O cavaleiro de olhos azuis

 
Capitulo 1
_ Sabe, sempre soube que este dia ia chegar, mas nunca estive totalmente preparado para ele. – O rapaz num terno cinza, bem alinhado, falou para a linda moça sentada numa das banquetas do bar Mojito. A moça virou-se para o rapaz um tanto surpresa.

__Desculpe senhor, falou comigo? – O moço galante disse:

__Sim, disse que sabia que o dia de encontrar a mulher da minha vida estava chegando, mas não estava preparado para ele hoje. – A moça sorriu divertida.

__Certo. Espero que a mulher em questão, não esteja presente então, para que o senhor tenha tempo de se preparar. – O rapaz colocou a mão em punho apertando o peito e dramaticamente disse:

__Você sabe bem como destruir o coração de um homem, não é mesmo linda? – Sorriu e disse:__Posso me sentar? – Apontou a banqueta vazia em seu lado. Ela olhou as horas no relógio atrás do barmam, sorriu e disse;

__Claro. – O rapaz sentou todo satisfeito e estendendo a mão disse:

__Sou Otto, muito prazer…?

__Olivia. – A voz veio de trás dele, grave, profunda, bem masculina. Otto podia sentir que o som  precisou descer para chegar aos seus ouvidos, e a julgar que Olivia levantou os olhos para ver o cara, ele devia ser alto. – O nome dela é Olivia.- O grandalhão de cabelos negros e olhos azuis, vestindo jeans e um agasalho azul marinho, passou ao lado  de Otto, abraçou Olivia, estendeu um braço comprido e musculoso, apertando a mão dele com força.- E eu sou Jorge, muito prazer. – sorriu para Olivia e beijou o rosto dela. – Sobre o que falavam?

__Falávamos… _ Olivia não pode terminar, o rapaz foi levantando e dizendo:

__Nada importante, com licença, minha companhia chegou. Foi um prazer. – E caminhou rapidamente para o reservado, depois para a saída. – Olivia e Jorge se olharam e caíram na risada. Juan o barmam serviu uma cerveja dizendo:

__Sabe de uma coisa, vou pedir ao Marco que proíba os dois de vir ao Mojito no meu turno.

__Por que? – Olivia rindo ainda mais.

__Como porque? Jorge bebe no máximo duas cervejas, você só bebe água , suco de laranja ou de maçã. Não me dão nenhum lucro e ainda espantam meus possíveis clientes. _ Jorge quase caia da banqueta  de tanto gargalhar. – Não ri não cara, eu vivo de vender bebidas. Você solta essa mulher maravilhosa por aí e depois quase infarta os caras que olham para ela. – Juan era um espanhol muito engraçado, uns trinta cinco anos, braços fortes, não muito alto. A cabeça raspada , um bigode espesso e preto desenhando seu sorriso, e sua facilidade para o drama eram suas marcas registradas. – Quando é que vão voltar para sua terra, hein? Essa faculdade já não acabou no ano passado? – Jorge se recompondo respondeu:

__Sinto muito Juan, estou fazendo doutorado, terá que me aguentar por mais um ano. Mas para sua felicidade e minha imensa tristeza, minha linda bailarina estará voltando para casa na próxima semana. – Beijou a cabeça de Olivia com muito carinho, deixando os caras no bar desanimados em tentar alguma coisa com sua linda  irmãzinha.

__Você linda vai embora, e vai me deixar esse grandalhão que fala difícil e não me dá lucro, aqui? – Ergueu as mãos para o céu . – Quanto mais eu rezo…..- Foi atender outros clientes.

__ Juan é mesmo uma figura, vou sentir falta dele. – Disse Olivia. – Mas de certa forma, ele tem razão. Não estou  gostando nada de ir e deixar você aqui sozinho.

__Não ficarei sozinho. – Ela ergueu uma sobrancelha. – Certo, ficarei sozinho, mas estarei muito ocupado com a meu doutorado. Também tenho o meu projeto  para o orfanato. Preciso pesquisar tudo com muito cuidado. Papai e mamãe estão dispostos a financiar se eu estiver com tudo pronto quando chegar. Também tem Tereza, ela é legal. – Olivia revirou os olhos.- Olivia só por que vocês não se dão bem, não quer dizer que eu não possa dar uns beijinhos nela, ok? – E riu.

__Não nos damos bem porque ela é uma folgada, e além disso, não estou falando das suas companhias femininas. Estou falando de família. Estou falando que em todos os meus 23 anos de vida, nunca passei mais de uma semana sem você. –  Oliva estava triste não queria voltar para sua cidade natal sem seu irmão. Quando viajaram para Amsterdam, cinco anos antes para estudar, o combinado era que um sempre cuidaria do outro. Isso os tornou ainda mais unidos. Não conseguia imaginar como poderia deixa-lo, visto terem compartilhado desde o ventre de sua mãe até o último biscoito de chocolate do pacote esta manhã. – Não quero deixa-lo aqui. Venha comigo, você pode enviar sua tese por e-mail. É o primeiro aluno de sua turma, terminou seu curso com as maiores notas. Tenho certeza que seus professores não vão criar nenhuma polêmica por isso. Venha para casa comigo, por favor? – Jorge acariciou seu rosto com muito carinho.

__Minha linda irmãzinha, o que teria sido de mim sem você, todos esses anos? Eu te amo muito. E sou muito orgulhoso de ser seu irmão. Como se não bastasse ser uma bailarina tão talentosa,  é uma professora de dança ainda melhor. Não vou nem mencionar o ser humano maravilhoso que você sempre foi. Sim, poderia ir para casa e entregar minha tese por e-mail, mas esse não seria eu. Vim para cá para estudar e fiz isso da melhor forma que pude. Aqui descobri minha verdadeira vocação. Amo dançar, amo escrever, amo pintar, amo música, amo nadar, mas amo muito, muito mais proteger, ensinar e cuidar de crianças. Preciso conseguir meu doutorado com todas as honras. Preciso estar gabaritado para conseguir realizar meu sonho de  formar meu orfanato. Por este motivo, não irei para Conquista com você semana que vem. Mas estarei lá assim que terminar o ano. Neste meio de tempo, peço que procure o lugar ideal dentro daqueles moldes que já te passei. Sabe quanto tenho de recurso para investir. Preciso que me mantenha informado de seus progressos. Este é o sonho de minha vida, e você sempre será parte dele, por que foi você que me levou para apresentação de dança no orfanato na primeira semana que estávamos aqui em Amsterdam. Eu estava sofrendo e as crianças deram um novo sentido a minha vida. E devo isso a você. Minha linda bailarina de olhos de gelo. Vou sentir imensamente sua falta, porque nunca passei mais de uma semana sem você. -Sorriu ao repetir as palavras de sua irmã. – Mas será por uma boa causa. Prometo não destruir a cozinha, nem deixar Tereza ser muito folgada como você diz. Em troca você promete não chorar o tempo todo, nem ficar dando asa para uns sujeitinhos  sem graças que aparecerem na minha ausência. Combinado? – Enxugou as lágrimas  que desciam pela face de Liv, com as costas de sua mão direita.

__Jura que vai voltar assim que terminar o doutorado?

__Juro.

__E quanto a Alice? Ela estará lá. O que vai fazer?

__Alice. – Sorriu saudoso. Suspirou, olhou nos olhos de Olivia dizendo: – Poderia dizer a você que ela não significa mais nada para mim, que o tempo passou e eu cresci. Não seria mentira. Aquele garoto sonhador que suspirava pela linda bailarina de olhos cor de uísque,  realmente  deixou de existir. Outras coisas ocuparam minha vida. Mas por todo esse tempo, eu jamais senti por ninguém nada nem perto do que senti por Alice. Se tivesse nascido em outra família, diria que aquilo era uma paixão platônica de adolescente, mas vindo de onde viemos sei que não era. Ver papai e mamãe se olharem durante todos esses anos, não deixa dúvida do que é amor. Provavelmente, o que restou do meu pobre coração vai disparar quando a vir, mas não posso negar que o tempo foi implacável com meus sentimentos por ela. Espero sinceramente que ela tenha sido muito feliz e continue a ser. Alguém precisa ter sido, para valer a pena todo o meu sofrimento. Só o que posso te dizer com toda certeza Liv, é que dei meu coração a Alice e ela não o quis. Hoje entendo que não foi maldade dela, ela não me amava. Isso me aconteceu também, encontrei garotas que me queriam, que eram muito legais, que admirava, mas eu não amava. Não posso culpa-la por isso. O problema real foi ter me entregado tão completamente, aprendi a lição. Não farei mais isso, nunca mais. Quanto a encontra-la, isso uma hora ia ter que acontecer. Não tenho mais porque evita-la. Já se passaram cinco anos, até que eu volte serão quase seis. – Respirou.- Não posso parar meus projetos por causa de um antigo amor não correspondido, que encontrarei  esporadicamente nas reuniões de família. O mais incomodo será ver aquele cavanhaque ridículo por quem ela me trocou. – E riu sinceramente divertido. – Olivia sabia que Jorge tinha sido totalmente sincero com ela. Dito tudo que realmente sentia. Ele nunca tentaria ludibria-la. Mas infelizmente, achava que ele estava enganado quanto ao que ainda sentia por Alice, e pior sobre os sentimentos de Alice por ele.

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