Falcão por opção

Capítulo 8

O primeiro lugar que pararam era lindo. Um restaurante nas montanhas com vista para um lago e vales verdes cheios de flores pequeninas. O lugar era muito pitoresco, as mesas e cadeiras entalhadas em madeira maciças, grandes janelas de madeira e vidros. Muitas flores por todo o lugar. Um fogão de lenha muito antigo e outros detalhes pintados com umas flores típicas completavam a decoração rústica, mas muito bonita. Enquanto as crianças corriam pelos jardins, e os mais velhos se aconchegavam nos bancos, Clara quis conhecer a cozinha. Os cozinheiros, Ritinha e Alex, lógico, foram com ela.

__Não sabia que gostava de cozinhar, Ritinha?- Perguntou Leninha .

__Não sei nada de cozinha.- Disse tristemente.- Só comer, claro.- Sorriu meio de lado.- Nunca tive tempo para aprender. Desde pequena levei jeito com os números, muito cedo comecei a trabalhar e … Bem, nunca cozinhei. Não sozinha. – Sorriu para Alex. Clara por algum motivo se sentiu incomodada com aquilo. E Ritinha continuou.- No orfanato, as crianças tem aula de culinária básica, sem falar nas de Clara aos  sábados, mas eu nunca tenho tempo de ir. Mas eu gostaria muito de aprender, pelo menos o suficiente para não por fogo no apartamento de Alex.

__Você mora no apartamento dele?- Perguntou Leninha surpresa.

__Sim. – Pensou.- Não com Alex. Morro no apartamento que ele e Dona Diana moravam antes dela se casar com o Diretor Carlos. Dr Benjamin me ofereceu para aluga-lo por um valor legal. E o apartamento é ótimo e eu precisava desocupar meu antigo quarto no lar.- Vincenzo a olhou.

__Você morou em um orfanato? Quanta coincidência.

__Na verdade não é muito. Eu cresci num dos lares que a Família Medeiros ajudava. Quando demonstrei vocação para matemática, Sr Medeiros me ofereceu uma bolsa de estudos na Prestes de Medeiros. Com o tempo Sr Roberto me propôs um estágio remunerado no Grupo Medeiros & Medeiros. Comecei a trabalhar primeiro como menor aprendiz, depois Dr Benjamin mudou meu contrato e passei a fazer parte da equipe. Quando Professor Jorge precisou de ajuda, fui para o orfanato.

__Então não teve escolha, né?- Vincenzo gostava mesmo de provocar.

__Para ser sincera, tive sim.- A garota tímida o encarou. Ela era valente. Empurrou seus óculos com o dedo médio ajeitando-os no lugar.-  Sr Medeiros me perguntou se eu gostaria de ir.  Disse que se eu não me sentisse bem, Dr Benjamin encontraria um outro funcionário qualificado, e eu continuaria no financeiro da empresa. Sr Roberto disse que na verdade, mexer no meu contrato novamente daria trabalho para Dr Benjamin, mas que mesmo assim eles estavam me oferecendo esta oportunidade de promoção porque acreditavam que seria bom para mim também. Eu estava no segundo  ano da faculdade, poderia colocar todos  os conhecimentos em prática. Dr Benjamin me disse para visitar o orfanato antes, conhecer o Professor Jorge e tudo mais, então tomar minha decisão.- Leninha percebendo o mau estar, tentou contornar.

__Então você ficou encantada com tudo, feito eu? – Riu. Ritinha sorriu lindamente.

__Sim. Tudo era tão claro, tão limpo, tão arejado. Minha sala era tão bonita, tão feminina.- Baixou os olhos com um sorrisinho encabulado.- Minha antiga sala era ótima, mas eu era a única menina. O Professor Jorge, Dona Diana e eu trabalhamos na sala da diretoria quase todo o tempo juntos, mas todos temos nossas salas. Eu realmente achei tudo muito alegre. E também gostei muito do contato com as crianças. Eu continuo a fazer o mesmo trabalho no financeiro, mas progredi para outros campos da logística e do secretariado. Isso me possibilitou uma pós bem interessante, e uma remuneração melhor. Foi uma boa escolha.- Encarou Vincenzo corajosa. Vincenzo viu que desagradou muito a doce órfã dos números. Riu divertido.- Só que tenho pouco tempo livre.- Olhou Clara se desculpando.- Gostaria muito de ter aprendido fazer aquele pão de queijo. As vezes até sinto o cheiro dele pela casa.- Clara riu.

__Ah! Querida!- Abraçou Ritinha.- Eu vou lhe mandar a receita. Melhor, vou até seu apartamento para fazermos juntas. Assim mato um pouco a saudade do jardim.- Olhou Alex.- E do quarto de Alex.- Alex sorriu tímido.

__Agora parece mais o quarto das gêmeas de Ben. É todo rosa e tem uns brilhinhos…

__Como sabe?- Perguntou Clara de supetão. Alex pegou-a pela mão, e trouxe para seu peito.

__Fui com Ben para ajustar o contrato antes de vir para o intercâmbio. O jardim que o Ruivo fez estava igual, mas o meu antigo quarto parecia mais o quarto das minhas primas.- Riu baixo. Ritinha também riu.

__Não zombe de mim. Eu sou menina, não queria um quarto de garoto. Estou errada Clara?

__Acho que ela tem direito de escolher a decoração do quarto dela.- Disse sorrindo para Ritinha, mas Alex sabia que não era um sorriso completo.- O que aconteceu com os móveis da casa? Achei que tinha alugado de porteira fechada.

__Os móveis que Alex deixou no quarto, eu guardei no quarto da Dona Diana, guardei também algumas coisas que não iria usar. Embalei tudo direitinho, claro. Deixei só as coisas que realmente uso, e algumas coisas que são minhas.

__Então, mudou a decoração também? Que legal! Deixou mais parecida com você? Isso quer dizer que gosta de morar lá.- Clara gostava de Ritinha, embora nesse momento sentisse uma pontadinha de ciúme dela.

__Eu gosto sim. Dona Diana também disse  que é bom eu colocar as coisas que gosto. Arrumar do meu jeito. Segundo ela, os órfãos tem dificuldades de construir um lugar próprio. Principalmente os que sempre viveram em um lar. Eu só saí quando terminei a pós. Mas eu gosto muito do apartamento,  tem o jardim, e as meninas dançando no corredor.- Sorriu. -Eu gosto.- Clara sentiu um aperto no coração. Ritinha não tinha família e era tão querida. Como ela pode ter tido aqueles sentimentos ruins a instantes atrás. Virou-se nos braços de Alex, estendeu as mãos para ela e segurando as mãos de Ritinha  disse sincera.

__ Você está certa, querida. Não tinha lógica dormir num quarto de menino. Se quiser mudar mais alguma coisa no apartamento, me avise. Irei escolher junto com você e te ajudo a montar se for preciso. Conheço umas lojas ótimas e com preço bem em conta. E melhor, que atendem em horário de shopping.- Riu.- Não se preocupe com seu senhorio. Se ele invocar com alguma mudança que fizer no apartamento, manda ele falar comigo. Acho que posso convence-lo rapidinho – Alex e as meninas riram.- E quanto as suas aulas de culinária, estão de pé. Podemos encontrar um horário que seja bom para você.

__Porque não fala com Jorge?- Disse Alex.- Ele pode encontrar um horário que Clara possa dar aulas para as crianças mais velhas. Talvez uma vez por semana de noite.Quem sabe neste horário você também possa assistir.

__Mas Clara não pode chegar tarde em casa?- Disse Vincenzo caçoando.- Ela tem que esperar uma certa chamada.- Riu. Alex apertou de leve o corpo de Clara contra seu peito, beijou o rosto dela e disse:

__Será por uma boa causa. Posso esperar um pouco mais.- Pensou um segundo.- Poderiam  falar com Jorge se ele não concorda com um curso básico com um rodízio de professores. Alice, Liv, mamãe, Tia Lia cozinham muito bem. E até Jorge gosta de cozinhar. Assim vocês dividem as aulas, não fica pesado para ninguém, nem cansativo para os alunos.

__É uma ideia ótima, amor. Podemos até criar um menu para ser trabalhado no mês. E no último fim de semana juntamos tudo e todos e fazemos um almoço para todas as crianças. Assim as crianças e Ritinha treinam o que aprenderam, aproveitamos tudo o que cozinharmos e ainda ficamos um tempo todos juntos. Vai ser muito bom. O que acha Ritinha? Falamos com Jorge?

__Eu acho muito bom. Acho que ele vai gostar. Para mim pelo menos será ótimo. Não sei se vou me sair bem, mas pelo menos paro de comer comida de microondas.- Sorriu para a amiga.

_ Eu que saio no lucro.- Disse Alex.- Menos risco de ver meu apartamento ir pelos ares.- Sorriu tímido. Clara e Ritinha riram mais.

— Quer dizer que é tão ruim assim? Não acredito que a menina dos números não consiga calcular o tempo de cozimento.- Vincenzo estava mesmo a fim de briga. Clara olhou feio para ele e Leninha também. – O que foi? É estranho. Sempre achei que cozinha tivesse tudo haver com matemática. Não acredito que…- Olhou para Alex, e pela primeira vez o viu como um homem seguro, um guerreiro protetor. Alex passou um braço em volta de Clara e a movimentou devagar para o lado esquerdo, com a outra mão trouxe Ritinha para debaixo de seu braço direito. Ela era uns 10 centímetros menor que Clara, os traços indianos ficaram apenas nos longos cabelos negros e nos olhos de Sherazade. Os cabelos com a franja longa, sempre trançados, os óculos com armação de gatinho eram muito bonitinhos. Ela parecia mais nova ao lado de Alex. As duas pareciam. Talvez porque ele fosse tão alto, ou porque agora olhava para Vincenzo como um guardião, protegendo um tesouro. Vincenzo olhou para Ritinha, e percebeu que aquela história devia ter um significado mais profundo, algum problema que ele não deveria mexer.-Ah! Que nada!- Disse.- Isso é bobagem! Todo mundo pode se distrair e queimar um arroz de vez em quando. Até Clara.- Riu. Clara e Leninha começaram a discutir de brincadeira com ele. Ritinha soltou o ar preso no pulmão devagar. Vincenzo viu. Alex olhou para ele e num pequeno gesto com os olhos agradeceu por ele ter mudado o rumo da conversa. Chegaram a cozinha. O Chefe  Hanz, muito alto, muito loiro, muito alemão, foi bem gentil. Mostrou tudo. Inclusive as máquinas e fornos antigos de barro e outros modernos eletrônicos para Alex.  Comeram como reis. Após o almoço voltaram para a estrada linda com vistas maravilhosas, passando por Estugarda. Chegaram no Castelo de Eltz as 3:00 da tarde. O lugar era maravilhoso. As crianças enlouqueceram. Leninha e Ritinha pareciam encantadas, nunca tinham visto algo daquele jeito e tamanho. O próprio Conde de Eltz veio recebe-los. Ele era um fã de tio Rick. Mostrou todos os livros dele na sua biblioteca que parecia tão grande quanto a municipal. Ele separou um quarto para cada casal e seus filhos. E dois quartos para os solteiros. Todos os quartos eram suítes espaçosas totalmente medievais. Paredes de pedras largas, cortinas de tecido estampado em vermelho e dourado, camas, cadeiras e mesas de madeira maciças. Lareiras, castiçais, armaduras, grandes escudos e armas medievais em todos os lugares. Os vasos e os candelabros pareciam de filme. No térreo e nos primeiros andares, o castelo estava aberto para visitação. Nos andares superiores ficavam os aposentos da família do Conde e de seus visitantes. Como todo bom castelo tinha torres, calabouços, correntes, pórticos, vielas, poços e tudo mais. Sem contar a vista, coisa de cinema. Como era de se esperar o Conde e sua família também desfrutavam das modernidades, por isso assim que Alex foi apresentado, se tornou o centro das atenções. O Conde, seus seguranças, seu filho e outros interessados em ouvir o gênio da eletrônica que o Instituto de Munique vinha alardeando como prodígio. Quando enfim conseguiu chegar ao quarto que dividiria com Vincenzo, este estava no banho. Alex viu a cama que Vincenzo tinha escolhido e o armário que colocara suas coisas. Colocou-se na cama oposta e utilizou os móveis deste lado. Quando terminou de guardar tudo, trancou com uma chave e depois conferiu todas as travas de segurança de seus aparelhos eletrônicos.  Não duvidava da honestidade de Vincenzo, mas era óbvio o interesse por Clara. Ele era o tipo de homem que lutava com todas as armas pelo que queria. Isso ficou muito claro para Alex quando o viu provocar a pobre Ritinha. Mas também percebeu que ele não era um cara mau. Simplesmente, Vincenzo estava apaixonado por Clara e diferente dele, tinha total confiança em si mesmo. Alex separou o que precisava para seu banho. Assim que Vincenzo saiu, ainda enrolado na toalha, viu Alex na janela olhando o vale. Vincenzo não podia negar, o rapaz era grande. Tinha braços e pernas bem fortes, numa briga não seria fácil vence-lo. Mas pelo que Vincenzo tinha visto mais cedo, o garoto era muito dócil. Ele nem soltou fogo pelas ventas quando o viu com as malas de Clara. Se fosse ele, haveria sangue. Alex se virou e amigavelmente disse:

__Já terminou? Posso tomar meu banho agora?

__Vai lá, garoto.- Virou-se para o banheiro.- Espere só pegar isso aqui.- Pegou suas roupas e enrolou uma trouxa trazendo consigo.- Prontinho. A água está ótima.- Alex sorriu de canto, pegou suas coisas e entrou. Vincenzo sentou-se em sua cama, olhou a cama de Alex, estava tudo muito arrumado. O criado mudo e a escrivaninha também.

__Ele é um nerd mesmo. Clara tinha razão. Tão arrumadinho! Nem parece homem.- Riu sozinho. Ouviu o chuveiro.- Certo. Ele está ocupado. – Abriu o notebook de Alex.- Só uma olhadinha.- Na tela de descanso, tinham fotos se sucedendo simultaneamente. Da família, das crianças do orfanato, Ritinha, alguns rapazes tão nerds quanto ele, Vincenzo achou que deviam ser colegas da escolas, muitas fotos da mãe e do padrasto e muitas, muitas fotos de Clara. Ela era mesmo linda. Vincenzo tentou entrar, mas lógico que o mestre da eletrônica teria senhas. Ele não conseguiria. Mas já pode perceber  que Alex dava muita importância as pessoas. Um gênio da eletrônica deveria ter como descanso de tela máquinas, carros talvez até motos como ele, mas Alex tinha pessoas. Sua família para ser exato. E Clara. O chuveiro parou. Vincenzo fechou o note e apressou-se para sua cama. Não faziam nem 10 minutos ele não podia ter acabado. Vincenzo colocou a calça, os tênis e pegou uma camisa azul marinho com bolinhas bem pequenas. Quando ia vesti-la, Alex saiu do banheiro vestido com um jeans, uma camiseta branca, os cabelos molhados penteados para trás, com a barba feita, com suas roupas e toalha dentro de um saco para lavagem. Vincenzo olhou dentro do banheiro e não pode acreditar quando viu tudo em ordem.

__Cara, você é o Flash?- Riu e Alex também.- Como conseguiu?- Alex caminhou para seu armário, guardou uma pequena bolsa com coisas de banho, pegou um par de tênis e um de meias e uma camisa xadrez de manga comprida. Sentou-se em sua cama.

__Eu fui muito bem treinado. Nasci em um orfanato.- Vincenzo parou de pentear os longos cabelos molhados.

__Como? Mas e sua mãe?

__Minha mãe e minhas tias estavam vivendo no orfanato quando nasci.- Terminou de calçar o tênis olhou Vincenzo e disse tranquilo.- Não conhece minha história?

__Não. Só o que sei de você é que é um gênio da eletrônica. E que namora sua tia pelo computador toda noite.- Riu. Alex Também.

__Nem tudo é o que parece. Sim gosto de eletrônica e de robótica, sou bom nisso, e namoro Clara, a irmã do meu padrasto, mas tem bem mais coisas na minha vida que uma linda loira sorridente e componentes de transmissores. Você também, não é? Sei que você é um excelente cozinheiro, mas não é só isso, certo? Gosta de motos envenenadas, tem uma coleira na trava da sua mala, deve ter um cachorro, gosta de bagunçar o banheiro.- Riram.- De  usar o cabelo comprido, tem primos com restaurantes na Alemanha, é bem esperto percebeu que Ritinha tem problemas em calcular o tempo.- Olhou-o nos olhos.- Obrigado por mudar o assunto. Ritinha é uma moça muito inteligente, tem uma aptidão para os números invejável. É muito organizada e eficiente. Para o trabalho no orfanato ela é ideal. Também é doce com as crianças. Quando era pequena foi encontrada em um bote salva-vidas no litoral sul. Os médicos avaliaram que ela tinha uns 4 anos. Não sabem direito o que aconteceu, ela estava com um ferimento na cabeça, desacordada, desnutrida e desidratada. Não tinha nenhum pedido de socorro registrado na guarda costeira para aquela área. Ela não tinha nenhum documento, nem remos  só o colete que era de um adulto amarrado no corpo dela. Quando ela acordou, não sabia dizer quanto tempo tinha ficado no mar, nem como tinha ido parar lá. Até hoje, não se sabe direito sua origem, mas quando a acharam ela falava português, inglês e hindi. E os traços indianos dela são bem visíveis. Eu, Ben e tio Rick cruzamos algumas informações. Encontramos uma embarcação desaparecida que saiu dos Estados Unidos e deveria chegar a Portugal. Nela estavam turistas e dentre eles um casal de Matemáticos. O homem que era Inglês teve um infarto fulminante no terceiro dia de viagem. O capitão avisou o ocorrido a companhia dona do navio. Explicou que a mulher que era indiana fez questão que colocassem o marido na câmara fria para que o funeral fosse feito em Portugal. Segundo ela,  ele tinha apenas ela e uma filha de 4 anos como família. A embarcação desapareceu numa tempestade. Foi encontrado pedaços do casco meses depois em Cabo Verde. Todos os 35 turistas e os 10 tripulantes foram dados como mortos. A companhia indenizou as famílias, menos a dos Matemáticos. Ben entrou com um recurso tentando comprovar a identidade dela e o direito a indenização, mas é um processo demorado. Tudo se baseia em suposições. Principalmente, porque se Ritinha era a filha dos Matemáticos, ela ficou a deriva por mais de 3 semanas, e fez um trajeto totalmente diferente que os restos do barco.

__Que história!- Vincenzo estava pasmo.

__Concordo. Ela não sabe sua origem e não se lembra de nada de antes de acordar no hospital. Depois foi para o orfanato. No primeiro que ficou, era muito maltratada. A instituição foi fechada. Depois ficou em uma que era mais limpa, mas algumas  meninas foram abusadas por um funcionário.

__Deus! Que horror!

__Pois é.  Ela era muito pequena, e logo foi transferida, não foi uma das vítimas. Neste ponto já demostrava sua vocação pela matemática. A instituição que a acolheu desta vez era ajudada pelos Medeiros. Um dia, Vovó Elisa e Tia Lia foram visitar o local e bem, ela já contou essa parte.

__Pobrezinha. – O Italiano demostrou toda a sua compaixão.- Como uma criança pode sofrer tanto? Coitadinha.- Vincenzo parecia mesmo arrasado.

__É mesmo muito triste. Mas Ritinha é muito valente. Já venceu. É uma profissional valorizada. Uma mulher de caráter. Tem dificuldade em se situar no tempo, mas isso não a impede nem atrapalha em nada. Quer dizer, só cozinhar. Já queimou todo tipo de alimento.- Riu.- Minhas primas dizem que toda vez que sentem cheiro de queimado, correm para porta dela. Mesmo se for nos horários que ela está no trabalho. – Os dois riram. Ouviram uma batida na porta larga.

__Amor? Posso entrar?- E Leninha gritou.

__Estão vestidos!- Alex estava pronto, e Vincenzo fechando a camisa.

__Sim. Estamos.- A porta se abriu com Leninha dizendo.

_Ah! Que pena.- Riram. Clara caminhou para Alex, se pôs em seus braços dando um beijinho casto em seus lábios.

__Que cheiroso. Fez a barba?- Acariciou o queixo dele.- Que delícia.- Ele sorriu. Vincenzo viu que o garoto não era nada bobo. Ele mantinha a barba assim tão bem feita, porque Clara gostava. Notou que Clara colocou o braço na cintura dele entre a camisa xadrez e a camiseta branca de algodão. Eles se conheciam bem.

__Você é que é sempre cheirosa e linda.- Olhou para ela intensamente. E sorriu, como só fazia para ela.

__Quer ir ver sua mãe e o Ruivo, ou quer explorar o castelo?

__Quero muito explorar o castelo, mas primeiro quero ver mamãe e o Ruivo, sabe onde eles estão?- Clara o puxou para a janela.

__Lá.- Riu. Alex e os outros olharam pelas janelas. Diana e o Ruivo estavam se beijando no jardim florido.

__Bem. Talvez seja melhor explorar o castelo primeiro, então.- Riram.

__Garoto! Como você deixa aquele cara agarrar sua mãe daquele jeito?

__Ei!- Disse Clara.- Aquele cara, é meu irmão. Ok?

__Vai bobo!- Disse Leninha.- Porque não aprende a ficar quieto!

__ Dona Diana é adulta, e o Diretor é marido dela.- Disse Ritinha.

__E tem outro porém, meu caro amigo, Vincenzo.- Disse Alex calmo e gentil.- Aquele cara ali, é meu melhor amigo. Confio minha vida a ele. É o pai do meu coração. Sem contar que acho que  é ela que está agarrando ele.- Riu junto com os outros. E foram para a exploração. Não demoraram a encontrar as crianças e vários falcões atrás delas pelo Castelo.

 

 

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