O gêmeo mais novo

Capítulo 15

Assim que saíram do quarto de Lia, Ben começou a fazer as transferências no laptop de Alex. Carlinhos virou o corredor e viu a enfermeira Larissa digitando no celular ao lado um carrinho de limpeza  com um balde de água com sabão. Tirou seu próprio celular e fingiu estar distraído digitando também. Esbarrou nela com força fazendo os dois aparelhos voarem para dentro do balde:

__Ai meu Deus como sou desastrado! Desculpe moça! Deixa que eu pego. – Virou-se para ela fingindo inocência. -Não acredito que fiz isso.- Colocou a mão no balde, pegou primeiro o seu, depois o dela.- Aqui este é o seu.- Deu a ela um aparelho encharcado, cheio de sabão.

__Mas que porcaria! Como vou fazer agora sem celular?- Estava muito brava.-

__Desculpe mesmo Larissa. Olhe pode ficar com o meu se quiser. Até que eu tenha tempo de comprar um novo para você, não posso sair daqui agora, mas assim que puder….

__Seu idiota! O seu também caiu no balde, não foi?- Furiosa.

__Sim, mas ele é a prova d’água. Pode ficar com ele. Para quem estava ligando? Quer que faça a ligação para você?-Ela parecia que estava espumando mais que o celular.

__Algum problema por aqui Larissa?- Viraram -se e Carlinhos viu duas mulheres altas negras e na casa dos 30 anos. Uma segurava um bebezinho, vestia uma camisola de florzinha e um robe combinando e calçava pantufas. Claramente tinha dado a luz. Tinha olhos negros bem bonitos e   uma cintura bem elegante, que não fazia jus ao pequeno em seus braços que parecia de horas. A outra usava óculos de grau elegantes e tinha olhos igualmente negros por trás deles. Vestia um vestido e um casaquinho do mesmo tecido bonito em tons mesclados de bege. Os sapatos eram bege e elegantes, mas pareciam confortáveis. – A enfermeira Larissa tremeu um pouco e respondeu:

__Não senhora, está tudo bem.- Carlinhos tomando a palavra.

__Na verdade, acabei de derrubar sem querer o celular da enfermeira Larissa no balde de limpeza. A  água estragou ele um pouco. Eu ofereci o meu para ela usar até que eu possa sair e comprar outro. Mas ela está um pouco nervosa como era de se esperar. -Olhou para todas  e disse dramaticamente- Me sinto um idiota, estou péssimo. Por favor fique com meu aparelho por enquanto.- Estendeu-o a ela.

__Talvez devesse aceitar, até que possa consertar ou substituir o seu. – Disse a com óculos.- O moço pelo visto pretende faze-lo para você. Enquanto isso pode terminar suas ligações mais urgentes.

__Também acho Larissa. Seja como for, não quero saber de confusão no corredor. Estou de licença, mas ainda sou sua chefe. Onde está Anita?

__Não sei senhora. Deve estar na ambulância.

__Certo. Quando vê-la, diga que quero que fique no hospital, tem uma idosa que terá alta a qualquer momento. A senhora Dolores do 2º andar. Ela precisa da melhor viagem para casa. O conforto é muito importante no caso dela. Já falei com Dr Renato. Está ouvindo Larissa, Anita não deve deixar o hospital, se um chamado for feito, a central vai enviar outra ambulância. Já estão sabendo. Quero que vá avisa-la, e que volte o mais rápido possível. Estão com o pessoal reduzido. – Olhou Carlinhos de cima em baixo e disse.- Não tem tempo para paquerar no corredor.- Larissa nem tentou negar, saiu batendo o pé no chão de raiva, assim que sumiu de vista. As mulheres riram.

__Deise, você é mesmo muito cruel com seus subordinados. Não dá uma folga nem quando dá luz.

__Olhe só quem está falando. Dona Juíza Durona.- Riu e olhou Carlinhos.- Não se preocupe Diretor Carlos, ela está de plantão. Não sairá do prédio. E agora Anita também não.

__Pode ficar tranquilo. Meu marido está em frente a casa de seu irmão, e meu cunhado já está quase chegando. Vai dar tudo certo.- Elas eram as irmãs de Diana, agora pode reconhecer os traços.

__Alex contou para vocês?

__Ele estava mesmo preocupado, tanto quanto Diana. Ela mandou uma mensagem. Queria saber se eu conhecia a enfermeira.- Disse Deise.- Conheço todo o meu pessoal. Mas ela e Anita vieram para cá a pouco tempo. Percebi uma ligação entre elas, mas não tinha como imaginar que tramavam algo assim. Seu irmão deve estar bem abalado.

__Sim, ele ama muito a Noiva. E ela é realmente um doce não deveria estar passando por algo assim.

__Você é igualzinho a ele.- Disse Dalia.-É espantoso.

__Na verdade sou mais bonito.- As duas riram. Carlinhos viu Larissa. Disse baixinho- Ela está voltando.

__Ela estará ocupada com o trabalho, precisa parecer que está num plantão normal. Mas tomem cuidado, voltarei para meu quarto.

__Posso ver o pequeno antes?- Deise sorriu.

__Sim é claro.- Mostrou o bebê.- Gosta de crianças?

__Não tenho escolha,  venho de uma família louca por crianças. Além disso, sou diretor de escola. É muito fofinho. – Sorriu.

__Bonito hein?- Era Jorge. – Pensei que tivesse outra função a fazer. – Chegou perto e olhou o bebê e sorriu também.- Que lindinho! Qual o nome dele?- Elas olharam dois homens enormes, fortões babando por um bebezinho. Eram mesmo homens de família, embora fossem uma tentação de tão bonitos.

__Marcelo.

__Muito bonito seu nome Marcelo. – Jorge , olhou para as duas.- É  melhor entrarem. São as irmãs de Diana, certo?- Elas afirmaram.- Estamos tentando manter a confiança, mas não sabemos se vai dar tudo certo. Por isso é melhor se protegerem. Ben acabou a transferência, vamos avisar a polícia.- Nisso  Ben veio pelo corredor com Alex.

__Juíza Dalia que bom vê-la.- Apertou a mão da mulher em seguida olhou o bebê e sorriu.- Esse é o famoso bebê do dia, puxa é mesmo lindo.- Deise pode ver a espantosa semelhança que Dalia se referia, eram mesmo iguaizinhos, só o corte de cabelo que parecia um pouco diferente e as roupas. Sem falar é claro na nítida tensão na voz de Ben. Ele olhou as duas.- Quero muito agradecer pela ajuda de seus maridos. Serei eternamente grato a família de vocês.- Olhou Alex.- E infinitamente, a este garoto aqui.- Passou o braço em seus ombros, e Alex sorriu sem jeito. -Agora por favor,  entrem no quarto e não abram a porta. Essas pessoas são loucas. Meu irmão e meu primo ficarão do lado de fora, não deixarão ninguém entrar até que tenhamos uma boa notícia.

__Acha necessário, Doutor Medeiros?- Perguntou Dalia.

__Senhora, eles levaram minha noiva e machucaram minha tia. – A angústia floresceu na voz dele.-  E por dinheiro. Não tem escrúpulos. É melhor estarem o mais protegidas que pudermos.

_Ele tem razão senhoras. Imagino que conhecem toda a história. Pelo que parece, essas pessoas são parentes do ex marido de minha esposa. Um homem capaz de bater numa mulher grávida e de raptar a própria filha por dinheiro. Não sabemos até que ponto podem chegar.- Jorge também estava muito preocupado, afinal, eles estavam com Liv, sua amada gêmea.-

__ Alex, você fica com elas. – Disse o Diretor. Alex tentou retrucar…

__Mas Ben…- Ben o abraçou.

__Por favor amigo.  Não posso arriscar machucar você, sua mãe me esfolaria. E mesmo que ela não, minha irmã faria.- Olhou o Ruivo.- Sem contar esse seu Diretor ali. Ele acha que tem que proteger todos os alunos dele.- Sorriu- Ele é assim sorridente, mas bate muito bem. Preciso estar inteiro para o meu casamento. Casamento esse que graças a você, vai acontecer. Cuide de suas tias, ok?  O Ruivo e Jorge estarão aqui se precisar de alguma coisa._  Meio relutante ele  olhou o diretor.

__Vamos Alex, é para sua segurança e a nossa. – Riu.- Clara também bate muito bem para uma garota. Acredite!- Riu mais alto. Depois ficou sério e disse. – Entre Alex, prometemos a sua mãe que cuidaríamos de sua segurança. Você foi brilhante, agora deixe o trabalho bruto para os não tão brilhantes. Ok?- Alex sem saída entrou junto com suas tias. O gêmeo mais velho e Jorge ficaram na porta delas. Ben caminhou para seu avô e os dois foram até os policiais, e contaram tudo o que descobriram. Disseram o que Lia havia se lembrado e o que Clara e Alex confirmaram. E que no telefone Liv dava deixas de onde estava. Os policiais que estavam no hospital entraram em contato com os que saíram para averiguação e foram todos redirecionados para a casa da praia. Ben e Rodolfo falaram sobre a enfermeira e a socorrista, os policias foram montar guarda discretamente onde elas estavam. A enfermeira rondava a polícia, nem foi difícil encontra-la. Já a socorrista estava entocada na ambulância. Ben andava de um lado para o outro estava extremamente nervoso. Rodolfo nem tentou acalma-lo. 20 minutos se passaram então o celular de Ben tocou. Um numero desconhecido, ele atendeu.

__Sim?- Ele tremia.

__Carinho! Estou bem! Estou no carro de bombeiro com o cunhado da Diana.- Ben apoiou-se na parede e chorou.

__Jura, amor?…Jura que está bem, carinho?. …- Rodolfo o abraçou. Neste momento a polícia foi dar o bote nas duas mulheres no hospital.

__Sim amor, estou chegando no hospital.

__Graças a Deus! Graças a Deus!- ReQuando Ben ergueu os olhos viu uma mulher alta, robusta, com cabelos escuros Channel. Vestida com roupa de socorrista no meio do corredor apontando um revólver para eles. Seu avô estava de costas não havia visto a mulher ainda.- Venha amor, estou te esperando, eu te amo.- Desligou e entrou na frente do Avô. Rodolfo quando a viu tentou parar seu neto. Mas era tarde. Ela atirou duas vezes. Ben caiu sangrando no chão. E policiais apareceram de todos os lados e imobilizaram a louca que ria desvairadamente e gritava.

__Maldito! Maldito! Eu me vinguei! Você também vai sofrer como eu! – A enfermeira detida olhava com olhos esbugalhados a cena e gritava estérica que só queria o dinheiro, não queria mortes. Em segundos todos os Medeiros estavam no corredor, virou uma loucura. As mulheres sendo amparadas, os maridos tentando conte-las. Carlinhos e Jorge de joelhos fazendo respiração artificial. No momento que os médicos iam assumir a função, Liv chegou. Ao vê-lo sangrando, sem vida, correu para ele.

__Não!-Gritou.- Ben! Por favor, não me deixe. Por favor Ben, olhe para mim Carinho.- As lágrimas rolando pelo rosto.- Estou aqui amor, vim dançar para você. Você prometeu nunca me deixar. Sabe que também tenho o sangue dos falcões, se não voltar para mim ficarei sozinha para sempre. Vou me perder. Por favor amor. Você prometeu.  – Deitou a cabeça em seu peito chorando. Sentiu a mão acariciar seus cabelos, mexeu-se e viu ele abrir os olhos devagar e dizer com a voz pesada, com dor:

__Oi minha linda. Você demorou, estava com saudade.- Liv beijou-o chorando. Ele sorriu dolorido- Não vai se ver livre de mim assim tão fácil. Sou um advogado.- Abriu  paletó e a camisa, e mostrou um colete a prova de balas.

__Mas e esse sangue todo.- Mostrou a camisa branca dele manchada.-  Ele abriu mais o paletó com dificuldade e mostrou um tiro do lado de dentro do braço.

__Está doendo, mas acho que não vai me matar. Vai doutor?- Perguntou ao médico que chegou para examina-lo. Olhou seu avô.- O senhor está bem, foi atingido?- O velho falcão se abaixou, beijou a cabeça do neto e disse:

__Nunca bati em meus filhos, nem em meus netos, mas se entrar na frente de uma bala de novo, juro que baterei em você.- Os olhos azuis cheios de lágrimas.- Obrigado meu ruivo valente. Mas por Deus, estou muito velho para ver esse tipo de coisa.

__Não podia deixar ela acertar o Senhor. Eu estava de colete. O senhor não. Minhas chances eram melhores.- Sorriu para o avô.- Olhou sua mãe e seu pai que choravam abraçados e seu irmão que tremia muito.- Ei desculpe, não tive tempo de fazer nada diferente, mas está tudo bem. Não é doutor?

__Levando em conta as circunstâncias, sim.  A bala passou de raspão pelo braço, parece não ter afetado nenhum tendão.  Mas teremos que dar uns pontos aqui.

__Agulhas! Odeio agulhas. Não da para fazer um curativo?

__Acabou de levar dois tiros rapaz. Um deles acertou seu peito que até fez seu coração parar por uns  segundos, não atravessou seu corpo por causa do colete, o outro rasgou seu braço. Está com medo de umas agulhadinhas? _Todos riram. Ele se levantou com a ajuda de Jorge que o abraçou com cuidado e depois apertou sua irmã nos braços enquanto suas próprias lágrimas caiam.

__Você está bem, minha florzinha?- Liv balançou a cabeça contra o peito do irmão.- Eles machucaram você?- Ela negou com a cabeça novamente. Ele beijou demoradamente a testa dela. Em seguida o Ruivo abraçou Ben ainda tremendo. Falou baixo, com a voz meio rouca.

__Pelo amor de Deus, nunca senti tanto medo na vida. Tem certeza que está bem?

__Sim, estou bem Ruivo.- Sorriu para seu amado gêmeo. Carlinhos olhou Liv que ainda soluçava um pouco, agarrada a mão de Ben..

__E você docinho, esta bem?- Ela balançou a cabeça rápido, ele se abaixou e beijou o rosto dela e foi seguido por seus pais,e sua avó, que abraçaram Ben e depois beijaram Liv. Rick se demorou com Liv nos braços enquanto ela soluçava um pouco mais forte.

__Já passou meu benzinho, vai ficar tudo bem.- Beijou a cabeça dela.- Você tem um ruivo valente lutando por você.- Sorriu.- Ele não te deixaria sozinha. E estou muito orgulhoso de você também, foi muito forte e esperta. Devo estar ficando muito velho mesmo. A minha menininha sabe se resolver sem mim.- Riu.

__Nunca vou deixar de precisar de você papai.- E então Lia, que beijou Ben e acariciou seu peito com cuidado.

__Obrigada meu ruivo valente. Sabia que você ia conseguir trazer minha menina de volta pra mim.- Os olhos dele se encheram de lágrimas.

__Não teríamos conseguido sem a senhora, tia.- Lia sorriu, abraçou e chorou com Liv nos braços.

__A senhora está bem mamãe.- Liv chorava baixinho.

__Estou bem, meu amorzinho. Talvez precise de uma peruca no seu casamento, mas no mais tudo bem. – Elas riram juntas. Lia foi se afastando devagar e Clarinha se atirou nos braços de Ben, não disse nada só chorou.

__Oh minha bonequinha. Não chore, você não tinha como prever isso. Está tudo bem, minha loirinha linda. Estou bem. Veja Liv está aqui. Vai ficar tudo bem, não precisa chorar mais.- Ela o olhou preocupada. – Vou ficar bem, só não gostei que vão ter agulhas, mas tudo bem.- Beijou sua testa sorrindo.- Não vou esquecer o que fez por mim hoje, minha inteligente irmãzinha. Se não fosse por você eu estaria perdido. Você e Alex.- Olhou o garoto ao lado de Diana e a família deles. O Cunha que já conhecia, o Bombeiro que devia ser Alexandre,  a Juíza lutadora. Caminhou até eles. Olhou cada um nos olhos.

__Serei eternamente grato pelo que fizeram. Na minha família gratidão é coisa muito séria. Estaremos sempre ligados agora.- Sorriu.- Sinto muito terão que nos aguentar em suas vidas.- Dalia foi quem falou.

__Na nossa família Doutor Medeiros, gratidão também é uma coisa muito séria. Jamais esquecerei o que fez por mim, meu marido e minhas filhas. Será um prazer te-los em nossas vidas.- O médico veio arrastar Ben para  seu consultório. Liv o acompanhou agarrada a sua mão.

__Senhorita, talvez fosse melhor ficar aqui fora. Não vai demorar, serão só alguns pontos. E pelo que soube, a senhorita já teve muitas emoções hoje.- Ela olhou Ben suplicante, ele sorriu.

__Doutor, por favor, deixe ela entrar? Passamos  hoje as horas mais terríveis de nossas vidas. Ela está muito nervosa, mas é corajosa tem menos medo de agulhas que eu. Se deixa-la entrar, prometo ficar bem quietinho e deixar o senhor trabalhar sem reclamar.- O médico olhou os dois, acabou sorrindo:

__Só deixo ela entrar se me explicar porque estava usando esse colete que salvou sua vida. Não me diga que faz parte do seu uniforme?- O médico de meia idade, e simpático riu. Ben também.

__ Na verdade não. A lei não me obriga, mas existem muitas correntes que defendem que o magistrado deveria se precaver assim.  Esta discussão nunca chegou a um fim mais por causa do desconforto da peça.  Há mais ou menos dois meses, um fabricante me pediu para testar este novo modelo de equipamento. No começo não estava muito a vontade, mas acabei me adaptando. Não uso sempre, só quando vou ao tribunal. Coincidentemente, tive audiência hoje cedo, antes de todo esse inferno começar.- Olhou sua família, seus amigos e sua linda noiva, sorriu e disse: – Acho que posso dizer ao fabricante que o produto é ótimo concordam?- Todos riram.

__Sabe de uma coisa?- Disse o médico.- Você é mesmo um homem de muita sorte. Venha vamos costurar esse braço.- Olhou Liv.- Você também moça. Mas nada de desmaios, certo?

Liv sorriu e balançou a cabeça bem rápido.

__Não se preocupe doutor.- Disse ela.- Sou bailarina.

__Que ótimo, e o que isso quer dizer? – Todos os bailarinos presentes responderam ao mesmo tempo.

__Uma bailarina nunca desmaia. – Todos riram. Eles entraram e Liv ajudou Ben a tirar o paletó, a camisa, o colete, por baixo deste ele usava uma camiseta sem mangas de algodão. O médico entregou as peças para a enfermeira deixar com a polícia. Enquanto limpavam a ferida no braço de Ben, Liv ficou do outro lado segurando a outra mão. Tentou se afastar um pouco para não atrapalhar o trabalho, mas Ben segurou sua mão parando o movimento. Ele olhou profundamente em seus olhos, e Liv pode ver toda angústia que ele tinha vivido aquelas últimas horas. Refletido em seus olhos verde esmeralda estava todo pavor de perde-la.

__Fique, Carinho.- Ele sussurrou mais como uma súplica do que como autorização. Ela acariciou seu rosto.

__Ben, acha que ela ficará presa?- Ele sabia de quem Liv falava.- Quero dizer, ela pode ficar presa?- Ele suspirou.

__Os caras que ficaram com você ficarão. A enfermeira também. Receberão penas menores do que merecem, mas farei com que paguem com todo rigor da lei. Já a mãe de Flávio…- Ela o interrompeu;

__Era mesmo a mãe dele? Que loucura! Coitada da Alice. E Alana? Pobrezinha! Essa criança não  para de sofrer, meu Deus! – Parecia indignada. Ben teve que rir, esta era sua linda noiva.

__Você não existe, minha linda. Esta mais brava pelo descaso da tal Anita com a neta, do que com fato dela ter sequestrado você e atirado em mim.-Riu.

__Ela não ia me machucar, os outros também não.- Seu olhar ficou distante.- Eu era só um meio deles todos conseguirem dinheiro.  Embora para ela era diferente. Havia alguma coisa errada. Nesta história toda tem alguma coisa muito estranha. Essa Anita parecia desequilibrada. Eles não me deixaram ver os rostos deles, mas ela fez questão que eu a visse e que visse a mais nova. Ela é a enfermeira?

__Sim. Trabalha aqui. Sua mãe a reconheceu. Foi assim que conseguimos começar a desvendar tudo.

__Mamãe é mesmo incrível.- Sorriu. Depois olhou séria para ele.- Sabe Ben, ela queria que eu soubesse quem tinha feito tudo isso. Parece que queria se vingar. Quando eles tiraram minha venda e eu vi onde estava, tive a impressão que ela queria destruir um sonho. Não o meu, o seu sonho. Você entende? Ela queria que você sofresse. Ela não me disse que era mãe do Flávio, mas só me chamava de bailarina. E em um momento disse que eu era igual a outra. Ela repetia “ele vai me pagar”. Enquanto eu estava lá na sala de dança, fiquei tentando entender o que teria movido aquela mulher. Eu acho que ela queria ferir você, ou talvez todos os homens.

__ Os Medeiros?

__Os homens desta família. Ben, ela e a outra são da área da saúde, entendem de ferimentos. Elas poderia ter matado mamãe e a mim. Mas atingiram mamãe no lugar certo. Apenas para desacorda-la. O suficiente para enlouquecer o papai. E todo mundo sabe, que a doença do papai é o calcanhar de aquiles do vovô. Estes dois com certeza estariam desesperados. Lógico que com mamãe ferida, todos iriam sofrer, mas você, o Ruivo, Tio Beto e Jorge ainda poderiam cuidar de tudo e de toda a família. Mas ela queria que vocês sofressem. O Advogado que processou Flávio e o Bailarino que casou com a ex-mulher dele.- Ben a olhou surpreso. Ela tinha razão.- Se ela capturasse a noiva do advogado que também é irmã gêmea do bailarino, teria os dois em suas mãos. De quebra, ainda teria Tio Beto perdido tentando acalmar todos.  O Ruivo não teria como controlar a situação sozinho, até porque, ele não teria como ligar todos os fatos.  E mesmo que com o tempo ele conseguisse, ela já teria conseguido o que queria. Apavorar vocês, vê-los sofrer. Não sei se o plano dela era pegar o dinheiro e fugir ou era apavorar vocês, fazendo parecer que eu seria ferida. Seja como for, se eu voltasse para casa, eu a reconheceria facilmente, ela fez questão que eu a visse. Seguindo essa linha, o normal seria ela querer se livrar de mim. Mas por mais estranho que pareça, eu tenho certeza que ela não tinha a intenção de me matar. Era como se eu fosse apenas o veiculo que ela usaria para atingir você e os outros.

__ Talvez tenha razão, mas porque acha que ela não faria mal a você?

__Porque sou só uma bailarina. Uma vez Alice me disse que Flávio achava que ela não servia para nada. Segundo Alice, ele achava que as mulheres desta família são todas idiotas e inúteis. Ele dizia que somos todas frívolas, e vivemos apenas para dançar e gastar o dinheiro de nossos homens. A unica inteligente era mamãe. Ele tinha um pouco de receio dela. Ela me achou inofensiva.- Sorriu.- Por isso não prestou atenção no que eu disse para você no telefone.- Ele sorriu.

__Você foi genial. Deixou sua mãe orgulhosa.

__Ben, acho que ela deve ser meio maluca sim, mas não é só isso. Não sei, por mais que pense, não consigo encontrar uma lógica clara para o que aconteceu, parece que falta alguma coisa nesta história. Ela arquitetou tudo isso. Foi minuciosa em tudo.  E mesmo achando que o plano não tinha falhas, ela veio para o hospital armada.

__O que quer dizer amor?

__Se fosse só pelo dinheiro, ela devia estar mais preocupada em fugir.  E se fosse para se vingar de Alice, porque ela atirou em você e não no Jorge?- Ben ia dizer que estavam em corredores separados, mas lembrou-se que ela veio da mesma direção onde Jorge e o Ruivo estavam. Tinha que ter passado furtivamente por eles. Daí um detalhe lhe veio.

__Ela não atirou em mim, Carinho. – Eles se olharam por um minuto inteiro, e Ben como advogado do seu gabarito, juntou os pontos que faltavam rapidamente.- Ela não te escolheu por causa de Jorge e nem de mim, embora isso ajudaria bastante no plano dela.- Liv com os olhos espantados, cobriu a boca com a mão livre.

__Deus do céu! Ela não se referia a Alice quando disse que eu era igual a outra.- O médico terminou seu trabalho.

__Bem gente, eu acabei aqui. Você deve repetir as doses da antitetânica, tomar esse analgésico no caso de dor, manter o curativo seco e tirar os pontos em sete dias.- Olhou os dois.- Se entendi toda essa conversa maluca, esta história ainda não foi bem explicada, certo? Vou dar uma última recomendação médica. Você foi ferido, precisa descansar, a bala não atravessou seu corpo, mas bateu violentamente em seu peito. Não sei direito o que esta acontecendo com vocês, mas como médico peço  que tenha cuidado. Não queremos que tenha uma complicação boba que possa resultar em problemas sérios.- Sorriu.- Tem uma linda noiva para cuidar. Ok rapaz?

__Pode deixar doutor, cuido dele.- Foram saindo do consultório. Lá fora todos aguardavam agitados, mas bem mais calmos. Os policias queriam tomar os depoimentos dos dois, mas Ben caminhou para seu avô.

__Vovô, viu a tal Anita?

__Sim. – O velho falcão, firmou os olhos entendendo o que o neto estava perguntando. Depois olhou Liv interrogativo.- Foi muito rápido e assustador, não sei se vi exatamente o que deveria,  mas não lembro de te-la visto antes. Porque? Eu deveria reconhece-la?

__Vovô, eu entrei na sua frente.- Rodolfo entendeu.

__Ela atirou em mim, e não queria acertar você. -Todos em volta, inclusive os policiais pareceram surpresos.

__Vovô, ela só me chamava de bailarina e disse que eu era igual a outra. Eu achei que ela se referia a Alice…- Os olhos azuis cobalto de Rodolfo se abriram com o entendimento.

__Maria Olivia!- Ele disse num sopro. Pareceu procurar em sua mente o rosto da mulher atirando e tentar comparar com alguma figura do passado, mas não alcançava nada.- Eu não consigo me lembrar de ninguém parecido com esta mulher. O nome dela é mesmo Anita?- Perguntou aos policiais.- Os senhores tem alguma informação sobre ela?

__Sim senhor. Anita de Cassia Almeida.65 anos. Viúva. Dois filhos. Um falecido. Paramédica, condutora de ambulância há 35 anos. Trabalhou em vários hospitais. Nasceu aqui na cidade. Morou aqui até os 15 anos. Mudou-se para o sul do país. Voltou para a cidade há 10 anos. O filho mais velho morreu a quase dois anos em um acidente de carro, fugindo em uma perseguição policial. Ela ficou em tratamento psiquiátrico por um ano, a pouco retornou para o trabalho e pediu transferência para este hospital. Nunca teve antecedentes criminais. O filho mais velho, Flávio, por outro lado, se meteu em tudo o que é falcatrua. O mais novo, também não tem antecedentes, mas estava com a senhorita Olivia no cativeiro.

__Isso tudo é muito estranho.- Disse Elisa.- Essa mulher conheceu Maria Olivia?  Era amiga ou rival dela?

__Rival?- Perguntou Beto.- Mas eu pensei que Maria Olivia fosse sua primeira namorada pai?

__Olha o vovô arrasando!- Disse Clara rindo.- Desculpe, vovô não resisti.- Se corrigiu antes de qualquer coisa.- Vovô, a mãe de Tia Lia, não tinha uma amiga, alguém que pudesse ser essa Anita?

__Não. Elas não tinham amigas, Olivia e Clara eram muito sozinhas, por isso ficaram tão unidas.

__Vovô e na escola? Talvez elas conhecessem alguém especial.- Perguntou o Ruivo.

__Elas estudavam em casa.

__Mas dançavam. – Disse Nina.- Talvez fosse uma amiga do balé.

__Não. Não era uma amiga do balé.- Liv disse pensativa.- Ela dizia a palavra bailarina com desdem. Se tivesse sido bailarina não agiria assim.

__Não sei. -Disse Jorge.- Muitos ex bailarinos, tomam ódio da dança e de tudo em volta dela. Depende do motivo que os fez parar de dançar.

__Acho que Jorge tem razão.- Disse Diana.- Muitas pacientes desenvolvem aversões a algo que amavam dependendo de como foram privados daquilo. Um acidente, uma doença ou algo assim.

__Certo, mas eu continuo confuso.- Disse Alex participando de tudo como se fosse sua família.- A tal da Anita conhecia a mãe da Tia Lia que era bailarina e ex noiva do Sr Rodolfo. Chegaram a isso porque ela comparou Liv com a avó que realmente são parecidas. E daí? Porque a maluca atirou no Sr Rodolfo acertando Doutor Ben? Se não era pelo dinheiro, o que ela queria?- Todos ficaram em silêncio. Até que a voz suave de Lia encheu o corredor:

__Ela queria se vingar. Porque ela era apaixonada por ele, e ele nunca notou ela.- Todos se viraram para ela. Lia olhava para as mãos dela e de Rick entrelaçadas.- Minha mãe sempre contava de uma menininha de cabelos escuros e lisos que morava numa chácara onde ela brincava. Dizia que sua mãe ensinou a garotinha a fazer crochê. Mamãe dizia que a garotinha queria dançar balé. Como minha mãe nunca falava sobre sua dança, eu entendi que ela ensinou a menina, e devia gostar muito dela. Em uma das vezes que falou da menina, minha mãe disse que ela era apaixonada pelo seu namorado. Achava ele o rapaz mais bonito do mundo. Naquela época, eu achei que fosse meu pai.- Ergueu os olhos mirou Sr Rodolfo, depois Rick e por fim Jorge. Sorriu.-  Talvez nem todas vocês concordem, mas eu não posso discordar dela. Também acho esse rosto o mais belo do mundo. Minha mãe também achava, sempre disse que nunca conheceu um homem mais bonito que ele, dizia que parecia um príncipe. Segundo ela, a menina tinha razão de se encantar.-Lia suspirou, firmou a voz e concluiu.-  O fato é que minha mãe chamava a menina de Ani.- Senhor Rodolfo, puxou pela memória.

__Ani. Ani. Ah! A menina do caseiro da chácara. A magrinha do meio. Ela ficava na cerca  do jardim enquanto Olivia dançava para mim. Era muito novinha, devia ser da idade de  Clara. É verdade Olivia ensinava ela a dançar. Mas aconteceu alguma coisa, um incêndio, não sei direito, ela se queimou e por um bom tempo não pode praticar com Olivia. Parece-me que se recuperou bem, mas depois que me separei de Olivia, nunca mais soube dela.- O policial interferiu.

__Parece que Anita de Cassia, sofreu queimaduras nas pernas num incêndio acidental quando tinha 13 anos, passou quase um ano se tratando. Os movimentos foram todos recuperados, na verdade, ela se tornou quase uma atleta, mas a aparência não ficou das melhores. Quando tinha 15 anos mudou-se para o sul com a família. Ficou num hospital escola por mais um ano esperando por uma cirurgia plástica. Depois disso, estudou, trabalhou, voltou a morar por um ano por aqui para terminar um estágio. Em seguida voltou para o sul, alguns anos depois casou com um bêbado que morreu de cirrose a uns 20 anos._ Lia e Sr Rodolfo se olhavam o tempo todo.-

__Meu anjo, você acha que ela me culpou  por sua mãe sair da vida dela?

__Acho que ela culpou o senhor por ter preferido a bailarina frágil, em vez de uma mulher forte e decidida. E quando minha mãe se apaixonou por outro, em vez de procura-la como ela supos que aconteceria, o senhor foi para a Europa.

__E só voltou de lá casado e com filhos.- Disse Rick.- Ela não sabia que Maria Olivia estava viva. E nem o que estava acontecendo com o senhor por lá. Provavelmente imaginou que quando reencontrasse o senhor, já mais moça e saudável de novo, teria sua chance. Talvez tenha tentado isso, quando voltou para o estágio, mas o senhor já tinha uma família.

__Ei! Ei!  -Disse Nina.- Lembrei de uma coisa. Quando mamãe estava doente, muita gente  vinha visita-la. Um dia eu cheguei da escola e mamãe estava na sala, com uma moça alta de cabelos escuros. Eu nunca tinha visto ela, pensei que fosse alguém com quem mamãe trabalhasse. A moça parecia triste, eu pensei que era porque mamãe estava doente. Mas ouvi da sala de dança, minha mãe brigando com ela, dizendo algo como” Não seja louca!”. A moça tentou argumentar dizendo alguma coisa sobre amor, mas mamãe estava muito brava. Ela falou igual Lia, disse assim:”Ele é meu irmão, me salvou, me protegeu. Não vou deixar você atrapalhar a vida dele com suas loucuras. Enquanto estiver com essas idéias malucas, você não é bem vinda nesta casa.” Eu nunca tinha visto minha mãe expulsar ninguém de casa, achei divertido. Por uns dias fiquei imitando ela no espelho. Depois eu acabei esquecendo disso. Naquela época eu nem sabia o que o senhor tinha feito por ela. – Olhou carinhosa para Rodolfo.- Mas acho que ela estava falando do senhor, não soube que mamãe tivesse outro amigo que considerasse como irmão.- Ele sorriu para ela.- A moça nunca mais apareceu lá em casa. Depois mamãe piorou e morreu. Depois do enterro eu estava no jardim térreo do apartamento de vocês. Estava perto da grade num banco de madeira esperando os meninos que tinham ido buscar sorvete no apartamento. Por alguma razão, Beto chegou antes. Em seguida, uma moça apareceu. Começou a conversar com a gente uma bobagem qualquer. Ela do lado de fora da grade e nós dentro. Você se lembra Beto?- Ele forçou a memória.

__Mais ou menos. Lembro do dia, do sorvete, do Rick amarrando seu tênis.- Arregalou os olhos de repente.- Desgraçada!

__Era ela, não era Beto? Estou certa, não estou?- Os em volta não entendiam do eles falavam.

__Do que vocês estão falando?- Perguntou Ben

__Eles estão falando da mulher que tentou me sequestrar.- Disse Rick muito calmo.-  No dia do funeral da mãe da Nina, uma mulher estava na grade do nosso prédio. Quando cheguei com meu sorvete, Nina e Beto estavam conversando com ela. Eu me abaixei para amarrar o tênis da Nina. A mulher ficou muito estranha, até chorou. Dias depois, eu comecei a notar que via aquela mesma mulher na grade muitas vezes. Fiquei com medo, contei para o Beto. No inicio ele achou que era paranóia minha, mas ele também passou a ver a mulher sempre. Um dia eu estava com a mamãe na biblioteca e…

__Não! – Disse Elisa.- Não pode ser! Você está falando daquela maluca que tentou colocar você no carro dela no estacionamento da biblioteca. Uma magricela horrorosa, vestida de homem, em quem dei umas bolsadas muito boas?- Todos riram.

__Sim mamãe. Estou falando da moça estranha, que tentou me levar aquele dia. Ela fez parecer que tinha sido um mau entendido quando os seguranças chegaram, e eu era muito nervoso para conseguir explicar direito o que aconteceu. Mas contei para o Beto e para Nina. Foi quando Nina se lembrou que era a mesma moça com quem  Tia Clara tinha brigadoantes de morrer. Então expliquei para o papai que tinha uma pessoa estranha tentando me sequestrar. Não sabia dizer quem era…

__Só que era uma mulher alta e que te olhava como se estivesse hipnotizada.- Disse Rodolfo.- Os gêmeos passaram a ir para a escola comigo. Reforcei o sistema de segurança da escola e do prédio. Não deixei mais os meninos ficarem sozinhos lá em baixo. Contratei um segurança desfarçado de motorista para ficar com eles na casinha azul. E para leva-los onde eu não pudesse estar.

__Nós vimos a moça mais duas vezes. Depois, nunca mais.- Disse Beto.

__Eu a vi depois. _ Disse Rick.- Um dia eu estava passando com Jorge e Rody no parque, olhei de lado e tive a impressão de ter visto ela. Quando olhei novamente, ela não estava lá. Isso foi pouco tempo antes de Jorge ir para a Europa.

__O senhor acha que ela colocou o Flávio na vida de Alice só para se aproximar do vovô, papai?- Disse Jorge.

__Talvez. Mas de uma coisa sabemos, ela sempre soube tudo sobre nós. Ou quase tudo.

__Seja como for, eu nunca tive nada com essa menina. Nunca dei motivo para essa atitude agressiva e destrutiva.- Disse Rodolfo.

__Infelizmente Sr Rodolfo.- Disse o policial.- Mentes doentias assim nem sempre tem um motivo coerente.

__O policial tem razão Sr.- Disse Diana.- Ela não feriu Liv, que para ela era como Maria Olivia. Por outro lado estava disposta a matar o senhor que na cabeça dela era o ideal a ser obtido.

__Quanta doidera. – Disse Alex.- Mãe, eles podem prender essa louca? Pensa, se soltam ela, ela pode tentar machucar algum deles de novo. Ela não machucou Liv agora. Mas ela nem ficou na casa com a Liv. E ela não sabia que Tia Lia estava se recuperando tão rápido. E nem que Tio Rick não tomou os calmantes que ela pensou que ele tomaria. E tem mais, ela não imaginou que Clara fosse sacar logo o que estava acontecendo e me chamar. E ela também não sabia da senhora, sua ligação com os Medeiros, com os agentes policiais e com o pessoal do hospital. Mas agora ela já sabe de tudo isso.

__ Alex tem razão. – Disse Lia.- Ela planejou tudo muito bem.  Mas não sabia que Diana estaria aqui e impediria os médicos de cedar Rick. Nem que Clara conseguiria ler esta situação e chamaria um gênio da eletrônica para intercepta-los. Ela também não  sabia que Liv poderia dar sua localização para Ben sem que ela percebesse. Ela pensou que se neutralizasse os homens desta família, as mulheres restantes ficariam perdidas. Ela achou isso, porque pensou que todas fossem como a minha mãe. Ela era linda, mas frágil muito frágil. Morreu de tristeza quando perdeu meu pai. E antes disso, já tinha tido crises de depressão. Essa mulher conhecia minha mãe. Só que ela não sabia que até mesmo minha mãe lutou por seu amor até as últimas consequências. Flávio tinha medo de mim. Sempre me evitava. Talvez porque me pareço mais com minha tia Clara.  Aquela que expulsou a  estranha. Não sou psiquiatra, nem psicóloga, mas acho que Alex está mesmo certo. Se ela foi capaz de atirar no homem que supostamente esteve apaixonada por todos esses anos, foi capaz de tentar sequestrar o filho dele quando era um menino, imagine o que não seria capaz de fazer com qualquer um de nós?

__Ou com Jorge que é a cara do Rodolfo quando rapaz?- Dona Elisa pensou alto.- Estranho, ela nunca chegou perto de você Jorge?

__Nunca, eu nunca vi essa louca antes.

__Eu sei porque.- Disse Liv.- Ela tem medo da mamãe. Era por isso que Flávio também tinha. Alice me disse que ele achava que mamãe conseguia ler os pensamentos dele.- Riram- Lógico que ela não faz isso, né mamãe?- riu.- Mas essa habilidade de estudar e entender as situações e de encontrar uma lógica em tudo, assustava ele. Vovô Carlos disse que Tia Clara era assim também, por isso a tal Anita sabia como mamãe era. E por isso eu e Jorge estávamos protegidos, pela inteligência da mamãe. Ela sabia que se algo estranho acontecesse com Jorge, mamãe logo descobriria porque. E também tem outro ponto, papai sempre estava conosco. E se papai a visse, talvez demorasse um pouco, mas ele poderia acabar se lembrando dela. O mesmo com Tia Nina e Tio Beto. Quer dizer ela não tinha como nos pegar sozinhos. Nem mesmo na escola.

__Entendo- disse Ruivo- Antes de mim, os diretores foram vovô Rodolfo, Papai, Vovô Carlos.  Qualquer um deles poderia reconhece-la em algum momento. Estavam mais que protegidos. E depois foram para a Europa.

__Tem outra coisa.- Disse Jorge.- Ela não aprecia bailarinos.- Sorriu.- Fui um durante todo tempo que estive aqui. Verdade que pareço com o vovô, mas ela não tinha como negar esse fato.

__Até os bailarinos homens ela odeia?- Perguntou Clara.

__Bem, Flávio detestava. Vivia me provocando. Depois que voltei da Europa até me chamava de bailarino com um tom de perversão. Parecia que por ser bailarino eu não fosse um homem de verdade. Era como se ele me considerasse um desocupado, um inútil.- Liv olhou para Ben e sorriu.

__Foi exatamente assim que Liv disse que Anita falava com ela.- Ben olhou para os policiais.- Bem senhores, acredito que depois de tudo isso, vocês tem muito para averiguar.- Disse firme.- Eu faço questão que tudo o que foi dito aqui, neste depoimento informal seja usado contra essa bandida. O advogado da vítima esta presente. As queixas, apresentarei amanhã cedo na delegacia. Agora todos precisamos descansar. Acredito que os oficiais entendem e concordam. Todos os laudos serão entregues conforme os senhores pedirem. Devo dizer que aconselhem a Dona Anita que procure um bom defensor. Eu usarei todos os meus recursos legais para mante-la longe da minha família para sempre.

__Certo Doutor Medeiros, sua fama é conhecida.- O oficial esboçou um sorriso.

__Não é apenas fama. Gosto muito do que faço, mesmo quando minha família não está envolvida, mas quando é este o caso, minha família é sagrada para mim. E ela atirou no meu avô, machucou minha tia e levou minha noiva. Não vai se safar dessa de jeito nenhum. Por nada neste mundo, essa mulher terá outra chance de atacar minha família.

Até seus parentes se sentiram amedrontados pelo tom de voz dele. O ruivo valente iria lutar com todas as suas forças para afastar aquela ameaça para sempre. A família de Diana nunca tinha visto um homem defender assim sua família, nem sua amada. A juíza já tinha visto o advogado em ação, mas ainda assim aquela fúria a surpreendeu. Já Diana tinha visto o mesmo olhar em Jorge. Entendeu que era assim que eles amavam. Furiosamente. Outro detalhe também não passou despercebido pelos Vogelmamn, em momento algum Ben se importou com sua casa. Se tinha sido roubada, se fora danificada, vários dias depois, ele ligou para o Cunha, pedindo recomendações de uma nova empresa de instalação de produtos de segurança. Era mesmo muito claro qual a prioridade desta família. Em menos de uma semana, Ben tinha todas as provas para que nenhum juiz em sã consciência libertasse qualquer um  dos envolvidos no caso do sequestro de Liv. Usou suas habilidades para defender sua amada com todo prazer. Mesmo antes do julgamento final, nem os defensores esperavam uma pena branda. Mesmo que Anita não fosse para um presídio, não sairia de uma clínica antes dos 200 anos.  Para Ben tudo o que importava era que Liv e sua família nunca mais corressem perigo por causa desta Anita e seus comparsas. Para Liv só o que importava era seu belo ruivo sorridente.

 

 

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