Falcão por opção

Capítulo 19

Vincenzo chegou contente para trabalhar no Aimê. Mau conseguiu acreditar quando a Metre ligou pedindo que fosse fazer um teste naquela tarde. Era seu sonho de consumo trabalhar naquele famoso restaurante do Chef Francês mais conhecido da cidade Sylvie Janviê. Foi instruído a entrar pela porta lateral que acesso ao segundo salão, o reservado. Quando entrou, Sylvie e Vanessa a Metre estavam sentados esperando. Assim que passou pela porta ela foi fechada bruscamente e Vincenzo viu atrás de si os tios de Alex com os braços cruzados nada amistosos para ele. Em seguida viu todos os falcões no fundo do salão se aproximando mais dele. Os Fazzanos e Yuri também. E no meio de todos esses homens, Diana, Lia e Clara.

__Bem.- Disse debochado.- Parece que os clientes chegaram antes de mim. Estou atrasado?- Clara se adiantou.

__Seu idiota! O que disse a ele? Vamos, diga logo! Ou mato você, desgraçado.

__Disse a quem? Não faço ideia do que está dizendo. Só entendi o idiota e o desgraçado, e não gostei.- Clara tentou avançar sobre ele. Estava furiosa. Lia a segurou.

__Vincenzo. Lothar esteve na Menu. Falou com você. Precisamos saber o que você disse a ele. Ele é perigoso, estamos correndo perigo. Todos nós, inclusive você.

__Desculpe, senhora. Acho que está enganada.

__Vincenzo.- Disse Diana.- Ele me violentou, eu só tinha 11 anos. Não satisfeito ele quebrou vários ossos do meu corpo, me cortou em vários lugares, algumas cicatrizes nunca desapareceram, olhe. – Levantou a blusa e mostrou um sinal  do lado esquerdo pouco a cima do umbigo.- Eu quase morri. Este monstro voltou a me procurar quando soube que eu sobrevivi e podia denuncia-lo. Tentou levar Alex do berçário quando ele tinha dois dias de vida. Como se isso não bastasse, voltou a pouco mais de um ano, queria levar Alex outra vez, cortou o pescoço de Clara para obriga-lo. Vincenzo, ele é um bandido, não tem escrúpulos. Sei que você ficou ferido com o que aconteceu na Alemanha, mas você não é como ele. Você é um bom rapaz, eu vi você com as crianças do orfanato. Aquele monstro quer pegar Alex. Para isso, vai machucar quem for preciso. Por favor, acredite.

__Vincenzo. Escute Diana.- Disse Lia.-Este bandido, pode e vai se voltar contra você. Deixe-nos proteger você. O que disse a ele?

__Me proteger? Desculpe Dona Lia, mas sua sobrinha acabou de dizer que vai me matar. Além do mais, eu não sei do que estão falando. Quem é esse Lothar que foi na escola?-  Beto não se aguentou, passou a frente, ergueu Vincenzo do chão pelo colarinho da camisa e disse furioso.

__Escute aqui, seu moleque. Da última vez, ele protegeram você de mim, tiraram você do Castelo antes que eu pudesse te dar um corretivo a altura.- Vincenzo tentou se soltar.- Fique quieto ou vou te machucar. Escute o que elas tem para lhe dizer com respeito. Diana está mostrando toda consideração contigo que magoou o filho dela. Lia nem te conhece direito, e está tentando te ajudar e Clara, não preciso nem explicar, né? Mostre que não é tão tolo como parece. Elas estão tentando salvar sua pele, e nem é de mim.- Soltou Vincenzo com força, ele precisou de dois passos para se equilibrar. Olhou todos com ódio e disse.

__Eu não faço ideia do que querem! Já não fui humilhado por vocês o suficiente? Fui desprezado, enxotado do Castelo, ameaçado de expulsão da Menu.- Olhou Clara.- O que? Não sabia, querida? É dona da escola, seu amado irmão advogado ameaçou os chefes caso eu não me afastasse de você, ele tomaria a direção da escola e eu seria expulso.- Clara olhou Ben com carinho.

__Você foi a escola?- Beto sorriu para o filho e olhou seu pai.

__ Você passou nossas ações da Menu todas para Clara. Assim ela seria sócia majoritária . Este garoto é genial. Viu o que ele fez pai?- E Rodolfo.

__Foi muito mais habilidoso que nós dois. Se continuar assim, logo será melhor que nós dois juntos. Imagino que Máximo deve ter ficado muito satisfeito, quer que Clara trabalhe com ele a tempos.

__E Vitor então.

__Eu não passei as ações, ainda.- Olhou Clara.- Você nunca disse que queria dirigir uma escola. Sempre sonhou com seu restaurante. Então eu não mencionei suas ações e nem as da família. Mas se ele bancasse o engraçadinho outra vez, a escola seria sua e as decisões também.- Clara riu.

__Simples assim?- Ben sorriu, Vincenzo viu, ele amava sua irmã, estava tentando protege-la. Ben olhou Vincenzo.

__Olhe Vincenzo, eu já lhe disse uma vez, sei como é não ser correspondido, entendo sua dor, mas isso não lhe dá o direito de ferir outras pessoas. Eu apenas dei a Clara a chance de se defender de você. Você se manteve no seu lugar e tudo continuou igual.

__Igual? Eu fui tratado como um leproso! E tudo que fiz foi me apaixonar por sua irmã, doutor.

__Não é verdade.- Disse Ruivo.- Você traiu a amizade dela, e pior feriu Alex. Planejou aquela cena tosca apenas para magoa-lo. Queria que ele se sentisse inapropriado para ela. Conseguiu, atingiu Alex bem em cheio. Só não contava que a reação dos dois fosse aquela que viu. Clara desesperada por medo de perde-lo e Alex sangrando disposto a tudo para protege-la.

__Vincenzo.- Disse Rick.- Lothar já viu isso também.  Ele sabe que Alex faria qualquer coisa para proteger Clara. Está usando isso agora. Tem tentando atrair Alex para cá.

__Vincenzo.- Disse Lia.- Não sabemos exatamente o que Lothar quer com Alex, mas o histórico dele não é dos melhores. Por favor, nos ajude? É sua chance de se redimir.- Ele pensou e disse.

__Desculpe, senhora. Mas realmente não tenho nada a dizer. Se esse bandido esteve na escola, eu não o vi.- Clara explodiu.

__Seu burro! Não vê? Alex está protegido. Está fora. E quando voltar, tem todos os falcões para protege-lo. Nenhum deles deixará que se machuque. E Alex conhece esse monstro, sabe do que é capaz. Ele pode se precaver. Já você está totalmente vulnerável. Não entende? Ele vai se voltar contra você! E estará sem nenhuma proteção, seu idiota! Estamos tentado te ajudar.

__Calma, Clara.- Disse Lia carinhosa.

__Tia, eu já me cansei. Esse tonto está jogando fora mais essa oportunidade de amizade que estou lhe estendendo. Só estou fazendo isso porque a senhora, Ben e Alex insistem em dizer que ele não é má pessoa. Mas pelo visto, é orgulhoso de mais para perceber  que queremos ajuda-lo. Deixe ele se virar com o tal Lothar.  Vamos!- Saiu pisando duro. Na porta disse:- Obrigada Sylvie, desculpe atrapalhar seu trabalho. Mas seja como for, Vincenzo é bom cozinheiro, vai te ajudar a compensar seu atraso.

__Não se preocupe, menina.- Piscou para ela. Os Medeiros foram seguindo ela, mas Diana e Lia não se moveram.

__Vincenzo.- Disse Diana.- Tenha cuidado. Lothar é muito perigoso.- Saiu devagar. Lia esperou que se distanciassem um pouco.

__Vincenzo, não acho que ele queira apenas dinheiro. Acho que é algo mais sério. Talvez Alex esteja mesmo correndo risco de vida. Se é assim, Clara também está. Concordo com Alex. Você é um bom rapaz, só lutou por Clara de um jeito equivocado, mas foi só isso. Na verdade, só chegou tarde na vida dela. Ela ainda está chateada com você, mas é porque Alex está sendo ameaçado. Ele é a vida dela. Mas ela está preocupada com você também. Vincenzo, Lothar já feriu Clara antes, mas ela não está preocupada consigo.. Está nervosa por Alex e por você. Ela não quer mau a você.- Sorriu para ele.- Pense bem, bambino.- A voz dela soou para ele como a de sua mãe.

__Vamos, amor.- Disse Rick esperando ela na porta.- Obrigado Sylvie, até mais.- Vanessa os acompanhou a porta e Sylvie permaneceu no mesmo lugar.

__E agora?- Disse Vincenzo para ele.- Vou embora?

__Claro que não. Temos o menu para preparar. Preste muita atenção. Não permito que os pratos saiam diferentes da cozinha.

__Vai querer que fique? Pensei que tinha me chamado só para ver os Medeiros?

__Sim, eles me pediram para fazer um teste com você para poderem conversar contigo. Mas na verdade pediram isso para protege-lo. Poderiam ter ido a sua casa, ou telefonado para você encontra-los em outro lugar. Mas se o tal bandido estivesse seguindo você, não acharia estranho ver você entrar num restaurante.- Olhou Vincenzo.- Olha rapaz, eu não conheço você, mas Clara disse que é bom cozinheiro e Tia Lia me disse que você é um bom rapaz. Parece que se apaixonou por Clara e levou como vocês brasileiros dizem “um toco”.- Sorriu.- Eu também já estive muito apaixonado por uma Medeiros e também levei um. Na verdade vários. Um dia Tia Lia me disse algo parecido com o que te disse ainda a pouco. Me disse que Liv amava outro rapaz, disse que ele era a vida dela. E que ele a amava muito também. Me disse para esperar que um dia eu encontraria alguém para mim.  Liv continuaria minha amiga, sempre torceria pela minha felicidade,  todos os Medeiros continuariam meus amigos, mas para isso eu não poderia ameaçar o verdadeiro amor da bailarina.

__Então o senhor deixou o caminho livre para o Doutor Ben. Assim, fácil?

__Eu não diria fácil. Mas você já viu Liv e Ben juntos? O amor deles é algo assim palpável. Eu não tinha como competir com isso. Sabe, os falcões tem uma lenda, que eles nunca se separam de suas amadas, preferem a morte a isso. Eu amava Liv, muito. Ela sempre foi delicada, sensível, tão inteligente como Tia Lia, e dançava como uma pluma. Eu queria ela viva, feliz. Se eu não poderia fazê-la feliz, porque eu atrapalharia o homem que ela escolheu? Um homem que a amava intensamente, capaz de dar a vida por ela? Em resumo, servi o casamento deles, e muitas outras ocasiões para a família. Em um dos jantares beneficentes da Medeiros e Medeiros eu conheci a luz da minha vida- Sorriu para Vanessa que entrava no salão.-  Agora sou muito feliz, trabalho no que amo, tenho uma noiva maravilhosa que eu amo e que me ama, e um casal de amigos fiéis que de quebra me trazem duas fofuras sorridentes para almoçar todo segundo domingo do mês. Duas meninas lindas que me chamam de Tio e me beijam com todo carinho. Bem, essa é minha história, agora é com você escrever a sua.- Vincenzo pensou, se levantou e disse:

__O senhor me daria 5 minutos?- Lá fora no estacionamento.

__Deus, estou muito nervoso.- Disse Beto.

__Estou vendo.- Disse Rick rindo.- Novidade….

__ Tão engraçadinho.

__Meninos, se comportem.- Disse Lia.

__Tia, o que fazemos agora?- Perguntou Ben.

__Esperamos, Ben.

__Estou preocupada.- Disse Clara.- Se Vincenzo não se proteger, aquele Lothar pode machuca-lo.

__Está mesmo preocupada comigo?- Disse Vincenzo chegando com a doma na mão. Parecia surpreso, talvez até emocionado.

__É claro, seu idiota. Não quero encontrar você com uma faca atravessada em seu corpo. É um tonto, mas não merece isso. Eu acho.- Olhou Profundamente nos olhos dele.- Olhe Vincenzo, estou nervosa, aquele bandido é perigoso. Sabemos que na verdade ele quer Alex, mas para chegar a ele, Lothar pode machucar qualquer um.

__Vincenzo. -Disse Lia.- Fale conosco, caro. O que disse a ele?- Vincenzo suspirou.

__Só disse que Alex chegaria dia 12 da Alemanha. Que ele estava estudando lá. Olha, ele me disse que estava arrependido, que tinha sido solto e que estava indo para longe, que queria fazer as pazes com o filho antes de partir. Não disse nada de vingança, nem de ferir ninguém.

__Mesmo assim você achou estranho, não foi?- Disse vovô Rodolfo.

__Achei esquisito. Porque ele não procurou Doutor Ben? Eu não sabia direito a história dele. Só o que Alex contou na Alemanha, fiquei confuso.

__Mas estava ainda com raiva, não é?- Disse O Ruivo.

__Sim. Estava sim. Mas não sou um bandido. Nunca imaginei que ele iria ferir alguém. Achei que talvez ele criasse algum desconforto, mas nada de trágico.- Olhou Diana.- Não sabia direito o que ele tinha feito  com a senhora. Tenho estado muito confuso nos últimos tempos, mas não sou criminoso.- Diana chegou perto dele e acariciou seu rosto, como fazia com Alex.

__Eu entendo. Sei que não tinha a intenção de machucar ninguém, mas Lothar não é assim. Ele é mau. E você também está correndo perigo.

__Vincenzo.- Disse Clara tocando o braço dele.- Foi só isso que disse, que ouviu eu dizer a Leninha que Alex viria dia 12?

__Sim.- Olhou-a.- Ele perguntou pela loira que tinha acabado de sair. Disse que era nora dele.

__Mas que safado!- Disse Jorge.-

__Bem, agora precisamos nos organizar.- Disse Lia.- Falcões, todos sabem como proteger as escolas, os trabalhos, as crianças, as mulheres. Cunha, avise a polícia, ele vai tentar chegar perto de Alex assim que ele chegar. Xande, avise Dalia e deixe os magistrados cientes. Vovô e Yuri, já sabem seu papel. Ninguém anda sozinho a partir de agora. Até pegarem esse bandido.- Olhou Vincenzo.- E você? – Olhou Rick.- Como protegemos ele?- Rick olhou  Sylvie chegando.

__Ele pode ficar aqui no restaurante.  Eu aviso os seguranças, e qualquer coisa suspeita chamo vocês. O restaurante está movimentado está época, teremos bastante trabalho. E quanto mais tempo ele ficar aqui, mais protegido estará.- Vincenzo não podia acreditar, estavam lhe oferecendo um trabalho, um estágio no Aimê?

__Certo. Então tudo bem. _ Disse Clara.- Vincenzo fica com Sylvie até pegarem o Lothar e Alex chegar. Ninguém anda sozinho. Eu e você precisamos nos acalmar.- Disse para Diana.- Vai dar certo.- Sorriu para Vincenzo.- Até que você não é tão idiota assim.- Fez cara de surpresa e ele de bravo. Depois riram como faziam antes.

__Vincenzo. Você ainda não está seguro.- Disse Cunha.- Esse cara não presta. Se ele se aproximar de você, me chame.- Deu um cartão com um telefone.

__Precisamos ir. Temos muito trabalho. – Disse Yuri. Vincenzo não entendeu direito o que isso queria dizer, mas quando Yuri passou por ele perguntou:

__Como está Leninha?- Yuri o olhou poderoso e disse:

__ Madalena para você.  Sou diplomata, mas não sou tão compreensivo como Alex. Não quero você perto dela.  Mas fique tranquilo. Ela está feliz. – E se foi. Vincenzo se sentiu mesmo um idiota, perdeu Clara que nunca o quis para o garoto bonzinho e Leninha que o queria para o conde bonzinho. E agora ainda tinha um lunático na sua cola.

__Foi muito bonito o que fez, Vincenzo.- Disse Vanessa tirando -o de seus devaneios.- Sabe, nem sempre é fácil admitir um erro, mas faz muito bem para a alma.- Sorriu para ele.- Venha. Vamos trabalhar?- Sylvie sorriu para ele. E assim começou sua primeira noite no Aimê. Os dias passaram rápido. Logo o dia 12 chegou, os falcões estavam no aeroporto na hora marcada, muito beijos e abraços para os viajantes. A estrada que dava acesso a rodovia para quem saía do aeroporto era muito conhecida e visitada.  Em certo de trecho de um quilometro  mais ou menos a mata totalmente fechada, nesta época do ano era florida por inúmeras árvores coloridas, todas muito frondosas. Era quase um cartão postal. Quando os carros dos Medeiros avançaram, o carro de Ben que os liderava fez uma manobra evasiva brusca, quase um cavalinho de pau e freou em seguida. Os outros carros  frearam atrás. Assim que saíram dos carros para ver o que tinha acontecido, notaram Ben conferindo o pneu direito da frente. Ele tirou uma faca dele, e o outro dianteiro também tinha uma. Neste momento saíram do mato quatro homens armados, dois com armas de fogo, e dois com facas. Estes dois ruivos e bem parecidos. Um era conhecido deles, careca e tatuado, com a barba ruiva por fazer e um sorriso sarcástico no cara feia evidenciando a cicatriz. Lothar gritou.

.__Saíam todos dos carros! __Eles obedeceram. Lothar olhou todos e gritou de novo.- Onde está meu menino?- Silêncio encheu a rua.- Onde!- Nada.- Certo, viu Dirk, disse que eles não iam querer entregar meu menino.

__Ainda bem que temos uma moeda de troca.- E riu o bandido.- Jota, traga a troca.- O tal de Jota, magrelo, cabelo comprido todo bagunçado, saiu para rua arrastando um Vincenzo todo ensanguentado, olhos feridos, lábios partidos, com uma parte do cabelo cortado todo desigual. A roupa toda rasgada e suja. Ele devia ter apanhado muito, parecia meio zonzo, mas quando viu os falcões e Clara gritou:

__Desculpe! Eu devia ter acreditado em vocês! Eles são bandidos! Desculpe! Por favor Clara, desculpe-me! Eu… Ai! foi atingido de novo.

__Pare seu monstro! – Disse Clara.- O que quer?

__Ora, minha linda norinha. Quero meu Filho. Onde ele está?

__Não está aqui!!- Disse Uma voz vinda da mata.__ E vocês estão presos!- Era Cunha. Os policiais saíram da mata. Os bandidos reagiram.  Se Alana estivesse presente, diria que era coisa de filme. Mas a realidade é sempre muito feia. Um bandido foi morto, o magrelo que segurava Vincenzo, os outros dois, um negros baixinho e o ruivo foram pegos, já Lothar se embrenhou no mato e foi perseguido, mas não puderam pega-lo. Xande chegou logo e levou Vincenzo para o hospital. Horas depois, Vincenzo abriu os olhos, estava todo dolorido, parecia que tinha levado uma surra, então se lembrou que tinha apanhado mesmo. No canto do quarto estavam Lia e Clara.

__Acordou, querido.- Disse Lia.- Como se sente?

__Meio zonzo.- Olhou Clara.- Onde está Alex?

__Ele ainda não chegou. Ele só vai chegar depois de amanhã.- Ele pareceu confuso. Lia explicou.

__Quando falamos com você, já sabíamos que Alex não viria mais hoje, alguns investidores pediram outra demostração. E depois que você do que nos falou, Vovô e Yuri entraram em contato outros empresários.  Mais gente ficou interessada. Ele precisou apresentar o projeto  novamente. Conseguiu um negócio ainda melhor, mas só vai poder chegar aqui dia 14, amanhã.

__ Mas mesmo assim foram ao aeroporto.

__Sylvie avisou que você não chegou para trabalhar, Jorge e o Ruivo foram até seu apartamento, o porteiro disse que você saiu para ir ao mercado e não voltou, ele achava que você tinha ido direto para o trabalho. Eles avisaram Cunha. A polícia encontrou sua moto de madrugada. Ben acionou o departamento de trânsito e viu eles baterem em sua moto e arrasta-lo para o carro do Lothar. Mas as câmeras perderam vocês perto do tunel.

__Cunha achou melhor preparar uma emboscada para eles. Era lógico que tentariam pegar Alex na saída do aeroporto.- disse Clara.- Ficamos nervosos, mas era nossa melhor chance de resgatar você.

__Foram todos até lá, por mim?

__Claro! Os falcões se protegem, não sabia.- Disse simplesmente. Neste momento os outros chegavam.

__Oi, Vincenzo, – Diana sorriu para ele.- Como se sente?- Vincenzo olhou para ela, depois para todos os falcões, viu sorrisos amigos e olhares preocupados, viu também gestos protetores, todos estavam ali por ele. Não eram seus parentes, mas agiam como se fossem. Ficou emocionado.

__Eu estou muito bem, Dona Diana.

__Mentira!- Leninha entrou linda, sorridente de mãos dadas com Yuri.- Ele está todo dolorido. Mas é muito machão para dizer. Meus irmãos também fazem assim.- E riu. Vincenzo viu que ela estava feliz com seu Conde. Percebeu Yuri colocando o braço na cintura dela, demarcando o território. Sorriu torto.

__Ok.- Disse.- Estou todo dolorido. Parece que levei uma surra.- Riram todos.- Mas estou vivo. Achei que não conseguiria sair dessa. Então, vendo por esse lado, estou ótimo.

__Mais ou menos.- Disse Xande.- Você teve duas costelas quebradas, alguns cortes e hematomas. Elas bateram muito em você. Vai se recuperar, mas precisa de repouso. O médico virá vê-lo logo. Vai te orientar. Mas acredito que logo poderá voltar para casa. Sem esforços e trabalhos pesados, é claro.

__A polícia pegou eles?- Estava preocupado. Entendeu agora o que eles poderiam fazer com Alex, ou pior, com Clara.

__Todos menos Lothar.- Disse Ben.- Mas Cunha ainda está procurando.- Nisso chegou o médico.

__O que é isso, senhor Vincenzo? Uma festa?- Sorriu amistoso.- Desculpem amigos, mas o paciente ainda está muito debilitado, precisa descansar. Vocês precisam ir.

__Todos nós?- Perguntou Diana.- Mas ele vai ficar sozinho?- Olhou Ruivo.- É perigoso.- Ruivo olhou seu irmão.

__Pode conseguir com Cunha uma escolta para ele? Diana tem razão, aquele maluco pode armar alguma.

_E se um de nós ficar, Doutor?- Perguntou Giu.- Não seria problema, não é? Podemos nos revesar.

__É uma ótima ideia. – Disse Rodolfo.- Mas o rapaz precisa descansar. Se ficamos aqui, vamos acabar conversando com ele. O Doutor tem razão, é melhor todos irmos e voltarmos só no horário de visitas. Quando ele estiver melhor.

__Falou a voz da experiência.- Disse o médico.- Escutem o avô de vocês. Qual de vocês é o parente mais próximo que se responsabilize por ele? Tenho alguns papéis que preciso que assinem.- O médico também achou que fossem a família dele.

__Não são meus parentes, são…- Olhou para aqueles olhares bondosos e não soube como responder.

__Somos amigos.- Disse Beto, e Ben completou:

__E eu sou Benjamim Medeiros, o advogado dele. Pode deixar que assino a internação.

__Ah!-Disse o bom doutor.- Que bom que está aqui. A polícia chegou, veio ouvir o paciente. Eu não quero que ele se esforce muito. Acredito que é o senhor que pode conseguir isso?- Ben sorriu. __Ok, então amigos, vão para casa e só voltem para visitas, e um de cada vez.

__Doutor, podemos chamar Getúlio?- O médico olhou Diana, reconhecendo-a.

__Você é a irmã da Deise, a chefe de enfermagem?- Olhou Vincenzo, sorriu.- Bem, se ele quiser, mas nada de muito esforço.

__Quem é Getúlio?- Vincenzo perguntou.

__É um enfermeiro, ele também é cabeleireiro, e trabalha com crianças no hospital do câncer.- Disse Tia Lia.- Há alguns anos eu precisei acertar meu cabelo aqui no hospital, ele fez um bom trabalho.

__Ele é muito bom- Disse Diana.- E se quiser pode só acertar. O que ele cortar, ele leva para fazer perucas para as crianças.- Ruivo abraçou Diana, sorrindo.

__Amor. Vincenzo não é nosso filho. Não pode trata-lo como Alex, decidindo assim por ele, talvez ele nem queira cortar o cabelo.

__Mas ela tem razão.- Disse Lia.- Não precisa cortar muito.  E pode ajudar as crianças.- Agora foi Rick que abraçou sua esposa, e disse calmo como sempre.

__Parece que Vincenzo encontrou mais uma mãezinha.- Sorriram um para o outro. Rick olhou Vincenzo.- Pelo visto  não tem muita escolha, elas estão resolvidas a cuidar de você, como cuidam dos filhos delas. E todo filho de Lia, automaticamente é meu também. Podemos trazer Getúlio, filho?- Vincenzo não podia acreditar, estavam tratando  ele como tratavam Alex. Nem o conheciam direito, ele tinha armado aquela confusão com Alex e mesmo assim agiam com todo  carinho. Eles não podiam existir de verdade. A polícia veio. Foi cansativo. Quando se foram, deixaram um sentinela na porta. Vincenzo estava muito sonolento. Não soube direito o quanto dormiu. Só o que realmente lembrava, era de ter se sentado e pedido ao tal Getúlio para cortar seu cabelo bem curtinho, com pezinho atrás e tudo, deixando só um topete alto e estruturado, e que levasse todo o seu cabelo para as crianças.

Enfim o esperado dia  da volta de Alex chegou. Todos estavam ansiosos.  Claro que os falcões cuidaram da segurança com muito esmero. E Clara foi linda e com um ramalhete imenso de rosas brancas esperar seu amado. Quando o avião aterrissou, todos os passageiros desceram, menos ele. O coração de Clara apertou. Quando olhou assustada para seus avôs que tinham chego dias antes, eles sorriram para ela. Foi então que notou todos os falcões, os Vogelmamn e os Fazzanos sorrindo para ela. Então ouviu no sistema de som do aeroporto.

__Minha linda namorada.- Era ele. Todas as telas exibiram as imagens dela. Sempre linda, sorrindo com sua família e seus amigos. Dançando de bailarina. Cozinhando. Fotografando. –  Não existem palavras para expressar a imensidão do que sinto por você. No momento que te vi pela primeira vez, lhe entreguei meu coração. Não fazia ideia do que isso significava. Mas fiz. Desde então pertenço a você e passei a ter um pavor incontrolável de não te ter. Troquei todos os meus outros sonhos, enfrentei todos os meus medos para ter você. Então, como sempre acontece quando um amor é maior que a própria vida, Deus me deu seu coração. Neste instante, jurei lutar para merecer seu amor.  Sangrei, mas venci. Estou de volta amor, por você e para você. Não nasci um falcão como você. Mas escolhi ser um na primeira vez  que sorriu para mim. Eu te amo. Por favor, case-se comigo.- Todo o aeroporto bateu palmas. E Clara virou-se para encontrar um lindo príncipe ajoelhado com uma caixinha branca com um anel de diamante dentro. E ele repetiu.- Por favor, case-se comigo?- Ela ficou sem fala. As lágrimas escorreram por seu rosto e pararam eu seu lindo sorriso. As crianças gritaram:

__Clara tem que dizer sim! –Rody.

__Verdade! – Disse Elis.- Eu quero ser daminha!- Todos riram. E Clara saindo de seu transe, estendeu sua mão para ele e disse:

__Acho que terei que aceitar. Afinal Elis quer ser daminha.- Fez uma uma cara de enfado. Alex tirou o anel da caixinha. Uma peça linda, todo o aro tinha a forma de um cabo de rosa com umas folhinhas espaçadas cravejado de pequenos brilhantes e em cima uma rosa perfeita também cravejada servia de suporte para um diamante lindo. Vovô Rodolfo ficava cada vez mais delicado em seus projetos. Mas esse, foi totalmente baseado no desejo de Alex, que pediu também alianças que combinassem com este anel. Elas já estavam prontas há semanas. Alex sorriu  para sua amada dizendo:

__Sabe que não é obrigada, mas depois que eu colocar esse anelzinho no seu dedo, não deixarei ninguém tirar, nem você. Vai ter que arrancar o coração do meu peito para me afastar de você. Pense bem.- Ela fez uma cara dramática de dúvida. Depois jogou as flores para cima se ajoelhou na frente dele beijando-o. Foi muito bonito. Ele levantou ela do chão e rodopiou com ela pelo saguão sob os aplausos de todos. Gigio gravou tudo. Foram todos para casa do Ruivo para um almoço de família. Menos Deise que estava de plantão. Logo que chegaram, Alex reuniu as crianças e deu um presente a todas. Uma pulseira com nome de cada um. A corrente era estruturada e com fechos a prova de queda. Disse que nunca deviam tirar do braço, era um pacto de primos. As crianças amaram. Depois foi até as mulheres, deu a todas uma gargantilha com um pingente de gota com uma pedra de jade, delicada com um brilho verde singelo. Disse para elas sempre usarem, se quisessem colocar o pingente numa pulseira, ou outro acessório, não tinha problema. A joia tinha sido preparada para isso. Depois enquanto as mulheres riam na cozinha, ele se juntou aos homens no escritório e distribuiu a eles pulseiras iguais a sua de aço cirúrgico.

__Sei que nem todos gostam de usar pulseiras, mas estás são diferentes. Tem nela um rastreador. Já configurei todos. Se acontecer algum problema, eu poderei encontra-los. Mas para isso, precisam usa-las todo o tempo. Se elas ficarem mais de uma hora sem mandar o sinal para a minha central, um alarme é disparado. Se seus corações baterem num ritmo perigoso, também.

__Alex.- Disse Ruivo.- Este é seu projeto?

__Sim, pai. – Sorriu.

__Deus, isso deve ter sido um sucesso total. – Disse Beto.- Eu vou querer uma para Nina. Pensando bem acho que vou precisar de uma dúzia. Pode me conseguir?

__Eu já coloquei um rastreador no pingente dela. Todas elas e as crianças já tem um agora. – Seus parentes o olharam com orgulho.

__Alex, Bela já tem o que você me cedeu antes.

__Mas esse é mais avançado. E ela pode usar todo tempo, não precisa tirar no avião, nem nada. Eu trouxe um novo para a mamãe também. Já anulei o outro sinal.

__Isso deve ter custado uma fortuna._ Disse Cunha.-  Espero que seja presente. Sou policial, não posso pagar por esse equipamento, e tenho mulher e três filhos.- Todos riram.

__E eu então.- Disse Xande.- Sou bombeiro.- Riram mais ainda.

__Do que serviria meu talento se não fosse para proteger vocês, que são quem sempre me amaram?- Seus tios se emocionaram.

__Oh, meu menino.- Disse Xande abraçando Alex.- Você sempre foi um presente na minha vida. Sempre será o filho que eu não pude gerar, meu primeiro orgulho paternal. Sabe disso, não é?

__Eu não sou tão velho quanto Xande.- Disse Cunha. Os outros riram.- Mas sabe o que você significa para mim e para sua tia.

__Alex.  _Disse Rick.- Eu poderei saber se meus filhos estão bem em qualquer momento? Mesmo os casado? E meus netos? E Lia?- Os olhos azuis de Rick brilharam, ele também compartilhava o pavor de Alex, de perder sua família. Era tão protetor quanto ele.

__Sim. Para isso vai precisar acessar um código que eu vou passar para o senhor. Mas tem que usar com cautela por que o sistema é muito sensível e….- Não conseguiu terminar. Rick o abraçou com força aos prantos, Alex nunca o tinha visto assim.

__Ah! Alex. Eu tenho pavor de perde-los, eu tento deixa-los livres para fazer suas escolhas, mas…. Mal consigo respirar antes de ter certeza que estão todos em casa, bem. Sempre lutei contra esse medo, mas depois que aquele maluco sequestrou Alana e a  doida da mãe dele levou Liv e deixou Lia ferida eu…- Chorou. Jorge acariciou as costa de seu pai com lágrimas escorrendo por seu rosto. Todos sabiam o quão valente Rick era, mas também conheciam sua maior fraqueza.- Obrigado Alex. Nunca poderei pagar o acaba de me dar.

__Nem eu.- Disse Jorge com a voz embargada. Alex olhou todos ali e viu as mesmas palavras em seus olhos.

__Certo.- Disse.- Mas para funcionar direito, não podem tirar. Ok?

__E você, meu bravo e genial neto-genro?- Disse Beto.- Quem pode encontrar você caso alguma coisa aconteça? Fora Clara.- Ele sorriu e olhou Ruivo.

__Meu pai.- Foi a vez do Ruivo chorar.

__Deus? O que fiz para merecer você, meu filho?- Abraçou Alex feliz.-  Sabe que  sempre pode me chamar, né? Sempre que precisar de mim, estarei lá para você?- Alex o olhou profundamente.

__Eu sei.- Olhou todos.- Eu sei que posso contar com todos vocês. – Suspirou.- Por isso quero que me digam o que estão escondendo de mim.- Ele era esperto.- Vamos, sei que algo aconteceu. Digam.

__Lothar sequestrou Vincenzo.- Disse Ben.- Bateu bastante nele, e tentou troca-lo por você.

__Onde ele está?

__Lothar está foragido.- Disse Xande.- Vincenzo no hospital.

__Os comparsas dele foram pegos, mas em todos os endereços que deram não encontramos Lothar. – Disse Cunha.- Ele não é bobo, está se escondendo bem. Mas vamos acha-lo.- Alex pensou.

__Porque ele pegou Vincenzo?- Antes mesmo de lhe responderem ele olhou pela janela e viu Clara rindo com as crianças.- Ele foi atrás de Clara na Menu.

__Foi isso.- Disse Ruivo.- Mas não falou com ela, papai tinha ido busca-la. Enganou Vincenzo, disse que estava procurando você para fazer as pazes. Vincenzo disse a ele que você estava estudando fora e que voltaria dia 12.

__Vincenzo ouviu Clara falando com Leninha no telefone antes de embarcarmos.- Disse Yuri.

__Ele ainda estava muito ferido com o que aconteceu na Alemanha, mas não acredito que quisesse machucar ninguém.- Disse Jorge.

__Na verdade.- Disse Vovô Rodolfo.- Eu acho que ele não podia imaginar que existem pessoas tão ruins de verdade. Também já fui ingenuo assim.

__Como ele está?- Perguntou Alex.

__Quebrou umas costelas, tem hematomas para todo lado, alguns cortes de faca.- Disse Cunha e Alex prendeu os dentes na boca.- Mas ele vai ficar bem.

__Só os cabelos que não vão se recuperar tão cedo.- Disse o Ruivo.

__Como?- Perguntou Alex.- Eles cortaram o cabelo dele?

__Não dá para dizer que cortaram.- Disse Giu.- Parece que pegaram uma faca e passaram como se fosse em uma corda. Ficou todo desigual de um dos lados.

__Ele deve ter sentido muito, cuidava tanto daquele cabelo.- Disse.

__Na verdade mandou cortar todo o resto para mandar para as crianças do hospital do câncer.- Alex encarou Ruivo.- Verdade. Foi ideia da sua mãe e de Tia Lia, mas ele pediu que cortassem bem curto. Só sobrou um topete. Parece outra pessoa.

__ Na verdade está com o corte parecido com o seu, a cor é quase igual. Não fosse a barba e os olhos dele e o seu tamanho, pareceriam irmãos.- Disse Yuri.

__Ele está muito preocupado com você.- Disse Ben.- E com Clara. Se sente culpado por ter falado com Lothar. Acha que vocês estão correndo perigo por causa dele.

__Quando tempo ele vai ficar no hospital?

__Não sei.- Disse Xande.- Acho que pouco. Está machucado, mas no caso dele é melhor se cuidar em casa.

__Os pais dele estavam viajando, já voltaram?

__Eu acho que não.- Disse Gigio.- E ele mora sozinho. Parece que tem um cachorro.

__Até onde sei, os irmão dele também moram longe. – Disse Yuri.

__Sim. -Disse Giu.- Ele  me disse que veio para cá para estudar na Menu.

__Não acho que seja um rapaz ruim.- Disse Vovô Carlos.- Só um pouco desorientado. E temos que reconhecer, Clara é linda, pode virar a cabeça de qualquer um. E ainda é inteligentemente bem-humorada.- Riu.- Já lhe disse o que uma outra Clara com esses mesmos atributos fez comigo.- Alex olhou Clara novamente.

__Acho que Vincenzo tem razão.- Olhou para eles.- Estamos em perigo. Todos nós. Na verdade, todos vocês. Lothar quer a mim, e fará qualquer coisa para conseguir me pegar. Ele me quer vivo, mas pode machucar, ou até matar qualquer um de vocês para conseguir isso.

__Porque acha que ele quer você, bambino.? Disse Giulliano.

__Ele não quer exatamente a mim, Tio.- Olhou triste para as crianças no gramado.- Ele quer o meu talento.

 

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