito. As imagens ficam registradas na central nas chamadas de vídeo. As vezes por pouco tempo, mas ficam.- Disse Shiro.
__Vai ficar longe das crianças?
__Eu vou ficar. Já ia ficar. Entendo tudo o que disseram. Eu melhor que ninguém. Hoje foi um pequeno descuido, que não ocorrerá mais.- Disse.
__Certo.- Disse Alex.- Me dê seu celular Alana.- Ela o fez. Ele abriu, com poucos toques dentro dele com uma pinça que tinha no chaveiro, fechou e teclou na tela configurando um número com senha. Devolveu para ela dizendo.- Pronto. A ligação só pode ser feita as segundas-feiras as 19:45 e deve durar no máximo até as 20:00 horas. A senha é sakura. Toda a ligação após as 20:00 volta ao normal e será gravada na central normalmente.- Olhou Shiro.- Esteja em condições de receber a chamada, se não for possível, avise Alana antes. Não quero saber de entrarem ao vivo no meio de um tiroteio. E não quero mais você rondando as crianças. Lembre-se, deu sua palavra, é um samurai, certo?- Shiro ficou olhando sem acreditar. Alana sorriu.
__Eu disse que ele é um gênio. Ligo para você segunda. Davi e Mel falarão com você, juro. Vou tentar controlar os gêmeos para que deixem Davi um pouco sozinho com você, tá? Agora, vá. E obrigada, de novo, por trazer Mel.- Alana beijou o rosto dele. Ele deu dois passos na direção da saída, voltou-se para Alex, foi até ele e o abraçou.
__Obrigado. Pelo rastreador e pelas chamadas de vídeo. Não deixarei que ninguém encontre. Sou um samurai, mas estou jurando como um falcão. Não chegarei mais perto das crianças.- Caminhou para fora com muita pressa. Deixando um silêncio no meio dos falcões.
__Pois é!- Disse Vincenzo.- E Alex arrasa de novo.- Gargalharam. -Verdade. Quando você pensa que acabaram as novidades, ele faz um gangester chorar com seu rastreador.Quincas tem razão, ele é um icone.-Mais risadas.
–Pare de zoar meu marido.-Disse Clara. Mel veio correndo e gritando alegremente.
__Papai! Papai!- Estancou.- Ué? Cadê o anjo?
__Ele já foi.- Respondeu Rody pegando a pequena no colo.
__Mel!- Disse Emanuel sério.- Não pode ficar perguntando dele assim. Esqueceu que somos espiões?
__É mesmo.- Disse concordando.- É por isso que ele sempre some.- Olhou Rody.- Papai, Calebe disse que você morava aqui quando era do nosso tamanho, e que as fotos lá no corredor, são suas e não do Caio, é verdade? Você morava aqui?
__Sim, amor. Eu morava com minha mãe e meu pai, e com meus irmãos também.- A garotinha olhou Rick e Lia, depois Liv e Jorge.-
__Eu vi uma foto do Caio comigo lá nas flores, mas Calebe disse que é você e a mamãe. Ela também morava aqui?- Rody sorriu.
__Não. A mamãe morava com a mãe dela.- Apontou Alice.- E com Jorge, lá na casa colorida que você gostou.
__Sei. Perto da casa de crianças.
__Isso mesmo. Mas nos sempre brincávamos juntos igual você e seus primos.
__Quantos anos você tinha quando você casou com ela?
__26 anos.- Ela contou nos dedinhos.
__Ah! Não sei contar tudo isso. Vou ter que esperar muito então?
__Para que?
__Para me casar com Caio.- Todos riram.
__Porque vai se casar com Caio?- Perguntou Davi.
__Porque não posso me casar com você ou com gêmeos, são meus irmãos. Mas Caio é primo, primo pode.
__Quem disse isso?- Perguntou Samuel.
__Calebe.- Todos olharam o primo mais velho. O lindo falcãozinho de olhos cor de esmeralda, de 9 anos explicou.
__É verdade. Mamãe e papai são primos, Lú e Cisco também. Primos podem casar, mas precisam crescer primeiro. Crianças não podem casar, são só amigos. Quando crescem podem namorar, e ficar noivos e depois casar, igual as meninas.- Apontou suas irmãs.- E Rody e Alana. Só que Rody já era apaixonado por Alana desde pequeno. Igual o papai já era apaixonado por mamãe. Papai disse que isso é difícil, mas as vezes acontece. Ai os amigos se casam.
__Eu fui no casamento de Rody, e no das minhas irmãs.- Disse Caio. Vários outros falcõezinhos, os mais velhos, começaram a dizer que também tinham ido e o que tinham visto.
__Eu não lembro de nada.- Disse Anelise.- Tem fotos comigo no colo do papai levando uma lanterna, mas eu não lembro. Era muito pequena.- Ela esticou a palavra fazendo todos rirem.
__Eu nunca fui num casamento.- Disse Mel.
__Podemos brincar de casar!- Disse Anelise.- Assim, você casa com todos eles, um de cada vez, e vê se gosta mesmo de casar com Caio.
__Sim!- Disse já descendo do colo do pai.
__Ei!- Insistiu Davi.- Ainda não explicou porque quer casar com Caio!- Ela nem o ouviu, saiu correndo com suas primas do coração, Anelise e Betinha, e no encalço delas, uma tropa de meninos. Caio antes de correr atrás delas disse:
__Ela quer casar comigo, porque eu pedi para ela, bobo.- Saiu rindo como sempre fazia. Calebe chegou perto do priminho chinesinho, tocou seu ombro compassivo e disse:
__Não se preocupe. Ela ainda é muito pequena. Agora só quer casar com Caio porque viu a foto do Rody e da Alana juntos.- O chinesinho riu.
__Essa Mel é meio maluca. Brincar de casar? Que negócio mais esquisito! – Correu para junto dos outros. Rody olhou Calebe, depois Ben e enfim Jorge.
__Pelo visto já temos um falcão herdeiro, do nosso tipo de amor.
__Que tipo?- Perguntou Quincas.
__O tipo que ama uma mulher desde que ela é uma menina.- Disse Rody.
__Capaz de enfrentar a distancia, por ela.- Disse Ben, olhando Liv.
__Disposto a deixa-la com outro, se for da vontade dela.- Disse Jorge abraçando Alice.
__Estas mulheres sempre tem olhos de cor incomum.- Disse Lia.- As vezes âmbar, as vezes gelo.- Disse olhando sua filha e suas noras. Sorriu, olhou seu neto.- Ainda bem que você é tão lindo e tão forte quanto seu pai.- Piscou para o ruivinho. O pequeno sorriu lindamente para sua avó.
__Na verdade, vovó, ainda bem que tenho todos vocês.- Ergueu o queixo e disse:- Ainda bem que sou um falcão.

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