Falcão por opção

Capítulo 15

A viagem prossegui. Jorge, Ritinha e as tias de Alex voltariam para casa  na quarta feira. A primeira parada assim que saíram do Castelo Eltz, foi no Hotel Neuhausen, o alojamento de Alex. Todo mundo quis ver o quarto de Alex e do Vovô Carlos. Foi uma farra só. Depois de almoçarem no restaurante do hotel foram conhecer o Instituto. Alex mostrou tudo para as crianças ordeiras, muito diferentes das que conheceram seu quarto, e para seus novos primos italianos. Yuri também os acompanhou. Mais tarde passearam pelos parques da cidade. As crianças corriam felizes pelos gramados. Os casais namoravam tranquilos debaixo das sombras das árvores. Tudo muito bonito e primaveril. Todos ficaram hospedados no Hahn Hotel no centro da cidade. A noite foram conhecer o apartamento onde moravam os Fazzanos. Ficava perto do Parque Olímpico de Munique. Muito bem planejado e construído. Nada muito grande e nem pequeno. Tudo muito claro e arejado e com direito a um jardim de inverno bem colorido e outro muito simpático  na sacada.

__Gostam de flores?- Perguntou o Ruivo.

__Nós gostamos.- Disse Gigio.- Mas devo admitir que não sou muito bom em paisagismo. Não entendo muito de plantas. Então toda vez que quero colocar algum jardim em um projeto, preciso procurar um paisagista.

__Você fez esse projeto? Deste apartamento?- Preguntou Lia.

__Sim. Este edifício é da nossa construtora. O antigo arquiteto da empresa assinou a planta junto comigo. Mas o projeto é meu. Gosta, tia Lia?- Chamou-a como as crianças faziam. Lia sorriu e disse.

__Clara! Acho que você encontrou o arquiteto que queria. Ele tem os traços que você estava procurando, não acha?- Gigio olhou para ela  e perguntou:

__Você está precisando de um arquiteto, prima Clara?

__Eu quero construir um restaurante com um apartamento para moradia em cima. Não tenho pressa. Só vou precisar do espaço quando terminar a faculdade, daqui a 3 anos. Já tenho vários projetos que o Ruivo me deu para me inspirar, mas ainda não tenho o terreno, então tudo está apenas nos planos.

__Construções são coisas demoradas. Principalmente as bem feitas. Se me disser mais ou menos o que tem em mente, talvez eu possa te mandar alguns desenhos.

__Tem alguma ideia de onde gostaria de construir seu restaurante, prima Clara?- Disse Giu.

__Não sei. Só gostaria que tivesse uma vista bonita.

__Que tal a vista do mar? Acho bem bonito, se for meio no alto, principalmente a noite.- Seu irmão lhe sorriu. E Ben esperto:

__O terreno da enseada é de vocês?- Os Fazzanos olharam para ele sorrindo. – Eu quis comprar. Mas nunca conseguia encontrar o dono. Ai descobri que era um italiano que voltou para a  Itália a uns 10 anos. Um Senhor Veronezzi.

__Isto mesmo. Ele faleceu a uns dois anos. Os filhos não queriam ir para o Brasil, então fizemos o negócio na Itália mesmo. Achei que seria um bom negócio, mas não conseguimos encontrar algo interessante para fazer com o terreno. O desnível inviabiliza o que eu tinha em mente, não é mesmo Gigio?- O italiano olhou seu irmão com cara de maroto. E o outro também fez cara de arteiro quando disse:

__Pois então. Já fiz vários desenhos, mas nenhum projeto realmente pareceu legal. Talvez devêssemos vende-lo.

__Qual terreno? Onde fica?- Perguntou Clara.

__O terreno antes dos ancoradouros. – Disse Ben.- Bem no começo da enseada. Aquele que você fez  as fotos das meninas nas pedras no ano passado.- Clara olhou seus novos primos já com um pedido nos olhos.

__ Quanto querem pelo terreno?- Eles riram.

__Realmente, é filha e neta de quem é.- Disse Giu.

__Desculpe.- Ela riu.- Não sei se querem vender. E também não sei se posso pagar o que vale. Meu pai me ensinou que devo trabalhar com o capital que possuo. Se o preço do terreno for além do que posso pagar, preciso pensar se vai ser viável procurar um meio para adquiri-lo, ou se é melhor procurar outro lugar.- Os primos se entreolharam. Alex se adiantou.

__Talvez possamos pedir um tempo, para pagarmos o terreno. Se não iam utiliza-lo para uma construção já definida, e se você realmente encontrou o terreno que quer, podemos dividir os pagamentos. Isto é um procedimento comum nos empreendimentos imobiliários, não é?- Perguntou a Ben.

__Sim. -Disse Ben sorrindo. Viu que Alex já considerava aquele assunto seu, porque era importante para Clara. Ben sabia que Clara teria condições de comprar o terreno por um preço justo e ainda construir seu restaurante. A herança que ela receberia era administrada por ele. E ele fez questão de conseguir os melhores lucros possíveis para ela. Antes mesmo de poder explicar isso para Alex, seu pai e seu avô apareceram.

__Se ela não tiver os recursos necessários, nós podemos financiar.- Disse Beto.

__Verdade. Você pode construir o restaurante e assim que ele estiver dando lucros, você paga o terreno. Seria um empréstimo totalmente legal.- Sorriu-  Nada de facilitar para a netinha linda do vovô.- Riram.

__Estava pensando em algo um pouco mais agressivo comercialmente.- Disse Giu.- Vendo para você pelo valor exato que paguei, com três condições. Primeira, gostaria  de oferecer o trabalho da minha construtora para realizar sua obra. Estarei pessoalmente no Brasil e isso facilitará muito nosso contrato. Tenho um excelente arquiteto e acho que a senhorita vai gostar muito do trabalho dele. A equipe é toda especializada.- Sorriu.- Acredito que não teremos nenhum problema com isso. Já minha segunda condição é um pouco mais complicada.

__O que seria?- Ela disse. Giu virou -se para Alex e disse muito sério.

__Quero comprar seu apartamento.

__Como?- Disse Clara. Giu e Alex sorriram ao mesmo tempo.

__Você pode abater o valor do preço do terreno, se desejar.

__Espere.- Disse Ritinha.- Quer comprar o apartamento de Alex? Porque?

__Preciso de um lugar para morar no Brasil. Você disse que gosta de morar lá. Que o apartamento é pequeno, mas muito agradável. Que não gostaria de sair de lá. Então…

__Mas se você for morar lá.- Disse Rody.- Vai ter que casar com Ritinha. Mamãe disse que foi por isso que Liv foi morar com Ben, Alice com Jorge e Diana com o Ruivo. Você só pode morar com uma mulher que não é sua mãe ou sua irmã, se ela for sua mulher. Né mamãe? Não tem jeito vai ter que casar com Ritinha. _ Giu olhou para Ritinha com um sorriso tímido, mas satisfeito. Ela abriu um pouco mais os olhos.

__Mas…Mas… Acabamos de nos conhecer…. Eu…. Você…..

__Bela.Você vai embarcar com Jorge depois de amanhã. Não vou deixar você sair do país, sem estar comprometida comigo. Terei que ficar um pouco mais, para resolver algumas coisas, mas preciso estar lá no próximo mês. Para o inicio das obras do estaleiro. Já falei com meu pai. Ele ficará com Gigio e vou com a equipe. Se não quiser se casar comigo agora, tudo bem, mas terei que ficar num hotel. Né, Rody?- O garoto balançou a cabeça firmemente.- Mas eu preferia ficar com você.- Sorriu.

__O apartamento é seu.- Disse Alex.- Pode tratar da documentação com Ben, quando chegar ao Brasil, Clara só poderá utilizar os recursos que possui quando chegar a maioridade. Acredito que não terá problemas para esperar até janeiro para receber o restante do pagamento? Pelo que Ben me explicou, o apartamento é bem valorizado. Não está fazendo um negócio ruim, tenha certeza.

__Eu sei que não.

__Esperem. – Disse Ritinha.- Você nem viu o apartamento, e Alex nem viu o terreno. Como podem simplesmente trocar de propriedade como se fossem figurinhas?- Eles riram.

__Clara gosta do terreno que é dele, você gosta do apartamento que é meu. Eu quero agradar Clara e ele a você. Trocamos. Eu caso com Clara, e moro lá quando tudo estiver pronto, você casa com ele e mora no apartamento. Tudo certo, pergunte ao Rody?- Riram outra vez. Alex olhou sua mãe abraçada ao Ruivo.- Tudo bem para a senhora?

__Claro, querido.- Disse Diana.- Se Ben acha que é um bom negócio, então está tudo bem.- Olhou Giu.- Eu amava o apartamento, principalmente o jardim que o Ruivo fez para mim. Fui muito feliz lá. Tenho certeza que também serão. Mandarei tirar os móveis que estão guardados lá assim que chegarmos. Então poderão decorar com o gosto de vocês.

__Mas eu nem sei qual é seu gosto?- Disse Ritinha.-

__Vou gostar de tudo que escolher. Eu não sou exigente. Gosto de flores, de claridade e de livros. E gosto de cozinhar. Trabalho o dia todo, só fico em casa a noite e nos fins de semana. Se conseguir começar minha pós lá ainda esse ano, chegarei mais tarde ainda. Segundo me disse o apartamento é bem localizado, vai facilitar minha locomoção. É perfeito.

__Deixa ver se eu entendi o que está acontecendo.- Disse Nina.- Você Giu, está pedindo a mão de Ritinha em casamento? É isso mesmo?- Giu olhou seu pai, que sorriu e disse:

__Eu sabia que você ia encontrar alguém aqui na Alemanhã bambino, só não sabia que era brasileira. Quem diria?- Riu e entregou a ele uma caixinha preta de veludo. Giu se ajoelhou na frente de Ritinha.

__Ai meu Deus!- Disse ela tampando a boca com a mão.

__Rita bela. Eu já fui casado. Já me ajoelhei na frente de uma moça que eu amava e fui agraciado com um sim sorridente. Fui muito feliz com ela. Mas ela se foi muito cedo. E eu fiquei muito só. Achei que viveria assim para sempre. Mas então meu coração voltou a acelerar outra vez. Fiquei com medo de não ser correspondido, com medo de ter que carregar mais essa dor. Mas então você sorriu para mim e voltei a respirar. Não posso mais me afastar de você. Me deixe ir para seu país com você? Me deixe morar no seu apartamento contigo? Me deixe fazer parte da sua vida? Porque você já é a minha agora. Estou novamente na frente de uma linda mulher, mas dessa vez estou apavorado com a possibilidade real dela não me aceitar. Sua família do coração está toda aqui, minha família está toda aqui, por favor Rita, eu imploro na frente de todos eles, case-se comigo?- Ritinha ficou em silêncio. Nunca tinha sentido uma emoção tão forte.Respirou fundo:

__Você é louco. Como pode fazer isso? Nos conhecemos a 15 dias.- Sorriu. Beijou-o.- Aceito, mas quero me casar de noiva. E quero fotos para ter de recordação e de provas que isso realmente aconteceu.- Todos riram.- Isso está mesmo acontecendo,né?

__Sim, meu amor. Está.- Disse ele.- De-me sua mão e eu lhe mostrarei.- Ela o fez e Giu deslizou em seu dedo um anel solitário de diamantes e ouro branco com um filete de ouro amarelo. Colocou também uma aliança de ouro muito bonita no mesmo dedo e ofereceu a ela uma aliança para que ela colocasse em seu dedo.

__Estamos noivos agora?- Perguntou ainda confusa com tudo aquilo. Foi Gigio que respondeu.

__Sim minha bela sorella.- Estourou um Champanhe e riu.- Fiquei com medo que não aceitasse. Não faz ideia do quanto corri para deixar tudo pronto.

__Tudo o que?- Ele pegou a cunhada pela mão e levou-a até a mesa. Lá, um jantar muito bonito, com a mesa muito bem posta e um ramalhete de rosas na cadera dela.

__Seu jantar de noivado. É uma tradição de família. Falei com um amigo do Italiano o restaurante da esquina, ele providenciou o menu. Mas precisei buscar e arrumar tudo antes de vocês chegarem.- Ela olhou seu novo cunhado.

__E seu irmão? Não ajudou você?

__Ele estava ocupado, escolhendo as palavras certas para te convencer.- Riu.- No fim Rody e Alex tinham os melhores argumentos.Ela olhou sua mão com os novos ornamentos.

__Quando teve tempo de escolher essas joias?- Giu pegou sua mão.

__Isso foi um pouco mais rápido.- Sorriu.- O anel era da minha mãe. E as alianças eu passei na joalheria para polir o anel e escolhi este par, achei que combinavam com o anel e com você. Mas se quiser trocar depois, tudo bem.- Ela sorriu.

__Achei linda. Mas não tem problema ficar com o anel de sua mãe?- Virou-se para Gigio.- Você não se importa?- Gigio sorriu.

__Sorella, quem melhor que você para usar este anel? Mama ficaria orgulhosa. Ela também tinha cabelos lindos como os seus, e era doce e pequena como você. Giu nem precisou mandar regular o anel. Ele serviu certinho para você. É seu e estou muito feliz por isso. E o anel, embora seja uma joia de família, não é o mais importante. Meu fratello é. Só peço que cuide bem dele. Certo?

__Certo.- Disse com o mesmo sotaque deles. Eles riram.

__Muito bem.- Disse Giulliano.- Vamos comer. Onde estão as crianças?  – A comida estava ótima, mas só o que falavam durante o jantar e depois dele, era sobre os casamento de Ritinha.

__Poderiam deixar para se casar depois que Giu for para o Brasil.- Disse Aline.- Assim teríamos mais tempo para organizar tudo.

__Mamãe tem razão.- Disse Alice.- Você poderia se casar no orfanato, seria lindo.

__Sim. Mas Alex não poderia ir.- Disse Clara.- Porque se entendi, vai se casar o mais rápido possível.- Riu.- Nada de morar num hotel.

__Se preferirem assim.- Disse Alex.- Não tem problema, posso assistir por videoconferência.

__Então.- Disse Giu.- Lembra que eu disse que tinha 3 condições para vender o terreno.- Sorriu.- A terceira, é que você Lehrer e Clara, sejam meus padrinhos. Sendo assim, ou pago o hotel até janeiro, ou nos casamos até quarta.- Todos ficaram em silêncio. Os Fazzanos não conheciam este sinal, mas Ritinha sim. Ela sorriu para ele e pegou sua mão com carinho para tranquiliza-lo. Foi Lia que falou primeiro.

__Ben, é possível conseguir os papéis aqui tão rápido?

__Teremos que falar com os consulados, mas parece que tem uma estância em um dos estados, que é possível. É isso mesmo Yuri?

__Sim. Em Bremen. Mas fica na divisa do país, perto da Holanda. Precisará viajar para lá levando todos os documentos e os passaportes. Inclusive das 4 testemunhas que são exigidas.

__Quando chegarem ao Brasil.- Disse Dalia.- Precisarão validar a certidão de casamento. Para isso precisarão levar a documentação para o fórum, para um juiz da vara de família. Conhecem algum?- Riram.- Posso valida-la para vocês. Mas só no Brasil não tenho força de magistrado aqui. Mas posso ajudar com a documentação no consulado.

__Quanto tempo precisamos para chegar neste lugar Yuri?- Perguntou o Ruivo.

__Umas 3 horas de carro. Talvez 4 de ônibus.

__Que horas o consulado começa a trabalhar?- Perguntou Diana.

__As 8:00.

__Ok.- Disse Lia.- Ben, você Yuri e Dalia, vão ao consulado conseguir o que precisam. Não se esqueçam de ligar para marcar o  horário no cartório ou equivalente em Bremen. Nina, você, Vovó Elisa e Vovó Aline, levam Ritinha para escolher o vestido. Vovô Rodolfo, Vovô Carlos, ligam para a companhia aérea para trocar as passagens. Jorge e os tios, ligam para o Brasil explicando o atraso de vocês. Talvez não precisem explicar para todos. Mas no orfanato e no hospital é necessário.

__Trocar as passagens?- Perguntou Giulliano.

__Os Tios de Alex, Jorge e Ritinha, voltariam na quarta de manhã, no voo da 10:15. Mas com os novos acontecimentos é melhor voarem a noite, ou na quinta de manhã. Deise volta trabalhar na quinta a tarde e Jorge precisa avisar no orfanato que vai se atrasar um pouco, e que Ritinha não vai mais.

__Não vou?- Ritinha perguntou surpresa.

__Ritinha.- Disse Vovô Rodolfo.- Pegou-me um pouco desprevenido, não terei tempo de preparar um presente a sua altura, antes do seu casamento. Mas pelo menos posso dar um jeito para que passe uns dias com seu marido aqui na Alemanha.

__Não se preocupe Ritinha, nós ajudamos Jorge com as finanças e com as crianças até você voltar.- Disse o Ruivo.- Terei uma desculpa para ir todo dia no orfanato.- Riu.

__Certo. Continuando. Yuri, conhece algum lugar  lá em Bremen , que podemos fazer uma pequena recepção? Nada muito grande, mas que tenha uma boa cozinha e espaços para o casamento e os votos?- Yuri sorriu para Giu.

__Parece que você vai usar minha casa antes de mim, italiano sortudo.- Riram.- E Leninha perguntou:

__Você tem uma casa neste lugar?

__Eu tenho uma cabana em Bremem, perto do mar do norte, quase na fronteira com a Holanda. Foi recentemente reformada. Não é muito grande, mas tem um quintal amplo e uma vista bem bonita, tanto do mar como das montanhas. Posso conseguir os alimentos que precisarem, mas tenho apenas uma senhora que cuida do lugar uma vez por semana, e um jardineiro. Não tenho cozinheiros lá.

__Nem precisa. _ Disse Leninha.- Olhou Clara e sorriu.- Estamos aqui. Posso ir para lá hoje a noite. Amanhã começo os preparos o mais cedo possível. Deixo tudo adiantado para terminarmos quando vocês chegarem. Que tal?

__Ótimo.- Disse Lia.- Mas não dará conta de tudo sozinha. Clara, você Diana e Liv vão com ela. Gigio também. Ele conhece o lugar e sabe onde conseguir o que vamos precisar. Ruivo, você também vai com eles. Deixe tudo organizado, quando eu chegar ajudo você a terminar tudo.

__Mas e as pequenas gêmeas? Os pais estarão ocupados quem fica com elas?- Perguntou Giulliano.

__Ficam com o vovô.- Disse Beto sorrindo.- Sei arrumar esses cabelos como ninguém.- Todos riram.- Digam a eles meninas?- As duas rindo responderam juntas.

__Sim, vovô!

__Viram!- Jogou beijos para suas netinhas.

__Certo. Todos os rapazes precisam separar um terno hoje, e mandar para Nina, no Hotel. Quem serão seus outros padrinhos? Yuri disse que precisam de 4.- Ritinha olhou seus amigos, não sabia quem escolher.

__Isso é bem difícil, amo todos vocês.- Rolou um momento ternura quando ela disse isso.

__Devia escolher o vovô e a vovó. O casal mais velho, ele já escolheu o casal mais novo mesmo.  Sem contar que são muito parecidos, quase parece que entraram no túnel do tempo.-Disse Rody um pouco displicente. O garoto era mesmo filho de Lia e  Rick. Ritinha olhou o casal e perguntou;

__Aceitariam? Por favor?- O casal se olhou sorrindo.

__Com todo prazer minha menina.- Disse Dona Elisa.

__Certo.- Disse Lia.- Acho que Alex também precisará ir para Bremem. Para não ter nenhum problema com  as autorizações de Clara. Deise, Cunha e Xande ficam as crianças e cuidam de preparar as malas de de Dalia também. Provavelmente, partirão do aeroporto de Hamburgo, ou de Hannover. Precisam estar com tudo pronto. Alice, o mesmo para você. Não esqueça do terno de Jorge e do Cisco.- Virou-se para seu marido, Rick sorriu.

__Já mandei uma mensagem para o editor. Vou encontra-lo na sexta a tarde. Fico com Rody. Nós vamos fazer um programa de homens amanhã de manhã.- Riu tranquilo como sempre.- Concorda filho? – O garoto de olhos negros olhou o pai como se entendesse uma mensagem escondida. Sorriu e disse:

__Estou dentro, papai!- Todos riram.

__Ok.- Continuou Lia.- O ônibus, ficará conosco aqui até as meninas voltarem das compras, então iremos para a cabana de Yuri. Vocês que vão ao consulado, usarão o carro de Yuri. Vocês que vão para a cabana, precisarão de dois carros. Temos dois disponíveis?

__Podem usar o de Gigio e o meu.- Disse Giu.

__Posso ir de moto?- Disse Gigio. – Assim fica outro veículo para vocês usarem.

__Viajar a noite é perigoso bambino.- Disse Giulliano.

__Seu pai tem razão.- Disse Leninha.- A noite de moto, só para os acostumados a loucuras. Eu vou de moto, você vai no carro.

__Nem pensar!- Disse Yuri.- Você nem conhece o caminho. Não precisamos nos arriscar, mando vir outro carro.

__Mas seria bom ter uma moto na casa, Yuri. Para buscar as coisas rapidamente.

__Fora de cogitação.- Olhou Clara.- Já sabem o que vão precisar para a comida?Ainda é cedo. Eles podem começar a separar o que vão usar.- Clara olhou Leninha fazendo força para conter um riso.

__Faremos isso agora.- Olhou Os Fazzanos.- Alguma preferência de sabor?

__Comemos de tudo. Menos frutos do mar, somos alérgicos. Salvo os peixes. Amamos queijos e chocolates. Yuri, acha que seu pai, sua irmã, ou alguém do Castelo virá? Para calcularmos as quantidades?

__Papai dará um jeito de ir com certeza. Hannah não sei. Talvez.

__Certo coquetel e jantar para 40 pessoas. Vamos Leninha, nossa deixa.- Foram para outra sala.

__Então usarão os dois carros dos Fazzanos. Conhecem bem o caminho para lá? A região e o comércio de lá?

__Sim. Cuidei da reforma e Giu já conhecia o lugar antes.- Disse Gigio.

__Então, Giu e o primo Giulliano também irão. Vou fazer uma lista para vocês.  Ruivo, eles ajudarão você a colocar tudo no lugar, se achar que precisa de mais alguma coisa ou mudar algo, tudo bem. Gigio, você tem fotos ou desenhos de lá?

__Sim. Só um instante.- Enquanto Gigio pegava as plantas e as fotos da cabana de Yuri, este foi atrás das meninas. As encontrou na cozinha com uma lista na mão e falando ao mesmo tempo.

__Acha que dá tempo de assar tudo?- Disse Leninha.

__Sim. Mas vamos ter que correr. E quando tia Lia chegar, ela vai organizando tudo para a gente. Diana sabe fazer essa salada com uma rapidez incrível. E esse molho da Liv é coisa de louco. Os italianos vão amar. Seu arroz e sua carne assada também.-

__Certo. E você vai coordenando tudo e preparando o bolo, e a sobremesa. Assim que acabarmos, ajudamos você a confeitar tudo. Vai dar certo. Só espero que dê tempo de tomar um banho antes.- Riu.

__Se não a madrinha vai estar uma beleza.- Riram mais.

__Tomara que tenha uma estufa, ou então algum lugar para alugar uma. Assim ganhamos alguns minutos. Para tirar a doma pelo menos.

__Tem um fogão e um forno a lenha.- Disse Yuri, chegando perto delas.- Frauen Klein costuma deixar a comida em cima, para mante-la quente.- Clara olhou os dois.

__Sim, está ótimo. Vai servir. Vou ver com tia Lia se tem alguma coisa a acrescentar.- Saiu apressada deixando o casal para se acertarem.

__Certo.- Ele suspirou.- Desculpe. Não quis ser grosso, nem mandão. Sei que sempre andou de moto e tem prática. Não duvido de suas habilidades. Mas não quero que nada de ruim aconteça com você. Quando formos casados você já estará acostumado com o caminho, então tudo bem , mas por enquanto prefiro….

__Casados?- Disse com surpresa, quase incrédula. Isso feriu Yuri. Ela não  via essa possibilidade. Eram só namorados.  Talvez ele fosse só um passatempo enquanto estava em seu país.- Não está pensando em fazer alguma loucura como Giu, não é?

__Não.- Disse sofrido.- Não posso. Sou o filho do Conde de Eltz. Tenho que manter um noivado, por pelo menos um ano antes de me casar. E devo me casar na frente de todo o meu condado saxão. É a tradição.- Olhou-a triste.- Compreendo que nem toda garota gostaria de algo assim. De ter sua vida, seu momento mais esperado, estampado nos jornais. Não sou tão bom partido afinal.- Sorriu  magoado.

__Ei! Não é isso. Tenho quatro irmãos. Meus pais e meus avós estão todos vivos. Tenho sobrinhos, tios, primos, amigos de infância. Não sou como Ritinha. Não posso me casar assim do nada. Num país distante. Todas as pessoas que ela ama, e que a amam estão aqui. Meus pais, nem sabem quem é você. Meu pai enlouqueceria se fizesse algo assim. Sou roqueira, ando de moto, cozinho em horários malucos, sou livre, mas nunca faria isso com eles. Por isso sempre me deram liberdade, porque sabem que eu os respeito e considero. Eu não poderia fazer isso.

__Mas se casaria comigo? Não agora. Se depois que nos conhecermos melhor, depois que eu conhecer sua família. Se continuarmos felizes juntos. Você acha que poderia…Acha que esse tipo de vida prenderia você? Não vou negar, existem tradições e costumes…. Nem mesmo para mim que os conheço, é fácil as vezes.- Leninha pôs as mãos no peito dele olhou os olhos dele e disse:

__Só se prometer que será mandão de vez em quando. Ficou tão másculo, a cara do Thor.- Riu, depois beijou-o.- Entendi que ficou preocupado. Nunca tinha visto você levantar a voz. Nem sabia que fazia isso. Olhe, eu estou acostumada a dirigir a noite. Mas entendo seu medo, não me importo de ir de carro.- Ele a abraçou forte.

__Na verdade, não entende meu medo. Minha mãe morreu num acidente a noite. Meu pai estava no carro com ela. Quase perco os dois juntos. Estava muito escuro e frio. Era uma estrada movimentada, mas naquela hora tinha poucos carros, ainda bem. Um caminhão tombou. Os dois batedores, foram esmagados. O motorista tentou, mas não conseguiu evitar o impacto. Ele e mamãe morreram na hora. Papai ficou ferido, mas se recuperou logo. Nunca mais andou com batedores de moto em sua frente.

__Que triste. Você estava com eles?

__No carro de trás, com minha irmã e meu cunhado. Ela estava grávida, pobrezinha.

__Você viu tudo?

__E nada pude fazer, nem para salvar mamãe, nem os pobres batedores. Eles eram pais de família, homens bons, morreram na minha frente. E mamãe….Desculpe. Não quis ser rude com você nem  magoa-la. Estou muito apaixonado para isso.

__Verdade?- Perguntou ela. _ Olhe, Yuri. Não pode dizer estas coisas para uma garota brasileira. Ela acredita. Vê, Ritinha vai casar com um cara que conheceu a duas semanas só porque o maluco disse que a ama.- Riram.- Falando sério. Eu gosto muito de você Yuri. Muito mesmo. E não fiquei chateada por você querer me proteger. Não precisava tanto, mas não fiquei chateada, eu entendi. Agora que conheço essa parte da sua história, entendo ainda mais. Mas não vou parar de andar de moto, eu gosto muito. Prometo ser cuidadosa. Ok? E concordo que tem muita gente imprudente no trânsito. Sinto muito por sua mãe e pelos batedores. Já vi muita coisa feia lá no Brasil também. Tento me cuidar o máximo possível.- Sorriu.- E gostei mesmo de ver você poderoso dando ordens, será um Conde ótimo.- Riram.- Não sei se vamos ficar juntos para sempre, mas se um dia formos nos casar, preciso de minha família comigo. Se tiver toda essa pompa que falou, não importa. O que importa é minha família, e o homem que me ama e que eu amo estarem  comigo.  Meus pais são meio malucos, mas se amam. Todos os Medeiros e os tios de Alex também. É isso que quero para mim. Um amor só meu. O restante não faz diferença. Entendeu Thor?- Ele riu.

__Entendi. Minha motoqueira.- Beijou-a.

__Ei! Chega de beijos.- Disse Clara.- Precisamos trabalhar. Trouxe duas listas. Uma de comida, e outra de outras coisas que tia Lia marcou. Não sei como ela nunca esquece nada.- Riu.- Tia Lia disse para você ligar para sua cabana ou para alguém de lá e ver se é possível conseguir isso para amanhã de manhã.- Yuri pegou as listas e o celular.- Agora nós, vamos separar todas as receitas,  todos os processos por ordem. O casamento será as 5:00h.- Precisamos estar com tudo que for servido frio ou gelado, pronto até 12:00 e tudo que for servido quente até as 3:00,  pronto para receber o último processo e finalização. Teremos uma hora e meia para nos aprontar e meia hora para finalizar os pratos antes da cerimônia.

__Meninas.- Disse Yuri.- Liguei para meu pai. Ele disse que irá direto de Frankfur e levará consigo Klaus, seu mordomo pessoal. Ele poderá ajudar vocês a servir. Minha irmã também irá com o marido e claro Astrid.- Riu. Lá na sala tudo correndo muito rápido também.

__Já falei com o orfanato e com o Hospital. – Disse Jorge.-Tudo Ok.

__Falei com a companhia aérea. Tudo certo com as passagens também. – disse Vovô Rodolfo.- Vão pegar o voo de quarta 22:40. Todos na mesma Classe e mesmo avião.

__Falei com o Consulado Brasileiro. Estão nos esperando amanhã. Só que tem um problema. _Disse Ben.- Você terá que ir conosco, Ritinha.

__O mesmo aconteceu no Consulado Italiano. Giu precisará ir pessoalmente.- Disse Dalia.

__Bem, pelo menos, conseguimos marcar o casamento com o magistrado de Bremen.- Disse Vovô Carlos.- Ele concordou em dar andamento na licença amanhã cedo, mesmo antes de chegarmos com os papeis do consulado. Mas só autenticará tudo com o documentos que levaremos.

__Tem outra notícia boa. _Disse Ruivo.- Consegui encontrar tudo da lista que tia Lia pediu, nos telefones que Gigio me deu.

__Eu também.- Disse Yuri vindo com as meninas na cozinha.

__Ei? O que houve?- Perguntou Clara percebendo um certo desconforto.

__Ritinha e Giu terão que ir pessoalmente ao consulado.- Elas já entenderam. Ela não teria tempo de escolher seu vestido.

__Ritinha. – Disse Alex.- Me dê seu celular.- Ela o fez. Alex abriu colocou um chip no lugar do reserva, fechou, ativou em segundos e pareceu configurar algo. Devolveu para ela.- Com esse dispositivo, você poderá ver todos os vestidos que elas escolherem, poderá também coloca-los na garota da foto que é você.- Mostrou.- Vai aparecer suas medidas e se precisa ajustar, não sei como fala. Poderá ver cada detalhe das peças tocando aqui. Se tiver alguma duvida, diga o que quer fazer apertando aqui. Lembre, ele só vai configurar as fotos e imagens que elas mandarem para você nas ligações do whatsapp. Quando vocês acabarem lá no consulado, você pode chegar só para experimentar o que tiver separado.- Ritinha ficou olhando para ele sem dizer nada.- Bem acho que pode ajudar a ser mais rápido.- Olhou em volta e viu as mulheres sorrindo.- Fiz alguma coisa errada?

__Não!- Ritinha o abraçou.- Obrigada! Obrigada! Obrigada.- Olhou-o.- Você é mesmo um tesouro, sua mãe tem razão.

__Meu lindo.- Disse Nina.- Você é mesmo um gênio. Vai dar muito certo.- Sorriu.

__Como a parte que me cabia, já fiz com precisão.- Disse Jorge rindo.- Posso ir para a cabana no lugar do Giu. Tem espaço para todos nós lá, ou acha que devo procurar um hotel para passarmos a noite depois do casamento?

__Não se preocupe, primo. Não é tão pequeno quanto Yuri diz.- Disse Giu rindo. – Talvez precisemos separar os casais por uma noite, mas tem espaço para todos.

__Então, acho melhor pegarmos a estrada. Minha flor.- Disse para Alice.- Separe o terno que quiser para tia Nina, sim.- Beijou-a.-

__Vovó Aline.- Disse Alex.- A senhora pode escolher um para mim. Por favor. Assim não preciso voltar para o hotel.

__Mamãe escolhe o meu, por favor, né mamãe?- Disse Ruivo beijando Nina.

__É folgado esse meu filho.- Disse ela rindo. Todos começaram a se despedir. Os Fazzanos deram seus ternos para Nina. Enquanto alguns voltaram para o hotel, outros foram para Bremen. Chegaram já passava da meia noite. Mas assim que entraram na cabana simpática, já perceberam que seria um dia maravilhoso. Clara, Liv e Leninha ficaram em um quarto de solteiro,  Alex, Jorge, Gigio e o pai ficaram em outro. E o Ruivo e Diana em um quarto de casal. A cabana tinha mais 4 quartos de casal e mais 3 de solteiro. Os de casal com uma lareira e banheiros novos e elegantes. Cada quarto de uma cor. Todos bem claros e arejados. Os quartos de solteiros com paredes brancas e lençóis azuis claros com o brasão da família do Conde estampados neles. Todos com duas beliches e uma cama de solteiro. O banheiro do quarto de solteiro tinha dois chuveiros e dois reservados e uma pia com 3 cubas. Alex achou genial. Dois quartos de casal, e os cinco de solteiro ficavam no segundo andar. No térreo três de casal. Mais a cozinha moderna, mesclada com um enorme fogão e forno a lenha bem charmosos. E ainda uma sala grande e acolhedora Com uma lareira de filme. E janelas com floreiras cheias de petúnias. A mobília bonita e de madeira de lei, mostrava a idade do lugar.  A escada de cedro, unia os andares e terminava numa porta da mesma madeira no sótão. Que também tinha um pequeno banheiro.Foram direto para cama. Precisavam descansar para o grande dia que começaria em poucas hora.

De manhã os homens foram acordados com o cheiro de café e as risadas das mulheres na cozinha. Assim que desceram, foram agraciados com um café bem posto na mesa da sala. E na cozinha, elas já trabalhavam a todo vapor. Frauen Klein, era uma senhora alta e magra. Muito séria. Mas seu marido o jardineiro, parecia encantado com as beldades sorridentes cozinhando freneticamente. Alex beijou o rosto de sua mãe e a boca de Clara. Depois saiu com o Ruivo atrás de jardineiro que os levaria até o celeiro. O jardim era muito bem cuidado e nos fundos do terreno tinha um antigo celeiro, todo feito de madeira. Seguindo as instruções de Tia Lia, eles tiraram tudo de dentro dele. Guardaram na parte de fora atrás coberto por uma lona ocre e folhagens. Enquanto faziam isto, as flores, as luzes, e os móveis que alugaram chegaram. Colocaram centenas de luzinhas em volta das madeiras das tesouras do teto, muitas pendendo em cascata. Em volta dos pilares também.  Montaram quatro mesas redondas com seis lugares, duas com oito lugares, e a mesa dos noivos com dois lugares. Todas com toalhas brancas com fios dourados bem delicados de muito bom gosto. No centro de cada mesa um pequeno lampião. A louça, branca com um fitilho dourado, era da casa de Yuri, assim como as taças altas, os copos longos e os talheres. As grandes janelas foram abertas e o Ruivo prendeu nelas floreiras cheias de rosas brancas e  rosa chá. Colocou também um colar das mesmas rosas em volta de um espelho de 200 x 150 que foi locado e colocado na parede  oposta a porta. Ruivo fez também pequenas tiaras de rosinhas das mesmas cores e colocou na base dos lampiões das mesas, e com as rosas maiores para colocar nas bases das colunas, dos vasos de barro, de dois lampiões bem grandes de chão que tia Lia mandara vir.  Ela também pediu uma estufa de comida que foi colocada num lugar bem estratégico, e ao lado uma linda mesa para os doces e o bolo enfeitadas com as mesas flores. Veio também uma conservadora e um barril de chopp com refrigeração. Cada coisa que acabavam de fazer, Alex mandava uma imagem para Tia Lia conferir, e Gigio tirava uma foto para o álbum de casamento. Quando acabaram com o galpão, foram para o coreto. Ficava bem de frente para o mar, no penhasco. O processo de colocar luzinhas e colares de rosas chá e brancas continuou, depois marcaram o caminho com floreiras e lampiões. Já passavam das 10 horas quando Liv apareceu com uma garrafa gigante de suco de laranja e uma cesta com pãezinhos quentinhos recheados com queijo e frango.

__Puxa! Ficou lindo.- Sorriu.- Bom trabalho rapazes.- Olhou ruivo.- Já acabou?

__Quase.- Sorriu.- Estou terminado as tiaras e vai faltar só o buquê.- Apontou o cesto coberto da floricultura local, do lado da mesa improvisada que ele trabalhava.- Estas são suas. Quer que leve lá para dentro?

__Sim, por favor. Peça para o Jorge levar para o sótão, já estou indo para lá.- Olhou tudo novamente.- De verdade, está muito lindo.- Ela entrou acompanhada do irmão que carregava o cesto grande.

__O que ela fará com aquelas flores.- Perguntou Gigio.

__Vai enfeitar o quarto do casal. Eles vão ficar no sótão. Longe de nós, os bagunceiro.- Riu._ Espero que o Conde também não se importe de dormir com os solteiros.

_Não acho que vai ter problema, é só por uma noite.- Disse Gigio.

_ Vocês já terminaram com a entrada do correto.- Perguntou Ruivo a Alex e Giulliano.

__Sim. O que fazemos agora, pai.- Respondeu tranquilo.

__Acho que  agora só falta os cravos da lapela, quer tentar?

__Sim. Serão quantos?

__Um branco, dois branco e rosa e  os outros todos rosas. Corte os cabos deste tamanho.-Mostrou um pronto.- Veja é bem fácil.

_ Porque cravos se são rosinhas? – Perguntou rindo.

__Eram cravos antes. Ai o nome pegou, que nem Ruivo. -Eles riram. E os Fazzano viram de novo como eles se gostavam e ficavam bem juntos. Viram também que essa família, tinha prazer em trabalhar junta pela felicidade de um deles.  Logo estava tudo arrumado e Diana  já os chamava para o almoço. Gigio notou a cozinha toda limpa. Muitas coisas cobertas e caixas tampadas separadas num canto. Comeram uma comidinha gostosa e simples arroz, bife, salada de tomate e batatas cozidas. Delicioso. Assim que acabaram, Jorge e  o Ruivo seguiram para a pia com  seus pratos, os outros os imitaram. As meninas juntaram o que sobrou, guardaram em potes na geladeira e seguiram para lavar as travessas.

__E agora? O fazemos? _Primo Giulliano estava gostando desta aventura.

__Agora eu preciso do pen drive de música do carro de Giu.- Disse Alex, e das fotos que tiverem dele no celular de vocês. É para o presente meu e de Clara. – Fizeram o que lhe pediu. -Filho você vai para a cidade? Agora?

__Sim, Pai. Vou com Gigio. Ele também vai buscar umas coisas de última hora.

__Então não esquece o que pedi, vou começar agora, quando você chegar, já estara pronto.

__Ok. Qualquer cor?

__Acho que dourado, ou envelhecido fica melhor, mas veja uma bonita. Não temos muito tempo.

__Certo.

__E eu?- Perguntou novamente Giulliano. Liv olhou Jorge e sorriu.

__Primo. Precisamos de sua ajuda numa coisa muito importante. Uma coisa que só um pai poderia fazer.- Ela disse doce e tímida.- Pode nos acompanhar, por favor?__Subiram para o sótão. Antes mesmo de abrir a porta, Guilliano podia sentir o cheiro das rosa. Assim que entrou pode ver todo trabalho de Jorge e Liv. Das paredes reclinadas por causa do telhado, pendiam muitas luzinhas que estavam presas no forro de madeira. Nas duas janelas altas e estritas uma cortina branca de renda fina que combinavam com os lenções brancos da grande cama de ferro pintada de dourado no centro do quarto. Na moldura do espelho, em cima da delicada penteadeira e até no cabideiro colares de rosas vermelhas espaçadas. Um vaso enorme delas do lado da pequena mesa redonda, adornada com um balde dourado de gelo e duas taças de champanhe.

__Este quarto não existia.- Disse Ele.- Yuri guardava aqui seu equipamento de pesca. Vocês fizeram tudo isso, para meu bambino e a menina? – Ficou emocionado

__Primo, Ritinha é muito importante para nós. E agora seu filho também. Faremos de tudo para que tenham um dia maravilhoso. Como ela sempre se esforçou para nos ajudar todas as vezes que inventávamos uma loucura dessas.- Jorge sorriu.-

__Primo, não conhecemos bem Giu. Ele tem alguma alergia, gosta de algum chocolate em especial? Alex, vai trazer da cidade alguns doces que pedimos para colocar aqui. Acha que está do gosto dele?- Liv queria agrada-lo. O primo percebeu.

__Está tudo perfeito. Se bem que está tão enamorado pela Bela que pode ser que nem veja nada disso.- Deu- se conta do que tinha dito.- Quero dizer, lógico que vai gostar. Os irmão riram e desceram contentes para ajudar Clara com os doces.

O que parecia impossível estava feito. Ben e Dalia com a ajuda de Yuri, conseguiram os documento para o casamento  ser realizado em Bremem. A manhã tinha sido trabalhosa. Mas apesar da correria, tudo parecia estar dando certo. Nina conseguiu encontrar ternos exatamente iguais num tom de arreia escuro, muito elegante, com camisas brancas  nos tamanhos de todos os homens, inclusive de Marcelo e Cisco. Achou muito mais fácil que combinar vestidos e gravatas. Encontrou também vestidos para todas as menininhas iguais, com saias esvoaçantes em rosa chá com umas rosinhas vermelhas bordadas na barra.  Para as adultas encontrou de modelos diferentes  em um sobre tom do mesmo rosa.  E para as duas madrinhas escolheu vestidos iguais no mesmo tom das pequenas mas todo bordado de rosinhas. Todos os sapatos eram com salto largo para não afundar na grama, Vovó Aline os encontrou em uma loja perto do ateliê onde Nina estava. Todos da mesma cor, rosa-chá.  Mesmo tom das gravatas em tecido rebordado de todos os homens. Com exceção apenas dos padrinhos que Vovó Elisa conseguiu um tecido meio rose com um bordado vinho que combinava com os vestidos das madrinhas. Nina mesmo fez as gravatas enquanto as costureiras ajustavam os modelos das convidadas. Ela nunca perdia a mão para costura.  Já a gravata do noivo, era branca, num tecido rebordado, foi bem fácil de encontrar.  Mais fácil ainda foi o lindíssimo vestido de Ritinha. Ele era um sonho. E foi o primeiro que Lia viu quando entraram na loja. Nina também achou que ficaria perfeito na noivinha de cabelos escuros e compridos. Ritinha chorou quando viu. Pelo aplicativo que Alex instalou para ela. O decote de ombro a ombro, com mangas curtas e com corpete bem ajustado que se abria num caimento quase natural e se avolumava na barra da saia. Um modelo simples, branquíssimo. Todo em renda marsala. Vovó Elisa mandou uma foto na hora para o marido, que juntou seus filhos para sua próxima traquinagem. Quando os noivos chegaram para a prova, foram devidamente separados e só se encontraram no ônibus. Ônibus esse que mais parecia um hospício. Nina falando o tempo todo com as crianças sobre como seria a entrada. Ben no telefone com alguém, enquanto suas filhas o montavam e riam. As tias de Alex conferindo malas e crianças todo segundo. Alana e Rody o tempo inteiro grudados porque segundo eles estavam se despedindo. Os Medeiros riam de tudo e Yuri os acompanhava.

__Você acha que vai dar tudo certo?- Perguntou Ritinha.

__Se olhar por essa loucura toda, acho que vai sim.- Riu.

__Não. Quero dizer, nós.- Ele entendeu. Acariciou o rosto dela e disse:

__Tenho certeza. Eu te amo.- E beijou-a.

Eram exatamente 3:18 quando o ônibus chegou a cabana de Yuri. O sol estava firme e gostoso. Um dia muito claro. O cheiro do mar vinha com o vento. Não tinham muito tempo para se aprontar, o juiz local chegaria as 5:00 horas. Lia entrou em ação. Pôs as crianças para se banharem e vestirem, todas as meninas juntas num dos quartos de solteiro. O rapazes em outro, com Marcelo, Cisco e Rody. Meia hora depois, os meninos estavam prontos e seus pais também. Os outros adultos já estavam levando as últimas coisas para o Celeiro. Clara, Leninha e Diana, terminaram os preparos e mudaram tudo o que podia para lá também. Na cozinha ficou só o jantar praticamente pronto em cima do fogão de lenha e no forno. Leninha passou pela sala e foi para o Celeiro, vestida num roupão comprido e com bobs no cabelo. Nem notou Yuri a olhando, nem o Conde que já chegou pronto com seu genro do outro lado da salão.

__Leninha. _disse Clara usando a mesma indumentária.- Precisamos acabar logo isso, ou vamos ao casamento de roupão.- Riu.

__Já acabei aqui.- Olhou a mesa de doces satisfeita.- Já pensou se o Conde me visse assim?- Cutucou Clara que rio alto.- O que iria pensar?

__Que é uma moça muito trabalhadeira.- As duas viraram rápido e ficaram paralisadas.

__Ai meu Deus!- Disse Leninha pondo as mãos no cabelo. Clara só ria. Correram para a casa, deixando os homens rindo no Celeiro. Faltando 10 minutos para as 5:00 horas da tarde o Juiz encarregado de fazer o casamento chegou. Todos já estavam a postos. Amigos, parentes, crianças. O Juiz foi conduzido para o coreto, junto com ele um escrivão. As 5:00 em ponto Ben entrou no caminho que conduzia para lá  segurando a mão de sua Liv. Deixou-a no último degrau da escada do coreto, entrou e sentou se um banco colocado estrategicamente fora da vista de quem fazia o caminho. Começou a tocar a música que Ritinha mais gostava. E todos os outros começaram a entrar. Primeiro o noivo com seu pai e seu irmão, depois os casais de padrinhos que também entraram no coreto. A seguir todos os outros convidados de dois em dois que permaneciam nos degraus do coreto livrando a entrada larga demarcada pelas flores. Então chegou a vez das crianças. Primeiro as duas gêmeas de Ben, depois as duas primas de Alex mais velhas. Em seguida Rody e Alana, Marcelo e sua irmã Laila, Cisco e Elis. Todos fizeram direitinho, como tia Nina mandara. Astrid, ficou bicuda por não fazer parte do cortejo como as outras meninas. E não ter aquelas tiaras de flores, ela tinha ganhado apenas um ramalhete que sua mãe colocou de lado no seu cabelo, igual aos das convidadas adultas que usavam todas tranças para homenagear a noiva. Mas ela chegou só alguns minutos antes do casamento começar só teve tempo de colocar o vestido que Nina tinha trazido para ela Assim como sua mãe. Ben trocou os acordes. Era o sinal para a noiva entrar. Ela apareceu no início do caminho de flores, linda. O vestido valorizou seu corpo, fez brilhar ainda mais os cabelos compridos com cachos grandes até a cintura, com a franja presa em uma trança larga e frouxa com rosinhas entre os gomos. O Buque com rosas grandes sem muito adereços a deixou sofisticada. E um par de brincos pequenos em forma de lua cravejados de brilhantes, combinando com um colar fino com o mesmo pingente, mostravam quem era a linda princesa. Giu perdeu o fôlego. Não achou que ela pudesse ficar tão linda. Quando ia dar o primeiro passo, Jorge apareceu ao seu lado, piscou para ela que sorriu agradecida. Quando a entregou a Giu disse:

__Ela não é minha filha, mas se magoa-la quebro sua cara.- Falou sério. Depois riu.- Sejam felizes, primos.-Beijou a testa de Ritinha, depois a de Giu, como se fossem primos a vida toda. Dai para diante, o conto de fadas de Ritinha se realizou. O casamento no coreto, o mar do norte lindo atrás. Fotos magnificas provando que era mesmo verdade. Depois do sim e de assinar todos os papeis. Ainda tiraram muitas fotos antes de irem para o Celeiro, que era lindo. Na entrada, tinha duas molduras grandes douradas com arabescos, mais ou menos 90×80, muito bonita. Na primeira, a foto do casal da noite do baile que saíra no jornal. A imagem fora tratada para parecer antiga, era coisa de Clara, lógico. Ficou muito linda. Na segunda moldura, colocada num cavalete igual logo atrás, um desenho feito á lápis. A imagem dos dois sentados debaixo de uma árvore, no dia anterior. Perfeito! Giu ficou espantado! Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Ritinha disse:

__O Diretor.- Olhou seu marido com lágrimas nos olhos.- O Diretor Carlos é um artista. Ele não faz sempre isso, mas é muito bom.- Mostrou seu buquê.- Deve ter sido ele que fez isso também. Ele ama flores como Tia Lia. Quando olharam dentro do Celeiro, ficaram ainda mais emocionados.  E Ritinha sabia dizer tudo o que seus amigos tinham feito. O bolo com os bonequinhos olhando a lua foi de mais. Ficou tudo lindo. E Giu achou ainda mais bonito quando umas projeções de imagens dele e de Ritinha encheram uma das paredes, mudavam e se misturavam simultaneamente. Alex é claro. Também fora ele que aprontara o som automático, com músicas selecionadas do pendrive de Giu e das que Ritinha ouvia. Agora todos comiam  tranquilos as delícias que aquelas mulheres lindas fizeram. Enquanto elas sorriam com seus cabelos trançados e com um arranjo de flores delicadas,sendo servidas pelo mordomo do Conde, a senhora Klein e o marido, ninguém imaginaria elas correndo na cozinha para dar conta de tudo gostoso e lindo. Giu viu todos os detalhes, nas mesas, nos doces, nas flores, nas roupas, nos cuidados com cada pequena coisa, para alegrar Ritinha e ele também, é claro.  A quantidade de luzinhas penduradas era espantosa. Já estava imensamente feliz por ter Ritinha, e ainda tinha ganhado esta família tão cuidadosa. Quando achou que era mais do que o suficiente. Diana disse:

__Sabe, no ano passado, fui apresentada a um tradição da família Medeiros. Quando um deles vai se casar, a família escolhe pequenas prendas para a noiva. Essas prendas devem ser pequenas, porque precisam caber em uma caixa que será entregue para ela no dia do noivado. Devem ser prendas que tenham um significado para a noiva e para quem presenteia. Um vínculo. No começo estranhei muito isso, mas depois, eu entendi, e até me emocionei muito com o gesto.  Como eu, seu casamento foi meio rápido.- Todos riram.-  Então não foi possível te entregar a caixa antes. – Alana e Rody caminharam até Ritinha sorrindo.  Rody estendeu um pequeno baú bem elegante,  do tamanho de uma caixa da sapatos pequena, com um cadeado em forma de coração todo brocado. Então disse.

__Está caixa era da minha mãe.- Ritinha olhou para Lia que sorriu.- Ela recebeu junto com a herança da avó dela, Francesca Fazzano. Minha bisavó usava a caixa para guardar suas agulhas de crochê.  Minha mãe quer que fique com você, porque você também é da nossa família, e agora, esta caixa voltará a ser de uma senhora Fazzano.

__  Este é seu tesouro._ Disse Alana enquanto Rody traduzia.- Nossas lembranças, com você e para você. É prova que como eu, você pertence a essa família, e pertencerá para sempre.- Ritinha já chorava.- Aqui está a chave.- Alana entregou um pequeno cordão de ouro com a chave tão brocada como o cadeado.- Mas só poderá abrir a caixa, no seu quarto junto com seu marido.  Tudo que estiver dentro dela é seu, e poderá ser usado como quiser. Mas não pode se desfazer de nada, como não pode se desfazer de nós.  Nunca saberá  com certeza quem escolheu cada prenda. Só posso revelar duas pessoas que lhe ofereceram dois pequenos presentes que estão aí. O patriarca da família, o Vovô Rodolfo, e sua irmã gêmea.- Olhou Ritinha e disse.-  Eu. Somos irmãs gêmeas de coração, não é?- Ritinha abraçou a pequena aos prantos. Muito outros presentes choravam. Giu beijou a pequena dizendo.

__Vai precisar me ensinar sua língua, afinal preciso saber falar com minha cunhada, certo?-Alana sorriu. Giu e Ritinha eram cada segundo mais felizes e sua felicidade chegou nas nuvens quando depois de cortar o bolo de chocolate e morangos, coberto com raspas de chocolate branco, dançar a valsa dos noivos com seus amados parentes e amigos, chegaram ao sótão e encontraram aquela cena de filme de época.  Giu entendeu porque os Medeiros eram tão felizes, porque não mediam esforços para fazer quem amavam felizes. Viu a emoção nos olhos de todos eles, quando entregou a joia que escolheu para dar de presente  aos convidados. Não tinha combinado com Ritinha, mas ela não teria tempo, então ligou ainda a noite para o joalheiro seu amigo, que tinha polido o anel de noivado e mostrado as alianças que comprara.  Pediu para ele separar 25 pares de abotoaduras iguais. Do tipo simples e elegante que vira outro dia. Também 25 broches  iguais. Todos com uma pequena pedra. O joelheiro conseguiu as abotoaduras sem problemas, só os broches que foram com pedras de cores diferentes. Algumas azuis, outras verdes, mas com o mesmo desenho. Ele pediu que fossem colocados numas caixinhas redonda feitas de papel reciclado que vira antes por lá. O joalheiro ainda colocou laços azuis nas adotoaduras e brancos nos broches. Quando chegou para pega-los, resolveu levar um para si e um broche igual para Ritinha. Comprou para ela também uma presilhinha de strass para enfeitar seus lindos cabelos. O Joalheiro lhe deu uma pulseira fina de trama delicada de ouro rose. Disse ser presente de casamento para a noiva. Quando viu sua linda noiva no meio do quarto emocionada com a suite preparada pelos amigos, não pode resistir. Tomou-a nos braços, pronto para a felicidade. Nunca poderia esquecer tudo que sentiu nesta noite mágica.

 

 

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Falcão por opção

Capítulo 14

O Baile chegou. Tudo estava lindo, como nos filmes. Os homens elegantes de fraque, e as mulheres de longos elegantes rodopiando pelo salão. Leninha estava de lilás com nuances mais fortes da mesma cor. O busto tinha uma trama de tecidos e cores de tom sobre tom. A saia com caimento natural era muito rodada em baixo. Os cabelos escuros, estavam penteados com muito capricho e tinham uma rosa branca de organza de lado . O Conde a apresentou a todos como, Madalena, a namorada de seu filho. Ele ainda fazia questão de dizer que era uma chefe de cozinha brasileira. Leninha ficou encantada com o sogro. Clara estava deslumbrante de rosa chá. As saias esvoaçantes do vestido de renda, rodavam elegantes quando Alex girava sua linda princesa. Os cabelos estavam presos num coque estruturado, com uma rosa parecida com a de Leninha perto do coque mais atrás. Outra que também estava magnifica, era Ritinha. Usava um vestido de tule preto todo cheio de brilhinhos no corpete, que iam se espaçando conforme desciam pelo corpo até o fim da saia muito rodada. Os cabelos soltos, com cachos grandes e a rosa de organza  em um dos lados. Muitos queriam saber quem era a linda que dançava com os amigos brasileiros e com os Fazzanos. As Medeiros, como de costume muito elegantes. Lia de amarelo, Nina de Azul petróleo, Elisa de vinho, Alice de salmão, Liv de vermelho, Diana de verde jade e usando os três broches enfileirados. Um luxo. Dona Aline, estava de listras grandes creme e branca, Dália de estampado e Deise de azul claro. Todas traziam nos cabelos as rosas de organza que o Conde gentilmente presenteou suas convidadas. As crianças estavam todas muito lindas. Ficaram na festa nas primeiras horas. Depois que foram dormir, Alice e Jorge dançaram para o Conde e seus convidados. Foi lindo. Em seguida:

__Eu recebi um pedido.- Disse o Conde.- Soube que o senhor Benjamin é um excelente músico. O senhor poderia tocar para nós, por favor? – Ben deixou Liv numa cadeira e caminhou para o palco. Pegou o violão do músico da orquestra e afinou para si. Assim que sentou-se e começou a tocar O lago dos Cisnes, sua bailarina surgiu dançando para todos em volta dele. Linda de vermelho, Liv dançou maravilhosa como sempre para encantar a todos.  Os convidados nem tinham visto ela colocar as sapatilhas enquanto Ben afinava o violão. E ele nem sabia que fora ela que pedira ao Conde, para que Ben tocasse.  Ao final terminou ajoelhada aos pés dele. Um espetáculo muito aplaudido. Giuliano Fazzano ficou maravilhado. O Conde nunca tinha visto a filha de seu escritor favorito dançar. Agora tinha mais um favorito vindo desta família.  A noite toda fora um sucesso. E não parecia que ia terminar. Os casais dançavam alegremente. Os amigos riam em conversas divertidas. Muitos jovens apreciavam o luar no terraço. Yuri e Leninha eram um dos casais que namoravam ali.

__Acredita que Yuri conseguiu conquistar a linda cozinheira?- Perguntou Gigio rindo ao seu irmão. Os rapazes estavam perto do parapeito, ao olharem para o jardim, viram Ritinha sentada num dos bancos sozinha, olhando o céu estrelado.- – É muito linda essa menina. Olhe os cabelos que beleza! – Olhou seu irmão mais velho que olhava Ritinha encantado, mas não disse nada e nem se moveu. Parecia com medo de sofrer outra vez.- Escute, fratello. Ela é maravilhosa, se você não for lá agora, eu vou.- Giu o olhou rápido e quase passional  disse:

__Você gosta dela? Pensei que estava interessada na sua professora de pilates. E na gerente do seu banco, e na irmã do seu mecânico.

__Ei!- Riu.- Não precisa ficar bravo. Acho todas lindas. Mas não quero namorar nenhuma delas.

__E Ritinha? Você quer namorar Ritinha?- Pareceu um pouco ciumento, um pouco triste.

__Fratello. Ritinha é um doce. Tão bela e tão delicada. Sim, eu gostaria de namorar uma garota como ela. E sim, se você não descer lá agora, e contar que está apaixonado por  ela desde o primeiro instante que a viu, eu vou até lá conquista-la.- Giu o olhou ainda incerto.- Giu! Vá! Se você não for hoje, vai perde-la. E nem é para mim. Quantos a viram esta noite? Ela não está mais escondida no orfanato e nem atrás de uma mesa no escritório. Eu sei que você a quer, nunca vi você assim, nem com Mia. Vai, fratello. Vai ser feliz.- Sorriu para seu amado irmão. Giu caminhou devagar até as escadas. Chegou ao jardim ainda temeroso. Não fazia isso a muito tempo. Tinha estado com Mia, sua falecida esposa desde a adolescência. Mas assim que viu Ritinha sentada sob a luz da lua, linda, seu coração deu-lhe a coragem que precisava.

__Faz muito tempo que não vejo algo tão bonito.- Ritinha não se virou, sorriu e disse.

__Verdade. Eu não sei porque, mas sempre fui fascinada pela lua. E pelo céu a noite.- Sorriu de novo.

__Concordo.- Ele disse se sentando ao lado dela.- Mas não falava da lua.- Ritinha o olhou por um segundo. Baixou os olhos envergonhada.- Desculpe, não quis aborrece-la. Se quiser, saio agora e não volto mais a falar disso com você. Continuaremos novos amigos como antes. Mas se me permitir, antes de ir, quero que saiba que você mexe muito comigo. Eu não sinto nada parecido desde minha esposa. Eu a amei muito desde garoto. Ela era minha vizinha. Sofri muito quando a perdi e achei que não me apaixonaria outra vez, mas então te vi sentada na mesa do Conde. Não reconheci logo os sinais porque fazia muito tempo que não os sentia. Mas a cada dia que passa eu…- Ela continuava com a cabeça baixa. Um pânico tomou conta de Giu. Talvez ela estivesse incomodada, não quisesse mais ouvir tudo aquilo. Olhou para o parapeito e viu seu irmão torcendo por ele. Tinha que terminar, mesmo que não saísse exatamente como queria.- Rita bela, eu não queria chateá-la, nem estragar sua noite. Mas segunda de manhã você irá continuar sua viagem, talvez não nos víssemos mais. Eu não queria que fosse embora sem saber dos meus sentimentos por você. Não sou como Gigio, só tive uma namorada, não sei se isso vai me acontecer outra vez, se conseguirei sentir isso por outra pessoa de novo, então eu achei que devia te contar.- Ela ainda não se moveu. Ele suspirou.-  Certo. – Ia começar a se levantar quando Ritinha segurou sua mão.

__A primeira vez que vi Liv, fiquei deslumbrada com a cor dos olhos dela.- Disse ainda de cabeça baixa.- Eu ficava pensando como podia existir uma cor tão incomum, um azul quase cinza, quase gelo, era tão bonito. Então imaginava como seria um homem com aqueles olhos.- Ela ergueu o rosto devagar e mirou os olhos dele.- Você é muito mais bonito do que eu podia imaginar.- Ele sorriu e tocou o rosto dela.

__Bela mia, estes olhos já te pertencem desde a primeira vez que te viram, assim como meu tímido e sofrido coração, me daria a chance de tentar conquistar o seu, por favor?- Ela o olhou profundamente.

__Eu não lembro nada da minha história antes de ir para o orfanato. Disseram que fui encontrada num bote salva-vidas com alguns ferimentos, sem comida, nem documentos. Não havia nenhum sinal de quem eu era nem de onde tinha vindo. Alex e o Dr Ben, encontraram uma embarcação que talvez seja de onde eu vim, mas nada foi comprovado. Se eu era uma das pessoas que viajavam naquela embarcação que naufragou, meus pais estão mortos e não tenho mesmo nenhum outro parente. Eu vivi no orfanato até  quando terminei minha pós e não pude mais ficar lá. Moro no apartamento de Alex, ele e Diana o alugaram para mim. Quando menina demonstrei aptidão para matemática, então consegui algumas bolsas e  depois comecei a trabalhar com os Medeiros. Trabalho com Professor Jorge faz anos. Devido ao tempo que fiquei a deriva no mar, contraí um tipo de trauma, eu não consigo contar o tempo direito. Não percebo que se passou uma hora ou seis por exemplo. Queimo a comida porque não sei quanto tempo faz que a coloquei. Já tentei usar um despertador, mas nem sempre funciona. No microondas, as vezes tenho que esquentar duas ou três vezes porque não sei se o tempo que coloquei é o certo. Para não chegar atrasada no trabalho, tenho uma agenda com tudo marcado  minuto a minuto. Teve um garoto de quem gostei, um pouco antes da faculdade, ele até era legal e tentou ser meu namorado, ele me deu um relógio de presente, mas eu nunca chegava nos encontros na hora certa. Ele foi se cansando. Depois, na faculdade, eu me apaixonei  por um rapaz.  No começo ele ria dessa minha habilidade de me confundir com as horas, com o tempo, depois passou a se aproveitar um pouco disso. Um dia eu cheguei na hora certa, e ele estava com outra.- Sorriu.- Disse que pensou que eu fosse me atrasar como sempre. Então desisti. Achei que minha vida seria o trabalho que amo e meus amigos queridos que sempre me protegem.- Respirou fundo.- Ainda quer uma change de conquistar meu coração?- Ele tomou o rosto dela com carinho e disse:

__Agora mais do que nunca.- Chegou mais perto.- Posso, bela mia, por favor?- Ritinha balançou o rosto devagar e Giu desceu o seu ao encontro dos lábios dela. No parapeito, Gigio socou o ar algumas vezes comemorando em silêncio a nova chance de felicidade de seu irmão querido.

__O que é isso, primo?- Disse Jorge, abraçado a sua mãe e com Liv do seu lado.- Movimento novo de dança?

__Não. É que estou muito contente.- Eles olharam lá embaixo. As mulheres sorriram, mas Jorge…

__Ei! Não se isso…- Parou no olhar de sua mãe.- Mamãe, Ritinha é sozinha. Eu não posso permitir que ela sofra.

__ O que quer dizer?- Disse defendendo seu irmão.- Giu é um homem honrado e está apaixonado.  Não a magoaria de propósito. Ele já sofreu muito com a morte da esposa. Tem vivido muito só desde então, merece ser feliz de novo.

__Ele tem razão Jorge.- Disse Liv.- E Ritinha também merece um amor. E basta olhar para eles para ver como se dão bem. Sei que quer protege-la, mas acho que vai ser bom para ela. Nunca teve ninguém realmente dela. Nós somos seus amigos, mas ela merece mais.

__Mas Giu vive na Itália, certo? Vai fazer uma pós aqui, não é? E Ritinha vai ficar sozinha? Ela não é confiante como Clara. Acham que ela poderia resistir a um relacionamento assim?

__Jorge.- Disse Lia.- Tudo o que disse é verdade. Também preferia que Ritinha namorasse um dos professores do orfanato. Alguém que nós conhecêssemos e que morasse do outro lado da rua dela. Mas a vida não funciona assim. Giu é um bom rapaz. Já sofreu muito também. E olha para ela como se visse uma estrela. Não sei como eles vão resolver esse problema da distância, mas você melhor que ninguém sabe que estar longe não diminui o amor verdadeiro. Dê uma chance a ele. Sabe que Ritinha respeita muito você. Se disser a ela que não aprova esse namoro, ela pode querer parar por aqui. Mas não seria justo com eles. Os dois merecem uma nova chance de ser felizes.- Jorge olhou para sua esposa, que ria com os pais dela. Lembrou-se dos 6 anos que passou longe dela, e de como seu amor permaneceu igual, talvez até mais forte com a distância.E como te-la completou a vida dele. Ritinha merecia sentir-se amada.

__Deus, mamãe espero que esteja certa. Ritinha é tão doce, não merece sofrer mais, coitadinha.- Olhou Gigio.- Olhe, não tenho nada contra seu irmão. Ele me parece um cara legal, mas Ritinha está sob meus cuidados, não quero que sofra.

__Professor Jorge.- Alex e Clara chegavam. Alex tomou a palavra.- Desculpe, escutamos a discussão de vocês. Se me permite, gostaria de te dizer uma coisa. Ritinha precisa de alguém que a ame. Alguém que acredite nela. Alguém disposto a se sacrificar por ela. Ela não tem família. Lógico que para nós, é como se ela fosse uma parente, e para ela nós também somos assim, mas ela precisa de alguém que pertença a ela. Eu também era assim, e eu tinha a minha mãe. Ritinha precisa ter alguém, que diga que ela é essencial na vida dessa pessoa.

__Eu sei, Alex. Mas será que Giu é essa pessoa?

__Serei.- Todos se voltaram. Giu estava segurando a mão de Ritinha carinhosamente. Ela parecia um pouco encabulada, mas feliz. A resposta de Giu a pergunta de Jorge a fez corar um pouco. E ele prosseguiu.- Primo, sei que tem medo que a Bela sofra, sei que quer protege-la, fico orgulhoso de saber que meus primos distantes se importam assim com uma amiga querida. Mas o que sinto por Rita é verdadeiro,  faz muito tempo que tinha desistido deste tipo de sentimento, achei que não teria essa benção outra vez. Estou muito feliz que Deus tenha me escolhido para pertencer a ela.- Olhou Alex.- Ela é essencial para a minha vida agora.- Olhou Jorge, estou disposto a qualquer sacrifício por ela. Morar no Brasil se for preciso.- Ritinha o olhou.

__Mas e sua pós?- Disse ela.- E seu pai e seu irmão? Não quero separar vocês.- Giu sorriu.

__Posso fazer minha a pós no Brasil. Meu irmão termina o curso no fim do ano. Tenho um contrato pendente que preciso assinar. É uma construção de um estaleiro. Está tudo adiantado, antes das férias eu não estava muito animado, para acompanhar os trabalhadores no canteiro de obras. Meu pai me disse que se eu ficasse aqui com Gigio, ele iria para lá. Foi por isso que vim para Alemanha. Depois da formatura, Gigio assumirá essa função, e papai voltará para o escritório. E eu posso me dedicar a minha vocação. Mas agora, estou interessado em ir junto com nossa equipe para o canteiro.

__Onde será essa construção.?- Perguntou Ritinha.

__No Brasil.- Clara respondeu rindo.- Em Porto Horizonte. Do outro lado da enseada, uns 20 quilômetros  da casa de Ben para ser mais exata. Eu li que a construtora era italiana, mas não fazia ideia que isso…..- Riu mais.

__Você precisará ir para o Brasil?- Ritinha perguntou.- Quanto tempo sabe disso?- Ele sorriu tímido.

__Soube antes de vir passar as férias com Gigio. Barganhei com meu pai para não ir. Estava cansado de construções em lugares diferentes a cada ano. Agora terei que brigar para ele me deixar ir no lugar dele. Ele  já sabe que estará perto de Dona Marina.- Todos riram.

__Você já sabia da família antes. Não sabia onde moravamos?- Lia sempre atenta.

__Sim, eu sabia que moravam em Porto Horizonte. Mas não disse a ele antes. Achei melhor que ele descobrisse por acaso. Não queria causar nenhuma confusão.- Ele era discreto, como Lia. O rapaz olhou Jorge.- Vou cuidar dela Jorge, eu juro. Não sou um Falcão como vocês, mas também protejo quem amo. Sei o que é se sentir sozinho. Não permitirei que isso aconteça com ela nunca mais. Pelo menos enquanto ela quiser estar comigo.- Jorge olhou Ritinha.

__Você quer estar com ele Ritinha?- Ela deu dois passos para Jorge e disse corajosa mas incerta.

__O senhor acha que não seria uma boa ideia, professor?- Ritinha confiava nele, e Jorge sabia disso. Chegou até ela, tocou seu rosto como tocava o de Alana e disse.

__Minha linda florzinha. Você será tão eficiente nesse relacionamento quanto é com todas as outras coisas que faz tão bem. Não tenho dúvida que fará esse moço italiano muito feliz. Desculpe se pareceu que não acredito na sua força, mas não é isso querida. Só não quero que sofra. Para mim você é como Liv ou Alana, sei que você não é minha filha, somos quase da mesma idade, mas me sinto como se fosse. Não posso deixar que alguma coisa machuque você. Pode me perdoar, florzinha? Se você quiser namorar meu novo primo, ótimo. Já fazia parte dessa família, agora entrará nela de vez.- Sorriu. Ritinha também sorriu, mas disse:

__Não sou tão eficiente assim. Nem sei cozinhar.

__Eu sei.- Disse Giu.- Na verdade gosto.

__Cara! Tem como você se parecer  um pouco menos com minha mãe?- Disse Jorge rindo.- Está começando a me assustar.- Levou Ritinha até ele. Olhou os dois juntos e sorriu carinhoso.- Ah, meu Deus! O que vai ser de mim quando chegar a vez de Alana?

__ Sinto muito te informar.- Disse Alice chegando toda linda de salmão, com seus olhos cor de uísque.-Alana vai se decidir sem sua interferência. Na verdade, acho que ela já escolheu seu irmão, antes mesmo de te conhecer.- Riu.- Não pense que toda menina é boba feito eu, ou boazinha feito Ritinha.- Todos riram.

__Bem. – Disse Gigio.- Pelo visto, eu sou o único solteiro desta família, acho melhor procurar uma companhia doce e bela para mim também.- Riu. Até pareceu o Ruivo falando. Chegou-se a seu irmão e Ritinha. Beijou o rosto dela e disse:

_Benvenuto a famíglia, sorella.- Saiu do terraço contente, deixando seu irmão e a namorada muito felizes. Jorge também estava feliz por sua querida Ritinha. Logo a novidade se espalhou, todos pareciam muito animados com o novo casal. Giulliano, o italiano pai até chorou. Beto achou dramático. O baile seguiu perfeito. As notícias nos jornais do domingo, mostravam casais lindos valsando. O filho do Conde com uma namorada brasileira estampavam várias fotos. Ritinha sorrindo nos braços de Giu também apareceu em uma. Todos os Medeiros dançando alegres também. E Clara acariciando o rosto de Alex tinha a seguinte legenda:

__”A loira elegante é Maria Clara Medeiros a namorada do Famoso gênio da Eletrônica e Robótica, Alexandre Vogelmamn do Instituto de Munique. Como se pode ver o rapaz é mesmo muito inteligente e tem muito bom gosto”.

Uma pequena nota, que fez todos os Medeiros rirem, mas deixou Vincenzo furioso antes do café da manhã.

 

Falcão por opção

Capítulo 13

Clara olhava a linda paisagem enquanto voltava no carro que Yuri emprestou para Alex leva-la ao casamento da colega de profissão Fiorella. A cidadezinha de Glinde parecia de filme de época. O casamento foi no galpão de uma fazenda. Clara ficou encantada e cheia de ideias. A chefe italiana estava se casando com um gestor alemão. Duas pessoas de mundo profissionais completamente diferentes, mas muito apaixonados. Eles se conheceram na cantina da faculdade. Ele estudando e ela trabalhando lá.  Sergei, o marido era 11 anos mais novo que Fiorella, mas a alegria dos dois, fez desaparecer esse pequeno e quase imperceptível detalhe. Sergei estava um pouco preocupado que o filho de Fiorella, um garoto de 8 anos não ficasse muito a vontade com o novo marido de sua mãe. Mas Alex era o exemplo perfeito que essa convivência podia dar muito certo. O casamento pequeno e alegre, foi muito agradável.  Clara estava linda, vestida com um vestido esvoaçante, bem rodado, estampado de pequenas margaridas amarelas num fundo verde água. Os cabelos brilhantes, tinham uma trança frouxa com um pequeno arranjo de mosquitinhos brancos de lado na base da cabeça. Usava umas jóias pequenas e delicadas, uma bolsa amarela clarinha, que combinava com os sapatos. Estava elegante e simples ao mesmo tempo. Clara sempre ficava linda, não importa o que usasse, mas quase sempre estava assim, simples e elegante. Alex também estava bonito. Com a barba sempre bem feita, usava um terno cinza claro, uma camisa de linho branca e uma gravata xadrez em tons de terra e amarelo. Os noivos gostaram muito de conhecer Clara, e Mario, o garotinho filho de Fiorella se encantou com o avião que Alex trouxe para ele. Voltavam aproveitando o sol do fim de tarde.

__Está tão quietinha. Está tudo bem, amor? Alex perguntou.

__Estou ótima. -Sorriu.- Estava só planejando nosso casamento.

__Ai meu Deus!- Riu.- Clara isso só vai acontecer depois da faculdade, né? Ou vou me casar amanhã no baile e não fui comunicado?- Riram os dois.

__Porque não pensei nisso? Já aproveitava toda a família junta, a festa de graça, o Castelo e tudo mais? Marquei bobeira.- Riu mais.- Se safou dessa bonitão. Mas só porque quero me casar no meu restaurante.

__Como?- Perguntou curioso.- Você quer se casar no restaurante que ainda não tem?

__Sim. Quero me casar no lugar que vou trabalhar todo dia.  Sempre que servir as mesas, me lembrarei do momento que elas estavam preparadas para os nossos convidados. E quando abrir, será como quando entrei para encontrar você no altar. E quando você chegar para jantar comigo, será como no dia que nos casarmos.

__ Puxa! Que bonito.- Olhou Clara por um momento , voltou-se para a estrada.- Como consegue isso? Ficar ainda mais importante na minha vida cada vez te olho? Como consegue fazer um momento maravilhoso, ficar ainda mais mágico? Você é incrível.- Parou o carro.- Eu quero muito te beijar agora, mas não posso. Se fizer isso não vou conseguir parar, estou muito comovido com o que disse. – Respirou fundo.- Eu amo muito você. Planeje tudo o que quiser, todos os detalhes. Mande tudo para mim, desenhos, cores, tecidos, flores, tudo. Você terá o restaurante e nossa casa do jeito que quiser. E nosso casamento terá todos os detalhes que desejar. Eu juro. E estarei lá todas as noites para repetir nosso momento de ternura e jantar com você. Prometo, amor. Quero participar de todos os processos. Vou calcular todos os seus custos e pesquisar onde encontrar tudo do melhor jeito para você. Começamos assim que chegar das férias. Até nossa formatura na faculdade estará tudo pronto. Meu curso, vai levar 4 anos.

__Ué mais engenharia não leva 5 anos?

__Sim, mas já graduei algumas disciplinas. E o intercambio gabarita outras. Posso fazer uma avaliação acadêmica delas e valida-las. Se meu projeto for comprado, posso terminar a faculdade em até 3 anos e meio.

__ Verdade? Acabaria junto comigo então?

__Se der tudo certo e você ainda estiver interessada, podemos casar então.- Sorriu tímido.

__Como assim se estiver interessada? Já estarei com tudo pronto, querido.- Alex riu.

_Vamos embora antes que escureça. Seu pai pode resolver vir atrás da gente, sabe como é.

__Claro meu lindo noivo.- Riu.

__A propósito Clara, que tipo de anel de noivado gostaria de usar?- Clara abriu um pouco mais os olhos e ficou calada.- Ei? O que foi? Eu quero saber do que gosta, se tem algo que prefira, alguma pedra específica. Não sei se algum tipo de joia atrapalharia seu trabalho, ou se você precisa tirar todos os anéis para cozinhar.- Olhou para ela, e ela continuava com a mesma expressão surpresa.- Não sei porque essa surpresa, você já está até escolhendo as cores das cortinas do quarto que vou dormir.- Riu.

__Alex.- Disse muito doce.- Pode parar o carro um minuto?- Disse soltando o cinto.-

__Ai meu Deus! Não está passando bem?- Foi desviando para o acostamento outra vez.- Desculpe, eu aqui fazendo piada. Essas comidas de casamento as vezes são meio estranhas. Será que alguma coisa te fez mau?- Virou-se para ela para ganhar um beijo delicioso. Longo, doce, apaixonado.

__Estou ótima, amor.- Sorriu.- Não gosto de anéis muito grandes, prefiro pedras claras, amo a cor dos seus olhos de jade, mas não importa o anel, nem as pedras, nada disso. Só o que me importa é que você quer me dar um sinal do seu amor e do nosso compromisso. Na verdade, eu já tenho algo assim.- Levantou a mão mostrando o anel de aço cirúrgico que Alex lhe deu.- Não precisa se preocupar com nada caro e suntuoso para mim. A coisa mais valiosa que tenho, é esse sorriso tímido, que me dá. Sou louca por ele.- Beijou-o novamente. Depois voltou ao seu lugar colocando o cinto tranquilamente.- Agora já podemos ir.- Alex levou alguns segundos para voltar para dentro de seu prumo. Rindo disse:

__Você gosta mesmo de me provocar, né? Tudo bem, isso vai ter troco. Pode esperar.

__Olha! O nerd está me ameaçando! – Riram e assim chegaram a garagem do Castelo. Assim que desceram do carro, ouviram Leninha chegando numa moto, muito legal.

__Leninha? Foi trabalhar de moto? Quem te emprestou?- Leninha tirou o capacete e sorriu. Estava trabalhando no restaurante do centro da cidade o Einstein Eltz. Assim que Yuri e os outros souberam que ela havia perdido a vaga de trabalho, se mobilizaram para encontrar algo. Yuri logo voltou com a entrevista no restaurante mais conhecido da cidade, ela cobriria as horas de folga do chefe principal durante a tarde e trabalharia com a equipe quatro dias por semana.  Ganharia duas vezes mais que no trabalho anterior e teria mais tempo para ficar com os amigos. O Chefe Ilia Mitte, muito durão, mas muito competente, gostou da energia dela já no primeiro teste. Leninha voltou para o Castelo com um beijo pronto para Yuri. Que parecia muito nervoso a espera dela. Disse;

__Estou muito aliviado que tudo correu bem, senhorita. Não gostaria de pensar que ficou infeliz na minha casa.- Sorriu para ela.-Poderá vir ao Baile?

__Sim. Começarei meu horário com a equipe na segunda. Por hora vou trabalhar á tarde durante a semana. O único problema, é que precisarei de acomodações para as próximas duas semanas. Você conhece algum lugar no centro que eu possa ficar, pode ser um hostel?

__Como assim?- Ele pareceu confuso.–

__É que eu deveria ir com Vincenzo na segunda para Hamburgo. Eu não tenho lugar para ficar por aqui. Agora que tenho um emprego, posso pagar mas nada muito caro.-

__Como assim pagar? Você não está sendo bem atendida aqui? Não quer ficar na minha casa porque?- Clara entendeu que ele não queria que Leninha fosse embora, por isso fez todo esforço para encontrar um trabalho ali para ela. Mas Leninha ainda não tinha percebido o que isso significava. E ele continuou.- O centro não é tão perto, mas pode usar um dos carros. Gigio tem uma moto se preferir. Ela fica sempre aqui durante a semana, ele só usa no fim de semana, não vai se importar.

__Yuri. Eu não sei como agradecer. Sua hospitalidade é maravilhosa. E amei a oportunidade de aprender com Chefe Mitte. A grana também é legal.- Riu.- E gostaria muito de dar umas voltas na moto do Gigio. Mas me sinto abusando de você. Já fez muito por mim.

__Se sentiria melhor se fossemos mais do que apenas amigos?- Olhou para ela profundamente. Clara ia saindo de fininho quando…

__Clara!- Chamou ela.- Não saia!- Olhou para ela meio pasma.- Você ouviu o que eu ouvi? O lindo e loiro filho do Conde, está me dando condição mesmo? Ou eu estou enlouquecendo?- Clara riu, Yuri olhou para ela sorrindo.

__Olha amiga, eu não conheço Yuri a muito tempo, mas ele parece ser um rapaz muito educado. Talvez ele esteja apenas sendo cavalheiro. E não te pedindo para namorar.- Yuri ficou vermelho.

__Foi exatamente o que eu pensei. Sabe, sou da periferia, não conheço muitos príncipes.- Olhou Yuri com um olhar de sereia.- Você poderia ser um pouco mais claro sobre seu interesse em mim, senhor Yuri? Seja o que for sem problemas, só para não restar dúvidas.- Yuri a trouxe para perto dele com cuidado e repetiu.

__Para não restar dúvidas.- Beijou-a, na frente de Clara que não se cabia de alegria pela amiga. Quando ele acabou, disse:- Sou o primeiro filho homem do Conde de Eltz, isso significa que herdarei o título. Sou diplomata, amo aeromodelos. Gosto de dançar e de doces. Tenho uma coleção de carros alemães e ando com todos eles. Admiro mulheres valentes. Tenho uma irmã 10 anos mais velha que eu. Ela me deu uma sobrinha que amo muito, que tem 8 anos. Minha mãe morreu faz 7 anos de um câncer, foi muito rápido, triste e doloroso para todos nós. Ela lutou bravamente. Sempre foi muito alegre e forte. Meu pai é muito amoroso com os filhos, isso não é muito comum na nossa cultura. Ele não quer se casar de novo antes de mim. Vivi grande parte da minha vida neste Castelo, mas estudei em vários países. O que mais gosto, é o Brasil. Principalmente agora que conheci você. Fui noivo por vários anos de alguém muito parecida comigo.  Mas não eramos  realmente felizes juntos. Faz dez dias que conheço você e nada me fez mais feliz nos últimos anos, que o sorriso que me deu quando desceu do carro agora e correu para mim. Sei pouco de você, mas já sei o suficiente para saber que é de alguém feliz como você que preciso em minha vida. Então sim, estou te pedindo para namorar comigo, ou como disse, te dando condição.- Riram.- Se quiser é claro. Mas se não quiser, ainda é muito bem vinda para ficar essas semanas aqui, enquanto trabalha. Minha irmã chega amanhã para o baile, vai trazer minha sobrinha, gostaria que a conhecesse. Eu preferia apresentar minha namorada, mas posso dizer que é uma amiga que eu gostaria muito de beijar de novo.- Sorriu.- Minha sobrinha vai  enlouquecer você até me aceitar. Ela é muito melhor diplomata que eu.- Riram outra vez.

__Bem.- Disse Clara.- Acho que devo deixa-los sozinhos agora. Alex deve estar se perguntando, porque ainda não cheguei a biblioteca como combinamos. E acredito que não precisam mais de mim por aqui. Yuri, muito obrigada por ajudar minha amiga. E ela é maravilhosa, fará você muito feliz.- Olhou Leninha.- Você é uma idiota se deixar um lindo desses passar. Não queria um príncipe num castelo? Aproveite!- Saiu rindo com seu trocadilho. E deixou um casal improvável, mas muito feliz se beijando no pátio. agora Leninha chegava do trabalho alegre com tudo que estava vivendo.

__Foi Gigio que me emprestou a moto. É muito gostosa de andar. Vocês estão lindos. Como foi o casamento da minha quase patroa.

__Foi muito legal.- Disse Clara sonhadora.-

__E Alex. Acho que Clara aterrissou no mundo das noivas. Você está perdido.- Riram e entraram no Castelo. No primeiro Salão já encontraram Yuri que sorriu antes de ganhar um beijo de sua nova namorada. Quando chegaram no jardim interno na sala que a família do Conde usava, todas as crianças estavam sentadas escutando atentamente tia Lia contar uma história para eles. Até Astrid, a sobrinha de Yuri. Mesmo que a pequena garota esperta, não entendesse todas as palavras. Ela assim como o avô era uma amante das histórias.

__Onkel!_ Correu para Yuri.- Tia Lia, está contando uma história.- Disse com bastante sotaque e sorriu.

__Estou vendo. Está entendo tudo?

__Não tudo. Mas é sobre um rapaz e uma moça muito diferentes. O rapaz era muito sozinho e a moça muito alegre. Então se apaixonaram. _ Olhou seu tio e Leninha. Acham que está falando de vocês.

__Na verdade- Alex disse a ela- Poderia estar falando de mim e Clara, ou vários casais desta família. Mas está falando do vovô Rodolfo e da vovó Elisa. Ela está contando para os pequenos, como eles se apaixonaram e formaram essa família.

__Que bonito.- A menina disse. _Eu gostei da história. Mas quero um namorado alegre.- Todos riram. _ Igual o namorada da Alana, o Rody. Ai que riram mesmo.

__Alana é muito brava. -Disse Alex.- Tome cuidado.

__Não. Ela é boazinha. Disse para eu ir visita-la no Brasil. Ela disse que do lado da casa dela, tem um monte de crianças alegres. Podemos ir lá um dia, Onkel?

__Sim, Schön. Onde está sua mutter?

__Ela foi resolver alguma coisa com vovô, algo para amanhã a noite. – Lia viu os adultos e os chamou para ouvirem mais de perto. Dizia:

__ Depois que a moça alegre entrou na vida do rapaz triste, tudo mudou. Todas as coisas belas que ele tinha, floresceram e ficaram ainda mais belas. Todas as coisas triste que ele tinha, ficaram felizes. O rapaz, não deixou de ser um menino quieto e tímido, porque ele era assim. E isso fazia dele uma pessoa única e especial. E ela o amava muito por isso. Mas ele passou a ser feliz em ser diferente de sua amada. E aprendeu que ser diferente, não é uma coisa ruim. Na verdade é uma coisa muito boa. São as nossas diferenças que podem ajudar a resolver os problemas dos outros. Esse rapaz tímido e feliz, passou a valorizar todas as diferenças das pessoas. Por isso, foi muito abençoado. Recebeu de presente de Deus dois pares de joias muito brilhantes. Um par era negro como a noite e guardava a alegria dentro delas. O outro par, era azul como o infinito, e guardava toda a serenidade, a sabedoria. Essas duas joias tão diferentes se completavam, e juntas brilhavam ainda mais. O rapaz presenteou sua amada com essas joias, que pertencem a ela até hoje.

__Que lindo , Tia Lia.- Disse Clara.

__É mesmo.- Disse Yuri.- Talvez devesse aceitar a sugestão  de Giu e gravar histórias para crianças.

__Talvez.- Disse Lia, piscando para seu novo primo.- Agora crianças, todas vão com cuidado para seus quartos, para se arrumar para o jantar. Lembrem que não devem correr nas escadas.

__Ah! Vovó, conta outra História?- Pediu Mari. E todas as crianças começaram a gritar pedindo e pulando sorridentes. Jorge entrou na frente de sua mãe e disse:

__Por hoje chega. Vovó vai contar mais histórias outro dia. Agora vocês vão todos se arrumar para jantar. As mães de vocês estão esperando. Não querem que elas deixem vocês brincar a amanhã? Então sejam obedientes. Antes, todo mundo beijando a nossa amada contadora de histórias.- Fizeram exatamente o que ele disse.

__Como será que ele consegue controla-las tão facilmente.- Perguntou Gigio.

__É porque ele as ama._ Disse Clara.- As crianças sabem disso. Ele diz só a verdade para elas, e não tenta engana-las. Elas sabem.

__Clara e suas pérolas de sabedoria.- Disse Leninha nos braços de Yuri.- Acredita que ela não tem nem 18 anos. Todos riram. O jantar foi delicioso Clara e Leninha resolveram fazer a comida em agradecimento . Tia Lia foi ajuda´las. Diana e Liv também. foi um sucesso. Uma feijoada típica. Todos amaram. depois do cafezinho, o Conde resolveu a gradecer as cozinheiras, disse ter mandado, a cada um pequeno presente que deveria estar no quarto delas. Na manhã, manhã seguinte todas estavam agradecendo o mimo que receberam, durante o café da manhã. quando iam saindo, Leninha parou o conde para dizer algo meio escondido.

__Yuri, acho que houve algum engano. Na minha cama  havia um pacote bem maior. na verdade um vestido. Acho que devem ter mandado o vestido de sua irmã para meu quarto enganado. Eu nem mexi, só guardei direitinho, mas não sei para quem devolver.

__Não é da minha irmã liebe. É para você. Meu pai saiu com Hanah ontem para comprar um presente para você. Ele quer te apresentar como minha namorada hoje no baile. Eu disse que você não iria gistar que ele escolhesse um vestido para você, mas ele queria que você usasse as cores dafamília. Desculpe. Se preferir, pode usar uma roupa sua mesmo. Ele está encantado com você, e exagerou um pouco,mas ele é legal. Falarei com ele, está tudo bem.

__0 Vestido é para mim? Tem certeza? Eu não tenho dinheiro para pagar algo tão fino se eu estragar, posso usar mesmo?-Ele riu.

__Sim é seu. Como sabe que é fino? Disse que não abriu?

__Eu dei uma espiadinha. Tem certeza que posso usar

 

 

 

 

Falcão por opção

Capítulo 12

Alex parou o carro num café.

__Amor, está acordada? – Clara não respondeu. Quando ele a colocou no carro de Giu, ela ainda chorava baixinho. Fixou  cinto de segurança, cobriu-a com seu paletó e beijou-lhe a testa. Enquanto dirigia, percebeu que ela dormiu, mas ainda soluçava as vezes. O café era charmoso, um prédio antigo com mesinhas simpáticas. Comprou dois cafés para viagem. Não quis acorda-la antes de se acalmar e ter uma bebida quente para lhe oferecer. Clara abriu os olhos lentamente , e viu Alex com dois copos de café expresso na mão.– É o seu preferido, espero que goste. Aqui, as vezes as coisas tem gosto diferente.- Sorriu para ela. Clara achou que tinha sonhado com aquele beijo maldito. Mas assim que sentou direito, recobrou o senso. A vontade de chorar voltou, mas então olhou nos olhos verdes de seu gentil namorado. Ele estava ali! Uma alegria imensa encheu seu coração. Ele estava ali! Tirou os copos da mão dele e colocou sobre o painel com cuidado. Sorriu para ele com todo o seu coração dizendo.

__Jamais poderei agradecer o suficiente por ter você na minha vida. Você é o meu presente, eu te amo.- E beijou-o. Depois desse beijo longo e apaixonado, seguiu-se outro e outro, até que ofegante Alex disse:

__Clara.- Riu.- Eu só tenho 18 anos. Não sou tão bom em me controlar assim. Se quisermos seguir com nossos planos, precisa ter um pouco de piedade de mim.- Riram.

__Estou torturando você, lindo?- Fez cara de piedade.- Ah! Que maldade a minha. Então, eu que provoco você? Você não tem vergonha de sair por aí com uma camiseta dessas? Todos os seus músculos estão a mostra sabia? Porque desceu aquelas escadas como um tigre? Não era para me enlouquecer então? E ainda ficou me olhando como se fosse….

__Está bem, está bem.. Riu.- Tem razão. Eu te provoquei. Queria que visse que eu….

__Me quer? Era isso? Você me quer? Não me diga  que achou que eu iria preferir aquele idiota, só porque você nunca tinha se mostrado assim tão …- Balançou as sobrancelhas como seus irmãos faziam.- Desejável ?- Riram.

__Eu fiquei inseguro sim, mas confiou em você e na força do que sentimos. Mesmo assim, eu não queria que me visse apenas como o garoto tímido que é louco por você. Essa noite, queria que soubesse que para você, e só para você, serei o que  desejar.- Baixou os olhos. -Não gostou da camiseta?- Clara passou a mão sobre o peito dele e levantou o queixo dele com a ponta do dedo.

__Acho que gostar não define bem o que vejo. Não deveria provocar um falcão assim. Principalmente, a filha do Beto, não concorda?- O olhar que lançou para Alex o fez ofegar ainda mais. Ele fechou os olhos devagar respirou duas vezes.

__Clara, eu jurei a minha mãe que…. Eu prometi a seu pai que só…. Que eu….-Abriu os olhos como um falcão poderoso. Clara se viu indefesa diante daquele par de olhos verdes.- Eu nunca quis nada, como quero você.- Disse forte, profundo, ele realmente a amava.- Mas vou esperar até que possa ser minha todas as noites para sempre. Porque depois que tiver você uma vez, nunca mais conseguirei ficar sem você. Nem uma noite.- Clara sorriu, começou falando bem devagar.

__Certo.- Puxou o fôlego com força, nem tinha percebido que tinha parado de respirar.- Quem mandou eu não ficar quieta, né?- Foi falando mais rápido.- Não consigo manter a boca fechada, olha aí. Agora, não vou conseguir dormir nunca mais. – Falou bem rápido.- Serei assombrada por essa imagem e essas palavras todas as noites. Quanto tempo falta para a gente casar mesmo?  É bom ser logo. Não sei se consigo aguentar mais que…..Digamos 2 minutos.- Caíram na gargalhada. – Como você consegue dizer essas coisas assim tão simples e tão fortes, Alex? – Acariciou o rosto dele.- Se é porque é um garoto tímido, então todos os homens do mundo deveriam ser tímidos. Não tem como não ficar completamente louca por você. Eu odeio esperar, mas para ser sua todas as noites, espero o quanto for preciso. Detesto!- Frisou fazendo-o rir outra vez.- Mas espero, amor. Meu lindo e gostoso namorado tímido.- Encostou a cabeça no peito dele.

__Mas então, gostou da camiseta?- Riram outra vez.- Ainda quer seu café, ou é melhor deixar para outra hora?- Ela deu um soquinho sem força no peito dele rindo.

__Pare de me provocar. Tem andado muito com meus irmãos, viu no que dá? Virou um engraçadinho.- Alex sorrindo pegou o rosto dela.

__Está se sentindo melhor, amor? Podemos ir para o Castelo?- Ela acariciou as mãos dele e sorrindo disse:

__Depois de ouvir você dizer que quer me ter todas as noites de sua vida, acha que posso sequer lembrar de qualquer outra coisa que aconteceu hoje? Eu estou bem sim, amor. Fiquei apavorada com a possibilidade de te perder. Vi a dor nos seus olhos, sabia o quanto estava ferido. Eu fui boba em achar que ele agiria diferente. Vincenzo não é uma pessoa ruim, mas enxerga as coisas por outro prisma. Não é desculpa para o comportamento dele, mas eu o vi beber um pouco de mais hoje, também. Isso pode ter ajudado. Seja como for não quero mais ficar com ele por perto. Vou pensar num jeito de resolver o lance do curso para evitar encontra-lo.- Acariciou o rosto e os cabelos vistosos, depois o peito em cima do coração de Alex.- E você, meu lindo? Está bem?

__Sabia que ele faria alguma coisa hoje. Mas pensei que fosse me provocar dançando com você ou sei lá, não sei de outra forma. Não pensei que ele fosse capaz de ser bruto contigo. Quando ele te levou para o camarote, meu coração apertou.  Não queria parecer ciumento então perguntei se as meninas queriam descansar um pouco. Ele deixou a porta aberta, eu sabia que era armação, mas quando eu vi, perdi o fôlego. Usei todas as minhas forças para não rasga-lo ao meio, e fiquei sem nenhuma para controlar meu desespero. Eu tinha que sair dali, mas não conseguia andar. Então busquei seus olhos, vi o seu pavor, nesse momento eu precisei fugir. Se ficasse ali, Ben estaria agora tentando me tirar da cadeia. Então você mandou o Ruivo para me ajudar. Ele como sempre sabe o que dizer para acalmar a gente. Fiquei lá chorando no ombro dele como um menino. Até que senti seu perfume. Então ele me olhou bondoso e disse baixinho:

__”Bem, filho. Como esperado, ela já chegou. Está apavorada. Ela é um falcão, a mais forte de todos os falcões. O que torna o coração dela o mais vulnerável a dor. Não judie muito dela”.

__Então ouvi sua voz, ele tinha razão, você parecia apavorada, mas mesmo assim sua voz, seu cheiro, foram me acalmando. Depois vi que o Ruivo estava certo em outra coisa, você estava sofrendo, muito. Lembrei das noites de insonia da minha mãe. Eu estava tão preocupado com minha dor, com a minha raiva, que esqueci que Vincenzo tinha forçado você. Fiquei muito assustado com seu estado. Descobri outra dor muito maior que aquela que eu estava sentindo, ver você sofrer. Não suporto ver você sofrer. Então, para me enlouquecer de vez, você me mostrou seu coração batendo tão fraco. Ah! Meu amor. Perdi completamente o juízo. Nunca usei minha origem para ameaçar ninguém. Se aquele idiota me enfrentasse naquele momento, nem sei o que teria feito. Ou pior, acho que sei o que teria feito. Mas então, você dormiu aqui comigo, tão exausta, tão sensível, tão minha.  É isso que quero para minha vida, Clara. Ver você adormecer todas as noites, e acordar sorrindo para mim todas as manhãs. Quero você para sempre Clara. Talvez não mereça você, mas eu te quero.- Os olhos dela marejaram.

__Lá vem você outra vez. Não consegue ser menos maravilhoso? Dizer pelo menos uma coisinha sem graça? Tem sempre que fazer meu coração bater assim desgovernado, louco querendo quebrar minhas costelas?- Beijou-o. – Só um beijo. Se não eu não volto para casa, você vai ter que me deixar ficar aqui na Alemanha.

__Seu pai me mata.- Pensou.- Ou talvez, não.- Riu.

__Está insinuando que meu querido pai, quer se ver livre de mim?

__Imagine!- Eles riram- Vamos para o Castelo então, minha linda princesa.- Beijou aponta do nariz dela.- Seus irmãos devem estar preocupados.Coloque o cinto, por favor.

__Alex, foi fácil validar sua carteira de motorista aqui?

__Eu usei o passaporte. O Instituto mantém um convênio, foi bem mais rápido que tirá-la no Brasil.

__Não estranhou nada.

__Não.- Claro, para ele era só mais um mecanismo.- Porque, acha difícil dirigir?

__Não sei. Eu nunca tentei. Papai quer que complete 18 anos primeiro.

__E você é uma menina muito obediente, certo.- Riram. E assim voltaram para o Castelo, rindo como sempre quando estavam juntos. Quando passaram pelo portão, Beto estava no jardim com Nina. E os viu. Assim que saíram da garagem de mãos dadas ouviram:

__Onde é que vocês estavam?- Beto estava sério.- Pensei que fossem dançar com os outros?

__Nós fomos.- Disse Clara.- Mas voltamos no carro do Giu. Os outros já chegaram?

__Estão chegando. Aos poucos.- Assim que falou, o carro que o Ruivo dirigia, trazendo Ritinha e Diana, entrou na garagem. Em seguida, o carro de Yuri com Giu e Gigio. Os carros que Jorge  e Ben usaram,  já estavam na garagem. Giu desceu já dizendo:

__Então Lehrer? O que achou? O carro é ótimo, não é? Já falei para o Yuri. Muito melhor que essas latas de sardinha que ele usa.

__Bem. – Disse Alex.- Não sei se dá para chamar um lamborguine de lata de sardinha.- Riram.- Mas seu carro é ótimo. Tem boa aceleração, mantém força e estabilidade. Todos os acessórios estão funcionando muito bem. É uma máquina muito boa. E muito bem cuidada.

__Viu?- Disse Giu para Yuri.

__Mas ele ainda não dirigiu o meu?- O alemão respondeu.- Lehrer, você e a menina, poderiam dar uma volta no meu carro amanhã. Assim podem comparar.

__Mas eu não entendo nada de carros.- Disse Clara rindo.- Eu nem sei dirigir ainda. Alex pode ajuda-los muito melhor que eu.

__Mas caríssima e bela stampa, eu quero saber sua opinião.- Disse Giu.- Meu carro é confortável? Não é apertado, vero?- Clara riu alegre e divertida como sempre.

__Vocês são muito barulhentos. _ Disse Nina.- Vão acordar todo o castelo.- Olhou Yuri.- Seu pai vai nos expulsar antes do baile.- Todos riram.- Vamos Beto, vocês também, chega de farra por hoje. Passou da hora de dormirem.- Beto olhou seus filhos, depois para Alex.

__Ok. Vou fazer de conta que engoli esta história porque gostei mais do carro do primo italiano.- Eles riram.-  Mas se souber que você andou dando uma escapadinha do que combinamos rapaz, teremos uma conversinha bem desagradável, me entende?

__Papai!- Disse Clara.- Isso é coisa que se diga? Alex é um cavalheiro.- Beto gostou de ver sua filha defender o namorado. Isso significava que ele realmente a respeitava e ela se sentia segura e amada por ele.

__Espero que seja mesmo. É meu neto, e o amo. Mas quero minha filha segura.

__É exatamente isso que quero.- Disse Alex, olhando nos olhos de Beto.- Na verdade, preciso dela segura e feliz para continuar respirando.- A sinceridade das palavras dele atingiram Beto profundamente. E também emocionou os outros em volta. Clara o olhou ainda mais apaixonada. Depois fez cara feia para seu pai.

__Ei! Não me olhe assim. Não posso evitar defende-la. É minha filha.

__Mas de Alex?

__Terá seus filhos, vai me entender.

__Eu já entendo.- Disse Alex.- Não se preocupe. Se ela fosse minha filha, talvez nem fosse tão amigo de um namorado como o senhor é, tio Beto.- Beto sorriu.

__Certo. Mas não pensem que me enganaram com essa história de carros e que Ben e Jorge vieram antes por causa das crianças, e para trazer o cabeludo que tinha que ir antes ajudar o primo. Eu não sou o Rick, ou o meu Pai, mas sei que aconteceu alguma coisa. Não consigo juntar os detalhes rapidamente como Lia, mas vou acabar descobrindo o que aconteceu. E como já ficou evidente que o valente namorado continua tão gentil como sempre, devo imaginar que ele ficou inocente neste fato que pelo visto eu preciso ficar sem conhecer.

__Papai?- Disse Ruivo.- É o senhor mesmo que disse isso? Falou igualzinho o vovô.

__Tenho convivido com ele e com seu tio toda vida. E ainda tem Lia.- Suspirou.- Escutem. Não acham melhor me contar logo o que estão tão empenhados em me esconder, e assim acabar logo com essa situação?- Todos ficaram em silêncio.

__Aconteceu mesmo alguma coisa?- Perguntou Nina. Depois olhou Clara.- Porque veio sozinha com Alex? Vocês tinham saído no carro com o Ruivo. Aconteceu alguma coisa com você na casa de show? – Nina percorreu o corpo da filha. Parou nos olhos.- Clara você chorou?- Beto tomou a frente dela, pegou o rosto da filha entre as mãos.- Olhou Alex rápido. Disse já muito bravo.

__Vai me dizer quem fez isso? Quem magoou minha menina, Alex?

__Papai!- Disse Clara.- Não foi nada.- Ruivo chegou até seu pai.

__Papai, Alex não fez nada.- Beto virou -se para seu filho poderoso.

__Eu sei. O garoto é louco por ela. Jamais faria nada para feri-la. Conheço um homem capaz de dar a vida por uma mulher. Quero saber quem foi o cachorro capaz de fazer minha filha chorar. Quem foi Carlos?- Beto nunca chamava o Ruivo assim.

__Beto!- Chamou Lia. Ela estava entrando na garagem, com Rick, Liv, Ben, Jorge e Alice.- Não vai adiantar enlouquecer sem nem saber o que houve. Clara está bem. Os gêmeos e Jorge estavam com ela. E Alex não deixaria nada feri-la. Sabe disso. Ele já a defendeu antes, enfrentou um atirador de facas armado por ela.

__Beto. Escute Lia.- Disse Rick.- Não estamos em casa. Somos turistas. Não podemos sair por aí socando pessoas. Os quartos do castelos estão cheios das nossas crianças. Precisa se controlar.

 

__Estou o mais controlado que posso, Rick. Alguém fez minha filha chorar. Fez isso mesmo ela estando com todos esses protetores e Alex. Sem contar o filho do Conde e os outros rapazes. -Pensou.- Eles contaram para vocês? Para que viessem me controlar?- Olhou Ben e depois Alice, alguma coisa nos olhos dela o instigaram.- O que vocês estão me escondendo?

__Papai!- Clara gritou.- Não foi nada. Um idiota me roubou um beijo. Eu fiquei furiosa, queria arrancar os olhos dele. Mas eu fui pega desprevenida e Alex também.  Chorei porque fiquei com medo de perde Alex.  Mas Alex disse as coisas que sempre diz e me fez sentir amada e protegida outra vez. Foi só isso.

__Se foi só isso, porque foram buscar Lia?

__Porque o senhor estoura! Olhe em volta, o castelo está parado no meio da noite, nossos novos primos, o filho do conde e todos os funcionários estão presenciando seu rompante imaginando que minha vida estava em risco.

__Foi exatamente isso que vi nos olhos do seu namorado.- Clara se calou.

__Tio Beto.- Disse Alex.- Desculpe. Eu não queria assusta-lo. Doeu muito ver Clara com outro, e doeu ainda mais vê-la com medo. Ela sabe se defender muito bem, não precisa de ninguém para isso. Mas igual ao senhor, não consigo não defende-la. Eu quis matar o desgraçado. Por isso eu sai de perto deles. Clara achou que eu estava me afastando dela. Sabe o que acontece com um falcão quando perde seu parceiro. De repente eu estava com uma Clara gelada, pálida, trêmula e em prantos, eu fiquei apavorado. Tio Beto, nunca mais quero vê-la assim. – Beto viu que tudo era verdade, mas ainda faltava alguma coisa.

__Muito bem. Sei que estão falando a verdade. Mas…

__Papai.- Disse Ben.- Eles já explicaram. Estamos cansados. Precisamos dormir. Olhe, tanto Clara, como Alex colocaram o patife no lugar dele. Os dois se resolveram apaixonadamente, como o senhor pode ver. Não temos mais o que analisar. Vamos dormir? Alias, porque vocês não estão dormindo. Aconteceu alguma coisa com as crianças.

__Claro que não. Não mude de assunto.

__Beto.- Disse Lia.- Clara tem um valente protetor. Ele a ama, você melhor que todos os falcões, sabe isso. Ele se parece com você, ama com a mesma força, protege sua amada com o mesmo desespero.  A diferença entre vocês, é que ele aprendeu a controlar a sua fúria. Ele sabia que se ficasse no mesmo recinto que o abusado, acabaria atacando ele.- Ela olhou Alex.- É muito jovem para já ter conseguido essa façanha, mas sabemos que é um gênio.- Beto olhou Alex.

__Certo.- Respirou duas vezes. Falou devagar olhando Alex.- Lia, quem é o desgraçado?- Ela o olhou como se dissesse que só diria se ele se controlasse.- Lia, por favor?

__Você já sabe.- Ela disse, Beto pensou um segundo e abriu mais os olhos.

__Vincenzo!- Disse Beto olhando nos olhos dela.- Lia! – O sangue dele ferveu.- Aquele desaforado.-

__Beto você  ia se controlar!Lembra? – Disse ela. Beto olhou Jorge e Alice.

– Por isso vocês trouxeram ele, para ele sumir daqui, antes que eu o esfole? Onde ele foi?

__Tio. -Disse Jorge.- Não vale a pena. É um idiota, não se conforma que Clara prefira Alex a ele. Não consegue entender, porque ela sofreu tanto por Alex. Achou tudo dramático. Exagerado.

__Desgraçado!- Beto estava furioso.- Vocês deixaram ele ir assim?

__Beto.- Disse Alice.- Ele não podia ter feito o que fez. Foi muito errado. Mas Clara não está ferida. Está feliz nos braços de Alex.  Foi lindo vê-los  juntos. Fique tranquilo, está tudo bem.

__Seo Beto.- Disse Diana.- Entendo sua revolta. Concordo com ela. Mas devo dizer que fiquei muito orgulhosa do meu filho. Defendeu sua filha valentemente. Vincenzo ficou acuado, não quis dar o braço a torcer, mas ficou com medo. E também ficou com remorso de magoar Clara. Mas é muito orgulhoso para reconhecer que perdeu para um menino, a mulher que desejava.

__Papai.- Disse Ruivo.- Acha que qualquer um de nós deixaria o canalha sair vivo se o que ele tivesse feito, não pudesse ser revertido pelo carinho de Alex? Também quis esmurra-lo. Mas vi que Clara daria conta dele sozinha. E depois, fiz questão que ele visse os dois juntos. A força desse amor.- Sorriu.- Não queria esconder do senhor, mas precisa se controlar mais.

__Ele já saiu mesmo daqui?- Perguntou ainda muito bravo.

__Sim Tio. _ disse Jorge.- Foi bem rápido. Não estava a fim de encontrar o senhor.

__E para onde foi?- Repetiu a pergunta.

__Beto, chega disso.- Disse Rick.- Deixe esse folgado para lá. Clara está bem, feliz, está com Alex. Só terá mais algumas semanas para aproveitar a companhia dele. Não estrague as férias da menina. Logo estaremos de volta ao Brasil e você terá que voltar a ficar novamente com ela toda noite enquanto chora antes de dormir.- Alex olhou Clara e perguntou surpreso.

__Você chora? Depois que nos falamos? Porque nunca….. Droga!- Pensou. Prendeu os dentes na boca.- Droga!- Abraçou Clara condenando-se outra vez por ter escolhido vir para tão longe.- Desculpe, amor.- Olhou Beto com o olhar culpado._ Eu não sabia disso, eu…. Desculpe, Tio Beto?

__Estou acostumado.- Disse Beto um pouco mais calmo.- Todo mundo acaba sempre chorando no ombro do papai.- Apontou seus filhos.- Pergunte a eles.- Sorriu ao ver Alex tão culpado em fazer Clara chorar de saudade. Tocou o rosto de Alex como fazia com seus filhos. Beto era muito explosivo, mas extremamente carinhoso.  Suspirou, olhou sua esposa ruiva que namorava no jardim antes de os carros começarem a chegar, lembrou-se da dor que era ficar longe dela.- Ok, vamos todos dormir. Amanhã esclarecemos os pontos que ficaram obscuros. Mas eu espero não encontrar esse moço, por aí, senão teremos problemas.- Virou-se para Yuri.- Desculpe, Yuri. Não quis ser um hóspede encrenqueiro e ingrato, mas esse rapaz passou dos limites. Sei que a casa e sua, mas se eu o vir por aqui, vou expulsa-lo.

__Não se preocupe, senhor. Tem toda razão. Mas sua filha já expulsou ele daqui. Na hora, não consegui acreditar como a menina tão linda e sorridente, podia ser tão brava. Mas agora…. Vi que tem a quem puxar. -Riu e todos o acompanharam.- O Lehrer também me surpreendeu. Sempre tão gentil, não sabia que ele podia ser tão ameaçador.

__Não viu nada Yuri.- Disse Nina.- Não faz ideia do que um falcão é capaz de fazer para proteger os seus.

__Pensei que os falcões fossem só os Medeiros de nascimento.- Perguntou Gigio.

__Sim.- Disse Alex.- Mas escolhi ser um falcão muito tempo antes de minha mãe se casar com meu pai.- Olhou Clara.- Não tenho mais como mudar isso._ Neste momento Rodolfo Medeiros chegou de carro. Desceu, abriu para sua esposa sair. Saem do carro também Professor Carlos e Aline. Vestidos muito elegantemente. Tinham ido ao teatro. Rodolfo olhou os seus, em seguida os olhos de Lia e depois Alex.

__Então, o cozinheiro do cabelo comprido pôs as mangas de fora?

__Como é que ele sempre sabe as coisas antes da gente contar?- Disse Beto. Ele nunca se acostumava com essa habilidade de seu pai.

__O que ele fez?- Peguntou Professor Carlos.

__Beijou Clara, a força, lógico.- Disse Beto.- O senhor já tinha percebido, né pai? Que ele ia aprontar alguma? Porque não me disse?

__Não tomo parte em assassinatos.- Disse com um sorriso tímido. Todos riram. Até Beto. Rodolfo olhou Alex.- Você está bem?

__Sim senhor.- Apertou Clara contra seu corpo. Rodolfo olhou a menina, idêntica a sua esposa quando jovem.

__E você, meu benzinho? Está bem?- O fogo nos azuis dele, igual ao nos olhos verdes de Alex.

__Estou bem, vovô.- Saiu dos braços de Alex e abraçou seu carinhoso avô.- Estou bem. Foi tudo muito rápido. Muitas sensações diferentes e intensas. Fiquei muito cansada com tudo.- Ele acariciou os cabelos dela. Olhou Alex nos olhos.- Alex me tirou de lá. Me levou para tomar café.- Riu e olhou seu avô.- Acabou tudo bem, vovô. Juro.- Ele pegou o queixo dela.

__Seu pai deu um escândalo e precisaram chamar Lia.

__Ah! Que Droga! Como é que ele consegue?- Disse Beto.

__No seu caso nem precisa ser o papai para saber isso.- Disse Rick rindo. Os gêmeos e Jorge também riram.

__Onde está o cozinheiro agora?- Perguntou professor Carlos.

__Foi embora.- Disse Jorge.- Ele tinha que ir trabalhar com o primo dele num restaurante na segunda, adiantou dois dias.

__Sabem onde é esse restaurante?- Perguntou Rodolfo sério.

__Vovô.- Ia começando o Ruivo.

__Quero Beto longe desse lugar.- Disse poderoso. Olhou seu netos- Cabe a vocês três conseguirem isso.- Olhou Rick.- E você, não o perca de vista.- virou-se para Nina e Lia.- Vocês duas me chamem.

__Papai!- Disse Beto se sentindo um garoto de castigo.- Já disse que não vou atrás dele. Embora queira muito quebrar a cara desse folgado. Se ele não me aparecer aqui, não teremos problemas.- Rodolfo olhou Yuri e os novos Primos.

__Yuri. Meu filho é um homem muito bom. É alegre e muito amigo e generoso. Tem também muitas outras qualidades, mas tem um defeito muito sério. Não consegue se controlar quando está com raiva. Não é um problema real, porque devido a posição que ocupa e ao tamanho dele, poucos tolos o provocam. Mas quando isso acontece a reação é explosiva e devastadora. Imagino que tiveram uma pequena amostra. Temos um anjo sábio e apaziguador que nos ajuda a controla-lo.- Olhou Lia.- Mas em alguns casos, nem ela pode ajuda-lo a se conter. Este caso especifico, não teve grandes consequências, mas mesmo assim mexeu num ponto que tira todos os Medeiros do prumo. Somos muito protetores, não conseguimos evitar. Não queremos descobrir o que aconteceria se esse moço e meu filho se encontrassem. Peço sua ajuda, se por acaso esse rapaz se atrever a vir aqui, enquanto ainda estivermos hospedados…

__Não senhor.- Disse Yuri.- Isso não vai acontecer. Avisarei a portaria.

__Lhe sou muito grato.- Olhou Ritinha.- Ritinha,  pode ver se será necessário mudar nosso itinerário?

__Claro senhor. Com todo prazer.- Rodolfo voltou-se para sua neta.- E você, meu benzinho, precisa descansar. Amanhã precisa estar disposta como sempre para continuarmos a nossa viagem. Certo?- Clara sorriu.

__Sim Vovô.

__Agora, abrace seu pai protetor, sua linda mãe ruiva,Seus tios, seus irmãos e cunhadas, as vovós, todos os outros primos. Beije seu namorado valente e vá dormir, sim?

__Sim.- Clara riu alto, já estava ótima. Sua família estava com ela, seu namorado apaixonado também. Não tinha porque reclamar. Fez o que seu avô disse. Mas começou pela ordem inversa. Beijou Alex, despediu-se dos primos e dos outros, e terminou abraçando e beijando seu pai.

__Você é doido, mas eu te amo mesmo assim.

__Mentira! Você me ama justamente porque sou doido.- Disse Beto.- Desculpe, meu amorzinho. Mas não consigo me controlar te vendo sofrer.- Sorriu.- Mas estou me esforçando. Alex vai me ensinar, agora ele é professor.- Riu e Ela também. Antes de subir para seu quarto, Clara beijou de novo seu tímido e valente namorado.

__Eu te amo.- Ela disse no ouvido dele.- Por favor nunca se esqueça.- Não esperou ele retribuir o comentário, correu escada acima com Ritinha resfolegando pela mão.

__Ragazzo, ela é maravilhosa.- Disse Gigio.- Você tem um grande problema.- Riu.

__Não tem como ser um falcão sem estar preparado para isso.- Disse Rick- Todas as nossas mulheres são maravilhosas. Sempre tem alguém querendo disputá-las conosco. Beto que o diga.- Riu.

__Está certo, senhor.- Disse Giu.- Elas são maravilhosas. Mas embora papa galanteie Dona Marina, ele nunca seria capaz do que fez Vincenzo. Meu pai respeita os sentimentos dela.

__OH! Querido.- Disse Nina.- Não se preocupe. Giulliano sempre foi um cavalheiro, mesmo quando eu estava solteira na Inglaterra. Ele nunca faria algo sem minha permissão. Sabemos disso. Fique tranquilo. Esses dois gostam de se espetar, são irmãos vivem se provocando, mas se respeitam muito também. Não é?- Disse ela com a famosa sobrancelha ruiva arqueada..

__Claro!- Responderam os dois juntos. E riram.

__Eu não sei vocês, mas eu preciso dormir um pouco.- Ruivo pegou a mão de Diana.- Vamos amor?- Ela ia se levantando quando Yuri se aproximou.

__Senhora. Em meu país, quando uma família cria um filho exemplar, ela recebe uma condecoração do Estado. Quando uma mãe sozinha consegue o mesmo, ela  recebe duas. Quando um filho se destaca em algum campo, ela recebe três. A senhora não é Alemã, mas eu nunca vi um jovem tão valente como seu filho, tão forte em conter suas emoções em prol de outra pessoa, tão poderoso ao defender uma vítima. Tão paciente ao ensinar, e amoroso com as crianças. Nem vou mencionar sua inteligência e seu conhecido dom com a eletrônica. Ele seria um excelente governante. Me senti honrado em conhece-la.- Abriu uma pequena caixa que pegou em uma escrivania assim que entraram no salão. Dentro três broches com pedras grandes, azul, verde,  vermelho. – Meu pai oferece jóias para as famílias que citei. Ele diz que elas podem fazer um uso melhor do que se fossem medalhas. Essas são suas. Espero que aceite. É uma honraria, mas a honra maior e ter sobre o meu teto, a mulher que criou um homem como Lehrer. – Diana olhou Ruivo, ele sorriu. Ela olhou os outros em volta sem saber bem o que fazer. Todos sorriam. Alex era o único que parecia tão surpreso quanto ela. Mas foi ele que mostrou o que ela deveria fazer. Alex inclinou a cabeça, agradecendo sua amada mãe, por tudo que tinha feito por ele. Em seguida, Yuri e todos o imitaram, até o senhor Rodolfo. Diana sorriu

__Eu aceito sua honraria. Embora ache que não sou merecedora. Não só eu. Muitos me ajudaram, principalmente ele, que sempre foi um filho maravilhoso. Usarei essas jóias no baile. Depois as guardarei com muito carinho, para entrega-las aos filhos dele. Para que saibam que um dia, por causa do pai deles, eu fui honrada num Castelo lindo, por um gentil anfitrião, que com certeza também dá muita alegria a sua família. Muito Obrigada, senhor.-  Ela se curvou. Parecia mesmo uma rainha do Ébano, como Rui tinha dito. Yuri sorriu.

Clara e as meninas no quarto nem imaginavam o que estava acontecendo lá em baixo. Tinham outra questão a resolver. Ao entrarem, Clara e Ritinha perceberam a mala de Leninha pronta.

__O que está acontecendo?- Perguntou Ritinha.- Vai precisar ir antes?-Leninha com a cara muito desapontada disse:

__Eu estou com um problema. Desculpe, Clara. Não devia falar isso assim, mas não sei o que fazer. Vincenzo foi embora sem falar nada comigo. Eu não sei onde fica o restaurante que eu ia trabalhar. Estou achando que terei que ir para Hamburgo na Cantina do primo dele procurar por ele para saber. Eu mandei uma mensagem, pedindo o endereço, mas ele não respondeu. Deve estar nervosinho, fazendo birra. E se ele não quiser saber onde é o lugar? Não só perco a change e a grana, como a reputação que ainda nem fiz. Não sei o que fazer?

__Você não tem o nome do restaurante que ia trabalhar?- Perguntou Ritinha.- Talvez podemos encontrar pela internet.

__Alex é especialista nisso. E Ben tem contatos bem legais.- Disse Clara.- Sabe o nome?

__Ele disse que era Fiorella. Mas eu já fiz uma busca aqui no gogle e não achei nenhum Fiorella em Hamburgo.

__Será que Fiorella não era o nome da moça que ia casar?- Preguntou Ritinha.

__Eu já tentei isso também. Não achei nada. Estou nervosa.

__Ei! Não adianta ficar assim.- Disse Clara.- Vamos fazer assim,  dormimos. Amanhã pedimos a Alex e Ben, para nos ajudar. Perguntamos a Yuri se ele conhece esse lugar ou essa pessoa.

__Tem também os Fazzano, devem conhecer todo restaurante Italiano da Alemanha.

__Boa, Ritinha.!- Isso pode dar certo. -Leninha ficou mais animada.

— Certo.-Disse Clara.-Por hora vamos dormir, então.- Elas se ajeitaram e foram para cama, mas Clara estava intrigada, porque vincenzo não quis dar o endereço para Leninha? Será que tinha sido tudo armação dele desde o começo? Já passavam das 3:00. Toda a confusão, na Casa de Show, depois na garagem com seu pai, mas a história com Leninha não deixava Clara dormir. Então seu celular apitou. Era uma mensagem de Alex.

__Está dormindo, amor?

__Não, não estou conseguindo.

__Pode sair no corredor um pouquinho.

__Sim, estou indo.- Clara olhou seu pijama no espelho. Um shorts e uma camiseta modesta e bem fresquinha de bolinhas azul escuro. Achou que não estava muito atraente, quase parecia uma de suas sobrinhas, mas iria assim mesmo. Abriu a porta devagar para não acordar as outras. Ele estava no corredor de calça de moletom cinza e camiseta branca, como era lindo.

__Tudo bem amor? Aconteceu alguma coisa?- Ele pegou a mão dela e levou-a para seu quarto. Fechou a porta com cuidado virou-se para ela e a abraçou forte.

__Desculpe. Sou um idiota. Nunca devia ter deixado você. Se eu não tivesse vindo para cá, nada disso teria acontecido. Nem Vincenzo, nem você chorando toda noite. Desculpe, por favor? Clara, eu te amo tanto. Olhe, eu estive pensando, eu posso tentar continuar meu projeto de casa. Talvez consiga um patrocinio. Eu vou embora, depois das férias. Não vou mais te deixar sozinha.

__Alex!- Olhou-o de subito.- Está falando sério? Vai deixar seu intercâmbio?

__Sim. Minha mãe vai entender, o Ruivo também. Não posso mais fazer você sofrer, eu não posso.- Ela o olhou mais apaixonada que nunca. Acariciou o rosto dele e o beijou.

__Você não pode fazer isso, amor. Tudo o que tem feito é para o seu futuro. Você  é um gênio, tem que mostrar ao mundo seu talento. Eu já sabia disso quando aceitei namorar você. Sim, eu morro de saudade de você, e choro a noite antes de dormir. E choro de manhã quando acordo. E as vezes nas aulas de literatura, e de vez em quando no intervalo na cantina. E não consigo ficar no jardim da casa do Ruivo. Nem  consegui visitar Ritinha. Tudo isso por saudade de você. Vou continuar sofrendo assim até dezembro. Mas farei esse sacrifício com todo meu coração, por nosso amor, por você. Para merecer você. Aceite meu sacrifício. Por favor?- Foi a segunda vez que Clara viu Alex chorar neste dia. As lágrimas deixaram a voz dele embargada.

__Não suporto te ver sofrer.

__Isto quer dizer que terei que fazer cesarianas? Que pena, preferia os partos normais.- Riu. Ele também.- Alex, eu também não suporto te ver sofrer, mas isso é diferente. É para ficarmos mais felizes e juntos para sempre. Quando voltar, faremos a faculdade no mesmo lugar, já escolheu onde? – Alex que só chorava, balançou a cabeça.- Escolha, para que possa me inscrever também. Depois, quero encontrar um lugar para o restaurante. Estou procurar um projeto que tenha um apartamento em cima. Moramos em cima do restaurante. Assim, quando você chegar do trabalho, pode ir até a cozinha e escolher o que quer que cozinhe para você. Então jantaremos juntos toda noite. Teremos uma mesa só nossa, num reservado se você preferir. Quando quiser, pode convidar sua mãe, ou seus amigos do trabalho, ou Cleiton, quem quiser, diga quantos serão e eu preparei o jantar deles no restaurante. Podem comer no salão, ou no reservado, ou em casa. O que acha? – Ele ainda chorava, silencioso.- O que foi? Não quer morar em cima do restaurante? Olhe, é para ficarmos mais juntos. Precisarei servir o jantar, não quero jantar sem você, e se não for assim, chegarei muito tarde em casa, você já estará dormindo. E depois, quando tivermos filhos….- Ela a beijou. Um beijo muito longo e apaixonado. Clara piscou umas vezes com a surpresa, mas aproveitou cada segundo.- Isso foi muito bom. Foi uma resposta afirmativa, espero? Concorda em morarmos em cima do restaurante? Conseguirei um projeto bem legal, espaçoso, com jardim e muitas janelas, prometo. Aceita?

__Aceito qualquer coisa para ter você para sempre. Até dormir na cozinha do restaurante.- Clara riu.- Você tem feito esses planos?

__Sim. Eu preciso ter tudo bem claro para quando receber minha herança.

__Você tem uma herança?- Ele perguntou.

__Minha mãe separou para mim uma parte da Herança que ela recebeu do Fazzano malvado. Meus irmãos receberam quando completaram 18 anos. Por coincidência, os dois moram nas casas que construíram com esse dinheiro. O meu dinheiro, está aplicado. Ben cuida disso. Ele já o fez aumentar bem. Meu pai tem me orientado sobre como gerir um negócio. Será um restaurante pequeno, mas mesmo assim tem muito trabalho neste campo. Estou tentando aprender tudo bem direito. Ben já está procurando um bom lugar, sem pressa, mas se ele encontrar um bom negócio para nós, ele vai me avisar e se gostarmos do lugar, ele compra para gente. Então, se  acontecer antes de liberar minha herança, eu devolvo o valor assim que puder mexer nela. Ben também tem me ensinado sobre as leis para esse tipo de negócio. E o Ruivo me deu várias plantas que ele guardou, quando estava escolhendo uma para a casa de vocês. Algumas  ficavam em cima de restaurantes. Tem uma que eu gosto mais. Vou te mandar uma cópia, assim você pode dizer que tipo de espaço precisa para um escritório ou sei lá uma oficina, o que quiser.

__Clara, o restaurante é seu, e o dinheiro também, deve escolher o que for melhor para você.

__Mas vamos morar em cima. Tem que ser um lugar que agrade você. Já vai ter aguentar cheiro de comida e volume de carros toda noite, precisa ter seu espaço. E sim, é minha herança do velho maldito, mas vai nos ajudar a começar nossa vida. Sei que você não vai precisar dela. Mas eu realmente preciso de um capital para começar meu negócio. Papai disse que preciso trabalhar com o dinheiro que tenho. Dentro das minhas possibilidades. Se fosse outro tipo de negócio, eu não te obrigaria a morar tão perto do meu trabalho, mas eu acho que neste caso, é a melhor solução. Pelo menos no começo, para não ultrapassar meus gastos. Se você não se adaptar, podemos pensar em outra coisa….- Alex sorriu e a beijou de novo.- Ei! Que delícia! Assim me acostuma mal.- Sorriu.- O que foi? Estou falando de mais? Você quer que fique quieta?

__Sim, e não.- Sorriu.- Amei saber que fez planos para nossa vida de casados. Amei a parte de jantar com você todo dia, no seu restaurante, ou no reservado, de vez em quando com a mamãe e o Ruivo, com Cleiton ou amigos e tudo mais. Concordo que na sua profissão, a melhor solução é morar o mais perto possível. Estou orgulhoso que esteja estudando com seu pai e seus irmãos como fazer seu trabalho da melhor forma possível. Achei muito delicado que queira que eu escolha alguns detalhes de onde vamos morar. Mas o dinheiro é seu, a casa é sua. Gostei muito de ouvir você falar de tudo sendo nosso, mas não me sinto bem usufruindo de algo que deveria ser apenas seu.

__Alex, eu preciso dessa herança para começar meu negócio, também não gosto muito de saber que estou usando esse dinheiro que causou tanta tristeza. Mas meus irmãos são tão felizes nos lares que construíram com esse mesmo dinheiro, e Jorge construiu o orfanato com ele.  Minha mãe separou essa herança para garantir que eu teria como começar uma coisa importante para mim, a coisa mais importante que quero começar é minha vida com você.- Ele acariciou o rosto dela.

__O que fiz para merecer você? Como um nerd tímido, quase favelado, conseguiu conquistar uma doce princesa como você? Não bastasse ser a garota mais linda do mundo ainda é inteligente, cozinha como ninguém, quer partilhar tudo o que tem comigo, e é tão forte? Como posso agradecer por tudo isso?- Ela sorriu e disse:

__Vai ter que me beijar todas as manhãs antes de ir trabalhar, e a noite antes de dormir, me ajudar com as crianças e com a louça, e também me ajudar com o jardim, não sei se terei tempo de regar. E sempre tem que me beijar como agora.- Alex levantou uma sobrancelha.

__Mais alguma coisa.- Ela fingiu pensar.

__É, acho que é só, se me lembrar de algo, eu digo depois.- Riu e beijou-o.

__Eu te amo.- Ele disse.- Meu coração ficou muito apertado quando tio Rick disse que você chora no colo do seu pai. Me senti um tolo. Queria ganhar o mundo para você, mas seu avô já tinha me dito que você precisava só de mim. Clara, nada que conquistar servirá para mim se perder você. Você é tudo o que quero. Eu pensei que meu sacrifício de ficar longe da minha mãe e de você fosse o melhor para nosso futuro. Mas ela e você sofrendo me faz ver que foi tudo uma ilusão. Hoje, ela não me reconheceu quando me viu furioso com aquele patife. Ou pior, talvez tenha visto o pai dela em vez de mim. Ela estava tremendo quando saímos da casa de show.

__Ei! Não fique assim. Já passou. Diana ficou assustada, mas ouviu ela falar, ficou orgulhosa de ver você me defender. Eu também.- Sorriu para ele. -Já acabou. E ouviu vovô, devemos descansar para continuamos nossas férias em família felizes. -Pensou.- Quer dizer, tem uma coisinha me intrigando.

__O que?

__Vincenzo foi embora sem deixar o endereço do restaurante que Leninha iria trabalhar. Ela está muito nervosa. Vai perder o contrato e ainda pode ficar com uma reputação ruim. Para um chefe, isso muito sério. Pode causar problemas em conseguir outros empregos.- Ele respirou fundo:

__Pois é. A cantina do primo dele, existe mesmo e parece que ele vem trabalhar lá as vezes. O tal Fiorella que ele disse ser onde Leninha trabalharia, não existe. Tem uma Fiorella di Napole, uma chefe que está para se casar, mas não é muito famosa. Parece que ela resolveu dar férias para os funcionários em vez de contratar um chefe substituto. O restaurante dela é bonito, muito conhecido na cidade que fica, mas pequeno. Ela não tem sub-chefe.

__Como sabe disso?

__Quando vocês chegaram, eu achei estranho, que alguém contratasse Leninha para ser uma chefe substituta sem nunca ter provado a comida dela. Mesmo sendo bem recomendada. Entendi que ela seria a sub-chefe. Mas quando ela falou que a moça iria se casar, me lembrei de ter almoçado com um consultor do Instituto que ia se casar com uma chefe. Almocei com ele três dias antes de vocês chegarem. – Sorriu para Clara.- Como me identifiquei com ele, acabei perguntando algumas coisas. Ela é a tal Fiorella di Napole. O casamento é semana que vem  em Glinde, uma cidadezinha perto de Hamburgo. Quando falei que minha namorada, é uma chefe maravilhosa que estuda na Menu no Brasil e que estava chegando para passar as férias comigo, ele nos convidou para assistir o casamento. Mesmo assim, não quis acreditar que Vincenzo tinha enganado vocês de propósito. Pensei que talvez o primo tivesse se confundido e ele não sabia da mudança de planos. Então fiz algumas perguntas para Vincenzo e Leninha separadamente.  Resumindo, Leninha coitada, está mesmo sem emprego. Eu pensei que ele não sabia como contar a ela que o bico tinha dado errado, que ele estivesse com pena.  Mas depois de hoje, acho que ele armou tudo para ficar perto de você. Se Leninha não viesse, que desculpa ele teria para acompanhar a gente? Talvez até tentou encontrar mesmo um emprego para ela, mas ele já sabia que esse não tinha dado certo mesmo antes de vocês saírem do Brasil.

__Porque não falou para mim?

__Eu não tinha certeza se ele realmente quis enganar vocês ou se foi enganado e achou que poderia dar um jeito, pedir para o primo um lugar para Leninha, ou coisa parecida. Mas a atitude dele hoje, de sair sem falar com ela, mostra que ele não foi legal de qualquer jeito. Coitada. Sabe se ela estava contando com essa grana para alguma coisa específica? Talvez a gente possa encontrar alguma coisa para ela. O Yuri com certeza ajudaria. E tem seus novos primos, devem conhecer muita gente também.- Clara beijou o nariz dele.

__Como pode ser tão doce e prestativo assim?- Você é um príncipe, sabia? Leninha tem toda razão. Vamos ver o que conseguimos de manhã. Mas me deixe falar com ela  antes. Vai ficar bem decepcionada.- Beijou seu lindo nerd.- Posso dormir  ficar aqui com você?- Ela sentiu o corpo todo dele tremer.

__Não judie assim de mim.- Disse.- Sabe que não posso fazer isso. Quero muito. Muito mesmo. Mas não posso.

__Eu disse só dormir.- Riu.-

__Eu disse para não judiar de mim.- Riram. Precisa descansar minha princesa linda.- Beijou a mão dela e a levou de volta ao seu quarto, disse no ouvido dela.- Boa noite meu amor, nunca se esqueça da força do que sinto por você, por favor.- Saiu antes que ela pudesse responde-lo, nem viu os olhos negros dela marejados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  ALTERNATIVAS
O síndico disse: “está aberta a assembleia extraordinária e a pauta será discutida em 45 minutos”. Trata-se de um ato performativo, pois foi enunciado no momento certo e pela pessoa certa (o síndico).
O enunciado “eu lhe batizo, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” foi realizado por duas crianças que brincavam, podendo ser considerado um ato performativo, pois uma delas ainda não havia passado pelo ritual religioso.
Um taxista, ao encontrar o ladrão que roubou sua carteira, disse: “eu lhe condeno a 10 meses de trabalho comunitário”. Trata-se de um ato performativo, pois qualquer pessoa, na condição de vítima, pode condenar o agressor.a

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Falcão por opção

Capítulo 11

Quando Alex chegou no quarto depois de dar banho em Marcelo, Vincenzo já estava pronto para sair. Todo arrumado, barba feita cabelos soltos e um perfume amadeirado. Estava em frente ao espelho, olhou Alex como se o rapaz fosse o priminho Marcelo. Sorriu e disse:

__Ok, garoto. Hoje é sexta-feira, dia de caçar. Convidei os caras e as garotas para balada. Você tem permissão para sair a noite?- Alex entendeu exatamente o que Vincenzo queria. E sabia também quem ele queria caçar.

__Aonde vão?- Perguntou indo pegar suas coisas para o banho.

__Não sei exatamente. Yuri vai nos levar. Sabe dançar? Clara sabe.- Alex parou o movimento, depois terminou de pegar a toalha.

__Ela também é bailarina, dança muito bem. Convidou Clara também?

__Ela estava junto com Leninha e Ritinha. Pareceu bem animada para um programa de adultos, para variar.-Riu.- Mas claro que disse que falaria contigo antes.- Virou-se para Alex.- Ok. Estou lá em baixo esperando as meninas. Seus primos italianos já devem estar lá. Se resolver ir Yuri com certeza consegui um carro para você também. Ele me arrumou uma Lamborghine preta que é um estouro. Tem carteira de motorista?- Alex não disse nada. Sabia que Vincenzo queria apenas chateá-lo.- Bem, pode ir de carona com seus pais, então. Seu padrasto também gostou da ideia de dançar. Talvez ele convença sua mãe.- Saiu rindo. Embora tivesse entendido o que Vincenzo estava fazendo, doeu mesmo assim. Vincenzo queria menospreza-lo, faze-lo se sentir inferior, um moleque sem eira nem beira, queria que ele desistisse de Clara. Alex respirou fundo. Pegou o celular e mandou uma mensagem para.

__Amor, quer sair para dançar hoje?- Ela respondeu rapidinho.

__Não sei. As meninas estão bem animadas. Até Ritinha. Os novos primos também. Vincenzo disse que o Ruivo também estava. Você quer ir?

__Não sei dançar muito bem, você sabe. Mas gosto de ver você dançar.

__Acha que vão me deixar entrar? Você já é adulto, mas eu ainda não.

__Acho que isso não será problema para o Yuri. Se quiser ir, iremos. E se chegar lá você não puder ficar, pegamos um táxi e passeamos pela cidade.

__Certo. Mas se me deixarem ficar e você não gostar de lá, jura que vai me falar? Não vai ficar acuado só porque os nossos amigos estarão se divertindo. Quero que me diga, se quiser vir embora. Ok?

__Ok. Nos encontramos lá embaixo.

__Beijo, amor.

Depois de reler suas mensagens e as de Clara, sentiu um certo pavor. Mandou uma mensagem para seu amado padrasto.

__Pai, você e a mamãe também vão sair com o pessoal para dançar?

__Foi difícil dobrar sua mãe. Mas usei meu charme.

__Eu estou um pouco sem jeito. Imagino que seja um lugar elegante, não sei se tenho o que usar. Vincenzo saiu daqui parecendo um modelo de revista.

__Não seja bobo. Vista um jeans que goste, uma camiseta que seja confortável, mas não larga e um blazer. Coloque sapatos em vez de tênis.

__De que cor?

__Qualquer cor. Só não aqueles sapatos vermelhos com bolinhas amarelas.- Riu.

__Ah! Mais gosto tanto do meu sapato vermelho com bolinhas amarelas.

__Sei que gosta, mas não vai combinar com seus brincos.- Riram

__Obrigado, pai. Estou nervoso. Ele vai tentar alguma coisa, esteve me estudando, e agora já conhece meus pontos fracos. Está nos levando para o terreno que ele conhece.

__Não demostre medo. Ele é um bom adversário, mas Clara ama você, filho. Lembre disso. Não precisa ataca-lo, mas defenda-se. Não deixe ele te ferir. Ele pode tentar magoar você, mas é um tolo se acha que agindo assim vai conseguir Clara.

__Sabe porque ele convidou você, né?

__Porque é um idiota, achou que isso humilharia você, ele não te conhece tão bem quanto pensa. E nem Clara. E outra coisa,  ele esqueceu que Clara é menor. Se não formos Clara nunca poderia entrar numa casa noturna, nem se o Conde estivesse com eles. As leis neste país são bem rígidas.

__Sabe onde é? Não tem perigo para ela, tem?

__Não. Eu já estive lá algumas vezes antes. E uma casa de shows muito bem conceituada. Tem um repertório para cada dia da semana. Todas as sextas tem música dançante. Fui eu que sugeri o lugar para Yuri, justamente porque conheço o administrador que por coincidência é brasileiro e estudou comigo e Ben no Canadá.

__Obrigado, pai. Tentarei parecer o mais natural possível.

__Vai se arrumar, filho. Descemos logo.

Vinte minutos depois, Alex descia as escadas do salão principal. Avistou seu padrasto de calça e paletó azul escuro, uma camisa branca de alfaiataria sem gravata, viu também os novos primos, elegantes em ternos italianos em tons diferentes de cinza, Yuri estava com uma calça riscada de camiseta cinza e um paletó da mesma cor. As meninas estavam lindas. Sua mãe alta e elegante num tubinho branco estruturado. Leninha, num verde musgo com a sainha rodada  charmosa. Ritinha num estampado elegante de alças finas, bem rodado e esvoaçante até os joelhos e Clara linda de vermelho. Ela estava de costas para a escada, os cabelos chegavam a cintura com umas ondas nas pontas. A saia se abria com 4 pregas bem marcadas, duas na frente e duas atrás. Tinha alças largas e um decote tipo princesa bem comum. O vestido, embora bem feito e elegante, não tinha nada de mais. Mas ela o estava usando. Isso fazia com que fosse o mais belo modelo do mundo. Pelo menos aos olhos de Alex. Diana o viu primeiro e sorriu. Quando Clara se virou, seus olhos brilharam. Alex era um homem muito bonito. Tão alto como seus irmãos e com o corpo bem cuidado. Não era tão musculoso quanto os falcões, mas tinha músculos bem trabalhados. E a camiseta preta que marcava o peitoral e o abdome, comprovava isso. O jeans com lavagem escura também não fazia muito para esconder os músculos das pernas longas e os sapatos finos o deixaram com  um ar moderno. O paletó preto com corte elegante, acentuavam a cor dos olhos. Ele parecia um gato de olhos verdes descendo as escadas. E olhou para Clara exatamente assim, como um felino. Vincenzo quase se arrependeu de tê-lo desafiado. O garoto também sabia caçar. Droga! Clara parecia encantada. Quando ele chegou perto dela, sorriu olhando-a de baixo em cima.

__Linda.- Foi só o que disse, Vincenzo teria derramado milhões de elogios, mas ele disse só uma palavra. O pior era que parecia ter funcionado. Ela parecia mais encantada ainda. Sorriu para ele e disse:

__Você está muito lindo. Não sabia que gostava de se arrumar para balada.- Riu.

__Não me arrumei para a balada, foi para você.- Mais que droga! Pensou Vincenzo. Será que esse nerd sem graça não dava um fora?

__Bem gente, falta alguém?- Disse sem paciência.

__Ainda falta…- Ritinha ia respondendo, quando viu Ben, Liv, Jorge e Alice descendo as escadas. – Acho que não falta ninguém. Riu baixinho.

__Desculpe o atraso pessoal. Foi difícil escapar de Cisco. -Disse  Jorge lindo de jeans camiseta branca e blazer azul claro. De mãos dadas com ele, sua linda esposa com os cabelos lisos e negros numa trança comprida, vestida num tubinho amarelo bem elegante. Ao lado deles o outro ruivo de jeans escuro e uma camiseta verde escura  de manga longa e um tricô moderno na mão. Com ele, sua linda bailarina, num vestidinho rosa chá cheio de rosinhas vermelhas. Liv era mesmo muito delicada e seus lindos cabelos negros, tinham uma pequena presilha em um dos lados. Ela sorriu para Alex e disse:

__Clara, preciso te avisar uma coisa. As mulheres europeias, não são exatamente como vemos nos filmes. Na verdade, elas não são recatadas e singelas. Todas as vezes que saí para dançar com Jorge, ele era disputado por no mínimo duas garotas.

__Verdade?- Disse Alice rindo.- Cachorro!- Bateu de leve em seu braço.

__Eu era solteiro.- Disse Jorge rindo. – E você não pode brigar comigo, foi você que me dispensou. O que eu podia fazer?- Todos riram.- Não se preocupe loirinha, você vai estar com ele. Elas não são tão atiradas como Liv diz. Ela só ficava com ciúme, porque não queria dançar com outros caras.

__E você tem outra vantagem, docinho. – Disse O Ruivo.- Tem caras solteiros sobrando.- Apontou os italianos e Yuri.- Vocês são solteiros, né?- Eles demoraram para responder.

__Eita!- Disse Leninha.- Olha, eu não me importo de dançar com homens casados, mas só se for com respeito e com a mulher deles estando na pista de dança para ela ver que não tem nada de mais. Se qualquer um de vocês for casado, vá buscar sua mulher agora mesmo. Certo Ritinha?

__Certo.- Disse a menina muito séria.- Não quero confusão com ninguém.

__Rapazes.- Disse Ben.- Devo adverti-los. As brasileiras são mulheres muito bravas.  Mesmo a mais doce delas.- Olhou sua esposa tão bonita.- Não devem nunca tira-las do sério. Se elas ficarem nervosas, vocês estão mortos.- Riu.

__Não sou casado. – Disse Gigio.- E não tenho namorada no momento. Posso dançar sem problemas. – Sorriu.

__Eu estive noivo por dois anos.- Disse Yuri.- Mas terminamos. Ela foi para os Estados Unidos a dois meses trabalhar na embaixada. Estou me acostumando a ser solteiro de novo. Foi por isso minha demora em responder.- Olhou Leninha.- Acho que também posso dançar sem problemas, certo?

__Ok.- Ela disse.- E você Giu?- Ele suspirou. Rolou dois anéis iguais no dedo da mão esquerda.

__Eu sou viúvo. – Olhou Ben.- Acho que de acordo com as leis do seu país, sou solteiro outra vez, certo?- Houve um silêncio incômodo.

__Sim, primo.- Disse Liv.- Você é solteiro. Pode dançar com quem qualquer moça que quiser. E também pode dançar com suas primas, se desejar.- Sorriu para ele.

__Verdade. _ Disse Diana.- Mas se for dançar com todas as primas, poderia dançar comigo por último? É que sou uma péssima dançarina. O pobre Ruivo é o único que me aguenta, e Alex, claro. Mas piso nos pés deles todo o tempo.- Riram todos.- Depois que dançar comigo, não conseguirá dar mais um passo na pista de dança. -Riu seguida por todos.

__Não exagere, Diana.- Disse Clara.- Ela não é tão ruim.- O Ruivo a encarou.- Ruivo! Por favor! Diga a eles, amor.- Alex a encarou por um segundo, olhou seu padrasto rindo e sua mãe com cara de desafio. Voltou os olhos para Clara.- Alex!

__Minha mãe, é a melhor mãe do mundo. Pode dançar com ela sem medo. Ela não vai machucar você, Giu.

__Viu!- Disse Clara.

__Desde que tire seus pés da frente dos pés dela.- Alex terminou.

__Alex!- Gritou Clara. Todos riram

__E você Vincenzo?- Perguntou Alice.- Você é solteiro?- Vincenzo encarou a linda índia de olhos cor de uísque.- Todos disseram que podem dançar livremente hoje? Você conhece Leninha, sabe que ela é solteira. Ritinha e Gigiu também são. Yuri e Giu já explicaram a situação deles. Nós somos casados e nossos parceiros estão aqui, falta você?- Aquilo foi um soco bem dado. Alice incluiu Clara e Alex no roll dos casados.

__Clara e Alex não são casados.

__ Mas vamos, é como se fossemos. – Disse Clara.-Vamos Vincenzo, responda logo. É solteiro, ou tem algum rolo por aí?- Riu.

__Sou solteiro. Mas pretendo encontrar um rolo esta noite. -Riu.- Vamos pessoal.- Caminhou para a porta, se mordendo de raiva de todos os Medeiros, até de Clara.

Chegaram a Lilith, a casa de show. Muita gente bonita, muitas luzes piscando, música alta, e gente se esbaldando de dançar na pista. O lugar era elegante, tinha uns camarotes bem bonitos. Yuri os levou para um deles. Dentro, a música não era alta, não atrapalhava conversar. Logo , Rui, o administrador amigo dos ruivos apareceu.

__ Mas vejam só que boa surpresa! Todos os gêmeos Medeiros juntos.

__Não todos.- Disse Ben abraçando o amigo.- Minhas filhas são muito pequenas para sair para dançar a essa hora.

__Eu soube que teve lindas meninas. Parabéns, B2.- Todos riram. Ele olhou Liv.- Olivia, linda como sempre.- Ela sorriu.- Ele abraçou Ruivo rindo. E você B1, soube que também se casou.- Olhou Diana.- Não me diga que você conseguiu uma rainha do Ébano para você? Cachorro! Passou a perna em mim.- Olhou Diana encantado. Estendeu a mão para ela.- Gente! Mas é muito linda.- Diana sorriu.-

__Obrigada. Eu sou Diana.

__E ainda tem nome de princesa? Ah, Ruivo! Onde consigo uma para mim?- Olhou Diana sorrindo.- Você não tem assim, uma irmã, uma prima que tal?- Todos riram.

__Tenho duas irmãs, mas já são casadas. Tenho várias sobrinhas, mas são todas crianças.

__É, pare com isso Rui. Não sabe que é muito feio cortejar a esposa do amigo? Além do mais você já é casado. Isso é crime aqui também?

__Tem razão. Cristine não ia gostar muito disso.- Disse Jorge sorrindo.-

__Verdade grandão.- Rui abraçou Jorge.- Cada vez que te vejo, você parece maior Jorge. Ainda dança?

__Sempre. Mas não profissionalmente.

__Olá Alice. – Sorriu para ela.- Como estão as outras mulheres de olhos cor de Uísque desta família?

__Todas bem, Rui. Alana está muito bem. E mamãe mandou um beijo. Disse para lhe dizer que está em Munique com Papai. Ele está dando um curso aqui. Vão ficar até fim de novembro. Falou para você se virar e ir vê-la. Ficou indignada quando falamos que você é o administrador aqui, está tão perto deles e não foi vê-los.

__Eu vou tentar. Eu não sabia que eles estavam aqui. Professora Aline, foi minha primeira paixão adolescente.- Riram. Bons tempos na Prestes de Medeiros.- Cumprimentou Yuri, Gigiu e Giu. _ Estes eu conheço.- Olhou Vincenzo.- Você?

__Vincenzo Ferreti, um amigo.- Sorriu.

__As moças bonitas?

__Está é Ritinha. Trabalha conosco no Orfanato.- Disse Jorge.- E está é Leninha nossa amiga, faz um curso com  Clara.- Rui olhou Clara.

__Não! Está é a pequena Clara.- Pegou-a pela mão e a fez girar devagar.- Meu Deus! Eu estou ficando velho mesmo.- Clara sorriu.

__Eu não sabia que você trabalhava aqui Rui. Faz tempo que veio para a Alemanha?

__Uns 5 anos. Cristine tem uns parentes que precisavam de um administrador.- Ele pensou.- Espere Clara. Você ainda não tem 18 anos.- Olhou seus irmãos.- Vocês tem autorizações para ela? As leis aqui são bem rígidas. Desculpe, mas sem autorizações, ela não poderá ficar aqui, neste horário.- Olhou Clara, muito chateado.- Desculpe, Clara. Olha, se eu pudesse mudar isso, ou fazer alguma coisa, juro que faria, mas…

__Eu sou maior de idade, e tenho cidadania Alemã, e Clara é minha namorada a mais de 2 anos. Temos uma relação permanente e conhecida. Ela está aqui me visitando. Segundo as leis alemãs, ela pode ficar onde eu estiver, certo?- Disse Alex. Todos o olharam.

__Certo.- Disse Rui que olhou Ben.- Você tem esses comprovantes, certo Ben?- Ben balançou a cabeça, sorrindo. Rui olhou de novo para Alex.- Sabe que é responsável por tudo que acontecer com ela, né? Mesmo ela podendo ficar, ainda assim não pode beber nada alcoólico, e você também não, porque ela está sob sua tutela, ok?

__Não se preocupe. Não costumamos beber. – Rui se aproximou mais.

__Como você se chama?

__Alexandre Vogelmamn.

__ Vogelmamn? Do Instituto de Munique?

__Sim. Estudo lá.- Rui riu.

__Não foi o que soube. Minha sobrinha Karina, diz que você dá aulas lá.- Olhou Clara.- Já não tem gente inteligente de mais nesta família? Porque você não poderia namorar um cara normal, que nem a gente? Tinha que ser um gênio da eletrônica? Que droga, Clara? E ainda por cima é bonitão. Assim não dá.- Todo mundo riu. Menos Vincenzo, claro.

__Desculpe, Rui, mas foi você que saiu do país e me deixou para trás. Não pode reclamar.  Se me lembro bem quando eu tinha dez anos, eu queria casar com você, mas você sumiu. Além disso, Alex entraria para essa família de qualquer jeito, ele é filho de Diana.- Rui era alto e forte como os gêmeos, outro rato de academia, era também bem negro e muito bonito. Usava a cabeça raspada e um cavanhaque bem desenhado. O sorriso muito branco e a pequena argola na orelha direita, contrastavam com o terno completo todo preto. Rui olhou para o Ruivo um tanto surpreso.

__Você casou-se como uma linda dessas e de quebra ganhou um filho gênio?

__Exatamente! Agora diga se realmente não sou um cara de sorte?- E riu alto como era seu costume.- Viu? Eu soube esperar e fui muito recompensado. Eu escutei tia Lia. Quem mandou você ser um afobado.

__Droga!

__Ei! Cristine é legal.- Disse Alice.- Meio temperamental as vezes, mas é legal. Ela continua dançando?

__Imagine que não? Ficou sem poder dançar por dois meses depois que o bebê nasceu, agora dança desesperadamente todo dia.

__Ela é uma bailarina. – Disse Liv.- Não pode exigir algo diferente dela. Está matando a saudade das sapatilhas.

__Liv, o bebê já tem 3 anos.- Riram outra vez. O bip de Rui tocou.- Bem meus amigos, o dever me chama. Foi muito bom ver todos vocês. Digam aos seus pais que estou com saudade, talvez consiga vê-los antes de partirem. Falarei com Cristine. Ela vai gostar de ver as velhas amigas e claro, Jorge.- Riu.- Ainda bem que não sou ciumento.- Olhou Alex.- E você Vogelmamn, olho nela. -Apontou Clara.-

__Sim senhor.- Alex respondeu tímido, mas corajoso.

__Divirtam-se.- O anfitrião da casa saiu. E Clara virou-se nos braços de Alex:

__Sabia que eu precisava dessas autorizações? E que história é essa de relação permanente e conhecida?

__São as leis do país.- Ele disse tímido. Ben veio em seu auxilio.

__Segundo as leis vigentes, você é uma turista que veio ficar com o namorado durante as férias. Vocês tem uma relação antiga e conhecida e aprovada pelos seus pais. Alex, agora é maior de idade, mas o relacionamento de vocês começou antes. Então ele não comete nenhum delito estando com uma menor que tem idade acima de 16 anos. Seus pais estão de acordo. E eu como representante legal deles tenho as autorizações assinadas. E Alex tem as cópias com ele, e tem também cidadania, então isto lhe dá outro direito, mostrar todo o país para você. Em outras palavras, desde que esteja com ele, você pode ir a qualquer lugar. Só não pode ingerir bebidas alcoólicas, nem drogas e afins. E como disse Rui, ele também não.

__Deixa ver se entendi?- Olhou Yuri.- No seu país, eu posso ir para todos os lugares a qualquer hora, desde que não me embriague e nem faça nenhuma dessas coisas erradas. Mesmo tendo 17 anos.

__Sim.- Disse Yuri.- Porque tem uma relação permanente e conhecida com um cidadão alemão maior de idade, que se responsabilizará por você.

__Que coisa mais machista.- Disse Vincenzo.- Ainda bem que sou brasileiro.- Riu.

__Eu amei!- Disse Clara sorrindo.

__Mesmo? – Disse Diana.- Sim foi uma saída interessante para você poder passear com a gente, mas de certa forma, Vincenzo tem razão, é mesmo meio machista. Desculpe, Yuri. Mas realmente para mim, é difícil aceitar um conceito desses.

__Eu entendo senhora. Mas são leis antigas. Não há muito o que fazer.

__Eu ainda estou achando ótimo. – Clara insistiu.- Sei que talvez o princípio seja errado, mas eu amei saber que eu posso ir a qualquer lugar e levando Alex comigo. Podia ser melhor?

__Ela tem razão.- Disse Giu.- Se Alex não estivesse aqui, nem os irmãos, nem mesmo seus pais ou uma autoridade, como Yuri, poderia resolver o caso.

__Desculpe.- Disse Yuri.- Foi um descuido meu. Eu não sabia que a menina fosse tão nova.

__Não se preocupe. Está tudo bem, não aconteceu nada.- Disse Ruivo.-  Alex já havia pesquisado isso para nós quando planejamos essa viagem. Ele encontrou essas leis e as brechas para que Ben pudesse tirar todas as autorizações necessárias. Todo mundo sabe que Clara gosta de sair, em algum momento ele teria que leva-la a algum lugar. E mesmo que não saíssem tão tarde, poderia acabar ficando. Então Ben providenciou todos os documentos e cópias para ele e para nós.

__Foi trabalhoso.- Disse Ben.- Mas Clara sempre me dá trabalho mesmo.- riram.

__Ei!- Ela disse, rindo. Olhou Alex.- E você, também acha que dou muito trabalho?

__Sempre!- Tomou o rosto dela entre as mãos e disse.- Amo trabalho. Por favor nunca pare.

__Ah! Que fofo!- Disse Leninha.- Diana, porque só fez um desses?- Depois de ter dito, Leninha se arrependeu. Viu os olhos de Diana perderem um pouco o brilho e o rosto de Alex perder a cor. Mas não podia nem se desculpar, ficaria ainda pior.

__Já é a segunda vez nesta viagem.- Disse o Ruivo.- Que você Leninha pedi um irmãozinho para Alex. Sabe que quando esse garoto nascer, Alex estará muito ocupado para brincar com ele. Vou ligar para você, hein?- O ruivo era ótimo.

__Promete, Diretor? Eu amo crianças.

__Eu também.- Disse Ritinha.- Ligue para mim primeiro, eu sou mais sozinha que Leninha. Ela tem família. E posso cuidar dele a noite para vocês saírem. Ela não pode, trabalha a noite.

__AH! Vai apelar agora?  Viu Clara, olha só a docinho, toda tímida pondo as garrinhas de fora. Querendo Alex II só para ela!- Todos riram

__Bem, chega de prosa. Eu vim para dançar.- Disse Jorge.- Vamos, minha flor?- Alice se levantou e acompanhou o marido para a pista.

__Nós também?- Perguntou Liv sorrindo.

__Certo, carinho.-Disse Ben.- Por favor não me humilhe muito.- Riu.

__Dançaria comigo?-  Perguntou Gigio para Ritinha.  Sorriu para ela. Ritinha estendeu a mão e lá se foram. Leninha pegou Yuri e correu para a pista rindo. Alex abaixou a boca na orelha de Clara e disse:

__Quer dançar com Giu primeiro? Eu fico na beirada da pista, para o caso do Rui invocar.- Clara olhou seu belo e compassivo namorado. Beijou a boca dele de levinho.

__Você é um amor.- Sorriu. Olhou Giu e disse:

__Primo, gostaria de dançar comigo?- Giu a olhou um pouco surpreso, mas logo entendeu o que estava acontecendo.

__Oh! Cara mia. Seria uma honra. Mas acho que sua primeira dança hoje, devia ser com o homem que te deu a possibilidade de estar aqui. – Beijou o rosto dela.- Estarei na beira da pista esperando minha vez de dançar contigo.- Sorriu.-  Agora vá dançar com seu amor.- Olhou Alex.- Grazie, fratello. Vá!- Eles foram abraçados e deixaram um primo muito comovido para trás. Ficaram também pais muito orgulhosos de um filho generoso, e um rival se mordendo de raiva de Alex. Depois da terceira bebida, Vincenzo ainda não tinha se acalmado. Tudo tinha dado muito errado. O garoto tímido, parecia um galã de cinema. Ele era maior de idade, cidadão alemão e tinha autorizações para andar com Clara, que Vincenzo havia esquecido, ainda era menor e não poderia estar numa casa de show a noite. Droga!Droga!Droga! Agora Clara já tinha dançando com Alex e com todos os seus parentes, inclusive com Yuri, estava de novo nos braços do nerd espertalhão. Tinha que fazer alguma coisa logo, ou suas chances com ela estariam acabadas. A música trocou, O tal Rui estava com os ruivos no bar conversando. Clara levou Alex para dançar com a mãe. Giu dançava com Alice e Jorge com Liv, Gigio dançava com Leninha e Yuri com Ritinha. Clara caminhava para os irmãos. Era agora.

__Então. Eu também vou ganhar uma dança com a garota mais linda da noite?- Clara sorriu.-

__Vincenzo. Acho que você está bebendo muito. Não vai poder dirigir na volta.

__Dance comigo. Assim gasto um pouco deste combustível.- Eles riram.

__Ok. Mas nada de ficar enchendo a cara depois. Não gosto de bêbados.- Assim que começaram a dançar, a música dançante mudou para uma lenta. Vincenzo sorriu satisfeito.

__O que foi?- Disse Clara.- Está armando alguma  traquinagem?

__Eu não sou um garoto feito seu namoradinho para fazer traquinagens, Clara.

__Ei! Não seja grosseiro. Só perguntei porque você está um pouco estranho. Está tudo bem? Tem alguma coisa chateando você?

__Você está brincando, não é? Você sabe o que está me chateando. – Clara olhou nos olhos de Vincenzo.- Clara eu preciso falar com você. E tem que ser agora. Por favor, venha comigo ao camarote, só por uns segundos, eu preciso falar a sós com você.- Ela pareceu indecisa.- Não vai demorar, eu juro.- Clara teve a sensação de estar fazendo uma burrada, mas teve pena dele. Alex iria entender.

__Ok. Só uns minutos.- Caminharam para o reservado. Assim que entraram, ele disse:

__Vou deixar a porta aberta. Ok?- Clara concordou, pensou que fosse por uma questão de honestidade dele, achou até bonito o gesto. Sentou-se no banquinho alto de alumínio do bar interno do camarote.

__Muito bem, Vincenzo. Sou toda ouvidos. O que deseja?- Vincenzo passou a mão pelo cabelo, olhou fixamente para ela, caminhou como um caçador, tomou a mão direita de Clara, puxou-a devagar. Quando ela estava de pé, ele fechou os olhos. Clara ficou com muita dó. Devia estar sendo difícil para ele. Tocou o rosto dele.

__Ei. Não fique assim. Essas coisas acontecem. Não…- Ela não pode terminar. Vincenzo a beijou. Agarrou o corpo de Clara com força. A pegou totalmente desprevenida. Nos primeiros segundos ela nem podia acreditar que ele tinha feito mesmo isso. Quando ela  conseguiu afastar-se dele, pronta para escorraça-lo, viu Alex na porta pálido com os olhos rasos d’água. Suas pernas perderam as forças, Alex não podia acreditar que ela tinha feito aquilo. Ele sabia que ela o amava. Deu dois passos trôpegos se desvincilhando de Vincenzo, na direção de Alex. Parou quando viu as lágrimas dele escorrerem pelo rosto. Alex nunca se deixava vencer pela dor. Ela nunca o vira chorar realmente.  Mas agora suas lágrimas desciam em cascata grossas pelo rosto dele. Alex fechou os olhos com força e foi virando devagar para fora.

__Não!- Clara gritou.- Por favor, sabe que não fiz isso. Que jamais faria isso com ninguém, e muito menos com você. Não vá…_ A voz foi sumindo entre as lágrimas. Ele voltou-se para ela. O olhar de dor, misturado com uma resignação assustaram Clara. Ele saiu. Só então Clara viu Ritinha e Leninha também na porta. Os olhos de Leninha cheios de lágrimas e Ritinha com as duas mãos na boca e um olhar assustado. Os Gêmeos chegaram juntos na porta.

__O que está acon…- Assim que olharam para a cena, as moças pasmas na porta, Alex correndo pelo corredor, Vincenzo com cara de vencedor, e Clara tremendo e chorando, tudo ficou muito evidente.- Seu desgraçado! _ Disse o Ruivo já partindo para cima dele.

__Ruivo!- Disse Clara num fio de voz.- Vá atrás dele. Por favor, Alex precisa de você. – Chorou.- Por favor, cuide dele.- O Ruivo olhou Vincenzo com um ódio mortal._ Deixe esse aí, comigo.- Ruivo olhou, depois para Ben e correu na direção que Alex tinha tomado. Ben chegou perto dela, ela se jogou nos braços dele.- E se ele não me perdoar? E se não me quiser mais, Ben?

__Xiii. Não seja boba, ele te ama. Está ferido, mas isso não muda o que sente por você, Bonitinha.- Clara soluçava nos braços do irmão.- Vamos, vá atrás dele.- Ela ergueu os olhos molhados e disse:

__Sim.- Puxou o fôlego.- Mas primeiro tenho que resolver uma coisinha.- Virou-se para Vincenzo. O que ele viu nos olhos dela foi muito forte. Vincenzo não conhecia um sentimento de fúria tão grande assim.- Nunca mais me dirija a palavra. Nunca mais chegue perto de mim. Nunca mais. Não quero vê-lo nunca mais na minha vida. Pensei que fosse um homem honrado, por isso lhe ofereci a minha amizade sincera. Mas eu me enganei. Você é egoísta, egocêntrico, manipulador e desonesto. Tenho vergonha de ter posto você na vida da minha família. Espero que seu primo não se importe de ter sua companhia pelo restante do mês, porque junto com minha família, você não fica mais.- Virou-se para sair.

__Onde pensa que vai?- Disse Ele.- Também tenho direito de falar.

__Direito!- Gritou.- Seu cachorro, você planejou tudo isso. Feriu Alex, que nunca te fez nada, apenas por um capricho. Porque queria vence-lo. Humilha-lo. Ele foi generoso com você, respeitoso com você, amigável com você, mesmo sabendo de suas intenções comigo. Ele nunca te julgou por isso. Eu fui uma idiota. Ele sabia que você tentaria alguma coisa assim, mas eu achei que você não fosse capaz de desrespeitar os meus sentimentos. Fui burra, achei que fosse …

__Homem! Eu sou um homem. Luto com as armas que tenho.

__Homem? Você? Seu idiota. Você é um ser insensível. Homem é esse que você acaba de quebrar o coração, mas mesmo assim, mesmo sangrando, ele me deixou escolher. Não entende? Foi isso que Alex fez. Ele podia vir aqui e quebrar sua cara, meus irmãos estão loucos para fazer isso. Ele podia te dizer que eu pertenço a ele, que sempre pertencerei, mas ele não fez isso.  Ele nunca faria isso. Porque para ele o mais importante é a minha felicidade. Este é o homem que eu amo. E você, seu desgraçado, reze para ele aceitar minhas desculpas e voltar para mim. Porque se eu perder Alex por sua causa, vou odiá-lo para sempre. Desejarei que sofra todo tipo de dor enquanto eu viver.- Saiu feito um furacão vermelho. O primeiro impulso de Vincenzo foi ir atrás, estava furioso. Como Clara podia dizer esses desaforos e simplesmente sair. Ben tomou-lhe a frente:

__Não vá. Olhe, não gostei do que fez. Foi desonesto. Mas já estive apaixonado por uma garota que não me amava. Sei que doe. Entendo seu desespero. Você agiu errado, usou mal a amizade de Clara e feriu os sentimentos de Alex, mas não é um cara ruim. Se realmente está apaixonado, não deveria ver o que vai acontecer quando Clara encontrar Alex.

__Escute aqui, Ben, você é grande, mas não é dois, não pode me segurar.

__Agora é dois.- Disse Jorge entrando com cara de poucos amigos.

__Na verdade três.- Disse Giu, e Gigio completou.

__Quatro.

__Vocês não podem me impedir….- Dizia quando o Ruivo o interrompeu.

__Ah! Ainda está aqui desgraçado.- Foi até  Vincenzo e pegou-o pelo braço.- Vem comigo.

__Ruivo.- disse Ben.- Não é preciso. Ele vai sair das vidas deles.

__Este cachorro feriu meu filho, ele não vai sair de fininho de jeito nenhum. Prometi a Alex que não vou quebrar a cara dele, mas ele também vai sangrar.- Puxou Vincenzo.- Ande idiota, não me faça quebrar a promessa que fiz a meu filho. Estou louco para ter um motivo para fazer isso.

__Ei, me solta.-Tentou se soltar, mas o Ruivo era muito forte e estava furioso.

__Não vou soltar. Você vem comigo quietinho. E não parto sua cara. Quando chegarmos lá, não vai dar um pio. Ou quebro seus dentes perfeito e digo que você me atacou primeiro. Eu tenho várias testemunhas.- Saiu puxando o cabeludo, todos foram atrás, logo chegaram a um jardim num terraço cheio de luzinhas. Alex estava sentado num banco de jardim abraçado as pernas. Estava sem o paletó que jazia no encosto do banco. O rosto escondido entre braços e pernas, encoberto pela escuridão. Clara estava ajoelhada na frente dele e dizia:

__Desculpe-me? Devia ter ouvido você. Eu fui muito idiota mesmo. Por favor, Alex? – Ele baixou as pernas devagar, ainda soluçava, não olhou direto para ela quando disse:

__Talvez ele tenha razão.

__Como?- Pavor tomou o coração de Clara.

__Ele estava apenas nos mostrando que você combina muito mais com ele. Vocês gostam das mesmas coisas, são da mesma profissão, os dois nasceram do amor.- As lágrimas desceram com força outra vez.- Jamais poderemos mudar isso Clara, você merece alguém como ele, alguém que veio do amor.

__Não! – Clara mal conseguia respirar.- Por Deus, não faz isso. É verdade, somos diferentes, mas é por isso que te amo tanto. Como pode dizer que não nasceu do amor? Tudo o que Diana enfrentou para ter você é prova do amor com que você cresceu dentro dela. A pessoa gentil e carinhosa que você se transformou, mostra o amor com que foi criado. Como pode imaginar que não mereça esse amor agora?

__Você merece mais. Merece algo que eu não posso..

__Pode sim! Você já me dá. Alex, olhe para mim amor, por favor.- Ele olhou para ela, a dor visível em seu olhos verde água.- Eu amo você. Se me deixar agora, por causa do canalha do Vincenzo, vai me transformar na pessoa mais infeliz e vingativa do mundo. Eu vou desejar o sofrimento e a morte dele por todos os meus dias, não poderei evitar. Eu já o odeio por ele ter me usado para ferir você assim.  Alex quando vi você na porta, minha dor foi tão grande que até esqueci que queria arrancar os olhos dele.- Alex sorriu.- Ei! – Ela chorou. – Por favor, diz que esse sorriso é um fio de esperança? Por favor, amor, estou sufocando. Estou apavorada. Diz que não vai me deixar. Por favor? Sabe que não posso viver sem você. Não me condene a esse sofrimento constante. Olhe, eu fico aqui com você. Falo com papai, posso convence-lo. Aqui tem cursos muito bons de gastronomia. Ano que vem vou para a faculdade com você, onde você for fazer. Vai ser melhor mesmo, eu não estava mais aguentado essa distância horrorosa.

__Não pode fazer isso. Tem que terminar seu curso.

__Tenho que ficar com você.- Chorou.- Deixa eu ficar com você?- A voz falhando cada vez mais.- Por favor? Sabe que não vou suportar te perder. Vou enlouquecer.

__Ruivo disse que você é a mais forte dos falcões. Você reuni todas as qualidades dos seus ancestrais. Eu não mereço você.

__Pare de dizer essas coisas.- Soluçou.- Eu quero você. Só você.  Desde a primeira vez que te vi na biblioteca. Agradeço a Deus todo dia, por ele ter permitido que Diana conseguisse colocar você no mundo. Se não, eu nunca teria você, nunca encontraria meu par.  Se é verdade que tenho todas as qualidades dos falcões, você sabe que serei fiel ao nosso amor mesmo que você não me queira mais. Também é verdade que todos os meus ancestrais, morreram depois de perderem seus parceiros. Nenhum falcão resistiu a esse tipo de dor.

__Não diz isso nem brincando!- Ele a repreendeu sério.

__É verdade. Você sabe disso. E a julgar pela angústia que estou sentindo agora…

__Pare Clara!- Ela o olhou com o rosto lavado de lágrimas. Girou o anel no polegar direito.

__Onde está seu celular? – Ela levantou do chão e pegou o aparelho no bolso do paletó. Ligou e estendeu para ele. Alex olhou a tela e rapidamente voltou para os olhos dela.- Deixe ele bater direito de novo? Diz que não vai me deixar, por favor?- Ele olhou dentro dos olhos dela. Viu o mesmo desespero nos batimentos registrados no celular. O pulso estava fraco, muito fraco, falhando uma e outra batida. Alex a puxou para seu colo. Clara se aconchegou no corpo dele chorando.

__Deus! Está gelada.- Colocou o paletó sobre ela e a abraçou, para esquenta-la. Ela tremia.- Está melhor?- Alex estava preocupado. Ela ainda chorava.- Diz amor, está melhor? Está me assustando. – Ela só chorava.- Olhe, está tudo bem.  Pode ficar se quiser. Mas acho que seus pais não vão achar uma boa ideia. Eu também não acho, é melhor terminar seu curso. Falta tão pouco. Já aguentamos até agora. E Vincenzo não vai mais tentar nenhuma gracinha. Viu que não deu em nada. E se bem conheço seus irmãos, vamos voltar a velha história da escala- Riu. E Clara só chorava e tremia violentamente nos braços dele.- Clara, pelo amor de Deus, me diz se você está bem? Está sentindo alguma dor, alguma coisa estranha, amor? Fala para mim, meu amor?- Ela olhou nos olhos dele, o amor em forma de preocupação vazando pelos olhos verdes.- Fala comigo, amor.- Ela disse num fio de voz.

__Eu te amo. – Alex sorriu.

__Eu também te amo.

__Por favor, promete não deixar meu coração doer assim de novo? Promete que não vai me deixar nunca? Não vou suportar, você viu, meu coração vai parar.

__ Nunca deixarei você. Escolhi ser um falcão no momento que sorriu para mim com aquele livro na mão. Também não poderia suportar perder você. Só de ver você com ele… Deus!

__Sabe que não fiz aquilo, ele me pegou desprevenida. Disse que precisava falar comigo, eu fiquei com pena. Lembrei do Jorge e do Ben, tão apaixonados e sofrendo. Eu achei que ele era leal como eles. Nunca pensei que fosse capaz de não respeitar meus sentimentos, o meu amor por você. Desculpe? Sempre tive a companhia de homens sinceros, sei que nem todos são assim, mas eu achei que ele merecia minha confiança. Desculpe, fiz você sofrer?- Baixou os olhos.- Vai demorar  muito a querer me beijar de novo?

__O quê?- Perguntou Alex um tanto confuso?

__Bem, é que eu estou com nojo de mim, imagino que ….- Ele a beijou. Com a mesma força, o mesmo carinho, o mesmo desejo velado, o mesmo amor de sempre. Um beijo longo apaixonado.

__Então.- Era Rui que entrou pelo outro lado do jardim.- Já sei que ela é sua namorada e que está responsável por ela. Mas não quero ninguém engravidando nenhuma adolescente  no meu estabelecimento, certo?

__Rui! Era só um beijo.

__É assim que tudo começa, boneca.- Alex riu.

__Não se preocupe Senhor. Todos os filhos que teremos, só nascerão depois que nos casarmos. Ou seja, só depois da faculdade. Já  combinamos. Não é mesmo, amor?

__Claro.

__Sei. Bem vou dar mais 15 minutos para vocês. Depois entrem, está muito frio aqui.- Ele voltou por onde veio. Alex beijou Clara novamente em seguida começou a levantar.

__Não. Não quero sair daqui.- Disse ela se agarrando-a ele.-Por favor?

__Amor, está frio. – Acariciou o rosto dela.- Sou responsável por você, lembra?- Sorriu. Ela o olhou com os olhos negros cheios de lágrimas, mordeu o lábio inferior. Alex conhecia essa expressão, ela estava com medo. Encostou a testa na dela.- Eu te amo, Clara. Acho mesmo que você merecia alguém melhor que eu. Mas eu sou seu, e continuarei sempre seu. Não me afastarei de você enquanto você me quiser. Só te peço que me diga se não me quiser mais. Não tenho forças para ver você com outro de novo. Preciso partir antes disso.- Ela tentou responder.- Sei! Sei que vai me dizer que isto não vai acontecer. Mas sempre fomos sinceros com todos os nossos sentimentos. Eu lhe disse que ele estava armando alguma. Lhe disse que ele estava apaixonado no primeiro dia que o vi olhar para você. Mostrei para você toda a minha insegurança, meu medo de te perder, até meu ciúme. Sabe que me abro assim, apenas com minha mãe, meu pai e com você. Não é fácil para mim, abrir meu coração para ninguém. Mas com você sempre foi diferente. Porque ele te pertence. Não tem com o que se preocupar, não precisa ter medo de me perder. Acabei de ver você nos braços de outro, meu coração parou de bater literalmente, nunca senti uma dor tão grande. E bastou um olhar seu para eu me entregar totalmente outra vez, disposto a tudo pela sua felicidade, mesmo deixar você com ele. Já tentei racionalizar todas as minhas reaçoes com você, tentar entender como você consegue com um toque incendiar meu corpo inteiro, como com um sorriso me paralisar, com seu perfume me acalmar. Como estando do outro lado do oceano, basta seu coração acelarar um pouco, para eu ficar desesperado  que algo possa estar machucando você. Clara, eu ainda tenho pesadelos com aquele maluco com a faca no seu pescoço, amor. Acordo apavorado em busca do celular para ter certeza que você está dormindo na sua casa direitinho. Acha mesmo que pode me perder?- Clara passou os braços no pescoço dele.

__Teria me deixado com ele, mesmo?

__Qualquer coisa pela sua felicidade.

__Alex. Eu não quero mais dançar. Eu quero ir para casa. Você pode me levar? Por favor, amor?- Encostou a cabeça no peito dele. Alex a ajeitou em seus braços e se levantou, caminhou poderoso com sua bela no colo. Quando chegou perto da entrada do corredor, viu seus parentes e amigos emocionados, eles haviam assistido a tudo com certeza. E com cara de fúria, sendo segurado pelo Ruivo, estava o patife. Alex olhou Ben e disse;

__Poderia me emprestar o carro que veio? Vou levar Clara para o Castelo. – Antes que Ben respondesse, Giu disse:

__Pegue o meu, não é tão bonito quanto os de Yuri, mas é mais espaçoso para coloca-la. Eu volto com Gigio. Os documentos estão no porta luvas. As chaves estão aqui.- Colocou no bolso de Alex.- A menina está bem, Lehrer?

__Vai ficar. Obrigado.- Deu dois passos quando…

__Ei! Eu quero..- Ruivo chacoalhou Vincenzo impedindo-o de falar.- Me larga, cara! Quero falar com Clara.- Alex virou-se para ele com um fogo nos olhos que Vincenzo nunca tinha visto nele. Falou devagar e baixo, amedrontador:

__Só vai falar com ela de novo, se e quando ela quiser. Até que isso aconteça, não se atreva a chegar perto dela.

__E se tentar? Vai me impedir, garoto? Não me impediu de beija-la?- Depois de dizer Vincenzo percebeu a burrada que tinha feito. Clara se apertou mais contra o corpo de Alex e ele se transformou num guerreiro protetor.

__Deixe eu te contar algo sobre mim que você não sabe, meu avô era um traficante, um lutador muito violento que morreu na prisão, meu pai biológico, é um bandido perigoso, um hábil atirador de facas. Nunca precisei usar essas habilidades, mas infelizmente, eu as herdei. Todas elas. Inclusive a dificuldade em parar brigar. Por isso, eu sempre evito começar. Mas se tocar Clara outra vez, sem a permissão dela, eu mato você. E não estou usando uma figura de linguagem.- Vincenzo, viu o perigo, mas não conseguiu evitar retrucar.

__Está me ameaçando, garoto.

__Sou muito tímido para ameaças. Estou informando.

__Cale a boca, seu idiota!- Disse Leninha.- Alex, leve Clara, ela precisa se acalmar.

__Quer que vá com vocês, Alex?- Disse Ritinha.- Posso ajudar  com ela. Para Dona Nina e Sr. Roberto não perceberem nada. Não quero nem pensar se ele souber de uma coisa assim.- Ritinha tinha razão, Beto ia arrancar o couro de Vincenzo.

__Me tira daqui, amor. – Disse Clara baixinho.- E pela primeira vez, Vincenzo sentiu uma pontada de remorso.

__Calma, amor. Esta tudo bem.- Disse carinhoso, tranquilo, nem parecia o mesmo de segundos atrás.

__Alex.- Disse Liv.- Leve Clara pelo caminho mais longo. Demore uma meia hora mais ou menos, a mais para chegar ao Castelo. Não se preocupe, tudo já estará arrumado.- Beijou a cabeça de Clara.- Fique tranquila, docinho. Seu valente cavalheiro vai cuidar de você.- Olhou nos olhos de Alex, e um conhecimento foi transmitido sem palavras.- Vá.- Alex olhou sua mãe trêmula, abraçada a Alice.

__Mamãe.- Ela fez um gesto que só ele entendeu.

__Vai, meu filho. Liv tem razão.- Disse Ela.- Clara precisa chegar em casa calma e alegre como sempre. Se isso não acontecer e Seo Beto descobrir o que esse…. Moço fez, ele vai fazer um escândalo.

__Ele vai caçar Vincenzo. – Disse Alice.- Depois da agressão que sofri do meu ex-marido, Beto nunca mais foi o mesmo neste assunto. Ele não vai conseguir se controlar.

__Foi só um Beijo.- Disse Vincenzo.- Ruivo Suspirou.

__Jorge, por favor, tire esse palhaço daqui?  Faça isso porque se eu leva-lo, vou acabar quebrando a cara dele no caminho.

__Ok.- Disse Alex.- Meia hora a mais.- Caminhou firme para o estacionamento. Jorge se aproximou de Vincenzo.

__Então moço, vira caminhando com um homem, ou devo carrega-lo como um marginal.

__Para onde?- Perguntou desconfiado.

__Para fazer suas malas.- Disse Yuri.- Não ouviu a menina? Não é mais bem vindo no Castelo. Tem meia hora para juntar suas coisas. Quando Lehrer voltar, você já estará fora da minha casa.

__Estão me escorraçando como se eu fosse um marginal. Mas eu só roubei um beijo de uma garota linda.

__Pode ser. Mas essa menina não queria isso. Você a forçou. Isso é crime, sabia?- Perguntou Gigio.- Em seu país e no meu.

__Vai me dizer que nunca roubou um beijo de uma garota? Não seja ridículo! Eu não a violentei. Foi só um beijo, droga.

__Engano seu, Vincenzo.- Disse Diana.- Para Clara, foi diferente. Ela confiou em você, lhe ofereceu sua amizade, mesmo sabendo que você tinha outros interesses, ela não desprezou você. Tratou você e seus sentimentos com dignidade. Ela não acreditava que tratar você com carinho pudesse colocar em risco a relação dela com Alex. Alex sabia que você queria Clara, sabia que você lutaria por ela, sabia que seria capaz de feri-lo para conseguir te-la. Disse isso a ela. Ele estava com medo de não conseguir se controlar. Como disse ainda a pouco, sua origem brutal deixou marcas muito profundas. Nem sempre é fácil controla-las. Mesmo assim, Clara achou que valia a pena manter a amizade de vocês. É uma menina de ouro. Tem um coração puro. Você a usou para atingir Alex. Para se mostrar melhor. Mais valioso que ele.  Como pode ouvi-lo, ele a ama, e sofreria muito ao perde-la, mas se fosse essa a vontade dela, ele faria. E Clara sabe disso. Sabe que tudo o que você fez, foi para machuca-lo, para tira-lo dela. Para que ele resolvesse se afastar. Você não levou em consideração a vontade dela. Desconsiderou o imenso amor que ela sente por Alex. Não pensou no desespero dela ao perde-lo. Ela está se sentindo violentada. Como já sabe, eu conheço muito bem essa sensação.- Olhou Vincenzo com dor.

__Dona Diana, eu….

__Não tem que se desculpar comigo. Você feriu meu filho onde doía mais, atacou seu ponto mais sensível, mas ao contrário do que pensa, ele é muito forte e aprendeu a se recuperar rápido. Clara vai passar uma noite triste, se sentindo usada, com medo que Alex desista dela, mas amanhã já estará melhor. Ela também foi atingida no seu ponto fraco, mas também é muito forte e corajosa. Já você rapaz, tem um problema. Nem vou mencionar as amizades verdadeiras que perdeu com esse seu joguinho. Vou falar apenas do meu filho. Eu nunca vi Alex falar assim com ninguém. Você tinha um rival, agora tem um inimigo. E não por ele. Você viu a reação dele diante do medo de Clara. Se cortar o caminho dela outra vez, terá que enfrenta-lo. E nem eu, nem mesmo Clara, conseguirá para-lo.- Vincenzo a olhou com um princípio de compreensão.

__É melhor irmos.- Disse Alice.-  Vocês ficam um pouco mais, para chegarem mais ou menos junto com Alex.

__Acham uma boa ideia enganar Papai?- Disse Ruivo.

__Está brincando?- Perguntou Ben.- Eu estou de férias, não quero tirar o meu pai de uma cadeia alemã.

__Vamos ter que contar para mamãe e papai.- Disse Liv.- Precisaremos deles para controlar tio Beto. E não vamos conseguir engana-los mesmo. Jorge, acho que já saíram. – Olhou Vincenzo.- Acho que já podem ir.

__Esperem. – Disse Giu. Olhou pela sacada e viu o seu BMW cinza saindo da garagem.- Sim, já se foram.- Jorge Alice e Vincenzo, meio a contragosto, saíram.

De volta ao camarote, os que ficaram esperavam o tempo passar.

__Você já roubou um beijo de alguém?- Perguntou o Ruivo de súbito para Ben.

__O que?

__Notei que quando o sacripanta perguntou, você ficou bem quietinho.- Riu dizendo.- Por essa eu não esperava, o homem da lei cometendo delitos.

__Ei! Eu…- Olhou sua linda bailarina.- Foi só uma vez. E ela não tinha namorado.

__Então foi assim!- Riu ainda mais.- Você sempre foi durona mesmo, Liv.

__Foi diferente.- Disse Ela.- Estávamos apaixonados um pelo outro. Só não tínhamos coragem de nos arriscar.- Ben limpou a garganta.- Ok. Eu não tinha. Ben já tinha se declarado anos antes e eu ….Bem eu não entendia direito nossa relação. Depois eu me vi apaixonada, mas achei que ele não estava mais interessado. Em vez de tentar conversar com meu primo, que sempre tinha sido um bom amigo, que poderia me compreender e me ajudar eu me calei. A situação foi ficando insustentável. Um dia explodimos os dois. Cada um a sua maneira. Eu, disparei a falar e reclamar da falta de atenção e de carinho, tão comum entre os falcões e ele… Bem Ruivo já contou essa parte.

__Por isso quase defendeu o sem graça, né?- Disse o Ruivo.

__Eu não defendi Vincenzo. Só fiquei com pena. Não sei o grau de sentimentos dele por Clara. Concordo que foi egoísta e insensível. Ele não podia ter magoado Clara e Alex assim. Mas ver o desespero de Clara ajoelhada, implorando que Alex não a deixasse, deve ter sido um martírio. Ouvi-la dizer que estava com nojo de si mesma, por causa do beijo dele, vamos concordar que foi bem forte.

__Deve ter doído.- Disse Leninha.- Mas eu tentei avisa-lo.  Quando vi as ações dele, eu tentei…. Disse a ele que Clara era louca por Alex, que já os tinha visto juntos , e que eles se pertenciam….mas…

__Talvez, gostasse mesmo dela.- Disse Gigio.- Foi para o ou tudo ou nada.

__Eu acho que não.- Disse Giu.- Acho que ele se encantou com a menina linda, e quis ganha-la. Quando viu que ela preferia um garoto que estava longe, achou que pudesse convence-la. Achou que se ela pudesse vê-los juntos, escolheria ele. Como isso não aconteceu…

__Ele arriscou o coração do meu menino.- Disse Diana.

__O Lehrer ofereceu sua amizade, estava disposto a passar por cima dessa situação. Ele foi um tolo. Desprezar uma amizade é muita tolice. Disse Yuri.

__Fiquei com raiva dele.- Disse Ritinha. Todos a olharam surpresos.- Clara é tão boa, ela é tão amiga, sempre alegre e disposta a ajudar todo mundo. Ele fez parecer que ser assim é errado. Que não se deve confiar em um novo amigo. Fez parecer que ela foi boba por acreditar nas boas intenções dele. E não é verdade. Eu também já vi muita gente agir assim, usando os outros em todos os sentidos. Mas é tão bom quando encontramos amigos verdadeiros. Não quero acreditar que Clara estava errada. Ele é que estava. Jogou sujo.

__Isso mesmo, Bela.- Giu sorriu.- Você está certa. Nem todo novo amigo, é como esse Vincenzo.

__E nem todo Italiano também, certo Leninha?- Disse Gigio, todos riram.

 

 

__

 

 

Falcão por opção

Capítulo 10

Vincenzo acordou assustado com o alvoroço de crianças entrando aos berros em seu quarto. Levou alguns minutos para reconhecer onde estava e quem eram aquelas pestinhas do jardim da infância que detonaram seu sono sagrado. Quando enfim conseguiu se situar, reconheceu as cinco priminhas de Alex, Alana e Cisco os filhos de Jorge, Rody e um outro pequenino que deveria ser o priminho de Alex e as duas meninas de Ben. Todas as crianças em cima da cama de Alex, falando todas ao mesmo tempo com ele, enquanto ele sorria como se pudesse entender tudo o que diziam.

__Ok. Ok.- Disse.- Tudo bem, faremos tudo isso. Mas primeiro preciso que façam silêncio. _ Eles quietaram.- Muito bem. Agora preciso que peçam desculpas para Vincenzo, vocês o acordaram. Ele não tem crianças em casa, não está acostumado com toda essa confusão. Pode ficar chateado com a gente. – As crianças desceram da cama enfileiradas e se dirigiram para o lado de Vincenzo. Foi Rody que falou primeiro.

__Desculpe, senhor. É que estávamos com muita saudade de Alex. Ele é nosso primo mais velho. Sabe fazer uns brinquedos bem legais. Nossas mães não tem  deixado a gente ficar muito tempo com ele, por causa de Clara. Mas ela não levantou ainda, então nós viemos bem rápido. Não é gente?- Perguntou para a criançada. Todos responderam sorrindo.

__Sim.- Vincenzo viu naqueles olhinhos sorridentes, que estavam fazendo uma traquinagem. Não pode deixar de achar engraçado. Alex saiu da cama, se ajoelhou perto deles e disse;

__Não precisavam fugir para chegar aqui antes de Clara. Eu prometi brincar com vocês hoje, não foi? Alguma vez deixei de cumprir uma promessa?- Eles ficaram encabulados.

__Deixou, sim.- Disse o pequeno Marcelo.- Você disse que ia voltar logo. Já faz um tempão que você foi para a escola.-

__Ele tem razão!- Disse a pequena Mari. A ruivinha de Ben.- Faz um montão de tempo que você foi embora. Minha árvore de jabuticaba, que o tio Ruivo plantou para mim, até já deu frutas e você nem viu.- Alex sentou no chão e abraçou os dois resmungões.

__Oh! Não digam isso. Eu disse que não ia demorar muito. Disse também que assim que terminasse minhas aulas eu votaria para casa. As aulas ainda não acabaram, as de vocês também não. Nossas aulas vão terminar quase junto. Então voltarei. Na próxima vez que sua árvore der fruta, estarei lá. Vamos fazer uma cascata para ela como combinamos, certo?- Olhou seu priminho.- Não vai demorar tanto assim, olhe, as férias do meio do ano já chegaram. Quando chegar as férias do fim do ano, eu estarei de volta.

__E vai fazer um avião que voa sozinho para mim?- Alex beijou a cabeça do pequeno, sorrindo.

__Estou achando que todo esse drama, é só para conseguir um brinquedo novo.- Todas as crianças o abraçaram ao mesmo tempo. Todas dizendo que estavam com saudade. – Ei! Vão me amassar.- Riu.- Ok, faremos brinquedos novos para todos.- As crianças gritaram eufóricas.- Gente! Não façam tanto barulho. Vão acordar até o Conde.

__Não sei o Conde, mas eu já acordei.- Disse Clara na porta aberta, junto com Leninha e Ritinha rindo. As crianças pareceram descontentes.- Ei! O que foi? Não estão felizes em me ver?

__Não é isso.- Disse Alana em sinais.- Eles acham que Alex não vai ter tempo de ficar com a gente se você estiver por perto.

__Tempo de ficar com vocês, ou fazer aviões que voam sozinhos, para vocês?- Clara tinha ouvido. Também correu para porta de Alex quando ouviu o alvoroço das crianças. Sabia que elas estavam com saudade dele. As crianças riram com a pergunta dela. Lógico que queriam brinquedos, mas também gostavam do paciencioso primo mais velho.

__Para mim.- Disse Lú, a moreninha de Ben.- Não precisa fazer nada. Eu espero você voltar para casa.

__Eu também espero.- Disse Rody.- Se tivesse assistido sua aula ontem, eu mesmo faria um.

__Alex ia ensinar fazer os brinquedos ontem?- Disse Carol.- Porque não deixaram a gente ver?

__Papai disse que era em outra língua. Essa estranha que eles falam aqui.- Disse Eliana.-

__Alemão.- Disse Laila.- É muito esquisito, não entendo nada, mas mamãe disse que nosso avô veio daqui. Disse que ele falava essa língua quando estava bravo.

__Alex, você sabe falar essa língua?- Disse Glaucia.

__Eu estou aprendendo.- Respondeu.

__Você também fala assim quando fica bravo?- Perguntou Elis.

__Não boba.- Disse Cisco rindo.- Se fosse assim ele não ia falar desse jeito nunca.- Todas as crianças concordaram. E Vincenzo entendeu uma coisa simples que as crianças já sabiam. Alex nunca ficava bravo.

__Ok, meus lindos.- Disse Clara.- Venham comigo.

__Ah!- Disseram.- Porque?

__Alex precisa escovar os dentes, tomar banho, se vestir, tomar café. Depois ele vai brincar com vocês, isso se as mães de vocês deixarem. Se eu entendi direito, vocês fugiram delas também, né? – As crianças fizeram umas carinhas suspeitas.- Olha, eu, as meninas, Vincenzo e Alex, não vamos contar nada para elas. Mas vocês vão voltar direitinho para junto delas, perguntem se elas deixam vocês ficarem com Alex e eu, para montarmos alguns brinquedos juntos. Ok? Depois, eu e Alex pedimos para elas deixarem também. Tenho certeza que elas vão deixar. Mas se souberem que andaram aprontando….

__Mas não aprontamos?- Disse Rody.- Só corremos para ver Alex antes…- Freou antes de terminar.

__Porque acharam que não poderiam ficar com Alex junto comigo?- Ela perguntou.

__Porque você está com saudade, e Alex também, e mamãe disse para esperar uns dias para vocês ficarem um pouco juntos, sozinhos.- Disse Alana.

__Mas já esperamos muito.- Disse Gláucia.

__Queremos brincar com Alex.- Disse Cisco.

__Mas não queríamos que você ficasse triste, Tia Clara.- Disse Lú.

__Sei.- Olhou Alex que sorriu.- Olha, obrigada por não quererem ferir meus sentimentos. Mas eu não me importo em dividir Alex com vocês. Podem dizer isso as mães de vocês. Desde que não corram no corredor, não fujam das mães de vocês e me deixem aprender a fazer os brinquedos também. Combinado?- Todas responderam juntas.

__Sim!

__Por Deus, não gritem. Suas mães e seus pais estarão aqui em segundos se continuarem a gritar.- Disse Clara rindo.- Vão, voltem para eles e nos encontramos na mesa de café. Ok?- Quando as crianças iam responder, ela pôs o indicador na boca fazendo sinal de silêncio. Todas ficaram quietinhas e saíram devagar e educadas, parando apenas para beijar Alex, e depois Clara e Ritinha na porta. Assim que viraram o corredor.- Estou mesmo perdida, terei que disputar seu amor com todas as meninas dessa família.- Riu nos braços de Alex.

__Não. Alana é namorada de Rody.- E sorriu como um menino. Clara o beijou.

__Ok, meu amor. Vamos descer e esperar vocês lá na mesa. Ok? Não acho que consiga brincar com as crianças agora de manhã. Ouvi vovô falar de um Castelo num penhasco bem alto, não sei direito. Talvez consiga dar um pouco de atenção a eles de tarde. Tem material para mim também nesta sua aventura com os pequenos?- Ele afirmou com a cabeça.

__Sempre.- E acariciou o rosto dela com muito carinho.- Bom dia, amor. Já desço. Obrigado por me ajudar com as crianças. Será uma tarde perigosa.- Riram

__Alex? Também gostaria de ajudar com as crianças.- Disse Ritinha.- Se não tiver material para mim, tudo bem. Eu posso ajudar os menores. É que gostei muito da aula de ontem. Não sei alemão, mas os números são minha segunda língua. Se vocês não se importarem, eu gostaria de ver um pouco mais.

__Claro Ritinha. – Disse Clara.- Podemos dividir se for preciso. Assim temos mais mãos para controlar os pequenos terremotos.

__Se for assim também quero. – Disse Leninha.- E eu sou louca por crianças.

__Meninas, se importariam de fechar a porta quando saírem. – Vincenzo parecia mau humorado.- Não acordei direito. Vou precisar de uns 20 minutos para me recuperar do terremoto, como Clara disse bem.- Virou-se na cama cobrindo-se com o lençol. Depois que as meninas se foram, Alex entrou no banho, 15 minutos depois, enquanto calçava os tênis, viu Vincenzo sentar-se sonolento.

__Vou te contar. Quando ouvi todo aquele barulho, achei que o Castelo estava caindo. – Riu.- Então olhei sua cama e a vi forrada de perninhas e bracinhos gesticulando, e boquinhas frenéticas falando todas ao mesmo tempo.Você não se incomoda com isso, não é? Gosta mesmo de crianças? Consegue entender tudo o que dizem?

__Sim. Gosto muito de crianças.

__Sempre gostou? Quer dizer, eu também gosto de crianças. Mas as Medeiros são muito barulhentas. Achei divertido conviver com elas por toda a semana, mas quando elas estão com os adultos são  bem mais silenciosas. Amanhã vou para Hamburgo, ficarei 5 dias, volto só na quarta para 2 dias de folga, e aproveitar o Baile do Conde com vocês. Depois poderei encontra-los na outra quarta lá em Munique, para passearmos. Mas me responda, quantas dessas fofuras irão para seu alojamento?- Riu. Algo me diz que será expulso.- Alex olhou sério como de costume,  mas não parecia incomodado.

__Não precisa ir se não quiser. As crianças não são barulhentas, só felizes. Não acho que teria problemas no meu alojamento, mas elas não ficarão lá. Temos outras acomodações. Mas farei questão de leva-las para conhecer o lugar que moro aqui na Alemanha. E só a título de esclarecimento, seis dessas crianças não são Medeiros, são  Vogelmamn, filhos das minhas tias. Uma das crianças Medeiros é totalmente silenciosa, é muda. E duas delas, são sobrinhas de Clara. Já deve ter percebido como todos os Medeiros amam crianças. Se realmente estiver interessado nela, como não faz nenhuma questão de esconder, deveria cuidar melhor do que diz sobre crianças na frente de Clara e dos outros Medeiros.- Alex se levantou e caminhou calmo, exatamente como tinha acabado de falar cada uma das palavras que disse para Vincenzo. Deixando o Italiano sem palavras e nem ação. Antes de sair Alex completou;- Respondendo sua pergunta, sim, eu entendo tudo o que dizem. Sempre gostei de crianças. Elas trazem alegria a minha vida. Algo que demorei a conhecer, por isso prezo muito. Não me incomodo com o barulho, nem em brincar com elas. São sinceras, espontâneas e amorosas. Principalmente, essas que invadiram a minha cama hoje. Bom dia, Vincenzo. Não demore muito, ou vai perder o passeio no Castelo do penhasco.- Saiu. Vincenzo ficou sentado imóvel tentando entender o que tinha acontecido.  Aquilo tinha sido uma briga? Alex o repreendeu por se chatear com as crianças?  Ele lhe deu uma dica sobre como conquistar Clara? Como um cara normal podia sair assim tão rápido do banho? E ainda deixar tudo arrumado? Ainda não era nem 9:00 da manhã e sua cabeça já estava explodindo. Entrou no Chuveiro.

Depois do café, foram visitar o Castelo de Liechtenstein. As crianças se divertiram correndo por todo lado com seus pais cuidadosos em seu encalço. Clara sorria todo tempo nos braços de seu príncipe gentil. Leninha e Ritinha ficavam mais maravilhadas em cada curva. E neste passeio, Yuri, Giócomo e Giuseppe também foram. Giuseppe, o Gigio com uma câmera a tira colo, como Clara. Yuri, todo prestativo com Leninha. E  Giu, sempre perto de Ritinha e Lia, que ouviam atentamente as explicações de Rick para tudo que viam. Foi um passeio inesquecível. O almoço foi no restaurante conveniado ao Castelo. Show de bola. Lógico que Clara quis visitar a cozinha. Leninha, Ritinha e Seu príncipe também foram. Mas Vincenzo por alguma razão não quis ir. Quando caiu a tarde, Alex juntou todas as crianças em uma sala preparada com várias mesas. Em todas, componentes para a construção de protótipos. Alex dividiu grupos por idade. As duas menores, as gêmeas de Ben, numa mesa com Ritinha. Os próximos dois, Marcelo e Cisco  com Clara, Elis e Carol, com Leninha. Laila e  Gláucia, ficaram com Gigio, que implorou para assistir a aula, assim como Yuri que ficou com Alana e Eliana, e Giu, que ficou inicialmente apenas com Rody, mas depois ganhou outro pupilo, Vincenzo, que resolveu acatar o conselho de Alex e ser mais amistoso com as crianças.

Alex explicou como usar as peças e como montar cada detalhe do pequeno aviãozinho. Depois passou de mesa em mesa para ajudar cada criança e orientar os monitores. Muito paciente com todos, e os pequenos muito atentos e contentes, terminaram seus brinquedos entusiasmadíssimos.  E os monitores também, até Vincenzo. Agora chegara a hora de ver se funcionava. Foram para o jardim sul. A alegria de Jorge e Cisco, com seus aviões voando era contagiante. Os das priminhas de Alex também voaram logo. O de Leninha engasgou, mas voou um pouco, ela amou. Os dos rapazes também ficaram bons, o de Ritinha ficou quase profissional. O de Marcelo, caiu a hélice, e Alex precisou dar uns retoques, mas também voou. Mas o de Mari, não queria voar de jeito nenhum.

__Ah! Eu fiz errado! Não quer voar.- Ficou triste.- Eu nunca consigo fazer nada direito.

__Isso não é verdade.- Disse Alex.- Você consegue fazer muita coisa direito. Dança muito bem, igual sua mãe, e é muito esperta, cuida direitinho de sua árvore, não é mesmo? As máquinas são invocadas mesmo, precisa de paciência para faze-las funcionar. Deixa eu ver.- Pegou o pequeno avião, desmontou e montou com dois minutos.- Vamos tentar outra vez.- Deu o brinquedo para a ruivinha, que sorriu encantada quando ele funcionou. Ela passou os bracinhos no pescoço de Alex, beijou seu rosto e saiu correndo atrás do brinquedo. Em seguida, Lú testou o dela, funcionou e desligou, sentou-se perto de Alex;

__Alex.- Disse com a mãozinha escondendo a boquinha.- Pode fazer de conta que precisou consertar o meu também. É para Mari não ficar triste. – Alex sorriu, pegou o aviãozinho, desmontou e colocou de novo as peças no lugar.

__Veja se funciona agora, benzinho.- Mari que corria para  perto deles disse:

–O seu também não quis voar? Não se preocupe, Alex sabe consertar, o meu ficou ótimo, olhe.

__Amor. _Disse Clara. Pode consertar o meu também? Acho que montei alguma coisa errada.- Sorriu para ele. As meninas se espantaram.- O que foi? Não sei fazer tudo direito, também erro e preciso de ajuda, todo mundo é assim. Lembra o que o Vovô ensinou?– As meninas balançaram as cabecinhas juntas e disseram:

__Nossas diferenças nos completam.- Sorriram.-

__Tia Clara.- Perguntou Mari.- Será que não sabemos montar esses brinquedos, porque somos meninas?

__Claro que não, meu bem. Olhe, Ritinha e as outras meninas conseguiram, foi só falta de treino, da próxima vez conseguimos.- Ela não parecia convencida.

__Por favor, Lehrer. O meu não quer funcionar.- Disse Giu.- Poderia ver o que fiz de errado.- Alex pegou o avião e viu o mesmo defeito de Clara e Lú. E as meninas sorriram compassivas para o quase primo a cara de sua mãe.

__Mamãe disse que você e seu irmão, são quase primos da gente.- Disse Mari._ Mas ela não explicou como. Você sabe?

__Bem, é assim. A muito, muito, muito tempo era só uma família. Igual a sua, com muitos avôs e tios e primos, mas um desses primos foi morar muito longe.

__Igual Alex.- Os olhinhos de Lú se arregalaram.

__Quase assim. Mas diferente de Alex, esse primo não voltou mais para perto da família.

__Porque?- Perguntou Mari preocupada.

__Ele não se dava bem com seus parentes. Era muito rabugento.- As meninas riram.

__Ainda bem que Alex não é rabugento. E gosta de nós, né Alex.- Disse Lú.

__É, e tem Tia Clara.- Mari disse como isso fosse o selo na passagem de volta para casa de Alex. Clara achou muito fofo.

__ Então. Com o tempo, aquele primo teve filhas e elas cresceram e se casaram e tiveram outras filhas, e elas também cresceram e também casaram, e então tiveram vocês, essas coisinhas lindas. Parece que assim, não somos primos bem certinho, como vocês e o pequeno Cisco, mas somos quase assim.

__Igual Alana.- Disse Lú.- Ou Glaucia, e Carol e Marcelo, todos eles. Só Rody que é irmão da mamãe, então é nosso tio, como Tio Jorge, Tio Ruivo e Tia Clara. Mas ele é muito pequeno para chamar de Tio.

__É, Chamamos de Rody mesmo.-  Disse Mari.Todos riram. Ela  pôs o dedinho no queixo e continuou. – Sabe? Acho que você é nosso primo sim. Não consegue montar o avião que nem eu, conta histórias igual a vovó Lia, tem os olhos iguais aos da mamãe e paciência igual o papai e o tio Ruivo.

__ Eu também acho. – Disse Lú .-Se o Tio Jorge não fosse tão grande, e se não parecesse tanto o vovô Rick, eu até podia pensar que você fosse irmão dele.- O italiano carinhoso se abaixou tocou os rostos das pequeninas.

__Eu tenho um irmão muito legal, mas eu gostaria de ser irmão do seu tio e de sua mãe. Eu gostaria muito de ser tio de vocês, como Rody, mas já que não dá, a gente podia fazer de conta que somos primos de verdade. Que tal?- As duas se olharam e sorriram.

__Ta!- Disseram juntas. E Mari continuou.

– Você quer um abraço, agora que combinamos que somos primos pode, né Alex?

__Sim. Pode.

__Eu ficaria honrado.- Abriu os braços e as duas pequeninas entraram neles. Em seguida saíram correndo.

__Obrigada, Giu.- Disse Clara.- Elas são muito unidas. Uma sempre defendendo a outra, é tão bonito. Obrigada mesmo por ajudar.

__Verdade Giu.- Disse Alex.

__Imagina. Eu ganhei duas primas. Estou no lucro.

__Você gosta de crianças?- Perguntou Ritinha.

__Muito. – Respondeu sorrindo.- E você bela, gosta de crianças?

__Sim.

__Ela tem que gostar, trabalha no orfanato.- Disse Vincenzo

__É vero? Que belo. O que faz lá?

__Trabalho na administração. Mas sempre estou com elas. São uma fonte de energia, de alegria.

__Concordo.

__Eu também gosto.- Disse Gigio.- Elas me divertem. E essas são muito espertas. Eu já estou fã do pequeno Cisco. Montou o avião sozinho, eu vi. Depois ajudou a montar o do coleguinha, não satisfeito, consertou o da monitora da outra mesa. – Leninha riu.

__Ei! Era para pensar que eu estava ajudando.__Riram

__Não fique triste Madalena.- Disse Yuri.- Eliana também montou o meu.- Riu.- Ela leva muito jeito.

__As que estavam comigo também.- Disse Gigio.- São suas primas, Lehrer? Elas  aprenderam com você?

__Na verdade, eu acho que é mais um talento de família.

__Como assim? Suas tias também sabem montar coisas.?- Vincenzo debochado como sempre.

__Sim e não. Elas gostam de montar, mas nunca tem tempo. Tia Dalia e Tio Xande adotaram as meninas. O pai biológico delas era engenheiro eletrônico, acho que o talento delas vem daí. Meu avô materno também montava e desmontava eletrônicos, segundo minha mãe e minhas tias, ele era muito bom nisso. O pai do Tio Cunha, Foi montador numa indústria automobilística por toda a vida. Acho que elas tem mesmo a quem puxar.

__E você Lehrer? De quem herdou todo esse talento?  Desse avô, o pai de sua mãe.?- Perguntou Gigio.

__Uma parte dele sim, mas eu não conheço a família do meu genitor, acredito que parte deste dom deve vir daí. Pelo pouco que sei, eles são alemães também, pode ser que seja por isso que achei o idioma tão coerente e fácil de aprender.

__Você não conhece sua família, Lehrer?- Perguntou Yuri prestativo.- Se souber um sobrenome, posso tentar encontra-los.

__Não se preocupe.- Sorriu encabulado.- Não tenho interesse em encontra-los.

__Desculpe.- Disse Yuri discreto.- Não quis ser intrometido.

__Oh! Não Yuri.- Apertou o ombro dele.- Não fez nada errado. Se fosse outro caso, tenho certeza que qualquer um estaria muito agradecido por sua ajuda. Mas a minha história é diferente.- Virou-se para as crianças.- Minha mãe foi abusada quando era menina. Quase a idade de Eliane, ou Alana,  tinha 11 anos. Ela engravidou e eu nasci.

__Dio mio!- Disse Gigio, compadecido.

__Lehrer? Desculpe, eu não sabia, eu…- Yuri ficou vermelho como um pimentão.

__Não se preocupe, amigo.- Disse Alex.- Durante muito tempo me senti triste e sem valor por causa disso. Hoje, já sei que não tenho nada que posso fazer para mudar minha origem.Na melhor das possibilidades posso mudar meu futuro. Se é assim, melhor viver com tranquilidade e paz. Sem me importar com os parentes que não conheço. Na verdade, não preciso deles. Olhe essas gracinhas. Tão felizes com seus brinquedos, tão unidas, tão amorosas. Nunca conseguiria parentes melhores que esses.– Giu chegou mais perto de Alex. Colocou o indicador no queixo, como Mari havia feito.

__ Tem toda a razão. Sabe, eu acho que você é nosso primo sim.- Alex riu.- Você ama crianças como nós, gosta de fabricar brinquedos como Gigio, tem esqueletos no armário como eu e é professor como seu pai Carlos, nosso primo.- E Gigio completou sorrindo.

__Eu também acho. Se você não fosse tão grande, eu até podia pensar que é irmão do Giu. Tem o mesmo temperamento. E o mesmo sorriso tímido.- Riu.- Agora que combinamos que somos primos, podemos te dar um abraço? Você disse para as pequeninas, que primo pode abraçar?- Todos riram. Alex abriu os braços imitando Giu.

__Eu ficaria honrado.- Eles o abraçaram como bons italianos.

__Que droga!- Disse Yuri.- Estou frustrado. Não sou primo do Lehrer, não sei fazer avião direito, não falo bem português, e não vou ganhar abraços.- Cruzou os braços compridos. Todos riram.

__Não seja por isso. – Disse Leninha abraçando o grandalhão. As crianças quando viram Alex abraçando os Italianos quase primos, correram para eles gritando e pulando em volta deles.

__Mas que farra é essa?_Perguntou Beto com cara de bravo e as mãos na cintura. Sorriu quando as crianças pararam.- Porque não fui convidado?- Se juntou aos pequenos baderneiros deixando Nina rindo para trás. Quando Ruivo e Diana, Ben e Liv , Jorge e Alice, Rick e Lia entraram, todos vindo de um passeio romântico para os casais, os gêmeos nem pensaram. Se misturaram com as crianças. Jorge e Rick, esperaram os avôs chegarem antes de se unir aos malucos barulhentos. As mulheres se sentaram no jardim com os vovôs sorrindo para sua família.

__Ei! Eu também quero um avião desses.- Disse Ben para suas meninas.

__Papai! Alex ensinou a gente a fazer. O meu não ficou bem certinho, mas ele consertou. Agora está voando bem alto, olha!- Disse a ruvinha sorridente.

__Carinho!-Gritou Ben para sua esposa. – Acredita? Foram elas que fizeram os aviõezinhos!- Olhou suas pequenas.- Quem são vocês? Onde estão as minhas nenéns que não sabiam nem andar de bicicleta?- As pequenas riram e abraçaram as pernas dele. Ben olhou Alex.

__Obrigado, garoto. Elas amam brincar com você. Estavam com saudade.  Eu também.- O olhar intensamente verde de Ben brilhou para seu sobrinho querido. Voltou-se para suas meninas.- Vamos mostrar para a mamãe?

__ Sim!- Disseram juntas. Antes de sair correram para Ritinha, que se abaixou para ganhar um beijo duplo, em seguida agradeceram educadamente Yuri, Vincenzo e Leninha. Chegara a vez dos novos primos, Giu se abaixou e ganhou um beijo duplo sorridente, em seguida foram para Gigio que surpreso percebeu que elas esperavam que ele se abaixasse. Sua alegria foi evidente, quando ganhou seu beijo gêmeo. Foram para Clara, que ganhou vários beijinhos e abraços totalmente retribuídos. Então correram para Alex, que pegou as duas no colo ao mesmo tempo, enquanto elas o beijavam e abraçavam rindo. Ben se aproximou pegou as duas dizendo:

__Vamos, minhas lindinhas. Deixem um pouco para Clara.- Riu.-Vamos ver mamãe?- Olhou para todos.- Obrigado a todos por cuidarem delas para mim.- Caminhou sorridente com suas pequenas para sua bailarina.

__São uma família linda, né?- Era Rick. Olhou Clara e Alex.- Orgulhosos? Sem vocês, talvez não existissem.

__Como?- Perguntou Gigiu.- Desculpe, Senhor Medeiros, mas sua família tem histórias incríveis. Eu não quis ser bisbilhoteiro.- Pensou.- É essa a palavra?- Giu disse.

__Sim, é essa palavra.- Severo, mas sorrindo para o irmão mais novo.

__Não Giu.- Disse Rick.- Ele tem razão. Essa família é mesmo muito louca.- Riu.- Deveriam pensar muito bem antes de querer ingressar nela. Só os fortes sobrevivem.- Todos riram.- Mas quanto ao que eu disse, sem está linda e esperta loirinha e este tímido e valente jovem Lehrer, talvez minha filha não tivesse a change de construir sua família. A alguns anos ela foi sequestrada. Os bandidos machucaram minha esposa também. Quando cheguei ao local, minha linda princesa estava caída no chão toda ensanguentada. Quase enlouqueci. Eu não conseguia seguir as pistas deixadas pelos sequestradores, na verdade não conseguia nem respirar direito. Meu irmão e meu pai não tinham como controlar a situação, todos estavam apavorados. – Olhou Ben.- E aquele Ruivo lutador ali, estava devastado. Nem seu gêmeo e o primo tão amigo conseguiam consola-lo. Lia sempre foi a sabedoria desta família e papai o rumo, na situação que nos encontrávamos todos nós estávamos sem condições de pensar. Nina ficou sem fala. Pode imaginar o desespero dela.- Riu.- Mas então nossa inteligente Loirinha, percebeu o que estava acontecendo, chamou para decifrar  os sinais um gênio, que em poucos tempo conseguiu ligar todas as pistas, encontrar os bandidos e ainda mandar seus tios que são heróis por profissão, para buscar minha menina em segurança. Liv deve a vida a ele. E eu, parte do meu coração.- Sorriu para o menino.

__É vero?- Perguntou Gigio.

__Ouvi dizer que o senhor é um ótimo escritor, Sr. Ricardo.- Disse Vincenzo rindo.- Acabo de ter certeza.

__Neste caso, é bem fácil, caro amigo. É apenas o que vi.

__O que você viu, amor?- Disse Lia chegando perto dele. Ele segurou uma das mãos dela dizendo:

__Contava para as crianças como conhecemos Alex.- Lia olhou para Liv brincando com sua doce família.

__Ah! Sim.- Voltou-se para Alex sorriu tímida. Tocou no queixo dele.- A vida é mesmo surpreendente. Sempre fui muito tímida, por anos fui a pessoa mais quieta desta família. Então, Deus me deu Liv. Ela era a imagem da minha saudosa mãezinha, e muito tímida como eu. Era reconfortante ver alguém parecido comigo. Numa família tão efervescente com a nossa, isso é muito raro.- Riu-  Liv era um espelho amigo. Achei que seríamos apenas nós duas quietinhas para sempre. Mas então, fomos todos jogados num inferno. E no momento do meu maior desespero, quando achei estar perdendo minha menina, Deus mandou para mim, um anjo tímido de coração valente. Um menino pronto a se arriscar por alguém que ele nem conhecia. Veio  disposto a lutar pela família de sua amada com todas os seus recurso. Se não fosse esse menino lindo de olhos cor de água, nossa família estaria perdida, e talvez eu não pudesse mais ser totalmente feliz. Ninguém nessa família seria totalmente feliz novamente. E aquele ruivo sorridente, se sobrevivesse aquele martírio, seria a imagem do sofrimento. Mas em vez disso, eu encontrei outro tímido para meu pequeno clubinho.- Sorriu.- Um gentil, paciente e carinhoso sobrinho. Que embora não nasceu nessa família de malucos, floresceu no coração de todos nós.  Viram como as gêmeas amam Alex como se ele fosse do sangue delas? Normalmente, crianças pequenas esquecem ou desacostumam com uma pessoa quando passam tempo sem vê-la. Faz quase 6 meses que elas não encontram Alex, mas elas continuam amando-o do mesmo jeito. É como se elas soubessem, que sem a interferência dele, elas não existiriam.

__Bem que as meninas disseram que a senhora conta histórias como ninguém.- Disse Vincenzo rindo.

__Eu achei emocionante.- Disse Giu. E Gigiu completou:

__Dio! Eu também. Quer dizer que o Lehrer é um herói?

__Não!- Disse tímido.- Eu só ajudei como pude. Com meus conhecimentos de eletrônica. Quem realmente foi fantástica, foi a senhora, Tia Lia. A senhora estava ferida, e mesmo assim se lembrou de todos os detalhes das sequestradoras, da placa do carro, até do cheiro das mulheres. E também foi a senhora que reconheceu a enfermeira. E teve o tio Rick e o vovô, que também foram juntado as pistas. E Ben, claro. Ele foi genial, descobriu onde ela estava com duas palavras sem o menor sentido, que Liv disse a ele. E Clara.- Olhou sua amada. Ela sorriu.- Eu não fiz nada sozinho. A família estava junta. Eu nunca tinha visto um trabalho de equipe tão bem feito. Me senti parte daquela engrenagem, gostei muito. – Sorriu.- Não sou herói, só fiz o que pude para ajudar. Mas concordo com Vincenzo.- Este até se assustou um pouco.-  Foi  muito estressante, mas ouvindo a senhora contar, foi emocionante. Eu nunca vi uma contadora de história tão boa. E já vi muitas, vivi no orfanato até os 12 anos, minha escola era de tempo integral. E ainda tinham minhas tias e minha mãe. Mas ninguém conta histórias como a senhora. Nada supera a senhora, tia Lia.

____Eu já disse isso a ela.- Disse Rick rindo.- Até a voz fica diferente, não acha?

__Eu nunca me canso de ouvi-la.- Disse Ritinha.- As crianças do orfanato amam. Já recebi pedidos de pais que adotaram as nossas crianças, para traze-las para que elas ouvissem tia Lia contar histórias. Eles disseram que seus filhos falavam tão bem da contadora, que eles queriam muito ouvi-la também.

__A senhora pudia gravar umas leituras infantis. – Disse Giu. Os Medeiros o olharam surpresos.- Bem se a senhora quiser, é claro. Mas se as crianças gostam tanto e se a senhora também gosta, pelo que parece até os adultos se encantam, eu só achei que seria uma boa ideia.- Ele era bem inteligente, também tinha um raciocínio rápido e lógico.

__Você falou igualzinho a mamãe.- Disse Rody parado com o aviãozinho na mão.-  Afinal, ele é ou não nosso primo, mamãe?- Beto parou atrás dele, olhou carinhosamente para Lia e disse:

__Você tem alguma dúvida, Rody? Olhe para ele, é a cara de Liv. Além disso, fala igual sua mãe. – Abaixou-se, beijou o rosto do sobrinho e completou.- Olhe pelo lado bom, se ele for tão inteligente quanto sua mãe, nunca mais perderemos para as mulheres no Question’S .- E riu, acompanhado dos outros. Rody se aproximou dos primos ainda desconfiado.

__Certo. Nós temos muitos primos. Alguns não nasceram nossos primos, mas nossos corações os escolheram. Minha mãe diz, que os laços de sangue são muito fortes, mas os laços de amor são muito mais fortes. Ela disse que podem existir laços de sangue sem amor, mas os verdadeiros laços de família sempre são de amor.- Os italianos, o alemão e todos os brasileiros presentes, pareciam emocionados com as palavras do menino.- Minha mãe é muito inteligente. Na nossa família tem bastante gente bem inteligente. Cada um de um jeito, é bem legal. Mas todo mundo escuta os conselhos da minha mãe. Ela não fala sem pensar. Quando ela não sabe uma resposta, ela diz que vai pensar e tentar encontrar a resposta para a gente. Na verdade, quase sempre, ela já sabe a resposta, mas não quer que a gente fique triste. Então, ela vai encontrar um jeito de contar sem que a gente fique muito chateado. Até o Vovô Rodolfo, escuta a mamãe. E o Vovô é muito experiente. Mas ele disse que a mamãe é mulher, e que as mulheres tem o dom de saber as coisas dentro do coração. E no caso da mamãe, como ela tem uma memória tão boa, ela consegue evitar os mesmos erros. Liv também é assim, mas ela não conta para ninguém, porque é muito tímida e prefere dançar e ficar com as meninas. Clara também. Ela é muito esperta, e tem boa memória, igual Liv, mas prefere cozinhar, graças a Deus!- Todos riram.- E tem tia Nina.- Sorriu.- Ela é a alegria. Depois tem Tia Alice, as vovós e as pequenas. Se vocês são nossos primos, quer dizer que são parentes daquele avô mau que machucou a mãe da mamãe. Ele também foi culpado de Tia Nina e a Mamãe só se conhecerem quando eram grandes. Elas nem puderam brincar juntas, igual a gente. Mamãe disse que Deus foi muito bom e juntou as duas de novo. E depois com o papai. Meu pai, meu tio e todos os falcões, cuidam de todas elas. Meu avô disse que elas são jóias. Se serão nossos primos, tem que prometer que não vão machucar nenhuma delas.- Disse sério, muito firme. Era evidente que para o menino de pouco mais de 10 anos, aquilo era um compromisso, um voto.E ele afirmou.- Alex prometeu.- Reforçou, olhando Alex. Vincenzo fez cara de deboche, ia começar a rir, quando tanto Giu como Gigio se ajoelharam ao lado do garoto.

__Estou muito honrado que confie em nós para cuidar delas junto com os falcões.- Disse Giu.- Concordo com seu avô o grande falcão, que é um homem muito sábio, elas são jóias muito raras. Quer dizer que são muito valiosas. Eu prometo cuidar de todas elas, todas as vezes que precisarem de mim. Não importa onde e para o que, é só você me avisar. Estarei muito contente em poder ajudar você a protege-las.

__Eu também juro.- Disse Gigio.- Eu não tenho irmãs, sou meio desajeitado com as meninas.  Principalmente as primas pequenas. Com sua namorada então sou ainda pior, eu não sei falar em sinais. Sou muito tonto.- Sorriu.- Você pode me ajudar? Vi que todas elas ouvem muito você. Inclusive, as pequeninas e até o pequenino. Pode me ensinar? Sou meio burro, mas eu vou me esforçar.- O pequeno riu.

__Não se preocupe.  Tem o melhor professor para isso.- Apontou Alex.- E ele já até vai te dar aulas.

__Não é verdade.- Disse Alex.- Jorge, é o encantador de crianças.

__Sim, mas Liv é da idade dele, os ruivos são quase, e ele só  tinha uma prima, Clara. Você tem um montão. Você treinou muito mais. – Sim, sem dúvida Rody era mesmo um Medeiros, filho de Lia e Rick. O garoto não perdia em argumentos.- E você está mais perto. Jorge volta para casa semana que vem.

__Vamos lá Lehrer.- Disse Gigiu rindo.- Afinal, somos primos. _Todos riram.

__Qualquer coisa pela família.- Alex sorriu.-

__Desculpe, mas que história é essa de falcões?- Perguntou Vincenzo tentando mudar o foco.- Foi Lia que respondeu.

__Essa é outra história muito boa. Mas vai ficar para depois do jantar.- Olhou seu pequeno filho, a sua imagem.- Você meu poderoso defensor, precisa de um banho e se arrumar para o jantar. O mesmo vale para todas as crianças. Os jovens também vão querer se arrumar, e nós os mais velhos também.- Rody ameaçou discordar.- Como você mesmo disse, meu caro Rodolfo, todos nesta família escutam o que digo. Isso acontece, porque percebem que tenho razão. Como agora. Entre e leve seu precioso avião.- O garoto olhou para sua mãe, depois para os novos primos.

__Viram como tem boa memória? E como é esperta? Tudo o que disserem a ela, ela vai usar contra vocês na primeira oportunidade. Não tenham dúvida.- Foi uma gargalhada só. Mas Rody fez o que sua mãe mandou. Caminhou para dentro avisando os primos que ia para o banho porque Lia mandou. Poucos segundos depois, As outras crianças estavam em volta deles se despedindo e agradecendo Alex pelo avião. Foi quando Alex deu falta de suas tias.

__Mamãe, onde minhas tias foram?

__Não sei direito, meu lindo. Mas me pediram para colocar as crianças no banho. Quer dar banho em Marcelo?- Alex foi juntando suas coisas.

__A senhora leva ele para dentro? Eu só vou guardar isso aqui.

__Pode deixar, filho.- Disse o Ruivo. _ Eu guardo. Leve esse fofo.- Disse beijando o garotinho rechonchudo e sorridente, com uma boca cheia de dentinhos brancos.- Amor, vai conseguir dar conta de todas as 5?

__Pode deixar, Ruivo.- Disse Clara.- Eu ajudo.

__Eu também. – Disse Ritinha com Elis no colo.

Em segundos o jardim estava vazio. Restaram apenas o Ruivo, juntado as coisas de Alex, os italianos com Yuri e Vincenzo. Que percebeu incomodado, que Rody tinha razão. Todos ouviam Lia. Entendeu também que teria uma batalha feroz para conquistar Clara. Todos os parentes amavam Alex. Pelo que via, o único jeito de ganhar, seria convencer o próprio Alex, a deixar Clara. Para isso, poderia fazer como Tia Lia, usar o que Alex disse contra ele mesmo. E precisava agir rápido.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Falcão por opção

Capítulo 9

Um pouco antes do jantar, Alex e Clara estavam em um dos jardins internos da castelo. Enquanto Rody e Alana se encantavam com as flores, o casalzinho se sentou num banco abraçados.

_Estava louca para ficar assim com você. -Se aproximou ainda mais dele.-Achei que fosse morrer de saudades.

_Eu também. -Beijou a cabeça dela. -Não está mais com ciúme de Ritinha? -Droga, ele tinha percebido.

_Não era para você ter percebido.  Eu disfarcei tão bem. Droga!

_Não era para ter ficado com ciúme.  Eu te amo. E Ritinha….-Ele não pode terminar.  Clara beijou-o muito apaixonada.

_Diz outra vez.-Suspirou. – Preciso ouvir sua voz assim de pertinho,  sua respiração, sentir seu coração batendo, seu cheiro.  Ah! Alex. Estamos mesmo juntos? -Ele acariciou o rosto dela com muito amor,  sorriu só para ela,  beijou a ponta do nariz de Clara e foi trazendo com cuidado todo o corpo dela para o seu colo. Quando Clara reconheceu o gesto,  ajeitou-se em seu colo e colocou o ouvido sobre o peito dele. O coração batia forte, feliz,  apaixonado.

_Está ouvindo, meu amor?  Ele só bate assim para você.  Então,  apesar de todos os meus temores,  eu acho que sim.  Você está aqui.  Veio me ver como tinha prometido. Veio salvar meu coração do desespero. -Tirou do bolso uma caixinha fina do tamanho de uma caixa de fósforo pequena. -Sendo assim,  devo te entregar isso. -Clara abriu curiosa. Dentro tinha um chip. Ela o olhou  incerta, então um entendimento brilhou em seu olhar. Ela pegou rapidamente o celular no bolso. Tirou a tampa e colocou o chip no lugar do chip reserva. Assim que ligou novamente, uma pequena luz vermelha pulsava no cantinho da tela. Tocando nela apontava Eltz como localização. E também mostrava uma numeração subindo, 100, 104,110…..-Agora você também poderá saber exatamente onde estou. E também poderá contar as batidas do meu coração. -115….120….130…-Eu amo você. -140….145.Clara sabia, mas beija-lo  agora foi ainda mais emocionante que quando chegou ao aeroporto. Saber que esse homem gentil, tão carinhoso, acabava de entregar a ela um mecanismo capaz de mostrar suas emoções. Clara o amou ainda mais.

_Você trocou o anel que seu tio te deu?

_Não.  Deu um pouco de trabalho,  mas consegui adaptar o mecanismo ao meu anel. Você gostou?- Pareceu encabulado, mas Clara podia ver seu coração acelerando novamente.

__Eu amei, meu querido nerd. – Riu.- Nada poderia ser mais romantico. Me sinto como se tivesse me dado seu coração.

__Foi o que fiz. Na verdade já tinha dado a muito tempo. Só materializei o fato.- Clara amou ouvir aquilo. Sorriu feliz para ele.

__Alex Vogelmanm eu te amo. Muito.

__E não tem mais ciúme de Ritinha, certo?- Ele não tinha esquecido.

__Não. -Olhou-o envergonhada.- Foi só porque você conhecia o quarto dela. Desculpe. Não quis desconfiar de você e nem dela. Fui idiota. Não vai mais acontecer. Prometo. Alex, eu não posso de perder. Sabe como os falcões são. Viu o que aconteceu com o Ruivo. Eu sou louca por você. Se você deixar de me amar, eu respeitarei sua vontade, mas não poderei evitar sangrar desesperadamente. Eu sou sempre muito valente, muito forte, mas nunca passei nada nem perto desse tipo de desespero. Sabe a força do que sinto por você. De repente fiquei com medo de que Ritinha, que é um doce, ganhasse seu coração. Ela merece alguém como você, e vocês são parecidos e se dão tão bem e ….- Olhou Alex que sorria.- Não ria de mim. Eu tenho medo de perder você, sei que Ritinha não faria isso, mas e se você se apaixonasse por ela? Isso é possível.

__E você poderia se apaixonar por Vincenzo.- Disse calmo e gentil, mas Clara viu que ele estava inseguro. Acariciou o rosto bonito dele. Sorriu.

__Vamos combinar uma coisa. Eu não me preocupo com Ritinha e você não se preocupa com Vincenzo. Certo?

__Ritinha não está apaixonada por mim. Nem faz um curso a tarde toda comigo.- Clara viu que ele estava mesmo preocupado. De certa forma ele tinha razão. Ritinha era contida, tratava Alex como um irmão, talvez porque ambos tivessem histórias de sofrimento, e Vincenzo…. Bem, não tinha feito nada, ainda.

__Vincenzo é só um amigo. Não sinto nada por ele, além de uma casta amizade. Eu já te disse. Mas se me permitir, usarei suas palavras. Você é o único que vejo como homem. O único homem que quero. Sim, fico com medo as vezes, mas isso não muda o amor que sinto por você. Enquanto me quiser, estarei ao seu lado. Mesmo do outro lado do mundo. Nem Vincenzo e nem mesmo você poderá mudar meu coração. Eu amo você.- Alex tomou o rosto dela entre as mãos e beijou-a profundamente. Ouviram um limpar de garganta. Era Rody.

_Desculpe atrapalhar.- Disse meio sem graça, enquanto Alana sorria.- Mas mamãe disse para entrarmos para o jantar. Alana insistiu em avisa-los.

__É tão bonito ver vocês juntos.- disse Alana em LIBRAS.- Parece casal de filme.- Eles riram.

__Talvez porque Clara é tão linda quanto as atrizes, não acha Rody?- Perguntou Alex se levantando e pegando a mão de Alana.- Sua namorada também é linda assim.

__Não, eu não  acho que seja por isso. – Disse Clara pegando a mão de Rody e a de Alex.- Eu acho que é porque Alex é enorme e forte igual aos príncipes dos filmes. Né Alana?-Riram.- Rody também vai crescer e virar um príncipe.- A pequena esperta disse.

__Ele já é.- E sorriu.

__Meu Deus, Rody.- Disse Alex rindo.- Preciso fazer umas aulas com você. -Eles riram. Antes de entrar quando as crianças se soltaram e correram para dentro, Clara passou os braços no pescoço dele e disse:

__Está enganado. Não precisa faze aulas com ninguém. Você é o namorado mais maravilhoso do mundo. Obrigada pelo presente. Muito obrigada, pela delicadeza. E muito, muito obrigada, por esse beijo tão gostoso. Eu estava precisando tanto de você, amor. Estou tão, tão, tão feliz.- E sorriu para ele, enchendo o coração de Alex de amor.

_Eu que preciso de você,  amor. Muito.-Beijou a testa dela. Entraram felizes. Os Medeiros já estavam à postos, rindo como sempre. Alex e Clara foram para perto do Ruivo e Diana. Alex beijou a mãe e o padrasto,  ambos retribuiram com muito carinho. Vincenzo viu que o que Alex tinha dito mais cedo era verdade,  ele e o padrasto eram mesmo muito amigos. Todos os Medeiros eram muito amigáveis e alegres, mas o tal padrasto era a alegria em vida. Alex até parecia um rapaz normal perto dele. Fazia piadas,  brincava, sorria. O advogado gêmeo do padrasto brincava com as filhas, mas não deixava de provocar o irmão e o sobrinho postiço todo o tempo. O Professor Jorge, do orfanato se divertia com as loucuras dos primos, mas não tirava os olhos de seu pequeno Cisco e de Alana que estava sentada ao lado de Rody,  seu irmão mais novo. Vincenzo percebeu que o tal Jorge era calmo e gentil como Alex. A diferença era que ele tinha um sorriso grande, aberto que o acompanhava todo tempo. Jorge se parecia muito com o pai dele, que eles chamavam de tio Rick. Esse tio Rick era Ricardo Medeiros o famoso escritor que conseguira essas maravilhosas acomodações na faixa para todos. Interessante também que esse Rick era a cara do pai dele, o grande Rodolfo Medeiros o empresário.  Mas na mesa todos os chamavam apenas de vovô Rodolfo. Ao lado dele, estava  o outro avô deles, o Professor Carlos. Os dois pareciam amigos de toda a vida. Vincenzo achou muito bonito a relação deles. Na mesa, mais três homens conversavam e riam todo tempo, um era Beto o loiro pai de Clara, os outros dois, bem em forma na casa dos trinta. Um branco com olhos castanhos quase verdes e o outro negro com um sorriso muito branco. Os dois vigiavam uma tropa de meninas e um garoto pequeno que ameaçava fugir da mesa com o sapeca Cisco. Estes dois homens eram os tios de Alex. Mesclando todos os homens na mesa, estavam linda mulheres.  A ruiva exuberante mãe de Clara. A loira madura e fina, avó dela. A outra avó com olhos cor de uísque.  A tia de Clara com os mesmos olhos incomuns e com cabelos de Índia. As duas pequenas de cabelos negros muito cumpridos ,  a delicada bibliotecária,  e a filha bailarina de olhos cor de gelo. As três negras,  a mãe de Alex alta com cabelos volumosos e muito comprimidos, a mais velha elegante de óculos com aros finos olhos marcantes e cabelos lisos bem curtos,  e a outra sorridente com cabelos no ombro encaracolados. Perto delas sua amiga cozinheira roqueira Leninha e a doce Ritinha vestida com um vestidindo Alegre e esvoaçante.  Estava parecendo mais jovem. Pelo que Alex havia contado, ela devia ter mais ou menos uns 25 anos. Agora parecia ter 17 como Clara. Por falar na loira, ela era mesmo linda. Numa mesa cheia de mulheres maravilhosas ela ainda se destacava. Principalmente agora, que ria de uma das bobagens de seus irmãos. Neste instante seus olhos cruzaram com os de Alex,  não tinha dúvida,  o nerd não era um tolo. Vincenzo viu a certeza nos olhos verdes dele. Alex sabia que ele queria Clara. Mas mesmo naquele momento,  Vincenzo não viu raiva naqueles olhos, só um aviso e uma tristeza.  Vincenzo ficou confuso,  não entendeu o que Alex estava dizendo. Olhou displicente para Leninha que mostrou o mesmo olhar de tristeza do ônibus.  E depois para Ritinha que parecia indignada com algo. Elas desviaram o olhar e Vincenzo percebeu tio Rick e Tia Lia se entre olharem. Como se compartilhassem uma informação. Em seguida Rick olhou para o pai que também pareceu entender o gesto. Os outros riam distraídos.  Mas esses três pareciam conversar sem palavras. Tia Lia olhou Alex, ele ia baixando os olhos, mas ela fez um pequeno gesto com a cabeça quase imperceptível,  ele levantou o queixo e ela sorriu. Rick a abraçou e sorriu para Alex. Alex olhou o Sr Rodolfo e este piscou para ele. Vincenzo viu tudo,  mas não entendeu exatamente do que  se tratava, só que o trio já sabia de suas intenções e pelo visto,  estavam do lado de Alex. Mas isso não o intimidava, pelo contrário, tinha mais um motivo para ganhar Clara, afinal ele estava louco por ela, e não seria uns parentes melosos e um garoto inexperiente que venceriam essa disputa. Clara merecia um homem de verdade, e ele seria esse homem. Enquanto Vincenzo divagava, o conde chegou a mesa com o filho mais velho Yuri e dois rapazes. Yuri de 25 anos, era a cara do pai, muito branco, muito alto, muito alemão. Um jovem educado para a diplomacia, mas apaixonado por aeromodelos.

__Como já disse antes, amigos.- Disse o conde amigável, usando um português correto, mas com muito sotaque.- Estou muito feliz que estejam aqui.  Gostaria de apresentar-lhes, dois amigos de Yuri. Estes são Giócomo e Giuseppe Fazzano. Eles estavam ansiosos para conhecer o jovem Lehrer Vogelmamn.- Os rapazes cumprimentaram a todos e foram efusivos com Alex.

__Amigo, se metade do que Yuri disse for verdade, terei que implorar a faculdade que me deem uma vaga no seu curso.- Disse Giócomo, o mais velho. O rapaz italiano, com cabelos escuros e fartos, com olhos azuis muito claros e um bigode bem aparado emoldurando o sorriso cortês.

__Eu já fiz minha matrícula.- Disse Giuseppe, o mais novo também tinha cabelos fartos e escuros, e uma barba rala da mesma cor, bem aparada. Já os olhos sorridentes, eram cor de chocolate.-  Seu curso está muito disputado, Lehrer Vogelmamn.  Mesmo para quem ainda estuda lá como eu.

__Espera!- disse Ruivo.-  Lehrer? Professor? Você está dando aulas?- Alex o olhou sorrindo de canto.

__Era para ser uma surpresa para você.  A faculdade precisava de alguém para o curso básico de robótica. Me ofereceram.  Achei que você ia gostar. Não sou assim um grande professor, na verdade o vovô Carlos me ajuda a preparar as aulas.

__Mentira!- Vovô Carlos retrucou.- Não sei nada de robótica. Só dei umas dicas de como se portar e de alemão. As aulas são ótimas, mas é mérito dele.

__São realmente muito boas.- Disse Yuri.- Todos os alunos estão muito satisfeitos.- Ruivo beijou-lhe a testa  dizendo.

__Estou muito orgulhoso de você. – Olhou nos olhos do filho.-Mas sempre fui. Não precisava dar aulas só para me agradar. Se não gosta, se não se sente confortável, não precisa fazer isso. Não acha, amor?- Virou-se para sua esposa que lhe ofereceu um sorriso e um olhar matreiro.- Você já sabia?  O incentivou a fazer isso?

__Sim. Alex me perguntou o que eu achava antes de começar a dar aulas. E sim, eu o incentivei. Primeiro para ajuda-lo a vencer sua timidez, segundo para que ele praticasse o alemão, terceiro porque como vemos dar aulas neste ramo é bem interessante.- Apontou para os rapazes.- Seria bom para a carreira dele. Quarto para que ele não ficasse muito tempo sozinho. E por último, porque achei lindo ele querer experimentar o seu ofício. Depois quando ele mandou um vídeo dele em uma aula eu fiquei encantada…..

__Você tem um vídeo? Porque não me mostrou? – Virou-se para seu filho com um entendimento nos olhos cor de esmeralda.- Essa era minha surpresa.- Sorriu.- Você gravou para mim?- Alex afirmou com o sorriso tímido de sempre.- Ah! Meu filho. – Abraçou-o e beijou a cabeça dele.- Quando vou poder ver?

__Ei! Também sou professor.- Disse Jorge.- Também quero ver.

__E eu sou tio, tenho direitos legais, também quero ver.- Disse Ben.

__Se é assim, – Disse Xande.- Eu e Cunha também queremos.

__Para acabar com essa discussão.- Disse Vovô Rodolfo.- Você, meu querido bisneto, poderia oferecer a sua família uma sessão de cinema com uma de suas aulas, o que acha? Tenho certeza que nosso amigo Conde, seu filho e seus amigos gostarão muito da oportunidade, e com certeza nos cederão uma sala de vídeo do castelo.

__Claro. – Disse o Conde.- Será uma honra.

__Certo, mas as aulas são em alemão. Nem todo mundo aqui vai entender. – Disse Alex, encabulado.- As crianças não vão gostar muito.

__Eu falo alemão, mas mesmo assim acho que não vou entender nada.- Disse Vincenzo provocativo. Leninha o cutucou e disse:

__Mas é um metido mesmo. Não somos da família, nem sabemos se podemos assistir.- Olhou Alex.- Eu não falo alemão e não sei nada de robótica, seja como for me parece bem interessante, mas pelo que entendi, essas aulas são muito caras, sou cozinheira, não sei se posso pagar.- Riram.

__Eu também não falo alemão e não sei nada de robótica.- Disse Nina.- Mas faço questão de assistir sua aula, lindinho. Afinal, eu sou filha e mãe de professores, reconheço um bom a distância. Tenho certeza que você figura muito bem entre os Carvalho de Medeiros.

__ Medeiros?- Perguntou Giócomo. Os dois italianos se olharam. Depois olharam as pessoas na mesa, pararam em Liv. Giuseppe olhou de Liv para seu irmão Giócomo duas vezes seguidas, depois rindo disse:

__Papa vai amar isso.- Virou-se para Nina, olhou Beto ao seu lado.- A senhora é por acaso ruiva natural e é  bailarina? E este é seu marido, o jogador? E aquela senhora ali.- Apontou Lia.- É sua prima? Mãe da bailarina virtuosa que tem os mesmos olhos do meu irmão? Os olhos dos Fazzanos.

__Você conhece minha esposa?- Perguntou Ben protetor.

__Na verdade, nunca tínhamos visto sua esposa. Mas nosso pai…

__Não! -Disse Beto suspirando.- Você disse Fazzano? Mas que maravilha.- Olhou Nina muito irônico.- Veja como a vida é cheia de surpresas.- Olhou seu irmão Rick que escondia um riso peralta e completou.- Parece que terá mais material para seus livros.

__Nada de romances policiais, espero?- Disse Rick rindo.

__Desculpe.- Disse O Conde.- Vocês já se conheciam?

__Papa conheceu Dona Marina quando ela esteve estudando na Europa.- Disse Giócomo.- Depois descobrimos um parentesco distante entre as famílias.

__Bem distante.- Disse Beto. Nina disse espantada.

__São filhos de Giuliano? Meu Deus, claro, tem razão, os mesmos olhos de Liv.- Onde está seu pai? Na Itália, imagino.

__Na verdade, papa  acompanhou meu irmão para o curso de engenharia dele. Eu que fiquei cuidando dos negócios. Cheguei esta semana para minha pós, vamos fazer juntos eu e Yuri. Acabei de dar entrada na documentação na faculdade que o Lehrer Vogelmamn está dando seu curso. Vi seu segundo sobrenome Medeiros na ficha de inscrição, mas não fiz a relação, não sabíamos que eram da mesma família.- O rapaz gentil pareceu meio envergonhado por um momento.

__Ok.- Disse Rick.- Então seu pai está morando aqui na Alemanha? E onde ele está hoje, precisamente agora?- Beto  olhou Rick com fogo nos olhos.

__Ele está aqui, está conversando com o ministro do justiça, eu vou chama-lo.- Disse Giuseppe, e saiu rápido. Beto respirou fundo, mexeu os ombros, olhou seu irmão e disse entre os dentes:

__Essa, você me paga!-  Rick riu. Segundos depois chegava a mesa um italiano falante, com cabelos um pouco grisalhos, olhos azuis bem claros, uma barba fechada cobrindo todo o queixo, muito bem cuidada. O homem com uns 45 ou 50 anos, de altura média, vestido com um terno italiano bem caro, exibiu um sorriso exuberante para Nina assim que a viu.

__Mia bela russo! Não credo! – Olhou Beto.- Ciao jogador. Vejo que continua muito dedicado ao esporte.- Olhou a família.- Signore Medeiros, como está? Que maravilha encontrar tutto famíglia Medeiros.- Olhou Liv, depois Lia.- Como está stampa?

__Não sou sua prima?- Disse Lia, direta, como sempre.- Nosso quase parentesco ficou muito distante a mais de três gerações, Sr Fazzano. Na verdade deveria ficar contente com isso.- Sorriu educada.- Meu avô não era alguém que os seus filhos tão gentis gostariam de ter na família.- Beto sorriu para ela. Fazzano limpou a garganta e disfarçando prosseguiu.

__Claro, parentes distantes.- Olhou o Conde.- Toda famíglia tem sempre uma ovelha negra. Não concorda Conde?- Riu, virou-se para Nina.- Mas nunca poderia deixar de desejar uma stampa piu bela como a Russo.- Beto fechou a cara.- Nem uma tão inteligente como tu, Lucélia mia, ou tão virtuosa e como a pequena ballerina, que alias tem os meus olhos.- Agora foram Rick e Ben que fecharam a cara.

__Ok.- Perguntou Alex.- Deixa ver se eu entendi. O senhor Fazzano, pai dos rapazes, é meio primo da Tia Lia e da Tia Nina? Ele é parente do tal avô de vocês, aquele Fazzano, tipo bicho papão que devorava criancinhas no café da manhã? Que queria casar a mãe da Tia Lia com o Vovô Rodolfo e que não aceitava que a mãe da Tia Nina tinha se casado com o vovô Carlos? Esse é o parentesco de vocês?- Beto sorriu satisfeito.

__Esse é meu neto, mesmo!- Enquanto os Fazzanos pareciam meio sem jeito e o Conde surpreso, os Medeiros caíram na gargalhada. E o Ruivo completou.

__É isso mesmo, filho.- Disse o Ruivo.- E ele conheceu minha mãe e tio Rick durante o intercâmbio deles.- E Alex terminou sua pergunta.

__E  como o senhor Fazzano conhecia Tia Lia e Liv?

__Conheci sua zia, esposa do escritor, quando estavam na  Itália em uma viagem para lançar um livro. E a ballerina, eu vi dançar com o irmão em Amsterdam num Festival Beneficente, depois fui assisti-la com minha falecida esposa. Antonela também amava o balé. Scusa, você é filho de quem?- Os Medeiros riram de novo.

__Meu.- Disse o Ruivo.

__E nosso neto.- Disse Beto abraçando Nina. O italiano olhou Alex, no máximo uns 10 anos mais novo que o Ruivo. Depois as mãos do Ruivo e de Diana unidas. Fazzano ligeiro, sorriu e disse:

__Os Medeiros são mesmo uma família muito incomum.

__Isso quer dizer então, que você e os rapazes são parentes agora? – Perguntou Vincenzo provocando de novo. Dessa vez, todos os Medeiros o olharam desgostosos. O Fazzano no entanto.

__É vero! Se o bambini é seu, Professor Medeiros, então como você, ele é cugino dos mio bambini.- Riu olhando seus filhos. O mais novo parecia tão satisfeito quanto o pai. Já Giócomo, parecia encabulado, tinha um jeito de olhar que realmente lembrava muito Lia, e a cor idêntica aos olhos de Liv.

__Bem, as coisas não são exatamente assim.- Disse ele.- Parece que a raiz de nossa família é realmente a mesma, mas como disse Dona Lucélia, esse parentesco já se perdeu a muito tempo. Nem tínhamos contato com ninguém da família do Martino Fazzano, o avô das senhoras. Ele era um Cugino já distante, mesmo quando morava na Itália. Pelo que descobri, ele saiu de lá já fugido, aos 26 anos, e não tinha ninguém próximo. Os documentos da época, só mostram que ele casou-se com uma moça muito jovem de 16 anos e foi com o pai dela para o Brasil.

__Você procurou nossa história?- Perguntou Lia.

__Sim.- Disse o rapaz.- Papa falava sempre da ballerina rosso que conheceu na faculdade.  Descobriu que ela tinha seu sobrenome e então que eram meio parentes. Eu fiquei curioso. Principalmente quando soube que a ballerina tinha encontrado uma prima.- Rick olhou para o rapaz, que facilmente passaria por irmão de Liv ou seja, seu filho. Foi então que percebeu os mesmos trejeitos de Lia. Ele se parecia com ela, talvez até fosse tão inteligente quanto. Perguntou:

__Você disse que ficou cuidando do negócio da família quando seu pai veio para cá?

__Sim. -Respondeu Fazzano com orgulho. – Mio bambine é muito inteligente. E muito organizado também. Cuida dos negócios muito melhor que eu. E tem uma memória  monstruosa.- Todos olharam para Lia. O rapaz a olhou tímido.

__Não tão boa quanto a da senhora, é claro.- Por isso ele tinha pesquisado, ele se parecia com ela. O que fazia dele diferente dos outros Fazzanos, talvez até um pouco solitário. Lia olhou Vovô Rodolfo que sorriu para ela.

__Você gosta de livros, querido?- Lia sempre direta e doce. Giócomo sorriu. E Giuseppe atravessou-lhe:

__Gio? Nunca vi ninguém gostar tanto de ler assim. Eu gosto de ler, mas ele é meio viciado.- Ele e Nina falaram ao mesmo tempo

__Lê dois ou três livros ao mesmo tempo.- Nina riu. Olhou Lia, depois para Giuseppe.

__E você ? Gosta de apelidos Giuseppe? Qual é o seu?

__Gigio.- Sorriu.

__Certo Gigio. Porque você está estudando engenharia?__Perguntou Beto.

__Meu pai tem uma construtora. Eu não gosto muito do escritório, preferi o campo de obras.-Riu. Quase parecia um Medeiros. Não fosse o pai que não tirava os olhos de Nina, Beto até gostaria dele.

__E você Gio? Também é engenheiro?

__Não senhor. Eu fiz administração, para ajudar meu papa. Depois eu fiz biblioteconomia. Foi assim que conheci Yuri e o Conde. Viram a biblioteca deles?- Todos riram. Gio era mesmo parecido com Lia compartilhavam a mesma vocação.

__Olha só pequenina.- Disse Beto para Lia.- Seu quase primo se parece mesmo com você, tem o mesmo senso de humor surpreendente.- E riu. E foi acompanhado por todos.

__Seria uma honra.- Disse Gio.- Sempre me disseram que não pareço com meus parentes, fora os olhos é claro. Então quando soube da senhora… Bem, eu já estava terminando a faculdade quando estudei os livros de Ricardo Medeiros. Depois li os da senhora Dona Elisa, gostei muito de todos, principalmente do Voo do Falcão.

__É meu preferido também.- Disse Beto, todos o olharam.- O que? Eu também gosto de ler. Só não leio como aqueles malucos ali.- Apontou para o lado de seu irmão, seu pai , Vovô Carlos e Lia. E depois para  Gio.

__É, pelo que vejo.- Disse Vincenzo.- Você dará aulas para seus primos, Alex.- E riu.

__Quem é você mesmo?- Perguntou Gio.

__É um Italiano bocudo!- Disse Leninha. Depois lembrou-se que eles também eram italianos.- Oh! Desculpe. Não quis ofende-los.- Olhou para Vincenzo.- Só esse sem graça aqui.

__Não se preocupe Leninha.- Disse Alex.- Como disse o senhor Fazzano, Os Medeiros são uma família muito incomum. Veja, se um jovem professor pode assumir o filho de sua esposa que é menos de 10 anos mais novo que ele como seu verdadeiro filho, porque eu não poderia dar aulas para dois quase primos, como se fossem primos irmãos? Considerando que um deles poe apelidos nos outros como  minha avó ruiva e o outro  tem os mesmos olhos de Liv, acho que está dentro do esperado. – Riram todos.

__Verdade, amor.- Disse Clara.- Nada é comum nesta família mesmo.

__Amor?- Perguntou Fazzano.- Mas você não é filha de Marina também? Está namorando seu sobrinho? Isso é permitido em seu país? -Todos riram de novo. Coube a Ben, o advogado explicar.

__Alex foi reconhecido filho do meu irmão. Mas ele e Clara não são consanguíneos. Perante a lei, nada os impede de namorar, se casar, ter filhos e tudo mais. Eu amo Alex como um sobrinho, meus pais como avôs e assim por diante. Mas apesar de não ser comum, para nós isso é totalmente normal. Eu me casei com minha prima de primeiro grau.- Sorriu para Liv.- Jorge filho do meu tio Rick, se casou com minha tia Alice. Irmã da minha mãe por parte de pai. E meu pai e meu tio se casaram com duas primas. As que quase parentes de vocês. Não vemos nenhum problema que Clara tenha um relacionamento com o filho adotivo do irmão.

__Porque veriam?. – Disse o Conde.- O rapaz é um gênio.-Todos riram outra vez, menos Vincenzo. _Então, para quando marco a sessão com sua aula Lehrer Vogelmamn?

__ Meu pai escolhe. A gravação era para ele.- Sorriu Tímido.

__Ok. Quanto tempo dura a aula?- Perguntou Ruivo.- 40 minutos?

__Sim.

__Então podemos marcar para qualquer noite, depois que as crianças dormirem.

__Gostei.- Disse Ben.- Assim presto mais atenção.-E riu.

__Eu não gostei.- Disse Rody.- Também quero aprender a fazer robô.- Todos riram. Essa era mesmo a marca desta família, o sorriso.