O ruivo solteiro

Epílogo

Diana

É sempre muito bom quando Ruivo está com seu irmão e seu primo. Eles se divertem como se fossem crianças.Tem sido assim desde que os conheci. São uma família muito amorosa e descontraída. O avós estão mais idosos agora, mas ainda são saudáveis. Vovô Carlos tem o coração fraco,mas ele tem se cuidado melhor nos últimos anos. Os tios Rick e Lia,continuam em sua eterna lua de mel. É bonito de ver seu romance sem fim. Os pais, Beto e Nina, implicam um com o outro todo o tempo. Os meninos dizem que é assim que se amam. Ben e Liv são muito lindos juntos, e suas gêmeas são  demais. Totalmente diferentes, na aparência e na personalidade. E mesmo assim, nunca se separam.Gostam de fazer tudo juntas, uma gracinha. Jorge e Alice parecem ter saído dos livros de época. Ele um belo protetor gigante e ela a doce e delicada bailarina. Ambos correndo atrás de Cisco cada dia mais travesso e sorridente. Alana já tem 13 anos agora, é linda e muito inteligente. E tem amarrado em seu dedo mindinho o lindo e moreno Rody , com seus 15 anos. As meninas de Dalia também estão mocinhas, todas gostam de estudar e de dançar, Xande não se cabe de orgulho. No último baile no quartel, elas fizeram o maior sucesso. Cunha  foi condecorado por uma ação heroica em seu trabalho,mas levou um tiro na ocasião. Isso assustou muito Deise. Ele deixou a corporação. Agora também é enfermeiro no Hospital de Deise. Na verdade, ela é chefe dele. As meninas se divertem com isso, só o pequeno Marcelo que acha o cúmulo, mamãe mandar no papai o tempo todo. Eu continuo trabalhando no orfanato, gosto muito. Quando lido com as crianças procuro me lembrar do jeito carinhoso que Dona Elisângela me tratou naquele dia terrível. Ela faleceu no ano passado, fiquei muito triste. Felizmente, ela teve tempo de ver Irene se casar com João Pedro, filho do Sr Geraldo, amigo do Vovô Rodolfo. Ela sabia que Irene, assim como eu ganhou uma boa e amorosa família. Meu amado Ruivo, que sempre está ao meu lado, continua dirigindo alegremente a Prestes de Medeiros, a escola recebeu 3 prêmios só neste ano. Um inclusive, por causa das excelente normas de segurança. Normas que foram implantadas depois que aquele monstro tentou levar meu Alex. Graças a Deus foi preso, e até onde sei não sai mais tão cedo. Por falar em Alex, meu lindo filho casou-se com Clara na primavera passada. Foi lindo,chorei muito. Menos que Beto, é claro. Tudo foi perfeito, desde o pedido que fez na frente de todos, no aeroporto, no dia que chegou da Alemanha vindo do intercâmbio. Um de seus projetos tinha sido escolhido e comprado por uma grande multinacional.Ele tinha ganhado também uma bolsa na faculdade, e tinha sido contratado como projetista na mesma empresa que trabalha até hoje. Tudo mérito próprio, sem intervenção do Ruivo, ou da família. Ela concordou, lógico, mas queria terminar a faculdade antes de casar. Clara sempre muito inteligente e empreendedora. Ela fica mais linda a cada dia, e agora ficará ainda mais. Sorrio para ela, que está no pequeno palco do disputado restaurante, onde é a chefe e a proprietária o ‘Medeiros’, estamos esperando que todos cheguem para dar uma notícia bem feliz. O restaurante está sempre lotado,mas hoje ela reservou todas as mesas para nós, para nosso almoço de família. O restaurante fica na orla, tem uma vista maravilhosa. Tem tudo muito harmonioso e alegre, a cara de Clara,e muitas fotos lindas nas paredes, todas que Clara tirou. Eles moram em cima do restaurante.  O apartamento deles é bem amplo, tem um jardim lindo de inverno, e uma sacada com vista para o mar de cair o queixo.  E mais importante, tem quartos sobrando. Enfim, Alex chegou, tinha ido atender um chamado urgente. Caminhou direto para sua linda esposa, beijou-a e se voltou para nós. Clara esperou que chegasse até o pai, então chamou a atenção de todos e começou seu breve discurso.

__Minha querida família. A muitos anos escutei meu amado tio Rick, agradecer durante um discurso, por ter nascido numa família tão generosa, incentivadora, amorosa e protetora. Naquele momento não entendi direito o porque de sua gratidão. Hoje sei que infelizmente, nem todos tem nossa sorte.- Olhou para minhas irmãs.-Mas com o tempo percebi que quando nos esforçamos de verdade, acreditamos realmente, conseguimos encontrar a felicidade, mesmo que tenhamos um começo muito triste. – Ela olhou para mim, era a minha deixa.- E  muitas vezes no momento de maior desespero, encontramos um anjo, um tesouro, um motivo para continuar lutando.- Ela olhou apaixonada para Alex.- Gostaria de convidar para repartir este momento comigo, a pessoa responsável pela minha razão de viver, a pessoa que deu inicio a maior felicidade que eu poderia ter. Diana, minha querida sogra.- Levantei-me e fui até ela. Ela segurou minha mão, ficamos de mãos dadas.

__Essa linda menina disse uma grande verdade. Eu não sabia que famílias tão amorosas realmente existiam. Achava que era coisa de novela ou algo assim. Mas a convivência com pessoas maravilhosas durante meu percurso de vida, me fizeram crer que nem tudo estava perdido. Descobri que mesmo nos momentos mais difíceis,nunca estamos abandonados. E se procurarmos bem, nos esforçarmos bem seremos agraciados. Todos sabem os sofrimentos porque passei, embora lute com todas as forças para que nenhuma criança sofra assim, sou grata pelo lindo presente que a vida me deu.- Olhei meu lindo filho emocionado. E meu marido sorridente.- Serei ainda mais pelo que ela reservou para mim agora.- Nos telões do restaurante, duas imagens foram exibidas dividindo o espaço. Eram imagens do ventre em uma ultrassonografia. O som de pequenos corações pulsando rápidos e fortes. Então na imagem começou a aparecer um contorno, de um lado dois corações e do outro também. Os olhos de Alex transbordaram na hora.

__Vou ser pai?É isso?

__Se eu entendo de ultrassonografias.- Disse Deise com lágrimas nos olhos.- E eu entendo, você será pai de gêmeos. -Olhou o Ruivo dizendo.- E tio também.

__O que! ?- Os dois disseram ao mesmo tempo. Alex e o Ruivo se olharam assustados. Alex sorriu, saltou da cadeira, abraçou seu padrasto, correu para o palco ,beijou o meu rosto, pegou Clara no colo e beijou sua esposa rodopiando pelo palco.

__Jura? Teremos gêmeos?- Clara só ria. Enquanto eu contemplava sua felicidade. Ruivo se levantou trêmulo e pálido, caminhou devagar até mim. Olhou em meus olhos com medo de perguntar.

__Tem certeza?- Sua voz saiu num fio.- Eu achei que você não pudesse… Pensei que não poderia engravidar depois de Alex.

__Eu tenho …certeza.- Baixei os olhos.- Eles são os da direita. Iguais ao pai, serão gêmeos  idênticos. Estou de 15 semanas. Estão se desenvolvendo muito bem. O médico disse que não há riscos.- Ergui meu olhar para encontrar os olhos verdes do Ruivo banhados em lágrimas. Ele foi se ajoelhando, e tocando com cuidado a barriga ainda inexistente. Beijou-a com carinho.

__Deus. Como posso agradecer por este presente?- Chorou abraçado a minha cintura.- Eu…Amo você… Tanto. Tem certeza que está tudo bem? Precisa de repouso?

__Eu estou bem. Minha primeira gravidez foi de risco, mas meu útero se recuperou. Sou adulta e com boa saúde agora. Eles estão bem, crescendo.- As lágrimas me venceram. Ele se levantou com um sorriso gigante no rosto.

__Você, Dona Diana é sempre surpreendente.- Beijou-me.- Vou ser pai!- Virou-se para seus parentes e gritou._Eu vou ser pai! – Olhou Alex sorridente.- De novo!- Abraçou meu filho, como se fosse seu.- Você não nega de onde vem mesmo em Alexandre Vogelmann Medeiros, gêmeos!- Eles riram.

Depois de abraços e muitos cumprimentos e felicitações, ouviu-se uma vozinha sorridente:

__Eu tenho uma dúvida tio Ruivo?- Disse Cisco, sempre sapeca.-  Você vai ser pai dos seus bêbes, mas vai ser tio ou avô dos bêbes de Clara? -Todos riram.

__Ainda não sei Cisco. Mas vou ama-los de qualquer jeito.

Os bêbes de Alex e Clara, nasceram primeiro. Eram dois meninos lindos. Um loirinho de olhos negros muito sorridente. O outro branquinho, cabelos negros e olhos azuis cobalto. Beto chorou quando viu os bêbes. Dona Elisa também. A vida gosta de fazer isso, dar voltas e voltar no mesmo lugar. Rick sorriu e perguntou:

__Como vai ser o nome do bêbe a cara do tio Rick?- Disse com o bebezinho no colo. Clara e Alex se entreolharam:

__Luiz.- Sorriu.

__Olá Luiz, eu já tive um garotinho de olhos iguais aos seus um dia. Agora ele não cabe mais no meu colo.- Sorriu e cheirou o bebe.- Sabia que eu também nasci com um amigo loiro ao meu lado? E era a cara do seu irmão. Como se chama seu irmão, você sabe?-_ Rick falava com todo carinho com o pequenino que o olhava atento. Alex respondeu a pergunta.

__Ele se chama Luiz.- Todos o olharam.

__Os dois se chamam Luiz? -Perguntou Rody.

__Sim. -Disse  Clara.- Luiz Roberto e Luiz Ricardo. Luiz, porque serão a luz de nossas vidas e segundo nome, porque não poderia deixar de mostrar minha admiração pela amizade de vocês.- Olhou seu pai e seu tio.- Duas pessoas tão diferentes, que se respeitam tanto, e que se amam profundamente.

__Eu não tive irmãos, mas quero que meus filhos sejam como vocês. Que continuem não apenas parecidos  na aparência, mas com a essência . Com o caráter e a coragem que vocês tem, e que ensinaram a todos os seus filhos. Inclusive ao meu querido Ruivo  quase -pai.- Sorriu para o Ruivo. Beto só chorava e agora Rick e vários outros Medeiros o acompanhavam. 45 dias depois foi a minha vez  dar a luz aos meus gêmeos. Nasceram dois garotos fortes, saudáveis e iguaizinhos. Eram moreninhos, rechonchudos, os cabelinhos todos enroladinhos e os olhos muito verdes. Quando olharam para o pai, os dois sorriram ao mesmo tempo. O encantamento foi geral. Dimitri e Nikolai eram os gêmeos mais charmosos de todos os tempos. Sorridentes, carinhosos e inseparáveis. Com seus nomes fortes que significavam terra e vitória, mostravam toda a glória de minha família e do Ruivo. Embora vovó Nina os chamasse apenas de Dimi e Nico. Agora o Ruivo passeia no parque todas as tardes com eles, com todo orgulho de seus pequenos gêmeos de olhos cor de esmeralda. Esse é o meu ruivo, que não é mais o ruivo solteiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 15

Os meses passaram  ligeiros, muito trabalho no orfanato, na escola, muito esforço para dar conta de tudo. O casal mais miscigenado da família Medeiros, estava a cada dia mais feliz. Diana amava a casa. O quintal cheio de flores a deixava muito animada e  a calma de suas cores no interior, lhe davam tranquilidade. Todos os dias cuidavam juntos do jardim, Ruivo era muito talentoso com as plantas. Alex por outro lado, parecia ter nascido naquela casa. Tudo lhe aprazia. Principalmente ver o carinho com que o Ruivo tratava sua mãe. Alex estava sentado no banco branco, embaixo das árvores de Primaveras  que  formavam um caramanchão florido. O Ruivo sentou se no chão ao seu lado e deu-lhe um dos copos de suco de laranja que trouxe.

__Alex, você gostou muito da viagem para Espanha, não foi?

__Sim. Você também certo? – Riu. E o Ruivo também é claro.

__É gostei muito.- Ficou mais sério.- O que estou querendo saber é se você teria o interesse de fazer um intercâmbio no ano que vem. A Prestes de Medeiros oferece essa oportunidade de tempos em tempos. Eu fiz, mas fui para o Canadá. Fiquei um ano. Ben também. Minha mãe e meu tio Rick, também fizeram, foram para Inglaterra e algumas conexões  na França. Procuramos variar os países, alguns já foram para o Japão, para China. No próximo ano será a vez da Alemanha. Sei que eles são muito fortes em tecnologia e eletrônica, se você…. bem se se interessar. Você tem notas excelentes, não vai precisar de ajuda para entrar, faremos o comunicado amanhã na escola. A maioria dos alunos já se inscreve no primeiro dia. Talvez você queira perguntar a sua mãe antes.

__Está me dizendo, que posso fazer o intercâmbio na Alemanha numa escola técnica de eletrônica, por um ano? Por conta da escola? É isso?

__Basicamente sim. Também pode fazer outros cursos relacionados, a escola vai te indicar.É um ano muito proveitoso. Acredito que seria bom para você em sentido acadêmico, mas você não precisa ir se não quiser. Tem um futuro promissor de qualquer forma. Converse com sua mãe, ouça a opinião dela. Com certeza, ela pode te aconselhar melhor que eu.

__Acho que não.- Disse Diana , eles não a viram chegar. Mas ela pode ouvir a maior parte da conversa. Diana olhou os dois homens que mais amava na vida. Eles se compreendiam, se respeitavam, se gostavam e ambos queriam a felicidade dela._Acho que o Ruivo tem razão, não gosto de me afastar de você, mas será ótimo para seu desenvolvimento acadêmico. E eu preciso aprender a viver longe de você. – Os olhos dela marejaram.- Você logo será um homem e vai construir sua própria família. Não poderei ficar sempre com você debaixo de minhas asas. Terei que me acostumar. Um ano num intercâmbio será um bom treinamento.- Suas lágrimas rolaram e Alex a abraçou.

__Ei! Não chore. Nem fui selecionado ainda.

__Mas será, tenho certeza. Você merece meu menino, tão lindo, tão inteligente, tão carinhoso. Meu tesouro. Você vai comer direitinho, não vai?- E chorou. O Ruivo se levantou e abraçou os dois.

__Não fiquem assim os dois, falaremos todo os dias . E nas férias do meio do ano, viajaremos para lá, para te ver. A Alemanha é bem bonita nesta época do ano. Tenho um ex professor que é regente na escola que estudarão em Munique já pedi para ele dar uma olhada em Alex . E tio Rick tem um amigo, um editor que trabalha a duas quadras da escola onde ficarão locados. Ele também vai cuidar de Alex para nós. E tem mais, quem vai acompanhar a classe de alunos é o Vô Carlos. Ele se ofereceu. E Vô Rodolfo decidiu mandar  Vó Aline com ele. Ficarão no mesmo corredor que Alex. Não vai ficar sozinho, nem desprotegido, eu não permitiria isso. – Alex olhou seu padrasto, não, seu pai, o homem que escolheu cuidar, amar e proteger a ele. Estava grato por ter este homem em sua vida. E o Ruivo continuou.- Vai ser bom, você vai aproveitar muito. Mesmo deixando Clara aqui. – O brilho nos olhos de Alex diminuiu.- Ei não fique assim, tenho certeza que ela vai entender, quer o seu bem. Se sua mãe entendeu, com ela será igual.

__Ela não pode ir no intercâmbio?- Perguntou Diana, e antes que Ruivo respondesse, Alex disse.

__Ela não pode, foi aceita num curso gastronômico muito disputado, reconhecido até fora do país. Nem vai precisar fazer o vestibular no ano que vem, será aceita assim que terminar o curso. Começa daqui umas semanas e vai terminar no fim do ano que vem.

__Não fique assim tão triste, lógico que vão sentir saudades, mas é para o crescimento de vocês. – Disse Diana.

__Eu sei, só que não queria ficar tanto tempo longe dela.

__Serão só 5 meses, ela irá conosco nas férias, prometo.-O Ruivo riu.- Terá que aguentar mais uns 5 meses depois também, é claro.

__Jura? Que vai leva-la?

__Claro.- Passou a mão no cabelo do menino, Alex agora já tinha a mesma altura que o Ruivo, e estava cada dia mais forte. Os exercícios no fim de noite estavam fazendo bem ao rapaz. E a companhia de Ruivo também. – Pena que perderei meu companheiro de academia por um ano. Teremos que aproveitar bem esses últimos meses.- Alex fez uma careta e os adultos riram.

Na semana seguinte quando Alex contou para Clara que fora aceito no intercâmbio, ela chorou de orgulho e de saudade, mas disse apenas uma frase.

__Vá, eu ficarei te esperando.

As semanas que seguiram foram muito agitadas, a escola preparou uma exposição com várias vertentes sobre a modernidade. Muita gente visitou as áreas comuns.  Na manhã de quinta, Ruivo e Alex chegaram juntos, como já era hábito. Alex foi para seu estande. Minutos depois, chegou até ele um homem alto, muito branco, com a cabeça raspada, muitas tatuagens nos braços, vestido de camiseta e calça escura. Tinha uma barba bem crescida e ruiva, uma cicatriz do lado esquerdo da testa e um olhar verde muito amedrontador.Disse para Alex:

__Oi filho.- Alex virou-se e encarou o homem estranho.

__Pois não senhor, posso ajuda-lo? -O homem sorriu sarcástico e disse.

_É claro que irá.- Pegou no braço de Alex dizendo.- Venha comigo.- Alex puxou o braço rapidamente estranhando a atitude do desconhecido.

__Desculpe senhor, não posso deixar a exposição.

__Hum. É forte, que bom.- Alex percebeu um sotaque estrangeiro, reparou nos olhos um tom mais escuro que os dele  e um mais claro que do Ruivo. Perecia os olhos de um bicho, um lêmure talvez.- Vamos filho, vim buscar você. Sua mãe ficou me devendo, você será o pagamento.- Aquela frase fez Alex estremecer, mas continuou no mesmo lugar como se nada estivesse acontecendo.

__Senhor deve estar enganado. E como já disse, não posso deixar a exposição.- O cara agarrou seu braço com força, iria machuca-lo.

__Você vem comigo.- Sua voz maldosa apavorou ainda mais Alex. No meio do seu desespero velado, ouviu a voz de seu salvador.

__Solte meu filho agora!- O cara virou e no movimento levou Alex. Os olhos do Ruivo soltavam fogo. Os punhos cerrados e sua expressão não deixavam dúvida do que seria capaz de fazer. O bandido o olhou de cima em baixo. O Ruivo era mais alto e mais forte que ele. Para enfrenta-lo precisaria estar armado.- Vou repetir apenas porque há muitas crianças aqui. Solte meu filho! – A voz baixa ameaçadora, forçou o covarde a soltar Alex relutantemente. Este, altivo caminhou para o Ruivo calmamente. Ruivo o abraçou e perguntou sem tirar os olhos do careca mal encarado.- Está tudo bem, machucou você?- Alex acenou com a cabeça e se postou ao lado dele.

__Ele é meu filho cara, e vou leva-lo comigo.

__Está maluco? Acabei de dizer que Alex é meu filho. Se encostar um dedo nele outra vez, ficará sem seu dedo.

__Não tente me amedrontar professor.- Disse o larapio sorrindo.- Ele é meu, pode perguntar a mãezinha menina dele. Vim cobrar o que me deve.- Só então o idiota percebeu o que tinha feito. O Ruivo ficou louco, Alex precisou segura-lo .

__Ruivo calma!- Alex entrou na frente dele, com as mãos no peito do Ruivo, esforçando-se para para-lo.- Pai! Me escute não vale a pena. Deixe-o ir.- Ruivo olhou Alex ainda bufando de raiva. O careca surpreso ficou quietinho.- Pai, não vale a pena.- Os olhos de Ruivo suavizaram um pouco.

__O que está acontecendo aqui?- Perguntou Beto chegando acompanhado de Rick e Ben, trazidos por Clara, que correu para busca-los quando percebeu a situação. Eles estavam numa reunião com os conselheiros. Se o bandido, estava abaquiado com o Ruivo, imagina quando viu Beto e os outros dois o olhando com cara de poucos amigos.

__Este sujeito, estava agarrando Alex, queria leva-lo da escola. Depois ofendeu minha esposa. Ben, se eu quebrar a cara dele, posso sair com uma fiança certo?- Ben se aproximou do irmão, dizendo:

__ Na verdade, seria legítima defesa, ele estava tentando sequestrar seu filho, e ofendeu sua esposa. Como advogado, poderia processar o indivíduo, mas estou mais a fim de te ajudar a quebrar a cara dele. Como se atreveu a machucar meu sobrinho? Quem é você?

__Eu sou o …-Ruivo o interrompeu.

__Se disser que é o pai de Alex de novo, quebro todos os seus osso.- Rick chegou perto dele, segurou o braço do sobrinho,  olhou para o cara;

__Moço se deseja sair daqui gozando de sua saúde, acho melhor se apressar. Se tinha a intenção de brigar pela guarda do rapaz, devo informa-lo que não conseguirá vencer. A mãe dele tem como defensor o melhor advogado de todo o estado, nesta área. Tem também uma irmã juíza neste mesmo seguimento. Sem contar nas testemunhas que a encontraram, depois que o senhor cruzou o caminho dela. Sim médicos, enfermeiros, assistentes sociais, todos dispostos a manda-lo para a cadeia. Seu crime ainda não prescreveu, seria muito fácil para meu sobrinho conseguir uma pena bem longa para você. E aquela menina que o senhor feriu, hoje não existe mais. Ela é uma mulher adulta, trabalhadora, estudada e casada. Se tentar machuca-la, ou a Alex , terá que enfrentar a fúria do marido dela. E também do pai dele.- Rick apontou para Beto, que bufava com os olhos e os punhos cerrados.- E terá também que enfrentar o resto desta família. Não somos uma gangue, nem a máfia, mas somos muito unidos, e todos homens grandes, eu sou o menor e o mais calmo. E mesmo assim, tenho certeza que não teria dificuldade em derruba-lo, e pior, também quero arrancar sua cabeça pelo que fez a mãe de Alex.- Disse muito calmo, até o careca carrasco, que não o conhecia, percebeu que esse era um sinal de perigo.- Vá embora por onde entrou, e nunca mais procure Alex.

O homem ficou vermelho, parecia que ia sacar uma faca ou algo assim. Beto reconheceu o gesto, chegou mais perto dizendo:

__Não faça nenhuma besteira. Conseguiu ficar tanto tempo aqui dentro inteiro, porque ficou quieto. Se tentar machucar meu filho ou meu neto, não vai continuar assim. Eu até poderia negociar algum agrado contigo, mas depois de tentar isso, você vai sair daqui agora e sem nada. Vá! – O gringo percebeu que não poderia enfrentar todos eles. Começou a caminhar em direção da porta, o salão estava movimentado, quase ninguém tinha notado o alvoroço. Então o sacripanta resolveu mostrar a que veio. Quando passou por Clara, agarrou a garota e colocou uma faca em seu pescoço.  Foi uma loucura, gente gritando correndo para fora, seguranças aparecendo de todos os lados, coisa de filme de ação. Em dois minutos só restavam no pátio os seguranças, os Medeiros, Alex e o pulha ameaçando Clara.

__Cara!- Disse Ben.- Pensei que fosse mais esperto. Se não solta-la agora, vai se arrepender para sempre.

__Não vou soltar.- Lambeu o rosto de Clara.- É bem linda. Não era o que eu queria, mas posso ficar com ela.

__Não!- Gritou Alex. Deu dois passos.- Solte-a, vou com você.- O malvado riu. Os Medeiros sabiam que mesmo que tentassem, não poderiam segurar Alex.

__Agora gostei.- Olhou-os com desprezo. – Mas não quero mais levar você garoto, ela me serve mais.- Alex deu mais dois passos.

__Não faça isso.- Parecia nervoso.- Olhe, veio para me buscar, não é? Vou com você e faço tudo o que quiser, mas deixe ela aqui.- Deu mais dois passos, cobrindo o campo de visão do desprezível.- Não a machuque. Ela é neta do dono da escola, se leva-la irão atrás de você. Eu farei o que quer. E te mostro como sair e despistar a polícia.

__Polícia! Você chamou a polícia?- Soltou uns xingamentos em sua língua, que pareceu russo.

__Eu não, mas muita gente correu para fora, a polícia deve estar chegando. Vamos deixe ela ai, ela é frágil,  só vai te atrapalhar, vem comigo, é por aqui.- Estendeu a mão para mostrar a porta do lado, o cara seguiu seu braço e se desconcentrou, afrouxando a faca. Clara olhou nos olhos de Alex e num movimento calculado, deu uma cotovelada bem forte no estomago do cara, ele se desequilibrou e a soltou e ela  correu para Alex. Neste instante, Ruivo  que já tinha entendido a intenção de Alex , passou a frente e imobilizou o covarde. Mas fez questão de uma dúzia de socos antes.

__Você é um idiota mesmo! Vai para cadeia desgraçado! Ou não me chamo Carlos Medeiros.- Os outros se aproximaram e os seguranças também. Menos de um minuto se ouviu as sirenes da polícia.

Alex com Clara nos braços verificava cada centímetro do pescoço dela.

__Você está bem, amor? Ele machucou você?- Um corte e um pouco de sangue o apavoraram.- Ai meu Deus, está ferida! Pai!- Ruivo atendeu no mesmo instante. Para surpresa e alegria de todos os Medeiros, que não tinham ouvido eles se tratarem assim ainda.- Veja, ela está ferida, pai.- Alex tremia.- Acha que é sério?

__Não, acho que não é fundo. Ele só queria assusta-la. – Olhou nos olhos da irmã, corajosa que nem chorou, permaneceu controlada e buscando uma saída. Ela que tinha entendido a atitude de Alex de imediato, e ficado esperando o momento de agir.- Mas ele não conhece nossa Clara, não é mesmo? Não sabe que nada pode derruba-la. Que ela é mais esperta e mais forte que todos os Medeiros.- Sorriu e olhou Alex.- E também não sabe o quanto vocês se amam, que nada poderia separa-los, nem um intercâmbio, nem um bandido qualquer.- Beijou a testa de Clara, depois a de Alex dizendo.- Você me chamou de pai.

_É assim que me sinto, seu filho. Chamei por você no meu pensamento, quando reconheci quem ele era. E você veio. Muito obrigado por me defender. -Os olhos dos dois estavam marejados.

__Sempre estarei pronto para cuidar de você, meu filho. Esse covarde não faz ideia do que eu seria capaz para defender você. A sorte dele é que vai ficar trancado por muito tempo._ Beijou a testa dele novamente. Enquanto Rick dava todas as informações para a polícia, Ben e Beto chegaram perto deles.

__Vocês estão bem?- Ben estava furioso. Olhou o pescoço de Clara.- Esse canalha me paga! Nunca mais vai chegar bem perto de vocês. Juro.

__Está doendo minha princesinha?- Beto estava preocupado.

__Estou bem, papai. Um pouco agitada é claro, mas estou bem.- Sorriu ao ver os homens de sua vida, todos preocupados com ela. Rick se aproximou- Talvez tio Rick poderia aproveitar esta cena em um de seus livros. A mocinha seria a heroína, lógico.- Todos riram.

__Na verdade é uma ótima ideia.- Disse Rick tranquilo como sempre.

A polícia levou o ruivo bandido, e a família se fechou em torno de seus amados jovens.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 14

Era o primeiro dia de trabalho de Diana, estacionou seu Creta branco, novinho na garagem do orfanato. Seu carro novo tinha sido seu presente de casamento. Quando chegaram de viagem o carro estava na garagem do prédio, ao lado do cinza do Ruivo. Ele disse:

__É costume em minha família dar uma joia de presentede casamento para a esposa. Mas achei que você precisava mais do carro. E já tinha ganhado muitas jóias nos últimos dias. Como para mim um Creta também é uma joia…

Diana não sabia se chorava ou se ria. Esse era seu ruivo marido. A viagem tinha sido magnifica. Lugares lindos, interessantes, cheios de histórias e de vida. Os olhos de Alex brilhavam a cada novo cenário que via. O castelo era de filme. Os quartos todos confortáveis e com uma vista maravilhosa. Nos primeiros dias, Alex e Ruivo dormiram no mesmo quarto, e todas as meninas queriam dormir junto com Diana. Precisaram revesar. No dia do casamento, o pátio do castelo estava todo enfeitado com lírios brancos. As toalhas das mesas eram brancas e a louça toda branca, e os guardanapos eram verde água. Em cada mesa havia um solitário bem alto com dois lírios dentro. Atrás do altar tinha uma árvore francesa branca. O juiz estava vestido com a toga como era comum na região. O Ruivo  vestia um terno cinza claro com camisa, colete e gravata borboleta branca, e na lapela um pequeno lírio branco. Entrou levado por sua mãe Nina, que vestia um vestido de um ombro só, com a cintura bem marcada e uma saia com um caimento suave verde tiffany. Beto estava também de terno cinza com a gravata borboleta, verde tiffany. Ele entrou com Clara  com o mesmo modelo de vestido da mãe, água marinha. Em seguida Jorge e Alice, com o vestido turquesa e a gravata borboleta de Jorge combinando. Então Rick e Lia de jade. Em seguida Rodolfo e Elisa de esmeralda. Os próximos foram Ben e Liv de sálvia. A seguir Carlos e Aline de verde grego. Em seguida entraram as irmãs de  Diana, Dalia com o vestido em verde hortelã e Deise verde marguerita e seus respectivos maridos com as gravatas borboletas combinando. Os outros três casais de amigos gostaram da brincadeira e as mulheres escolheram modelos de vestido diferentes mas em tons de verde, e os maridos estavam com as gravatas combinando como os padrinhos. E a pequena Ema vestia um vestido bufante verde bebê. Até Dona Elisângela estava usando, seu modelo estampado em verde e com uma echarpe verde escura. Irene sua filha achou tudo muito romântico, usou um macacão branco com bolinhas verde escuro e combinou com sapatos e pulseiras do mesmo tom.  Era negra como Diana, mas não tão alta e tinha cabelos muito lisos, tinham morado juntas no abrigo. O Filho de Geraldo, amigo de Rodolfo,  João Pedro, pareceu gostar muito da combinação. O rapaz que vinha achando está história de todos os tons de verde meio piegas, quando viu Irene chegar, correu até o quarto para trocar a gravata por uma de borboleta  verde de bolinhas brancas, que viu na mala de seu pai.  Para marcar a chegada da noiva com toda a alegria do mundo, entraram as três meninas de Dalia, mais as duas de Deise, mais Alana, todas vestidas de daminhas de branco com um cinto largo verde cana, de duas em duas, enfileiradas por altura. Tinham nos cabelos um arranjo lateral de flores brancas e carregavam um pequeno buque nas mãos. Atrás delas entraram Rody, Cisco e Marcelo,o filho de Deise. Estavam vestidos igual ao noivo, com gravatas da cor do cinto das meninas. Entraram nesta ordem um de cada vez, com plaquinhas que diziam:’ Aí vem a noiva.’ E a outra ‘ Ainda da tempo de fugir’ e a do pequenino ‘ Se fugir eu caso com ela, está linda’. Todos riram, este era mesmo o casamento do alegre Ruivo.Todos estavam a postos, então a voz gravada de Ben cantando acompanhado apenas pelo violão I do It for You de Bryan Adams, encheu o pátio. E lá estava ela. Sendo conduzida por Alex. Ele também estava vestido exatamente  igual ao Ruivo. Mas sua gravata era da cor do vestido de Clara. Estava muito bonito. Mas nada podia se comparar a noiva.Ela tinha feito seu vestido de crochê. Várias flores de diferentes tamanhos e formatos se uniam em toda a saia de recorte em A com um pequeno volume charmoso, e uma calda singela. O corpo delicado, com flores um pouco menores,  cobria seu colo num modelo de gola alta, deixando o contraste do branco com a brilho da pele negra em evidência nos ombros torneados. O forro do vestido em verde claro deu um toque ainda mais romântico ao vestido, nos pés uma sapatilha branca com laço imenso em cima. No pulso do braço delgado uma pulseira de brilhantes, presente de Jorge. Nas orelhas um par de brincos de brilhantes que combinavam com a pulseira, presente de Ben. Disseram que ela merecia ter lindas joias, porque era uma joia rara. Diana nunca pensou que teria coisas tão bonitas, nem tão caras. Nas mãos carregava um lindo buque de lírios brancos. Estava esplendida. Mas uma coisa chamou mais atenção que tudo. Diana soltara seus cabelos. Estavam no seu estado natural. Negros, crespos, cachos bem fechados, volumosos e compridos até a baixo da cintura. Estava preso de um lado um arranjo de flores brancas, como os das daminhas. A maquiagem suave completava seu visual. Ela parecia a rainha do Ébano. Lindíssima. Ruivo a olhava encantado. Quando chegaram até ele, Ruivo abraçou e beijou a testa de Alex, assim como Diana fez. Ele se juntou a Clara, e a cerimonia começou. Na hora das alianças, as pequenas gêmeas de Ben entraram no colo dele, sorridentes vestidas de branco com uma tiara de flores nos cabelos e as duas segurando ao mesmo tempo uma cestinha branca com uma almofada verde claro e as alianças presas nelas. As duas bebês de pouco mais de um ano, pareciam saber o que estavam fazendo, sorriram para o tio com todo o amor e entregaram a cestinha para ele.O Ruivo beijou a testa das duas e a do irmão tão amado, virou-se para sua linda noiva e colocou uma aliança dourada com um filete de ouro branco no dedo dela e deu-lhe sua mão para que ela fizesse o mesmo. Foi muito emocionante, ver os olhos dele marejarem quando foram declarados casados. A festa que se seguiu foi deliciosa. A comida boa, a companhia ainda melhor. Dançaram a tarde toda. Quando a noitinha caiu a festa ainda não tinha acabado. Foram acesas as luzes do castelo, e tudo ficou ainda mais incrível.Na hora que pensaram que deveriam se recolher, os parentes e amigos acharam que eles deveriam abrir alguns presentes. Dona Elisângela, deu para ela uma caixinha de joias que lembrava  um pequeno baú antigo. Quando destrancado e aberto ele tocava música, disse ter pertencido a sua mãe. Era um presente de avó. Diana chorou. Sr Geraldo, amigo de Rodolfo, deu-lhe um broche de esmeraldas e brilhantes, uma peça requintada, mas suave. Disse que era o único presente que coube na mala da esposa.Todos riram. Lúcio, o amigo do Ruivo, usou uma desculpa parecida, disse que tinham trazido muita coisa para a neném, deu para Diana um colar de pérolas bem pequenas e clarinhas. Muito delicado.Deise e Cunha deram para ela uma gargantilha de ouro com a letra D , a A e a C entrelaçadas. Dalia e Xande deram um par de brincos de pérolas simples e muito elegante. Dalila e Américo, amigos de Beto, deram uma pulseira pandora com  três pingentes, um coração, um menininho e um lírio.Vovô Carlos deu para ela um par de brincos de esmeraldas com 3 pedras, uma junto a orelha, outra num pendente um pouco a baixo e uma terceira em outro pendente mais a baixo, lindo.Rick deu para Diana um colar de esmeraldas e brilhantes que combinavam com os brincos e com seu anel de noivado.

__Gente, são todas peças muito caras, eu…não posso aceitar.

__É claro que pode.- Disse Rodolfo.- Sabe moça bonita, desde menino sempre tive um dom para escolher joias para as pessoas, sempre sabia qual elas iriam gostar. Pensei até em ser ourives, mas a vida me levou a outros caminhos. Antes de embarcarmos, nós os felizes convidados para este momento tão maravilhoso, não sabíamos o que dar de presente ha vocês, o Ruivo já tinha casa montada, e você também. A lua de mel, foi um achado, a festa idem. Então perguntamos as suas irmãs as coisas que gosta e que não tinha, ou que precisava de mais, ou de novas. A única coisa que puderam lembrar foram jóias. Disseram que você gosta, mas que vinha economizando para seu apartamento. Por este motivo, não tinha nenhuma. Passamos a mensagem a todos, e é isso o que aconteceu. Todos escolheram peças para te agradar. E pela minha experiência, você gostou de todas.-Diana sorriu. Beto disse :

_ Falta a minha.- Entregou-lhe uma caixa. Nela uma pulseira que fazia conjunto com o colar que Rick havia dado. Foi então que percebeu, tinha ganhado um broche, um par de brincos, um colar e uma pulseira de esmeralda que faziam parte do mesmo conjunto, em que o Ruivo havia escolhido seu anel de noivado. Suas irmãs escolheram joias simples que ela poderia usar no dia-a-dia. O professor Lúcio e o Senhor Américo, também. Jorge e Ben lhe deram algo mais sofisticado, para que usasse em seu casamento e em ocasiões especiais.Um par de brincos de brilhantes e uma pulseira combinando.Já os mais velhos lhe deram jóias caras, eram um legado, uma herança. Eles haviam planejado mesmo aquilo. Por isso Dona Elisângela lhe deu a caixinha de sua avó.

__E para concluir a seção de presentes._ Rodolfo lhe estendeu uma caixa preta.- Era para ter te entregado para que usasse hoje. Mas quando  Elisa viu seu vestido pela manhã, disse que não combinava com o modelo._ Ela abriu. Era um colar de brilhantes que fazia conjunto com os brincos e a pulseira que estava usando. Rosas feitas com bastante relevo, cravejadas de brilhantes, dispostas uma ao lado da outra. Igual a pulseira. Os brincos eram duas rosas iguais as do colar, sobrepostas.Diana não tinha o que dizer, ficou sem palavras ._ Agora você tem joias para colocar na caixinha.- E sorriu o velho falcão. Na verdade, Diana achava que tinha um tesouro, e nem eram as joias, e sim esta maravilhosa família. E então, depois de passar os dias mais felizes de sua vida na Espanha, quando desceu do táxi, viu seu lindo Creta branco, na sua vaga. Depois de beijar muito seu ruivo, disse:

__Como posso agradecer por isso?

__Eu que estou grato, por me fazer tão feliz. Mas se puder gostaria de te pedir uma coisa, poderia deixar seu cabelo mais vezes assim? Suas tranças são lindas, mas esse cabelo macio, me enlouquece.- Disse acariciando os cachinhos e  beijando sua boca. Agora, ali estava Diana de brincos de pérolas, cabelos soltos, anel de esmeralda, pulseira pandora, aliança de ouro e Creta branco. Quem diria? Riu sozinha no estacionamento. A menina, abusada, machucada, negra, deixada para morrer no matagal, grávida aos 11 anos, agora era estudada, doutora em sua profissão. Trabalhava no que lhe dava prazer, tinha um filho lindo, amoroso e estudioso. Uma casa alegre, confortável e aconchegante. Um carro lindo. E um marido ruivo maravilhoso, que fazia questão de beija-la todas as manhãs. E acabava de chegar de seu lindo casamento num castelo na Espanha, onde passara uma lua de mel de conto de fadas. A vida dá mesmo muitas voltas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 13

Quando as fotos do Hotel de Enrico chegaram, Diana mal podia acreditar. Era um castelo medieval em Segóvia, no meio da Espanha. Em um dos lados havia um penhasco como nos filmes, e do outro lado um jardim imenso com milhares de flores coloridas e arbustos muito verdes. Dentro do pátio de pedra do castelo muito iluminado, havia trepadeiras floridas e uma fonte. Parecia coisa de conto de fadas. Rodolfo explicou que Enrico era um conde jovem. Herdara o castelo de seus antepassados. Por anos as terras em volta foram cultivadas e o castelo aberto apenas para visitação. Mas agora Enrico queria que o Castelo Azucena de Allende, fosse um hotel. Tinha feito todas as restaurações e adequações para tanto. Segundo Rodolfo, o jovem conde ficou empolgadíssimo com a possibilidade de um casamento, para testar seu estafe, e para avaliar suas instalações. Até o preço foi convidativo, porque não cobraria a locação, somente os gastos práticos.
__Achei tudo um sonho. Mas não acho que poderia pagar um casamento assim. Foi isso que quis dizer com casamento simples?- Perguntou Diana rindo para o Ruivo.

__Minha linda nora. -Disse Beto.- Acha mesmo que eu, seu satisfeito sogro, permitiria que você pagasse para me livrar deste ruivo invocado?- Todos riram.- Minha querida, escolha o que quiser. Sei que não é extravagante, que prefere coisas simples. Acho bonito seu jeito. Na verdade já é exuberante, não precisa de nada mais. Meu pai conseguiu enrola-la e fazer um casamento um pouco mais suntuoso do que você imaginava. Mas escolha as coisas que gosta, sei que vão combinar com tudo. E não se preocupe com esses gastos. Serão um presente meu. E não tente negar isso a um pai tão feliz. Além disso, também vou de graça para a Espanha.- Riu alto.

As mulheres Medeiros começaram a fazer sua mágica. Em menos de uma semana, menu, músicas, roupas, lembrancinhas, decoração, montagem de fotos, bolo, docinhos, tudo estava escolhido, catalogado e enviado para Enrico e sua equipe. A lista de convidados deveria ser pequena, conter apenas a família e alguns amigos íntimos. Dona Elisângela, a assistente social que cuidou de Diana menina, estava idosa, mas fez questão de aceitar o convite. Iria com sua filha adotiva Irene. O professor  Lúcio, amigo de faculdade do Ruivo, iria com a esposa Regina e sua filhinha Ema. Mais um casal de amigos de Beto, Américo e Dalila, e um de Rodolfo e Elisa, Geraldo, Olímpia e João Pedro seu filho. E assim alista estava completa. Rodolfo mandou separar 42 passagens, a maioria de adolescente e crianças, riu quando percebeu que sua família tinha se tornado tão fértil. O Hotel disponibilizaria quatorze quartos e a Suite Nupcial. Todos chegariam três dias antes do casamento, os amigos ficariam mais quatro dias e receberiam passeios incluídos no pacote. A família ficaria mais 22 dias. Visitariam vários lugares, outras cidades próximas, restaurantes, vinícolas, ou seja, férias completas. Alex estava radiante.

As provas chegaram ao fim, a escola entrou em ressesso. Alex, Clara, e todas as crianças foram aprovados. As apresentações da Escola de dança chegariam ao fim na primeira semana de Janeiro. Ben sempre eficiente, já tinha toda documentação de todos preparada, embora fosse fim de ano. Jorge só sentiu não poder levar Ritinha, sua secretária, junto com eles. Ela precisaria ficar para coordenar a equipe substituta.

Dois dias antes de viajarem, o Ruivo pegou Alex e foi buscar Diana no trabalho. Levou-os para o prédio de seu avô Carlos.

__Porque estamos aqui? Precisa resolver alguma coisa com seu avô?

__Na verdade, não.- Disse apertando os botões do elevador.- Não estamos indo ver meu avô.- O elevador parou no último andar.- Estamos indo ver nossa casa.- As portas abriram e davam num átrio com um vaso branco de barro grande, com begônias floridas. Uma porta grande, com vitrais.

__Você tem um apartamento aqui?- Perguntou Alex. Ele negou com a cabeça. E sorrindo abriu a porta. Diana viu um jardim verde com canteiros de flores coloridas e um caminho de pedras brancas que davam numa pequena varanda. Havia uma casa no estilo europeu antigo, com madeira vermelha e janelas brancas. O telhado de várias águas abrigavam janelas com floreiras cheias de flores. No meio do jardim uma carriola de madeira também cheia de flores. Em todo o parapeito cheio de flores, e a esquerda algumas árvores plantadas em vasos. Todas crescidas, floridas e dando frutas. Diana olhou para o Ruivo boba.

__Há quanto tempo tem esse lugar? Disse Alex.

__Eu comprei essa cobertura, com a herança que recebi quando fiz 18 anos. Eu queria uma casa, mas não queria que fosse longe do trabalho,  e não queria apartamento. A casa não existia, mas o projeto para uma construção tinha sido aprovado. Escolhi esse modelo e mandei fazer. Levou 2 anos para ficar pronta. Então minha tia fez o projeto de jardinagem para mim. Levou mais 6 meses para plantar tudo. Quando ficou pronto, eu gostei tanto que não tive coragem de alugar. Passei a vir aqui para relaxar. Ficou sendo meu refugio. Sei que gosta do seu apartamento. Mas se você e Alex concordarem,  eu gostaria de morar aqui.

__Podemos ver lá dentro? _ O garoto foi se virando para casa.

__Claro. -Abraçou Diana.- Se não gostar, podemos ficar em outro lugar. Ok?- Ela sorriu. Entrado na casa de porta branca com vidro no meio. A sala era espaçosa, as paredes palha e sofá de dois e três lugares num tom acima, com almofadas um tom mais claro e verde água. Uma mesa de centro retangular de madeira com umas peças de latão e um vaso de kalanchuê vermelho. Um tapete no mesmo tom deixava tudo harmonioso.Outros adereços elegantes, uma estante de livros numa parede, um espelho em outra e uma cortina branca rendada deixavam a sala elegante e simples.Muito aconchegante. Uma sala de jantar com mesa de vidro redonda de 12 cadeiras, um aparador combinando e cadeiras de ferragem retorcidas. Um espelho de cristal, um lustre pendente simples e elegante. Uma pintura abstrata em cores quentes, contrastando com as paredes palha. A cozinha era toda branca, com peças de vidro e  muito moderna. O que mais chamou a tenção de Diana, foi a janela atrás da pia com uma charmosa floreira e a visão do jardim. No corredor muitas fotos em porta-retratos diferentes e coerentes. A família, as escolas, o orfanato, férias, flores, instrumentos, sapatilhas, carros. Tudo fotografado artisticamente. Fotos de Clara. Também tinha até fotos de Diana e de Alex.

__Como conseguiu essas fotos?- Perguntou Diana. Antes que pudesse responder, Alex alisando a foto disse:

__Foi Clara. Ela é ótima.- Seu olhar apaixonado pelo trabalho de sua amada.

__Ela é mesmo muito talentosa.. _ Subindo a escada de madeira, na primeira porta branca, um escritório com uma biblioteca invejável. Na segunda, um quarto azul claro , confortável, preparado para Alex. Com um banheiro só para ele. Alex amou. Ruivo disse que ele pode fazer todas as mudanças que quisesse. Na porta ao lado, o quarto estava vazio. Ruivo disse que Diana poderia usa-lo como achasse melhor. Na porta seguinte, um banheiro muito elegante, todo marfim com detalhes bronze. Tinha uma pintura muito interessante em uma parede e um vaso de orquídea branca. A próxima porta branca, Diana já sabia que era o quarto do casal. Alex deu um jeito de ficar para trás, para dar privacidade ao casal. O quarto era todo branco, papel de parede, a cama de dossel , coberta por uma colcha branca bordado de branco.  Os criados tinham um abajur e um vaso com lírios brancos cada um. Uma poltrona branca com almofada branca.  Uma cortina branca de renda. Diana reparou todos os detalhes, minuciosamente escolhidos em branco.  Lustre, tapetes, moldura, cabideiro, caixinha de jóias, mesinhas.Todos os adereços de muito bom gosto. A única coisa que não era branca, era uma pintura na parede oposta a cama. Uma mulher negra com vestido branco, segurando um ramalhete de lírios brancos. Não dava para ver o rosto, mas Diana não precisava.

__Sou eu. Quem fez essa pintura?

__Eu.- Diana olhou para ele. Como esse homem tão cheio de talentos, cheio de possibilidades, foi se apaixonar justo por ela?- Gostou?- Parecia encabulado.

__Você é um artista.- Beijou-o. – Onde coloco minhas roupas?- Ele sorriu. Pegou a mão dela e abriu uma porta, atrás um closed e o banheiro. Tudo branco, inclusive as toalhas, tapetes louças, banheira, tudo.

__Quer vir morar aqui?

__Sim!- Beijou-o.- Você é maravilhoso sabia?- Ele riu.

__Meus irmãos não diriam isso. Será que Alex também vai querer?

__Está brincando, ele amou o quarto com banheiro.- Riram.- E é pertinho da escola, ele pode ir a pé. E é pertinho do parque, vou poder correr mais tempo aqui.- Sorriu.

__Gostou mesmo da casa?

__Muito. Tenho dó de deixar meu apartamento e meu pequeno jardim lindo. Mas seu carro não ia caber na minha garagem.- Riram.- Podemos alugar.

__Seria uma boa ideia. Se quiser, podemos pedir para Ben encontrar alguém para morar lá. Ele é muito bom nisso. E você pode depositar o aluguel na conta de Alex.

__É uma boa ideia. Ele vai gostar muito disso.

__Bem o apartamento é dele não é?- Diana pareceu surpresa.

__Como sabe disso?

__Ben me contou, você entregou seus documentos para que ele preparasse os papéis do casamento, lembra? Eu também precisei entregar a ele. Ele me ligou para saber como fazer com meus bens, e mencionou o apartamento de Alex. Achei muito bonito, você dar o apartamento para ele. Você é uma mãe muito protetora.- Beijou-a.

__Ele não sabe. Não tive tempo ainda. Está acontecendo tanta coisa.

__Você colocou o apartamento no meu nome?- Alex estava na  porta.- Porque?

__Porque queria que você tivesse um bem só seu. Se algum dia precisar desse dinheiro, pode vende-lo. É para você ter uma segurança. Ter de onde começar. Não vale tanto assim, mas é um patrimônio. Não é Ruivo?- Era a primeira vez que buscava a ajuda dele para lidar com o filho. O Ruivo gostou muito disso.

__Ela tem razão Alex. O apartamento é um bem seu. Que sua mãe lutou para conseguir para você.É justo que fique contigo.

__Mas e se vocês tiverem outros filhos? O apartamento seria deles também.- O Ruivo sorriu com a possibilidade. Se aproximou de Alex o abraçou.

__Ah, meu menino, tão maduro, tão justo. Não se preocupe. Se Deus nos abençoar com outros iguais a você, eu lutarei para que tenham tudo que precisarem. E o apartamento é só seu, mas essa casa também é sua. Tudo o que tenho a partir do momento que me casar com sua mãe será de vocês. Fiz questão da união total de bens.- Os dois olharam para ele de súbito.

__Porque? – Disse Diana, preocupada.

__Para a documentação sair mais rápido. Diana, você será minha mulher. Tudo que tenho será seu. Não tenho interesse em fazer contratos pré- nupciais. Tenho alguns bens, mas nada fora do comum. Está casa, que valorizou a herança que recebi da família de minha mãe. Tenho um carro e uma moto.Sou acionista nas empresas do meu pai e do meu avô. Todos os rendimentos das empresas estão aplicados, Ben cuida disso.O dinheiro que uso, vem do meu trabalho na escola. Não sou um cara deslumbrado. E nem sem juízo. Sei que o dinheiro pode virar a cabeça das pessoas, vi o inferno que fez na vida de Alice e de Liv. Elas quase morreram.  Mas vocês não são assim. São trabalhadores. Construtivos. Não tinha porque ter medo de fazer vocês meus herdeiros legais.  Você será minha mulher e você será meu filho. Simples assim.- Alex sorriu para a mãe.E Diana disse::
__Certo. Se é assim, vai me deixar dirigir o Creta Cinza?- E Fez uma cara de piedade.

__Nem pensar! Ninguém encosta no meu carro. -Riram.- Levo você para onde quiser. Eu juro.

__Posso mandar minhas roupas para meu quarto novo? – Sorriu Alex.

__Claro que pode, embale tudo que vou buscar amanhã. E você pode desembalar quando chegarmos de viagem.- Pegou um chaveiro no bolso e deu para Alex.- Essas são as suas. – Virou-se e abriu uma gaveta e tirou outro chaveiro. – E estas as suas amor. O código de acesso do elevador está no chaveiro. E o alarme é os últimos 6 números do meu telefone. Se precisarem vir aqui, o porteiro já está avisado. Qualquer coisa ligue para minha avó ou para mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 12

O Ruivo estava deitado de lado no sofá, a cabeça no colo do irmão. Ben esfregava as costas e o ombro dele, como se fosse uma criança. Ele chorava compulsivamente. O rosto já marcado pela dor.

__Ei, sei que está doendo, mas tente respirar. Todo esse desespero não vai fazer bem para você. Nem vai te ajudar. Vamos meu irmão respire. Força, respire.-Ben falava calmo, tentando ajudar seu gêmeo a superar sua agonia.

__Eu não consigo.- A voz estava embargada, fraca, cortada por soluços involuntários.

__É claro que consegue. Estou aqui, vou te ajudar. Conheço essa dor Ruivo, vivi isso também. Sei como ela pode devastar. Não dê tudo por perdido. Diana pode reconsiderar. Olhe meu caso, achei que nunca teria uma família, que nunca seria feliz, que viveria sozinho para sempre também. Dê tempo ao tempo. Espere irmão. Tenha fé. Vamos você não é assim, um derrotado. Lute contra a dor.

__Não consigo. Ben, meu coração parou quando ela disse que…-Chorou.- Disse que não me queria para vida dela.- Soluçou.- Como você conseguiu suportar isso? Estou sufocando. Não tenho como consolar meu coração. Ele não consegue aceitar. Está me matando.

__Ruivo precisa reagir.  Vou repetir, não dê tudo por perdido. Diana estava zangada, dê tempo a ela.

__Quando Jorge ligou e falou de Georgia, achei que ela ficaria zangada, com ciúmes, mas nunca imaginei que quisesse terminar. Como vou conseguir controlar esse desespero? Não sei nem como vou fazer para ficar sem vê-la. Eu sei que devo fazer o que ela quer, me afastar, deixar que sinta minha falta, mas não sei como ficar longe dela. E se nesse tempo ela encontrar alguém que a interesse? Deus, imagine o que isso fará comigo? O que faço Ben?- Era um choro tão doído. Diana foi se aproximando devagar. Ben a viu, sorriu aliviado para ela. O Ruivo não podia vê-la.

__ Primeiro precisa se acalmar. Fale como se sentiu, pode ajudar a controlar sua angústia.

__Quando a beijei ela estava distante, mas ainda estava ali. Pensei que estivesse com raiva, mas que quando soubesse das loucuras de Georgia, ela entenderia. Então eu tentei toca-la, queria sentir o calor dela, ter certeza que estava tudo bem. Quando ela disse que queria que nos afastássemos, um pavor tomou conta de mim. Demorei tanto para encontra-la, depois  mais tempo para entender a profundidade do que sentia por ela e num segundo, eu ia perde-la.- Chorou.- Tentei me controlar, raciocinar, mas fiquei sem ar no momento que gritou comigo. Ela gritou comigo Ben. Nunca há vi gritar com ninguém. Fui me afastando com muito esforço, apavorado com a possibilidade de perde-la. Então perguntei.- A voz falhou, e o coração de Diana se apertou de novo.- Não conseguiria deixa-la se não ouvisse ela dizer. Sabia que ia ser doloroso,  mas não tinha outro jeito, precisava deixar ela me ferir. Aquela voz que eu amo tanto, fica ecoando, ecoando, ecoando.-Soluçou.- Foram só quatro letras Ben, quatro letras. Um único pronome que destruiu minha vida. Nunca pensei que pudesse doer tanto. Parecia que tinha sido atingido por um caminhão. Doeu todas as células do meu corpo. Minhas pernas perderam as forças. Fechei os olhos, não podia olhar para ela. Se fizesse, me ajoelharia e imploraria que não me deixasse. Mesmo sabendo que ela tinha direito de não me querer, que eu não podia obriga-la, ainda assim eu pedi. Só uma vez, mas pedi que não me deixasse morrer de dor desse jeito. Doeu o dobro ouvi-la reafirmar sua decisão.- Chorou mais.- Isso não vai melhorar Ben, vai aumentar a cada dia que ficar longe dela, eu já mal consigo respirar agora.

__Talvez ela perceba que se enganou.- Disse olhando nos olhos de Diana.- Talvez veja que só estava irritada, chateada, com ciúme. Talvez volte para você.-Ruivo chorou mais forte.

__Ei, não desista.

__Eu a perdi Ben. Perdi a mulher da minha vida. Sou um falcão, não vou sobreviver. O ferimento que tenho no peito, é de morte. Você sabe disso. A diferença entre você e eu, é que você sempre foi mais controlado, mais forte. Eu sou grande, mas tenho o coração frágil como tio Rick, não tenho como me defender desta dor, como suportar essa dor. Além disso, você não perdeu Liv. Não depois de tê-la em seus braços.  Eu terei muitos momentos para me torturar. Na primeira vez que olhei nos olhos dela, no corredor da escola, furiosa comigo por causa do traste do Flávio, naquele momento alguma coisa me dizia que ela me faria sofrer. Achei engraçado, como uma linda mulher que eu nunca tinha visto antes poderia me atingir assim? Deveria ter dado atenção aos meus instintos, estou perdido Ben, não tenho como me salvar. Já sei disso desde de a primeira vez que a beijei. Pertenço a ela, mas ela não me quer, não tenho livramento. Por mais que lute vou morrer de dor.- Ben olhou para Diana suplicante.

__Por favor? Estive sentado aqui vendo-o sangrar a tarde toda. Não posso suportar mais vê-lo sofrer assim.- Diana se fez ver ao Ruivo, ele se sentou rápido, Ben o olhou por um segundo, apertou seu ombro, se levantou, passou por Diana, parou.- Ele ama você como está claro, não o machuque mais, por favor. Ele não merece. Acredite. O único erro foi ser  passivo com aquela maluca.- Virou-se para sair.- Estarei lá em baixo.- Desceu. Diana sentou-se ao lado do Ruivo. Ele respirou fundo muito ferido.

__Olhe Diana, não é porque me viu neste estado, que é obrigada a ficar comigo. Eu amo você é lógico que vou sofrer com nossa separação. Sei que não…- Não pode terminar, Diana o beijou profundamente. E ele como era de se esperar, se entregou. Precisava daquilo. A dor o estava sufocando, não conseguiria ficar sem Diana. Sempre soube disso. Implorava a Deus todas as noites, para que a fizesse se apaixonar por ele, pois do contrário, seria seu calvário. Agora com ela de novo em seus braços, sentia o ar voltando para dentro de si. O calor acalmando suas dores. Depois ela se enroscou no corpo dele acariciando seus cabelos e enxugando seu rosto.

__Desculpe-me. Estava com ciúmes. Fiquei irritada com o jeito como ela falou comigo. Fiquei com raiva por você te-la deixado agir assim por tanto tempo. Me senti humilhada pela forma como ela colocou nossa diferença financeira. Descontei tudo em você. – Baixou o olhar.- Fui imatura. Mas você sabe que não tenho experiência com relacionamentos. Precisa me dar um desconto. Nem sabia que era tão ciumenta. Também, porque tinha que ser com uma garota tão bonita?- Ela encostou a cabeça no peito dele.- Por favor, pode desconsiderar o que disse antes? Não quero que se afaste.- Ele a apertou em seus braços e beijou sua testa.

__Graças a Deus, meu amor. Estava aqui tentando encontrar um jeito de ficar longe de você. Mas não posso, não consigo, doe demais. Prefiro a morte.

__Não diga isso! Preciso de você vivo. Ruivo descobri uma coisa muito importante ainda a pouco. Uma coisa que já vinha acontecendo a algum tempo, mas que não sabia, não entendia direito o que era.- Olhou em seus olhos verdes, inchados e úmidos- Tive muito medo quando vi seu carro ainda aqui. Pensei que alguma coisa poderia ter acontecido com você. Me apavorei. Quando entrei e te vi assim. -Suspirou.- Doeu muito ver você sofrer. Muito mais do que poderia imaginar . O motivo disso é porque também amo você, não suporto te ver sofrer.- O coração do Ruivo parou pela segunda vez no mesmo dia. E agora batia tão intensamente que parecia que ia sair do peito.

__Jura amor? Você me ama? Tem certeza? Então não vai mais querer me deixar?-Ela balançou a cabeça, emocionada, lágrimas escorrendo de seus olhos também. Ele enxugou o rosto dela com os dedos.- Minha linda. Diana se você me ama, então casa comigo?

__Casar?- Parecia assustada.

__Sim.- Ruivo se encheu de coragem, não ia desistir agora.- Diana, eu amo você. Quase morri de desespero nas últimas horas. Não posso correr esse risco de novo. Se me ama, nem que seja só um pouco, case comigo?- Ela olhou emocionada. Sorriu.

__Sua amiga Georgia não vai achar graça nisso.- O Ruivo sorriu.- Eu tenho que falar com Alex antes, mas eu aceito.

__Mesmo.-Beijou-a.- Ah Diana. Quase me matou de dor hoje. E agora de felicidade. Me devolveu a vida. Eu te amo tanto.- Beijou-a outra vez.- Deixe comigo. Falarei com Alex mais tarde.-Ela ia reclamar mais.- Por favor deixe-me falar com ele.- Pareceu tão seguro. Depois de tudo que tinha acontecido hoje, ele merecia um crédito. Só pode beija-lo de novo. Quando desceram as escadas de mãos dadas e sorridentes, encontraram lá em baixo Ben, Alice e Jorge um pouco apreensivos.

__Está tudo bem?- Perguntou Jorge. Eles sorriram.

__Sim, vamos nos casar.-Disse O Ruivo de uma vez.

__Graças a Deus! – Disse Ben.- Esse gêmeo é muito chorão. Mais que minhas duas filhas juntas. Agora você cunhada é que vai ter que suporta-lo.- E riu de sua piada, todos o acompanharam. Muitos abraços se seguiram. Pouco tempo depois Diana já em casa parecia um pouco ansiosa.

__Está tudo bem mãe?- Alex sempre esperto.

__Na verdade filho, quero te contar uma coisa.- A campainha tocou. Era o Ruivo.

__Oi Diretor, entre vou estudar um pouco.

__Espere Alex, gostaria de falar com você.- Alex desconfiou. Sua mãe chegou perto do Ruivo o olhou.

__Vocês querem se casar?- O garoto era mesmo inteligente.

__Sim. Quero muito me casar com sua mãe, pedi a ela hoje, ela aceitou, mas disse que precisava falar com você antes. Eu pedi a ela que me deixasse falar com você. Somos homens, amamos as mesmas mulheres. Você ama a sua mãe e a minha irmã, eu também. Respeito seus sentimentos pelas duas, e sei que você respeita os meus. Isso não interfere na nossa amizade. Mas agora eu quero fazer parte de sua família. Quero ser marido da sua mãe, e quero ser seu pai.- Diana o olhou assustada.- Não falei disso com sua mãe ainda. Queria saber a sua opinião primeiro. Já tinha falado com Ben, ele disse que posso colocar meu nome em sua certidão de nascimento, você será meu filho reconhecido. Eu quero muito isso, mas aceito se não quiser. Seja como for, já te amo como meu filho no meu coração, e isso não vai mudar. E quanto a sua mãe, vou me casar com ela de qualquer jeito.- Sorriu.- Não importa a birra que fizer. Eu nunca mais amarei outra mulher como amo Diana. Não tenho outra solução além de me casar com ela.

__Já sabia que amava minha mãe, que a queria, mas não sabia que queria ser meu…pai.- O garoto pareceu emocionado.- Porque?

__Já disse, porque amo você como meu filho. E quem não quer um filho gênio da eletrônica?- Riu.- Eu amo você garoto, você sabe disso. Mesmo que não tivermos os papéis, você já é meu filho. Eu apenas gostaria de regularizar as coisas.- Os olhos do Alex se encheram de lágrimas.

__Não se acha muito jovem para ter um filho da minha idade?

__ Sim, mas quero muito ‘este filho’ , sei que você terá paciência com minha falta de experiência. Deixa eu cuidar de você? Não precisa me chamar de pai, só se quiser, é claro. Vamos garoto, deixa eu ser seu pai? – Alex correu e abraçou o Ruivo.

__Eu quero ser seu filho. Quem não quer um pai diretor? – Os dois riram.- Ruivo…vai cuidar da minha mãe né?

__Com minha vida filho.- Repetiu as palavras de Alex no dia que pediu para que ele cuidasse de Clara. Alex se lembrou. __Amo muito sua mãe, me daria a mão dela?- Alex balançou a cabeça sorrindo. Diana via toda a cena sem conseguir falar nada. Quando os homens se aprumaram, o Ruivo se ajoelhou na frente de Diana e disse:

__Minha linda, nunca pensei que amaria tanto assim. Vi esse tipo de amor como padrão durante toda a minha vida, mas sempre achei que não encontraria minha metade. Mas enfim, você chegou. Os homens de minha família amam a mesma mulher para sempre, por favor me permita estar perto de você durante a minha vida, já que ela será sua. Imploro que me deixe amar e cuidar de você. Por favor case-se comigo?-Tirou do bolso uma caixinha branca da joalheria, abriu. Dentro um anel de noivado de ouro branco, cravejado em toda a volta com brilhantes e em cima uma esmeralda de corte redondo, da cor dos olhos do Ruivo, rodeada por pequenos diamantes. Uma peça delicada, sofisticada, muito cara, feita sob medida.

__Você mandou fazer este anel?

__Faz tempo que quero casar com você.- E sorriu.- Você ainda não respondeu amor.- Diana balançou a cabeça e lágrimas rolaram por seu rosto bonito. Ele colocou o anel e se levantou para beija-la. Muito emocionante.

As irmãs de Diana ficaram em êxtase. A família então nem se fala. Diana não queria um casamento tão grande e chique como o de Liv, e o Ruivo não queria um casamento no quintal de casa, como o de Jorge. Mas tinha uma coisa que ambos concordavam, não queriam esperar muito. No almoço da família na casa de Vovô Rodolfo, o esperto idoso teve uma ideia.

__O que acham de se casar na Espanha?- Diante da surpresa de todos o senhor explicou.- Tenho um amigo que está abrindo um hotel na Espanha ,no mês de janeiro. Ele me convidou para testar as acomodações e os passeios oferecidos em seus pacotes.Ele me disse para levar toda a família. Segundo ele, temos pessoas de faixa etária e profissões diferentes. Muitos são viajados e podem comparar, outros podem dar a visão da primeira estadia. Teríamos passe livre por um mês. Se quiserem falo com ele, com certeza vai encanta-lo preparar um casamento pequeno. Podemos aproveitar e ficar as férias por lá. Ben pode conseguir os documentos de todos.

__Seria perfeito vovô! – O Ruivo estava animado.

__Acho muito bonito e romântico, mas como faríamos isso? Tem o colégio, o orfanato e os outros empregos.- Olhou suas irmãs e seus cunhados. – E tem passaporte e passagens.

–Quanto aos passaportes e documentações, só preciso dos documentos de todos.- Disse Ben. E Jorge.

__Quanto ao orfanato, já sei a quem procurar para cuidar de tudo enquanto estivermos fora.

__E quanto ao meu trabalho estou com férias vencidas a tempo. Disse Xande. -E Cunha.

__Meu chefe já me designou as férias para janeiro.- Sorriu.- E as de Deise vão coincidir.

__As minhas são para abril, mas posso dar um jeito e trocar com outro magistrado, é um caso especial todos vão compreender.-Disse Dalia

__As escolas estarão de ressesso, a as passagens serão presente desse vovô aqui.- Sorriu.- Já que não poderei dar a lua de mel de presente como dei ao Ben. Façam uma lista de todos e mandem para mim, o mais rápido possível. E noiva, faça uma lista do que quer para o casamento, flores, doces, músicas essas coisas. Para que eu possa mandar para o Enrico.- De repente viu que aquilo ia mesmo acontecer. Ia se casar no próximo mês, na Espanha, em um hotel muito pitoresco, com um príncipe de cabelos vermelhos.__

__Quero me casar de manhã.- O Ruivo não sabia, mas gostou da ideia na hora.

__Quer que seja nos jardins do hotel, e que almocemos entre as flores?- Ele tinha entendido, ela balançou a cabeça.Ele sorriu.- Pode deixar comigo vovô, mandarei tudo para o senhor, amanhã.Pode pedir para o Enrico mandar as fotos do hotel para escolhermos o lugar da cerimonia?

_ Gente alguém me belisca, eu vou para a Espanha, para o casamento da minha mãe!- Todos riram.

 

O ruivo solteiro

Capítulo 11

As semanas foram passando, sempre muito agitadas, mas o Ruivo e Diana sempre conseguiam um tempo para ficar juntos. A família dizia que faziam um casal lindo. O namoro era doce, carinhoso, gostoso de ver. E pareciam cada vez mais apaixonados. O Ruivo era delicado com Diana, cuidadoso. E sua a amizade com Alex, saltava aos olhos de todos. O garoto tímido parecia outro ao lado do amigo. Nessa felicidade toda, nem viram as semanas passando. Logo eram meses e tudo parecia se encaixar cada vez mais. O novo casal ternura da família Medeiros parecia nas nuvens.

O telefone tocou na sala do Diretor.

__Olá, sala do Diretor.- Era uma voz feminina. Diana não reconheceu, não parecia a secretária já idosa.

__Olá. Gostaria de falar com o Diretor Carlos?- A moça respondeu com um pouco de desdem :

__Desculpe, mas ele não pode atender.

__Ele está em reunião? Poderia pedir para me ligar depois? Sou Diana…

__Ah.. A negrinha com quem meu noivo tem se divertido.

__Como?- Diana ficou furiosa.- Quem disse que é?

__É surda? Eu já disse, é meu noivo. Não achou que ele levaria uma negrinha a sério né?

__O que você está fazendo na sala dele, no meio do horário de aula? Porque a secretária não atendeu ao telefone?

__Ora querida, eu sou de casa, sempre venho aqui.- E riu.- Bem se não tem nada mais a dizer, até mais.- Desligou. Diana ficou olhando o aparelho em sua mão tentando entender o que tinha acontecido. A sem graça não tinha dito nem seu nome.

__Algum problema?- Jorge perguntou.

__Não sei direito.- Olhou para ele.- Me diga uma coisa, conhece alguma garota que esteja noiva do Ruivo?

__Além de você?- Sorriu.- Não nenhuma no momento. Porque?- Pareceu um pouco preocupado. Olhou o telefone ainda na mão de Diana.- O que aconteceu?

__Liguei para a sala dele, uma moça atendeu, disse ser noiva dele. Disse que sempre vai lá nesse horário, que todos vocês a conhecem.- Já estava bem irritada, e ficou ainda mais quando percebeu que Jorge sabia de quem falava.

__Olhe, as coisas não são bem assim.- Suspirou.- É melhor falar direto com o Ruivo. Mas posso te adiantar que não é nada disso. Conheço o Ruivo a vida toda, ele nunca esteve tão envolvido com alguém como está com você.- Diana se levantou.

__Ok, preciso fazer minha ronda.- Assim que saiu, Jorge ligou para o Ruivo. Diana tinha acabado de voltar para a sala, quando o Ruivo entrou intempestivo, arrastando uma loira platinada magricela.

__Oi amor, soube que me ligou ainda a pouco? Queria falar comigo?- Caminhou até ela e a beijou com fúria na frente de Jorge, da secretária Ritinha, e da platinada. Assim que olhou nos olhos dele, Diana percebeu uma explosão de raiva acontecendo.

__Sim eu liguei. Mas podemos falar outra hora. Não precisava vir até aqui. Estou trabalhando, e você também deveria. Quem é essa moça?- A irritação vazou .

__Essa garota é Georgia, namoramos na faculdade, durou pouco porque ela é cimenta, possessiva, descontrolada e preconceituosa. Essa última parte me irritava muito. Mesmo depois que terminamos, ele continuou me enchendo…

__Não terminamos! Só demos um tempo.- Disse a magricela sem vergonha na cara.

__Cala-se Georgia! Estou te avisando, se Diana brigar comigo por sua causa, eu vou processa-la.- Virou-se para Diana.- De vez em quando, essa doida me aparece causando algum desconforto. Nunca liguei, porque não tinha muito com quem me preocupar. Mas não tenho nada com ela ha muito tempo.

__Ela me disse que são noivos.- Diana estava mesmo irritava.

__Não!- Encostou a testa na dela com as mãos em sua cintura.- Diana eu te amo. Nunca enganei nenhuma namorada, iria fazer isso justo com você, que é por quem respiro.- Ele também estava irritado.- Essa maluca sempre diz essas bobagens. Por favor, não acredite nela.

__Como ela estava dentro de sua sala?- Deus, estava mesmo brava.

__Elisete estava no banheiro, eu estava no almoxarifado com Sr Elias da manutenção. Quando entrei em minha sala junto com a Elisete, Georgia estava lá ao lado do telefone.

__Não acredita nele, não é negrinha? Como uma pessoa qualquer poderia entrar na diretoria da escola?- A fúria nos olhos do Ruivo transbordou.Virou-se.

__O que foi que disse?

__Disse a verdade, se sou tão…

__Do que chamou Diana?- Caminhou para ela lentamente.- Vou repetir, do que chamou Diana?- Jorge chegou perto dele, segurou seu braço.

__Não vale a pena Ruivo. Deixe essa louca ir embora. Faremos uma queixa, com a permissão de Diana, claro.

__Não! Desta vez isso vai ter um fim.- Olhou Ritinha.- Por favor Ritinha, ligue para meu irmão. Diga que eu preciso fazer uma denúncia de racismo e preconceito. Diga para me encontrar na delegacia, vou querer também uma medida protetiva.

__Sim Senhor.- Disse Ritinha pegando o telefone. A loira maluca empalideceu.

__Ei! Espere.- Deu um sorriso amarelo.- Tudo isso só porque chamei a negra de negra? Você não reclama quando te chamam de Ruivo.

__ Sim! Mas não é só por isso. Você invadiu a escola, atendeu meu telefone, insultou minha namorada. Me caluniou dizendo que sou seu noivo, sendo que tenho uma namorada. Vou exigir uma medida legal que mantenha você longe de mim, da minha escola e principalmente da minha namorada. Ben com certeza vai conseguir que pague sua infração duramente.- Como num passe de mágica Ben entrou na sala, já ia se desculpar por interromper algo, quando percebeu o que estava acontecendo só de olhar seu gêmeo. Olhou Jorge segurando o braço do Ruivo e Diana apreensiva e irritada, e Ritinha a secretária, com o telefone na mão.Virou-se para Georgia:

__Ah Georgia, eu te avisei que esse dia chegaria.- Olhou para ela a com mesma fúria que o Ruivo, mas falou compassado, ameaçador.- Você vai sair desta sala Georgia, e nunca mais vai chegar perto desta família. Isto inclui Diana, é claro. Se voltar a importunar qualquer um de nós, falarei direto com o senador. Tenho certeza que ele não vai permitir um escândalo em ano de eleição.- A loira ficou vermelha.- Mas não vai sair sem antes se desculpar pelo que quer que tenha feito para deixar meu irmão tão furioso.

__Não farei nada disso!- Empinou o nariz.

__Se prefere assim.- Pegou o celular e depois de um toque.- Oi Dona Marisa, marque um encontro com o Senador Lancaster. Diga que Georgia aprontou outra vez, que meu irmão está furioso e quer processa-la. Desta vez a coisa vai ficar feia…

__Está bem! Farei o que querem!- Interrompeu a magricela.

__Espere Dona Marisa, retorno em seguida. – Desligou.- Muito bem, estamos esperando.- A moça foi até Diana .

__Desculpe por ofende-la. Não somos noivos, por que o idiota do Ruivo não quis. Mas ele sabe que o amo.- Deu dois passos para ele.- Porque você prefere ela?

__Meu coração a escolheu Georgia. Faça um favor a todos nós, vá se tratar. Você com certeza poderá ser feliz. Mas fique longe de mim, da minha família, da minha escola e principalmente de Diana.

__Como pode trocar a mim, a herdeira de um império, por uma…-Ben a interrompeu se achegando ao Ruivo e a Jorge enfileirados na frente de Diana.

__Cuidado com o que vai dizer Georgia! Não é fácil segurar o Ruivo. E dependendo do que diga, nem vou tentar.

__Ele jamais tocaria numa mulher!

__Não preciso te tocar para destruí-la.- Disse severo. – Vá Georgia, e não volte mais.

__Eu vou. Não voltarei. Ficarei esperando para que venha atrás de mim. Será minha vez de esnoba-lo.- Saiu batendo os pés. Os gêmeos compartilharam um olhar.

__Como chegou aqui?- Perguntou o Ruivo.

__Vim trazer para Alice umas coisas que Liv pediu. Quando vi seu carro estranhei. Essa maluca teve uma boa lição. Estava precisando.- Jorge olhou Diana e algo em seu olhar o preocupou.

__Ben, pode vir comigo? Quero tirar umas dúvidas. Ritinha, pode fazer minha ronda por favor?- Eles saíram e o Ruivo se aproximou de Diana colocando as mãos em sua cintura.

__Minha linda não acredite nesta louca, não tenho nada com ela.

__Pode ser, mas talvez ela tenha razão num ponto. É melhor nos afastarmos.- O Ruivo ficou gelado e empalideceu, como se tivesse levado um soco no estomago.

__Como assim? Porque nos afastar?

__Porque é o que quero!- Ela gritou, Ruivo nunca tinha visto Diana gritar. Isto o pegou desprevenido, doeu muito. Visivelmente, fez uma força imensa para tirar as mãos da cintura dela.

__O que está dizendo Diana?- Disse baixo dolorido.

__Estou dizendo que não quero isso para minha vida.- Ele deu dois passo para trás chegando perto da parede. Disse compassado.

__O que exatamente não quer para sua vida?-Ela respondeu firme, com raiva.

__Você.-  O Ruivo chocou as costas contra a parede com força, como se tivesse sido atingido por um adversário muito maior, mais forte. Os olhos encheram de lágrimas, a respiração ficou arrastada. Disse num sopro.

__Porque?

__Você é o filho de um rico empresário, merece alguém melhor que a filha de um traficante presidiário. Eu não estou a fim de disputar você com outras, já sofri estresse por dezenas de vidas, não quero isso para mim. Estou farta de sofrer. Farta!- Ele fechou os olhos dizendo:

__Diana não faça isso, se for só por Georgia. Temos uma relação maravilhosa. Eu amo você. Meu coração te escolheu. Preciso de você. Sempre lutarei por sua felicidade. Se realmente quer que…

__Eu já disse o que quero!- Ele cerrou mais os olhos.

__Se realmente tem certeza, farei o que quer.- A voz dele falhou e Diana sentiu um aperto no coração.- Mas não jogue tudo que temos fora. Não me jogue neste inferno apenas por uma menina mimada, preconceituosa, com um coração de plástico. Sou apaixonado por você e você sabe.   O showzinho de Georgia não merece isso. Pense bem minha linda.

__Quer que repita? Eu quero que se afaste. Não quero você perto de mim.- Ele se contorceu como se realmente sentisse dor.

__Deus!- Foi a última palavra que disse de olhos fechados. Abriu os lindos olhos verdes, as lágrimas transbordando com força. A respiração pesada. Falou devagar, a voz baixa, mas clara.

__Certo.- Mordeu o canto do lábio inferior. Puxou o ar  com força, soltou devagar, estava tentando se acalmar. Não olhou nos olhou de Diana quando disse:- Todos os momentos que passamos juntos foram maravilhosos, jamais esquecerei. Nunca fui tão feliz como nos últimos meses.  Espero que continuemos amigos. Se quiser falar sobre Alex ou qualquer outra coisa, por favor me procure, você sabe onde me encontrar.- Foi se afastando da parede devagar. Caminhou lentamente até a porta sem se importar em enxugar as lágrimas. Pôs a mão na maçaneta.- Podemos continuar nos vendo nos almoços de família não é?

__Sim.- Ele balançou a cabeça.

__Seja feliz minha linda.- Ainda sem olhar para Diana, ele saiu. Uma tristeza invadiu o coração de Diana. Ficou um bom tempo sozinha na sala. Jorge só voltou depois das 4 horas. Ele podia fazer isso, mas não era comum. E quando entrou na sala parecia triste. No fim do expediente, quando foi pegar o carro no estacionamento, viu os carros de Ben e do Ruivo ainda lá. Estranhou muito. Será que tinha acontecido algo, eles sempre tão ocupados correndo de um lado para o outro, como estavam até aquela hora na casa de Jorge? Ficou preocupada. Viu Alice no quintal, vendo seus filhos brincarem. Parecia triste. Ficou mais tensa ainda.

__Oi Alice, está tudo bem?- Alice pensou, pensou, então:

__Não. Não está. Eu não devia te dizer. Afinal você tem o direito de rejeita-lo, mas não vou compactuar com isso.

__Do que está falando Alice?

__Estou falando do meu sobrinho chorando arrasado a tarde toda no colo do irmão, lá no quarto de brincar. Estou falando no desespero de ouvir a mulher que o coração dele escolheu, dizer que não o quer. Estou falando na aflição de vê-lo resignado com o sofrimento que vai enfrentar, porque está disposto a fazer o que você quer. Ele não consegue ficar longe de você, não sabe como vai fazer isso, mas fará. Porque ama você, e a sua felicidade vem antes da dele. Está sangrando. Totalmente desesperado. Não posso vê-lo assim e não te dizer nada. Não eu. Fiz isso com um homem uma vez, me arrependi amargamente. Paguei caro por magoa-lo assim de propósito, mas graças a Deus consegui consertar meu erro. E você Diana, o que vai fazer?

__O que?

__Você tem duas opções: Pode entrar no carro e voltar para sua vida sem o Ruivo, ou pode subir lá agora e tirá-lo desta angústia, deste inferno, e ser feliz com ele. A escolha é sua, mas eu sei que você também o ama. Sei que ferveu de ciúme por causa  daquela sem graça da Georgia. Sei que ficou com raiva por ele não ter dado um jeito nela antes. Sei que ficou preocupada quando viu o carro dele ainda aí. Sei que passou todo tipo de pavor por sua cabeça tentando entender porque ele ainda está aqui. – Ela não negou nada do que Alice disse. – Ele está sofrendo muito Diana, o peito está em carne viva, é louco por você, vá salva-lo.- Diana não pode evitar, sorriu para Alice entrou na casa dela, subiu as escadas, nos degraus já ouviu os soluços. Seu coração acelerou, ele estava chorando, sofrendo por ela.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O ruivo solteiro

Capítulo 10

Quando Diana chegou em casa as seis e meia em ponto, Alex já tinha tirado pó de toda a casa, passado um pano úmido no chão, conferido a limpeza dos banheiros. E estava acabando de arrumar seu quarto.

__Deus, preciso chamar Clara mais vezes.- Riu.-

__Engraçadinha. O que vai cozinhar?

__Está muito quente, vou fazer uma salada  crua e uma cozida, arroz branco e bife a parmegiana.- Alex sorriu. Sua mãe era especialista neste prato.

__Certo vou descascando os legumes da salada.- Disse ele. Uma hora depois o bife já estava no forno baixo, os legumes cozidos já estavam resfriando, a salada crua já estava na geladeira e o arroz branco já estava pronto. Diana estava terminando de arrumar a cozinha, quando Alex saiu do quarto cheiroso, recém banhado.

__Ei! Deixa que termino isso. Não vai tomar um banho, se refrescar?

__Sim. Filho arrume a mesa lá na varanda, já separei tudo, está ali na bancada, obrigada.- Diana foi para seu quarto. Levou consigo um vaso de lírios. Alex viu flores espalhadas pela casa, na cozinha, na pequena sala, na varanda. Ela havia arrumado em lugares estratégicos. O cheiro invadiu o ambiente e se misturou ao aroma da comida.. Alex arrumou a pequena mesa de madeira branca com uma toalha branca de crochê colocou os pratos brancos e copos altos bem ordenados com os guardanapos com bico lindo de crochê. No centro da mesa, um solitário com dois lírios dentro. Alex riu, o vaso precisaria trocar de nome. A porta abriu, era tia Deise.

__Está um cheiro no corredor…- Parou-.-Que flores lindas! Foi o diretor certo? Dalia!- Gritou no corredor.- Venha aqui rápido.- Num segundo,  tia e  tios estavam no apartamento. Quando viram o motivo, os homens voltaram para trás frustrados, e tia Dalia tinha um sorriso bobo no rosto.

__Ele está para chegar, é melhor irmos Deise. Depois obrigamos Diana a contar tudo para nós. Porque esse ingrato aqui. – Apontou para Alex.- Não dirá nada. -Fez uma careta para ele. Depois acariciou seu rosto e saiu. Deise piscou para ele e também se foi. Poucos minutos depois, a campainha tocou. Alex abriu e Clara estava a frente do Ruivo com uma travessa nas mãos.

__Oi. Precisa ficar na geladeira.- Deu a travessa para ele e entrou.- Posso entrar né?- O Ruivo balançou a cabeça.

__Oi Alex. Isto também precisa gelar.- Era uma sacola com 3 garrafas, um vinho branco, um tinto e um suco.- Quer que ajude a guardar?- Os dois foram para a cozinha. Era pequena mas funcional. A lavanderia era acoplada. Tudo branquinho, com apenas alguns detalhes em cromado. O cheiro estava delicioso. A sala um pouco mais espaçosa,  tinha poltronas brancas e almofadas verde água. As cortinas eram de crochê. Vasos de lírios espalhados fizeram o Ruivo sorrir. A varanda era charmosa, tinha 2,50 de largura por 5,80 de comprimento. Diana tinha colocado dois vasos altos e estreitos com os lírios neles. Na parede esquerda, um aparador com travessas de inox com tampas. A mesinha redonda estava coberta com uma linda toalha de crochê e muito bem arrumada para quatro. A toalha logo chamou a atenção de Clara.

__Que linda!

__Mamãe que fez. Ela é muito habilidosa com agulhas. – Olhou para o Ruivo divertido.

__Que Deus me defenda! – Todos riram. Diana entrou na sala e veio caminhando calmamente para eles.

__Oi linda. – Beijou sua testa.- Pelo cheiro que estou sentindo, demos trabalho para você. Desculpe.- Sorriu para ela.

__Não se preocupe, gosto de cozinhar. Não sou tão boa quanto Clara é lógico.- Sorriu para a loirinha.- Você está bem querida?- Clara foi até ela a abraçou e beijou como era seu costume.

__Estou muito bem. Obrigada por me convidar.- Sorriu- Trouxe mousse.

__Deus, não! Terei que correr mais amanhã.- Suspirou. Todos riram.

__Você corre todo dia?- Clara perguntou.

__Sim. Me tira o estresse. Fico mais ativa e mais calma.

__Acorda muito cedo então.

__Acordo seis . –  Era no mesmo horário que ele, pensou o Ruivo.

__Aonde corre?

__No parque. Na verdade saio daqui e vou até lá. Dou uma volta e volto. Chego mais ou menos as sete. É o tempo de me arrumar, deixar Alex na escola, e ir para o orfanato. Meu expediente começa as oito, mas gosto de chegar um pouco antes.

__Corre sozinha, ou Alex também vai.- Ela riu.

__Alex vai quase todo dia.- E Alex completou emburrado .

__Vou empurrado. Odeio acordar cedo, e não gosto muito de correr.

__Mas precisa fazer exercícios. Não pode exercitar só a mente. Seu corpo está crescendo, precisa se fortalecer.

__Falou igual minha mãe. – Disse Clara.- Só que ela diz isso para o balé. Também não sou apaixonada por dançar. Mas eu aprendi um pouco. Nunca serei como Liv, mas é gostoso.

__Eu sei. Na volta, já não estou tão aborrecido.- Olhou para a mãe.- Não é?

__É sim. Na volta até ganha de mim.- Olhou o Ruivo.- Você vai a academia todos os dias?

__Religiosamente.- Respondeu Clara. Todos riram.- É impressionante. Não sei como esses ruivos conseguem malhar tanto. Ah! E não vão parar tá. Papai faz igual. Por isso moramos naquele prédio ha tanto tempo. Minha mãe disse que ele se apaixonou pela academia de lá quando foram ver para comprar. Nem eram casados ainda. -Conversaram um pouco mais. Depois, Diana serviu o jantar, escolheram o vinho tinto. E os jovens beberam suco. Foi muito agradável e divertido. Os meninos lavaram a louça, enquanto Diana mostrava seus trabalhos em crochê no seu quarto..

__Você é muito talentosa! São lindíssimos. Mamãe e tia Lia iriam amar.

__Verdade? Elas gostam de crochê?

__Sim. Minha avô Clara e a Mãe de Tia Lia, Olivia eram irmãs. A mãe delas Dona Francesca, fazia trabalhos assim em crochê. Minha mãe e Tia Lia, tem uma colcha cada uma, que Dona Francesca fez antes de morrer. Contam que era muito triste, o marido era um bruto, judiava dela e das filhas. Ela encontrava prazer nestas coisas. No crochê, no balé, na música, na jardinagem, na pintura. Ela era uma artista. Todos herdamos um pouco dela. Também sabia cozinhar, era italiana. -Sorriu.-

__O Orfanato tem o nome dela certo?

__Sim. Quando o velho Fazzano morreu. Os advogados acionaram os herdeiros. Tia Lia não sabia que era prima da minha mãe, mas tio Rick descobriu. Ela herdou aquela chácara. Dizem que Dona Francesca ficava lá quase todo tempo. Ela ensinava as filhas do caseiro a fazer todas essas coisas e cuidava da horta e do jardim. Então quando Jorge quis montar o Orfanato, Tia Lia doou a Chácara.

__E Jorge em agradecimento, deu o nome da avó dela ao Orfanato.

__Foi isso.

__Vocês todos são muito unidos. É bonito de ver.

__Nos amamos muito. Conhecemos nossos defeitos e limitações, compreendemos e tentamos nos fortalecer, nos proteger. – Olhou Diana nos olhos.- Meu irmão é um bom homem e está muito apaixonado por você. Não precisa ter medo dele, não seria capaz de te magoar. Não antes de destruir seu próprio coração. Em contra partida, está indefeso contra você. Nunca amou assim, está assustado com o poder do que está sentindo. Mas vai continuar agindo com cuidado, devagar, até que você se sinta segura. Ele é forte, pode esperar. O problema vai ser se você desistir dele. Ele não sabe mais se consegue voltar deste caminho que o coração dele escolheu. Promete que vai ter cuidado com ele, por favor? – Diana viu a menina linda em sua frente, dizendo que aquele ruivo poderoso na cozinha estava em suas mãos. Implorando para que ela tivesse cuidado com o coração dele. Mal podia acreditar.

__Farei tudo para que ele seja feliz. Prometo.- Sorriu.- Se você também prometer cuidar do meu filho.- Clara corou, mas permaneceu encarando Diana, era valente a loirinha.

__Eu prometo. Cuidarei de seu filho com minha vida. E o amo e amarei para sempre. Sou uma Medeiros, tenho o sangue dos falcões. Continuarei amando Alex enquanto houver vida dentro de mim. Eu juro por minha família, que no que depender de mim ele nunca ficará sozinho. E se algum dia ele não me quiser mais, entenderei, mas ficarei sozinha.  Jamais poderei amar assim novamente. As mulheres de minha família são todas valentes, lutam com fibra por seus parceiros. Farei isso, pode acreditar. Lutarei pela felicidade de Alex do jeito que for preciso. Tem minha palavra.- Diana estava sentada na cama e Clara na poltrona do quarto de costas para porta. A menina não viu Alex de pé na porta ouvindo seu juramento. Não viu os olhos claros dele encherem de lágrimas. Diana viu e não tinha mais dúvida. Iria mesmo ver seu filho se casando com aquela menina corajosa. Antes de qualquer movimento Alex sumiu no corredor.

__Eu acredito em você querida. Alex é mesmo um rapaz de sorte.- Quando voltaram para sala. Alex estava no quarto dele atendendo ao telefone. Clara foi chama-lo, para se despedir. Quando entrou ele olhava pela janela.

__Alex? Está tudo bem?- Ele não disse nada.- Olhe, correu tudo bem. Sua mãe está feliz, meu irmão também. Não precisa ficar assim receoso. Ele vai cuidar dela, não se preocupe.- Ele se virou, olhou nos olhos negros de Clara e disse:

__Eu amo você. Amei desde a primeira vez que te vi na biblioteca. Continuarei amando para sempre. Imploro, que espere até que eu possa cumprir a promessa que fiz a minha mãe. Então, me ajoelharei aos seus pés, e pedirei que se case comigo. Sei que é difícil esperar para você, não é da sua natureza, da natureza de sua família, mas suplico. Não poderia suportar perder você. Meu coração é seu, por favor, me espere.- Os olhos de Clara, negros e brilhando das lágrimas não derramadas, sorriram para ele.

__Lógico que vou esperar por você. Eu te amo. Esperarei o quanto for preciso.- Caminhou decidida para ele. Colocou os braços em volta do pescoço dele e beijou-o. Longo, amoroso, selando um juramento.- Espero que um beijo bom assim não interfira na nossa amizade. – Clara sorriu.

__Você meu amor, não existe.- Encostou a testa na dela. Abraçou-a.-  Jamais deixarei de ser seu amigo. Gosto de conversar com você. Admiro você. Eu achava que mulheres fortes, tinham que ter sofrido para ser assim, como a minha mãe e as minhas tias. Mas ai conheci você, e descobri que vocês já nascem assim, corajosas, decididas. E você além disso é linda e tão doce. Não tinha como não me apaixonar. Mas não quero quebrar minha promessa. É importante para mim. Ao mesmo tempo, não posso te perder. Sei que não tenho muito para lhe oferecer, mas eu terei. Juro.

__Quero apenas você. E esperarei, acredite.- Beijou a ponta do nariz dele.- Eu já disse, eu te amo.- Alex sorriu.

__É tão bom ouvir isso. Prometo não demorar muito para resolver nossa situação.

Enquanto isso lá na sala.

__Você cozinha muito bem. Parabéns.- Disse o Ruivo passando os braços por sua cintura.- Posso abraçar você? Estou com saudades.- Sentiu seu perfume.- Gostou mesmo das flores?

__Sim. Você é um doce.- Beijou seus lábios de leve. O Ruivo riu.

__ Não sei se isso é mesmo um elogio. Alex me disse que você não come muito doce.

__Ah! Andaram conversando sobre mim. Isso é quase verdade. Não como muito doce porque se começar não consigo parar. Então guardo para ocasiões especiais. Estranhei mesmo que soubesse qual minha flor preferida.- Sorriu.

__Estou apaixonado, preciso de toda a ajuda possível para te conquistar. Então gosta de doces?

__Gosto. Mas gosto mais de você.- Ele cheirou o pescoço dela.

-__Posso te beijar?- Ela afirmou. Ele começou devagar, carinhoso, mas assim que ela correspondeu não soube mais o que estava acontecendo. Em segundos a única consciência que tinha era seu coração desgovernado dentro do peito. Aquele vestido branco soltinho, de algodão macio, não servia muito para desmotiva-lo. E nem aquela trança grossa, que unia  todas as trancinhas fininhas. Sem contar aquele sabor tão…tão.. Ouviu alguém limpar a garganta.

__Se quiserem podemos esperar lá dentro.- disse Clara rindo depois que olharam para ela e Alex um pouco assustados. O Ruivo também riu. Até quando poderia aguentar.

__Já é tarde, amanhã tem aula.- Beijou a testa de Diana.- Obrigado pelo jantar linda, e pela companhia.- Olhou para Alex.- Foi ótimo.- Enquanto as meninas se despediam disse:.-Alex, tudo bem para você me ver beijar sua mãe? Sei que deve ser meio estranho, mas sabe que gosto dela. Farei isso sempre que ela quiser.

__Eu sei. Só foi novo.- Olhou o Ruivo.- Tudo bem. O dia esta muito surpreendente hoje.

__Para o bem, espero.- Alex olhou Clara.

__Acho que sim Diretor.

__Quer me chamar de Ruivo, ou de Carlos?- O garoto, sorriu.

__Gosto de Diretor. – Os dois riram.

__Na manhã seguinte, 6:10 Diana e Alex saíram pela portaria para correr quando chegaram ao parque um certo Ruivo se alongava já bem suado.

__Bom dia diretor, o que faz aqui?- Perguntou Alex.

__Vim correr com vocês. Já fiz uma parte da minha série. Achei que seria legal correr com vocês. Tudo bem?

__Claro.- E foi assim que este hábito começou. Todas as manhãs corriam juntos os três. Davam uma volta no parque. Enquanto mãe e filho corriam de volta para seu prédio 5 quadras ao norte, o Ruivo subia de volta para a academia de seu prédio em frente a entrada sul do parque. Durante toda semana, Alex foi correr sem reclamar. Semana cheia de provas e trabalhos para entregar. O Ruivo as voltas com suas obrigações da escola e Diana no orfanato. Mas todas as manhã tinha um beijo garantido. Neste sábado, Diana estaria de plantão no orfanato. Combinou de encontrar o Ruivo no domingo para almoçar num restaurante na praia. Alex e Clara iriam junto. Depois iriam ao parque de diversões. Diana parou o carro na garagem sete e meia da noite. Estava exausta. Subiu o elevador direto para seu andar. Não havia ninguém no corredor. Isso não era comum. Abriu sua porta e se deparou com um Ruivo lindo de camisa branca e calça jeans lhe esperando com um sorriso no rosto e um copo de suco na mão.

__Ei! Estou vendo miragens agora?- Ele sorriu ainda mais.

__Você eu não sei, mas eu com certeza. – Beijou sua boca com carinho.- Cansada minha linda?

__Bastante. Onde está Alex?

__Foi com suas irmãs ao cinema, deve voltar lá pelas nove. Me deixou aqui, com a condição que deixaria você descansar.- Eles riram- Vá tomar um banho. Eu vou preparar seu jantar. Prometo que não vou espia-la. – Pensou.- Eu acho.- E riu.- Diana pensou.- Vamos era brincadeira. Vou estar ocupado não deixando queimar nada. Prometi a Alex alimentar você e deixa-la descansar. Mas queria te ver hoje. Se ele chegar e você não estiver como ele disse, não vai me deixar te esperar mais.- Diana caminhou para seu banho. Quando voltou banhada para a sala, sentiu um cheiro gostoso de molho branco. O Ruivo estava de costas, lavando umas verduras. Ela o observou cortar os tomates, arrumar o alface, as cenouras, ele era minucioso.

__Pensei que não soubesse cozinhar?- Ele riu.

__Não se anime. Só sei fazer este macarrão porque Clara me ensinou para eu não passar fome, quando estivesse sozinho. Mas é gostoso. Quer vinho?- Ela aceitou, depois de servir uma taça e desligar o fogo disse:- Sei que fui muito invasivo, não tinha o direito de te esperar sem falar com você antes. Mas é que queria te mostrar uma coisa, queria muito saber se gostou e para isso precisava estar aqui.

__Tudo bem. O que é?- Ele pegou sua mão, caminhou para a varanda, abriu as cortinas e as portas de vidro. A primeira coisa que Diana viu foi o parapeito de ferragem coberto de floreiras com kalanchuê  de todas as cores. Sua pequena mesa branca estava arrumada para dois e no meio dela além do solitário com dois lírios tinha também velas acesas. A parede da direita recoberta com um jardim suspenso que acabava numa chaise redonda com estofamento verde claro. Do lado dela os vasos com lírios brancos. Na parede esquerda, junto com o aparador vários vasos compunham um jardim  verde e acima do aparador uma prateleira tripla  com adereços e vasos floridos. A iluminação também estava diferente, preparada para um jardim. Diana rodopiou bem lentamente no meio da varanda.

__Você fez um jardim na minha varanda?- O Ruivo pareceu incerto. Será que ela não tinha gostado? Será que ele tinha errado a mão? Todo mundo disse que estava lindo, não foi? Tia Lia era mestre em projetar jardins lindos. Ele tinha achado lindo. Mas é se ela não gostou de algo? Droga devia ter pedido antes.

__Sim. Achei que ia gostar. Mas se não gostou de alguma coisa podemos trocar ou…- Ele não pode terminar, Diana se jogou em seus braços e beijou sua boca com todo fervor.

__Obrigada!Obrigada. Obrigada. Amo flores, elas me acalmam, me alegram. Mas nunca tinha tempo para fazer. Sempre quis fazer um jardim aqui. Nunca imaginei um tão lindo assim. Você é mesmo um doce, Ruivo. Nem sei como agradecer. -Os olhos negros marejaram.

__Eu faço qualquer coisa para te ver feliz. Alex disse que você queria fazer o jardim, mas nunca tinha tempo. Pedi a tia Lia para projetar  um para você, ela é ótima. Então ela me mandou a lista do que precisava, e um desenho. E aí está. Queria te alegrar. Amo você minha linda, preciso que seja feliz, é minha única chance de ser feliz também.

__Ficou lindo! Obrigada namorado.-Beijou-o.

__Se continuar me beijando assim, vou derreter.- Riu. Depois suspirou profundamente.- Eu te amo minha linda namorada. Estou muito feliz que  tenha gostado.

__Eu amei tudo. Não sabia que era jardineiro?

__Gosto de plantas, e elas gostam de mim.- Sorriu.- Minha tia me ensinou algumas coisas.

__Gosta de ser ensinado por mulheres? Sua mãe o ensinou a dançar, sua tia a cuidar de plantas, sua irmã a fazer macarrão….

__Você me ensinou a amar. – Beijou-a em seu lindo jardim. Um beijo apaixonado. – Agora vou alimenta-la como prometi ao meu mais novo amigo de infância, Alex.- E riu.

__Devo ter medo das armações de vocês?

__Jamais. Nós dois amamos você.