O cavaleiro de olhos azuis

Capítulo 21

Quando Alice entrou em casa naquela manhã depois de passar três dias de observação no hospital, a sala estava cheia de parentes, cheia de flores de todas as cores, cheia de balões coloridos, cheia de doces e guloseimas, cheia de alegria e amor. Alice estava nos braços de Jorge, por mais que se sentisse bem ele não permitiria que ela corresse o mínimo perigo. Alana correu para Rody e os doces. Enquanto os adultos  se divertiam Jorge levou a esposa para o corredor;

__Jorge não estou cansada. Quero conversar com as visitas, deixa vai? – Fez cara de súplica. Jorge riu e disse;

__Tudo bem, vou deixar você sentadinha na poltrona vermelha para se divertir com a família, mas antes quero te mostrar uma coisa. – Entrou no quarto em frente ao deles, que era um espaço que Jorge usava para guardar uma variedade de coisas. Quando Alice olhou em volta, o quarto não tinha mais a bagunça. As paredes tinham sido pintadas de branco, cortinas brancas nas grandes janelas, uma escrivaninha, um guarda-roupas, prateleiras, poltrona, caminha, berço com mosqueteiro, tudo branco. – Como não sabemos ainda o que é o bebê, achei melhor assim. Quando soubermos você pode escolher as cores da roupa de cama e dos detalhes do jeito que preferir. Espere que não fique chateada que não te esperei, mas se não gostar de algo podemos trocar.

__Como conseguiu fazer tudo isso em 3 dias? Está lindo! Onde foi parar tudo que estava aqui? – Estava maravilhada.

__Andei comprando muitos móveis para o orfanato, já sabia onde encontrar tudo. Liguei para os fornecedores, expliquei que era uma surpresa para minha esposa, estava disposto a pagar um pouco mais pela rapidez, mas eles me disseram para escolher e quando viram que eu queria tudo branco, que é algo que sempre tem no estoque, deram todos esse móveis de presente para o bebê.

__Jura?- Jorge afirmou.- Puxa que generosos! Se bem que você deve tê-los deixado bem mais ricos com tudo que comprou para o orfanato.-Riu.- Nosso pequeno nem nasceu e já está encantando as pessoas, igual a você, meu cavaleiro de armadura.- Beijou-o.- Obrigado, o quarto é lindo. Quando soubermos se é menino ou menina vou ficar muito contente, mas não vou esperar para terminar a decoração, quero as roupas de cama coloridas, os adereços também. Não importa o sexo do bebê,  este quarto será a imagem de um filho seu, alegre, generoso, protetor, carinhoso e lindo. Não importa que tenha que trabalhar de casa deitada na cama, não importa que provavelmente ele precise nascer um pouco antes que o normal, não importa que vou ficar gorda e horrorosa… – pensou- Se importa que vou engordar? Você nunca me viu gorda, acha que vai ficar incomodado? – Jorge riu.

__Eu amo você, não vou deixar de amar por que engordou, não seja boba. Na verdade eu mal posso esperar para vê-la redondinha, com essa barriga bem empinada. – Beijou-a. – Gostou mesmo do quarto?

__Sim. Mas para onde mesmo foi toda a bagunça? Não me diga que foi para o meu quarto? – Ele não respondeu, Alice pensou na loucura dentro do seu quarto. Sua mania de arrumação, teria que esperar até que pudesse ficar de pé outra vez.

__Chamei uma especialista em arrumação, ela organizou tudo o que era necessário para mim e o que eu quis guardar, ela colocou num baú bem colorido e com chave  lá no sótão.

__Meu Deus, preciso do telefone dessa criatura mágica.- Riu.

__Bem se quiser contratar os  serviços dela, terei prazer em apresenta-la. Está lá na sala, atende pelo nome de Lucélia, vulgo Lia, eu a chamo de mamãe.- Sorriu- Fazer o que, alguns nascem com sorte. -Riu alto. Da janela do quarto do bebê, via Alana e Rody no balanço do Flamboyant. Alice suspirou, abraçada a Jorge:

__Acabou, não é Jorge? Ela está segura agora, não é?

__Sim amor, vocês estão. – Beijou a cabeça dela.

__Jorge, e Judite? – Fez uma cara de tristeza que Jorge teve que rir.-

__Judite está no conserto. – Alice arregalou os olhos.

__Jura!

__Claro, sei que é louca por ela. Acionei meu seguro. Vai levar um tempo para ela ser reformada, mas vai ficar ótima. E terá algumas modernidades, Airbag por exemplo. E uma cadeirinha de bebê ao lado da de Alana. Mas continuará sua Judite, prometo.

__Jorge, eu te amo. – Sorriu.

__Mas só vai poder usa-la depois que o bebê nascer, tudo bem. Por enquanto, vamos andar no Civic, eu dirijo até você e o bebê estarem fora perigo. Sei que vai ser chato trabalhar de casa, mas prometo facilitar o que precisar. Olivia, Tia Nina, Papai e Mamãe cuidarão da Escola de Artes, remeterão os assuntos para seu note ou celular. Carlinhos virá buscar Alana todo dia para a escola, Papai buscará no almoço como sempre. Ben a trará de volta para cá a tardinha.

__Vou atrapalha-los, principalmente os ruivos.

__É claro que não. Foram eles que fizeram esta escala.  Vovó Elisa e Vovô Rodolfo querem sua permissão para passear com Alana aos sábados. Clarinha e Rody, já conseguiram a permissão dos falcões.- Sorriu.- Vovô disse que está velho e tem que aproveitar os netinhos. Está aprendendo com sua mãe. – Riu-.Por falar nela, quer vir ficar com você de manhã todos os dias. Diz que é para vigia-la, para que fique mesmo de repouso. Seu pai diz que se aceitar, ele virá almoçar com vocês duas todos os dias. – Alice sorriu:

__Ele não tem tempo para isso.

__Agora terá. Vai se aposentar. Por enquanto vai auxiliar Carlinhos, mas até o bebê nascer não estará mais na diretoria da escola. Disse que quase perdeu você e Alana. Tem que recuperar o atraso, e ficar mais perto de vocês. – Os olhos de Alice marejaram.

__Graças a Deus vai parar de trabalhar. – Olhou Jorge.- Todo esse trabalho para que eu não fique preocupada e estressada.

__Na verdade acho que é por mim. Não sei se conseguiria me afastar um pouquinho de você se não fosse desse jeito. E preciso trabalhar. – Riu. – Enlouqueci todos eles para me ajudarem com o Orfanato, não querem que desista e fique o tempo todo beijando você.- Riu mais alto.- Tio Beto mandou para o Orfanato sua melhor estagiária Ritinha, para me ajudar na administração. E ontem contratei uma nova Assistente Social, ela veio visitar o orfanato e gostou muito do que viu. Então ofereci o emprego e ela aceitou. Assim também terei mais tempo para visitar você durante as tardes, e para levá-la as consultas de rotina. E terei dois domingos livres para passarmos nós quatro. O que acha?

_Ótimo! Quem é a Assistente?

__Dona Diana. Alana gostou muito da escolha e você. – Alice sorriu.

__Você é mesmo o nosso príncipe. O nosso cavaleiro de armadura.- Beijou-o.- Jorge, acharam as pessoas que ajudaram Flávio?- Jorge sabia que ela estava preocupada, e tinha razão.

__Não amor.- Beijou a testa dela.- Olhe, não fique preocupada. Já melhorei a segurança do orfanato. Papai, Tio Beto e os Ruivos fizeram o mesmo com as escolas e a empresa. Vovô Rodolfo também cuidou disso no prédio dele e no do seu pai. A polícia continua investigando. Mas seja como for, eu estarei sempre aqui. Não vou deixar nada acontecer. Eu não imaginei que aquele maluco pudesse machucar a filha, mas agora que sei que ele era capaz disso, e que tem gente assim de verdade, estou muito alerta. Fique calma, Alice. Para você e para o bebê, ok?- Alice mergulhou naquele azul intenso e sorriu, como era possível um homem tão lindo?

__Vou me acalmar, com uma condição?

__Qual?- sorriu, Alice beijou-o apaixonada, apertando-se contra seu peito, envolvendo o pescoço grosso com os braços, acariciando os fartos cabelos negros.

__Pelo amor de Deus, Alice. Isso é tortura, sabe que eu não posso….Respirou apressado.- Sabe que só poderemos  voltar a fazer isso depois que o bebê nascer.- Ela fez uma carinha de dor.- Não faz essa cara, acha que estou achando fácil isso? Mas é necessário. É pelo bebê.

__E se você se cansar de esperar?- Parecia com medo de perde-lo.

__Está brincando? Esperei por você por anos. Posso esperar alguns meses.- Sorriu.- É por uma boa causa.

__Não vou poder mais te beijar? Eu gosto tanto.

__ Claro que vai.- Ele riu.- Quanto drama.- Passou o nariz em seu rosto.- Sabe que eu te amo,  Alice.

–Eu sei. É que … Você é tão lindo, e…. Eu sei que não é como ele, mas Flavio saía com outras. Na verdade eu não me importava quando ele desaparecia as vezes. Me dava até um certo alívio. Mas eu sou mulher, é muito ruim esta sensação de ser trocada. Eu nem queria mais estar com ele, mas mesmo assim doía.- Olhou muito triste.-  Sei que é por uma causa justa, mas não sei se posso suportar que você precise sair com …

__Alice! – Disse indignado.- Acha que procuraria outra mulher para me satisfazer enquanto você não pode dormir comigo? – Estava muito ofendido.- Quem pensa que sou?

__Você é homem. Não estou julgando você. Eu posso entender. Só estou dizendo que vai doer.- Baixou os olhos. A fúria de Jorge deu lugar a uma compaixão imensa. Aquela linda mulher, sua linda mulher, tinha perdido a confiança em sua beleza, em sua feminilidade. Achava que ele procuraria outra, não porque não a amava, mas porque como ela não poderia satisfazer suas necessidades físicas, ele tinha direito a isso. E pior, achava que qualquer uma seria mais eficiente que ela. Tinha medo de perde-lo neste tempo.

__Ah minha linda.- Olhou-a nos olhos. Levou-a para seu quarto, colocou-a sentada confortavelmente, apoiando as costas nos travesseiros. Quando se sentiu satisfeito com a posição dela, sentou-se em sua frente, respirou fundo e começou.

__Alice, preciso esclarecer uma coisa. – Ela baixou os olhos, Jorge segurou seu queixo com carinho e levantou seu rosto. – Por favor, olhe para mim, meu amor. Eu não vou procurar outra mulher, nem agora, nem depois que o bebê nascer. Eu não quero outra mulher, eu só quero você.  Eu sempre quis você. Sim, tive outras namoradas, mas isso foi quando perdi as esperanças de ter você. E nenhuma desejei como desejo você. Porque nunca amei nenhuma delas como amo você. Vou passar momentos complicados esses meses, é claro. -Sorriu.- Mas eu não  poderia estar com mais ninguém, nem que quisesse. E não quero.  Você está me entendendo, Alice? Eu quero você. E vou esperar o tempo que precisar para isso.

__Mas…

__Alice, não tem mas. – Suspirou.- O que aquele traste te fez? – Precisava recuperar a confiança dela.- Alice, você é linda.  É maravilhosa. Eu sou louco por você, você sabe amor. Quantas vezes já viu como me sinto quando tenho você? Não posso acreditar que duvide do quanto te desejo.

__Eu sei, mas é você que…- Olhou-o. Jorge entendeu, ela achava que era bom, só por causa dele.  Então pensou…

__Alice, Flávio não te fazia feliz? Quero dizer, ele não satisfazia você?- Ela o olhou com um certo pesar.

__Ele dizia que eu era fria, que não … bem que eu não sabia como agrada-lo. – Então era isso. Tudo fazia sentido agora. Sua insegurança, a resignação quanto a outras mulheres, até o fato de ter deixado o covarde bater nela. Também era por isso que ela sempre parecia emocionada a cada carinho, cada toque, cada vez que juntos eram felizes. Ela achava que era ele o único responsável pela paixão e a satisfação que se seguia, quando se entregavam um ao outro.

__Alice, eu não sei se já te disse isso antes, mas seu ex-marido era um idiota completo. Você é deliciosa. E não estou dizendo isso porque te amo. Embora esse fato complique bem as coisas para mim.- Sorriu.- Se apenas desejasse você, poderia me controlar mais facilmente, afinal sou um bailarino. Mas porque te amo tanto, e não consigo ficar longe desses seus lábios tão ….- Baixou os olhos, respirou fundo, balançou a cabeça, sorrindo um pouco.- Ah Alice, como pode acreditar que aquele frouxo do Flávio dizia a verdade? Ele não sabia agradar você. Ele era um incompetente. Ele não soube aproveitar a beleza que tinha nas mãos. Você não tem problema algum, pelo contrário, se continuar lembrando como você é gostosa passarei vergonha em poucos minutos. – Riu. Alice parecia desconfiada.- Não está acreditando? – Beijou-a, um beijo poderoso. Sem fim. Alice passou a mão pelo peito dele por cima da camisa e Jorge deixou sua boca e encostou a testa na dela- Alice…-Tentou recuperar o fôlego.- Alice, só vou poder te mostrar como aquele traste estava errado daqui a alguns meses, mas é impossível que não sinta o que faz comigo, amor. Olhe para mim, estou em suas mãos. – Ela se fixou naquele azul por um segundo, depois percorreu todo o corpo dele com os olhos. Não havia dúvida, Jorge  precisava dela. Seu corpo inteiro implorava por isso. Ele riu- Alice, pare de me olhar assim, tenha piedade. – Riu mais. Ela voltou aos seus olhos e colocou a mão dentro da camisa dele acariciando seu peito. Jorge gemeu- Alice…

__Jorge. – O interrompeu.- Me ensine?- Os olhos azuis escureceram.

__Alice você não precisa…

__Eu quero!- O cortou. Depois baixou o tom.- Quero muito.- Uma leve insegurança na voz.- Se quiser…se tiver paciência de me mostrar.- Os olhos cor de uísque dela faiscando. Jorge fechou os olhos e colocou a mão em cima da dela.

__Ah Alice, o que eu faço com você?

__Não sei, por isso quero que me ensine.- Sorriu-  Sou sua. E amo você meu cavaleiro, meu lindo marido.- Jorge abriu os olhos e sorriu;

__Você minha linda esposa, com essa carinha tão inocente, tão delicada será minha perdição. Já sabe disso, não é? – Riu e voltou a beijar a mulher de sua vida.

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