O gêmeo mais novo

Capítulo 7

Festa de casamento é coisa bem trabalhosa, ainda mais quando junto se está comemorando bodas de ouro de alguém. Tudo foi minuciosamente escolhido, por Liv, Elisa, Nina e Lia. Desde o salão de festa que era o mesmo que Lia e Rick usaram, até as lembrancinhas duplas dos dois casais, que seriam bonequinhos da bailarina com o advogado e da escritora com o empresário. Resolveram fazer a cerimonia no salão de festas para que depois do casal jovem se casar, os avôs pudessem receber as homenagens. O mais incrível foi conseguir o mesmo juiz de paz que fez o casamento de Rodolfo e Elisa 50 anos antes. O velho magistrato não trabalhava mais no consulado da Austria , onde Rodolfo e Elisa tinham  se casado. Ele estava se aposentando por isso estava de volta  ao país , mas aceitou prontamente fazer este último ato. Toda decoração  seria em rosa pálido. Muito elegante, toalhas brancas, pendentes de cristais e flores, vasos baixos e delicados, guardanapos champanhe presos em pequenos laços com pérolas, a pedra preferida de Elisa. Um coração feito de heras e botões de rosa ficaria atrás da mesa do juiz.  Teriam dois bolos. O do casal jovem seria branco com 4 andares redondos, na lateral descia na diagonal um ramalhete de rosas comestíveis, cor de rosa um tom mais forte que a decoração e em cima uma bailarina na ponta do pé beijava um ruivo com um violão nas costas. Uma graça. O bolo do casal mais velho era exatamente igual ao outro mas as flores eram brancas, e em cima uma mulher bonita com um vestido de festa rosa claro e cabelos loiros sentada em um elegante banco colonial. Ao lado dela beijando seu rosto um homem alto, forte de cabelos grisalhos e olhos azuis. Vestindo um terno cinza e uma gravata da cor do vestido da mulher. Ele segurava uma das mãos dela junto ao seu peito. E com a outra trazia um buquê de flores. Uma fofura. Os dois bolos ficariam na mesma mesa e os docinhos em volta todos estariam em embalagens brancas e  douradas, no meio delas haveria bonequinhos de todos os membros da família presentes. O palco para os músicos, estaria enfeitado com lanternas chinesas brancas e inúmeras luzinhas brancas. Na pista de dança do salão de festas tinham aqueles candelabros de cinema.Também tinham ambientes diferentes para fotos, resolveram montar um com detalhes em dourado e vários números 50 de tamanhos variados.  No painel atrás fotos do casal com a família, em viagens, no dia a dia. No ambiente de Liv e Ben, fotos deles desde pequenos. Primeiro separados, depois juntos. Todas em preto e branco. Quando enfim o menu foi escolhido, parecia tudo resolvido. Então os homens foram convocados para escolher as roupas. O casamento seria as 19:00 então optaram por ternos completos cinza grafite . Os padrinhos com gravatas cinza mais claro de um tecido rebordado muito bonito.De Beto  com a gravata verde esmeralda. O pai da noiva com a gravata azul. Vovô Rodolfo com a gravata dourada. E Ben com a gravata e o colete cinza platina.Rodolfo fez questão de Carlos como seu padrinho novamente, sua gravata seria amarela bem clarinha. Os nós das gravatas seriam elaborados, em referencia ao casamento dos avós. E as flores da lapela seriam brancas. Os homens foram liberados.  Então veio o momento das meninas. Ao contrário dos homens elas amaram!  As madrinhas Alice,Clarinha e Eliene uma bailarina francesa que estudou com Liv na Europa e veio para o Brasil  com o marido francês Collin, montar uma escola no sul. O irmão  mais velho de Collin era Silvie, um chefe de cozinha conhecido dono do restaurante Aimee. Ben detestava comer no Aimee porque dizia que Silvie arrastava uma asinha para Liv. Mas apesar disso, concordou que ele service a festa de casamento deles . As madrinhas e a noiva se divertiam com tudo. Liv escolheu para elas o modelo longo de tecido leve e esvoaçante, com a saia bem godê e corpete com decote reto e alças fininhas. O vestido rosa chá contava com uma faixa de tecido rebordado na cintura cinza com brilhinhos que na parte de trás se misturavam com as saias do modelo. Os sapatos seriam rosa como o vestido.Os vestidos de Nina, de Lia e de Aline seriam exatamente iguais, mas as faixas seriam iguais as gravatas de seus maridos. E os sapatos seriam da  cor da faixa. Elisa não quis usar um vestido dourado, optou por um rosa num sobretom das madrinhas. Quis o mesmo modelo e usaria o dourado na faixa e nos sapatos.O vestido da noiva foi escolhido primeiro por Liv, mas depois de mostrar o que queria para suas madrinhas,  e as outras, e perceber que elas gostaram tanto, ela mostrou seu vestido escolhido. O modelo era o mesmo delas,mas era todo branco com tecido rebordado e uns dois saiotes para dar volume. Não tinha faixa na cintura bem marcada. Ela não queria luvas. Os sapatos seriam rosa, um tom mais vivo, como seu buquê.

Nina e Lia choraram quando viram o modelo que ela escolheu.. E quando Alice ficou sabendo que Alana seria a daminha e vestiria o mesmo vestido que Liv, chorou também. Encomendou um terno de bebê igual ao do Jorge para Cisco. E Lia encomendou um igual ao de Ben para Rody. Ele iria se encantar, desta vez entraria com Alana. Marcaram a data para enviar os convites. Ficaram uma tarde de domingo inteira fazendo a lista de convidados. Já os convites escolheram em 2 minutos. Era de papel encerado rendado com flores vazadas no envelope, dentro um papel crú com dizeres simples em dourado. Depois da seleção de músicas e de agendar os ensaios, parecia tudo resolvido. Faltava só dois meses para o dia chegar. E os profissionais contratados estavam trabalhando a todo vapor. No sábado de manhã, Ben foi busca-la, disse que queria mostrar uma coisa, que precisava de sua opinião. Levou-a até o mirante.

__Então, muito cansada com esta loucura de casamento, Carinho? Quer parar tudo ?- Ela o olhou com os olhos divertidos.

__Podíamos fugir!- Riram- Eu amo esse lugar, é tão bonito aqui.- Disse olhando o mar.

__Eu também gosto. Vamos caminhar um pouco na areia?

__Claro. -Desceram a escada de madeira. Andaram uns 200 metros, havia uma casa branca, com uma cerca viva de flores com uns 80 cm de altura e um pequeno portão de madeira. Liv percebeu que estavam caminhando para ela. Um gramado bem cuidado na frente, uma piscina com espreguiçadeira e uma mesa redonda com guarda-sol e cadeiras em volta. No pequeno deck  que tinha dois degraus, que saia da areia para o portãozinho Liv perguntou:

__Que casa linda, conhece o dono?

__É minha.- Sorriu.

__O que? Essa casa é sua?

__Quando fiz 18 anos recebi a herança que minha mãe guardou para mim, dos bens do velho Fazzano. Está casa estava a venda, eu sempre vinha ao mirante para ver o mar e lembrar de você. Então eu a comprei.

__Vinha ao mirante lembrar de mim?- Perguntou encabulada.

__Vinha chorar por você. Não podia fazer isso em casa, não queria preocupa-los. E a dor me sufocava, rasgava meu peito. Eu precisava por para fora se não iria explodir. Assim, vinha muito aqui. Quando comprei a casa ela precisava de reformas, foi bom. Ajudou a me distrair, mais ou menos. – Riu.- Acabou sendo meu refúgio. Quer ver lá dentro?

__Sim! – Disse muito animada. Ela viu tudo com cuidado. As plantas, os ornamentos do jardim, a varanda, a porta de vidro, as janelas modernas, o telhado com várias águas, realmente um encanto. Entraram, toda a decoração era de cores claras, a pintura pastel, alguns detalhes em alumínio ou inox, mas no geral tudo muito suave. A cozinha, bem moderna parecia de revista. Um pequeno corredor com seis portas. A primeira, o lavabo. Com revestimento bege claro, uma bancada de mármore travertino e uma cuba sobreposta de vidro incolor, a torneira e os adereços em latão, um espelho de cristal, toalhas de  mão brancas e um vaso de rosas. Muito elegante. A segunda porta um quarto de casal, a cama dourada com dossel e mosquiteiro branco, as roupas de cama branca com bordado  delicado, os criados em dourado com abajur e vasos pequenos de rosas. Uma janela imensa numa das paredes permitia ver o mar. Na outra parede a porta do closed e do banheiro. O closed bem planejado estava vazio. O banheiro como os de filmes antigos, tinha banheira branca de pezinho, torneiras simples douradas e um espelho com pequenas flores jateadas nos cantos.  O revestimento era branco com detalhes bem suaves de azul. As toalhas eram da mesma cor. A cor dos olhos de Liv. Um jarro antigo de porcelana em cima da bancada de granito branco cheio de rosas. A terceira porta em frente ao quarto de casal Ben parou.

__Bem está é a casa  que me diverti arrumando nos últimos anos. Então gostou, Carinho?

__Sim! É linda. Na verdade parece que foi eu que escolhi tudo. Você quer morar aqui depois que casarmos? Foi por isso que me trouxe para vê-la?

__Eu gostaria muito de morar aqui, mas é um pouco isolado. Já mandei instalar equipamento de segurança, a casa nunca foi arrombada, mas tenho medo de deixa-la sozinha quando precisar viajar. Tenho um apartamento no prédio do  Vovô Carlos, está alugado, vai vagar mês que vem. Lá é mais seguro…- Ela o interrompeu.

__Por favor, Carinho? Quero morar aqui. Você fez essa casa para mim, não foi? Tudo aqui, é como eu gosto. Vamos morar aqui, por favor? Olhe se quiser, quando viajar, eu fico com meus pais. Ou com os seus, no seu quarto. Assim quando chegar de viagem pode ir me encontrar a qualquer hora.- Fez uma carinha de piedade e disse.- Por favor, Carinho?- Ben riu-

__Você é mesmo muito esperta, né? Sabe que eu não tenho como resistir a isso.- Beijou-a.

__E nessas portas? O que tem?

__Aquele quarto está vazio. As duas portas do lado são um escritório e uma pequena academia.

___Claro! Ruivos não sobrevivem sem uma acadêmia- Liv riu.

__  E esta sala é sua, Carinho. Fiz para você. Espero que goste.- Respirou e abriu a porta.

 
A primeira coisa que Liv  viu no espaço quadrado de 7 metros por 7 metros, foi as janelas que iam do chão ao teto na parede oposta a porta. Atrás das janelas, um lindo jardim suspenso todo florido, um banco tipo de praça branco. A parede da esquerda na sala toda revestida de espelho. A da direta recoberta por uma estante de cerejeira, com nichos de diferentes tamanhos. Neles prêmios, livros, instrumentos musicais, enfeites, partituras, muitas coisas que Ben usava em suas músicas, lembranças de viagens, seu violão mais antigo e em dos nichos centrais um par de sapatilhas antigos, ela as reconheceu. Eram de Liv, um dos pares descartados quando foi para a Europa. Ben havia guardado. Em frente a estante, uma escrivaninha da mesma madeira com uma poltrona estofada em bege. No canto perto das janelas, uma chaise da mesma cor. O piso de madeira próprio para dança, do teto pendiam luminárias delicadas e de comprimentos diferentes por toda a sala. A parede da porta tinha revestimento de papel de parede com florzinhas pequeninas e muitas fotos em preto e branco de Liv dançando, em molduras brancas de tamanhos diferentes, colocadas em lugares escolhidos com cuidado. Somente duas fotos não eram de dança, as duas estavam bem no meio e eram maiores e do mesmo tamanho, mais ou menos 70 por 50. Em uma, o quarto de Ben repleto de rosas e na outra, a mão de Liv com seu anel de noivado. Ela estava encantada. Virou-se para Ben sorrindo com lágrimas escorrendo pela face e ele disse:

__Este era meu santuário, aqui você era sempre minha, Carinho. Clarinha me ensinou a tirar fotos e onde poderia revela-las. Então eu podia guardar todos os momentos que me apaixonei  por você. Os reuni aqui, na sua sala de dança.

__Você fez uma sala de dança para mim? Quando?

__Logo que comprei a casa.

__Mas eu tinha acabado de ir para Europa, não foi logo depois das férias na Irlanda!

__Sim.-Sorriu- Como disse, eu vinha muito aqui para chorar. Você disse que não me queria. Eu acreditei e aceitei, mas jamais deixei de te amar. Já que não podia te dar meu amor, eu o coloquei aqui.

__Eu … Eu te amo Benjamin, te amo muito e quero viver aqui nesta casa com você. E faço questão de passar nossa noite de nupcias aqui. Dançarei para você nesta sala todas as vezes que quiser. Dançarei aqui para você para sempre, Carinho.  Eu juro.- Jogou-se em seus braços e beijou-o.  Ben conhecia este tipo de promessa.  Era algo muito forte entre os Falcões. Todos os Medeiros cumpriam seus juramentos piamente.  Isso o deixou muito feliz,  sua linda bailarina estava jurando ama-lo para sempre. Do jeito próprio dela, com sua dança. – Dance comigo?

__Liv, sabe que sou desajeitado.

__Não, não é. Só é grande. Mas Jorge também é. E papai também. Eu sou professora, vou te mostrar. Não tenha medo, confie em mim. Você meu lindo ruivo, dançara para mim.-Sorriu para seu amor.- Quero que escolha uma música que goste muito de cantar, uma que fale de sua alma.–Ben caminhou para a estante e escolheu Me espera de Sandy e Tiago Iorc. Quando o som saiu pelos auto-falante, Liv sorriu.

__Você tem muito bom gosto Carinho. Agora venha para sua primeira aula de dança com sua professora exclusiva.

__Não vai dar muito certo, mamãe já tentou muito. Mas tudo bem, vamos lá. E você não é muito exclusiva, afinal tem um montão de alunos.

__Verdade, tenho muitos alunos e gosto muito de todos, por isso me dedico muito em ensina-los. Mas amo apenas você. Então sou sua professora apaixonada exclusiva. Venha ponha sua mão aqui….- Liv ensinou uma coreografia simples, elegante para   ele ser um príncipe ao dançar uma valsa, a valsa dos noivos. No começo Ben achou complicado, mas depois pegou o jeito. Queria agrada-la, e entendeu que ela estava ensaiando para seu casamento, então se esforçaria  ao máximo. Não poderia dançar como Jorge, mas a deixaria feliz. Seu coração pertencia a esta linda bailarina, que sorria apaixonada em seus braços. Não poderia estar mais feliz, seu sonho estava se realizando. Os dias pareciam encantados. Tudo corria perfeitamente bem.

Faltava apenas 17 dias para o dia do casamento. Os convidados já tinham confirmado a presença. Tudo que não era perecível já tinha chegado. As roupas já estavam todas prontas, inclusive o vestido da noiva. Os presentes chegavam aos montes. Foi quando algo inesperado aconteceu. Ben recebeu uma mensagem estranha em seu celular, dizia:

__NÃO PENSE QUE A FELICIDADE DURA PARA SEMPRE.

Isso foi muito esquisito, mas Ben não deu muita atenção. Sua cabeça estava muito preocupada com tudo que estava alegremente acontecendo. Passaram-se dois dias e Ben viu seu mundo perder o chão.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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