O cavaleiro dos olhos azuis

Capítulo 15

-__Sim Dona Diana. Jorge era um bailarino muito conhecido quando morava aqui. Mas passou os últimos seis anos na Europa. Lá conheceu uma instituição que cuida de crianças órfãs,  se apaixonou pelo trabalho. Deixou a dança para se dedicar apenas as crianças. Sempre teve jeito com elas, mas agora descobriu sua verdadeira vocação. Acredito que vocês devam ter muito em comum. A senhora também ama crianças, não é mesmo? Alias, a senhora tem muito em comum com meu avô e meu irmão também. Eles são educadores, amam crianças, amam ensinar, lutam para defende-las e protege-las. Não se ofenda com o temperamento explosivo de Carlos, por favor. Ele, como todos  desta família, foi pego de surpresa com a violência que minha tia sofria.  Não vou negar para a senhora que muitas vezes, mesmo eu que trabalhe com a lei, tive vontade de socar Flávio pelo que fez com ela. Mas não faremos nada contra ele. Só o que importa para nós é a segurança de Alana e da nossa Tia. Ela se sentirá mais  segura aqui nos encontros com o pai. Sabe que meu irmão e eu  estaremos aqui. E que Jorge virá busca-la logo depois.  É para o bem dela. – E Carlinhos completou:

__Peço desculpas mais uma vez. Não tive a intenção de interferir no seu trabalho. – Olhou para Diana, eram quase da mesma altura seus olhos ficavam quase nivelados. Eram olhos muito negros, rodeados  de cílios muito longos e volumosos, o nariz fino e pequeno combinava muito bem com a boca carnuda, mas não exagerada. Usava um batom da cor dos lábios, um rosa chá, que fazia a pele negra de seu rosto ainda mais vistosa. Os olhos verdes dele sorriram, devia estar pensando alguma coisa que não  iria dividir com todos. – Mas como pode ver, Alana  é muito amada por todos nós. E ela ama muito a mãe. É um pouco tímida quando não conhece a pessoa, mas é uma criança normal, apesar de ter vivido uma situação tão devastadora. E quando confia em alguém se abre totalmente. Foi assim com Jorge. Ele chegou na vida dela a pouco tempo, mas ela o ama sem reservas, confia totalmente nele. – Diana viu que apesar de cabeça quente, o Diretor era inteligente, e embora o outro gêmeo é que era o advogado, ele também sabia manobrar seus ouvintes. Lógico, era um professor, sabia lidar com pessoas. Mas não iria enganá-la, ela era a especialista em desvendar perfis.

__O senhor não acha que os critérios de avaliação de uma  criança são muito limitados? Ela poderia gostar dele só porque é bonito como um príncipe de conto de fadas. _Carlinhos fechou a cara.

__É verdade, as crianças são na sua maioria inocentes Podem ser enganadas facilmente. Mas depois de saber o que minha tia sofreu, cheguei a conclusão que nós adultos também. Basta querer acreditar em uma realidade ilusória. Sendo assim, acho melhor confiar no julgamento das crianças que são puras e sensitivas. Alana não errou com Jorge, é um homem honrado, trabalhador, generoso e ama essa criança de todo o coração. E depois aconteceu com a senhora. Ela entendeu que a senhora veio para protege-la. Acredita que vai defende-la como nós. Ela está certa, não está? Afinal, esta é a sua função, protege-la. – Seus olhos de esmeralda penetraram os de Diana. Ele sabia que havia vencido. Sem dar chance para revanche disse: _ Se a senhora me der licença, tenho muitos compromissos hoje. Obrigado por sua atenção. Escreverei a vara familiar parabenizando-os pelo seu stafe. – Olhou o irmão que parecia divertido com o que via e disse: – Nos vemos a noite. – Andou até Jorge e Alana e completou: – Quando Dona Diana libera-la, pode leva-la. Avisarei a professora.  Até depois.- Beijou a menina, e se foi. Diana percebeu um olhar curioso em Benjamin, o advogado era sorrateiro.

__Seu irmão é um tanto mandão não acha, doutor? – Ben sorriu.

__Ele é o irmão mais velho. – Disse como se isso explicasse tudo. – Dona Diana, não queremos brigar com a senhora. Só queremos cuidar de Alana. Não fizemos  isso direito com minha tia Alice, e ela foi brutalmente espancada. Não cometeremos o mesmo erro. Sei que Flávio deve estar sofrendo, quem não estaria depois de magoar uma criança tão linda. – Olhou Alana sorrindo para Jorge. – Compreendo que ele tem o direito de recomeçar. Mas vou proteger os direitos de Alice e de Alana. Enquanto ela não se sentir segura com ele, estarei na porta ao lado de onde ele for visita-la. Nem que para isso tenha que recorrer a todos as instâncias legais. Não gosto de brigar á toa, mas sou o irmão mais novo, isso faz de mim um lutador nato. Por favor, vamos resolver tudo, para o bem de Alana, sim?  Nenhum de nós quer aumentar o trauma desta criança.- Seus olhos tão verdes como os de seu irmão tinham uma fúria contida. Diana ergueu o queixo e disse:

__Bem, por hoje acredito que podemos dar por encerrada essa visita. Por enquanto deixemos como está. Mas falaremos novamente sobre isso senhor advogado. Alana está dispensada. A próxima visita já está agendada. – Entregou um papel com a data. E despedindo-se disse:- Também sou a  mais nova Doutor Benjamin Medeiros, também sei brigar. – Virou-se para se despedir de Alana. – Então querida, está mais calma agora? – Falou em sinais, por isso tinha recebido este caso, por causa de suas habilidades em libras. –

__Sim. Jorge e os Ruivos são muito bons comigo. Eles me divertem e sempre me acalmam. Obrigada, como é mesmo seu nome? – Perguntou Alana.

__Diana. – E sorriu para a menina. Tinha um sorriso branco, muito bonito. Que brilhava intensamente contrastando com o negro de sua pele e de seus cabelos trançados.

__Diana igual a mulher maravilha? – A garotinha sapeca sorriu.

__Quase isso. – E riu para Alana. – Daqui a alguns dias nos veremos de novo, tudo bem?

__Meu pai também tem que vir? – Seus olhinhos mostraram medo.

__Querida, eu já lhe disse, ele só quer ver você. Não vai te machucar. Acredite em mim.

__Jorge também me disse. Ben e Carlinhos também. Mas eu sei que eles também tem medo do meu pai me bater como fez com a mamãe. Eles não dizem porque  não querem que eu  fique com mais medo. Meu pai é estranho. O pai do Rody e do Jorge, o tio Rick é tão calmo e sorridente, abraça e beija até o Jorge que é tão grandão. O pai dos ruivos, tio Beto, brinca de casinha com minha prima  Clarinha. Vovô  e Tio Rodolfo são tão legais, gostam de ler para as crianças e de passear com a gente. Mas meu pai é diferente. Diz que crianças só atrapalham. Não gosta de mim. Acho que é porque eu não escuto. – Baixou os olhinhos tristes.

__Ei!Ei! – Disse Jorge. – Isso não é verdade. Eu sei que você não ouve, e te amo. Os ruivos também. Isso não faz diferença, se você ouve ou não, o que importa é o que você tem aqui. – Apontou o coraçãozinho dela.- O seu é bem grande, é um tesouro. Seu pai está meio confuso. Todos ficamos as vezes não é mesmo? Mas não é culpa sua. Não é mesmo Diana? – Diana entendeu, ele estava tentando envolve-la com Alana. Para que ela confiasse que  cuidaria dela. Na verdade ele estava tentando ajudar até Flávio. Se a menina não se acalmasse, as visitas teriam que sessar.  Jorge queria o bem de Alana, isto estava claro. Mas e toda aquela história sobre uma família rica que nunca tinha aceitado um pobretão ao lado da ex bailarina? E aquilo de ter sido traído várias vezes por ela? E quanto a não permitirem que ficasse perto da menina que ele tanto amava? Por mais que tivesse ficado zangada  com o diretor ruivo, não podia negar o pavor que viu nos olhos dele, quando ameaçou tirar a menina da escola para as visitas. E o olhar feroz do advogado disposto a lutar pela pequenina. E agora via a menininha sendo protegida pelo seu campeão. Ele estava dando a Diana a possibilidade de ser vista por Alana como uma heroína também.

__Verdade. Jorge tem razão, não é culpa sua. Algumas pessoas não sabem demonstrar que amam as outras. A família de sua mãe não tem esse problema. Mas parece que seu pai tem. Talvez você possa mostrar a ele como se faz. Não precisa ser agora. Pode ser quando você se sentir preparada. Mas para isso, você terá que deixar ele ver você de vez em quando. Se você conseguir ensinar a ele, vai ser bom não acha? Você será tão poderosa como a mulher maravilha, que tal? – Alana parecia meio incerta, olhou Jorge, ele balançou a cabeça e disse:

__Sim , mas só quando você quiser minha florzinha super poderosa. – E sorriu para a menina. Foi lindo. Diana em frente ao espelho tentava descobrir de qual lado deveria estar. Sorriu e repetiu as palavras do ruivo mandão:

__Fui enviada para proteger Alana, vou defende-la.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s